sábado, 25 de janeiro de 2014

Dica cinematográfica: Por que deu a louca no sr. R? (1970)

802_posterFilme antigo, mas que continua atual depois de mais de 40 anos da sua realização.

"Por que deu a louca no sr. R?" conta a história do sr. R, um desenhista técnico de meia idade, pai de um família de classe média de Munich, que vive entre a melancolia e a ternura da vida, com grandes momentos de apatia em relação ao que acontece à sua volta.

Com menos de 1 hora e meia, nós somos apresentados à vida apática, somos tomados pela inércia social em que o sr. R vive, forçados a acompanhar diálogos vazios, sem sentimento, com risadas falsas e opiniões, igualmente falsas e vazias.

Ninguém vive de verdade nesse filme. O próprio sr. R se vÊ forçado de todos os lados a ser sempre algo mais do que ele já é, seja com sua esposa, com seu filho ou n seu trabalho. Ninguém o deixa pensar por si mesmo e ele acaba se esgotando, assim como quem está assistindo, culminando num fim trágico, porém inevitável.

Aliás, os últimos segundos antes da tragédia formam uma certa tensão, pois o espectador começa a esperar, ou melhor, ansiar pelo que está para acontecer.

E quando acontece, surge até um alívio ao saber que o sr. R finalmente fez algo em relação ao que exigiam dele.

O filme não funciona tão bem como crítica social quanto seus sucessores, mas funciona muito bem, principalmente se você pensar que, mesmo que de forma indireta, esse foi um filme que motivou muitos outros que surgiram após ele e até mesmo um certo movimento de filmes independentes nos EUA.

Filme mais que recomendado e também muito difícil de achar.

4 pontos e meio

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Dica cinematográfica: Paprika (2005)

thPaprika é um filme de animação japonesa de ficção científica do longínquo ano de 2005.

O filme começa com o tratamento de um policial, que sofre com um trauma do passado, utilizando uma tecnologia nova e experimental que envolve uma cientista entrar nos sonhos do paciente para descobrir as causas de seus traumas e curá-los. Tudo dentro da cabeça do paciente.

No entanto, essa tecnologia é roubada da empresa e resultados catastróficos começam a aparecer.

Como todo filme de anime, a história é bem curta, tendo uma narrativa rápida, mas que só acrescenta pontos para um filme que aborda temas muito complexos, além de conter diversos "easter eggs" difíceis de serem localizados, exatamente pela complexidade que cada um representa e até mesmo pela narrativa ser muito rápida.

Quanto a parte técnica, não há do que reclamar. É um filme soberbo, com uma trilha sonora não tão boa, mas com uma das melhores animações que eu já vi, bem leve, suave e vibrante.

Enfim, é um ótimo filme de ficção científica, muito recomendado.4 pontos e meio

domingo, 19 de janeiro de 2014

Dica cinematográfica: "Ela" (2014)

spike-jonze-her-620x916A primeira dica de um filme lançado nesse ano.

"Ela" conta a história de um solitário escritor de um serviço estranho de cartas escritas à mão (só que, na verdade, digitadas pela inteligência artificial do computador que escreve tudo que o escritor fala) chamado Theodore.

Em um belo dia, Theodore compra um novo sistema operacional, que têm uma voz feminina sensual, além de uma impressionante inteligência artificial, tudo que Theodore precisava para se apaixonar pelo sistema.

"Ela" faz parte de uma nova leva de filmes de sci-fi, com uma pegada indie e romântica, abordando temas com delicadeza, mas sem cair na melação romântica de filmes como Titanic, se tornando obras interessantes, que analisam uma determinada condição humana com originalidade e carisma, no caso desse filme a solidão humana e como seres humanos cobrem esse vazio dentro de si com novas tecnologias, além de mostrar o que isso acarreta em suas vidas.

O diferencial de "Ela" é que nada disso é mostrado de forma destrutiva ou arrasadora, muito pelo contrário, é até otimista.

Enfim, recomendo esse filme pelo seu tom simples e original de abordar um tema muito em voga na atualidade.

5 pontos

sábado, 18 de janeiro de 2014

Dica cinematográfica: Short Term 12 (2013)

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Short Term 12 é um filme de 2013 que conta a história de um grupo de jovens assistentes sociais num lar que acolhe crianças com problemas familiares ou órfãs.

A história é bem simples e é essa simplicidade que agrada, apesar de alguns temas serem abordados de forma mais dramática e até irritante, mas que não tira o tom de realismo do filme, afinal, são temas delicados e que não podem ser abordados de forma simples demais.

Além disso, são contadas diversas histórias, não só dos jovens residentes no lar, mas também dos próprios assistentes sociais, inclusive um deles é um legítimo contador de histórias, que conta uma das melhores histórias da história mundial no final.

No final, você conclui que esse filme não passa de um conjunto de histórias, que não tem finais nelas mesmas, mas que se encontram e se misturam com as histórias de outros e não terminam de forma definitiva, elas meio que terminam um capítulo e começam outros.

Enfim, é um bom filme, com uma história gostosa e uma parte técnica muito decente, além de uma boa trilha sonora.

4 pontos

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Dica literária: Noite na taverna

Noite na Taverna -Alexandria"Noite na taverna" é um livro muito louco criado por Álvares de Azevedo e publicado postumamente em 1855.

É um livro curtinho e já que eu estou meio sem tempo, decidi lê-lo, conta com alguns capítulos curtos, cada um centrado em um personagem, algum bêbado da taverna, contando para seus amigos, os outros bêbados da taverna, histórias macabras, sórdidas, sombrias e pervertidas, deixando para o leitor o trabalho de descobrir se são reais ou não.

Sendo um livro do romantismo, as mulheres, suas amantes, são sempre elevadas ao patamar de semi-deusas, nobres donzelas, de corpos perfeitos, rostos lindos demais para olhos humanos, além de uma pureza etérea, fazendo os homens sentirem-se rebaixados, pequenos e indignos de seu amor.

É exagerado ao extremo, com uma linguagem clássica, difícil de se ler em diversos trechos, mas que não prejudica o entendimento das histórias, que aliás, são muito boas. Os temas sombrios e sórdidos são explorados de maneira muito interessante, com um pezinho no absurdo, lembrando escritores famosos como Franz Kafka e Edgar Allan Poe.

Enfim, para quem, como eu, gosta de histórias sombrias, nebulosas e sórdidas, recomendo muito.

Para aqueles que se ofendem fácil ou se escandalizam de maneira fácil também, não recomendo. Aliás, esse livro não é fácil de ser lido, até mesmo pela linguagem adotada.

4 pontos

domingo, 12 de janeiro de 2014

Dica literária: "Os irmãos Karamazov" de Fiódor Dostoiévski

OS_IRMAOS__KARAMAZOV_1322906329PApós três longos meses lendo essa "tortura" (o livro tem mais de 700 páginas), finalmente resolvi fazer esse post.

"Os irmãos Karamazov" é um livro de 1881. escritor por Fiódor Dostoiévski e é tido como um dos melhores livros da literatura russa e de todos os tempos.

Sua história é contada do ponto de vista de um monge, fora da ação, mas que conhece todos os fatos e também é onipresente, o que deixa uma dúvida no ar indagando se tudo o que é dito realmente aconteceu. A história contada se centra em três irmãos, filhos de um homem rico de uma cidade pequena no interior da Rússia. Os três irmãos interagem com diferentes pessoas, cada um seguindo um caminho diferente, enfrentando seus próprios dilemas, muitas vezes sem poder contar com a ajuda deles entre si.

Este não é um livro ruim, mas também não é essa Brastemp toda que todos dizem. Para começar, a história não é lá grande coisa, mas o desenvolvimento dela e a construção dos personagens é muito bem escrita, apesar de muito se perder na tradução para o português. Os personagens também são muito bem característicos, o que não cria nenhuma confusão, levando-se em conta o número de personagens que a obra contém.

No entanto, não é um livro fácil de lar, afinal têm mais de 700 páginas, diversas conversas que acrescentam pouco a narrativa e servem mais para mostrar a filosofia de vida que Dostoiévski seguia ou queria seguir, não fica claro.

Enfim, "Os irmãos Karamazov" é um bom livro, mas a obrigatoriedade de leitura ficapor sua conta e risco.

3 pontos

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Dica cinematográfica: "Safety not garanteed" (2012)

safety-not-guaranteedDos produtores de "Little Miss Sunshine" (O que, na verdade, não quer dizer muita coisa-não acredite nesses cartazes), veio esse filme indie de 2012 chamado "Safety Not Granteed" ou "Sem segurança nenhuma".

O filme conta a história de um grupo de Seattle formado por um jornalista e dois estagiários que procuram por uma história para apresentar em sua revista e correm atrás de um anunciante pedindo para alguém ser seu parceiro em sua viagem de volta no tempo, com um crítico detalhe: A SEGURANÇA NÃO É GARANTIDA!

Com o simples motivo de descobrir qual é a do maluco, se ele realmente acredita nisso ou se só está querendo brincar com os outros, esse grupo, pouco convencional, acaba se envolvendo em algo, aparentemente, maior, mais fantástico e, de certa forma, mais assustador do que imaginavam.

Esse é mais um desses filmes de baixo orçamento, pelo menos é o que parece, visto os efeitos especiais,  a qualidade da imagem e tal, mas que é, felizmente, salvo pela trilha sonora e o desenvolvimento da história.

Para começar, "Safety not garanteed" é listado como um dos filmes recentes que anda mudando a imagem do sci-fi entre os cinéfilos, mostrando o lado "humano" desse gênero, afinal, tudo tende ao romance nesse filme, mas passa pelo gênero coming-of-age e termina na mais pura ficção científica, depois de fazer seu cérebro dar voltas, diversas voltas pelas histórias desses personagens, fortes e bem característicos.

Obviamente, o filme conta com "tipos" que fazem sucesso em qualquer filme, mas o desenvolvimento de sua história, isso inclui como ela é contada e como desenvolve cada um desses "tipos", é o grande trunfo dessa película, que te faz sorrir e deixa aquela sensação de mistério e prazer no final.

Enfim, fica a seu critério saber se a viagem no tempo funciona mesmo, ou não.

5 pontos

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Dica literária: O reino do amanhã

o-reino-do-amanhaO Reino do Amanhã é uma HQ épica de 1996, criada por um ótimo escritor chamado Mark Waid e um desenhista incrível chamado Alex Ross.

Na história conhecemos o futuro dos super-heróis da DC. Um mundo onde a Liga da Justiça se "aposentou" e um novo conjunto de super-heróis tomou o seu lugar. Esses super-heróis acabaram com os antigos super vilões, mas suas vidas se tornaram tão vagas e sem propósito que eles acabaram criando seus próprios códigos de conduta, brigando entre si e fazendo sacríficios morais e sociais inaceitáveis, de acordo com as leis dos antigos super-heróis.

Nesse cenário o Superhomem volta a agir, convocando seus antigos parceiros para retomar a liga da justiça, no entanto, Lex Luthor arregaça as suas mangas e começa a elaborar um plano para acabar com todos os seres com super poderes da Terra.

"O reino do amanhã" foi um marco na história dos quadrinhos, se tornando uma HQ influente até os dias atuais, retornando com um essência dos super-heróis perdida na remota década de 90 (70 e 80 também, por que não?), motivados por linhas de pensamento pra-lá de liberais e quadrinhos underground, muitos artistas deixaram de lado o antigo modo de se fazer quadrinho e começaram a "abusar" de seus super poderes, sem falar na criação de outros super heróis que não eram tão heróis assim, popularizando-se o anti-herói.

Mark Waid, um cara tradicional, amante dos quadrinhos antigos decidiu fazer essa HQ, em parte como um resposta aos novos artistas, colocando em cheque muito do que se acreditava ser certo ou errado, incluindo questões existenciais  e delicadas nas páginas dessa maravilhosa HQ.

Tudo isso acompanhando da exuberante arte realista de Alex Ross, um cara perfeccionista, louco por detalhes, que criou a arte mais fantástica que eu já vie m uma HQ.

"O reino do amanhã" foi compilado e não é um livro longo, mesmo que tenha muitas páginas, a história flui naturalmente e se têm um ponto negativo é a junção de texto com imagem. Você não sabe se lê as falas dos personagens ou admira as obras de arte de Alex Ross primeiro.

[caption id="attachment_481" align="aligncenter" width="77"] Selo "Supernova" de excelência[/caption]

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Dica cinematográfica: Gravidade (2013)

gravidade-o-filmeOutro ótimo filme de 2013 no blog.

Gravidade é um filme de ficção científica que conta a história de uma astronauta, que se vê em uma aventura de tirar o fôlego após um satélite russo ser quebrado e ela ter ficado a deriva no espaço sideral.

Gravidade é um filme que concentra muita tensão em suas cenas, com um belíssimo visual que só expões o poder da produção, que caprichou ao reproduzir o espaço e girar a câmera várias e várias vezes em torno do seu próprio eixo provocando uma sensação desconfortante em quem assiste, mas ao mesmo tempo surpreendente.

Por se tratar da aventura de uma astronauta a deriva no espaço, conhecemos poucos personagens e a sensação de solidão alia-se ao medo, aumentando o desespero, levando a ficção científica a um outro nível, coisa que anda sendo muito bem explorada por outros filmes (e que eu planejo fazer um post sobre isso logo), ou seja, Gravidade é um tremendo de um filme.

Coisa linda de se ver.

5 pontos

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Dica cinamtográfica: Don Jon (2013)

600full-don-jon-posterDon Jon ("Como não perder esse mulher" em português) é o primeiro filme escrito e dirigido por Joseph Gordon-Levitt e conta a história de Jon Martello, um verdadeiro babaca (ou Don Juan moderno se você for uma menina imbecil), que se preocupa com poucas coisas na vida: Seu apê, seus amigos, seu corpo, sua religião, seu carro, sua família e, claro, suas mulheres.

No entanto, Jon têm um problema: ele é viciado em vídeos pornôs. Para ele, não há mulher que se compare com um bom vídeo pornô, o que pode levar horas para se encontrar, mas quando ele encontra, ele se perde e nem mesmo uma mulher nota 10 consegue fazê-lo se libertar desse vício.

Don Jon tinha tudo pra ser um filme ruim: Um estreante dirigindo e escrevendo uma comédia romântica, requintes de besteirol em seu roteiro e uma vibe rolando por trás de tudo isso, mas o filme surpreende.

Primeiro por que não é uma simples comédia romântica. Don Jon é um filme muito mais profundo do que isso, jogando na cara, sem rodeios, personagens que são muito honestos e realistas. O melhor exemplo disso é o próprio Jon, o legítimo babaca do século 21: Pegador, mulherengo, cheio de amigos pagando pau pra ele, bombado, descolado, bem vestido, com um apê legal e uma voz irritante que deixa as mulheres (idiotas) molhadas. Mas também temos a namorada dele, a legítima patricinha arrogante, metida a princesa, cheia de frescuras, mandona, irritante, sem graça, egoísta, gostosa, mas que quando abre a boca, broxa qualquer cara que tenha um cérebro.

Segundo (e isso está até incluído no primeiro item) Don Jon é um filme honesto, mostrando situações reais, em alguns momentos até fazendo-se crer que foi um filme gravado com uma câmera caseira. Isso é algo que eu só tinha visto uma vez, em um mangá, chamado Onani Master Kurosawa.

Terceiro: Don Jon tem uma qualidade técnica. Não é um filmezinho qualquer, é um filme realmente bom, com uma boa imagem, uma ótima edição e, não podia me esquecer, uma ótima trilha sonora.

Enfim, Don Jon é um filme que merece (e muito!) ser assistido e que já se tornou um cult, ao menos para mim.

4 pontos

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Dica literária: A ilha do medo

ilhaMedoEsse é um desses livros que você lê e nunca mais lembra.

Por isso, decidi escrever logo essa dica.

Mas o livro não é imemorável por que é ruim, é simplesmente por que não passa de uma boa história, com personagens simples, bem feitos, uma narrativa que te prende do começa ao fim, enfim... só cumpre o papel que todo livro bom deve cumprir.

Não é ruim, nem bom.

O livro conta a história de um detetive de licença passando os últimos dias de suas férias na casa de veraneio do tio, quando seus vizinhos são assassinados e o chefe de polícia local pede por sua ajuda. O detetive, um desses caras durões, metidos a galãs decide ajudar na investigação.

E assim a história passa, conhecemos duas belas mulheres que se encantam pelo detetive bonitão, eles descobre fatos ocultos do assassinato, resolve o mistério sem grande brilhantismo como as histórias de Agatha Christie ou do Sherlock Holmes e volta pra casa, afim de traçar uma policial gostosona.

Enfim, o livro é só mais um café com leite, sem graça, mas com alguns trunfos na manga, o que foi suficiente para me manter lendo-o e finalizá-lo em um final de semana.

Se você não tiver nada pra ler e, de repente, vir esse livro na sua frente, não perca tempo e leia-o. Se arrepender você não vai.

3 pontos

domingo, 5 de janeiro de 2014

Dica literária: Três sombras

com_limao_tres_sombras_cyril_pedrosa-destaqueTrês sombras é uma graphic novel lançada pelo francês Cyril Pedrosa, quero dizer, acho que é francês.

O livro conta a belíssima história de uma família que se vê perseguida por três sombras, que representam um destino inevitável para o filho deles, Joachim, uma criança muito animada e simpática.

Com medo do que as três sombras possam fazer a seu filho, o pai de Joachim decide viajar com o filho para o oeste, onde, supostamente, as sombras não poderiam alcançá-lo.

Três sombras é uma belíssima história de superação dos seus medos e, principalmente, da aceitação do ciclo da vida e morte.

4 pontos e meio

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Dica televisiva: Samurai Champloo (2004)

samurai-champlooSamurai Champloo é um anime exibido entre os anos de 2004 e 2005, sendo mais uma icônica obra de Shinichiro Watanabe.

A história gira em torno do trio formado por Fuu, uma menina de 15 anos, Mugen, um malandro com ótimas habilidades de luta e Jin, um samurai renegado. Os dois homens são unidos, à força, pela menina para que possam encontrar um samurai que cheira a girassóis.

Basicamente, essa é a sinopse do anime e de onde a trama parte, finalizando apenas após 26 episódios.

Samurai Champloo tornou-se uma série icônica e influente, quase tanto quando Cowboy Bebop (também de Shinichiro Watanabe) por suas inovações, não só estilísticas, como também narrativas.

Cowboy Bebop mistura o período Edo do Japão, algo em torno do século 17, com elementos contemporâneos, como os óculos do Jin, o ritmo de hip hop dominante em todo o anime, além de expressões, atividades, roupas e costumes.

No entanto, essa série não me agradou tanto quanto Cowboy Bebop, que tem uma temática mais madura, abusando de influências musicais, filosóficas, religiosas e estilísticas de diversas épocas, misturando-as em uma história de ficção científica futurista.

Samurai Champloo é uma série mais voltada para a comédia e, talvez, isso explica a maior aceitação desse anime em maio ao público geral, enquanto que Cowboy Bebop virou uma série mais cult. No entanto, ainda assim fica impossível não comparar as duas séries, afinal há diversas semelhanças entre uma e outra, como o conjunto de personagens principais, as personalidades de cada um, a qualidade da trilha sonora e da animação.

Apesar de parecer infantil eter um traço simples, Samurai Champloo tem uma animação que flui naturalmente, com a boa e velha animação feita no braço mesmo e muitos detalhes ricos durante todo o anime.

E a trilha sonora é um show à parte, com batidas de rap e vocais maravilhosos de se ouvir, criados por um dos grandes mestres do hip hop: Nujabes, que Deus o tenha.

Enfim, Samurai Champloo não é uma obra prima, mas é um ícone, sendo uma das obras mais amadas por fãs de anime até hoje.

4 pontos

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Melhores filmes de 2013

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Muito difícil eleger os melhores filmes desse ano, por que foram lançados muitos filmes bons, assim como CD's e é um prazer enorme ter assistido todos eles.

Enfim, mais uma vez, essa é uma lista sem ranking, mas com uma grandiosa menção honrosa no final.

- Frances Ha



Uma agradável surpresa para mim nesse final de ano. A versão feminina e otimista de Oh Boy é um daqueles filmes que deixam com um sorriso no rosto do começo ao fim.

- Prisoners



Mais uma ótima surpresa. Prisoners é um desses filmes que você só ouve falar se alugar um filme de ação da mesma distribuidora e assistir os trailers na sessão "extras" do menu.

Um ótimo thriller de suspense e ação, com cenas que realmente te aprisionam, te faz passar mal, mas no final, te deixa com um sorriso tão largo no rosto que dá pra ver até de costas.

- O som ao redor



O melhor filme brasileiro do ano e, por que não? da história, já que o cinema brasileiro anda tão fraco ultimamente.

O som ao redor é uma jóia rara no meio de tantas porcarias que beiram o pornô ou de humor fácil, sem graça e ridículas.

Assista, vale muito a pena e merece ganhar prêmios pesados e importantes no mundo todo.

- Ernest e Celestine



Um filme infantil, leve e gracioso, sem cair num humor fácil, pastelão, típico dos filmes infantis que enchem as salas de cinema, Ernest e Celestine é, sim, diversão para toda a família, provando que obras de arte não são coisas que só podem ser apreciadas por meia dúzia de pessoas de uma determinada classe social, com vários anos nas costas e arrogância entre as sobrancelhas.

- El Cuerpo



Um thriller espanhol, com um final de deixar qualquer um boquiaberto, esse é "El cuerpo". Não perca esse filme, você não vai se arrepender.

- The Way, Way Back



Mais um típico draminha adolescente do gênero coming-of-age, mas com personagens marcantes, piadas inteligentes e uma lição de moral tão comum, mas ao mesmo tempo, tão imperceptível que é impossível não se deleitar com esse filme.

- Man of steel



Provavelmente o melhor filme de super-heróis desde a trilogia Batman de Nolan. Vale muito a pena assistir.

- Stoker



Não tinha como deixar esse filme brilhante de fora. Stoker é um thriller de suspense, com requintes de crueldade que dão ao filme um tom obscuro e soturno, fazendo dele quase um terror.

Com um filme pra lá de surpreendente, desafio você a assistir esse filme todo e não ficar boquiaberto e bater palmas no final.

Sem contar a parte técnica que é um show à parte.

- Universidade Monstros



Pra mim, o melhor filme do ano, sem dúvida.

Universidade Monstros começa como um filminho bonitinho, daqueles que te farão gostar dele só pela nostalgia vivida ao ver os antigos personagens que marcaram sua infância, mas surpreende, ao apresentar uma trama original, sem abusar de piadas nonsense e com um final completamente anti-clímax e inteligente, mostrando uma moral mais complexa do que a moral apresentada em outros filmes infantis.

Universidade Monstros termina mostrando que a chave para a felicidade e o sucesso na vida não são uma boa faculdade, ser descolado ou estudioso, mas sim fazer amizades e mantê-las, para toda a vida.

Uma senhora moral que muitos pais precisam aprender.

- Dentro da casa



Dentro da casa é um filme inspirador, acima de tudo.

Não apresenta personagens marcantes, nem uma tensão que mantém o telespectador preso, mas a sua narrativa é genial.

- The Kings of Summer



Mais um filme do gênero coming-of-age, no entanto, abordado de uma forma completamente original: Humor.

Nos últimos anos, temos visto muitos filmes desse gênero sendo lançados, como "The Perks of being a wallflower" e outros, que falham miseravelmente em ser interessantes e divertidos de se assisitir, exatamente por que abusam de uma fórmula velha, que poucos filmes, como "The art of getitng by" e "It's kind of a funny story" souberam reinventar.

No entanto, The Kings of Summer é uma maravilhosa surpresa, pegando um gênero que já foi abusado um milhão de vezes só nos últimos cinco anos e melhorando-o, elevando seu nível para o humor, para a comédia sarcástica e negra, sem abandonar a inteligência e o final feliz, é claro.

Menção honrosa: Oh Boy



Não foi lançado esse ano, mas foi o melhor filme que eu assisti esse ano, destilando críticas e mais críticas sutis à nossa geração perdida e irracional, Oh Boy é inteligente, é sarcástico, é jazz, é perfeito, do início ao fim.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Melhores literários do ano de 2013

books-8402fb07c315208577696f40f7027da7_hDevo confessar, leio muito pouco de lançamentos e a maioria da minha estante de leitura são HQ's ou livros antigos ou que não são tão antigos, mas não figuram nos melhores do ano de alguma lista do ano em que eu os li.

Então, esse melhores do ano não será dos melhores livros de 2013, mas sim dos melhores livros que eu li em 2013.

Sem ranking dessa vez.

- Eu Mato Gigantes



Essa HQ foi lançada esse ano e era uma das coisas que eu mais aguardei esse ano.

A New Pop, como sempre, não fez um bom trabalho de divulgação e muitas pessoas ficaram com a maior ansiedade e, por fim, desistiram até que essa HQ foi lançada.

"Eu Mato Gigantes" é uma brilhante história sobre a imaginação fértil de uma garota, beirando o absurdo e deixando o leitor com uma pulga atrás da orelha ao término da narrativa.

Enfim, um ótimo livro que você deveria ler.

- Three Stories



O maior lançamento dos sites de torrent desse ano é nada mais, nada menos que três histórias inéditas do (genial) falecido J.D. Salinger e funcionam como um prelúdio à sua maior obra, uma história de quase terror, completamente absurda e mais um conta a lá Salinger, muito bem trabalhado.

Não é só puxa-saquismo não, é realmente uma obra para se guardar, nem que seja no seu pen drive surrado ou num HD Externo qualquer.

- João de ferro: Um livro sobre homens



O criador do movimento masculinista, Robert Bly, apresenta nesse brilhante livro as ideias centrais de seu movimento, tentando responder à pergunta que todos fazem e só o seu movimento parece ter encontrado uma resposta: Qual é o papel do homem no século 21?

Através do conto dos irmãos Grimm, Robert Bly apresenta a teoria básica do amadurecimento do garoto e as fases pela qual ele deve passar para se tornar um homem.

Leitura obrigatória para abrir a mente de todos.

- As crônicas de Nárnia



Apesar da narrativa ter me assustado no início, não pude deixar de ler esse livro desde o primeiro capítulo.

As crônicas de Nárnia, em seu conjunto, é uma série de livros muito bem elaborada, cheia de simbolismo e com personagens marcantes, apesar de tudo se passar tão rápido que você nem percebe o final chegar, que pode decepcionar alguns, mas foi bem satisfatório para mim.

- Em busca do sentido



Viktor E. Frankl foi preso pelo regime nazista e passou algum tempo em um campo de concentração. Lá, no meio de tanta sujeira, miséria e podridão, ele descobriu algo que mudaria sua visão de mundo e a de muitas outras pessoas.

Ele descobriu que não importa a intensidade ou a duração de um sofrimento, tudo é suportável quando você encontra sentido naquilo. E é achando um sentido para a sua existência que as pessoas conseguem levantar todos os dias, trabalhar e, por que não? Sofrer.

Livro que recomendo muito, pois apresenta uma visão da nossa própria existência que poucos conseguem reconhecer e muito menos compreender.

- Turma da Mônica: Laços



Não poderia deixar de fazer uma lista literária de melhores do ano sem falar do melhor livro que li esse ano.

Laços é nostálgico. É uma HQ sobre um grupo de amigos que estão sempre unidos por um laço muito maior que o da simples amizade, do amor ou da família. Eles estão unidos por laços de afetividade.

E é disso que se trata Laços: A afetividade que cada um sente pelo outro, faz eles arriscarem suas vidas, apenas para ver o outro sorrir, mesmo que inconscientemente.

Laços é uma brilhante obra, que ficará guardada na memória, para sempre.

 

sábado, 14 de dezembro de 2013

Melhores do ano de 2013

Music-music-31055637-1920-1200Enfim, chegou  o final de ano. Para mim, a época mais deprimente do ano, quando eu me recordo que mais um ano está se passando e de novo, nada fiz de bom com a minha vida e blá, blá, blá... Papo deprimente que todos já se enjoaram.

No entanto, também é época de finalmente eleger os melhores do ano e hoje vamos falar dos melhores CD's do ano. E esse ano não é só um top 10 como geralmente faço, mas um top 12, com menção honrosa e tudo, afinal tivemos muitos bons CD's, apesar das enormes decepções como Best Coast, Wavves e Arctic Monkeys, só para citar algumas bandas incrivelmente decepcionantes do ano.

Mas chega de falar de música ruim e vamos ao top 12

12º:  "Shangri Lá" do Jake Bugg

jake-bugg-shangri-laÉ só a recente dica cinematográfica para saber o que eu penso desse CD e não é só por que ele foi o mais recente a ser lançado que está aqui. Esse álbum é bom mesmo.

11º: "Death Chorus" do Polar Bear Club

pbccover-58662_250x250Uma banda com caras bonitinhos, melodias gostosas de se ouvir, um bom pop-punk que há muito não se ouvia por aí. Esse é o Polar Bear Club em sua melhor forma até o momento.

10º: "Young New England" do Transit



Mais uma ótima banda de pop punk destilando melodias gostosas, riffs chiclete e letras sagazes para quem quiser ouvir música boa.

9º: "Aware" do Front Porch Step

Front-Porch-Step-Aware-coverAgora sim começam a aparecer os pesados e foi muito difícil para mim colocar esse artista na 9ª posição, por que eu gostei muito desse CD.

"Aware" mostra um artista inteligente, dono de uma enorme sensibilidade, mas que ainda está crescendo e pode se perder numa vertente do rock dominada por bandas que perdem a criatividade e o fôlego logo no segundo CD.

Claro que eu espero que o Front Porch Step não seja um exemplo disso, mas antes que ele nos decepcione, fico com um pé atrás e sou forçado a colocá-lo em 9º lugar.

8º: "Mechanical Bull" do Kings of Leon



Ok, não é um CD que me marcou tanto quanto o CD acima, mas ainda assim merece o 8º lugar, por se tratar do novo CD do Kings of Leon.

Não só foi um dos CD's mais aguardados do ano, ao lado de tantos outros, como também soube segurar a peteca e conseguiu nutrir todas as expectativas que, pelo menos eu, tinha em relação ao novo CD deles.

Portanto, o Kings of Leon mais uma vez entra nos melhores do ano.

7º:  "Don't Forget Who You Are" do Miles Kane



O nome do álbum já diz tudo.

Miles Kane não se esqueceu quem ele é e mesmo lançando um CD com grande repercussão na internet, cheio de fãs no mundo todo, uma grande expectativa em torno do seu nome, ele fez um álbum que faz jus ao 7º lugar, com um estilo mais requintado, porém ainda mais rock n' roll do que os seus outros trabalhos e mesmo assim, soando perfeitamente como um legítimo álbum do Miles Kane.

Enfim, um dos melhores do ano, sem dúvida alguma.

6º: "Melophobia" do Cage The Elephant



Subi esse CD de posição enquanto escrevia o post, por que me toquei de que o Cage The Elephant, apesar da falta de estrelismo e expectativa criada nos fãs, soube causar um certo alvoroço em todos aqueles que gostam de música boa.

Mas o Cage The Elephant supera todos acima, por que não só cumpriu com as expectativas, criando um álbum decente, como também surpreendeu a todos, mudando sua sonoridade levemente, adicionando novos elementos às suas canções bagunçadas, porém geniais e interessantes demais para se ignorar.

"Melophobia" foi uma agradável surpresa na segunda metade do ano, marcando a volta e o crescimento de uma das melhores bandas dessa geração.

5º: "Selfhood" do Sharks


O último CD do Sharks veio, abriu um sorriso no rosto de todos que ouviram suas deliciosas melodias e marcou o final de uma banda que mostrou que tinha potencial para crescer ainda mais.


Com uma sonoridade pop-punk bebendo em influências sessentistas e no surf rock de raiz, o Sharks souberam criar um trabalho elaborado e que perdura nos ouvidos dos amantes de música boa até hoje.


4º: "Fetch" do Melt Banana



Me dói colocar o Melt Banana na infame 4ª posição, mas fazer o que, né? Os que vêm a seguir são ainda melhores.


Nesse álbum o Melt Banana faz o que sempre fez, experimenta.


Mas não experimenta de um modo bagunçado e desalinhado, afinal o Melt Banana é uma banda inteligente e eles souberam experimentar com instrumentos (ou seria melhor dizer objetos) nada convencionais e encaixá-los com maestria em suas músicas, criando um CD que soa um tanto brincalhão, mas também inteligente e potente.


3º "Strange Pleasures" do Still Corners



Esse álbum está aqui, na terceira posição, por que marcou o ano como o primeira grande álbum a ser lançado e ninguém ter dado a mínima para eles.


O Still Corners soube misturar elementos eletrônicos, com instrumentos tradicionais, criando uma sonoridade esperta, gostosa de ouvir, até mesmo meiga, mas que se mostra agitada e, acima de tudo, dançante, como nenhum outro álbum este ano. Afinal, música é e sempre será feita para ser dançada.


Um fato inegável e que o Still Corners leva a sério, sem se deixar levar por estrelismos ou a falta de criatividade ou talento de verdade.


2º: "You're Nothing" do Iceage



Se você quer saber como um CD inesquecível soa, escute "You're Nothing" do Iceage.


Essa banda vinda de algum lugar gelado da Europa lançou a maior obra-prima do punk rock moderno no início desse ano e pouca gente deu moral para eles, mas é só olhar alguns vídeos de apresentações ao vivo e ouvir todo o CD, inclusive o primeiro, para constatar que o Iceage é uma das melhores bandas da atualidade e ainda vai abalar o mundo com suas melodias e letras agressivas, imprudentes e inteligentes.


1º: "Disnomya" do Dawn of Midi



Agora que você já ouviu o Iceage e sabe o que é um CD inesquecível, tente imaginar o que é um CD imortal. Uma obra de arte de nível superior, comparável à Bethoven.


Isso é Dawn of Midi.


Ou como eu gosto de dizer, os melhores artistas da música ativos na atualidade.


"Dysnomia" é o cúmulo da arte. É uma obra prima. Uma pintura feita de sons. Uma escultura musical. A personificação da excelência artística, incorporada em três artistas de jazz.


O melhor CD do ano.


Menção honrosa:



E claro que não podia faltar uma homenagem ao pai da guitarra, o supremo deus do rock: Jimi Hendrix, que, apesar de morto, ainda têm cartas na manga, como esse CD chamado "People, Hell and Angels", uma compilação de músicas não lançadas, mostrando-nos a genialidade e a mente à frente de seu tempo do senhor Jimi.


Obrigado Jimi, você fez do mundo um lugar melhor para todos.