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quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Dica televisiva: Carole & Tuesday (2019)

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Andrew Breitbart, que Deus o tenha, dizia que a política é ladeira abaixo da cultura, ou seja, a cultura é mais importante do que a agenda política. Há gente sinistra por aí que acredita que tudo é ato político, mas a real é isso que o Breitbart dizia e o Shinichiro Watanabe entende a importância da cultura perfeitamente.

O novo anime do grandioso Shinichiro Watanabe continua a explorar o universo criado por ele em Cowboy Bebop e conta a história de duas meninas adolescentes, a Carole e a Tuesday, que se encontram por acaso numa ponte e começam a cantar juntas, iniciando assim um proveitoso caminho em direção ao sucesso musical, que culminará no milagre de 7 minutos.

Apesar do meu resumo, a história não é nada simples, porque cada uma das duas personagens carregam histórias extremamente profundas. Carole é uma menina orfã terrestre, que morou num campo de refugiados toda a sua infância e hoje mora quase de favor em cima da loja de um japonês que passa os seus dias fumando um cachimbo na frente da loja. Já Tuesday é filha de uma política que está concorrendo à presidência de Marte e foge de casa pois sua mãe é muito rígida com ela, buscando uma chance no mundo da música.

Logo de cara, elas encontram Gus, um produtor musical que fora baterista de uma banda e hoje passa os dias e noites dentro de um bar, engordando e se embebedando, sem limites. Ao ouvir a música das duas, Gus se emociona e decide produzi-las. O problema é que Gus já tem um passado falho como produtor musical, o que também o força a sair de sua zona de conforto ao interagir com elas.

Junte-se a eles, Roddy, também produtor musical que está por trás de Ertegum, o maior DJ de Marte, um rapaz magro, fraco e que é levado a sair de sua zona de conforto para acompanhar a dupla de cantoras amigas. Além dele, temos ainda Angela, uma ex-atriz mirim, que agora tenta a sorte no ramo da música, forçada por sua mãe, uma trans que a força a entrar em contato com Tao, o maior produtor musical de Marte, que usa IA para melhorar a voz de Angela e calcular todos os seus movimentos de forma que ela exiba sempre sua melhor performance, com a melhor voz.

A densidade de caracterizações é enorme, com histórias de fracasso no pano de fundo, temas pesados que se relacionam com os dias atuais e uma mensagem de esperança para prosseguirmos com os nossos sonhos. Além dos personagens, encontramos em Marte uma terra de esperança, o woolong (moeda cunhada lá em Cowboy Bebop) é a moeda digital utilizada em Marte, seu clima é artificial e toda a história se passa numa cratera do planeta vermelho. Parece que o futuro deu certo para Marte, mas não para a Terra, que afunda na pobreza e, provavelmente, guerras.

Nunca é jogado na cara o pano de fundo da história. Ao que tudo indica, a linha temporal é anterior a Cowboy Bebop, mas isso só podemos assumir. A partir daí, Shinichiro Watanabe tem liberdade de criar algo que se relaciona com problemas atuais que é questão da imigração. A mãe de Tuesday é uma espécie de Trump-mulher, contra os imigrantes terrestres e isso gera muitos conflitos ao longo da série.

No entanto, ao contrário do que seria de esperar de uma série feita em parceria com a Netflix, Watanabe nos apresenta uma solução nada ortodoxa para os padrões progressistas da empresa. Somos apresentados ao deep state de Marte, com a mãe de Tuesday sendo usada por um marketeiro milionário e um membro da elite artística de Marte usando sua influência pra produzir músicas que visam transformar os eleitores de Marte em zumbis. O resultado disso é uma abordagem que fica entre o conservador e o libertário, com a mãe de Tuesday mandando esse pessoal caçar coquinho, uma espécie de FBI de Marte tomando as rédeas da situação e a esperança caindo toda sobre a cultura, no caso, a música, para que um mundo melhor possa surgir.

E como não comentar a música de Carole & Tuesday? Esse é o ponto alto da série, que aliás, foi feita para celebrar os dez anos da FlyingDog, uma gravadora japonesa e os 20 anos do estúdio Bones. As canções originais são variadas, contando com a participação de uma ampla gama de artistas, inclusive de Thundercat e Flying Lotus, finalmente fazendo uma colaboração com o mestre Shinichiro Watanabe.

Nisso há um leve problema na série, porque os artistas convidados para cantar são americanos, ou pelo menos, cantam em inglês, enquanto que a série é japonesa. O resultado é uma grande diferença entre o tom de voz dos personagens quando estão falando e quanto estão cantando, como no exemplo abaixo:

https://youtu.be/S7uk8YfDFuw

Felizmente isso não ocorre com as personagens principais. Surpreendentemente, as dubladoras e as cantoras de Carole e Tuesday não tem uma voz tão distante assim.

Mas enfim, deixarei pra comentar mais sobre as músicas nas dicas de sua trilha sonora. Por enquanto, vale dizer que a primeira metade do anime foca menos no lado pessoal, social e político dos personagens e as condições em que se encontram e mais na trajetória musical de Carole e Tuesday, o que gera discussões interessantes, como a questão do uso de IA na indústria musical e a perseguição de fãs. Fora que há muito mais música pra se aproveitar e até para se rir, como a participação especial de um Vitas do Paraguai.

O que há de negativo em Carole & Tuesday? Não sei. Me diga você nos comentários, porque eu acho esse anime quase perfeito.

https://www.youtube.com/watch?v=4QuI8Rznxfc

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Dica cinematográfica: “Summer Days with Coo” (2007)

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Esse filme tem mais de 10 anos e eu nunca havia ouvido falar dele até entrar em contato com uma lista de filmes animados do Japão muito bons no Mubi. Foi uma agradavelmente fantástica surpresa!

“Summer Days with Coo” conta a história de um kappa, que após ver seu pai ser morto, ficou preso na terra após um terremoto. Muitos séculos após sua morte, ele é descoberto por Kouichi na forma de um fóssil. Interessado, o menino lava o fóssil e aos poucos o kappa vai acordando. Logo, ele ganha um apelido, Coo e passa a questionar sua situação naquele mundo que é muito diferente do mundo que ele conhecia.

O filme segue uma estrutura típica de um coming-of-age, mas com a figura exótica de um kappa. Tem os diálogos existencialistas, momentos engraçados e uma narrativa que avança e cresce até tomar rumos inesperados, mas finalizando com um final, ao mesmo tempo, feliz e melancólico.

É o tipo de filme que eu gosto, mas que eu entendo quem não gosta.

E este filme sofreu críticas muito rígidas na época de seu lançamento, mas devemos lembrar que era outra época. Talvez o mundo não estivesse pronto para esse filme.

O que importa é que “Summer Days with Coo” é um ótimo filme, muito bom mesmo. Sua narrativa é simples, porém expansiva. O filme tem quase 2 horas de duração e acompanhamos diferentes experiências da vida de Coo, ao mesmo tempo que sua própria família cresce com ele. O desenvolvimento dos personagens é cadenciado e estimulante, não há nenhum momento se torna chato ou enfadonho, exceto o conflito final, que cresce demasiadamente, mas também tem sua função na história, afinal é o momento de maior crise.

Além das características narrativas, o filme ainda entrega uma ótima produção, com imagens muito belas. Dá pra ver que os produtores trabalharam com um alto orçamento.

Unindo imagens belíssimas, trilha sonora decente, uma história fantástica e  personagens mais que carismáticos, “Summer Days with Coo” é uma incrível animação que lança uma perspectiva diferente sobre o gênero coming-of-age, oferecendo novos caminhos para futuras produções.

5 pontos

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Eu não gosto de anime!

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Recentemente descobri que não gosto de duas coisas que eu achava que faziam parte da minha vida, mas, na verdade, eu não gosto. A primeira delas é anime e a segunda é rock, mas quanto ao gênero musical, apenas um post futuro poderá esclarecer.

Antes, falemos de anime.

260px-screen_bucky_animeComecei a gostar de anime com, surpreendentemente, Bucky, um anime bem diferente sobre um garoto que anda por um mundo fantástico com uma bola rosa que explode, encontrando outras pessoas com bolas rosas, com o objetivo de transformar todo mundo em seus escravos. Uma espécie de Pokémon escravagista e militarista que deixava a minha mãe fula, porque ela tinha que me explicar, todos os dias após os episódios, o que tinha de errado naquela série. O anime era exibido no Band Kids e eu lembro que passava Dragon Ball e tinha a Record devia passar Pokémon também, mas eu curtia mesmo era o Bucky, sem saber que ele se tratava de um anime. No entanto, uma série de características que eu encontrei em outros animes nos anos seguintes me fez ficar fissurado em animes, durante o boom do Naruto e depois eu descobri a área onde me sentia mais confortável junto dos animes, o sub-gênero (ou gênero?) seinen.

No entanto, em anos recentes, após ter absorvido muito conteúdo dos animes, tentado acompanhar semanalmente novo lançamentos e tido um contato mais profundo com a cultura dos animes, descobri, esse ano, que não gosto de animes.

E você pode ver isso pelo meu top 10 de animes no My Anime List.

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Dos 10 na lista, apenas 2 são animes de fato (Ben-To e Kami-sama no Memochou), os outros 8 fogem muito dos padrões que definem os animes, que são olhos grandes, fanservice, um senso de humor “refinado” demais para os padrões ocidentais, personagens planas, ritmo frenético e trilha sonora movida a j-pop.

Ofendidos irão dizer o contrário e eu já ouvi o absurdo de que Cowboy Bebop é o anime com mais características de anime que existe, mas eu quero ver você me dizer qual anime dessa temporada carrega o mínimo de similaridades com Cowboy Bebop e por mínimo eu não quero dizer uma história sci-fi que se passa no futuro, eu quero a droga dum anime regrado a jazz, discussões filosóficas em seu âmago, uma animação desenhada a mão tão bem feita que pode ser comparada a filmes e uma narrativa tão intrincada que mesmo décadas depois os fãs ainda questionam o que aconteceu com os personagens desse anime.

1319380_english_showdetailherophone_7af6154b-d14f-e711-8175-020165574d09Isso simplesmente não existe e todos sabemos que um anime num nível de Cowboy Bebop é muito raro, tão raro que o seu criador é colocado ao lado de grandes nomes do cinema como um dos maiores gênios artísticos desse século e sempre que ele lança alguma coisa, todo mundo fica de orelha em pé, porque com certeza vai ser bom.

Mas o que mais me fez cansar de animes não foi nem a exclusividade do conteúdo que meus animes favoritos apresentam, mas é a falta de originalidade dos animes lançados todos os anos. Se não tem um Digimon/Pokémon da vida é a cópia de um, todo anime shonen é um Dragon Ball reimaginado pra um universo diferente (isso é tão verdade que em anos recentes todo personagem principal era um guloso como o Goku e quando isso virou piada nos círculos otakus, os criadores decidiram mudar, mas a fórmula tá ali, só não vê quem não quer), toda animação é computadorizada e insossa e eu nem preciso falar do fanservice, que até animes considerados “bons” exageram.

Enfim... hoje eu entendo os meus parentes mais velhos, que ou achavam anime coisa do demônio ou algo muito lamentável... realmente é, com alguns poucos diamantes a cada alguns anos, mas de uma maneira geral, é algo lamentável.

Então não assista animes, assista Cowboy Bebop, Akira, Mushishi e afins, mas fuja dos animes, porque anime, de uma maneira geral, não presta.

terça-feira, 27 de junho de 2017

DBZ não é nem TOP 10

Hoje um post de terça, rapidinho e que surgiu através de uma conversa de zap zap com o pessoal da Locadora TV (onde escrevo e gravo podcasts também), onde um dos integrantes perguntou qual era o melhor anime na nossa opinião e acabou dizendo que acha que DBZ leva fácil.

Éééééé....

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Não.

Primeiramente o que é um anime? No sentido literal da palavra é simplesmente animação e as animações são feitas desde o século 19, mas não é nem justo isso aí, porque anime mesmo é “desenho animado japonês”. Só que mesmo assim é inegável, DBZ não é melhor que os filmes do estúdio Ghibli, ou os filmes de Satoshi Kon, ou ainda Akira, Ghost in the Shell e Tekkon Kinkreet, por exemplo. A comparação é até injusta, por que esses filmes contavam com um alto orçamento, liberdade criativa de seus realizadores e muito mais tempo do que uma série de anime feita para ser exibida semanalmente.

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Porém, mesmo se decidirmos restringir ainda mais o alcance dessa pergunta, para séries de anime DBZ ainda perde (e isso é inegável) para animes como Cowboy Bebop, Samurai Champloo, Tokyo Magnitude 8.0, Gurren Lagan e até Black Lagoon (que é um anime que eu nem gosto tanto assim, mas é melhor que DBZ), por, praticamente, os mesmos motivos do caso anterior, são animes mais curtos, portanto contam com um orçamento maior, seus criadores também contam com grande liberdade criativa e isso se deve ao fato desses animes não dependerem de uma fonte inicial (um mangá ou novel).

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Só que ainda deixando os animes que não tem uma origem anterior, DBZ ainda perde para os excelentes Kaiji, Mushishi, Ping Pong e até a primeira temporada de Durarara!! são exemplos de animes que contam com uma versão anterior em mangá ou novel, mas que são melhores, não apenas pela qualidade técnica da animação, mas também pelos aspectos narrativos. Em Kaiji sentimos na pele o desespero de seus personagens, Mushishi é simplesmente belo em suas mensagens afirmativas de temperança e paciência, os personagens de Ping Pong evoluem em 25 episódios mais do que qualquer personagem de DBZ em 500 episódios e Durarara!!, por mais inferior que seja as outras séries, sua primeira temporada apresenta uma história de suspense pós-modernista mais sólida do que DBZ.

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O justo seria deixar DBZ apenas para o reino onde ele é o senhor-todo-poderoso-e-influente, o reino dos famigerados Shounen, lar de Naruto, Bleach e Shingeki no Kyojin, ou seja, já não é um bom espaço e ainda assim DBZ perde para animes que são bem menos lembrados do que ele, como Fullmetal Alchemist, Yu Yu Hakusho e Hunter X Hunter. A comparação com o último pode ser injusta por ele sequer ter acabado, mas o que conhecemos de HXH é melhor do que conhecemos de DBZ. Yu Yu Hakusho sofreu dos mesmos problemas que DBZ, não contou com a mesma longevidade, mas apresentou soluções tão boas quanto, um grupo de personagens mais interessantes e um desenvolvimento maior. Fullmetal Alchemist, nem preciso dizer, é um clássico absoluto que supera DBZ em todos os sentidos, tanto técnicos, quanto subjetivos. É uma história mais dramática, mas com a dose certa de  humor, agressividade e conspirações, em matéria de narrativa, a história chega num ponto em que "empaca", mas é nesse momento que a subjetividade dela aumenta e começam a vir os ensinamentos que você vai carregar para a vida, sobre família, amizade, perseverança, enfim... é uma história para a vida.

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No entanto, não quero deixar a impressão de que sou um hater de DBZ, porque isso eu não sou. Eu adoro DBZ, é um dos animes mais divertidos de todos, praticamente construiu a minha infância e se hoje eu estou contente com o que sou como pessoa devo isso também aos guerreiros Z, que foram mais amigos meus que qualquer criança na minha infância, mas quando fazemos uma análise de algo, uma comparação entre obras de arte, não podemos nos levar pelas nossas impressões, pelo que sentimos ou até mesmo pela vida do autor, temos que analisar empiricamente os seus aspectos técnicos, sua produção, a harmonia entre esses elementos, sua história, desenvolvimento de personagens, enfim... há uma série de fatores a se levar em conta além da importância que tal obra teve para você na sua infância.

O que não quer dizer que DBZ não possa ser o seu melhor anime de todos os tempos, mas para o mundo real, você está errado.

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E isso também não quer dizer que o valor histórico de DBZ seja diminuído. A série de Akira Toriyama foi um marco na história mundial dos animes, foi a maior porta de entrada do ocidente para o mundo das produções artísticas do oriente, seu mangá foi o responsável por tornar a Jump a maior editora de mangás do Japão e é o responsável por popularizar o seu sistema de publicação que foi seguido por muitas outras editoras na terra do sol nascente (sistema de publicação que se mostrou falho com o passar dos anos, mas isso é outro papo), além de, basicamente, ter criado um gênero, o shounen.

DBZ sequer era pra ter existido, era só Dragon Ball, a fase Z foi nomeada no ocidente para destacar para o público ocidental as mudanças que ocorriam na série em determinado momento e que eram soluções geniais de Akira Toiyama para exigências sem precedentes dentro da indústria. O cara fez milagre com a história que tinha, criou ramificações que ninguém imaginou e teria elaborado uma história transcendental magnífica, se não fosse os seus editores crápulas insistindo no personagem do Son Goku. De qualquer forma, DBZ é, praticamente, a Odisseia dos mangás, é a obra com o maior valor histórico de todas e isso ninguém tira de DBZ, mas ser a melhor de todas, aí já é demais.

Então, reformulando a pergunta: qual o mais importante anime/mangá da história?

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quinta-feira, 4 de maio de 2017

Dica Televisiva: "Yu Yu Hakusho" (1992-1994)

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Hoje, uma dica animeística, um clássico da falecida Rede Manchete (tá certo isso?) e um anime que estava devendo a muito tempo no blog; “Yu Yu Hakusho”.

Originalmente um mangá de Yoshihiro Togashi (o mestre por trás de Hunter X Hunter) entre 1990 e 1994 foi trazido às telinhas em 1992, durando até 1994, com uma consistência rara de se ver no trabalho atual do autor. A série conta a história de Yusuke Urameshi, um delinquente colegial que é morto no primeiro episódio ao salvar uma criança de um atropelamento e, após uma série de testes impostas a ele pelo filho do governante do submundo, Koenma, Urameshi vira um “detetive sobrenatural”, com o dever de investigar os vários casos envolvendo demônios e fantasmas no mundo humano.

A premissa acaba escondendo alguns fatores que fizeram Yu Yu Hakusho se tornar tão popular e longevo, concentrando-se muito em torneios de artes marciais e batalhas mano a mano do que investigações propriamente ditas. Ainda assim, a série não abandona totalmente sua premissa, reunindo diversos elementos da mitologia budista, além de ter uma clara influência de filmes de terror e ocultismo.

Fora isso, que entra numa área mais subtextual, a série conta uma gama extensa de personagens, com personalidades bem distintas, de fácil diferenciação entre eles e cada um ocupando um papel importante nos arcos que acompanham toda a série. Tudo é construído pelo autor de forma hermética, deixando pouco ou nada para a imaginação do expectador.

O anime não contou com a participação do autor do mangá na sua produção, mas ele diz que ficou muito contente com o resultado final. Yu Yu Hakusho foi o trabalho de maior sucesso de Yoshihiro Togashi, sendo superado depois por Hunter X Hunter, sendo também o início do fim do autor, que mantinha uma rotina frenética de trabalho para cumprir prazos e manter controle total sobre o seu trabalho, apesar de, dizem, não haver tanta pressão editorial sobre ele.

Apesar de todo esse controle, a fórmula criada pelo autor para o desenvolvimento dos arcos é bem repetitiva, restando ao desenvolvimento dos personagens, as revelações de seus passados e suas relações dar vida ao anime.

Yu Yu Hakusho é um daqueles animes que é obrigatório ser assistido dublado em português do Brasil (pra quem é brasileiro, claro!), porque sua dublagem conta com pessoas ilustres, tendo sido exibido, no Ocidente, primeiro aqui, em nossas terrinhas calorosas. A dublagem é clássica e é um daqueles exemplos de dublagem que melhoram o anime original. Além disso, as versões brasileiras para as músicas de abertura e encerramento são brilhantes, músicas que dão gosto guardar no PC e no celular pra ficar ouvindo quando se quiser animar um pouco os ânimos.

Enfim, Yu Yu Hakusho, um clássico de todos os tempos, assista!

4 pontos e meio

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Dica cinematográfica: "Mind Game" (2004)

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Acabei de assistir esse filme e ainda estou processando todas as informações, mas estou extasiado, então preciso escrever isso.

O post de hoje é sobre o filme de animação “Mind Game” de 2004, baseado no mangá de mesmo nome criado por Robin Nishi. É animado pelo mesmo diretor de “Ping Pong” e “Tatami Galaxy”, Masaaki Yuasa, um dos melhores diretores de animação vivos, sem sombra de dúvida. Pelos outros trabalhos do diretor, já dá pra esperar algo, no mínimo, intrigante.

Mas “intrigante” é muito pouco pra descrever essa obra de arte.

O filme acompanha Nishi, um mangaká de 20 anos de idade de Osaka, que está prestes a se mudar para Tóquio numa noite estranha em que ele encontra, por acaso, uma antiga amiga de infância (e sua paixão de sempre) Myon no metrô. Após isso, os dois decidem ir até o restaurante da família dela para jantar. Conhecemos a irmã de Myon e seu pai, além de dois obscuros homens que parecem pertencer a Yakuza. A partir daí a história segue por caminhos diversos e bizarros, envolvendo reencarnação, perseguição de carros, muitos tiros, uma baleia gigante e um ermitão.

Logo na apresentação do filme (o seu prólogo, talvez) percebemos que esse não será um filme convencional. Acompanhamos uma série de pessoas e acontecimentos, alguns envolvendo os personagens do filme, a maioria apenas imagens que mostram a vivacidade do mundo em que vivemos, lembrando um pouco a abertura do filme de Cowboy Bebop. A animação não é muito convencional, optando por esquemas de cores monocromáticos e o uso de ângulos pouco utilizados, inclusive o uso de primeira pessoa. Ainda nos primeiros minutos de filme, vemos a animação dar espaço para diferentes estilos de animação, 2-D, 3-D, rotoscopia... e se você não gosta disso, então não assista esse filme, pois só piora.

Ao longo da película, as diferentes técnicas de animação passam a ser utilizadas para explorar o estado de espírito de seus personagens, reforçando a subjetividade da história, deixando de conta-la de maneira linear, para dar espaço ao espectador de interpretá-la da forma como quiser. A narrativa é dispersa, mas imersiva, pois a animação (fluída e atraente) chama a sua atenção, mudando os pontos de vista da ação, criando situações bizarras e soluções mais bizarras ainda, indo e voltando no tempo, além de jogar na cara do espectador os elementos subjetivos que os personagens estão passando (ao invés de simplesmente nos apresentar o que eles estão pensando com falas de pensamento, o diretor nos mostra com cenas, o que eles estão pensando e isso, eu acho, muito louvável).

Não é um filme fácil, pois ele não te entrega as respostas na sua cara, no entanto, te satisfaz pois é um “exploitation de arte” (ou um art porn, se você preferir). Ele enche os seus olhos e te deixa extasiado com o que te apresenta. Todos os elementos trabalham em conjunto para isso, da animação impecável e diversa a trilha sonora, tão diversa quanto os elementos de animação utilizados, podendo ser classificada, no máximo (forçando bastante mesmo) como um fusion jazz, mas existem canções que fogem ao sub-gênero.

Sendo tão diferente, com uma história tão instigante e ainda assim envolvente, “Mind Game” é uma pérola dos filmes de animação, uma verdadeira obra de arte!

5 pontos

sexta-feira, 1 de abril de 2016

E o final de "Durarara!!"? Valeu a pena?

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Não, simplesmente não valeu pena.

Continuo mantendo as críticas que fiz no post sobre o segundo arco dessa segunda temporada de "Durarara!!": história bagunçada e animação fraca são os elementos que mais incomodaram nessa segunda temporada e, ao chegarmos ao final da série, o gosto ruim na boca que fica é disso aí.

O arco de história da Celty, por exemplo, é confuso. Os discursos das personagens envolvidas no arco são ininteligíveis e desconexos. A Celty, que era uma das personagens mais legais, simplesmente deixa de ser. Sua entrada triunfal, não tem nada de triunfal, sua saída, nem se completa. Eu entendo que muita gente gosta do romance dela com o médico, mas o final é piegas. A série mesmo diz que é uma história de amor doente, então por que mantê-la?

O arco de história do Minato é ridículo de tão nonsense, simplesmente não faz o menor sentido o seu final. Eu entendo que o personagem estava sendo usado e tal, mas a solução que deram foi fácil demais, simplesmente ridícula.

E o arco de história do Shizuo contra o Izaya é simplesmente decepcionante. O melhor personagem da série não tem o final digno que merecia e a morte mais esperada por todos (a morte do Izaya, o personagem mais odiável da série) não acontece.

Ou seja, toda essa segunda temporada não valeu de nada, por que o status quo se manteve e o pior é que isso é apresentado na série como algo bom, como se manter o status quo fosse algo legal.

Enfim, a segunda temporada de Durarara!! não valeu a pena, de forma alguma. Eu ainda não reassisti a primeira temporada (que é um dos meus animes favoritos) pra saber se minha opinião com a série mudou depois dessa segunda temporada ridícula, mas talvez eu faça isso, ou não, talvez, muito pelo contrário...

Nota: 0, não assistam essa bosta.

quinta-feira, 31 de março de 2016

Dica televisiva: "Boku Dake Ga Inai Machi" (2016)

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Muito bem, chega de enrolar, vamos pular todo o blá-blá-blá de como essa indústria (de animes e mangás) está fadada a uma morte lenta, gradual e dolorosa e falar de Boku Dake Ga Inai Machi, um dos melhores animes dos últimos anos.

Boku Dake Ga Inai Machi foi um mangá serializado entre 2012 e 2016, mas hoje eu irei falar do anime que estreou em janeiro deste ano e terminou semana passada. Trata-se de uma história de suspense seinen de Satoru Fujinuma, um desenhista de mangás que não consegue emplacar uma história sequer em alguma revista japonesa e que também tem a habilidade de voltar no tempo alguns momentos antes de alguma tragédia acontecer e assim ele consegue evitá-la. Tudo se complica quando, após o assassinato de sua mãe, ele volta no tempo 18 anos, numa época em que ele ainda era um estudante do ensino fundamental, dando a ele a oportunidade de prever um sequestro que culminou na morte de três crianças da sua idade.

O anime foi dirigido por Tomohiko Ito, um cara que é bom ficar de olho, pois tem um currículo promissor, começando como assistente de diretor em Death Note e trabalhando em um monte de séries meia boca, mas que me chamaram a atenção num primeiro momento pela qualidade de sua animação e me desanimara pela história, como Swrod Art Online, mas que, com essa série, está se provando ser um diretor foda.

Para começar, há um monte de camadas a serem desconstruídas nesse anime. De elementos mais óbvios como a voz da consciência de Satoru se misturando com a sua voz de criança, passando por alguns elementos que você precisa prestar atenção para notar (a cor vermelha sempre presente quando algo ruim de verdade está para acontecer e por que você pode ficar despreocupado quando a casa de Airi começa a pegar fogo no episódio 5), até elementos que só um olhar muito técnico notaria (em algumas cenas quando criança, o diretor faz o uso de widescreen para mostrar o quanto o mundo de Satoru, quando criança, parecia amplo antes dos acontecimentos trágicos). Tudo isso agrega um valor artístico muito forte à série, algo que é difícil de achar até mesmo nas melhores séries de animes (mesmo Cowboy Bebop, Samurai Champloo, Death Note e Fullmetal Alchemist, que são facilmente consideradas as melhores séries de anime por aí, você não encontra elementos tão distintos escondidos para ajudar a narrativa, elas são louváveis por outros pontos que Boku Dake Ga Inai Machi nem passa perto).

Mas é claro que só isso não sustenta uma série, afinal a história ainda está aí para atrair a nossa atenção. Boku Dake Ga Inai Machi é um thriller de realismo fantástico, por motivos bem óbvios. Como um thriller, seus personagens não podem contar com a sorte, mas sendo uma obra de cunho fantástico, a sorte pode nos ajudar sim, no entanto, isso não se faz presente em todos os momentos da obra, até por que, se isso acontecesse, sua narrativa perderia todo o valor e propósito. A narrativa é muito bem construída, o suspense é crescente e o mistério a ser desvendado, realmente é labiríntico, você se perde no meio dele tentando achar o culpado. Eu li e vi falaram por aí que o culpado é bem óbvio, mas não acho que ele é facilmente identificável desde o começo da série (há uma cena que muitos usaram para exemplificar isso, mas a desculpa que ele deu, acho totalmente válida, vai ver eu acredito demais no bem das pessoas). Sua culpabilidade fica mais evidente do episódio 10 em diante, eu diria. Isso é mérito do mangaká, que escreve e desenha o mangá e a história é dele, não do diretor, o que é um ponto a menos para o Tomohiko, mas eu acho que a questão é dar um bom trabalho pro cara, que ele sabe o que fazer com ele.

O final conta com um elemento meio deus ex machina, mas eu acho que não tinha outra escapatória mesmo, era aquilo ou o final seria bem decepcionante, no entanto, não deixa de ser realista, o culpado, no tempo em que a história se segue (após tantas viagens no tempo) não é culpado de nada (ele não cometeu nenhum crime) e o único erro que ele cometeu foi uma tentativa de homicídio que não deu certo.

No entanto, o final também acaba sendo muito interessante, também cheio de camadas, que eu mesmo não captei em sua totalidade, mas digo que valeu muito a pena.

Enfim, Boku Dake Ga Inai Machi é um anime com uma história intrigante, animação impecável, muitas camadas a serem analisadas e um final satisfatório. Faltou comentar que sua música de abertura é muito boa, sua trilha sonora não se destaca além da série, mas funciona perfeitamente dentro dela e a música de encerramento é chatinha como toda música de encerramento de anime.

4 pontos e meio

sábado, 26 de dezembro de 2015

Dica televisiva: One Punch Man (2015)

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E sim, chegamos a esse dia enfadonho em que eu tenho que escrever esta dica, por que One Punch Man acabou.

One Punch Man é um anime deste ano, sem sombra de dúvida o melhor lançado em 2015 e, provavelmente, o melhor da década, já que conta com qualidades raramente vistas hoje em dia.

A história acompanha o dia a dia de Saitama num mundo onde super-heróis são tão comuns ao ponto de existir uma associação de heróis com rankings e pontuação entre eles. Numa tarde enfadonha, após ter sido demitido, Saitama decide virar herói e começa a treinar, tornando-se o herói mais forte de todos. O único problema é que Saitama não é registrado na associação de heróis e sempre chega atrasado na cena da ação, como ele é muito forte, acaba destruindo seus inimigos em um soco só e nunca leva crédito pelas suas ações, por que não tem ninguém para vê-lo em ação.

É um anime de comédia e todos sabemos o quão lamentável é o humor japonês, no entanto, One Punch Man acaba se saindo muito bem no quesito comédia, talvez por se tratar de uma sátira de histórias de super-heróis ocidentais, dando um toque nonsense digno de Bob Esponja e afins.

A animação é excelente, muito bem feita e fluida. A última vez que assisti um anime com um tratamento tão bom foi em Zankyou no Terror (se não assistiu, faça um favor a si mesmo e assista agora), caminhando no sentido contrário ao das animações japonesas serializadas de hoje em dia. A trilha sonora também é muito boa, com o tema principal misturando heavy metal e rock melódico, gritando "One Punch!!!!" nas principais cenas de ação, arrepiando os pelos de qualquer um com o mínimo senso de envolvimento com o que está assistindo.

"One Punch Man" foi uma surpresa quando saiu este ano e é, com absoluta certeza, o melhor anime do ano, deixando no final, uma pontada aguda de tristeza, por que tem apenas 12 episódios. Eu espero que tenha um segunda temporada, já que seu mangá ainda é publicado (os dois, mas isso fica para outra dica) e ainda teremos mais alguns OVA's a caminho.

Enfim, "One Punch Man"... dica televisiva... forever.

5 pontos

(Só um parênteses, eu faço as dicas apenas quando as coisas "terminam" ou "completam", filmes e CD's são muito mais fáceis, por que é muito mais fácil completá-los, pois não leva tanto tempo. Já livros, hq's serializadas e séries de TV levam tempo para serem completadas, não só por que são mais longas, mas também por que eu levo mais tempo para terminar de ler/assistir essas mídias)

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Dica televisiva: "Mushishi Zoku Shou" (2014)

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Já falei de "Mushishi" aqui, esta é a segunda temporada desta fantástica série.

No anime, "mushi" são formas de vida onipresentes, que se manifestam no mundo físico de diferentes formas, interagindo com os seres humanos de forma pacífica ou não. Os "mushi-shi" são pessoas com vasto conhecimento de mushi e que trabalham para restaurar o equilíbrio entre mushi e humanos, quando o mesmo é perturbado de um lado ou de outro.

Assim como na primeira temporada, acompanhamos as aventuras de Ginko, um misterioso mushi-shi que atrai mushi, como declarado na primeira temporada, e por isso está sempre fumando um cigarro, de onde sai uma fumaça que funciona como repelente de mushi. Ginko atravessa montanhas, caminha pelas praias e dorme nos mais diversos vilarejos, conhecendo pessoas interessantes, com histórias intrigantes, sempre envolvendo um mushi diferente.

É por essa narrativa diferenciada que Mushishi chama a atenção. Os episódios são fechados e raramente vemos um personagem mais de uma vez ao longo da série, sendo possível assistir qualquer episódio, sem se preocupar com a ordem (até mesmo os episódios que contam sobre o passado de Ginko podem ser assistidos fora de ordem). Em cada episódio conhecemos uma história diferente, com um significado e lição diferentes, podendo passar despercebidas num primeiro momento, mas estão presentes, com certeza.

No entanto, este tyalvez seja um dos motivos de Mushishi não ser tão popular, pois suas mensagens nem sempre são alegres ou divertidas, às vezes são duras, porém necessárias, envolvendo a responsabilidade de cada um, reconhecer nossos erros e defeitos e até a pedir perdão.

Em mushishi tudo trabalha de forma harmoniosa, a animação é bem fluida, os cenários são um pouco apagados, sem muitos detalhes ou nitidez, mas isso só reforça o ar onírico que a série pretende passar e a trilha sonora é simplesmente deslumbrante, recheada de instrumentos orientais tradicionais, tocando em um ritmo lento e ritmado, provocando a nossa imaginação.

Se existe um defeito em Mushishi é que ele é curto demais, gostaria que cada episódio tivesse 50 minutos, mas não dá. Felizmente, ainda tem um pouco de Mushishi pela frente, afinal o seu filme será lançado ainda esse ano e eu já estou no aguardo.

4 pontos e meio

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Dica televisiva: "Space Dandy 2" (2014)

[caption id="attachment_857" align="aligncenter" width="212" class=" "]763822-space_dandy_2_large Space Dandy wa uchuu no dandii de-aru[/caption]

E agora, com vocês, a dica televisiva da tão aguardada segunda temporada de Space Dandy.


Pouca coisa muda da primeira temporada para a segunda, mas uma das coisas mais interessantes é que essa segunda temporada assumiu de vez que Space Dandy não é só um anime de 2014, ele é um projeto em formato anime. A primeira temporada, se você não se lembra, foi criada por Shinichiro Watanabe, imagino que nos moldes criativos com os quais Cowboy Bebop foi concebido, ou seja, cada um da equipe criativa dava ideias que iam sendo adotadas e adaptadas para o anime, mas nessa segunda temporada, Shinichiro Watanabe teria que deixar a liderança de Space Dandy para assumir o comando de outro anime, o maravilhoso Zankyou no Terror.


Sendo assim, essa segunda temporada de Space Dandy teve o grande diferencial de yer cada um de seus episódios dirigido por uma pessoa diferente, sendo assim, além de termos uma profusão de estilo artísticos diferentes (um dos grandes chamarizes da primeira temporada), também vemos essa abundância nos roteiros, ideias, conceitos e narrativas dessa segunda temporada.


É visível em alguns episódios que os personagens estão completamente diferentes da primeira temporada, em outros, a fluidez da narrativa é lenta, alguns esbanjam referências a outros animes, outros se aproximam muito da proposta espacial que foi a responsável por criar o anime, mas uma coisa que fica evidente e agora pode ser assumido como uma certeza é que Space Dandy foi criado para ser um anime sem fim, desses que ficam passando por anos e anos a fio, algo mais popularizado aqui no ocidente com desenhos como Pica-Pau e Tom e Jerry.


No entanto, ninguém sabe, infelizmente, se essa proposta será levada para frente ou não, algo que fica saliente com o episódio final, que encerra em uma batalha fenomenal a guerra entre o império Gogol e o império Jaicro, além de dar início a uma nova era de aventuras com Space Dandy,mas será que isto terá continuação?


Não sei, mas espero que sim, apesar deste temporada não ser melhor que a primeira, ela é muito interessante, como um projeto Space Dandy e espero que tenham mais e mais temporadas deste fantástico anime.


4 pontos


Obs: A trilha sonora está incrível (além de gigante) e eu já vou ouvi-la para fazer uma dica musical aqui.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Dica televisiva: "Zankyou no Terror" (2014)

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"Zankyou no Terror" é um dos animes mais hypados deste ano e não é pra menos, com direção de Shinichiro Watanabe (Cowboy Bebop e Samurai Champloo), com character design de Kazuto Nakazawa (Samurai Champloo) e trilha sonora sob as asas criativas de Yoko Kanno (Cowboy Bebop, Ghost in the Shell e Space Dandy), além de contar com um tema atual e polêmico, esse anime têm a receita perfeita para ser um diamante brilhante no meio de tanto lixo produzido no Japão, atualmente.

E é.

"Zankyou no Terror" conta a história de Nine e Twelve, dois jovens terroristas, que usam vídeos na internet para divulgar os locais de seus atentados, assim como a hora, em formas de enigmas, denominando-se Sphinx nº1 e nº2; desafiando a polícia de Tóquio, em espacial o detetive Kenjirou Shibazaki, que havia sido transferido de cargo por causa de um caso não resolvido anos atrás, mas que parece ser o único que consegue resolver os enigmas da Sphinx. Em meio a tudo isso, também acompanhamos Lisa Mishima, uma garota que sofre na escola e em casa, mas que se deixa levar pelos sentimentos em relação ao Twelve, após ser salva por ele do primeiro ataque terrorista da Sphinx.

Este é o anime mais devastador, em todos os sentidos de Shinichiro Watanabe até agora, que havia se resumido à animes de aventura e, no máximo, slice of life, sempre juntando influências do cinema noir, o jazz, a ficção científica e temas filosóficos, metafísicos e até religiosos; que é mérito de seus auxiliares na produção dos animes, escolhidos a dedo pelo diretor. No entanto, em "Zankyou no Terror", apesar da história  de ambientar em uma "realidade alternativa" (de acordo com as sinopses oficiais), somos apresentados à sua obra mais realista, abrangendo um tema que chama muito a atenção: o terrorismo.

Não somos apresentados às razões dos protagonistas logo de cara, de fato, este é um anime que deixa mais questões do que respostas, criando situações que se apresentam sem saída e respostas às situações que merecem uma segunda assistida para você se convencer de que essas saídas talvez sejam os momentos mais surreais no anime. No entanto, isso não é algo ruim, muito pelo contrário, aliás, aliado à trilha sonora (tocante e muito influenciada pela música nórdica), conhecemos personagens cheios de sentimentos, negativos, sim e até desoladores, mas com uma brilhante mensagem de esperança no final.

O realismo exerce uma força no anime em todos os níveis, desde as personalidades de seus personagens (e nisto inclui-se os seus sentimentos, ideais e ações) até as cenas mais emocionantes, que não chegam a ser piegas ou sensacionalistas, o que pode se mostrar decepcionante num primeiro momento (mas este não é um anime para ser analisado num primeiro momento); mas que se bem analisado se encaixa na proposta do anime, de mostrar a realidade da forma que ela é e como nós devemos encarar o mundo que nos cerca, mas sem perder a esperança, que acaba tornando-se um ponto central na mensagem final que o anime quer passar.

Quanto à parte técnica, esse anime é sim uma jóia rara. No meio de tantas animações pobres, desanimadas desculpe o trocadalho do carilho e sem emoção, "Zankyou no Terror" mostra que um anime, quando feito com paixão e planejamento, briga de igual para igual com grandes produções cinematográficas. As cores são vibrantes, porém não cansam os olhos, a animação é fluída, notando-se algumas deixas aqui e ali, esporadicamente, mas que não perturbam quem assiste e sua qualidade excepcional pode passar despercebida pelo público geral de anime.

Aliás, esse é um anime que pode não ser compreendido pelo público geral de animes, que está acostumado com animes de qualidade duvidosa tanto no roteiro quanto em sua qualidade artística como Naruto, Shingeki no Kiojin,  Kill La Kill e outras porcarias que fazem sucesso por sei-lá-qual-razãom, exatamente por exigir um pouco mais de paciência e admiração de quem assiste, como eu já disse, exigindo que você assista algumas cenas mais de uma vez e te deixando pensando sobre a vida e a realidade em que vivemos por algum tempo após finalizá-lo.

Enfim, "Zankyou no Terror" é um anime que me deixou com expectativas altas, mais pela equipe por trás dele (impressionante, demais!) do que pelo seu tema e que, apesar de seus defeitos de roteiro, me surpreendeu, seja pela sua história singular ou pela qualidade artística incrível.

Só assista e admira, meu amigo.

4 pontos e meio

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Dica cinematográfica: "Short Peace" (2013)

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Short Peace é um projeto cinematográfico de Katsuhiro Otomo, o autor de Akira, o clássico dos clássicos de ficção científica.


O filme é na verdade uma compilação de quatro curtas, mais uma abertura de poucos minutos, contando histórias diferentes envolvendo tradições e temas que remetem ao Japão. Também envolve um jogo, mas esse eu nem conheço.


A abertura do filme começa com uma garota brincando de esconde-esconde com  uma amiga e ao abrir os olhos quando a amiga diz que ela já pode olhar, depara-se com um mundo completamente diferente e divertido, para ela.


A primeira história do filme é sobre um viajante perdido numa floresta, enquanto chove, indo procurar abrigo em um templo, com uma sala, apenas. No entanto, ele descobre que essa sala pode ser moradia de coisas muito misteriosas.


No segundo curta, apresentado com um desenrolar de um rolo de papel, somos apresentados à trágica história de Owaka e Matsukichi, um casal prometido desde a infância um para o outro, mas quando Matsukichi é desonra sua família e é deserdado, os pais de Owaka não perdem tempo para achar outro marido para a menina. No entanto, os planos dela para a sua vida são bem diferentes.


A terceira história é sobre a batalha entre um ogro vermelho que anda aterrorizando uma família real japonesa e o protetor da família: Um urso branco gigante.


E a quarta e última história é sobre um esquadrão anti-bombas munidos com armas a laser e armaduras tecnológicas em uma Tóquio pós-apocalíptica onde os robôs desejam acabar com a humanidade.


Todos os filmes, apesar de serem feitos por diretores diferentes, foram feitos embaixo das asas de Katsuhiro Otomo e portanto, contam com as mesmas qualidades técnicas, sendo feitos num estilo pouco convencional, a animação 3D com uma finalização 2D, ou seja, você percebe que os personagens foram feitos em programas de modelagem 3D, mas eles contam com linhas grossas em torno de seus corpos, delineando detalhes em seus corpos, excluindo o trabalho de textura e profundidade que os animadores teria ao fazer um filme em 3D. Não é algo novo, é até bem utilizado em animações americanas, como a do Hot Wheels e em jogos nipônicos, como os jogos do Naruto ou os novos Pokémon. No entanto, eu nunca tinha visto esse estilo de animação sendo apresentado com tanta qualidade.


Os personagens parecem meio paradões, mas isso logo é quebrado com o desenrolar do filme. As cores e a movimentação de um modo geral (desde as roupas e os fios de cabelo) são muito bem feitos e característicos, dando um ar meio cartunesco à animação, mas que não atrapalha. Muito pelo contrário, acrescenta qualidade ao filme, sendo um deleite aos olhos assistir à alo que soa tão original como esse filme.


A trilha sonora não se destaca, no entanto, também não é ausente, sendo desnecessário comentá-la.


Já as histórias, essas merecem muitos comentários. Pelo fato de serem curtas, já são entregues personagens prontos e que não se perdem em enrolações desnecessários, então logo vemos a "ação" de cada história, algo extremamente agradável para quem assiste.


Enfim, "Short Peace" é um projeto ousado e até ambicioso, mas que cumpre muito bem o seu papel, sendo mais um ponto positivo no currículo desse mestre dos mangás que é Katsuhiro Otomo.


4 pontos e meio

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Dica televisiva: "Ping Pong: The Animation" (2014)

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Ping Pong: The Animation é um anime inspirado em mangá de mesmo nome do ano de 2014 e é muito bom.

O anime conta a história de Smile e Pelo, dois jogadores de tênis de mesa que frequentam o mesmo clube de treinamento e tem um talento natural para isso. No entanto, Peko torna-se extremamente convencido das suas habilidades excepcionais e Smile não vê mais graça no esporte. Apesar disso, o treinador da escola que os dois frequentam vê um futuro campeão em Smile, mas nenhum espírito esportivo e começa a treiná-lo com o objetivo de transformá-lo em um campeão.

O anime trata-se de um esporte que não têm muita moral no mundo: o tênis de mesa, então como ele pode ser muito bom? Simples, é um anime baseado em um mangá de Taiyo Matsumoto, o mesmo criador de Tekkon Krinkeet e Sunny, dois mangás ótimos e que merecem muito mais atenção do que recebem, tendo como trunfos a arte extremamente bela e original e a complexidade de seus personagens.

A arte é algo que chama a atenção logo no começo, "Ping Pong: The Animation" não é feito de forma convencional, assim como "Tekkon Krinkeet" (que foi feito todo a mão). Esse anime se esforça em parecer o mais fiel possível do traço fino, com detalhes semi-realistas, porém sujos de Taiyo Matsumoto, utilizando o CG apenas para as cenas em que mostram com detalhes as raquetes e as bolas de tênis de mesa; criando um anime que enche os olhos, nem tanto por ser bonito (ele é), mas o que chama a atenção é a originalidade de sua arte, além da ousadia que esse tipo de arte representa nos dias de hoje. Só para contextualizar, animar personagens e cenários com desenhos mesmo, fazendo tudo a mão, é considerada uma forma de arte atrasada e menosprezada no Japão, onde o uso de computadores e CG para animar é básico.

Outro ponto que chama a atenção, é a complexidade dos personagens. Acredite em mim quando eu digo que Taiyo Matsumoto não cria personagens rasos, todos eles são profundos, até mesmo os personagens com menos destaque, que aparecem em uma ou outra cena ao longo da série. Para começar temos dois personagens principais niilistas na história, um deles é Smile, que não vê graça no esporte, nem na vida, passando os dias jogando video-game e se escondendo dos seus problemas. O outro é Kazama, um jogador campeão mundial, mas que não está no esporte por que gosta e se diverte com aquilo e sim por obrigação, por pertencer à uma família que é dona de uma marca esportiva. Os dois perderam pessoas que amavam muito no passado e se perdem em arrogância e uma suposta superioridade em relação aos outros, mas no fundo, eles não acreditam que o esporte que praticam é útil, muito menos bom e não enxergam graça na vida. Já Peko começa como um arrogante desleixado que se convenceu de ser uma estrela, mas ao perder para um jogador chinês, chamado Weng, entra em depressão e desiste do tênis de mesa, até perceber que todos são importantes para alguém, até mesmo perdendo, o importante é a sua essência, o seu papel. Weng é um jogador chinês que foi expulso do seu país por ser um péssimo exemplo, ele é presunçoso e arrogante, apenas se importando com sua volta para a China, no entanto, ele acaba descobrindo que um pouco de trabalho e diversão são as coisas realmente importantes na vida. Outro personagem com um papel central na história é Sakama, um jogador sem talento, porém muito esforçado, mas que acaba descobrindo que não adianta você se esforçar para fazer algo que não se encaixa com você, isso nunca dará frutos. Ele começa como um personagem detestável, mas logo criamos empatia por ele, não só por ser mais uma vítima cruel da realidade, mas também por ser o primeiro a achar um equilíbrio saudável para a sua vida, tornando-se uma espécie de consciência para vários personagens.

Todos os personagens começam abusando de excessos, sejam eles bons ou ruins, como o complexo de inferioridade de Smile, que logo vira um complexo de superioridade, ora pecando pelo excesso, ora pela falta; esquecendo-se de que o saudável é manter um equilíbrio na vida. Esses são apenas alguns dos personagens, também temos +personagens secundários que foram tirados do esporte por abusar dos limites, personagens que nutrem paixões por quem não deveriam se apaixonar, enfim, temas mais simples, porém abordados de forma sutil e sagaz por esse que é um dos melhores autores da atualidade: Taiyo Matsumoto.

Enfim, "Ping Pong: The Animation" é um anime muito bom, contando não só com um estilo original e personagens complexos, apesar do roteiro simples, mas também com uma narrativa muito interessante, utilizando-se de todos os efeitos que puder usar para contar a história, como músicas, flashbacks e cortes não-lineares no meio da tela. Num primeiro momento, ele pode assustar, parecendo uma coisa ruim, pobre, mas logo você consegue descobrir a beleza das histórias de Taiyo Matsumoto.

4 pontos

sábado, 19 de julho de 2014

Dica televisiva: "Usagi Drop" (2011)

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Usagi Drop é um anime inspirado em mangá homônimo, exibido em 2011 e que conta uma história bem legal.

O avô de Daikichi morreu e ele vai até a sua casa, onde estão reunidos todos os familiares para o enterro e tal... Tudo parecia normal, mas logo ele recebe a notícia de que seu avô tinha uma filha bastarda de apenas 6(?) anos, chamada Rin,  fruto de seu relacionamento de uma noite com uma mulher desconhecida, motivado pela "pílula azul" (daí o nome da série). Ninguém aceita cuidar da menina, então Daikichi se vê forçado a levá-la para casa e começa a cuidar dele, como se fosse um pai solteiro.

A série parte de uma premissa muito interessante e que já foi usada muitas vezes em filmes dramáticos, não só a relação pai-filha, mas também como é a vida de pais solteiros, apresentando ainda os dois lados da moeda, quando Daikichi conhece a mãe de um colega de classe de Rin, que também cuida do filho sozinha, pois seu marido (ou amante, não fica muito claro a relação que os dois tinham) a abandonou. Enfim, a história dos dois personagens rende reflexões sobre diversos temas além da relação de pais solteiros e suas vidas cotidianas, mas também os sacrifícios que eles têm que fazer em uma sociedade que não se preocupa com o que acontece em casa, mas como os indivíduos se comportam fora dela, em seus ambientes de trabalho, restaurantes, locais públicos em geral, além do tema de laços sanguíneos. Rin não sabe quem é sua mãe, apenas conheceu seu pai, além de ser filha bastarda, por isso sofre um certo preconceito da família, mas família é necessariamente um conjunto de pessoas unidas por laços de sangue ou seriam um conjunto de pessoas unidas por laços de afetividade.

É possível que a própria autora tenha uma ideia meio conservadora ou talvez infantil sobre o tema, mas o modo como todas essas questões são abordadas ao longo de todo o anime provocam a reflexão em quem assiste, afinal tudo é muito sútil e leve nesse anime, nada é imposto a força ou explicado demais, as coisas simplesmente acontecem, às vezes sem terem uma resolução, mas é desse jeito que a vida é... Deveria ser diferente, mas não é...

Enfim, Usagi Drop é um ótimo anime, estou ciente que o mangá é horrível, com a imposição de algumas ideias ridículas, incluídas apenas para criar uma certa polêmica e chocar os leitores, mas ele é dividido em 2 fases: A primeira, com a Rin criança e a segunda com a Rin já adolescente. O anime adapta a primeira parte do mangá, que é muito boa e provavelmente essa série é um raros exemplos de que o anime supera em todos os quesitos o mangá, seja pela falta de maturidade da autora ou pela sagacidade dos criados do anime.

4 pontos

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Dica televisiva: Cowboy Bebop (1998)

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Difícil escrever esse texto.

Cowboy Bebop foi um anime exibido entre 1998 e 1999 no Japão, criado por Shinichiro Watanabe e logo tornou-se um clássico moderno.

Cowboy Bebop conta a história de um grupo de caçadores de recompensa no ano de 2071, onde a humanidade avançou tanto tecnologicamente que conseguiu colonizar diversos planetas e luas do sistema solar, após um acidente com o portal hiperespacial, que liga todos esses planetas e destruiu grande parte do planeta Terra, tornando nosso planeta inabitável, apesar de muitas pessoas ainda morarem na Terra.

Cowboy Bebop acompanha a vida de Spike, Jet, Faye, Ed e Ein, a exótica tripulação da Bebop, um cargueiro transformado em nave. Cada um desses personagens recebe especial atenção e têm seus momentos mágicos, por assim dizer, agradando a muitas pessoas, transformando-se num clássico cult e elevando a carreira do seu diretor, Shinchiro Watanabe.

Mas engana-se quem pensa que o mérito é todo dele, Shincihiro teve uma grande ajuda para completar o seu anime, que tinha como premissa ser apenas uma série que pudesse vender naves espaciais. Esse foi o pedido feito pelo estúdio à Shinichiro, que a partir dai elaborou com uma equipe extremamente competente um dos melhores animes do mundo.

Cowboy Bebop é feito no formato de episódios fechados, ou seja, cada episódio conta uma história, a não os episódios que se centram em Spike (Esses são geralmente episódios com continuação), podendo ser assistido em qualquer ordem, apesar de ser recomendado assistir na ordem correta.

Logo no primeiro episódio já dá pra perceber que Cowboy Bebop não é um anime comum. Neste episódio somos apresentados a Jet, o capitão da Bebop e Spike, um caçador de recompensas desleixado e como ele mesmo diz: "A moda antiga". Em um só episódio podemos ver referência a Clint Eastwood e seus filmes de faroeste, MPB, jazz, blues e até Robert Rodriguez (Que gosta muito do anime, por sinal), mas sem tornar-se uma miscelania ordinária, tudo é muito bem encaixado, até passa despercebido, podendo até resignificar as referências, tirando-as de seu contexto original, algo muito complicado de ser feito, mas que virou marca registrada de Shinichiro Watanabe, afinal ele é um dos poucos que sabe fazer isso com maestria. E esse é o grande trunfo da série, você poderá notar diversos elementos narrativos que fazem referência à filmes, livros, músicas e outros animes.

Outro grande trunfo narrativo da série são os temas abordados. Cowboy Bebop não se trata de um anime que simplesmente faz referência à outros animes, Cowboy Bebop têm profundidade e logo no segundo episódio já são feitas brincadeiras com Goethe, por exemplo. E se você for se aventurar e assistir a todos os episódios, poderá notar a presença de 3 grandes temas ao longo de toda o anime: O passado, a busca por um sentido e o equilíbrio.

O passado é o tema recorrente mais usado ao longo da série, afinal acompanhamos personagens perturbados por fantasmas de anos atrás e todos eles buscam superar os seus problemas. No entanto, para eles isso torna-se um objetivo difícil de ser conquistado, por que eles tem que superar o seu passado e encontrar novos objetivos na vida e aí entra a busca por um sentido. Os personagens se atormentam por que não sentem que vivem, em suma, eles só existem, mas há aqueles que encontram algo para viver e em sua nova vida, acham o equilíbrio que precisavam. Esse é o tema mais complicado de ser identificado na série, mas você pode notar que os personagens menos trágicos e por consequência, os que acabam não tendo tanta participação nos episódios finais são aqueles que acabaram encontrando um ponto de equilíbrio em suas vidas. O passado ainda está lá, ele existe, mas eles não podem mudá-lo, apenas superá-lo, o que eles acabam fazendo e seguem suas vidas, mesmo que distante daqueles que os acompanharam por tanto tempo.

Enfim, como você pode perceber, Cowboy Bebop têm personagens únicos e única também é a qualidade técnica do anime, contando com uma animação soberba, ainda mais para os padrões da época de lançamento dele.Por terem tanta liberdade para trabalhar, os animadores e roteiristas da série inseriam aquilo que eles mais gostavam e guardavam na memória do que foi influência para eles, por isso alguns episódios são inteiramente feitos com uma atmosfera noir ou têm elementos de filmes de faroeste, chegando ao extremo de criarem um episódio inteiro baseado em Batman. Um ponto alto da animação também é o uso de CG, não parece artificial e colocado por cima da cena, como em outros animes do século passado, as animações em CG realmente parecem pertencer, quadro a quadro, das cenas e não atrapalham em nada, pelo contrário, só acrescentam. A trilha sonora também é o ponto mais alto da série, que foi feita "de última hora" para cada episódio. Yoko Kano, responsável pela trilha sonora de Cowboy Bebop, criou uma banda só para fazer a trilha sonora do anime e por contar com tanta liberdade, criavam músicas para cada cena do anime, o que resultou em episódios com músicas originais e sempre diferentes, além de 10 CD's com músicas do anime e um DVD ao vivo.

Cowboy Bebop, assim como muitos animes do final do milênio, contam com um final trágico, mas entram para a história, por que se trata de um trabalho realizado por jovens profissionais que queriam dar todo o seu melhor em um projeto com liberdade quase total. É um marco na história dos animes, sendo um dos animes de maior sucesso tanto no ocidente quanto no oriente, abusando de influências dos dois lados do planeta e influenciando pessoas de todos os cantos também.

Infelizmente, eu escrevi muito e sinto que não escrevi nada. Cowboy Bebop merece muito mais do que um texto desses.

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sábado, 7 de junho de 2014

Dica televisiva: "Pokemon The Origin" (2013)

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Essa dica não era mais para ser feita, eu sei, mas vou fazer do mesmo jeito, por que esse anime é bom pra crlho.

"Pokemon The Origin" é um anime que originou-se da campanha de marketing para promover os jogos Pokemon X e Pokemon Y, mostrando um anime mais fiel aos primeiros jogos: Pokemon Red e Green.

O anime acompanha a jornada de Red para se tornar o treinador mais forte de todos e completar a pokédex, fazendo o mesmo roteiro que qualquer um faria ao jogar os primeiros jogos da franquia. Então, a história não é nada nova.

O novo aqui se concentra na narrativa. Toda a história é contada em apenas 4 episódios, além de criar uma nova "mitologia" para o mundo Pokémon, adaptando diversos elementos "fantásticos" para que a história ficasse mais "palpável" ao gosto daqueles adultos que jogaram os primeiros jogos e ainda não se esqueceram dos momentos mágicos que passaram com o seu Game Boy, conseguindo, dessa forma, agradar a gregos e troianos. Um dos exemplos disso é o modo como todo episódio se inicia, com uma tela em branco perguntando se você gostaria de inciar do último ponto salvo ou não, ou ainda os pequenos "balões" contando alguns eventos da história, usando uma linguagem fiel aos jogos.

Também temos uma história muito mais próxima dos jogos, mas que está longe de ser uma adaptação do mangá de sucesso "Pokém Adventures", infinitamente mais maduro e ousado em sua abordagem do mundo pokémon, no entanto isso não atrapalha em nada o divertimento, que, como eu já disse, agrada a gregos e troianos.

Em relação à qualidade gráfica, surpreende. Afinal, até mesmo por se tratar de um anime de só 4 episódios, que serve como catapulta para alavancar as vendas dos novos jogos, conta com uma qualidade gráfica soberba, com uma animação muito fluída, cheia de cores, nos mais variados tons, sabendo adaptar os cenários dos games em ótimas paisagens, além é claro das batalhas, muito bem feitas, com desenhos fortes em certos momentos e um sombreamento perfeito para adicionar mais tensão nelas.

E claro, não podia faltar a trilha sonora, que nada mais é do que uma reformulação da trilha sonora dos primeiros jogos. Os instrumentos musicais e a forma como a música é feita mudaram, mas as notas que tornam a música aquilo que ela é e consegue dar um efeito nostálgico especial ao anime está lá. Moderno e nostálgico, na medida perfeita.

Enfim, "Pokemon The Origins" é um ótimo anime para novos e velhos fãs e se tem algo que ele peca é nisso, esse anime não é atraente para quem não se interessa por Pokémon, muito menos para quem nunca jogou Pokémon e menos ainda para os que odeiam, o que é diferente com o mangá. Mas, otários a parte, esse anime surpreende e diverte, merecendo ser assistido por aqueles que têm cabeça não só para ter cabelo.

4 pontos e meio

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Dica televisiva: Space✩Dandy

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Space✩Dandy é um clássico moderno.

Além de ser o tão aguardado anime de 2014 dirigido por Shinichiro Watanabe, é também um anime com uma das narrativas mais interessantes, divertidas e legais dos últimos tempos.

Space✩Dandy conta a história de Space Dandy, um fanfarrão no espaço, que têm como profissão caçar alienígenas desconhecidos em troca de dinheiro no centro de cadastro de alienígenas e, como hobby, visita os Boobies, uma rede de lanchonetes espaciais que contém garçonetes peitudas como principal atrativo.

A narrativa é simples e como anime de humor funciona perfeitamente. Dandy também têm como companheiros QT, um robô com voz fofa e desatualizado, mas que serve para limpar a nave deles (Aloha Oe) e consertar eventuais problemas técnicos, além de um companheiro indesejado, um gato alienígena com um nome impossível de ser pronunciado por meros humanos. Esse trio fica conhecido como BBP, que é um sigla para Burrão, cabeça de vento e cabeça de alfinete (tradução livre do japonês) e os três se metem em aventuras pelo espaço, enquanto são caçados por um general do império Gogol, que enxerga Dandy como uma ameaça para o universo.

O fato de Dandy ser um valentão, pegador e anti-herói, afinal ele é tipo como um vilão pelo império Gogol ( mas isso é envolto em mistério pois não são apresentadas as reais intenções do império) torna Dandy em um personagem único, principalmente em séries de humor japonesas, onde o personagem principal é sempre um mané deprimente e chato, ou mesmo em séries ocidentais, onde o fanfarrão é o vilão da história, o cara que pratica bullying e é tido como idiota por todos.

Nesse anime, o valentão é o personagem principal, continua sendo burro, mas é o cara que chama a atenção das garotas, o pegador, o cara que não tem medo de zoar com todo mundo e ainda assim se dá bem no final. Concluindo, um personagem único no mundo do anime, o que já seria suficiente para transformar esse anime em algo excepcional.

Mas não podemos esquecer de que esse anime é dirigido por Shinichiro Watanabe e como tal, ainda conta com uma excepcional trilha sonora (cheia de influências new wave e, claro, jazz) e qualidade de animação, muito fluída, leve, mesmo contando com uma infinidade de detalhes. Os personagens são bem detalhados e a animação é muito boa, as cenas de ação remetem a Tengen Topa Gurren Lagan, bem enérgicas e fortes.

Por falar em influência, o anime também contém diversas referências, desde mais óbvias como 2001: Uma odisséia no espaço e Cowboy Bebop, até influências menos óbvias, como Rango e grupos musicais japoneses antigos.

Cada episódio é fechado em si mesmo, contando uma história que talvez não siga uma ordem cronológica da forma como nos é apresentada, aumentando a curiosidade em saber como tudo se encaixa na história, além de contar com diversos conflitos e temas existenciais, filosóficos ou mesmo científicos escondidos por baixo do pano de fundo principal: o humor.

Enfim, Space✩Dandy é um alívio numa era dominada por animes ruins, envolvidos num hype fenomenal, porém desmerecido. E que venha a 2ª temporada em Julho.

5 pontos

domingo, 9 de março de 2014

Dica televisiva: Ergo Proxy

ergopr13Ergo Proxy é um anime de 2006, com um nível de experimentalismo muito forte, envolvendo filosofias diversas em uma história de suspense e ficção científica, além de misturar CG, com animação tradicional 2-D e alguns efeitos especiais computadorizados muito utilizados em filmes de ação.

A história de Ergo Proxy se passa em um futuro distante, num mundo pós-apocalíptico, onde as pessoas vivem numa hipo-utopia, uma era após a utopia ou a distopia, onde não há mais futuro, eles são o futuro e não há mais para onde ir, seja pelos avanços científicos, o controle social ou simplesmente pelo tédio, a ideia de não ter mais o que fazer.

Na cidade de Romdo, uma redoma protegida do mundo exterior infectado e destruído, os seres humanos convivem junto com autoreivs, andróides com a função de proteger seus donos ou de fazer companhia, depende da função. No entanto, esse equilíbrio começa a ser ameaçado ao acontecer assassinatos e outros acidentes envolvendo autoreivs infectados com Cogito, um vírus que os faz adquirir consciência e querer partir em alguma jornada existencial para descobrir se sua consciência sempre existiu e só então foi despertada ou se sua consciência é um fruto das experiências que viverão.

Para deter o vírus, o governo central de Romdo começa a fazer testes com criaturas chamadas Proxys, seres tidos como imortais e onipotentes, uma espécie de deus, mas um deles sai do controle, ameaçando a ordem natural regida na cidade, envolvendo cidadãos ideais como Vincent Law, um imigrante e Raul Creed, chefe do escritório de segurança da cidade.

Um resumo da história é muito difícil de ser feito, pois envolve ainda outros personagens, como Re-I Mayer, neta do regente de Romdo e que trabalha na companhia de inteligência da cidade, investigando os crimes cometidos por autoreivs e Pino, uma autoreiv infectada que se aproxima de Vincent na sua busca existencial. A história também foca muito no desenvolvimento dos sentimentos e pensamentos dos personagens, sendo maçante em muitos momentos.

De fato, eu achei que Ergo Proxy seria muito bem contado em 12 episódios e se fosse criado nos dias de hoje, seria assim.

Esse é o seu ponto baixo, além da animação, que, talvez pela época em que foi feita, não seja surpreendente, apesar de usar CG e efeitos de computador, afinal, é um anime experimental, tanto na qualidade da animação, quanto na história.

E também é experimental na trilha sonora, fazendo você pensar que é uma série estadunidense, com os típicos ritmos de pressão e suspense, além da abertura e encerramento, ótimos, porém cantados em inglês.

Enfim, Ergo Proxy não é anime para qualquer um, muito pelo contrário, é um anime difícil de ser compreendido, cansativo, mas que tem seus pontos positivos e um final satisfatório, fechando todos os mistérios colocados durante seus mais de 20 episódios.

4 pontos

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Dica televisiva: Samurai Champloo (2004)

samurai-champlooSamurai Champloo é um anime exibido entre os anos de 2004 e 2005, sendo mais uma icônica obra de Shinichiro Watanabe.

A história gira em torno do trio formado por Fuu, uma menina de 15 anos, Mugen, um malandro com ótimas habilidades de luta e Jin, um samurai renegado. Os dois homens são unidos, à força, pela menina para que possam encontrar um samurai que cheira a girassóis.

Basicamente, essa é a sinopse do anime e de onde a trama parte, finalizando apenas após 26 episódios.

Samurai Champloo tornou-se uma série icônica e influente, quase tanto quando Cowboy Bebop (também de Shinichiro Watanabe) por suas inovações, não só estilísticas, como também narrativas.

Cowboy Bebop mistura o período Edo do Japão, algo em torno do século 17, com elementos contemporâneos, como os óculos do Jin, o ritmo de hip hop dominante em todo o anime, além de expressões, atividades, roupas e costumes.

No entanto, essa série não me agradou tanto quanto Cowboy Bebop, que tem uma temática mais madura, abusando de influências musicais, filosóficas, religiosas e estilísticas de diversas épocas, misturando-as em uma história de ficção científica futurista.

Samurai Champloo é uma série mais voltada para a comédia e, talvez, isso explica a maior aceitação desse anime em maio ao público geral, enquanto que Cowboy Bebop virou uma série mais cult. No entanto, ainda assim fica impossível não comparar as duas séries, afinal há diversas semelhanças entre uma e outra, como o conjunto de personagens principais, as personalidades de cada um, a qualidade da trilha sonora e da animação.

Apesar de parecer infantil eter um traço simples, Samurai Champloo tem uma animação que flui naturalmente, com a boa e velha animação feita no braço mesmo e muitos detalhes ricos durante todo o anime.

E a trilha sonora é um show à parte, com batidas de rap e vocais maravilhosos de se ouvir, criados por um dos grandes mestres do hip hop: Nujabes, que Deus o tenha.

Enfim, Samurai Champloo não é uma obra prima, mas é um ícone, sendo uma das obras mais amadas por fãs de anime até hoje.

4 pontos