domingo, 9 de novembro de 2014

Um texto com os meus pensamentos sobre o final de Naruto.

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Quando eu soube que o Naruto ia acabar eu fiquei eufórico, alegre de verdade, foi, provavelmente, o dia mais feliz de Outubro para mim. Basicamente, eu fiquei assim:



No entanto, eu estava muito atrasado. Acho que eu não lia o mangá desde o ano passado, pelo menos, então eu tive que ler uns 300 capítulos em uma semana, ficando assim:



Durante a minha leitura, eu lembrei por que eu havia parado de ler o mangá de Naruto. Quando Naruto explodiu (isso quando eu tinha uns 11 anos) e todos os meus amigos liam e assistiam o Naruto, eu achava aquilo o máximo, é oque me fez entrar de cabeça no mundo otaku, mas conforme você vai crescendo, ganha maturidade, você começa a questionar algumas coisas, como por exemplo, por que o excesso de peitos grandes saltando no meio da sua tela? Por que os japoneses tem um senso de humor tão ruim? Por que as lutas duram tantos capítulos? Por que os romances nunca são desenvolvidos? Por que os personagens gritam tão histericamente? Por que porcarias assim fazem sucesso com pessoas de 20 e tantos anos? À partir daí, você se toca de que a maioria dos mangás são puro lixo, produzido apenas para suprir uma demanda gigantesca de mercado.



Por essas razões, eu parei de nadar tão profundamente no mundo otaku e hoje em dia, cada anime que assisto ou mangá que eu leio passa por uma rigorosa malha fina antes de eu me atrever a assisti-lo. Após isso, parei de ler Fairy Tail, parei de comprar mangás só para ver  como eram na banca e pesquiso muito antes de assistir os 3 primeiros episódios de algum anime para decidir acompanhá-lo. No entanto, com Naruto é diferente. Naruto foi uma bomba no mundo ocidental, era o Cavaleiros do Zodíaco dos anos 2000, o Dragon Ball Z da minha geração, a maioria dos otakus entre 17 e 23 anos hoje, entrou nesse mundo através de Naruto, então muita gente dá importância para essa história, importância merecida aliás.



Então, eu decidi voltar a ler o mangá, ficando assim em alguns momentos:



Em outros, eu ficava assim:



E finalmente, alcancei o capítulo 695.



Mas finalmente, consegui alcançar o capítulo 695 e comecei a acompanhá-lo em tempo real. Mas eu estive sempre com um pé atrás em relação ao final da série. Primeiro, por que as últimas lutas foram exageradamente épicas. Entenda, não há nada de errado com lutas épicas, elas são ótimas, mas desde o final do arco da akatsuki, o mangá passa por uma sucessão de lutas épicas tão grandes que enjoa. Simplesmente, nada do que acontece ali impressiona, apenas cansa. Sem contar que os motivos dos personagens começam a perder sentido, então eu fiquei assim quando a luta final do Sasuke e do Naruto começou:



E tão rápido quanto começou, ela acabou e eu não podia estar mais desinteressado no seu desfecho quanto eu estava ao terminar de ler o capítulo 699.



Só que aquele era um capítulo duplo, então eu comecei a ler o capítulo 700, que, sinceramente, pareceu a mim muito interessante, tornando-se satisfatoriamente bom.



E eu não preciso nem dizer como eu fiquei quando vi a Hinata ao lado de sua filha com o Naruto, né?



E então a possibilidade de mais histórias do universo Naruto, mas dessa vez com os filhos dos personagens principais.



Eu estava esperando que o Sasuke morresse sim, mas se você quer saber, esse final foi muito melhor do que teria sido se o Sasuke tivesse morrido.


No final, a série do Naruto não é nenhuma obra de arte genial, leitura obrigatória para qualquer fã de um bom mangá, mas teve um final extremamente satisfatório, se não perfeito, para uma série cheia de altos e baixos e que nos últimos anos estava tendo só baixos e fundos.


Agora que ela acabou, dá até para dar uma nota 3.


3 pontos


Estou até pensando em comprar o último volume pra ter aqui guardado, se o último capítulo tiver páginas coloridas.


Quanto às novas histórias, eu espero que sejam lançadas em volumes únicos ou one-shots mesmo, por que se não, nem compensa acompanhar. Mas eu vou ficar no aguardo e ansioso, se aparecerem os filhos dos personagens principais.


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terça-feira, 4 de novembro de 2014

Dica musical: "Vibes!" de Theophilus London (2014)

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"Vibes!" é o segundo álbum de Theophilus London, um rapper/fashionista/cantor pop trinidadiano, com base nos Estados Unidos, onde mora e produz suas músicas.


Coloquei ali diferentes "títulos" para o cantor, por que é um pouco difícil clasificar sua música, ao menos em "Vibes!", como rap. Visto que não tem tantas rimas, são canções mais curtas e menos focadas na mensagem e mais no estilo, seja lírico ou sonoro.


Em "Vibes!" somos logo apresentados a esse estilo do cantor com "Water Me", uma canção curta, muito centralizada em sua batida, um tanto futurística, meio oitentista, parecendo um sampler da trilha sonora de algum filme como "Time Masters" ou "Planeta Fantástico", o que é legal, aliado a uma letra que não deixa transpor, com clareza, a sua mensagem, tornando-se, de certa forma, enigmática, sendo uma abertura brilhante para um CD tão bom.


Inclusive, a palavra "enigmático" pode ser a palavra que melhor descreve esse CD, ao lado de "sofisticado", pois é assim que ele é. Cheio de nuances, batidas certeiras, com mudanças pequenas em momentos claramente reservados para elas. Nada se sobrepõe, nada gera confusão, não existe caos aqui, apenas ordem e clareza, mas sem leveza, pois é um CD enigmático, seja em suas batidas, seja nas letras curtas.


3 pontos e meio

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Dica cinematográfica: "A dama de Xangai" (1947)

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"A dama de Xangai" é um filme policial, filmado no estilo noir de 1947.

Conta a história de Michael O'Hara, um marinheiro com passado obscuro que se encanta pela bela e jovem Elsa Bannister, mulher de um famoso advogado criminal, o sr. Arthur Bannister. Após o primeiro encontro com a mulher, Michael recebe a visita de seu marido, que o oferece um emprego em seu iate, que sairia de Nova Iorque e iria até São Francisco, passando pela baía do Panamá. Induzido pelos colegas, que também conseguiram um emprego no luxuoso barco, Michael aceita o trabalho, sentindo-se cada vez mais atraído pela mulher. Durante a viagem, conhece George Grisby, sócio de Arthur, que oferece a Michael 5 mil dólares, caso este o mate. Michael decide aceitar o plano e, com o dinheiro, tenciona fugir com Elsa, mas Grisby morre antes da hora e o marinheiro é acusado de homicídio, correndo o risco de ser sentenciado a morte.

Este é um ótimo filme policial, incluído entre os filmes noir pela sua narrativa, com voz em off de Michael O'Hara narrando o filme todo, a femme fatale e a trama surpreendente e envolvente. O filme começa um pouco mais lento, apresentando muito bem cada um de seus personagens, mas sempre com um ar de mistério para não dar na cara quais são as reais intenções dos personagens, mas logo após o assassinato de Grisby, o ritmo acelera e a narrativa deixa de ter ares aventurescos, com uma mudança constante de ambientação, para ter um ar mais soturno, investigativo, mas sem tornar-se pesado demais. Do meio para o final, todas as máscaras caem, o filme torna-se cada vez mais psicológico e os mistérios se solucionam.

Os diálogos também são um espetáculo à parte, com destaque para a parte em que Michael é convidado para sentar-se com o sr. e a sra. Bannister e se surpreende ao constatar que a ideia de diversão deles é ficar sentado ao redor de uma fogueira, enquanto todos se ofendem. Após isso, ele começa um maravilhoso diálogo em que descreve uma de suas viagens ao Brasil, onde em Fortaleza viu-se cercado de tubarões, enquanto pescava, um deles se machucou no anzol e o sangue se espalhou, atiçando os outros tubarões. Acabou que todos os tubarões acabaram se comendo, num frenesi mortal e selvagem, prevendo o que já aconteceria no final do filme.

É uma metáfora, que também serve como crítica social, ainda nos dias de hoje.

"A dama de Xangai" é um filme que me surpreendeu, principalmente por não ser um filme tedioso, mas sim um filme divertido, legal, gostoso de assistir.

4 pontos

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Dica musical: "The Long Goodbye Soundtrack" (1973)

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Já indiquei aqui este filme maravilhoso chamado de "Um Perigoso Adeus". Hoje, após muita procura, desistências e mais procuras, encontrei a trilha sonora completa deste filme, que tem apenas uma música.

Alguns filmes precisam ser assistidos mais de uma vez para serem completamente admirados, pois muitas vezes estes filmes quebram várias barreiras, em diversos aspectos e somos impressionados apenas em algumas, deixando outras escaparem à atenção de nossos olhares. "Um perigo adeus" é um bom exemplo.

A primeira vez que eu assisti ao filme não reparei, mas quando o assisti pela segunda vez notei algo muito peculiar e interessante neste filme: Ele só tem uma música, batizada com o mesmo nome  do filme ("The long goodbye"), mas tocada em ritmos diferentes, por artistas diferentes, de gêneros diferentes, variando do clássico jazz, passando pelo fusion gostoso até uma versão mariachi.

A trilha sonora do filme contém 20 canções, ou melhor, interpretações diferentes da música tema, contando com umas bem exóticas como a versão mariachi, algumas apenas instrumentais e até a montagem com todas elas.

Enfim, a trilha sonora de "The Long Goodbye" é excepcional. Uma joia rara, ainda a ser descoberta pelo mundo.

4 pontos e meio

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Dica musical: "Plowing into the field of love" de Iceage (2014)

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"Plowing into the field of love" é o novo álbum da banda punk/hardcore dinamarquesa Iceage, sucessor de "You're Nothing".

"Lord's Favorite" foi a primeira música que ouvi desse novo álbum, junto com "Forever" e a primeira, sendo uma canção cheia de influências de country music, com uma letra, apesar de elaborada, soando como uma enorme piada e eu fiquei, profundamente, desapontado com essas primeiras canções, apesar de "Forever" ser uma excelente música, por que eu achei que eles iriam ser uma dessas bandas que começam incríveis e, sob o pretexto de estar amadurecendo e crescendo, acabam mudando completamente  a sua sonoridade, caindo no limbo da descaracterização completa, como aconteceu com Arctic Monkeys, por exemplo.

No entanto, já vimos bons exemplos de bandas que crescem e amadurecem e ainda assim continuam fiéis a sua sonoridade, avançando em níveis criativos, líricos e produtivos, citando nessa categoria bandas como Cage the Elephant e La Dispute.

E é com enorme prazer que eu consto que Iceage entra no segundo grupo, reforçando a tese de que essa é uma das melhores bandas de rock/punk/hardcore da atualidade, quiçá, da história.

A começar pela sua estratégia comercial, lançando "Lord's Favorite" uma música ridiculamente ruim como o primeiro single do álbum, dizendo claramente para os fãs "ESSE NÃO É O ÁLBUM DE ICEAGE QUE VOCÊ ESPERA, ELE É DIFERENTE, ESPERE POR ELE SER DIFERENTE!" e logo as suas expectativas vão lá embaixo com isso, mas logo, em seguida, lançando uma música ótima como "Forever" e te deixando com uma pulga atrás da orelha, fazendo você questionar se esse será um álbum tão ruim como você esperava.

É uma ótima estratégia, principalmente, por que o Iceage não foi por caminhos tão diferentes assim. Tá certo, eles estão com uma sonoridade diferente dos primeiros álbuns, mas não é como se a banda tivesse sofrido uma descaracterização completa. Colocando em uma analogia fácil de se compreender, é como se antes a banda estivesse caminhando por caminho tortuoso, pisando em buracos, afogando-se em poças de lama, indo para o meio do mato ao lado da estrada, dando meia volta e repetindo o mesmo caminho todo de novo. Já neste CD, é como se eles estivessem seguindo pelo mesmo caminho, mas descoberto que ele faz parte de uma estrada muito grande, que segue ao lado de outras estradas também muito grandes, desviando dos buracos, pulando nas poças de lama para se sujar um pouco e tirando sarro daqueles que estão seguindo as outras estradas ao lado.

Sendo formada por caras em torno dos seus 20 anos, que viviam na Dinamarca, um país com um cenário musical muito sólido, é completamente plausível que só agora eles estejam descobrindo estilos musicais daqueles que os cercavam na capital dinamarquesa, como o jazz, ou mesmo bandas que poderiam muito bem ter servido como influências nos antigos álbuns do grupo.

A receita que todos gostamos da banda ainda está lá, os riffs de guitarra continuam caóticas, a bateria continua violenta e o baixo ainda continua marcante e forte em todas as suas canções, mas o vocal, antes ininteligível, selvagem e brutal, torna-se mais ameno com este CD, no entanto, não menos obscuro, afinal o vocalista da banda é dono de um belo barítono, algo que se destaca bastante nesse álbum, podendo revelar uma outra faceta das canções do grupo, uma faceta mais sombria, misteriosa e até assustadora. A mudança mais agressiva (compreenda isso em todos os sentidos) é o tempero usado pela banda, antes nem era presente, e agroa é marcado por pianos, trompetes e violões.

Todas essas mudanças abrem um novo horizonte para o som caótico, deprimente, até niilista da banda, sofisticando os seus arranjos, seus acordes, em suma, a sua sonoridade.

Para mim, "You're Nothing" foi um dos melhores álbuns que já tive o prazer de escutar e achava difícil que o Iceage pudesse superá-lo,e ainda acho que não superou, mas em tão pouco, ver um lançamento tão bom e satisfatório como esse é, realmente, incrível.

4 pontos

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Dica televisiva: "Space Dandy 2" (2014)

[caption id="attachment_857" align="aligncenter" width="212" class=" "]763822-space_dandy_2_large Space Dandy wa uchuu no dandii de-aru[/caption]

E agora, com vocês, a dica televisiva da tão aguardada segunda temporada de Space Dandy.


Pouca coisa muda da primeira temporada para a segunda, mas uma das coisas mais interessantes é que essa segunda temporada assumiu de vez que Space Dandy não é só um anime de 2014, ele é um projeto em formato anime. A primeira temporada, se você não se lembra, foi criada por Shinichiro Watanabe, imagino que nos moldes criativos com os quais Cowboy Bebop foi concebido, ou seja, cada um da equipe criativa dava ideias que iam sendo adotadas e adaptadas para o anime, mas nessa segunda temporada, Shinichiro Watanabe teria que deixar a liderança de Space Dandy para assumir o comando de outro anime, o maravilhoso Zankyou no Terror.


Sendo assim, essa segunda temporada de Space Dandy teve o grande diferencial de yer cada um de seus episódios dirigido por uma pessoa diferente, sendo assim, além de termos uma profusão de estilo artísticos diferentes (um dos grandes chamarizes da primeira temporada), também vemos essa abundância nos roteiros, ideias, conceitos e narrativas dessa segunda temporada.


É visível em alguns episódios que os personagens estão completamente diferentes da primeira temporada, em outros, a fluidez da narrativa é lenta, alguns esbanjam referências a outros animes, outros se aproximam muito da proposta espacial que foi a responsável por criar o anime, mas uma coisa que fica evidente e agora pode ser assumido como uma certeza é que Space Dandy foi criado para ser um anime sem fim, desses que ficam passando por anos e anos a fio, algo mais popularizado aqui no ocidente com desenhos como Pica-Pau e Tom e Jerry.


No entanto, ninguém sabe, infelizmente, se essa proposta será levada para frente ou não, algo que fica saliente com o episódio final, que encerra em uma batalha fenomenal a guerra entre o império Gogol e o império Jaicro, além de dar início a uma nova era de aventuras com Space Dandy,mas será que isto terá continuação?


Não sei, mas espero que sim, apesar deste temporada não ser melhor que a primeira, ela é muito interessante, como um projeto Space Dandy e espero que tenham mais e mais temporadas deste fantástico anime.


4 pontos


Obs: A trilha sonora está incrível (além de gigante) e eu já vou ouvi-la para fazer uma dica musical aqui.

sábado, 18 de outubro de 2014

Dica cinematográfica: "Super" (2010)

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"Super" é um filme de super-heróis sem poderes, nos moldes de Kick-Ass, com um pouco mais de drama, do ano de 2010.


O filme conta a história de Frank, um bunda mole, não cheira, nem fede, que após ver a sua viciada ex-mulher com outro homem, um narcotraficante sedutor, decide virar um super-herói, acreditando ter recebido um chamado de Deus para isso, combatendo o crime sob a alcunha de "Crimson Bolt", usando uma fantasia que ele mesmo criou, uma chave inglesa e sua louca ajudante "Boltie".


O filme têm um sentido muito mais profundo do que parece. Tratando-se de um filme dramático, ele têm um personagem principal muito complexo, que se acomodou à sua vida pacata, casado com a única mulher que se interessou por ele, em um momento difícil da vida dela, logo após ela ter saída da reabilitação por ter sido viciada em drogas. Aliás, no começo do filme, Frank diz que teve apenas dois momentos felizes em sua vida, que fizeram ela valer a pena, o momento em que se casou e quando ele ajudou um policial a pegar um bandido.


Ao longo de todo o filme, acompanhamos a trajetória de Frank, tornando-se um herói odiado por todos, até que descobrem que ele combatia pedófilos, sequestradores e traficantes, tornando-se um herói amado, enfim, enfrentando os bandidos no final, perdendo muito do que ele amava, dando um desfecho surpreendente para o personagem e transmitindo uma mensagem extremamente bela para o telespectador; que você não precisa ter super-poderes, nem ser o coadjuvante de sua vida para ter uma existência significativa, de fato, Frank acaba salvando sua mulher e a vida de muitas outras pessoas simplesmente pela sua presença ali e que os momentos mais importantes de sua vida não precisam ser momentos de heroísmo grandioso ou extraordinários, um simples "bom dia", uma carona ou um "obrigado" já fazem sua vida valer a pena.


E é isso que Frank descobre no final, em uma cena incrivelmente tocante e satisfatória, fazendo deste um dos melhores filmes que eu já assisti.


4 pontos e meio

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Dica musical: "Rip This" de Bass Drum of Death

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Apenas um pouco mais de um ano depois de "Bass Drum of Death", o segundo CD da banda, Bass Drum of Death retorna com mais um empolgante, dançante, agitado e surpreendente CD.


Acompanho o Bass Drum of Death desde que eles lançaram "GB City", em 2011 e sempre gostei muito do que eles lançavam. Naquele longínquo ano, a banda não tinha nenhuma grana, gravaram o primeiro álbum em uma garagem, com um microfono conectado a um computador pela entrada USB, buscando a maneira mais barata de se gravar um CD. De lá pra cá, eles fizeram um monte de turnês, aprenderam a gravar em estúdio com o auto-intitulado CD de 2013 e voltam com mais um CD carregado com 10 músicas originais e agitadas para o deleite de quem gosta de um bom rock n' roll.


"Rip This" começa um pouco desanimador, parecendo ser apenas mais do mesmo vindo de uma banda que não tem muito para apresentar além do rock de garagem juvenil popularizado no final da primeira década dos anos 2000 com bandas como Wavves e Best Coast, que é a especialidade de Bass Drum of Death, mas sem a distorção bagunçada e os "uuuhhh" e "ooohhh" do último CD.


Na verdade, pelas primeiras músicas parece mais uma banda de garagem, tentando ser rock n' roll e mostrar que estão crescidinhos.


No entanto, após "Everything's the same" (irônico? acaso?), a banda surpreende com "Sin is in 10", uma música que começa com um murmúrio, algo simples e que promete algo grande, até que a música explode em energia e vida, surpreendendo por se tratar de um rock n' roll puro, sem os "oohhh" e "uuuhhh" do rock de garagem, apesar da distorção na guitarra e na voz do vocalista ainda estar ali.


A partir daí somos apresentados a músicas cada vez melhores, sendo "Black Don't Glow" e "Lose My Mind", as melhores deste CD e, quiçá, da carreira deles, mostrando um rock um pouco mais refinado do que os dos últimos CD's, sem se preocupar tanto com maneirismos das bandas de lo-fi e do rock de garagem, indo direto ao ponto.


No entanto, e é aqui que o BDoD se destaca, eles não perdem a essência da banda, nem sofrem a descaracterização que detona tantas bandas por aí, as guitarras distorcidas ainda estão aí, a rebeldia juvenil, a bateria enérgica e, é claro, o ritmo acelerado e dançante, que é a grande marca da banda.


A criatividade em torno deste CD é tamanha que eles até se deixam entregar ao "estrelismo", colocando uma canção acústica no álbum e, surpreendentemente, os temas de suas letras não são repetitivos, nem piegas como a de muitas bandas.


Enfim, Bass Drum of Death mostram que, com esse álbum, estão prontos para seguir em caminhos cada vez maiores (ano passado, fizeram parte da trilha sonora do GTA V e suas músicas eram ouvidas nos intervalos da Nascar), podendo se posicionar, finalmente, ao lado de grandes nomes do rock n' roll.


4 pontos e meio

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Dica musical: "Zankyou no Terror OST" por Yoko Kanno

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Em mais uma parceria com o melhor diretor de animes do mundo, Shinichiro Watanabe, Yoko Kanno cria com maestria uma obra de arte musical, que cria o ambiente perfeito  para a história realista, perturbadora e, ainda assim, esperançosa de Zankyou no Terror.

Contando com a ajuda de artistas musicais da Islândia, como Arnór Dan Arnarson, a trilha sonora de Zankyou no Terror pode ser classificada com ambient, um gênero musical com ênfase na criação de um atmosfera que evoca a atenção do ouvinte, sem forçá-lo de forma alguma àquilo, ou seja, ela chama a atenção, mas para poder admirá-la é necessário a sua atenção, pois as diferenças entre uma canção e outra está em seus detalhes, pequenas mudanças de tom em seus instrumentos, que podem provocar uma mudança total na interpretação da canção. Não vou me prolongar muito no tema, que é muito ambíguo, mas devo dizer que o gênero é muito rico, não só na qualidade dos aparelhos com a qual as músicas são feitas, como também no número enorme de instrumentos possíveis que podem ser usados em uma música ambient, abrindo sempre novos horizontes para o gênero.

Enfim, a escolha de artistas nórdicos não foi à toa, talvez seja por lá que a música ambient melhor se estabeleceu, com artistas que desenvolvem músicas envolventes, evocando todo e qualquer tipo de sentimento sem para usar os instrumentos mais tradicionais ou mesmo digitais. Muito deles usam, inclusive, instrumentos regionais para elaborar suas canções, dando uma nova roupagem ao gênero, que se popularizou com o uso de sintetizadores, apenas.

Voltando á trilha sonora de Zankyou no Terror, a maioria de seus canções são perturbadoras, evocando desespero, desolação e melancolia, mas chega a ser deprimente, como muitas músicas, ela evoca alguns sentimentos ruins sim, mas as suas melodias sempre têm uma pontada de esperança, marcadas, principalmente, pelo uso do piano. Algumas adquirem tons épicos, crescendo ao longo de 2 a 3 minutos e finalizando lentamente, como se estivesse indo embora, abrindo espaço para algo novo, melhor, mais alegre.

Afinal, esse era mais ou menos o clima da série, algo masi perturbador, desolado, melancólico, porém sem nunca chegar a ser piegas, melodramático ou deprimente. Era apenas o realismo, é assim que a vida é e ponto.

Algumas canções são alegres, divertidas, abrindo um espaço vivo, alegre, gostoso no meio de tanta perdição, quase como se estivessem perdidas, fora de contexto; mas tudo isso se encaixa com a brilhante proposta da série.

Após ouvir a trilha sonora, cheguei a conclusão de que ela, antes de mais nada, é emocionante, em vários sentidos, um complemento à série, como se fosse um braço ou uma perna, um pedaço essencial, necessário para sentir a série plenamente.

5 pontos

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Dica televisiva: "Zankyou no Terror" (2014)

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"Zankyou no Terror" é um dos animes mais hypados deste ano e não é pra menos, com direção de Shinichiro Watanabe (Cowboy Bebop e Samurai Champloo), com character design de Kazuto Nakazawa (Samurai Champloo) e trilha sonora sob as asas criativas de Yoko Kanno (Cowboy Bebop, Ghost in the Shell e Space Dandy), além de contar com um tema atual e polêmico, esse anime têm a receita perfeita para ser um diamante brilhante no meio de tanto lixo produzido no Japão, atualmente.

E é.

"Zankyou no Terror" conta a história de Nine e Twelve, dois jovens terroristas, que usam vídeos na internet para divulgar os locais de seus atentados, assim como a hora, em formas de enigmas, denominando-se Sphinx nº1 e nº2; desafiando a polícia de Tóquio, em espacial o detetive Kenjirou Shibazaki, que havia sido transferido de cargo por causa de um caso não resolvido anos atrás, mas que parece ser o único que consegue resolver os enigmas da Sphinx. Em meio a tudo isso, também acompanhamos Lisa Mishima, uma garota que sofre na escola e em casa, mas que se deixa levar pelos sentimentos em relação ao Twelve, após ser salva por ele do primeiro ataque terrorista da Sphinx.

Este é o anime mais devastador, em todos os sentidos de Shinichiro Watanabe até agora, que havia se resumido à animes de aventura e, no máximo, slice of life, sempre juntando influências do cinema noir, o jazz, a ficção científica e temas filosóficos, metafísicos e até religiosos; que é mérito de seus auxiliares na produção dos animes, escolhidos a dedo pelo diretor. No entanto, em "Zankyou no Terror", apesar da história  de ambientar em uma "realidade alternativa" (de acordo com as sinopses oficiais), somos apresentados à sua obra mais realista, abrangendo um tema que chama muito a atenção: o terrorismo.

Não somos apresentados às razões dos protagonistas logo de cara, de fato, este é um anime que deixa mais questões do que respostas, criando situações que se apresentam sem saída e respostas às situações que merecem uma segunda assistida para você se convencer de que essas saídas talvez sejam os momentos mais surreais no anime. No entanto, isso não é algo ruim, muito pelo contrário, aliás, aliado à trilha sonora (tocante e muito influenciada pela música nórdica), conhecemos personagens cheios de sentimentos, negativos, sim e até desoladores, mas com uma brilhante mensagem de esperança no final.

O realismo exerce uma força no anime em todos os níveis, desde as personalidades de seus personagens (e nisto inclui-se os seus sentimentos, ideais e ações) até as cenas mais emocionantes, que não chegam a ser piegas ou sensacionalistas, o que pode se mostrar decepcionante num primeiro momento (mas este não é um anime para ser analisado num primeiro momento); mas que se bem analisado se encaixa na proposta do anime, de mostrar a realidade da forma que ela é e como nós devemos encarar o mundo que nos cerca, mas sem perder a esperança, que acaba tornando-se um ponto central na mensagem final que o anime quer passar.

Quanto à parte técnica, esse anime é sim uma jóia rara. No meio de tantas animações pobres, desanimadas desculpe o trocadalho do carilho e sem emoção, "Zankyou no Terror" mostra que um anime, quando feito com paixão e planejamento, briga de igual para igual com grandes produções cinematográficas. As cores são vibrantes, porém não cansam os olhos, a animação é fluída, notando-se algumas deixas aqui e ali, esporadicamente, mas que não perturbam quem assiste e sua qualidade excepcional pode passar despercebida pelo público geral de anime.

Aliás, esse é um anime que pode não ser compreendido pelo público geral de animes, que está acostumado com animes de qualidade duvidosa tanto no roteiro quanto em sua qualidade artística como Naruto, Shingeki no Kiojin,  Kill La Kill e outras porcarias que fazem sucesso por sei-lá-qual-razãom, exatamente por exigir um pouco mais de paciência e admiração de quem assiste, como eu já disse, exigindo que você assista algumas cenas mais de uma vez e te deixando pensando sobre a vida e a realidade em que vivemos por algum tempo após finalizá-lo.

Enfim, "Zankyou no Terror" é um anime que me deixou com expectativas altas, mais pela equipe por trás dele (impressionante, demais!) do que pelo seu tema e que, apesar de seus defeitos de roteiro, me surpreendeu, seja pela sua história singular ou pela qualidade artística incrível.

Só assista e admira, meu amigo.

4 pontos e meio

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Os debates agressivos e o reflexo da sociedade no comportamento dos políticos

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Este ano será a primeira vez que eu terei que votar, um direito, que é obrigatório, então tentei conhecer as propostas políticas, aproximar-se dos políticos que saem da cidade onde moro e acompanhar os debates presidenciais.

No entanto, se eu disser que acompanhei o debate de ontem por apenas 20 minutos, estarei mentindo, por que isso foi muito. Achei simplesmente intragável o comportamento de todos eles, que dão beijo no início do programa, sorriem para as câmeras, mas estão com as armas preparadas para atacar os adversários, assim que o momento se mostra propício.

Com tanta baixaria, achei simplesmente melhor mudar de canal e assistir "A praça é nossa", que não deixa a desejar nos níveis de baixaria, mas é muito melhor, sabendo que aquilo é uma atuação e que o dinheiro que seus humoristas ganham vêm de meios honestos (em sua maioria, pelo menos).

E hoje, enquanto meditava no banheiro, acabei percebendo que isso não é um caso a ser ignorado e que o problema não está simplesmente nos políticos, mas talvez, em toda a sociedade do nosso país, que, diga-se de passagem, está podre e não é de hoje, nem ao menos desse século.

Basta acompanhar algum assunto polêmico em destaque no twitter, por exemplo, quando o aborto de bebês anencéfalos foi aprovado pelo governo. Todo mundo que se interessava pelo assunto foi ás redes sociais protestar ou parabenizar a decisão, atraindo rapidamente a atenção daquelas pessoas que acompanham aquelas que seguem esse tipo de assunto, por exemplo, seguidores de feministas famosas ou seguidores de canais religiosos. Em pouco tempo, esse era um dos assuntos mais comentados do Twitter, mas era, provavelmente, o menos debatido.

Nas redes sociais, estamos cada vez mais próximos e cada vez mais distantes. Sabemos instantaneamente o que disse "fulano de tal", damos a nossa resposta para aqueles que nos seguem e "fulano de tal" nem fica sabendo. E se fica sabendo, ele, no máximo, vai fazer uma réplica, no entanto, o comportamento comum à esse tipo de situação é o bloqueio da pessoa que discorda de você.

Mas espera aí, e o debate de opiniões? Ele simplesmente não têm mais espaço na nossa sociedade e é por falta de debate que vemos tanta violência gratuita nos jornais diários. Por um lado temos alguém que grita para o mundo todo ouvir as suas ideias, por outro temos aquele que discorda e assim que o primeiro consegue ser ouvido por alguém de interesse das duas partes, uma delas reage de forma violenta, seja ela através de um bloqueio no twitter ou através de uma lâmpada quebrada na cabeça em praça pública.

O que vemos simplesmente são imposições de ideias e aquele que grita mais alto e por mais tempo acaba ganhando. É como aquele vendedor chato que fica te jogando incessantemente motivos para você comprar o seu produto e você, cansado de tanto ouvir besteira, acaba comprando o produto e o vendedor vence, não por mérito próprio, mas por desistência sua.

As pessoas não entram mais em um consenso e já não faziam isso antes, afinal o nosso país sempre foi violento, é só pesquisar os conflitos regionais de nosso país, alguns considerados leitura obrigatória para vestibular até e você poderá constatar que nunca fomos muito sensatos quando o assunto se trata de diálogo. No entanto, conseguimos levar a violência á um outro nível, reagindo com palavras, expondo nossos alvos ao ridículo (estratégia que desde sempre é considerada baixa, mas que está sendo usada como nunca hoje) e quando nada disso funciona simplesmente ignoramos aqueles que discordam de nós.

Vejo muito disso no meu irmão, que tem 16 anos. Quando nós discordamos de algum assunto, ao invés de se acalmar e tentar explicar o seu ponto de vista, ele simplesmente vira as costas, balançando a cabeça e dizendo, quase cuspindo: "Tá! Tá!".

E o que eu vi nos debates foi bem isso, políticos atacando outros políticos, alguns se juntando para conseguir atacar um só político, seus seguidores fazendo o mesmo nas redes sociais e a divulgação de ideias e planos de governo que é bom, nada.

Pior, o respeito é zero.

Cito o momento em que a Dilma disse (mais ou menos) que estava ali como candidata à presidência, mas que exigia o devido respeito. Tá certo, os candidatos estão ali como rivais dela, você pode, com todo direito e respaldo da lei, discordar dela, mas ela é a presidente do país, cara! Pense em uma situação hipotética em que o seu pai trai a sua mãe, você pode e deve ficar bravo com ele e dizer o quanto ele está errado, mas ele ainda assim é o seu pai!

O pior de toda essa alienação com relação à opinião alheia é de que isso gera ódio, desprezo e desrespeito. É como uma nuvem que cobre o nosso senso de realidade, trancando-nos em nossos pequenos mundinhos, construídos pelas nossas opiniões para parecerem perfeitos.

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Eu sei o quanto é ruim ver pessoas discordando das suas ideias, talvez mais do que muitos que reclamam de barriga cheia, por que eu nado quase que completamente contra a corrente de pensamentos que estão se popularizando nas últimas décadas, no entanto, se não fosse por isso, eu não teria me tornado essa pessoa que pensa duas, três, quatro vezes antes de dizer algo que vai contra o que todos falam. Afinal, se todos estão falando, é por que é verdade, certo? Errado. Nem sempre é assim, mas é bom ponderar os dois lados antes de escolher um.


Acho que o que mais prejudica o mundo hoje em dia, em todos os setores, seja ele econômico, ambiental, político ou social, é o extremismo. Quando adotamos uma ideia e seguimos ela cegamente, convencidos de que estamos certos e todo o resto está errado, então não podemos estar mais errados, por que é assim que perdemos a razão, ao ignorar os outros, expondo-os ao ridículo e, por fim, reagindo violentamente contra eles.


E isso vale para todos.

domingo, 28 de setembro de 2014

Dica cinematográfica: "Love Exposure" (2008)

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"Love Exposure" é um filme de 2008, impossível de ser classificado em um gênero só, escrito e dirigido por Sion Sono e dura 3 horas e 56 minutos.

O filme conta a história de Yu, um jovem japonês católico que tenta viver uma boa e devota vida, após a morte da mãe, que pediu para que ele encontrasse uma mulher como Maria, entregando para ele uma estátua da Virgem Maria. Seu pai, viúvo, decide virar padre, mas logo que se torna famoso na comunidade pelos seus sermões, acaba se envolvendo com uma mulher problemática, que o abandona semanas depois. Arrasado, o pai de Yu exige do filho confissões, forçando o garoto a entrar em uma vida pecaminosa, cometendo crimes com seus novos amigos, como roubar roupas, puxar brigas com estranhos e tirar fotos por baixo das saias das mulheres na rua. Após perder uma aposta, Yu sai vestido de mulher pelas ruas, encontrando uma garota em perigo, cercada por dezenas de valentões. Ainda vestido de mulher, Yu salva a garota, que também luta contra os valentões e se apaixona por ela, beijando-a e caindo fora logo em seguida. No entanto, Yoko, a garota indefesa, se apaixona pelo alter-ego de Yu, Miss Scorpion.

Essa é a abertura do filme, aquela cena curta que aparece antes do nome do filme ocupar a tela inteira... Só que não nesse filme. Essa sinopse retrata apenas a introdução do filme, que dura, incríveis, 53 minutos, aparecendo em seguida o nome do filme ocupando a tela toda.

Realmente, é uma maratona assistir "Love Exposure", mas que acaba valendo a pena, por que conta uma história muito boa, recheada de personagens, do jeito que eu gosto, desenvolvendo cada um com muita paciência. Separada em capítulos, a historia muda de pontos de vista, mas é essencialmente uma história de amor, no caso de Yu pela Yoko.

Inclusive, esse é o ponto negativo do filme: É uma história de amor. Não se engane pelas 53 minutos iniciais, que apenas servem para apresentar Yu e seu drama pessoal, mostrando-o como fez para chegar onde chegou. O filme conta com boas lutas, uma primeira hora excelente, que não te cansa de forma alguma, mas em seguida, vira uma verdadeira novela, com triângulos amorosos, desentendimentos familiares, uma conspiração religiosa e claro, aquela velha história de amor do cara que se apaixona por  uma careta, que começa bem o filme, mas na última hora do filme, só serve pra gritar e chorar.

No entanto, ainda assim a história tem suas razões. O filme se trata de uma história de amor, afinal e não é, de forma alguma, uma história rasa e bobinha, muito pelo contrário, é uma história muito bem desenvolvida, aliás. Yoko, por exemplo, que começa forte, independente e misândrica vira frágil, fraca e chorona no final; mas isso não é algo repentino, nem desnecessário à história. Ele foi abusada e usada por uma ceita religiosa em ascensão na cidade e acabou ficando desse jeito. Eu, particularmente, achei um problema se tratar de uma história de amor, pura e simplesmente por que eu não gosto de romances, mas isso é gosto, que não se discute, só se lamenta.

Em relação à parte técnica, este filme está muito bem servido. Existe uma certa granulação nas imagens que foram adicionadas como um estilo estético ou algo assim, chamando a atenção e agradando, dando uma certa tonalidade pastel à algumas cenas. Também é um filem muito estiloso, com câmeras paradas, intercalando com câmeras em movimento, além das letras sobrepostas nas cenas. Tudo isso aliado á uma ótima coreografia, com cenas de luta simplesmente incríveis.

E claro, há a trilha sonora, fenomenal, cheia de tambores, diversos instrumentos de percussão, instrumentos de sopro e de cordas, além do piano, muito usado nas cenas dramáticas e de amor, o que é meio chato, mas funciona.

Enfim, "Love Exposure" merece o título de magum opus de Sion Sono, não só pela sua duração, mas por ser o melhor filme que ele fez mesmo, contando uma história de amor, cheia de frescurices e maneirismos do gênero, mas sem deixar de lado a sua marca pessoal, imposta neste filme com maestria.

4 pontos

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Dica literária: "Sandman-Caçador de Sonhos" (1999)

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O Neil Gayman pode não ser a melhor pessoa deste mundo, nem ter a mente mais sã que já se viu, mas o cara é um baita escritor e isso ninguém pode negar.

A sua obra mais famosa provavelmente é "Sandman", originalmente criado em histórias em quadrinhos, tornando-se também um dos personagens favoritos do autor e esse livro, publicado após o final da série em HQ, reconta um antigo conto japonês sobre uma raposa que se apaixona por um monge e entra no mundo dos sonhos para salvar a sua vida.

Assim como a maioria das histórias orientais, essa trata o amor de forma delicada, não se preocupando em passar uma lição de vida que se aplique em todos os aspectos da vida ou um aspecto em comum, apenas se preocupa em narrar uma história de amor, que pode, ou não, servir como guia para a sua vida. Depende do momento em que você está vivendo.

Neil Gayman, de forma magistral, adapta este conto ao universo de Sandman, colocando os personagens em suas devidas "encarnações" japonesas e antropomórficas, aliando sua incrível habilidade de contar histórias em prosa com a sutileza dos contos japoneses.

Junto com Gayman, também faz este livro Yoshitaka Amano, um artista japonês de sucesso em terras nipônicas e que fez sua estreia no mercado ocidental com este livro. Quando Gayman o convidou, tinha em mente criar uma HQ, mas Yoshitaka Amano não trabalha com arte sequencial, ele só faz painéis ilustrativos e assim, eles desenvolveram um livro ilustrado. Sua arte, muito peculiar e etérea dá o clima perfeito para a história, que se passa em grande parte no reino dos sonhos, mas também em paisagens deslumbrantes que Amano transferiu brilhantemente para o papel.

A história, sendo uma espécie de "remake", não é genial, longe disso, mas é muito boa. Leve e instigante, com toque de realismo mágico, aplicados não só a arte escrita, mas também à arte desenhada.

4 pontos

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Dica musical: "NehruvianDOOM" de MF Doom e Bishop Nehru

Bishop Nehru & MF DOOM - NehruvianDOOM  Album Download

Esta seman, finalmente, saiu o tão aguardado álbum "NehruvianDOOM". Aguardado por se tratar de mais uma colaboração do maior rapper da atualidade: MF Doom e desta vez com um brilhante rapper em ascensão: Bishop Nehru.

MF Doom dispensa apresentações, desde os anos 80 ele faz rap, primeiro com um grupo que fundou com seu irmão e após a morte deste, colocou uma máscara e adotou a alcunha de "MF Doom" tornando-se uma das mais misteriosas e ilustres figuras na história do hip hop. Seu estilo lírico tornou-se único, unindo influências de todos os cantos, rimando palavras que parecem ter vindo de uma iluminação divina, fazendo você pensar "De onde diabos ele tirou isso?". Aliado ás suas rimas fantásticas, estão as batidas que ele cria, bebendo muito na fonte do jazz, dos clássicos aos mais obscuros, usando técnicas que hoje podem ser consideradas atrasadas, afinal qualquer um pode criar suas próprias batidas com um computador, apenas; mas é bom saber que algumas pessoas ainda preferem meios mais "analógicos" para criar suas batidas.

Já Bishop Nehru é um garoto de 17 anos e que vêm ganhando atenção de produtores e rappers em toda parte há alguns anos. Ele começou criando batidas para postar no fórum do OFWGKTA (o mesmo fórum de onde saiu Tyler, the creator, Frank Ocean, Earl Sweatshirt, Hodgy Beats e toda a trupe do Odd Future), sampleando músicas de jazz que ele achava na casa da avó (influência mais obscura impossível). Como todo mundo adora artistas que bebem em fontes obscuras de inspiração, ele logo ganhou atenção de sites especializados e ano passado lançou seu primeiro CD, contendo uma porrada de músicas, algumas medianas, outras incríveis, mas já criando um certo padrão de qualidade para suas canções.

Reconhecendo o talento do garoto, MF Doom decidiu produzir um CD colaborativo entre dois, resultando em "NehruvianDOOM".

Algumas canções são batidas de MF Doom, com Bishop Nehru rimando por cima, mas é notável que os dois tiveram participação igual no trabalho, seja pelas influências jazzísticas que os dois artistas têm, seja pelas rimas fantásticas e fabulosas de MF Doom ou pela criação de refrões que parte de Bishop Nehru, criando um álbum único, original, recheado de influências nerds até religiosas.

Como em todas as suas colaborações, MF Doom preferiu ficar mais "atrás", na produção, editando e mixando as músicas e batidas, dando muita liberdade para Bishop Nehru, ficando claro que ele ainda precisa crescer bastante. Não que ele seja ruim, ele é bom, mas ainda está longe do nível que suas influências alcançaram, mas um dia ele chega lá, se continuar assim e as músicas em que MF Doom não rima, acabam sendo também as mais fracas.

Enfim, "NehruvianDOOM" é um ótimo CD, aliás, um fantástico, que merece ser escutado várias e várias vezes (ao menos algumas de suas músicas) e pode se tornar um marco, mostrando a evolução de um grande talento que tem apenas 17 anos.

4 pontos


Obs: Só que eu que achei essa uma das melhores capas de um disco de todos os tempos?

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Dica cinematográfica: "City on Fire" (1987)

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"City on Fire" é um filme de 1987, criado por Ringo Lam, sendo o seu primeiro filme de sucesso que não seja comédia.

A história é centrada em Chow, um policial que trabalha infiltrado em grupos criminosos, mas faz amizade com um dos bandidos, que é morto poucos depois de descobrir que Chow era um policial infiltrado. Sentindo o peso da culpa sobre seus ombros, Chow pede dispensa do seu cargo, mas seu pedido é negado até que o distrito policial consiga prender um grupo de assaltantes de joalherias. Forçosamente, Chow aceita o trabalho, suportando a culpa e a tristeza que o consome. Enquanto isso, a polícia local vai fechando o cerco em torno do grupo, sem saber que Chow é um policial infiltrado.

Este é um clássico do cinema chinês (mais especificamente de Hong Kong), tendo sido um marco também na carreira de Ringo Lam, que até então só dirigira filmes de comédia e no ano de 1986 teve carta branca para criar o que ele quisesse. De sua mente genial, saiu este filme, que é uma obra fantástica, bebendo muito na fonte dos filmes noir, sendo isso marcado não só pelos temas envolvidos, mas também pela trilha sonora e a fotografia, muito boas por sinal.

O filme têm como protagonista um clássico personagem de filmes noir. Chow é um policial, com fantasmas de seu passado que o assombram constantemente e para se livrar disso, ele deixa seu tempo ser acumulado com trabalho (mesmo nos momentos em que ele deve se divertir, como quando vai ao bar, ele está trabalhando) e os poucos momentos de divertimento se resumem a dormir ou namorar (Eis também o motivo dele não querer assumir nada com a namorada, ele não quer mais uma responsabilidade em sua vida e talvez nem possa assumir algo como um casamento). Grande parte do filme vemos ele andando pelas ruas da cidade, com um cigarro na boca e olhar perdido no horizonte, sempre trabalhando, mas a passos lentos, desleixados, tentando livrar a sua mente das preocupações que o seu trabalho gera.

É um filme com um ótimo desenvolvimento de personagens, não só por parte de Chow, mas também pelos secundários. Seu tio, por exemplo, é um personagem muito interessante: Ele trabalha com Chow (é o chefe dele) e tenta agir como um pai para o policial, no entanto, devido a intimidade que existe entre os dois, Chow apenas o enxerga como um parceiro de trabalho ou, no máximo, um amigo mais velho conhecido há muito tempo. Outro personagem interessante é o novo chefe do distrito que trabalha junto com o tio de Chow e não pode saber que há um policial infiltrado no grupo; por essa razão, ele começa a perseguir Chow e o coloca como procurado número 1. O filme nos induz a sentir antipatia por ele, mas é impossível, pois sabemos que ele está apenas exercendo o seu dever.

Outro personagem interessante é um dos amigos criminosos de Chow, que ganha atenção apenas nos últimos momentos do filme, mas carrega uma carga dramática muito grande e a empatia do telespectador em relação à ele cresce ao longo do filme, mesmo sem sabermos qual a sua história.

Como dá pra perceber, "City on fire" é um filme com uma profundidade muito grande, mas também tem seus defeitos, em grande parte por querer tomar uma boa "liberdade poética" em toda a sua duração, com muitas cenas em que Chow fica andando pelas ruas sem rumo, além da narrativa que é bem arrastada.

No entanto, é um filme com inspirações noir afinal, ou seja, tem personagens muito interessantes, que compensam a lentidão do roteiro.

Em relação à fotografia, que eu já mencionei, está muito boa, com vários tons escuros e sombras, criando um clima urbano, porém com toques soturnos, fazendo deste um filme bem estiloso. A cena final é incrível, aliás.

A trilha sonora só complementa o filme, sendo guiada pela bom e velho jazz, muito saxofones e baterias aceleradas, criando o clime perfeito tanto para as cenas de ação quanto para as cenas mais melancólicas.

Enfim, "City on fire" é um filmaço, um clássico incrível do cinema chinês e, por que não, do cinema noir, afinal é uma história extremamente original, bem guiada, apesar das poucas falhas; mas que, de um modo geral, impressiona pela qualidade em todos os aspectos, tornando-se um desses vários casos em que o original é melhor que o remake.

4 pontos e meio

domingo, 21 de setembro de 2014

Dica cinematográfica: "Suicide Club" (2001)

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"Suicide Club" é um filme de 2001, dirigido por Sion (pronuncia-se Xion) Sono e que eu até agora não sei se o filme é muito bom ou muito ruim.

Conta a história de um monte de suicídios coletivos que assolam Tóquio e um grupo de policiais na sua jornada para descobrir o que está por trás deles.

A história se passa em 6 dias e sua narrativa é obscura, sendo negado ao telespectador a verdade por trás dos suicídios coletivos. Há também uma enorme gama de personagens, que não são bem desenvolvidos, elevando a tensão, mas também o sentimento de desolação face alguns acontecimentos ao longo do filme, como, por exemplo, a morte de algum personagem até então importante para a história, portando-se como o mocinho ou o aparecimento de um vilão, que, na verdade, não era o vilão principal, apenas queria aparecer na TV ou ainda a caminhada solitária de um jovem detetive da polícia que, aos poucos, entrega-se à loucura.

No entanto, algumas cenas são incrivelmente bem desenvolvidas, como o suicídio coletivo do começo do filme ou o segundo suicídio coletivo de estudantes ou ainda a cena em que é apresentado o vilão que só queria aparecer. São cenas fortes, mas ao mesmo são muito boas, em parte por que são chocantes, em parte por que fazem uma bela crítica social, que é outro ponto forte do filme. O filme faz uma forte crítica à vida competitiva em que os japoneses estão inseridos, questionando o por que deles viverem (trabalho? filhos? família? Ego?), sendo uma outra boa cena aquele em que a família de um dos polícias é morta e ele recebe uma ligação da responsável pelos suicídios questionando  a essência da vida dele e o por que dele estar tão desolado, mas logo que a cena acaba somos entregados à desolação maior do filme, que é ver um dos melhores personagens ser morto tão rapidamente.

E aí resido outro ponto fraco do filme, a profusão de ideias rondando esse filme é muito grande e apesar delas serem ideias boas, elas não são bem trabalhadas, não dando espaço para o desenvolvimento delas, nem para o desenvolvimento dos personagens. Do meio para o final do filme somos apresentados á mais uma crítica social, dessa vez voltado ao fanatismo por ídolos pop ou a utilização desenfreada de ídolos cada vez mais novos pela indústria da música pop e a mídia em geral ou talvez tenha sido uma crítica à perda da inocência pelas crianças?... Não sei.

Apesar do jeitão meio "trash" do filme, isso não é algo que atrapalha, muito pelo contrário, esse é um fato que engrandece essa película, podendo provocar risadas de quem o assiste, mas também pode servir para complementar a crítica social feita, gerando um jogo metalinguístico com o telespectador, afinal, por que gostamos tanto do grotesco, do absurdo, do sensacionalista? Ou talvez tenha sido só falta de recursos mesmo.

Enfim, "Suicide Club" é um filme cheio de problemas, mas que ainda assim parece ser impossível odiá-lo, principalmente pelo grande potencial que ele tem, então você fica sem saber o que pensar dele. O próprio Sion Sono pensou em fazer uma trilogia com essa história, mas pareceu ter desistido da ideia, fortalecendo a teoria de que esses "erros" foram postos de propósito, armando ganchos para as suas sequências. Eu mesmo não pensava em escrever essa dica, mas fiquei entre o amar e o odiar esse filme, então decidi ficar em cima do muro e achar esse filme "mediano", aceitando seus pontos negativos como parte da intenção do autor com esse filme e admirando os pontos positivos, que merecem ser muito bem admirados.

3 pontos

sábado, 20 de setembro de 2014

Dica literária: "Demolidor: Amor e Guerra" (1988)

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Mais uma hq de Frank Miller no blog e dessa vez, uma hq que merecia muito mais atenção do que recebe.

A esposa do Rei do Crime está doente. Desesperado, ele sequestra a esposa de um médico famoso para que ele dê total atenção à sua amada. No entanto, o sequestrador tem sérios problemas mentais, que acabam atraindo a atenção do Demolidor. Não demora muito para que o herói descubra o que está acontecendo e corra em socorro das vítimas do Rei do Crime.

Essa é uma hq normal, apenas mais um capítulo entre tantos outros que Frank Miller criou para o Demolidor, no entanto, há algo de diferente aqui: Bill Sienkiewicz olhei duas vezes a página da hq para escrever o nome dele. Mais uma vez, Bill cria quadros que extrapolam o senso comum de se criar quadrinhos, usando muitas tintas, texturas e técnicas variadas de pintura, sendo um desses caras que conseguem dar um fôlego novo para a indústria de quadrinhos como o Alex Ross.

Já Frank Miller se supera nessa hq. Talvez tenha sido a falta de espaço, talvez tenha sido a proximidade que o autor têm com o personagem, mas nessa hq ele se perde menos em divagações inúteis de personagens, abandona o pretensiosimo e decide criar uma história simples, rápida e, ao mesmo tempo, complexa, cheia de reviravoltas, diálogos muito interessantes e um final espetacular.

É fácil imaginar essa história como um filme, mas não um blockbuster pretensioso de Hollywood e sim um filme noir de investigação policial, cheio de personagens complexos, sem maniqueísmo e cenários obscuros, criados com maestria no papel pelo já mencionado Bill Sienkiewicz, que consegue criar uma atmosfera envolvente e delicada, mas ao mesmo tempo assustadora, depende do que se passa na história.

Enfim, "Amor e Guerra" é uma das melhores histórias em quadrinhos que li até hoje, contando com um personagem que eu quase não conheço e pode ser que essa hq não seja tão fiel à ele, mas que é uma hq espetacular, isso ela é, podendo contar com os mais variados adjetivos, de belíssima à perturbadora, de espetacular à grotesca, de foda à original.

4 pontos e meio

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Dica literária: "Ronin" (1983)

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"Ronin" é uma HQ icônica criada por Frank Miller em 1983.

Conta a história de um samurai que perde seu mestre para o demônio Agat e se torna um ronin. Após a morte de seu mestre, ele corre atrás do demônio para matá-lo, mas os dois acabam ficando presos em uma espada. No final do século 21, em Nova Iorque, eles são libertados da espada por um cientista e o ronin acaba tomando o corpo de Billy, um homem sem pernas ou braços com poderes telecinéticos e que trabalha na empresa Aquarius, um enorme complexo criado no meio da cidade que serve para manter a população que vive ali dentro saudável e segura, longe dos males que assolam a cidade de Nova Iorque distópica do final do século.

É com essa história maluca que lhes apresento a dica de hoje. Ronin é icônico, todo fã de quadrinhos fala bem dessa HQ, que dizem ter sido inovadora para a mídia dos quadrinhos e uma das grandes responsáveis pelo quadrinho ser o que é hoje.

De fato, é em Ronin que percebemos muitas mudanças em relação à forma como os quadrinhos são feitos. Seja na forma como a narrativa é guiada, sem textos em off, com quadros mostrando apenas a movimentação de personagens, cheios de linhas de velocidade ou até mesmo na forma em que o traço é feito, bem rabiscado, sujo mesmo, buscando muita influência dos mangás.

E por falar em mangás, eis a maior influência em Ronin. Diz a lenda que Frank Miller só decidiu fazer Ronin, por que foi parar em suas mãos um exemplar de Lobo Solitário. Inclusive muitos quadros são idênticos ao do mangá de Kazuo Koike e Goseki Kojima, além do tema é claro. No entanto, é perceptível a influência de Katsuhiro Otomo em Ronin, principalmente em Billy, que lembra muito o velho maluco de Domu, mas também nos desenhos dos robôs e os cenários futuristas. Não é exagero dizer que Katsuhiro Otomo talvez seja a maior influência em Ronin e Ronin também é influência para Katsuhiro Otomo.

No entanto, Ronin não é nenhuma obra prima. A arte não é nada de extraordinária e o roteiro também não é grande coisa, ficando meio confuso ao longo da história e, por vezes, sendo chato. Aliás, esses são defeitos recorrentes nas obras de Frank Miller, mas que parecem não incomodar ninguém, além de mim.

Que Ronin é um clássico icônico, isso é verdade, mas ele serve mais como peça de museu, servindo apenas para mostrar o que os quadrinhos eram e no que eles se tornariam à partir dele.

3 pontos

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Dica literária: "Aquaman-Time and Tide" (1994)

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"Aquaman-Time and Tide" é uma mini-série em quatro edições escrita por Peter David e ilustrada por Kirk Jarvinen e Brad Vancata, contando uma nova origem para o herói, rei de Atlântida.


Com os novos boatos (que eu acho que nem são mais boatos) do filme da Liga da Justiça, com a participação do Aquaman (interpretado pelo Jason Momoa, que tem tudo a ver com o personagem), decidi me aventurar pela mitologia deste herói, que é tido como um bosta por todo mundo. No entanto, gostei muito dessa história, que mostra um Aquaman mais velho, contando 4 crônicas de sua vida em um livro que está escrevendo.


A sua primeira crônica é de como ele foi apresentado ao mundo da superfície, ajudando o Flash a prender um bandido e ignorando o amor que todo mundo dava à ele, visto que era um amor nutrido por hipocrisia e arrogância.


A segunda história conta as origens do herói, do momento em que ele foi parar em uma costa marinha sujeita às variações da maré, passando pela sua adoção por um golfinho fêmea e as lições de vida que ele aprendeu por puro instinto até as que ele aprendeu com sua mãe adotiva.


Na terceira história conhecemos um Aquaman meio adolescente, que decide viajar pelo mundo e acaba parando no Alasca, onde se envolve com uma esquimó, decifrando um pouco do quebra-cabeças que era a sua história, mas decepcionando as pessoas da superfície.


Na última crônica, somos apresentado à um Aquaman mais velho, já rei de Atlântida, dando uma lição de moral em um super-vilão, mostrando também o seu lado mais paternal e familiar, visto que nessa história ele já é casado e com um filho.


As histórias são muito boas, típicas hq's de banca, que não tem um roteiro muito emaranhado, nem um arte brilhante e genial. É tudo bem básico, mas não é medíocre, de maneira alguma. A arte é bem feita, apesar de pobre, não incomodando a narrativa. As histórias são simples, há um certo humor de "A praça é nossa", cheio de "trocadalhos do carilho", mas que dá um ar divertido para as origens do herói, mostrando que o Aquaman não é um herói a ser levado à sério.


Não que isso seja ruim, afinal "Guardiões da galáxia" também não era um grupo a ser levado a sério e parece que deu certo (eu ainda não assisti). Então, eu até acho que dá pra fazer um filme com o herói, sendo ainda mais legal se a história se passar mais no fundo do mar do que na terra, o que dá espaço para cenários gigantes e lindos, cheios de cores e animais aquáticos diversos, além das lições de vida que o próprio Arthur Curry (sua identidade secreta, ou não) aprende ao longo de sua vida.


Enfim, essa é a dica de hoje, uma hq simples, divertida e interessante, de um herói que não dá pra levar a sério como o Batman ("Eu vi meus pais serem mortos na minha frente"), mas que também não é um merda.


3 pontos e meio

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Dica literária: "Bidu-Caminhos" (2014)

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Mais uma Graphic MSP foi lançada no mês passado. Desta vez, Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho tiveram a missão de apresentar a história, antes de virar história, do Bidu, o cachorro azul do Franjinha.


Nesta edição do projeto somos apresentados à história de como Bidu conheceu Franjinha, conhecendo a sua vida de cão vira-lata, fugindo da carrocinha, entrando em brigas com outros cachorros e morando num carro abandonado dentro de um terreno onde a entrada é proibida.


O mérito dessa grande história é a forma como a narrativa é guiada, sendo apresentada logo no início, de uma maneira fenomenal, o personagem, sua rotina e o ponto final onde a história irá chegar. Bidu nos fala, no final de mais um dia normal, que aquela história que ele está contando, é a história de como ele conheceu o seu melhor amigo, em uma introdução extremamente cinematográfica e, também, emocionante. À partir daí somos guiados por uma espécie de linha reta, em que mostra a trajetória de Bidu até conhecer o Franjinha, passando a morar num abrigo de cães, se perdendo no meio da cidade, encontrando outros cachorros os quais ele tem que ajudar e finalmente, concluindo a sua trajetória com um plano singelo, porém genial, de Franjinha, sem perder explicação com outros personagens e situações que podem parecer desnecessárias.


Esse é o grande trunfo da narrativa. São apresentadas personagens diversos, cada um com sua própria situação peculiar (um é um cão perdido, outro é um buldogue raivoso, um terceiro só quer aparecer), mas a história não deixa em momento nenhum de ser uma história do Bidu, tudo sendo mostrado à partir de encontros casuais com o cão azul, algo que pode ter sido feito propositalmente, pois em suas histórias o cachorro é meio egocêntrico, não dando muito espaço para outros personagens.


Já em relação à arte, o quadrinho também não deixa nada a desejar. A arte de Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho é muito boa, utilizando arte digital feita apenas com software livres, os dois conseguem criar atmosferas muito boas para suas cenas, sendo tudo muito bem colorido e belo, ao mesmo tempo em que também é bem simples.


Outro ponto de destaque neste livro são as onomatopeias, que são tão importantes quanto a narrativa e a arte para o divertimento do leitor, afinal elas foram todas inseridas à mão, saltando dos quadrinhos, complementando a ação e complementando a narrativa de uma forma muito genuína e divertida.


Enfim, mais uma edição da Graphic MSP, mais um trabalha incrível, acima da média dos quadrinhos nacionais, feito com todo o esmero e atenção que esses personagens, que fizeram parte da vida de todo brasileiro, merecem.


4 pontos