terça-feira, 15 de setembro de 2015

Dica musical: "Selva Mundo" de Vivendo do Ócio (2015)

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O hype em torno do indie rock passou, infelizmente, há anos, mas Vivendo do Ócio continua dando uma sobre-vida muito boa a esse gênero, podendo ser classificada como a melhor banda desse gênero, não só por produzirem ótimas músicas, mas por se manterem fiéis ao gênero e continuar com o excelente padrão de qualidade.

"Selva Mundo" foi um álbum que contou com o apoio de fãs do Brasil inteiro através do Kickante e todo o Brasil está presente nesse álbum, apesar do amor ser declarado, em alto e bom som, apenas a Bahia.

O álbum começa com um indie rock típico, acelerado e bem dançante, mantendo esse ritmo pelas próximas músicas, mas logo vemos alguns toques poéticos, voltados ao Nordeste principalmente, seja em algum instrumento de percussão típico ou nos versos recitados ao final de algumas canções. E aí, na segunda metade do álbum, somos levados a uma viagem nostálgica pelas memórias de todos os membros da banda (em algum momento, todos eles cantam, separadamente, mas gerando unidade no álbum, como um todo), um salve a Bahia e às memórias de tantas noites passadas em claro, tocando, cantando, bebendo e se divertindo, vivendo a vida como se deve viver.

"Selva Mundo" conta com uma bela produção, é um álbum ousado, mas sem extrapolar os limites, fiel a sonoridade da banda (o que é muito importante em tempos de falta de identidade musical por grandes nomes da música, principalmente do rock) e pode ser tido como o melhor álbum da banda até agora. Banda, aliás, que deveria entrar no hall da fama do rock brasileiro, por que eles são muito bons. Bons demais. Bons mesmo.

Vida longa a Vivendo do Ócio.

4 pontos e meio

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Dica musical: "I'm a lazy son, but I'm the only son" de LOWER (2015)

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Seguindo uma linha parecida a da dica de ontem, apresento-lhe LOWER e seu excelente EP "I'm a lazy son, but I'm the only son".

Liricalmente, LOWER lembra em partes FIDLAR, por expor alguns dos anseios, preocupações e situações típicas de nossa geração, mas aqui o olhar é muito mais introspectivo e voltado para o indivíduo e não para a comunidade, o que gera uma visão mais ácida (se é que isso pode ser usado como adjetivo).

O som ajuda nisso. LOWER é uma banda de Copenhagem, mesmo local de bandas como Iceage e Marching Church, portanto espere um som sombrio, com uma bateria marcante, quase militar e um certo ar experimental obscuro, utilizando teclados e até trompetes para criar uma atmosfera sombria e, ao mesmo tempo, complexa.

Assim como outras bandas desse mesmo cenário musical, LOWER se rende ao experimentalismo, começando o álbum de maneira mais "clássica", apesar do teclados no começo. É um punk rock sombrio e obscuro típico, até que começa uma canção acústica, mas também obscura e sombria. O álbum termina com uma canção completamente experimental, com pianos, trompetes e coachar de sapos ao fundo. Basicamente um filme de terror com final ambíguo.

Enfim, é um álbum que vale muito a pena, apesar de ter apenas 5 canções. LOWER é uma banda a se manter um olhar atento, pois podem surpreender muito ainda.

4 pontos

domingo, 13 de setembro de 2015

Dica musical: "Too" de FIDLAR (2015)

Fidlar - Too

FIDLAR é uma banda de skatistas de Los Angeles, que faz um som meio post punk, meio noise, meio garage rock, enfim... Aquele som típico de bandas que surgiram na era pós-indie rock em Los Angeles (Wavves sendo a melhor de todas). Há um tempinho, eles lançaram um CD, mas eu não dei muito atenção e também não daria a este, não fosse pela mensagem que eles passam neste CD.

Você sabe que vai se identificar com a banda logo na primeira canção, quando o vocalista canta: "Todo mundo tem alguém, todo mundo, menos eu [...] todos tem dinheiro, por que alguém não me dá um pouco mais de dinheiro?". Basicamente, esse CD reúne todas as reclamações que a nossa geração (se você tem 20 e poucos anos, você sabe que geração é essa) tem feito a anos. Ter que trabalhar, estudar, apresentar uma boa imagem, sobreviver às pressões dos mais velhos e agora dos mais novos também, já que eles nasceram num mundo diferente do nosso, já nasceram conformados com essa triste realidade que vivemos. Nós pertencemos a uma geração diferente, que não está conformada, que viu as mudanças ocorreram, viram o final da boa era (ah, anos 90) e o começa de uma nova idade das trevas (era da informação o meu pau!). E alguns podem dizer que isso são lamentações de um bando de garotos mimados, principalmente, por que tomam essas coisas como opcionais, mas elas não são. A sociedade te dá duas opções: ou você tem um emprego ou mora em baixo da ponte, ou você mora sozinho ou é um perdedor, ou você tem uma namorada ou você é um viado ou você estuda ou você vai ter uma vida medíocre. Ou vive ou morre. Isso não é opção. Isso não é escolha. Isso é opressão.

Em "Too", FIDLAR expõe toda essa opressão com muita agressividade e velocidade, afinal, suas músicas são curtas e aceleradas, com ótimas guitarras distorcidas e um vocal gritante. Mas ao contrário do último CD, aqui eles não flertam com o noise, por que tudo é perfeitamente audível. Você consegue claramente diferenciar os vocais, das guitarras, do baixo e da bateria. A produção foi mais elaborada nesse disco.

Enfim, com uma mensagem forte e um som bem característico, que está sendo perdido (até o Wavves desistiu de seguir esse ótimo caminho musical), FIDLAR se levanta como um lutador solitário, um guerreiro só num campo de batalha, armado até os dentes e com sangue nos olhos. Ouça.

4 pontos

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Dica cinematográfica: "Blindness" (2008)

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"Ensaio sobre a cegueira" é um filme meio canadense, meio brasileiro, meio japonês... Enfim, tem gente do mundo todo nele, adaptação do livro homônimo escrito por José Saramago.

Uma cegueira branca (pois ao invés da clássica escuridão dos cegos, ela apresenta-se como um branco leite) começa a se espelhar pelo mundo e um grupo de pessoas, os primeiros infectados, é mantido de forma precária sob quarentena pelo governo. Aos poucos, a sociedade se colapsa do lado de fora e do lado de dentro, as coisas começam a ficar feias para todos os cegos. No entanto, uma mulher não foi afetada e revela-se a única forma de sobrevivência do grupo.

Este é um filme complexo, nem tentem achar respostas fáceis aqui. No entanto, também é um filme que entretêm muito. Há uma mescla muito boa entre essas duas forças; complexidade e entretenimento, que parecem se opor, mas aqui, mostram-se irmãs.

A primeira hora do filme passa num fôlego só, sendo intrigante e agitada, mantendo o suspense no ar o tempo todo. As perguntas não são respondidas, mas o filme quebra um pouco o suspense com momentos mais tranquilos, até que algumas situações resultam em momentos de tensão extrema, terminando em um alto grau de violência, mas sem os maneirismos estadunidenses (EXPLOSÕES!) que estamos acostumados. Tudo isso recheado de metáforas e frases profundas, que te  faz ficar pensando no significado por trás de cada uma das cenas e até cada uma das falas de seus personagens.

Nada parece ter sido colocado por acaso ali.

E então, ao terminar o filme, me senti profundamente instigado a ler o livro, pois se o filme já mostra ser complexo e profundo, o livro deve ter uma metáfora atrás de outra, um ensinamento em cada parágrafo e horas depois de assisti-lo, eu ainda me pegava pensando: "Caramba, que filme bom!"

4 pontos e meio

Dica musical: "The Story of Sony Boy Slim" de Gary Clark Jr. (2015)

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Gary Clark Jr. foi provavelmente o único guitarrista da última década a ser realmente levado a sério. Em 2012, ele lançou seu álbum de estreia, muito aclamado pela crítica pela sua sonoridade blues rock, elevando seu nome a um patamar acima de outros guitarristas, podendo ser uma espécie de Jimi Hendrix da nossa geração (de vez quando aparece um cara assim), mas neste segundo álbum, ele deu uma mudada em seu som, o que poderia ser encarado com muita negatividade por este que vos escreve, mas a mudança veio a calhar, criando um som complexo e todo original, dando mais força à obra que Gary Clark Jr. quis criar.

"The Story of Sony Boy Slim" é um álbum recheado de narrativas, lidando com diversos temas, desde amor e sexo (como de prache) até racismo (parece que todos decidiram tratar desse tema esse ano). Sua sonoridade revela o vasto repertório que Gary Clark Jr. usa como referência, tendo desde o blues mais puro feito com um violão até o funk, tocado em discotecas e o hip hop mais clássico.

Não é um álbum tão puro quanto seu antecessor e esconde um pouco o talento de Gary Clark Jr. na guitarra, mas é muito bem feito, cumprindo bem com sua proposta, de passar por todos os gêneros musicais dominados por negros e negras desde os primórdios da música contemporânea.

De fato, aqui Gary Clark Jr. parece trabalhar como um historiador ou professor, resgatando sons antigos, misturando-os e mastigando-os para melhor digestão de seus alunos/ouvintes.

É um álbum que vale a pena ser ouvido.

4 pontos

domingo, 6 de setembro de 2015

Dica musical: "Sound & Color" do Alabama Shakes (2015)

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Alabama Shakes é uma dessas bandas que ganha atenção do mundo hipster, tendo sido extremamente hypada entre 2012 e 2013. O problema é que o mundo do hype é geralmente injusto ("Don't Believe The Hype *sic*) e eu nunca achei o primeiro álbum deles bom de verdade, até por que não era algo inédito (The Black Keys e Kings of Leon se não foram os pioneiros, foram os primeiros a tocar nas rádios essa vertente a qual o Alabama Shakes pertence), nem era algo excelente (The Weeks produz o mesmo som, mas com uma qualidade lírica e musical infinitamente maior), no entanto, decidi dar uma chance a esse álbum e apesar de não ser um ótimo álbum, é um álbum a se ouvir.

Ao contrário do primeiro álbum, aqui nós encontramos uma variedade sonora maior, tendo alguns elementos eletrônicos adicionados às canções, além de mudanças contrastantes de sonoridade no meio de algumas canções. Suas raízes "sulistas" continuam vivas, tendo aquela influência gostosa da música country que faz com que todos amemos o Kings of Leon.

Outro ponto positivo é o bom humor da banda, que não trata seus álbuns como algo sério e complicado de se entender. Algumas canções foram feitas para soarem como versões ao vivo, com conversas e risadas ao fundo, outras são mais "profissionais". Tudo isso faz o som do Alabama Shakes soar casual (talvez casual demais?), sendo uma boa pedida para tocar em alguma festinha com seus amigos que gostam de beber e dançar ouvindo rock.

No entanto, continua sendo um álbum mediano, como o primeiro foi e o terceiro continuará sendo. Ao menos, este álbum não está sendo tão hypado como o seu antecessor (talvez as pessoas tenham percebido o que é o Alabama Shakes de verdade) e foi essa ausência de hype que me fez escrever essa dica hoje.

3 pontos

sábado, 5 de setembro de 2015

Dica musical: "Yours, Dreamily" do The Arcs (2015)

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Não tão marcante quanto a dica da semana passada, mas vale a ouvida.

The Arcs é o novo projeto de Dan Auerbach, do The Black Keys e como já é de se esperar, mantém uma sonoridade voltada ao blues, mas aqui ele dá uma mudada no som, para se adequar a proposta desse álbum, que é a de criar um mundo imaginário, um mundo nos sonhos, sonhos de algum rockeiro que curte blues, mas vive nos anos 80, uma década de neon, vivenciando o início da música eletrônica.

O blues do The Arcs não é cru como o The Black Keys. Tem uma pegada mais eletrônica, dando uma pegada mais conceitual no álbum (isso fica mais ou menos claro nas letras, que falam de mulheres, bebidas, corações partidos, enfim... o de sempre, mas disposto de uma forma meio caótica, como num sonho molhado, mesmo).

A comparação com o The Black Keys é inevitável, porém errônea, já que as bandas trilham caminhos diferentes, apesar de partirem da mesma premissa.

No final, você chega a conclusão de que é um álbum interessante, provavelmente dá um bom show ao vivo, mas não chega a ser tão memorável quanto outros álbuns de Dan Auerbach, apesar de ser muito bem vindo, pela diversidade sonora e a ousadia que esse álbum carrega.

3 pontos e meio

domingo, 30 de agosto de 2015

Dica musical: "Abandoned" de Defeater

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Defeater é uma banda de hardcore melódico dos EUA formada em 2007. Todos os seus álbuns são conceituais e contam uma história de diferentes pontos de vista sobre os acontecimentos que se sucederam a uma família trabalhadora de Nova Jérsei num Estados Unidos pós-segunda guerra mundial.

Como é a primeira vez que falo dessa excelente banda no blog, me sinto obrigado a detalhar um pouco mais da história para que seja compreensível o meu alto nível de admiração pela banda. O primeiro CD definiu toda a história que os outros álbuns circundam, contando a trajetória de um adolescente, odiado pelo pai, com uma mãe viciada em heroína e um irmão que sempre foi visto como um rival. Um dia, ele perde a linha, mata o pai e foge, então inicia longas viagens, sempre se culpando, sem poder esquecer do crime que cometera. Anos depois, ele volta para casa, apenas para descobrir que sua mãe morreu e seu irmão procura desesperadamente por vingança. Numa luta final, seu irmão acaba morrendo atropelado por um trem e ele vai até uma igreja, se confessa para o padre e se suicida, pulando da torre do sino.

É uma história horrível, eu sei, mas é contada de forma magistral por uma das melhores bandas em atividade que existe por aí.

Os álbuns que se seguiram contam a mesma história, só que de diferentes pontos de vista. O EP que se seguiu ao lançamento do álbum conta a história de um ex-soldado negro que está perdido num EUA que não o reconhece e encontra paz na música, inspirando jovens, como o da nossa história principal, que após se encontrar com o cantor negro decide voltar para casa. O segundo álbum conta a história do ponto de vista do irmão mais velho, conhecemos um pouco mais do pai (que servia como um exemplo para o irmão mais velho), sua raiva e ressentimento, como ele esqueceu isso ao se casar, como tudo voltou com o assassinato de sua mulher e a banda nos mostra como criar uma narrativa ao finalizar a história na música "White Oak Doors" (essa música me arrepia até hoje e foi o mais perto que eu cheguei de chorar ao ouvir uma canção). No terceiro álbum conhecemos a história de seu pai através de cartas (que são cantadas pelo vocalista), seguindo uma linearidade inversa (ou seja, as cartas mais recentes vêm primeiro e depois as cartas mais antigas, como se você estivesse lendo-as de uma caixa empoeirada no fundo do armário), conhecemos suas razões para odiar o filho mais novo (injustificável, mas ainda assim... ), como ele perdeu seu irmão na guerra e acabou virando um alcoólatra e suas batalhas sangrentas em território europeu. Neste quarto álbum, conhecemos a história do padre do primeiro álbum, que recebeu as confissões do filho mais novo e descobrimos que ele não era só um coadjuvante na história toda.

Musicalmente, sempre achei o Defeater uma banda limitada. A bateria sempre guiando o ritmo das canções, com batidas bem demarcadas, como numa marcha militar, acordes melódicos repetitivos de guitarra são o mais harmônico em suas canções e o baixo, basicamente, segue a bateria. Embora, a banda tenha seus momentos musicais impressionantes, como no final de "Cowardice", é a narrativa que realmente impressiona (a própria "Cowardice", eu não sei se seria tão impactante sem o contexto da história) e como a banda usa a música apenas como um instrumento para contar a sua história, um acompanhamento, simplesmente. Isso é muito ousado e há momentos em que isso não funciona de forma alguma, criando músicas chatas de ouvir. Essa foi basicamente a minha conclusão com todo o terceiro álbum, "Letters Home", no entanto, me surpreendi com esse.

Aqui, a banda encontra mais espaço para a melodia entre as batidas militares de bateria e os gritos do vocalista, podendo ser classificado como um dos álbuns mais musicais da banda (ainda acho "Empty Days & Sleepless Nights" melhor, musicalmente falando), mas são as letras que se destacam.

= Spoilers à frente =

Nesse álbum descobrimos que o padre também lutou na guerra e por isso perdeu sua fé, mas continua como padre apenas pelas vantagens do ofício (moradia gratuita, uma imagem pública intocável, além do respeito de centenas de desconhecidos). No entanto, por dentro, ele se rende ao desespero e se volta para as drogas, acaba sendo consumido por uma culpa que cresce de forma exponencial, até que se envolve com uma mulher, a mãe da família e a engravida. Sim, o filho mais novo é, na verdade, filho do padre (em "Letters Home" fica claro que ele é um filho bastardo, por isso o pai o odeia, mas não fica claro quem é seu pai biológico). Quando o pai volta da guerra, o padre abandona a mãe e passa a viver em reclusão, longe daquela família. Os anos passam e ele finalmente encontra filho mais novo, conversa com ele pela primeira vez e descobre que seu filho está mais perdido que ele. Assim que ele se suicida, o padre chega à mesma conclusão que o pai e o filho mais velho chegaram no final de seus álbuns, ele não é ninguém, ele não é nada.

= Fim dos Spoilers =

Uma habilidade que sempre me chamou a atenção desde que conheci Defeater é a de criar um vazio na boca do estômago assim que eu termino de escutar o álbum pela primeira vez. Um vazio existencial, na verdade, provocado por uma história tão trágica, mas que é carregada de emoção (é perceptível a pessoalidade que a banda assumiu com esse "projeto". A banda já existia antes, em 2007 mudaram o nome para Defeater e logo lançaram o primeiro álbum, prometendo que todos os álbuns que criassem depois seriam baseados nessa história) e torna-se bela aos ouvidos de quem se aventura por ela. O vazio que eu sinto após ouvir os CD's pela primeira vez não é algo deprimente, é apenas como se por um curto espaço de tempo (o espaço de tempo em que eu ainda estou digerindo a história), nada existisse, resultado da imersão na história provocada pela banda. Mas não chega a te deprimir, muito pelo contrário, aos poucos você vai percebendo a tangibilidade da realidade à sua volta e como ela é bela; e como você é grato por sua família não ser assim, por você nunca ter brigado com seus pais, por seu pai ficar bêbado só nas festas do final de ano, por você nunca ter visto sua mãe fumar um cigarro sequer e por seu irmão te acompanhar no cinema. Defeater te faz compreender a beleza da vida ao te mostrar o lado oposto da moeda.

Esse vazio existencial, eu senti no final desse álbum. Escrever esse post faz parte de sentir a tangibilidade do mundo à minha volta. Eu nunca ouvi uma banda que produzisse álbuns com um poder narrativo tão grande e apesar de sua limitação musical, eu os considero sim uma das melhores bandas da atualidade (na verdade, a segunda melhor, só perde para uma certa banda de Michigan que domina não só a habilidade narrativa, como a habilidade musical também, mas aqueles caras não são humanos normais). Em "Abandoned", Defeater soube manter sua qualidade musical num nível bem alto, além de criar uma narrativa que não serve apenas como um apêndice da história principal, apesar da participação minúscula que seu personagem tem nela. É um álbum que fecha pontos abertos da história, mas não tem o tom de conclusão de álbuns anteriores.

5 pontos

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Dica literária: "Ficando longe do fato de já estar meio que longe de tudo" de David Foster Wallace (2012)

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Minha jornada com David Foster Wallace começou ainda no ano passado, quando li uma matéria que instigava a curiosidade acerca de "Graça Infinita" (um livro com mais de 1000 páginas escrito por David Foster Wallace nos anos 90), um livro muito bem falado e que me chamou a atenção, mas como o texto que li não indicava o livrão de mais de 1 quilo para começar a se aventurar pelas notas de rodapé quilométricas de DFW e dizia para se começar por esse livrinho que irei indicar aqui, iniciei uma caçada por diversos sebos online e acabei encontrando em meados de Maio um exemplar a venda na Estante Virtual, comprei, li durante todo o mês de julho e esse mês e me sinto na obrigação de recomendá-lo.

David Foster Wallace foi um autor de romances, contos e também ensaísta, embora seja mais lembrado e reconhecido pela sua prosa. Esse livro, publicado aqui no Brasil pela Cia. das Letras, reúne diversos ensaios do autor, seguindo uma tendência europeia de publicar seus ensaios.

E em meio a notas de rodapé quilométricas, descrições bizzaramente detalhadas, uma verborragia invejável e um conhecimento muito grande, é possível descobrir um homem, que apesar de sofrer suas perturbações (ele acabou se suicidando em 2008, o que levanta questões sobre uma de suas filosofias de vida exposta nesse livro), era também um homem que conseguia manter um sagaz senso de humor, tirando-o das experiências mais bizarras, que passariam despercebidas pelo homem comum, o qual a maioria de nós é.

"Ficando longe do fato de já estar meio que longe de tudo" é uma ótima introdução a David Foster Wallace, não exigindo muito do leitor, feito de forma simples, tornando a leitura muito agradável e prazerosa. Ri muito lendo esse livro, mas também ficava pensando minutos e minutos antes de dormir no que acabara de ler.

4 pontos e meio

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Dica musical: "Compton" de Dr. Dre (2015)

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Após 16 anos, Dr. Dre lança um álbum de inéditas. Um álbum complexo e profundo, que também é a trilha sonora do documentário "Straight Outa Compton".

Pra começar, "Compton" é um álbum complexo, com uma ampla gama de instrumentos, criando uma gama ainda maior de harmonias, ritmos e climas ao longo de suas 16 canções. Algumas são extremamente agressivas, enquanto outras são calmas, poucas são tão caóticas que perturbam os ouvidos e outras poucas chegam a dar sono de tão lentas, mas não é só em suas melodias que o CD se sustenta.

As letras, assim como as melodias, sofrem diferentes graus de variação, algumas muito agressivas, outras apaixonadas, algumas cheias de críticas, enquanto outras não passam de histórias fantasiosas sendo contadas para os ouvintes. Toda essa variedade só é possível devido ao número ridiculamente grande de colaboradores nesse álbum, em que Dr Dre mal tem espaço para soltar suas rimas.

E tem todo tipo de colaborador, desde rappers conscientes e agressivos como Kendrick Lamar e Ice Cube, até os mais zueiros como Eminem e Snoopy Dog, sem contar os vocais femininos que dão um ar R&B para o álbum.

Ao final do álbum, dá uma sensação de que esse álbum foi realmente feito para uma cidade (Compton não é bem uma cidade, é mais um distrito de Los Angeles, mas tá valendo), contando as histórias de seus diversos personagens ilustres que por ali viveram, dando voz aqueles que ainda estão por lá e se esforçando para deixar um legado para quem nunca viveu na cidade ou pelo menos não do jeito como eles viveram.

Mas nem tudo são flores. Esse álbum é cheio de toques eletrônicos, vários efeitos remanescentes da época "bling bling" do hip hop, além de ter sido lançado diretamente em meios digitais (o que quer dizer muito em uma época como a que estamos vivendo agora e não quer dizer coisa boa).

Ainda assim, "Compton" é um excelente álbum, compilando um pouco do que tem de melhor no mundo mainstream do hip hop, com muita sagacidade, aproveitando de um tratamento especial.

4 pontos

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Dica literária: "Planetes" de Makoto Yukimura

planetes-946616Mostrando que o mercado de mangás brasileiro está abrindo seus horizontes, a Panini/Planet Mangá lançou este ano o primeiro volume de Planetes, numa edição impecável e que, eu espero, não demore a ser lançada por completo aqui.

No ano de 2071, a humanidade já se instalou na lua e viagens são feitas de aviões supersônicos acima da atmosfera terrestre. Apesar de representarem avanços inimagináveis para a civilização, tudo isso gera muito lixo espacial. Para resolver esse problema, existem os "lixeiros espaciais", pessoas que acabam com os destroços espaciais, recolhendo-os ou eliminando-os jogando eles contra a atmosfera, queimando-os. O mangá acompanha o dia a dia de uma dessas equipes, à bordo da espaçonave "Toybox", trabalhando para a Technora Corporation, com suas ambições, sonhos e desafios, naturais de todo ser humano e que não mudam, nem com o passar de quase um século, nem há milhares de quilômetros acima da Terra.

Trata-se então de um "slice of life" (mangás que acompanham a rotina de seus personagens, de uma forma mais realista), só que com elementos de ficção científica, uma mistura que cai muito bem e coincide com os primórdios do gênero (ficção científica), em que os personagens e suas reações aos diversos desafios do espaço, em um nível pessoal, eram o ponto principal das tramas.

O desenho é muito bem feito, cheio de detalhes e se destaque no meio do amontoado simplista e infantil dos traços de mangás publicados atualmente. Sem contar que o autor sabe criar uma narrativa gráfica como poucos, explicando muito em poucos quadros, sem a necessidade de apresentar balões de falas.

Além disso, o mangá se destaca pela sua qualidade gráfica. Ele joga no chinelo e cospe em cima dos outros mangás que eu tenho aqui em casa, da qualidade do papel até a capa, tudo é exageradamente superior ao que tem sido feito no Brasil. Uma verdadeira honra aos quadrinhos orientais.

Enfim, "Planetes" apresenta uma ótima história e merece ser comprado (pode até não ser a sua praia, mas eu tenho certeza que vai dar gosto vê-lo na sua coleção, ainda mais sabendo que trata-se de uma edição brasileira), mais que recomendado.

4 pontos e meio

domingo, 16 de agosto de 2015

Dica literária: "Turma da Mônica - Lições"

msp-lic3a7oes-11-capaMais uma Graphic MSP lançada e neste volume, os irmãos Caffagi voltam para nos entreter mais uma vez com mais uma nostálgica história do grupo de amigos mais influente da literatura brasileira; a turma da Mônica, claro!

Se na primeira história da turma da Mônica pelos irmãos Caffagi, ela parecia um daqueles filmes dos anos 8 sobre amigos que passava na Sessão da Tarde, nesse volume somos apresentados a uma história com uma abordagem mais contemporânea. Começando com mais um dos planos infalíveis do Cebolinha, que, pra varia, falha, a Mônica acaba mudando de escola e esse acontecimento resulta em uma série de implicações decisivas na vida de todos os personagens da turma, fazendo-os perceber o valor que cada um tem ali.

A arte, como já era de se esperar, continua soberba. Os personagens continuam com aquele estilo "fofo" deles, meio gordinhos, pequenos, mas os personagens adultos são muito bem caracterizados também, mostrando que não há limitações para os irmãos. Outro ponto interessante é a mescla entre estilos. Em "Laços", a divisão entre o traço de Vitor e o da Lu era bem marcante, aqui há uma mescla maior e em algumas partes fica difícil saber quem fez o que nesse álbum.

Como sempre, o trabalho editorial está de parabéns, dessa vez, apresentando ao final, algumas curiosidades sobre personagens secundários (mas não falaram do Jeremias, que eu tenho certeza que fez uma partcipação especial, embora menos óbvia que o Titi - e não me pergunte como que eu lembrei do nome desse personagem, por que nem eu sei - e o Xaveco é claro!).

Enfim, mais um volume da Graphic MSP, mais uma nota alta e mais um trabalho excelente dos irmãos Caffagi.

4 pontos e meioObs: Estou ansioso pela Graphic MSP do Louco.

sábado, 8 de agosto de 2015

Dica musical: "Agreste" de Troco em Bala (2015)

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Troco em Bala é uma banda nordestina de indie rock e lança o CD "Agreste" para apresentar, explicar e sintetizar o que é o agreste.

Com composições poéticas e um ritmo que lembra bem os bons tempos do indie rock do início dos anos 2000, mas puxando referências mais recentes, esse álbum é um deleite para os ouvidos. Suas canções vão desde as mais dançantes, até as mais melódicas, mas sempre com algo a dizer, mesmo na mais simples, que compensa pelo ritmo mais dançante do álbum todo.

Cada música apresente uma temática diferente e própria, fazendo com que o álbum não pareça um conjunto único, mas um conjunto de diferentes elementos, que compõem uma obra muito boa e edificante.

Enfim, "Agreste" é uma ótima surpresa no rico cenário artístico nacional e que merece ser ouvido muitas vezes.

4 pontos

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Dica cinematográfica: "Himizu" (2011)

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"Himizu" é um filem dirigido por Sion Sono de 2011. Li em algum lugar que trata-se da adaptação de um mangá de mesmo nome, mas como não li o mangá, não irei fazer comparações e resenharei apenas o filme, independente de ser uma adaptação fiel, ruim ou não. De qualquer forma, ao contrário do resto da filmografia do diretor, este é um dramalhão sincero e tocante, com uma mensagem metalinguística arrepiantemente inspiradora.

O filme conta a história de Sumida Yuichi, um garoto normal que não tem expectativa nenhuma para o seu futuro, além de tocar o negócio da família, uma "empresa" de aluguel de barcos, que é, na verdade, uma casinha com alguns barcos a disposição na beirada do lago da cidade onde mora. Sua mãe sempre chega em casa com algum homem diferente e seu pai só volta para casa para pedir dinheiro emprestado ao garoto. Keiko Chazawa estuda na mesma classe que Sumida e é apaixonada por ele. Tentando se aproximar do garoto, descobre que a mãe dele sumiu com um homem levando todo o seu dinheiro e um mafioso aparece atrás do pai de Sumida, cobrando uma dívida de seis milhões de ienes. Aos poucos, Sumida começa a mudar, mesmo com o apoio de seus amigos perdedores (um grupo de desalojados que moram em cabanas no quintal da casa de Sumida) e Keiko, caminhando cada vez para um destino trágico.

Num primeiro momento, o dramalhão gera um estranhamento no espectador acostumado com as pirações de Sion Sono, no entanto, todos os elementos de seus filmes estão ali. O enquadramento e o arranjo do cenário perfeccionistas, a distribuição de tempo de filme para os diversos personagens, dando tempo de explorar a personalidade de cada um e, é claro, os elementos absurdos que dão um característico humor negro a toda a película. Sendo assim, apesar de ser um dramalhão bem longo (são mais de duas horas), o filme não cansa e há surpresas a todo momento.

A mensagem metalinguística do final é mais facilmente compreendida quando se conhece a história por trás das filmagens. O projeto de adaptar o mangá (que, pelo que li, conta com um cenário pós-apocalíptico) estava na cabeça de Sion Sono por muito tempo, mas ele parecia não encontrar motivos para prosseguir com o projeto (problemas criativos, além de financeiros, já que o filme teria que contar com um alto orçamento). No entanto, quando terremotos destruíram a costa do Japão em 2011, ele encontrou não só o motivo, como o cenário ideal para filmar "Himizu".

Ao final, Sion Sono não apresenta uma belíssima mensagem de superação e motivação, de forma tocante e genial, sendo capaz de tirar algumas lágrimas de almas mais sensíveis.

5 pontos

domingo, 26 de julho de 2015

Dica cinematográfica: "Why Don't You Play In Hell" (2013)

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Mais um filme do meu diretor favorito de todos os tempos, Sion Sono, dá o ar da graça no blog e esse filme é ao mesmo tempo uma paródia, uma homenagem e uma crítica ao cinema de vanguarda, o cinema japonês e todas as suas influências.

Há uma guerra rolando na história de "Why don't you play in Hell?", mas essa guerra entre yakuzas não impede que os Fuck Bombers, um grupo de cineastas juvenis de vanguarda de produzir a sua obra prima que entrará para a história do cinema (mesmo que essa ideia não tenha saído da mente do líder do grupo em 10 anos). 10 anos atrás, um sub-chefão yakuza chamado Muto liderou uma invasão a casa de seu inimigo, Ikegami, apaixonando-se platonicamente pela sua filha, Mitsuko, uma aspirante a atriz. Após vingar-se, a esposa de Ikegami foi presa e 10 anos depois, tudo o que o líder yakuza deseja é produzir um filme, em que sua filha seja a atriz principal, para apresentar à sua esposa, no dia em que for libertada. Após uma série de eventos extremamente suspeitos, os Fuck Bombers se preparam para gravar a batalha sangrenta final entre duas gangues yakuzas em fenomenais 35 mm.

De acordo com Sion Sono, é um filme cheio de similaridades com Kill Bill (e de fato há alguns pontos em comum aqui), mas toda a estrutura lembra os filmes independentes produzidos nos anos 90, como "Sexo, mentiras e videotape", "Pulp Ficiton" e "Jovens, loucos e rebeldes", mas indo além, criando uma espécie de metalinguagem, onde as filmagens feitas pelos Fuck Bombers se confundem com a realidade do filme e alguns elementos, que não estão na tela à toa.

Fora isso, é um filme que, apesar de longo, e apresentar uma história cheia de ramificações que se misturam e se completam, não perde o ritmo e nem perde o espectador, que em nenhum momento fica confuso. Muito pelo contrário, o filme até engana o espectador, jogando, vez ou outra, um elemento clichê, fazendo o espectador imaginar o que virá a seguir, mas apresenta um resultado completamente diferente do esperado.

Não há muito o que se discutir do andamento do filme, qualquer ponto contado levaria muito tempo para ser explicado, já que cada cena está intimamente conectada com o resto do filme, sobrando apenas contar que o filme é extremamente bem dirigido, usando takes e enquadramentos soberbos, que enchem os olhos mesmo; sendo, também, um filme para ser admirado. Sion Sono é também um perfeccionista (percebemos isso quando reparamos no tempo que seus filmes perdem em pré e pós-produção), criando cenários ricos em detalhes e muito belos, contribuindo para a formação de seu universo único.

O final é uma chuva metalinguística otimista e engraçada, mais pela ironia e absurdo de toda a situação criada.

Enfim, "Why Don't You Play in Hell?" é, na minha opinião, um dos melhores filme de Sion Sono e entra fácil na minha lista de favoritos de todos os tempos.

5 pontos

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Dica musical: "Tudo em vão" de Fábio de Carvalho (2015)

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Me deparei com esse álbum fuçando os reviews da semana no site da MonkeyBuzz e que surpresa boa descobrir um artista brasileiro tão bom.

Fábio de Carvalho é um compositor/cantor/guitarrista mineiro de apenas 18 anos e que lançou esse ótimo álbum no final do mês passado.

É difícil falar desse álbum, por que, na real, é uma bagunça, como já é de se esperar vindo de um adolescente que faz terapia e teve seu primeiro ataque de ansiedade ano passado. Na verdade, há um certo imediatismo que só pode ser encontrado em mentes juvenis, mas que não são propriamente rebeldes. De fato, não há muito rebeldismo, apesar de haver uns atos fora da lei aqui e ali (como fumar maconha e se embebedar a madrugada toda), mas nada rebelde e contra cultura, de verdade (afinal não há nada mais encravada na cultura popular do que fumar maconha e se embebedar a noite toda, achar que isso é contra cultura ou rebelde apenas demonstra uma ingenuidade sem fim).

Esse imediatismo fica claro em diversos momentos do álbum, da composição das letras até a sonoridade em si, que é bem lo-fi, me lembrando dos bons tempos de Wavves, mas ao mesmo tempo com umas pitadas de bossa nova e até jazz, com uns acordes mais elaborados e melódicos, fazendo o Fábio ser mais fácil de ser comparado com caras como King Krule.

No entanto, ao contrário do ruivo britânico, não há muito planejamento nesse álbum e isso fica claro conforme nos aproximamos do fim dele e nos deparamos com letras mais truncadas, como se o cantor estivesse forçando (e ele está) uma letra a encaixar em uma melodia.

Ainda assim, é um ótimo álbum, afinal o imediatismo, as letras e a bagunça lo-fi que acompanham ele todo faz "Tudo em vão" soar como um grito desesperado de um pedaço deslocado de uma geração que parece perfeita demais. Algumas passagens deixam esse sentimento claro, como quando o eu-lírico (podemos chamar assim?) se assusta, enquanto passa mal e seus colegas riem ou quando ele se admira e se apaixona por um belíssimo nascer do sol, mas ninguém partilha dessa mesma emoção. É uma alma que não se encaixa de verdade nessa realidade, mas é uma realidade com espaço para todos, mesmo que não seja o espaço que todos querem ou desejem.

Enfim, é um álbum que alimenta muito os seus pensamentos, apesar de ser meio imaturo, mas isso não é problema, de forma alguma, para quem se identifica, ao menos um pouco, com os relatos intimistas de Fábio de Carvalho.

4 pontos

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Dica musical: "Currents" de Tame Impala (2015)

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Tame Impala é uma das minhas bandas favoritas, continua sendo, mas "Currents" não é capaz de chegar aos pés de seus outros dois álbuns, embora não seja completamente esquecível.

Tame Impala também é uma banda de um homem só, embora se apresente ao vivo e em fotos como uma banda de 5 marmanjos. Na verdade, Kevin Parker, o guitarrista (?) e vocalista da banda produz todos os álbuns sozinho, em casa, então os outros membros não tem voz para nada na banda, criativamente, falando.

Tame Impala é, ainda, a banda responsável pelo revival que a música psicodélica sofreu na última década, fazendo, sim, uma certa escola de músicos, principalmente australianos.

E "Currents" não se parece em nada com um álbum do Tame Impala, na verdade, ele fica de lado, como se fosse um álbum feito por uma banda nova de 2015 (e que, sinceramente, não vai durar muito após esse álbum).

Há um ponto na vida das bandas que vieram depois dos anos 2000 em que elas se cansam de fazer a mesma coisa e passam a fazer coisas diferentes, usando a falácia da maturidade e que eles estão sempre mudando (não que não estejam, mas é possível mudar e transgredir as barreiras da música pertencendo a um ritmo musical, a maioria dos grandes nomes do rock fizeram e continuam fazendo isso). Tame Impala chegou nesse ponto e caiu na maldição do 3. Este é o seu terceiro álbum, é diferente de tudo o que fizeram e é decepcionante.

Em "Currents" não há guitarras distorcidas, nem guitarras naturais, nem sequer solos no meio das músicas, simplesmente, não há guitarras (!). Se já não bastasse essa burra audácia, em "Currents" não vemos algum tema ou ideia por trás de todo o álbum como em "Lonerism". O que vemos aqui é algo novo, uma banda diferente, que busca influências em álbuns recentes como "Random Access Memories" do Daft Punk e uma pitada de psicodelia, para criar um som eletrônico, liderado por baixos e baterias.

E se há algo bom nesse álbum é isso, o baixo e a bateria, continuam, como nos dois últimos álbuns da banda, marcantes e vibrantes, dando ritmo e vida a mediocridade de "Currents".

Então, sim, vale a pena escutá-lo, a maioria de suas músicas são boas, têm um ótimo acompanhamento de baixo e bateria, mas não espere uma mudança de vida com esse álbum, ele é vazio e medíocre a níveis que não víamos desde "AM" ou "RCA".

2 pontos e meio

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Dica cinematográfica: "The Eight Diagram Pole Fighter" (1983)

The-8-Diagram-Pole-Fighter-1"The Eight Diagram Pole Fighter" é um filme de 1983, produzido pela Shaw Brothers em Hong Kong, considerado por este podcast o único filme de kung fu com história... E que história!

Com a ajuda do traiçoeiro general da dinastia Song, Pan Wei, o exército da dinastia Liao teve sucesso ao enganar o general da dinastia Song Yeung Yip e seus 7 filhos, matando cinco deles, mais o pai na praia dourada.O sexto filho retorna para casa, mas é severamente traumatizado, lutando até com sua mãe, confundindo-a com o inimigo. A mãe e suas irmãs concentram-se em mantê-lo seguro em casa, já que ele é procurado por toda a guarda imperial como traidor do império.

Enquanto isso, o quinto filho se refugia num monastério, convencido a se transformar num monge, no entanto, com a morte de um dos mestres, ele se vê forçado a abandonar seu treino como monge para voltar à batalha e colocar um ponto final nessa história, de uma vez por todas.

É uma história com uma grande complexidade e que se desenvolve aos poucos, apresentando várias ramificações aos seus personagens, envolvendo o espectador aos poucos, crescendo dentro de quem a assiste e só nos instantes finais é que é possível perceber a sua genialidade, vendo toda a sua grandiosidade e diversidade.

Há quem ache que filmes orientais antigos e, em especial, os filmes do kung fu sejam feitos com relaxo, apresentando atuações pífias e efeitos especiais à margem do cinema ocidental, mas ignorância maior não poderia ser dita sobre esse cinema tão rico, afinal, se as atuações parecem estranhas, a nós ocidentais, num primeiro olhar, é por que não estamos acostumados a uma cultura diferente, que preza muito pela interpretação gestual, principalmente em relação ao rosto. Quando aos efeitos especiais e os cenários de papelão, isso é reflexo da época, nem mesmo os filmes de Hollywood eram tão bons assim, lembrando que eles contavam com orçamentos infinitamente maiores e os produtores chineses tinham que se virar com o que tinham no país, nada de contratar estrangeiro oferecendo mansões, carros, etc... Eu particularmente, acho que os cenários pintados um charme a mais para o filme, coisa que gostaria de ver com mais frequência e não como paródia ou estilização num filme do Wes Anderson.

Enfim, "The Eight Diagram Pole Fighter" é um filmaço, faz jus a fama de clássico!

5 pontos

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Dica literária: "Vampiro Americano vol. 4"

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Compilando as histórias publicados em 2012, finalmente chega ao Brasil o volume 4 de Vampiro Americano, uma das melhores coisas que já fizeram envolvendo o mito do vampiro em todos os tempos.

Neste volume, saltamos mais uma década no tempo e estamos nos anos 50, apresentando um personagem novo na história, fazendo sua, provável, primeira e última aparição na série.

A primeira história trata-se de um retcon, bem vagabundo na minha opinião, que mostra que Skinner Sweet e Jim Book foram não só amigos, mas praticamente irmãos, já que os pais de Book adotaram Sweet quando este perdera os pais. Além disso, os dois batalharam juntos contra os índios e é mostrado ao leitor que Skinner não foi o primeiro vampiro americano, mas uma índia, que pode ainda estar viva. É uma história fraca, desnecessária e com uma arte até interessante, mas sofrível na minha opinião, já que não gostei muito dela.

Já a segunda história é o ponto alto do volume e uma das melhores sagas da série, passando-se nos anos 50, conta a história de Travis Kidd, um garoto que testemunhou a morte de sua família por um bando de vampiros em Las Vegas e virou, por conta própria, um caçador de vampiros.

A terceira história conta a trajetória de um vampiro negro que trabalha para os Vassalos da Estrela da Manhã numa viagem por uma pacata cidade do Alabama, dominada por uma espécie rara de vampiros.

Apesar da primeira história, é um volume, apresentando ao mesmo tempo o melhor e o pior de Vampiro Americano, dando alguns saltos importantes para a história principal, de Skinner e Pearl Jones, sem deixar claro, mais uma vez, que fim Travis levou.

A edição da Panini está, novamente, de parabéns, de luxo mesmo, muito bem feita e com os extras de sempre, rascunhos, esboços e explicações sobre eles.

4 pontos

sábado, 4 de julho de 2015

Dica cinematográfica: "The Limits of Control"

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Este filme conta a história de um forasteiro, um homem misterioso, cujas atividades permanecem meticulosamente à margem da lei. Prestes a terminar um trabalho, ele não confia em ninguém. Seu alvo não é revelado e seu destino continua incerto.

"The Limits of Control" não é um filme a ser assistido, é um filme a ser admirado, com um ritmo lento e, por vezes, maçante, mas que apresenta cenas e resoluções surpreendentes.

Nenhum de seus personagens têm nome e seus diálogos são soltos e desconexos, abrindo margem para múltiplas interpretações, ou interpretação nenhuma.

Então não espera uma trama complexa e bem elaborada. É apenas um trabalho de arte, com trilha sonora feita pela banda japonesa BORIS e direção de Jim Jarmusch, que já fez outros filmes bons pra caramba.

4 pontos e meio

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Dica musical: "Key Change" de Mocky (2015)

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Mocky é a alcunha de Dominic Salole, um artista musical que ganhou notoriedade na cena de música eletrônica no meio dos anos 2000 e em 2009, voltou-se para o bom e velho jazz com o álbum "Saskamodie". Esse ano, ele lançou esse álbum que estou indicando, também com uma pegada mais orgânica, usando de diversos instrumentos para produzir uma ampla variedade de sons.

Essa é basicamente a premissa desse álbum; diversidade. Há músicas com uma sonoridade mais tribal, até músicas simples e românticas, mas sempre partindo do pressuposto de ser orgânico, ou seja, feito com instrumentos de verdade, tocados por pessoas de verdade, todos tocados por Mocky.

Não há voz no álbum, são 12 canções instrumentais, muito bem feitas e produzidas, mas, de certa forma, isoladas, afinal, não há uma ligação clara entre elas.

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domingo, 28 de junho de 2015

Dica musical: "Goon" de Tobias Jesso Jr. (2015)

packshot2Ouvi o álbum de estreia de Tobias Jesso Jr. logo quando saiu, mas não gostei muito das canções, embora tivesse achado uma das demos que ele lançou no youtube muito boa e por isso adeixei no meu celular. No entanto, quando fui escutá-la, não a achei tão legal assim e acabei deletando-a. Meses depois, a Pitchfork lança um excelente documentário acompanhando a sua apresentação no Conan e eu ouvi aquela música que tanto gostei de novo, descobrindo que ela fazia, na verdade, parte do seu álbum de estreia. Ouvi novamente o álbum, com mais atenção e descobri que a música era "Leaving L.A." e até agora estou viciado nela.

"Goon" é um álbum extremamente pessoal, nos moldes de Natalie Prass, mas com um pouco mais de "consistência",eu diria, já que é também um álbum que nos apresenta uma narrativa, que guia nossos ouvidos e atenção, além da sua sonoridade ser melhor trabalhada também.

Tobias Jesso Jr. é um músico que se mudou para a Califórnia no início de seus 20 anos, com o sonho de ser uma grande figura na cena musical de lá. Acabou que ele ficou trabalhando por anos e anos fazendo jingles para propagandas e esse tipo de coisa. Há alguns anos (2 talvez, não sei), ele voltou para sua terra natal, o Canadá, por que sua mãe estava com câncer (ela morreu) e também por que ele havia terminado com sua namorada (uma das cantoras do grupo Haim). Lá, ele começou a tocar teclado, pela primeira vez, após um sonho apocalíptico e sentiu-se tão inspirado que criou algumas músicas, postou-as no YouTube, seus amigos o incentivaram a continuar tocando e ele decidiu gravar um álbum, que gerou "Goon".

Toda essa história está disposta no álbum, de forma não linear, algumas contando os fatos da forma como eles, supostamente, aconteceram e outras tomando liberdade para soar apenas como uma adaptação dos acontecimentos que se sucederam no período em que ele se desencantou com Hollywood e o período em que ele começou a elaborar suas primeiras canções nos teclados.

É um álbum muito bom e não se deixe enganar pela inexperiência de Tobias junto aos teclados. Ele pode nunca ter tocado em um até dois anos atrás, mas ele tem um talento natural para a coisa. Além de, como eu já disse, é um álbum muito bem trabalhado, com vocais de apoio e acompanhamento de percussão, instrumentos de corda (uma das canções é inteiramente tocada num violão) e instrumentos de sopro, o que disfarça a falta de experiência de Tobias, muito bem, por sinal.

Mas também é um álbum que requer um certo estado de espírito para ouvir, pois assim como Natalie Prass, Tobias não é um músico de seu tempo. Ambos soam como artistas que décadas passadas, ela como um cantora de singles e trilhas sonoras de filmes dos anos 20 ou 30 e ele como um pianista de alguma banda avant-garde dos anos 60 ou 70. Recomendo ouvir primeiro Natalie Prass, que faz uma música um pouco mais fácil e íntima de nós, público comum, e quando você já estiver perdidamente apaixonado pela voz dela, ouça "Goon" e encontre um caminho para seus sentimentos.

4 pontos e meio

Falaremos de Father John Misty depois.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Dica musical: "The Beyond/Where the Giants Roam" por Thundercat (2012)

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Mais u álbum de jazz "cabeçudo" no blog.

Thundercat é a alcunha de Stephen Brunner, um baixista tido como extremamente talentoso e que foi uma das colaborações principais no álbum "The Epic" de Kamasi Washington. Este mês, ele lançou esse mini álbum, que contém seis músicas, o que o faz ser muito grande para os padrões de EP's, porém muito pequeno para os padrões de um álbum.

Eu escrevi que este é um álbum de jazz cabeçudo, por que Thundercat pertence à mesma turma de Kamasi Washington, Flying Lotus e lançou este mini álbum pela gravadora Brainfeeder de Flying Lotus. Pertencendo a essa turma, seria óbvio esperar um álbum com várias mudanças de ritmo ao longo das canções, cheias de camadas e com letras tão ambíguas e cheias de referências, que fazem você pensar como é burro, por um momento e não além de um momento, já que esse flerte com referências pop obscuras, como o mangá "Lobo Solitário" ou um certo desenho sci-fi/antropomórfico famoso da década de 80 podem ser bem chatas e entediantes em alguns momentos, apesar de mostrar que o artista tem personalidade.

No entanto, a obscuridade, sempre constante, a atitude blassé exposta nas canções não deixa de dar uma cara pretensiosa demais ao álbum, que também não deixa de ser um bom álbum, afinal, eu já disse que o cara é tido como um excelente baixista?

Aliás, se há algo de excelente aqui e que, sinceramente, salva todas (sem exceção) as músicas do álbum, é o baixo de Thundercat, que é sempre marcante, ditando o ritmo e as diferentes nuances do álbum, mas que merecia um destaque maior do que recebe, cedendo espaço para os arranjos (muitas vezes, atrapalhando a música) e os vocais (que não são tão bons quanto o baixo).

Ainda assim, vale a pena ouvir o mini álbum, que mostra muito talento do baixista, mas eu sei lá se ele pode apresentar algo muito melhor do que isso.

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terça-feira, 23 de junho de 2015

Dica musical: "Natalie Prass" (2015) de Natalie Prass

Natalie-Prass-SB006-Cover-Art-Lo-Res-560x560Imagine a trilha sonora de um filme da Disney com princesas, animais falantes e temáticas infantis. Agora acrescente uma pitada de maturidade, tire um pouco da mesmice e você terá esse ótimo álbum de estreia da ótima cantora norte americana Natalie Prass.

É impossível escutar esse álbum sem lembrar de Sharon van Etten, ao menos para os que conhecem e gostam de Sharon, no entanto ao mergulhar profundamente nas letras e no significado de cada um, percebe-se que há uma grande diferença entre as duas. Natalie Prass, apesar de escrever sobre relacionamentos falidos, erros e tristezas, encara tudo isso de uma forma menos realista (afinal, a visão de Sharon não é propriamente pessimista, apenas mais melancólica) e com um certo idealismo, que não é sem fundamento.

No entanto, não são nas letras que encontramos o ponto forte do álbum, mas nos arranjos das canções, pois até as músicas mais chatas do álbum são gostosas de se escutar e o álbum todo soa mais como uma trilha sonora do que como um projeto musical de um artista ou um álbum vazio, criado por puro entretenimento.

De fato, é possível encarar esse álbum como a trilha sonora dos últimos anos de Natalie, que terminou a faculdade em Boston, morou em Nashville e trabalhou como tecladista para outros artistas até poder lançar esse álbum. Uma experiência de muita paciência para ela e que é demonstrada na forma madura como sua música é construída, sem pressa, sem anseios para chegar ao final ou mesmo para lançar a sua mensagem (é como se ela simplesmente estivesse lançando alguns pontos e fica a cargo do ouvinte pegar ou não).

Enfim, "Natalie Prass" é um ótimo CD de estreia, algo que me surpreendeu de verdade e que me pegou desprevenido, na verdade, pois logo fez eu me apaixonar pela voz maravilhosa dela.

4 pontos

sábado, 20 de junho de 2015

Dica cinematográfica: "The Monkey King: Uproar in Heaven" (1965)

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Esse filme apenas prova que a animação oriental, desde sempre, deu um banho na animação ocidental. Enquanto Walt Disney desenhava princesas vivendo com anões, numa animação, até que fluida e bem desenhada, mas cheia de lições de moral cretinas, voltadas ao público infantil, servindo apenas para criar aquela máxima imbecil de que filmes de animação são para crianças, apenas, animadores chineses criavam um filme com uma animação extremamente fluida, cheia de cores vibrantes, cenários cheios de detalhes e uma história que coloca em cheque a noção de bem e mal.


O filme trata-se de uma animação de uma das lendas chinesas mais antigas, traçando as origens do rei macaco, Sun Wu Kong e os problemas que ele causa na corte celestial do Imperador de Jade. Depois de causar problemas suficientes no império celestial, o rei macaco se autoproclama "Grande Sábio", o que causa a fúria das divindades celestiais e é o estopim para batalhas épicas entre o imortal rei macaco e todas as divindades do grande panteão de deuses chineses.


O rei macaco, um imortal que se importa apenas consigo mesmo e com o bem dos habitantes da montanha onde vive, provoca a ira das divindades celestiais, principalmente por não aceitar o status quo mantido no reino celestial do Imperador de Jade, o que é considerado um absurdo, no entanto, vemos que não é. Afinal ele quer o bem dos macacos que vivem com ele, mas não alcançaram a imortalidade, e por esse motivo são considerados inferiores pelas divindades, mas não para o rei macaco.


Não é mostrado no filme como o rei macaco conseguiu sua imortalidade, mas fica implícito, ao longo do filme, que ele alcançou a imortalidade ao colocar a necessidade de seu povo sobre as suas e logo passa a ser uma divindade tão imponente quanto o Imperador de Jade.


É um filme que coloca em cheque as questões entre o bem e o mau, o que é bom e ruim, enfim... diria que o único defeito deste filme é o fato de rei macaco ser bem babaca, apesar de suas boas intenções, mas isso faz parte da construção de personagens mais reais.


Como eu já disse, é um filme com uma animação soberba, mas não chega a ser perfeita. Em diversos momentos, o cenário se torna estático, até as cores ficam um pouco menos vibrantes que as cores dos personagens, mas isso é um defeito da época.


Enfim, "The Monkey King: Uproar in Heaven" é um dos melhores filmes de animação do século passado, sendo uma lástima que ele não é tão conhecido quanto outros filmes *ridículos* do ocidente.


4 pontos