terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Ninguém vai ler essa patacoada, mas o blog é meu e eu faço o que quero com ele!

Xiiiiiiiiiiiiiii!!!

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Um post fora de época pra falar de coisas que ninguém aguenta ler, mas eu estou com muita vontade de escrever sobre isso e como esse blog é meu e de mais ninguém, aqui vai!

Ontem, após o almoço, deitei na minha cama, liguei o laptop e abri o YouTube pra acompanhar os vídeos dos canais que acompanho, um deles o Mamãe Falei, que ficou conhecido por todo mundo como o “cara do FGTS”, pedindo pra todo mundo perder uns 10 minutos do seu dia pra assistir esse vídeo aqui:

https://youtu.be/qMxi6L-m7VE

O vídeo é do MBL, um movimento ao qual eu tenho as minhas ressalvas, principalmente pelo envolvimento deles com a política, inclusive eles não escondem isso, mas eu fico sempre um pé atrás com políticos, porque sabe como é, né? Além disso, o vídeo é protagonizado pelo Kim Kataguiri, o cara que deu um “voto de confiança” pro Temer, como se isso significasse alguma coisa.

No entanto, o vídeo é excelente, explicando como funciona a previdência social hoje em dia, apresentando a reforma previdência que o governo está querendo implantar e expondo um complemento à essa reforma, baseado num estudo elaborado pelo FIPE, tudo isso em menos de 10 minutos.

O vídeo, além de didático é inspirador.

Em menos de 10 minutos, ele te ensina tudo o que você precisa saber sobre a previdência social, tudo o que você precisa sobre a reforma elaborada pela equipe econômica de M. Temer e tudo o que você precisa saber sobre a proposta da FIPE. E é inspirador, porque mostra uma solução, algo tão difícil de ser encontrado hoje em dia, quando todos estão preocupados apenas em olhar para o próprio umbigo e apontar os defeitos dos outros.

Isso entra em contraste direto com os opositores do MBL, a auto proclamada “esquerda”, formada por partidos de convicções socialistas, estudiosos de base marxista e os Guerreiros da Justiça Social (ou Social Justice Warriors, no termo mais comum de ser encontrado). O que se vê vindo desses grupos não é diálogo, é apenas acusação, intriga, paranoia e uma total falta de conexão com a realidade. Isso não é segredo, mas esse vídeo, apresentando a proposta de reforma da previdência elaborada pela FIPE expõe, ainda que de maneira indireta, toda a desolação da esquerda brasileira.

É essa esquerda que expõe aos quatro ventos um discurso de igualdade social, mas chama o Fernando Holiday de “falso negro”, defende a igualdade de gênero, mas todo homem é um estuprador em potencial, distorce os padrões de beleza ao ponto de chamar alguém que procura se manter saudável de “gordofóbico”, prega a liberdade de expressão, mas promove boicotes a empresas simplesmente por considerarem suas campanhas de marketing ofensivas, impõe uma mudança de sentido das palavras para que não aja respostas contra sua ideologia deturpada e retrógrada, são pessoas que se dizem contra a intolerância, mas não irão assistir o vídeo acima, porque é do MBL.

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Além da hipocrisia, cada vez mais crescente, a esquerda acabou se isolando dentro de uma bolha, afastando-se da realidade do país, enquanto que sua oposição (o MBL, um exemplo) só se aproxima mais, isso sem usar um discurso protecionista, louvando o povo, dedicando-lhe toda a sua “força e paixão”. E o vídeo acima expões, mais uma vez, isso magnificamente e da forma mais crua possível, porque ele apresenta uma solução, não é um vídeo que só crítica, crítica, crítica e não faz nada além disso, ele expõe uma solução de maneira prática e direta ao problema da previdência social, sem atacar ninguém.

E o que a esquerda está fazendo? Recentemente, o PT lançou um vídeo, protagonizado pelo ex-presidente Lula apresentando a sua solução para o rombo na previdência social e qual é a solução? Gerar mais emprego! E como serão gerados novos empregos? Isso o vídeo não explica. E o que esses novos empregos irão fazer? Continuar mantendo o esquema de pirâmide que é a previdência social hoje, ou seja, os novos empregos surgirão para que mais pessoas de classe média e baixa tenham aposentadoria irrisórias e mais juízes possam ter aposentadorias de 15 mil reais e mais políticos possam garantir sua aposentadoria parlamentar. É essa a solução do PT.

Ciro Gomes diz não haver déficit na previdência social, baseado em quê? Em suas próprias estimativas, mas ele mesmo nunca parou para calcular todas os inúmeros fatores que fariam o “mito” do déficit da previdência social ruir. A proposta de reforma da previdência social proposta pelo Partido Verde só é diferente da proposta do governo Temer no que diz respeito ao idealismo, pois estuda o aumento do teto para a aposentadoria. Marina Silva além de criticar, mantém esse discurso populista e idealista de aumentar o teto da previdência social, mas faz mais que o PSOL, que só sabe criticar.

E aí está a principal diferença entre a esquerda brasileira e seus opositores, eles (ou melhor, nós) fazemos alguma coisa, enquanto a esquerda não faz nada, ela só se preocupa em olhar para o próprio umbigo e criticar os outros, o que eles querem é só permanecer no poder e não serem questionados quanto a isso (mas o que dizer de pessoas que veem em Che Guevara uma figura inspiradora, não?). Nessa disputa não é esquerda contra direita, é esquerda contra o resto, é esquerda e oposição à esquerda. Ninguém está com o MBL porque eles são de direita, porque defendem valores tradicionais, o livre mercado e uma unificação dos impostos, mas porque eles se opõe a um grupo de pessoas que se afastaram da realidade e não estão mais preocupadas com o bem estar da população.

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E o MBL também não quer a reforma da previdência, porque eles estão pensando em você, mas também porque eles estão pensando neles mesmos, afinal, eles também poderão se beneficiar disso.

Mas a questão desse artigo não é essa, a questão é apontar a principal diferença entre a esquerda brasileira e sua oposição, que é a ação. A oposição à esquerda brasileira age, faz alguma coisa e o faz de maneira prática, de forma que possa facilmente compreendida e de forma que possa ser executada de forma rápida. Olha só o exemplo deles: eles também se opõe a reforma da previdência elaborada pelo governo Temer e também a criticam, mas junto já emendam uma resposta, uma forma de fazer essa proposta ser melhorada e que possa ser eficaz de verdade. Isso é agir, isso é promover mudança, isso é uma revolução de verdade! E isso a esquerda não faz.

Hoje, mais do que nunca, a esquerda me dá asco.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Dica musical: "Near To The Wild Heart of Life" do Japandroids (2017)

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E após 3 anos, Japandroids, uma das melhores bandas de rock dos últimos tempos, volta com um excelente terceiro álbum, amadurecendo de verdade o seu som.

“Near To The Wild Heart Of Life” é um álbum diferente de todos os outros álbuns do Japandroids, existe uma ampla gama de instrumentos aqui, existem elementos eletrônicos e backing vocals femininos, mas além de tudo isso, o aspecto mais importante nesse álbum é o amadurecimento que suas letras entregam.

Esqueça os excelentes “Oh Oh Oh’s” e “Ah Ah Ah’s” presentes em quase todas as músicas do grupo, não há muito espaço para isso aqui, mas conheça o lado mais intimista da banda, ao nos apresentar, na segundo verso da primeira canção a palavra “I”. Em “Celebration Rock” leva quase meia hora para Brian King soltar o primeiro “I” e o segundo só vai chegar no final do álbum. O que isso significa? Eu não sei direito, mas intimista não é. Japandroids ficou conhecido por lançar hinos, suas canções sobre cerveja, festa, cigarros e mulheres eram feitas para marmanjos ficarem se debatendo na frente do palco, dando mosh pits por cima de todo mundo, sorrindo, gritando e contando piadas ofensivas uns para os outros, não era música pra te fazer pensar muito, apesar de que os elementos “conceituais” constituintes de Celebration Rock te deixar meio contemplativo. Mas a presença constante da primeira pessoa do plural nesse álbum mostra algo que poucos artistas almejam de verdade hoje em dia: o amadurecimento pessoal.

As letras em “Near to the Wilf Heart of Life” tratam de relacionamentos perdidos, a descoberta da força de vontade através da amizade, a solidificação da masculinidade e arrependimento, também. É preciso ter muito culhão pra entender tudo isso e é preciso de mais ainda pra conseguir expressar isso artisticamente. Hoje em dia, a arte tem muito disso, o eu vem sempre em primeiro lugar, mas poucos artistas se expressam bem ou tem a maturidade para expressar isso. Japandroids esperou mais de uma década pra poder ousar fazer isso, eles seguiram o caminho dos grandes artistas, descobriram seu espaço em “Post-Nothing”, mudaram toda a mobília desse espaço, expandiram-no e o iluminaram em “Celebration Rock” e agora que puderam parar pra descansar, olharam para dentro de si mesmos. É o caminho de todo grande artista.

Não apenas conceitualmente ou liricamente o álbum é diferente de seus antecessores, mas é musicalmente também. “Near to the Wilf Heart of Life” apresenta elementos eletrônicos para reforçarem a atmosfera claustrofóbica em músicas como “I’m sorry (for Not Finding You Sooner” ou “Arco f Bar” e um violão (elemento acústico, olha só) em “True Love And a Free Life Of Free Will”, além é claro da presença de vocais femininos, no entanto ainda é Japandroids e isso é mais uma característica de grandes artistas. Eles conseguiram evoluir e mudar sem se perder no meio do caminho, como acontece com a maioria dos artistas hoje em dia.

Enfim, “Near to the Wilf Heart of Life” é mais um ótimo álbum dentro da fantástica discografia que o Janpandroids está criando e só me deixa ainda mais curioso com o que está por vir.

4 pontos

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Você se importa com o Grammy?

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Estava pensando há tempos em escrever algo sobre o Grammy, mas a procrastinação sempre acaba falando mais alto e eu nem comecei a elaborar o que escrever. Hoje saiu esse vídeo do Alta Fidelidade e eu decidi postá-lo aqui, porque sua opinião coincide em muitos pontos com a minha.

https://www.youtube.com/watch?v=kJZr__E-W8U

O duo que tirou as calças foi o Twenty One Pilots, que é uma enorme vergonha na história da música atual.

Discordo em relação ao Oscar, porque o Oscar também virou apenas mais uma apresentação, ninguém realmente se importa com o Oscar e vai levar só mais alguns anos pra cair no total ostracismo como o Grammy caiu.

E sobre as bandas alternativas, eu tenho a impressão de que essa denominação surgiu para ilustrar as bandas post-post-punk (ou meta-punk, se você quiser chamar assim), ou seja, aquelas bandas influenciadas por bandas pós-punk e que ainda continham elementos do punk no DNA de suas músicas e ninguém sabia como classificar isso direito, mas o problema é que foram surgindo outras classificações para essas bandas que não o alternativo, como o indie, o grunge e o emo. Essa conversa dá outro post, mas o termo hoje virou apenas um nome bonito pra qualquer banda de rock que não toque heavy metal.

Enfim, post diferenciado, mas amanhã sai um normal. Até!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Dica gourmet: cappuccino "3 Corações Classic"

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Cappuccino é bebida de fresco, todos sabemos, mas existe um que conseguiu adentrar o ambiente másculo matinal e se tornou, não essencial, mas um aceitável. Homem que bebe cappuccino não é mais tão fresco quanto antigamente, talvez seja mais introvertido, mas definitivamente, é tão homem quanto qualquer um.

E tudo isso é culpa do cappuccino 3 Corações.

Com uma receita simples, água quente e duas colheres, o cappuccino 3 Corações é econômico e, além disso, muito saboroso. Seu aroma é extremamente expansivo, podendo ser sentido de cômodos à distância, seu sabor é marcante, fazendo você sentir como se suas glândulas paliativas estivessem sendo beijadas por esse produto maravilhoso.

No entanto, para que esse review não fique muito curto, irei dividir minha receita secreta e a causa de problemas cardíacos na minha tenra idade de 20 anos: Uma xícara cheia de leite quente e várias colheres de sopa de cappuccino. Varia a quantidade de colheres de xícara para a xícara, mas, em geral, umas 4, o suficiente para criar uma camada grossa de cappuccino por cima do cappuccino comum. Essa camada irá ficar por cima, concentrando uma grande quantidade de pó semi dissolvido que não irá escorrer para a sua boca logo de cara, ficando para o final, te dando uma sobrecarga de sabor cappuccinesco logo de manhã.

É simplesmente bom demais.

Infelizmente, o preço é bem salgado, mas se você segue a receita à risca, então rende bastante. Agora um viciado exagerado como eu, consome a embalagem de 400 gramas em uma semana, teria um sério problema econômico, não fosse o problema de saúde. Sofro de ansiedade e depois de tanto consumir cappuccino comecei a ter um problemas de aceleração nos batimentos cardíacos e tal e agora só tomo nos finais de semana, notoriamente, nos sábados, assistindo um filminho pela manhã.

4 pontos

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Dica literária: "Elektra Assassina" (1986)

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A dica de hoje é do primeiro clássico da Marvel que eu tive o prazer de ler, isso há muito tempo atrás, “Elektra Assassina”, escrita por Frank Miller e desenhada por Bill Sienkiewicz. Li a primeira vez através de scans e acho até que indiquei num dos meus blogs anteriores a esse, mas não lembrava de muita coisa, lembrava que havia gostado muito, mas era mais pela arte fantástica do Bill do que pela história mesmo. Agora, numa edição belíssima da Panini, pude reler a obra e, com a mente um pouco mais treinada, pude absorver mais conteúdo do que antes e que obra!

“Elektra Assassina” conta uma história fechada da ninja assassina, longe das revistas do Demolidor, aqui, conhecemos um pouco do passado dela, enquanto ela está numa jornada para derrotar um demônio que quer, simplesmente, destruir o mundo todo. Esse demônio elabora um plano que confunde Elektra, fazendo-a matar um presidente sul-americano, um senador, até finalmente a ninja descobrir que o demônio habita o corpo do candidato democrata liberal à presidência dos EUA, Ken Wind.

O enredo da história é fantástico e por ele já dá pra se esperar algo totalmente não convencional. Miller ousa na narrativa apresentando a história através de diferentes pontos de vista, volta no tempo algumas vezes e explora perspectivas variadas, para isso, ele conta com a ajuda mais que essencial de Bill Sienkiewicz, dono de um talento artístico sem igual e aqui, em sua melhor fase, explorando diferentes formas de composição de cenas, diferentes formas de mídia, usando tinta, lápis, canetas, recortes e tudo o mais que ele podia usar e estivesse à sua mão na hora de criar os painéis que ilustram essa fantástica história. Um exemplo de como arte e escrito caminham juntos, lado a lado, nessa história, criando a narrativa, Miller sempre gostou de inserir pedaços de programas de TV em suas histórias, uma forma de demonstrar a alienação dos tempos modernos e também de apresentar a história narrada de diferentes pontos de vista, em TDK, temos telinhas abertas com balões saindo dela, uma forma eficaz porém totalmente convencional de apresentar o recurso. Aqui, o texto ocupa o espaço de quadros e ao lado somos apresentados às imagens que estão sendo apresentadas na tela da televisão, somos inseridos na ação de forma direta, o que reforça a imersão do leitor na história.

Olhando por essa ótica, da imersão, não há quadrinhos melhor para exemplificar isso. Não existem linhas separando os quadros, a arte simplesmente é feita num layout quadrado, há um espaço em branco separando os quadros, mas não linhas, ou seja, não há uma limitação clara e a arte não é muito descritiva, optando por ser mais expressiva, indicando sensações, sentimentos e ações pelas quais as personagens estão passando.

Os narradores também se confundem em muitas passagens e, se não fosse pela arte, seria praticamente impossível de acompanhar o ritmo da obra, que é frenético, mas ao mesmo tempo, ela é muito hermética. Não somos entregues ao que está acontecendo, os personagens não descrevem suas ações e estamos viajando junto com eles, caímos de paraquedas em seu mundo e presenciamos apenas suas conversas, ficando a nosso cargo extrair o sentido de forma indireta, ou seja, é um trabalho que exige muito do leitor.

Se você já viu outras dicas do blog, sabe que esse é o tipo de coisa que eu gosto, um trabalho desafiador, que exige do leitor tanto quanto exigiu dos seus autores, encaro isso como uma forma de compensação, afinal sempre achei meio injusto o cara levar meses pra fazer um livro e nós terminarmos de ler em dias ou semanas. Acho sempre interessante um projeto que exige releituras, apresentando sempre novas facetas cada vez que você o encara novamente, estou ansioso para fazer isso com dois outros livros (que ainda tenho que buscar na casa dos meus pais), mas pude fazer isso com Elektra Assassina e a experiência valeu a pena. É um livro e tanto.

O final parece meio forçado, mas todo o clima fantástico da história e o caminho que ela estava trilhando até o seu desfecho pediu uma eucatástrofe (conceito criado por Tolkien para o desfecho absurdo e feliz que se seguia a uma série de eventos desoladores e claustrofóbicos na narrativa), se é que podemos chamar assim. Ele não é aberto, mas deixa espaço para a especulação do que aconteceu depois, ficando isso, pura e exclusivamente, a cargo do leitor.

A nova edição da Panini está belíssima, não conheço as outras edições dos quadrinhos, que já foi publicado antes por aqui, acho que no formato de revista mensal mesmo, em 6 ou 7 edições e um formato de luxo, mas brochura. Essa edição é capa dura, o desenho da capa não é  o que eu escolheria pra capa, porque não representa o conteúdo ousado e fantástico da história, mas foi bem feito. Não há erros de diagramação, o tratamento está impecável e a qualidade do acabamento parece condizer, de verdade, com um formato de luxo.

Enfim, “Elektra Assassina” não é um quadrinho fácil, é uma leitura difícil, mas se você está acostumado a encarar uma leitura mais exigente e quiser se aventurar pelo mundo dos quadrinhos, essa é uma boa pedida. Não é necessário conhecer a história da personagem, nem ter acompanhado a revista em que ela apareceu antes (Demolidor), sendo uma obra fechada em si.

Recomendo bravamente!

4 pontos e meio

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Dica cinematográfica: "Mind Game" (2004)

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Acabei de assistir esse filme e ainda estou processando todas as informações, mas estou extasiado, então preciso escrever isso.

O post de hoje é sobre o filme de animação “Mind Game” de 2004, baseado no mangá de mesmo nome criado por Robin Nishi. É animado pelo mesmo diretor de “Ping Pong” e “Tatami Galaxy”, Masaaki Yuasa, um dos melhores diretores de animação vivos, sem sombra de dúvida. Pelos outros trabalhos do diretor, já dá pra esperar algo, no mínimo, intrigante.

Mas “intrigante” é muito pouco pra descrever essa obra de arte.

O filme acompanha Nishi, um mangaká de 20 anos de idade de Osaka, que está prestes a se mudar para Tóquio numa noite estranha em que ele encontra, por acaso, uma antiga amiga de infância (e sua paixão de sempre) Myon no metrô. Após isso, os dois decidem ir até o restaurante da família dela para jantar. Conhecemos a irmã de Myon e seu pai, além de dois obscuros homens que parecem pertencer a Yakuza. A partir daí a história segue por caminhos diversos e bizarros, envolvendo reencarnação, perseguição de carros, muitos tiros, uma baleia gigante e um ermitão.

Logo na apresentação do filme (o seu prólogo, talvez) percebemos que esse não será um filme convencional. Acompanhamos uma série de pessoas e acontecimentos, alguns envolvendo os personagens do filme, a maioria apenas imagens que mostram a vivacidade do mundo em que vivemos, lembrando um pouco a abertura do filme de Cowboy Bebop. A animação não é muito convencional, optando por esquemas de cores monocromáticos e o uso de ângulos pouco utilizados, inclusive o uso de primeira pessoa. Ainda nos primeiros minutos de filme, vemos a animação dar espaço para diferentes estilos de animação, 2-D, 3-D, rotoscopia... e se você não gosta disso, então não assista esse filme, pois só piora.

Ao longo da película, as diferentes técnicas de animação passam a ser utilizadas para explorar o estado de espírito de seus personagens, reforçando a subjetividade da história, deixando de conta-la de maneira linear, para dar espaço ao espectador de interpretá-la da forma como quiser. A narrativa é dispersa, mas imersiva, pois a animação (fluída e atraente) chama a sua atenção, mudando os pontos de vista da ação, criando situações bizarras e soluções mais bizarras ainda, indo e voltando no tempo, além de jogar na cara do espectador os elementos subjetivos que os personagens estão passando (ao invés de simplesmente nos apresentar o que eles estão pensando com falas de pensamento, o diretor nos mostra com cenas, o que eles estão pensando e isso, eu acho, muito louvável).

Não é um filme fácil, pois ele não te entrega as respostas na sua cara, no entanto, te satisfaz pois é um “exploitation de arte” (ou um art porn, se você preferir). Ele enche os seus olhos e te deixa extasiado com o que te apresenta. Todos os elementos trabalham em conjunto para isso, da animação impecável e diversa a trilha sonora, tão diversa quanto os elementos de animação utilizados, podendo ser classificada, no máximo (forçando bastante mesmo) como um fusion jazz, mas existem canções que fogem ao sub-gênero.

Sendo tão diferente, com uma história tão instigante e ainda assim envolvente, “Mind Game” é uma pérola dos filmes de animação, uma verdadeira obra de arte!

5 pontos

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Dica cinematográfica: "La La Land" (2016)

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“La La Land” é um filme musical lançado no finalzinho do ano passado e o qual eu assisti no final de semana passado, no único cinema da minha cidade que está exibindo ele... lamentável. O filme, dirigido e escrito por Damien Chazelle, a mesma mente criativa por trás do excelente Whiplash é, na minha humilde opinião, um dos 3 melhores musicais que eu já assisti em minha vida!

O filme conta a história de Sebastian e Mia. Ele, um pianista fã de jazz que vai para Los Angeles a fim de criar um bar onde músicos de jazz possam tocar jazz de verdade. Ela, uma aspirante a atriz, muda-se para Los Angeles a fim de conseguir um papel em algum filme ou série importante, enquanto trabalha num café na Warner Studios durante o dia. Acompanhamos a trajetória dos dois, do momento em que se conhecem até o desenvolvimento e amadurecimento do relacionamento dos dois, enquanto músicos, dançarinos e cantores nos apresentam um musical fantástico e exuberante, além de explorarmos um pouco do mundo do jazz com seus personagens.

É um filme sem igual.

Não sou um grande entendido de musicais e tinha um enorme preconceito com o gênero até os meus 18 anos, quando só tinha assistido “Mary Poppins”, “High School Musical” e “O fantasma da Opera”, então assisti a “Cantando na Chuva” e desde então mantenho meus olhos e ouvidos atentos a qualquer filme do gênero. A maioria são grandes porcarias, principalmente porque recebemos mais filmes hollywoodianos, que só sabem fazer grandes dramalhões como “Os miseráveis” e “Quem quer ser um milionário” e eu, confesso, nunca assisti um musical de Bollywood (sim, eu sei, estou devendo). De vez em quando, aparece uma pérola como “Tokyo Tribe”, mas o que me faz considerar um musical bom são 3 coisas. A primeira é o distanciamento da realidade, o musical é um gênero teatral e como tal, não deve ser muito crível. Nas telonas, ele deve servir como uma forma de quebrar as barreiras entre filme e teatro ou realidade (do filme) e fantasia, por isso é muito importante os elementos fantásticos. A segunda são as músicas boas, não tem como um musical me agradar se tocar música sertaneja universitária nele e a terceira coisa é a história, não adianta ser um filme super bem trabalhado se a história for um dramalhão chato, irritante e/ou meloso pra caramba. Mesmo nas competições cinematográficas, o gênero divide espaço com a comédia. Deve ser bem-humorado, no mínimo.

E “La La Land” contém os 3 elementos. Pra começar, a ambientação é fantástica, há muitas luzes de neon, as sequências são longas e a câmera se movimenta livremente. As roupas dos personagens são exuberantes, é um filme colorido, mas tudo é bem equilibrado, nada irrita os seus olhos, não é um filme alegre demais, acontece que há um equilíbrio fantástico no uso das cores nesse filme. Pense num filme do Wes Anderson, onde todos os elementos trabalham em conjunto, mesmo os detalhes, tudo contribui para que o filme nos transmita uma sensação agradável. Além disso, a edição é incrível, a iluminação é tão importante para a narrativa quanto os diálogos, a música e os personagens. E todo esse perfeccionismo te afasta da realidade em que os personagens estão inseridos, visualmente falando. Os momentos musicais surgem na obra como elementos subjetivos, não é parte da realidade em que os personagens estão, mas é algo que situa-se fora dessa realidade e isso fica subentendido no filme, através dos elementos visuais, na forma como a narrativa é guiada e mesmo nos elementos musicais (ninguém canta à toa nessa filme).

Além disso, a história é legal, ganhando tons meio negativos lá pro final, mas são, na verdade, realistas. É incrível como um filme com elementos tão fantástico e que explicitamente te entrega que são elementos fantásticos, fora da realidade em que os personagens estão inseridos, ele acabe te entregando uma história puramente realista, com uma moral implícita tão bela.

E pra terminar, é um filme bem humorado. Atente-se: ele não é engraçado (como “Cantando na Chuva”), mas você vai rir em muito momentos, porque é assim que o filme é, bem humorado!

Damien Chazelle é um fã de jazz e tem algumas opiniões bem fortes sobre o gênero e esse filme serve, mais ainda do que Whiplash, como uma válvula de escape para ele expor o que pensa. E ele pensa demais e tem muito a dizer e é muito interessante o que o filme nos ensina sobre o gênero, principalmente em relação ao “revival” que o jazz tem sofrido nos últimos anos.

Agora quanto aos atores, eu sempre me pergunto se eles cantam de verdade e se realmente levam jeito pra coisa e muitos filmes colocam rostos bonitos lá na frente e algum cantor talentoso no fundo, mas parece que nesse filme os atores realmente cantam. Não sei quanto a Emma Stone, mas Ryan Gosling canta de verdade (de fato, quase sussurra) e mostra que ainda tem jeito pra coisa (pouca gente lembra, mas em 2009 ele lançou um projeto musical com um amigo chamado Dead Man’s Bones), surpreendendo a audiência.

Quanto às canções, ela é um show à parte, passeando e honrando diversos gêneros de jazz, então, pra quem gosta, vai ser um deleite.

Enfim, já falei demais do filme, elogiei pra caramba, mas tenho que falar os seus defeitos (são poucos e quase imperceptíveis): A duração e a falta de comédia. O filme é, de fato, muito longo, são mais de 2 horas e isso acaba cansando na sala de cinema e, apesar dele ser bem humorado, como eu disse, não é um filme engraçado e nos momentos mais dramáticos, essa falta de comédia acaba fazendo falta, pois as partes dramáticas cansam bastante.

Esses defeitos não diminuem o valor do filme, que é fantástico e faço minhas as palavras de algum crítico qualquer que tem a opinião exposta num dos cartazes do filme: “Não se fazem mais filmes como esse” e não se fazem mesmo.

4 pontos

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Dica cinematográfica: "Everybody Wants Some!!!" (2013)

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Mais um filme do Richard Linklater lançado ano passado para noooooooooossa alegria AIN FELIPE, SÓ VOCÊ LEMBRA DESSAS MERDAS DESSES MEMES ANTIGOS, VAI SE FUDÊ e dessa vez, de acordo com o próprio diretor, a continuação espiritual de “Jovens, Loucos e Rebeldes”.

Na filme, acompanhamos Jake há 3 dias de começar as aulas da faculdade, se mudando para a república do time de beisebol da universidade. O menino, mais quieto e sensível que seus colegas de time (e república) passa um final de semana festejando, pegando muitas mulheres, zoando e bebendo pra caralho, enquanto nos oferece uma visão imparcial e amistosa dos outros jogadores do time e, por consequência, do sistema em que eles estão inseridos.

Se você, assim como eu, é fã de “Jovens, Loucos e Rebeldes”, vale o adendo: este não é um “Jovens, Loucos e Rebeldes”, nem tem como ser. Apesar da história se passar nos anos 80, ele sofre todas as implicações que qualquer filme sofre nos dias atuais, assim como “Jovens, Loucos e Rebeldes” também sofreu quando saiu, apesar de se passar numa época mais antiga. Aviso dado, vamos à resenha/crítica.

O filme nos apresente um time de beisebol e com ele todas as implicações já esperadas pelo espectador comum. Já é esperado um time cheio de burros, machistas e preconceituosos. No entanto, este é um filme do R. Linklater e ele irá te surpreender e te mostrar o quanto essa visão dos esportistas, apesar de não mentirosa, é limitada pra caramba. Eles não são só burros, machistas e preconceituosos, mas o são por reconhecerem o sistema em que estão inseridos e decidirem aproveitar o máximo que podem disso. Eles leem livros, escutam boa música, assistem bons filmes e colecionam boas séries, mas compreendem que nada disso irá lhes dar felicidade plena, então mantém isso na sua vida privada e acabam deixando transparecer o seu lado babaca, para poder ficar acima dos mais fracos e pegar todas as mulheres. Inclusive todas as mulheres, é todas mesmo, usando todo o conhecimento de mundo que eles têm pra pegar as mais difíceis.

Ser babaca é praticamente uma escolha consciente e não há problema nenhum isso. Eles não estão machucando ninguém, não estão causando prejuízo financeiro, nem físico (agora se você quiser discutir o lado emocional, esteja avisado que isso é problema seu e só seu, já diz o novo ditado, se você se sentiu ofendido o problema é inteiramente seu) aos seus semelhantes.

Além dessa questão o filme levanta outras, de forma igualmente inconspícua, por exemplo: como manter-se fiel a quem você é na faculdade e não perder sua identidade? Como não virar um joguete nas mãos dos professores, colegas e palestrantes? É algo que todo mundo passa e continua sendo extremamente atual, principalmente no nosso país, na situação em que se encontra, reforçando a importância do grupo, de fechar-se para si, mas reconhecer aqueles em quem confiar e, ao identifica-los, mantê-los próximos, pois serão aqueles que você mais vai precisar.

Temos ainda a questão do esforço, o esforço de uma maneira geral, aquelas atividades que fazemos no dia-a-dia pra poder sobreviver e, enfim, a questão da competição, perpetuada em todo o filme e posta em cheque de forma objetiva e literal em um ou dois momentos da obra.

Tudo isso é abordado de forma subjetiva e fica a critério do espectador compreendê-la ou não. Com exceção da questão do esforço, jogada de forma clara, óbvia e bem clichê no final do filme, diminuindo um pouco o peso filosófico do filme.

Aliás, o peso filosófico deste filme é bem menor do que “Jovens, Loucos e Rebeldes”. Os diálogos muitas vezes não levam a lugar algum e mesmo as soluções para as questões são tão rápidas que não sentimos seu peso. Também não as vemos em prática. Mas, mesmo isso, tem sua importância, pois ao contrário de “Jovens, Loucos e Rebeldes”, aqui não são apresentadas apenas questões, mas soluções também, afinal, eles estão na faculdade, é a época de descobrir as respostas para aquilo que te deixava acordado de noite quando você era um adolescente. E essa intenção é muito legal!

Voltando aos diálogos, apesar de muitos não levarem a lugar algum, a maioria são engraçados! E essa é a maior surpresa do filme, este é um filme engraçado de verdade. Eu o assisti com um sorriso do início ao fim e me diverti muito, não só com os diálogos, mas as ações dos personagens também. É debochado, o filme simplesmente não se leva a série e não fica pastelão (como um episódio d’A Praça é Nossa), nem forçado (como um filme da Marvel), é natural e é leve. As transições são leves e o filme, que tem quase 2 horas de duração, passa como se tivesse 1 hora e 20.

Vale destacar ainda a trilha sonora, regrada a rock n’ roll oitentista, rapp de vanguarda e muita música disco. E claro, os visuais; o filme usou muitas locações de “Jovens, Loucos e Rebeldes”, então dá uma nostalgia gostosa em muitos pontos da película.

Cheio de altos e baixos, “Jovens, Loucos e Mais Rebeldes” é mais um daqueles filmes que você sabe que não é perfeito, mas gosta dele como se fosse perfeito, releva os defeitos e assiste várias e várias vezes, cada vez descobrindo novos detalhes, rindo mais e com um sorriso ainda maior. É um daqueles filmes que te deixa com vontade de sair de casa para viver.

4 pontos e meio

 

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Diga gourmet: Suco Aurora

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Novo ano, vida nova, decidi honrar o nome do meu blog e virar um legítimo Sommelier de Tudo, seguindo a minha regra de só trazer pro blog coisas boas, coisas que eu gosto, aprovo e recomendo, e nada melhor do que começar essa nova fase do blog com um post non-sense sobre algo que eu amo muito: o suco de uva Aurora!

Aurora é o nome de uma vinícola fundada em 1931 por imigrantes italianos vindos do norte de Itália AIN, ESSA TERRA DE RIQUINHOS! e estabelecida, hoje, em Bento Gonçalves – RS só viado!, contando com um catálogo imenso de produtos derivados da uva, mas hoje, aqui, eu falarei do produto que eu mais consumo deles: o suco de uva tinto integral.

De acordo com a embalagem esse produto não contém a adição de água, açúcar ou corantes e pede para que seja consumido em até 7 dias após aberto, mas você o consumirá em muito menos tempo, por que ele é muito gostoso. Sou forçado a acreditar no que a embalagem promete, porque não sobram resíduos na embalagem, nem no copo, quando você termina de tomar. Sabe aquele pó que sobra quando você termina um suco de caixinha? Pois é, não sobra aqui.

Além disso, o aroma é viciante, bem da fruta mesmo e lembra muito o aroma de vinho tinto, enganando os desavisados menos treinados, que podem se surpreender quando tomarem o suco e não sentirem a garganta queimar. Por se tratar de um produto integral, ele é mais encorpado, ou seja, te satisfaz mais rápido e em menor quantidade, então com um copo, você já se sente satisfeito e reidratado.

Pesquisei e não achei nenhum produto Aurora sendo vendido em embalagens de plástico, o que é uma escolha muito feliz da parte deles, já que a embalagem de vidro demora anos para entrar em contato com o produto, mostrando que a empresa tem um cuidado em manter seu produto puro para o consumidor e nós agradecemos. Fora isso, há a história de que embalagens de vidro esfriam o conteúdo mais rápido, o que é ótimo para quem mora num lugar quente pra caramba, de qualquer forma, a embalagem mais comum que eu encontro aqui onde moro é a de 1,5L, ótima para guardar água depois AIN, QUE POBRE!.

Enfim, este é um suco gostoso, natural, puro, saudável e de sabor marcante, com um aroma agradável, portanto beba Aurora!

5 pontos

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Melhores de 2016!

Desde que entrei na faculdade esse blog entrou na UTI e tem perdido um pouco mais da sua suave vida a cada dia que se passa. Aprendi um monte de coisa inútil na faculdade, renovei meu interesse por literatura, fiz amigos, perdi amigos, me apaixonei, me decepcionei, aprendi a beber cerveja, fiz muitos churrascos, visitei mais hospitais nos últimos meses do que em toda a minha vida até então, comprei livros, joguei muito dinheiro fora, aprendi a ficar sozinho, ri e chorei, esse ano tem sido uma merda. Mas não é uma merda perdida e por isso que nesse final de ano resolvi reviver esse blog, aplicar uma última dose de adrenalina antes de sua alma alcançar a luz e se desfazer no limbo dos blogs impopulares, com um post de melhores do ano, um pouco antes desse ano acabar.

É com certa obviedade que começo pelos melhores CD’s lançados esse ano, porque música é a única arte que eu realmente acompanho praticamente em tempo real, pois anoto no celular os lançamentos e assim que chega o dia já baixo e procuro ouvir. Logo no começo do ano, tivemos a triste notícia da morte do David Bowie, pouco depois do lançamento de seu último álbum, que é bom, mas não considero essencial. Apesar disso, acho que com a morte do D. Bowie a força que mantinha o universo unido foi partida em pedaços e o mundo virou o que virou, estou errado?

Mas o ano começou bem, apesar disso, com o ótimo Promise Everything do Basement, um hardcore melódico de primeira, de muita qualidade, vindo direto da terra da rainha para agraciar os ouvidos de todos os millenials que um dia já foram emos e que só querem um ombro pra chorar.

Depois veio Post-Pop Depression, o décimo sétimo álbum do Iggy Pop, reunindo os monstros Josh Homme, Dean Fertita e Matt Helders sob o mesmo estúdio para criarem um rock de peso, o que nutriria a falta de um CD do Arctic Monkeys, não fosse o fato de, um tempo depois, sair Everything You’ve Come To Expect do The Last Shadow Puppets, com suas letras inteligentes, sua atmosfera conceitual, criando um universo rico e próprio da dupla Turner-Kan, injustamente não aparecendo nas listas de melhores do ano.

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Então começou a temporada de verão lá hemisfério norte e, com ele, uma porrada de álbuns, a maioria dispensáveis, mas alguns muito bons, como o 99,9% do Kaytranada, o On My One do Jake Bugg, que nunca decepciona, a parte final da trilogia de álbuns experimentais com uma temática confessial do Swans: The Glowing Man. A mixtape Loose Grip do Jamie Isaac também merece um destaque especial, pois mostra que os meninos do sul de Londres ainda tem muitas cartas pra jogar nessa mesa da indústria fonográfica, derrubando paredes entre os gêneros e criando algo novo.

Mas antes mesmo do meu aniversário, veio algo que merece muito destaque, que é o excelente álbum de blues suburbano do Modern Baseball, Holly Ghost, cheio de letras fortes, muito confessionais, aquelas guitarras arrasadoras, dando um ritmo revitalizante à música, ótimo pra se escutar depois de uma tarde chuvosa, é um CD que continua revisitando, porque é muito bom. Felizmente aparecendo nas listas de melhores álbuns do ano, merecidamente, aliás.

2

Julho teve IV do BadBadNotGood e em agosto, Frank Ocean nos agradeceu, finalmente, não com uma, mas duas obras primas, Endless e Blonde, dois dos melhores álbuns do ano, sem sombra de dúvida, humilhando todos os (as) artistas pop que ousaram lançar um álbum pop esse ano. Desde o lançamento desses dois tesouros, o ano na música pop se dividiu em A.F.O (Antes de Frank Ocean) e D.F.O. (Depois de Frank Ocean), porque ele superou todos os álbuns que precederam seu lançamento e nenhum outro que veio depois pôde chegar aos seus pés.

3

E quando o verão lá no norte acabou, o período de música boa apareceu de verdade, revelando, aqui no Brasil, talentos como o BRVNKS, que lançou seu primeiro EP Lanches, projeto de uma menina goiana muito gata, o retorno do Não ao Futebol Moderno com Vida que Segue e a quase conclusão do História do Brasil de Vitor Brauer, que concluí ano que vem, mas o grande destaque é mesmo Touché Amoré, com o melhor álbum do ano, Stage Four, um clássico moderno fantástico, pesado, agressivo, emotivo, forte e devastador. É um daqueles CD’s que te fazem uma pessoa melhor a cada vez que se escuta.

4

Balance and Composure lançou seu álbum mais diferente e distante do hardcore, Light We Made, mas não decepcionou e o LP2 de American Football também foi bem recebido à coleção de CD’s principais desse ano. Cody de Joyce Manor é o álbum de pop punk do ano, enquanto Babes Never Die do Honeyblood é o melhor álbum feito por mulheres de 2016.

Sonho de Cachorro do Fábio de Carvalho e Move Thru Me do Turnstile são curtos, porém excelentes pedidas, o primeiro por apresentar uma nova faceta a um artista extremamente criativo e o segundo por ser o melhor álbum de música pesada que 2016 viu. E antes do ano acabar ainda deu tempo do Monster Rally voltar e nos agraciar com outra pérola exótica, Mystery Cove LP, imagina um filme onde casais numa ilha paradisíaca encontram o calor, a amizade, a tequila, uma tribo canibal, um torneio de surfe e o amor.

5

O post já ficou gigante, então vou acelerar o resto e ser bem breve. Como sempre, os cinemas brasileiros só exibem porcarias de blockbuster e os melhores filmes de 2016 eu só vou assistir ano que vem ou no próximo, mas consegui assistir ótimos filmes esse ano, como Ave, César, que é uma aposta certeira para um dos melhores filmes do ano. Infelizmente ainda não assisti A chegada e Jovens, Loucos e Mais Rebeldes, mas devem ser bons também. Kung Fu Panda 3 e Zootopia são ótimos, mas o melhor filmes de animação do ano é The Red Turtle, sem sombra de dúvida.

6

Não consigo acompanhar os lançamentos de livro de forma tão assídua que saiba quais são os lançamentos de 2016, fora que tenho que ler um monte de porcaria pra faculdade,  mas existem dois excelentes livros que li esse ano que todo mundo deveria ler, House of Leaves, tem até post aqui no blog e Breves Entrevistas com Homens Hediondos é leitura obrigatória pra quem quer adrentar o mundo narrativo de DFW.

Superman-American Alien é um tapa na cara do Z. Snyder, esse diretor visionário e Atari Force não é de 2016, mas todo mundo tem que ler, porque é excelente.

9

Virei uma negação nos mangás esse ano e o ano nos animes tá uma poha! foi fraco, mas tivemos boas produções no começo do ano, como Boku Dake Ga Innai Machi  e Boku no Hero Academia, apesar do melhor anime do ano, na minha opinião, ter sido o Tonkatsu DJ Agetarou, que também apresenta uma trilha sonora magistral.

10

E assim eu termino esse post, até ano que vem, ou não, vai que eu não escrevo mais nada...

Adeus!

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Dica literária: "Brothers of Japan" de Taiyo Matsumoto (1994)

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Vinha adiando a leitura desse mangá há anos. Sendo fã do Taiyo Matsumoto não poderia deixar de lê-lo e é um mangá até que bem conhecido do autor, apesar de nunca ter sido publicado em inglês. Sua importância reside no fato dele ser uma compilação de one-shots.

As primeiras três histórias até parecem se conectar por que seus personagens aparecem nas histórias uns dos outros, mas as outras 6 histórias são "soltas", sem relação alguma. Os temas são diversos, desde um garoto apaixonado pela sua bicicleta até uma história sci fi sobre dois irmãos gêmeos (os irmãos do Japão) que cavam um buraco no quintal e vão até o outro lado do mundo.

São típicas histórias Taiyo Matsumoto, com personagens estranhos, os quais nunca deixam claro suas intenções, sendo sempre uma grande surpresa suas ações e uma pegada poética para abordar temas diversos, como morte, família, traição, desapontamento e até sexo, vejam só (explorado numa história que eu não consigo descrever melhor do que um "poema ilustrado").

É uma leitura fácil, dinâmica e simples, não tem muitos diálogos e conta com o traço típico do Taiyo Matsumoto, meio rabuscado, como se fosse rascunho, misturando o estilo ocidental com o oriental. Eu, que sou lento pra caramba pra ler, li em uns 30-40 minutos o volume todo com mais de 200 páginas.

Enfim, recomendado.

4 pontos e meio

sábado, 18 de junho de 2016

Dica literária: "3"" de Marc-Antoine Mathieu (2013)

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"3"" (leia "3 segundos") é uma HQ experimental de Marc-Antoine Mathieu, de acordo com seu site, um premiado artistas de hq's.

Nesse livrinho simpático de apenas 72 páginas, nós entramos numa partícula de luz, acompanhando o seu trajeto por 3 segundos, tempo suficiente para ela viajar 900.000 quilômetros, sendo refletida por olhos, espelhos, ferro, ouro, atravessando lupas, indo e voltando do espaço e enquanto isso nós temos a missão de decifrar um mistério que envolve um atentado, um escândalo político e esportivo, um acidente e uma exposição de arte.

É um trabalho simplesmente fantástico que surpreende não só pela sua premissa, mas pela sua execução, principalmente. Além da arte de Mathieu ser muito boa, ficando no meio termo entre o realista e o cartunesco, mas pelo alto grau de elaboração que fica claro que ele teve ao desenvolver essa obra prima.

No começo da obra, no que pode ser chamado de "prefácio", o autor nos dá as pistas necessárias para que possamos solucionar todo o mistério e apesar de se tornar até cansativo, nós realmente conseguimos resolver o mistério e achar sentido nessa exploração conceitual de temas típicos de um filme noir.

Por falar em noir, é uma HQ toda em preto e branco.

Ou seja, leia!!!

5 pontos

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Dica musical: "The Dream is Over" do PUP (2016)

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PUP é uma canadense de punk rock formada em 2013 e esse é o seu segundo álbum.

Conta a lenda, e talvez seja história, que o vocalista recebeu a triste notícia de seu médico que suas cordas vocais estavam ferradas depois de uma turnê e ele não poderia mais tocar. Como todo punk que se preve, ele simplesmente deu um chute na bunda do médico e começou a gravar o segundo álbum e é por isso que a primeira música (e primeiro single do álbum) chama-se "If this tour doesn't kill you, I will" e diversas outras letras do álbum tratam dessa espécie de crise existencial em que um vocalista de uma banda de punk que só sabe gritar, enquanto mal toca guitarra nos shows descobre que não há futuro para ele no mundo da música, que ele nunca será um Mike Patton da vida e o sonho acabou.

Esse tipo de perspectiva é debatida de diversas formas, mas sempre com um tipo de aceitação no final, como se o destino fosse inevitável e a única a se fazer é continuar vivendo, seguindo em frente com o que você tem disponível. É uma boa filosofia de vida e eu acredito nela, de certa forma.

Sonoramente, é um álbum punk rock puro. O som é velho, defasado, chame do que quiser, mas é bom. Enérgico, rápido, oras pesados, oras mais melódico, mas sempre jogando aquela boa quantidade de adrenalina no seu sangue através das ondas sonoras que ecoam pela sua cabeça muitas horas depois do álbum ter acabado de tocar.

"The Dream is Over" é um tudo o que um ótimo álbum de rock precisa ser; rápido, direto ao ponto, energético e de uma banda canadense, como o Japandroids um dia foi. Enfim, escute.

4 pontos

terça-feira, 31 de maio de 2016

Dica literária: "Hiroko at After School" (2009)

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Essa é a indicação literária na qual eu fiquei em maior dúvida quanto a postar aqui ou não, por motivos que serão abordados mais pra frente.

Hiroko at After School abordo alguns dias na vida de Hiroko, uma estudante colegial num mundo distópico onde a violência impera e a balbúrdia é passatempo. Todos os dias, depois das aulas, as alunas participam de atividades em clubes que pouco tem a ver com a realidade atual. Ela monta flores para poder vender e assim angariar dinheiro para a escola poder comprar mais armas. Um dia, ela acaba sendo selecionada para o clube de segurança e junto com outras meninas, invadem um covil de mafiosos.

Essa história, como podem notar, é bem maluca e aborda diversos temas, pra começar se trata de um mundo distópico, onde a violência se tornou tão banal que as estudantes colegiais vão pra escola armadas e participam de clubes que, de uma maneira ou de outra, se relacionam com a militarização da escola. Hiroko é uma menina que tem uma paixão secreta pela presidente do conselho estudantil, chegando a se imaginar fazendo sexo com ela. A presidente do clube de segurança veio de uma região pobre da cidade e, de acordo com Hiroko, é por isso que é tão cínica e consegue fazer o seu "trabalho" tão bem.

São uma porrada de temas que poderiam gerar uma discussão filosófica, social e política, mas que não são aprofundados e o mangá não passa de um exploitation de colegiais, lésbicas e violência gratuita. Um exemplo de pós-modernismo, do seu roteiro a sua arte rabiscada, suja, mas bonita. O one-shot não tem profundidade nenhuma, mas funciona para um contexto, puro e simples entretenimento e nada mais.

Enfim, "Hiroko at After School" não tem quase ou nenhum valor, mas eu gostei do que li, achei interessante e gostaria que o autor fizesse uma série, talvez até ganhasse valor, mas seu potencial ficou perdido na mídia a qual ela pertence, um one-shot ordinário.

3 pontos e meio

domingo, 22 de maio de 2016

Dica musical: "Things Will Matter" de Lonely The Brave (2016)

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Lonely The Brave é uma banda de rock alternativo do Reino Unido, com uma sonoridade bem única e específica, que só pode ser definida como "música para estádios". Esse ano, eles lançaram este ótimo álbum e não se engane pela arte hipster, ele vale muito a pena.

O "música para estádios" que cabe bem neles, sendo utilizado desde os anos 80 para músicos como Bruce Springteen e Foo Fighter, por exemplo, descrevendo aquele som potente, alto e imponente, claro e focado, enfim, um rock para massas, mas sem se apegar a elementos pop's demais. E esse é bem o caso de Lonely The Brave. Em "Things Will Matter" ouvimos um som potente e imponente, com guitarras distorcidas, porém claras, geralmente num ritmo não muito acelerado, porém não lento, com um vocalista muito bom, transmitindo uma energia muito forte para as canções.

O álbum é muito bem construído, tem canções mais melancólicas e canções mais pesadas, feito para agradar a todos os gostos e embora isso possa se mostrar um empecilho no futuro, atualmente funciona muito bem. Mais de uma canção, nota-se a influência de Kings of Leon (em sua fase mais expansiva, entre o terceiro e o quarto CD), seja nos vocais ou na melodia das canções, mas não fica por aí, há mais influências, que variam de bandas clássicas até outros gêneros musicais, como as trilhas sonoras de Ennio Moricone.

As letras também são boas, mas são meio gerais, não chegam a contar uma história, nem chegam a ser muito pessoais, o que deixa elas meio genéricas, não que isso prejudique o álbum como um todo, que contém melodias tão boas que chegam até a arrepiar.

Enfim, "Things will matter" é um ótimo álbum, com canções expansivas e imponentes, cobrindo uma lacuna que este ano ainda não foi preenchida por nenhuma das bandas mais famosas.

4 pontos

sábado, 21 de maio de 2016

Dica musical: "Teens of Denial" do Car Seat Headrest (2016)

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Car Seat Headrest é uma banda de pós-punk que pega elementos de gêneros bem óbvios como o emo e o indie-rock para criar um som bem ordinário.

Mas nesse CD "Teens of Denial" a banda conseguiu dar uma inovada no som deles, crédito da produção do álbum, que está muito boa. É notável isso nas músicas "Vincent" e "1937 State Park", onde as guitarras melancólicas e a letra deprimente das canções abre espaço para pianos ou trompetes, muito bem executados, dando uma explosão de energia às canções. Algo que a banda ainda não tinha explorado até então.

Apesar de ser uma banda formada na mesma época que um monte de outras bandas do norte dos EUA, com influências no grunge, no hardcore e no puk, insatisfeitos com o destino da música indie, que se tornou banal ao extremo nos últimos anos, eles acabam tendo aquele som bem característico, um som explosivo e energético, mas melodioso e harmonioso, ao mesmo tempo. No entanto, em "Teens of Denial", eles abandonam um pouco essa vertente mais "suja" para adotar um som marcado por guitarras mais suaves, tendo uma pegada mais indie mesmo, lembrando às origens do gênero com bandas como Bloc Party, The Strokes e Franz Ferdinand.

Uma das coisas que mais me incomoda e continua me incomodando na banda é o vocalista. Sua voz é, simplesmente, muito chata para as canções da banda, ele muitas vezes não acompanha o ritmo das canções e sua voz é pesada, lenta, desanimada, passando uma sensação horrorosa de morosidade.

Já li que esse contraste entre o vocal e o instrumental é um dos pontos positivos da banda, mas eu não me convenci, continuando achando ruim mesmo.

As letras são pesadas e algumas são bem deprimentes, são muito pessoais, mas contém uma suave dose de ironia para aliviar a atmosfera que se forma em torno delas, facilitando a identificação do ouvinte. Eu, particularmente, acabei ficando com uma sensação meio agridoce quando ouvi o disco, por que gostei e ao mesmo tempo não gostei das letras. Há momentos em que eu acho que já superei meus momentos deprimidos, que isso já é passado e hoje minha vida é só alegria, mas álbuns como esse me fazem lembrar que não, eu ainda me sinto triste e perdido, nem tanto a maior parte do tempo, mas por uma parte boa.

E se tem algo de bom nesse álbum, no som que esses caras criam, é que coisas assim te fazem aceitar essas inevitabilidades da vida, nem tudo são flores, nem tudo são tempestades, a maior parte do tempo vivemos num limbo emocional, onde não sentimos nada de destaque, nada de especial e isso é normal. Além disso, há beleza em tudo, inclusive na melancolia.

3 pontos e meio

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Dica musical: "Tired of Tomorrow" de Nothing (2016)

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Nothing é uma banda de rock, da Filadélfia e como 90% das excelentes bandas de lá, eles têm uma pegada mais voltada ao post-hardcore, com influências do emo, do punk e do pop-punk, enfim... aquele som lá.

"Tired of Tomorrow" é o mais novo álbum dos caras que iniciaram a banda em 2011, ou seja, são novinhos ainda. Como o próprio nome do álbum já diz, eles estão cansados do amanhã e suas músicas, com letras introspectivas e meio deprimentes, com melodias ais letárgicas, acordes leves, um vocal cansado e agudo fazem questão de provar sua canseira.

Mas o álbum não é de todo ruim e vale a pena escutar, nem que seja só uma vez, de preferência naquela tarde chuvosa e fria, depois do seu time ter saído da Libertadores ou daquela garota bonita da escola ter te dado um pé na bunda.

Há influências bem claras, como o Deftones, o próprio Title Fight e sua pegada mais shoegaze de "Hyperview" e outras bandas mais famosas, porém mais estereotipadas e que não vale a pena comentar aqui, mesclando seu som mais letárgico e sentimental com uma pegada mais violenta e pesada.

Enfim, "Tired of Tomorrow" não é nenhuma obra-prima, mas é um álbum gostoso, que pode se encaixar perfeitamente em alguns momentos muito específicos da sua vida. Vale a pena escutar várias vezes "Vertigo Flowers" e "ACD".

3 pontos

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Dica musical: "99.9%" do Kaytranada (2016)

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Kaytranada é um beatmaker canadense e este é o seu primeiro álbum de estúdio.

Conheci o cara através da primeira música que ele liberou, chamada Bus Ride, uma música recheada de instrumentais, com uma pegada meio onírica, variando o ritmo e puxando muito para o jazz, do jeito que eu gosto.

No entanto, o álbum inteiro acaba decepcionando por um fator muito simples e que, me parece, que quase ninguém entende (ou fala sobre isso), que são as participações especiais. As batidas, os instrumentais, são muito bons, mas as participações especiais, em especial os vocais, que, para mim, apenas atrapalham as batidas que o Kaytranada cria.

Enfim, o álbum de estreia de Kaytranada é 99% podre, mas aquele 1%...

3 pontos

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Dica cinematográfica: "Capeitão Iracema: Treta Civil"

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Depois de Batman vs. Superman: A origem do fiasco, alguns ficaram ainda mais animados para Treta Civil e outros simplesmente não se importavam mais, como eu. Mas o filme surpreende, de várias maneiras.

A sinopse é aquela lá da HQ mesmo, com algumas adaptações. Após todas as destruições que os Vingadores causaram no mundo, mais de 150 países ao redor do mundo assinam o Tratado de Sekóvia, que estipula leis que os heróis devem seguir, se submetendo às vontades de um setor novo especial na ONU. O Capeitão fica contra, o Homem de ferro a favor e no dia em que todos os heróis iriam se reunir para discutir o tratado numa cidade europeia que eu esqueci qual é, uma bomba explode no local, matando um monte de civis e políticos importantes, entre eles o rei de Wakanda, país da África e principal argumentador a favor do Tratado de Sekóvia. O culpado, pensa-se ser, a princípio, Bucky Barnes, o Soldado Invernal e é aí que temos a primeira agradável surpresa; pois o Capeitão deixa de lado sua discussão política com Tony Stark para correr atrás do amigo de longa data e salvá-lo de seu tormento mental, iniciando assim a Treta Civil.

Como dá pra notar é um filme bem complexo, com vários ramos que vão criando mais ramos ao longo do filme, mas, ao final, consegue fechar tudo, te decepcionando um pouco a princípio, mas logo te animando no finalzinho, só pra te decepcionar de novo na cena pós-crédito (se você for fã do Bucky, claro e não se importar muito com o Pantera Negra).

O filme, como era de se esperar, é cheio de altos e baixos, a Viúva Negra continua sendo uma personagem completamente inútil para a narrativa do filme, servindo só como meio de fanservice mesmo, pois sua personalidade nunca é desenvolvida de verdade. As piadas fora de hora continuam ali, invadindo as cenas, quebrando toda a construção da tensão que as cenas mais épicas causam. Além disso, a "guerra civil" pode ser uma batalha muito intensa e bem feita, mas foi confirmada que não se trata de uma "treta civil" mesmo. Também conseguiram, assim como nos quadrinhos, tirar uns personagens que iriam desequilibrar pra caramba a batalha, no caso o Thor e o Hulk, mas o Visão, que é o Ajax da Marvel continua lá, todo fodão e a Feiticeira Escarlate também, gerando vários momentos deus ex-machina que ninguém fala, claro, por que o filme é perfeito. O vilão, uma versão genérica do Barão Zemo é um tremendo emo mesmo e eu acho um crime chamar um ator tão bom quanto o Daniel Brühl pra fazer aquele papelzinho meia boca. A aparição do Homem-Aranha, o melhor super-herói de todos, ficou muito legal, mas é um pouco além de exagero dizer que esse Aranha é melhor que o Aranha do Tobey Maguire com o Sam Reimi na direção (Homem-Aranha 2 ainda é o melhor filme de super-heróis que existe, com certeza), mas vamos ver seus próximos filmes solo, já começou errado com uma Tia May que não tem cabelo branco, mas quem sabe os roteiristas consigam suprir esse erro grave com uma boa história, aliado a uma direção no mínimo competente. Ainda tem os diálogos clichês e chatolinos, mas isso não convém comentar profundamente.

Mas as coisas boas se sobressaem neste filme (ao contrário de BvS) e se você não procurar com atenção, acaba achando "Treta Civil" um filme perfeito mesmo, se você tiver menos de 14 anos vai achar ele perfeito não importe quantas vezes o assista. As cenas de ação são muito boas, as chaves de b*ceta que a Viúva Negra dá em todo mundo são as únicas boas que fazem a personagem boa, a treta civil é muito bem trabalhada, sendo caótica e passando um sentimento de exaustão legítimo a quem assiste, não só pelo fato de ser longa, mas pelo fato de acabar com os personagens mesmo, você sente o cansaço deles na pele, tudo isso, por que é tudo muito bem dirigido. Créditos aos irmãos diretores mesmo, que ainda deram uma estilizada legal no filme, as letras gigantes indicando a localização das cenas remete aos filmes de espião mesmo, por sua vez, criando uma espécie de estilo cinematográfico que o filme do Capeitão deve seguir.

Enfim, "Treta Civil" é mais um filminho da Marvel, um filme que se destaca no meio dos outros, conseguindo ser, assim como "Homem de Ferro", "Soldado Invernal" e "Guardiões da Galáxia" um filme acima de medíocre, impressionando em alguns momentos, podendo ser colocado ao lado de filmes de ação bons mesmo. Nunca será um clássico além do seu sub-gênero (filmes de super-heróis), mas vale a pena assistir pra passar o tempo, isso se você tiver paciência pra acompanhar esse Universo Cinematográfico por completo e tiver um certo conhecimento prévio do mundo das hq's Marvel.

O duro só vai ser continuar aguentando os Marvetes e seus eternos "CHUPA DC"'s.

3 pontos e meio

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Dica musical: "Nonagon Infinity" de King Gizzard & The Wizard Lizard

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Não conhecia essa banda de Melbourne, confesso, mas acabei conhecendo o álbum deles por causa de um review do Anthony Fantano e decidi ouvir o álbum, que está disponível na íntegra no Bandcamp deles.

O som de "Nonagon Infinity" é um rock de garagem meio psicodélico com uma pitada de noise e lo-fi, gerando uma mistura muito estranha, mas ao mesmo bastante interessante de se ouvir. As guitarras distorcidas apresentam aquele som rasgado tão comum às bandas de garage-rock e de lo-fi. Alia-se a isso uma bateria forte, marcante e bem ritmada, dando um som explosivo ao conjunto.

Suas melodias são bem pesadas, mas há momentos de leveza ao longo das músicas, geralmente os momentos mais psicodélicos, com uma presença marcante de sintetizadores, agregando uma pegada bem contemporânea para todo o álbum, é notável a influência das novas bandas de rock psicodélico, já não tão novas assim.

No entanto, "Nonagon Infinity" é um álbum primariamente de rock e rock pesado, são notáveis também as influências de bandas como Pink Floyd, Led Zeppelin e Black Sabbath, por exemplo e ainda assim o som deles não soa "preso no tempo", como seria de se esperar de uma banda que deixa suas influências se sobressaírem tão claramente num trabalho de estúdio.

Há também uma certa influência do surf-rock.

Devido a adição de elementos contemporâneos às suas canções, "Nonagon Infinity" realmente se apresenta como algo novo.

As letras apresentam um certo grau de mistério, aumentando a atmosfera obscura e pesada que o álbum tem, ao mesmo tempo, que sua sonoridade apresenta momentos de leveza e explosão total, com muita energia e barulho.

Enfim, um álbum de rock puro, simplesmente, puxando uma porrada de influências e criando algo único, divertido, agitado, dançante, obscuro e enigmático.

Vale a pena escutar.

4 pontos

 

terça-feira, 3 de maio de 2016

Dica literária: "House of Leaves" de Mark Z. Danielewski (2000)

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"House of Leaves" é um livro que eu queria ler há muito tempo, acho que desde 2009, sempre na esperança de que alguma editora fosse publicá-lo por aqui, mas isso nunca aconteceu. Este ano, tive a oportunidade de comprá-lo e desde que ele chegou ficava me assombrando da escrivaninha. Quando terminei de ler "Kafka à beira-mar", passei por cima de todos os livros que tinha empilhados para ler e comecei a me aventurar por "House of Leaves".

O livro é uma história dentro de uma história dentro de outra história. Conta a trajetória de Johnny Truant, um jovem a procura de um apartamento, que recebe uma dica de seu amigo Lude de um apartamento perto de um velho meio caduco chamado Zampanò. Após a morte do velho, Johnny descobre no apartamento dele um manuscrito que é, na verdade, um estudo acadêmico de um documentário chamado "The Navidson Record". A história, sendo tão interessante, chama a atenção do rapaz, apesar dele nunca ter achado evidência de sua existência. O tal "The Navidson Record" é um documentário feito por Will Navidson, um fotojornalista que se muda de Nova Iorque para Virgínia, com sua esposa Karen e seus filhos, Chad e Daisy. Inicialmente, Will espalha câmeras pela casa para documentar sua mudança e como sua família se adaptaria na nova casa, também para não se afastar demais de seu trabalho. No entanto, as coisas começam a ficar estranhas quando ele descobre que o espaço interno da casa é maior que o espaço externo, portas começam a surgir nos corredores e um corredor infinito surge, levando para lugar nenhum, a não ser um labirinto onde nenhuma luz atravessa.

Como dá pra notar, o livro não segue uma estrutura comum, com um layout totalmente não convencional, sendo descrito na wikipédia como um exemplo primoroso de "literatura ergódica" (seja lá o que isso quer dizer). Assim como "Graça Infinita""Graça Infinita", suas notas de rodapé, contém outras notas de rodapé, que podem levar também para os Apêndices, com suas próprias histórias e narrativas que elucidam pequenos detalhes que podem ou não auxiliar a trama principal. Além disso, o texto principal (o estudo acadêmico de Zampanò) é é recheado de citações para filmes, livros, músicas e peças de teatro que, em sua maior parte, sequer existem. Algumas páginas contém apenas algumas palavras organizadas ao longo da página para acompanhar os eventos que acontecem na história (por exemplo, uma palavra se localizar em cima da outra como uma escada ascendente).

Sendo escrito como um estudo acadêmico, ele explora uma faceta meio obscura da personalidade dos leitores de hoje em dia, que é a de achar a resenha ou o review da obra mais importante que a obra em si, o que é um puta soco no estômago e nos faz pensar no modo como lemos e consumimos literatura, no entanto, é também o principal recurso para engrandecer a obra.

É um livro que dá certo trabalho para ler e requer perseverança do leitor (talvez essa seja a maior característica da literatura ergódica), mas ao final, vale muito a pena. O que começa como uma história de horror com um nível Pinchoniano de paranoia se torna uma lição sobre sobre amor, perseverança e paixão, me arrepiando só de pensar, fazendo as horas de esforço para compreender e entender a leitura valerem muito no final.

Concordo com muitos que dizem que este é um livro muito difícil de ser adaptado para os cinemas, mas não impossível, só daria muito trabalho para quem fosse se atrever a fazer isso e a adaptação perderia um pouco do poder que o livro tem. Também acho muito difícil que uma editora traga ele para o Brasil, pois ele contém fotos coloridas no meio dele, a palavra "casa" é sempre azul e quando algum trecho faz menção ou se relaciona com o imaginário de um labirinto, todo esse trecho é vermelho e tudo isso poderia ser excluído da versão final, mas deixaria uma lacuna grandiosa e essencial para o entendimento da obra ao final.

Enfim, "House of Leaves" é um livro complicado, complicado de ler, de entender e de achar no Brasil, mas deixe ele na sua lista de comprar futuras para quando tiver a oportunidade de comprá-lo, por que eu tenho certeza que você não irá se arrepender de lê-lo.

5 pontos

domingo, 1 de maio de 2016

Dica musical: "White Hot Moon" de Pity Sex (2016)

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Pity Sex é uma banda de Michigan de rock com uma pegada meio noise e uns acordes melódicos, que confundem a cabeça de qualquer um que queira enquadrá-los em algum gênero. Pra piorar a banda tem dois vocalistas que também são guitarristas, um homem e uma mulher, que dividem os vocais em quase todas as músicas.

"White Hot Moon" é o segundo álbum de estúdio deles, seguindo na mesma pegada do primeiro CD, um som mais melódico, porém com uma pegada meio noise, vocais divididos e letras bem pessoais.

Aqui, as letras fazem, diversas vezes menção a lua, relacionando isso com um relacionamento amoroso. Tudo muito romântico, tão romântico que dá vontade de vomitar arco-íris. As letras acabam sendo um pouco piegas, mas o legal da banda é que eles sabem disso, até ironizando todo esse romantismo em versos aqui e ali ao longo do álbum.

Musicalmente, eu sempre considerei esse estilo musical meio limitado e o Pity Sex não é exceção à regra, não há grandes variações rítmica ao longo do álbum, no entanto "White Hot Moon" ainda é o álbum com a maior variação rítmica da curta carreira da banda, mostrando que eles estão, sim, crescendo e evoluindo, o que é um ponto muito positivo.

Enfim, "White Hot Moon" não é um álbum fantástico, mas é muito legal de se ouvir, as letras são boas e eles estão conseguindo evoluir o estilo musical deles, valendo a escutada.

3 pontos