terça-feira, 14 de maio de 2013

Dica cinematográfica: O primeiro dia do resto da tua vida

Hoje terminei de assistir um dos filmes mais legais que já vi.
"O primeiro dia do resto da tua vida" é um filme francês de 2008 que conta a história de uma família, visto de diferentes pontos de vista e épocas da história, começando em 1988, com a morte do cachorro da família e culminando em 2000, com o conhecimento da vida de um novo membro.
O filme é dramático, mas todos os eventos são passados como se fosse apenas mais um dia na vida de cada membro da família. É apenas mostrado a rotina de cada um e como todos eles vão lidando com o envelhecimento e amadurecendo com o tempo, cometendo os mesmos erros que seus antepassados ou consertando eles.
Enfim, essa é a dica de hoje, um ótimo filme que vai compensar o tempo que eu fiquei sem postar por aqui.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Dica literária: O apanhador no campo de centeio

Essa dica é para os carajosos.
O apanhador no campo de centeio é meu livro favorito. O personagem principal é pra lá de complexo e o modo como Salinger escreve é genial.
Mas é preciso cautela para lê-lo.
O apanhador no campo de centeio é famoso entre os teóricos de conspiração e investigadores de cenas criminais, por dois famosos fatos: O assassino de John Lennon estava lendo este livro quando matou o ídolo. Ele ia se matar, mas decidiu matar o John.
Outro fato é que o quase-assassino de Ronald Reagan (Esse não conseguiu cumprir o crime) também estava lendo o livro quando tentou cometer o crime.
Não me surpreenderia se centenas de jovens estivessem lendo esse livro antes de cometerem suícidio.
O apanhador no campo de centeio é deprimente como o inferno.
Mas mesmo assim, é muito bom.
Talvez seja o jeito de Salinger escrever, que eu acho genial. Mas também acho que possa ser pelo personagem principal: Holden Caulfield.
Ele é tido como um ícone da rebeldia juvenil, com razão, no entanto, ele não é o típico otário das escolas, que bagunça no fundo da sala, nem o emo depressivo e virgem que se corta no banheiro, ele tá mais para um cara normal do que para um esterótipo qualquer.
Holden é o que eu chamo de "adolescente de classe média de verdade", ele sai com garotas, se diverte, dá uns beijos, uns amassos, é virgem, fuma, bebe e está perdido no mundo.
Ele não sabe o que fazer da vida e eu acho que é aí que as pessoas se identificam com ele. Por mais que um cara de 15 anos diga o que quer ser quando crescer ou como ele se imagina com 10 anos, ele não tá ligando muito pra isso.
Na verdade, ninguém está realmente se importando com isso, ou melhor, se importa, mas não quer se importar. Crescer é um saco, todo mundo sabe disso, ninguém quer trabalhar oito horas por dia, viver com um salário medíocre, viver cercado de sorrisos falsos e vidas vazias.
Ninguém quer isso.
Mas nós sustentamos uma imagem de pessoas moldadas, acostumadas com o mundo em que vivemos, mas por dentro temos raiva e queremos viver em outro lugar, de outro modo, fazendo algo qualquer que não isso. E é isso que os adolescentes buscam, viver de outro jeito, escapar dessa tortura moldada pela sociedade, pelo sistema capitalista e pelo maldito governo que quer crescer a economia, sem parar.
Não tem um fim para essas coisas, mas a nossa vida sim.
E é aí que o Holden fica perdido e todo adolescente normal também... Ou não, talvez nem todo adolescente normal, eu sei que eu fico assim. Eu estou assim.
É fácil se identificar com Holden, mas é exatamente por ele nos mostar esse lado obscuro que cada um guarda dentro de si, que O apanhador no campo de centeio é perigoso, por que ele desperta cada ponto negativo do seu espírito e traz a tona com tudo e quanto mais você demora pra ler, mais deprimido você fica e não sabe realmente o por que.
Só agora, a terceira ou quarta vez que eu leio o livro é que percebi isso.
De fato, eu to deprimido pra caramba, mas não é culpa de O apanhador no campo de centeio, é culpa desse mundo maldito em que vivemos presos.
Na minha opinião é exagerado o livro ser banido por ter conteúdo obsceno ou algo assim, esse livro parece um conta da carochinha perto de "O Cortiço", por exemplo e aliás, nem tem tantos relatos sexuais no livro, até por que Holden é virgem. Ele só fala uns palavrões e fala umas coisas meio obscenas, mas não não é nada explícito ou que atrapalha a leitura, são só coisas de adolescente, dá até pra deixar os pais lerem.
Só pra te colocar a par da história: Holden acabou de ser expulso de mais um colégio particular. É quase Natal e ele só pode voltar para casa na quarta-feira, mas ele fica de saco cheio de todos os cretinos que ele tem que suportar na escola, por isso faz as malas e foge.
Ele sai do colégio com o bolso cheio de dinheiro, até aí ele já conversou sobre a vida com um professor, já filosofou um monte sobre um perdedor espinhento do seu dormitório e xingou um monte um musculoso que divide o quarto com ele.
Depois o livro acaba virando um relato em primeira pessoa de alguns dias na vida de Holden Caulfield, onde ele se encontra com freiras, com a mãe de um cretino do seu colégio, com uma puta, briga com um cafetão, paquera umas meninas, sai com uma garota cretina, mas que tem um bumbum bonito, com um professor, mais uma penca de pessoas e por fim a sua irmã, a única pessoa que parece não ser uma tremenda cretina nesse mundo.
É aí que pega, Holden consegue achar cretinice pra todo lado e fica odiando todo mundo, menos a sua irmã, mas se você for analisar as pessoas com quem vivemos, ninguém é do jeito como gostaríamos que fossem e isso deprime bastante o leitor, pelo menos me deprime.
O final até parece meio forçado, mas surpreende e se você ler outras obras de Salinger (Só contos, por que ele só escreveu esse livro) perceberá que esse é o seu estilo; um final perturbador, aberto, surpreendente e fantástico.
Então, essa é a dica de hoje: O apanhador no campo de centeio, mas fica o alerta, esse livro é deprimente pra caramba. Fica por sua conta e risco.
Spoiler: A última linha do livro é: "Nunca conte nada a ninguém. Se você o fizer, começará a sentir falta de todos"

sábado, 4 de maio de 2013

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Dica cinematográfica: Sound of Noise

Desde Scott Pilgrim contra o mundo que eu não me animo tanto com um filme musical.
Esse filme não é um musical. É só um "filme musical", um filme que tem uma banda ou grupo de música na história e as músicas que eles fazem são originais e divertidas demais para serem ignoradas.
Em Scott Pilgrim era o Sex Bob-Omb e em Sound of Noise é o projeto musical "Six drummers", onde quatro bateristas anarquistas, liderados por um músico e uma mulher multi-instrumentalista se envolvem em peripécias cada vez mais arriscadas e perigosas apenas para mostrar que a música não é feita somente com instrumentos musicais.
Nesse cenário, surge o personagem principal, um investigador da polícia, nascido em uma família recheada de músicos, ele é o único sem talento musical e por causa disso a única coisa que ele almeja na vida é o silêncio.
Recomendo esse filme, que já é meio velhinho, mas é muito bom!
^^

terça-feira, 30 de abril de 2013

Dica Musical: "Afraid Of Heights" do Wavves


É com não tanto prazer que anuncio finalmente o post do CD mais esperado do ano pra mim.
"Afraid Of Heights" foi uma surpresa pra mim no ano passado, quando soube que seria lançado e apesar de boatos e notícias dizendo que este ano teremos mais um CD dos Arctic Monkeys, dos Kings Of Leon e do Queens of the Stone Age, não dei tanta atenção à elas, por que pelos menos no caso dos reis e dos macacos nada está 100% definido e confirmado, por isso apostei minhas fichas no "Afraid Of Heights".
Já faz algum tempo que tenho visto algumas resenhas dessa album por aí e elas não são boas.
Vi que muitos não acham o álbum muito bom, mas eu gostei.
De fato, Nathan Williams não faz nada de novo nesse CD. Não ousa no estilo lo-fi que o colocou de vez no mundo da música com "Wavvess" e também não inova ao buscar refúgio inspiracional no grunge.
Do meu ponto de vista parece que o Wavves já não está mais tão motivado assim com a música, não digo só pelas músicas do novo CD, mas também das apresentações ao vivo. É só ver qualquer uma, o Nathan já não fica fazendo mais tantas brincadeiras quanto ele fazia antes...
Efeitos de longo prazo da maconha? Algo pessoal o atingiu? Vai saber...
No entanto, o CD ainda assim está bom.
Não é nenhuma obra prima, mas se aproveita muitas músicas de seu novo repertório, como "Sail to the sun" e "Demon to lean on".
Ironicamente, elas foram as primeiras a serem reveladas, ou seja, a carta da manga já foi logo jogada em cima da mesa e talvez por isso o CD não tenha sido tão bem recebido.
Mas, como eu já disse, "Afraid of Heights" não é de se jogar fora, pelo contrário, merece ser ouvido, até mesmo por que vêm de uma banda que ainda têm muito pra mostrar.
:3

Dica musical: "Fear My Own Identity" do Best Coast

Essa é uma banda que dispensa comentários. Best Coast é uma das melhores bandas que saiu da Califórnia nesses últimos anos, junto com Foster The People e Wavves.
Para celebrar o Record Store Day, eles lançaram esse vinil com 2 músicas apenas, mas que é muito bom e com certeza deixa qualquer amante de boa música com um gostinho de quero mais nos ouvidos.
Enfim, esta é a dica de hoje: Best Coast.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Dica cinematográfica: Lunar

Eu li umas resenhas desse filme antes de decidir assistí-lo e ouvir que ele se comparava ao "2001: Uma Odisséia no Espaço".
Realmente, Lunar é tão bom quanto 2001, mas os dois são bem diferentes e eu acho que não dá para fazer muita comparação.
Lunar não alcança os parâmetros épicos de 2001, mas também dá um grande mindfuck em quem assiste, no entanto os mistérios de Lunar são resolvidos e não há espaços para interpretações ambiguas sobre o final.
Lunar conta a história de Sam, um astronauta que mora na lua há três anos a fim de monitorar uma base no satélite que manda energia limpa para a Terra. No entanto, após um acidente, o astronauta descobre que faz parte de uma conspiração que dura há muito mais tempo que apenas 3 anos.
Com um clima um tanto quanto claustrofóbico, Lunar prende a sua atenção, não só pelos mistérios envolvendo Sam, mas também a sua missão e como ele irá solucionar esse problema.
Recomendo esse filme para todos que quiserem assistir uma boa ficção científica, com muita inspiração do clássico de Kubrick.

domingo, 28 de abril de 2013

Dica cinematográfica: Depois de Lúcia

"Depois de Lúcia" é um filme mexicano que conta a história de um pai e sua filha, Alejandra.
Depois de perder Lúcia, mãe de Alejandra, a menina muda com o pai para a cidade do México, esperando conseguir uma vida melhor e quando tudo parecia estar indo muito bem para a menina, ela comete um deslize e começa a sofrer abusos na escola. No entanto, ela não conta nada a seu pai, por que o cara ainda não se recuperou da morte da mulher e andava deprimido pelos cantos.
Este é mais um filme que fala sobre bullying e suas consequências devastadoras, mas ele vai um pouco mais longe.
O filme não aborda apenas a parte central do período de bullying (As zoações, brincadeiras dentro e fora da escola, humilhação e abusos físicos). O filme não se concentra em um só período, em parte por que é um filme longo, com quase 2 horas de duração e quando eu o assisti fiquei me perguntando quando tudo ia acabar e melhorar ou piorar. Teve pelo menos uns dois momentos no meio do filme que eu achei que era o final, por que filmes independentes geralmente deixam um final ambiguo, então você acha que vai acabar, mas o filme não acaba.
Nem por isso é um filme ruim, pelo contrário, é um ótimo filme, explorando o "antes" e o "depois" do bullying. Como Alejandra tenta ajudar seu pai a superar a depressão, ajudando-o com os afazeres domésticos e mostrando interesse em seu trabalho como chef de cozinha. Além de como a menina, através de um pequeno deslize, cometido a fim de poder se misturar mais com o seu novo grupo de amigos, se mete em uma grande confusão, onde ela, nem o espectador, vê saída.
Também devido à extensão do filme, as brincadeiras passam de simplesmente brincadeiras e xingamentos até mesmo humilhação pública e abusos físicos, tudo mostrado com muito detalhe, causando um desconfortável sentimento de repulsa em quem assiste.
Mas Alejandra é uma menina forte, ela aguenta tudo e acaba arranjando uma saída para o seu problema e de quebra, ainda consegue uma doce, mas sórdida vingança pelas mãos de seu pai.
É interessante também o modo como o filme foi filmado, eu não lembro de ter visto a câmera se mover. Quando uma cena começa, geralmente aborda um grande espaço físico, quando não é para passar uma sensação de desconforto no espectador e isso o filme consegue cumprir muito bom, seja nas torturas que a menina sofre, seja no modo como tudo é mostrado, com apenas uma câmera, parada em algum ponto, mostrando toda a ação entre dois ou três personagens no máximo.
Enfim, o filme é ótimo e faço minhas as palavras de um cara do Tumblr: "Melhor filme mexicano de sempre".

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Dica Televisiva: Mushishi


Mushishi é uma série de mangás já finalizada que durou 9 anos, mas como eu não li o mangá e acabei de assistir o anime hoje, vou falar sobre o anime, que é muito bom.
O anime fala sobre Mushishis, forma de vidas onipresentes, com poderes sobrenaturais que interajem com os seres humanos de forma pacífica ou não.
A proposta do anime é bem interressante, pois apenas pretende passar alguns tipos de mushis, sem se preocupar muito com a história, o desenvolvimento dos personagens e a época em que eles vivem.
É tanto assim que o anime se passa em uma época antiga, onde as pessoas vivem em casa de madeira, buscam água em poços e vestem quimonos, mas o personagem principal veste roupas do século 20.
Por falar no personagem principal, Ginko, ele é misterioso, divertido, sério quando necessário e tem a estranha habilidade de atrair mushis, por isso ele vive viajando, de um lugar para o outro.
E é por essa pecualiaridade de seu ser que o anime raramente repete os personagens, apenas 2 aparecem por mais de um episódio, os outros personagens só aparecem em um e pronto... Nunca mais sabemos deles. Ás vezes um ou outro é citado, mas é só. Eles não aparecem mais.
Tudo isso poderia ser um ponto fraco para a série, mas não é.
A série te prende, não só pela arte, mas a forma como cada história é abordada. De modo geral, um certo clima nostálgico predomina a série, mas às vezes, ela consegue ser engraçada e até assustadora.
O conceito dos Mushi também é algo surpreendente, um verdadeiro mind-fuck se você ficar pensando muito no assunto, após assistir alguns episódios.
O melhor a fazer é deixar a série rolar e se divertir com este ótimo anime: Mushishi.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Dica Musical: "EP 3" do Best Fwends

Uma das coisas boas dos novos desenhos do Cartoon Network é que os produtores não ficam mais trancados em um mundinho onde amigos de infância e de adolescência se ajudam mutuamente, ignorando os outros talentos pelo mundo afora. Um exemplo disso é o desenho "Hora de Aventura" que sempre posta no site oficial ilustrações feitas por artistas profissionais como fanarts do programa, além de contratar alguns ilustradores para fazer os desenhos que aparecem no começo de cada episódio.
Além do próprio Cartoon, também existe o Cartoon Hangover, onde são mostrados animações não adequadas para crianças, devido à palavrões e atos violentos nos episódios, um bom desenho do Cartoon Hangover, criado pelos criadores de Hora de Aventura é Bravest Warriors, onde quem faz a trilha sonora é uma dupla de amigos auto-intitulada "Best Fwends".
E foi através de um vídeo do Cartoon Hangover que eu conheci o projeto dos dois e eles acabaram de lançar um EP chamado "EP 3" na bandacamp do grupo, onde você pode acessar clicando aqui.
Eles fazem músicas no estilo de Hora de Aventura, com aqueles toques eletrônicos de 8-bits, junto com baterias e guitarras às vezes pesadas e às vezes crua.
É como se o Finn e o Jake formassem uma banda de lo-fi na garagem da casa deles, o que é bem legal, já que o mundo precisa de músicas boas e divertidas.
Se você quer uma carga extra de ânimo para o seu dia, escute Best Fwends, você não irá se arrepender.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

sábado, 20 de abril de 2013

Dica cinematográfica: A lula e a baleia

A lula e a baleia é um filme de drama de 2005.
No entanto não faz parte dessas dramalhões melosos que enchem o saco de qualquer um. Também não é um desses draminhas com músicas indie pra atrair a atenção de adolescentes, mas fica bem próximo desse tipo de filme.
A lula e a baleia é um filme bem bruto sobre a separação de um casal e como todos na família reagem à essa situação. O filho mais velho busca comforto no pai e em ser um cafajeste, o mais novo busca comforto em práticas onanísticas, na bebida e na mãe. O pai procura comforto em sua solidão depressiva e auto-destrutiva. E a mãe busca comforto em pequenos affairs com metade da cidade. Já o gato... Bem, ele faz jus à sua espécie e não faz nada o filme todo, até causar uma pequena confusão no final.
A lula e a baleia é um desses filmes que são realmente bons e te faz sentir um formigão na alma, uma vontade de fazer algo de útil para o mundo ou mesmo algo simples ou simplesmente algo que fuja da sua rotina, como ir cortar o cabelo.
O filme tem uma história interessante, pois foi filmado em 16mm, usando uma câmera portátil, o que mostra que qualquer um pode fazer um filme de qualidade com uma câmera qualquer comprada nas Casas Bahia mesmo. O filme também foi rodado em apenas 23 dias.
Enfim, indico muito esse filme que marcou a minha tarde morta de sábado.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Dica literária: Pokemon Adventures Special

Tenho certeza que certas vão querer me bater com essa dica, mas é uma boa dica e você deveria ler esse mangá fantástico escrito por Hidenori Kusaka e desenhada pro Mato, até os primeiros nove volumes e desde então vem sendo desenhada por Satoshi Yamamoto.
Só por ser do Pokémon, todo mundo já fica com um pé atrás, por que tem aquele negócio de nerd ou de criancinha. Os jogos pra videogame são coisas de nerds babões, que vão em eventos de anime com camiseta do Iron Maiden e de touca poring e o anime é um desenho super infantil, que já encheu o saco.
E encheu mesmo, mas o mangá é diferente de tudo isso aí.
O mangá segue uma sequência de história mais parecida com as histórias dos jogos. Ou seja, esqueca encontros com a equipe rocket todos os capítulos, esqueça piadas dignas de Zorra Total e lutas onde os pokémons mal se cansam.
Nesse mangá a coisa é séria. Os vilões são vilões mesmo, os momentos de humor se resumem à poucas carinhas escrotas que os desenhistas colocam nos personagens só pra diminuir a tensão de algum momento e os pokémons morrem em batalhas. É sério!
É raro isso acontecer, mas acontece.
Fora que os pokémons tem nomes, então não fica naquele negócio de "Pikachu, eu escolho você!", os personagens são recheados de elementos anti-clichês, como por exemplo, o personagem principal escolher um bulbasaur no começo da jornada e não um charmander, ou mesmo um pikachu.
Outra diferença é que os pokémons lendários podem ser capturados, coisa que não acontece no anime e parece que o mundo pokémon do mangá acabou de ser descoberto e nós acompanhamos as aventuras das pessoas mais importantes do mundo, por que eles estão em todas as grandes batalhas, eles capturam as lendas pokémon, eles descobrem e até nomeiam novos pokémons, o que é algo muito legal, visto que não tem toda aquela inocência besta do anime.
Como eu já disse, a história é baseada nos jogos e por isso, tudo o que você viu nos jogos, pode acontecer no mangá, então se o seu personagem derrotou todos os sacanas da equipe rocket sem usar um único potion, isso vai acontecer no mangá.
Sem falar que a história é muito bem escrita e cheia de mistérios. 
Todas as temporadas começam cheios de buracos e lacunas para serem preenchidas, mas nos últimos episódios tudo vai se juntando e logo os mistérios são resolvidos para cederem espaço às maiores lutas da história.
Até agora só li 3 temporadas, o que dá 15 volumes. Cada uma delas é inspirada em séries de jogos. A primeira é a série Red/Green/Blue, inspirada nos dois primeiros jogos, a segunda é a fase Yellow que apesar de ter uma das personagens mais simpáticas de toda a história do mangá, é uma séria chata, devida á sua extensão e ao fato de se concentrar em uma só personagem e suas descobertas inocentes do mundo pokémon, e pra terminar, a terceira fase que é a Gold/Silver/Crystal, inspirada nesses três jogos, passando-se no continente de Johto e tal.
Mas tem mais, existe uma temporada para cada série de jogos, algumas são curtas, outras são longas e devido aos remakes, a volta dos personagens mais legais é garantida, mesmo que eles sempre façam alguma coisa em todas as temporadas.
Por falar neles, os personagens tem os nomes dos jogos, por isso tem o Red (O melhor e maior personagem da série), o Green, a Blue, a Yellow, o Silver, o Gold e a Crystal.
E se você, otome, acha que é só isso, a série também tem uns romancezinhos para ajudar a criação de fandoms.
Enfim, dêem uma chance á essa série, que apesar de ser do Pokémon, vai mudar seus conceitos, já que ela é muito melhor que os jogos e nem se compara com o anime.
Aliás, provavelmente é esse preconceito idiota de pokémon ser coisa de criancinha e nerd que fez com que essa série nunca fosse publicada aqui no Brasil, infelizmente.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

A covardia da criminalização juvenil

*Texto publicado no site Fazendo Media, por Gustavo Barreto, jornalista, com base em dados de arquivos pessoais e do site do Mapa da violência. Visitem também o blog dele clicando aqui.*
O Brasil registrou nos dados consolidados de 2010 um número impressionante de homicídios, 49.932 – um aumento de 259% em relação a 1980. O Brasil é – qual a novidade? – um país violento.
O aumento das taxas de homicídio no país aumentaram quase que linearmente até 2003, quando começaram a apresentar eventuais quedas, como a notável queda entre os anos de 2003 e 2007, porém apresentando igualmente número que fazem inveja a qualquer país em conflito civil.
Para se ter uma ideia, a ONU calcula que, somente dentro da Síria, devido a uma guerra declarada, já morreram mais de 70 mil pessoas em dois anos. No Brasil morreram mais de 100 mil, no mesmo período, sem que nenhuma milícia tenha contestado a autoridade do poder central. Em 2010, por exemplo, morreram 137 pessoas por dia, em média – número superior ao do massacre do Carandiru (111). E todos os dias.
Os números absolutos são assustadores – e também o são percentualmente.
Entre 1980 e 2010 – 31anos portanto – o país perdeu 1 milhão de pessoas para a violência, com cerca de 70% deles por decorrência do uso de alguma arma de fogo. Em quase 20 anos de guerra na Somália (1982-2000), foram 30 mil mortos. A guerra civil na Colômbia deixou 45 mil vítimas em 36 anos. A guerra civil de Angola meio milhão de pessoas em 27 anos. A guerra civil na Guatemala fez 400 mil vítimas em 24 anos.
As perdas humanas somente no Brasil equivalem, em média, às perdas humanas nos 12 principais conflitos armados pelo mundo – incluindo alguns dos mais sangrentos, como Iraque, Sudão, Afeganistão, Paquistão e República Democrática do Congo.
Alguém tem dúvida de que trata-se – não de uma guerra, mas – de uma tragédia humanitária absolutamente bárbara e desumana? Eu não.
E não adianta tentar argumentar que o Brasil é um país de dimensões continentais. Trata-se de um notável falso argumento. O país tem taxas de homicídios por armas de fogo quatro vezes superiores aos da China, que tem sete vezes mais população que o Brasil. A Índia, com 6 vezes mais habitantes que o Brasil, tem 12 vezes menos assassinatos com armas de fogo.
E quem são as maiores vítimas por aqui? Pobres, negros/pardos e… jovens.
Enquanto 73,2% dos jovens brasileiros – 15 a 24 anos – morrem por “causas externas”, entre os não-jovens essa proporção não chega a 10%. Enquanto 38,6% dos jovens morrem por homicídios no país, entre os não-jovens essa proporção é de 2,9%.
Os dados do ‘Mapa da Violência’ de 2012, por exemplo – para deixar evidenciado para os que ainda não entenderam – mostram que entre 1980 e 2010 morreram no Brasil, segundo os registros do Ministério da Saúde, um total de 799.226 cidadãos vítimas de armas de fogo. Sendo que 450.255 mil deles eram jovens entre 15 e 29 anos de idade.
Dois em cada três vítimas fatais das armas de fogo são jovens. Quase meio milhão, e contando. E – na outra ponta – dos cerca de 26 milhões de jovens e adolescentes entre 12 a 18 anos, menos de 0,2% estão em conflito com a lei.
O Brasil segue um padrão às avessas quando se trata de encerrar – por comparação – um conflito civil de grandes proporções.
Segundo os órgãos internacionais mais experientes neste tema, você encerra uma tragédia como esta com três medidas nada simples, porém essenciais: (1) Fim da facilidade de acesso a armas de fogo; (2) o fim da cultura da violência e do discurso do ódio; (3) exemplar punição por meio de um processo justo e idôneo e a reconciliação “entre as partes”, inclusive com a adoção de conhecidos métodos de ressocialização e entendimento mútuo.
Quando a sociedade brasileira se depara com um assassinato bárbaro ou uma chacina, entra em pânico. Morrem 137 pessoas por dia, mas somente quando algo “aparentemente” grave acontece, queremos resposta.
A tática generalizada é muito simples: elencam-se estes e outros problemas – falta de controle das mais de 15 milhões de armas de fogo (registradas e não registradas), a cultura da violência que dá origem aos motivos fúteis ou aos impulsos, o baixíssimo grau de resolução dos inquéritos policiais – para, então, relacioná-los diretamente a qualquer outro motivo menor para tais crimes.
Como – por exemplo – à maioridade penal de 18 anos.
E o motivo é mais do que óbvio: é mais fácil criminalizar uma parte vulnerável da população do que enfrentar as causas do problema já devidamente constatadas. O lobby da indústria bélica é notavelmente maior do que o lobby a favor das crianças e adolescentes.
É como se um país em meio a uma guerra civil sugerisse que as suas crianças-soldado paguem pelos terríveis crimes contra a humanidade que cometeram, após terem sido arrancados de suas famílias, escolas, comunidades. Quer dizer, é a mesma coisa.
Conhecemos muito bem o desafio: a posição de que devemos ser mais “duros” com as crianças e adolescentes é um fruto inequívoco desta mesma cultura da violência que, em um ciclo perverso, mantem reféns pessoas ingênuas, numa espiral de medo e pânico. O desafio é conhecido, porém nada simples.
**Ótimo texto, visitem o dite Fazendo Media, vale muito a pena. **

terça-feira, 16 de abril de 2013

Dica musical: "You're Nothing" de Iceage

Iceage é uma banda dinamarquesa que eu curto bastante, mas só agora decidi postar uma dica para o álbum, auto-gravada que eles fizeram esse ano.
Eles são uma banda post-punk, hardcore, noise-rock ou qualquer outro gênero não conhecido pela maioria que você quiser colocar. Eles se encaixam em vários deles.
O estilo musical deles é muito interessante, apesar de simples. 
Não acredito que seja díficil aprender a tocar as músicas deles na guitarra, baixo ou na bateria, mas o modo como eles encaixam todos esses elementos nas suas músicas, que são bem rápidas, diga-se de passagem, faz com que tudo soe muito bem feito e muito dançante, de modo que você pensa que esse pode ser o melhor lançamento do ano nesse mundo undergroun de bandas desconhecidas e outras quase conhecidas que vivemos.
A voz do vocalista também é algo raro de se encontrar. Ele não força a sua voz e ela é grossa naturalmente, o que faz o som da banda soar ainda mais original e interessante aos ouvidos, pelo simples fato de você não ver muito disso por aí.
Sem contar que eles não usam efeitos para "melhorar" o som deles. É tudo muito cru e mesmo assim perfeito.
Ou seja, esses caras conseguem criar algo novo, com a antiga fórmula rock n' roll que todos conhecemos.
Então, fica a dica: "You're Nothing" de Iceage.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Dica literária: Em busca do sentido

Terminei de ler esse livro ontem, mas antes de terminá-lo já sabia que iria postá-lo aqui.
"Em busca do sentido" é um livro auto-biográfico, mas também acadêmico escrito por Viktor Frankl, o criador da logoterapia, a terapia do sentido.
Na logoterapia, o psiquiatra tenta consertar problemas psicológicos que o paciente tem através da descoberta do sentido na vida do paciente em questão.
De acordo com Frankl, grande parte, se não todos, os problemas psicológicos derivam da falta de sentido que a pessoa sente em sua vida, pois a partir do momento em que a pessoa acha um motivo para viver ela deixa de sentir depressão, solidão, apatia e outros tantos problemas psicológicos comuns nos dias atuais.
E para exemplificar isso, Frankl retrata como foi sua estadia em vários campos de concentração durante a segunda guerra mundial.
Ele era judeu, por isso foi preso e por causa da sua saúde, não foi morto, apenas trabalhava exaustivamente em minas ou na construção de ferrovias.
No campos, Frankl conheceu pessoas que estavam à beira da morte, com fome, desnutridas, doentes e com um ou mais ossos quebrados, mas que ainda assim queriam viver. E pelos mais diversos motivos.
Um queria viver por que tinha esperanças de reencontrar sua família, que fora mandada à outro campo, outro tinha sua família o esperando nos EUA, outro queria viver por que tinha uma amada, outro queria viver por que havia deixado uma série de livros científicos e tinha ideia para mais um, que tinha que ser publicado.
Ou seja, nós temos que achar um sentido na nossas vidas, ou melhor, um sentido para as nossas vidas, se não, de que vale todo o sofrimento que passamos?
De que vale comprar uma roupa nova se não para nos servir de algo? Devemos comprá-la simplesmente por que gostamos? Ou por que, com ela nos sentiremos bem e agradaremos à alguém que amamos?
A logoterapia é muito interessante e é a terceira escola vienense de psicoterapia e é considerada a melhor delas.
Com esse livro, Frankl ficou mundialmente conhecido e lançou as bases para a sua logoterapia.
Recomendo para você que quer descobrir um pouco mais sobre o por que de estarmos vivendo e também para descobrir como podemos achar um porque para nossas vidas.