segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

As melhores dicas musicais de 2014

Chegou aquela época do ano cheia de listas opinativas dos melhores álbums do ano, melhores músicas do ano, melhores filmes do ano, que ninguém vai ouvir daqui alguns anos, mas aqui, eu decidi trazer aqueles álbums que eu escutei há muito tempo e continuo escutando, além de ter indicado eles no blog, com exceção de um álbum, que na época não de lançamento não dei muito valor, mas vira e mexe, paro para escutá-lo.

E é com esses dois álbums que abro a lista de melhores CD's de 2014:

mac demarco salad days


O que dizer desse CD delicioso do Mac Demarco? É um indie despretensioso, muito influenciado por bandas lá dos anos 90. Suas canções são marcadas pelos riffs de guitarra, que lideram a maioria das melodias, além de serem, de um modo geral, curtinhas, então não tem como enjoar das músicas que Mac Demarco criou. Confesso que não conhecia o artista antes de "Sallad Days", então posso ter sido apresentado a uma sonoridade diferente da usual dele, ou não, quem sabe? O que importa é que eu achei esse álbum muito equilibrado, gostoso de ouvir e merece estar nessa lista.


OLE-1068-Iceage-Plowing_Into_The_Field_Of_Love


Apesentando um som mais sofisticado e regular, "Plowing into the field of love" pode ter levantado algumas dúvidas na cabeça de seus fãs mais assíduos, no entanto, após o seu lançamento, fica claro que o Iceage ainda é Iceage, com apenas mais influências e um requinte maior, o que tem apenas a acrescentar para a banda, abrindo novos e interessantes caminhos para eles.


theophilus-london-featuring-kanye-west-cant-stop-snippet


Criando batidas poderosas, usando sua ótima voz, num conceito muito interessante, Teophilus London consegue chamar e prender a atenção com "Vibes", seu segunda álbum de estúdio. Leia mais sobre o álbum aqui.


a3611181944_10


Uma banda extremamente prolífica volta com mais uma explosão de energia, guitarras distorcidas, baterias marcantes e o bom e velho rock n' roll, apenas com uma qualidade maior, deixando de lado a sonoridade lo-fi, mas sem perder a essência do que é o som de Bass Drum of Death; "Rip This" é um álbum que merece ser ouvido e tocada várias e várias vezes.


a3762416444_2


Um CD que não é para todos os ouvidos, experimental e original, misturando elementos tão variados que fica difícil traçar a sua origem. Adult Jazz entra para o cenário musical oficialmente com "Gist Is" em grande estilo, cumprindo com sua promessa de lançar um dos grandes álbums de 2014.


Hoenyblood-Album-Cover


Outro álbum de estréia, Honeyblood chegou para mostrar que um bom rock de garagem não é feito apenas com garotos magrelos, metidos em calças apertadas e usando camisetas rasgadas. É possível ser feito também por meninas g@t@s em roupas de vovó, típicas pastel goths que a internet tanto ama.


Mac_Miller_Faces-front-large


Explorando diferentes temas, em um flow impecável, Mac Miller lança o seu melhor projeto até agora. "Faces" é profundo, obscuro, dançante e divertido. Uma mistura nada ortodoxa e impressionante.


22194_c_w_375_h_375


Apresentando uma sonoridade completamente nova para a banda, "Luminous" é um marco no som do The Horrors, um som que eles vinham cravando a anos e só agora foi apresentado à superfície. Agora, só o tempo dirá se esse é o diamante lapidado e pronto para a exposição, ou apenas a amostra de uma pedra preciosa ainda a ser descoberta pelos nossos ouvidos.


monster rally


No seu melhor trabalho até então, Monster Rally apresenta um conceito muito interessante, abusa de influências pouco utilizadas e exploradas, além de terminar o ano anunciando um novo trabalho colaborativo que, pelo jeito, parece estar muito bom. "Sunflower" é um EP de apenas 4 músicas, mas mostra que quantidade não é sinônimo de qualidade.


La-Dispute-Rooms


"Rooms of the house" é uma obra-prima. A excelência traduzida em músicas, um som marcante, ora vibrante, ora introspectivo, ora violento, ora calmo, mas sempre, sempre inteligente. É uma obra de arte, que, se fosse possível, seria emoldurada. Na minha opinião, é, sim, o melhor CD do La Dispute, embora seja impossível de classificá-lo e talvez seja por isso que seja tão bom. É um CD que transmite tudo o que a banda havia transmitido ao longo dos anos, só que mais refinado, melhorado. Enfim, apenas admire.


E para terminar, uma menção honrosa a um dos melhores álbums da história e que este ano completou 10 anos desde o seu lançamento.


Madvillainy_cover


"Madvillainy" não é um apenas um dos melhores álbums do MF Doom, é um dos melhores da história. Por que? Simplesmente, por que une em 20 músicas dois gênios do Hip Hop: MF Doom e Madlib. O primeiro com suas rimas extremamente inteligentes, cheias de referências, sagazes e engraçadas, o segunda com suas batidas impressionantes, utilizando canções que ninguém nunca ouviu, misturando sonoridades como ninguém e, este ano, essa obra-prima completou 10 anos desde o seu lançamento. Deve ser ouvido por todos os amantes de um bom rap e também para aqueles que querem, simplesmente, conhecer boa música de verdade.


Enfim, essa é a minha lista de melhores álbums do ano, bom natal, feliz ano novo, fiquem com Deus e um beijo aonde você quiser.


Falow.

sábado, 13 de dezembro de 2014

Dica cinematográfica; "Police Story" (1985)

Police-Story-poster


"Police Story" é aquele clássico filme da Band dirigido e estrelado pelo mestre do cinema de ação Jackie Chan e é desse filme que eu vou escrever hoje.


A história acompanha alguns dias na vida de Ka Kui, um policial da polícia de Hong Kong, enquanto ele é incriminado por um chefão do crime que havia ajudado a prender, foge dos seus próprios colegas policiais que acreditam que ele assassinou um policial e arranja problemas com a namorada.


Nunca falei de Jackie Chan aqui no blog por achar que ele dispensava qualquer comentário, afinal o cara é um gênio, mas como andei vendo algumas críticas negativas ao seu trabalho, decidi escrever um pouco sobre os meus filmes favoritos do Jackie Chan e bem, que melhor forma de começar a falar dele, se não pelo clássico "Police Story"?


Neste filme, Jackie Chan já havia se consolidado como ator de filmes de ação na China, usando o seu próprio estilo, bem diferente do de Bruce Lee, exatamente para evitar comparações com o outro mestre, abusando de movimentos ágeis aprendidos quando ele ainda era adolescente e praticava atletismo, além de fazer uso de diversos objetos dispostos nos cenários e, é claro, o humor, sempre presente em todas as cenas de luta. Em "Police Story", Jackie é também o diretor, o que dá a ele muito mais liberdade para explorar tudo aquilo que ele e sua equipe de dublês poderiam fazer na tela, além de mostrar como que além de ótimo lutador, ele é ainda um ótimo diretor.


Quando eu paro para pensar neste filme, noto que este é um filme completo, bom roteiro, boas lutas, boa trilha sonora, boa direção, enfim... Não tem como decepcionar.


Suas cenas de ação estão entre as melhores cenas de luta da história e não é para menos. Um dos grandes méritos de Jackie Chan é o fato dele ser um perfeccionista, filmando e refilmando várias vezes a mesma cena até ela sair perfeita e, de preferência, sem muitos cortes, usando sempre de planos abertos, o que nos passa uma sensação de movimento e impacto muito maior.


Repare, nos filmes de ação genéricos as cenas de luta sempre focalizam os golpes, mas isso não dá uma boa ideia de movimento e impacto, por que nós não vemos, por exemplo, o braço se movendo em direção ao rosto, nem o rosto sendo jogado para trás (isso quando o golpe em si é mostrado). Já em "Police Story" nós vemos o braço de movendo e o rosto sendo jogado para trás, e claro, vemos os golpes sendo focalizados pela câmera, mas no momento certo, para dar mais dinamismo à cena.


Isso é algo que o cinema de ação perdeu atualmente e mestres como Jackie Chan dominaram com maestria.


Então o filme não tem um valor apenas como entretenimento, puro e simplesmente, ele também tem seu valor como obra de arte que é, afinal como não dizer que cenas como aquela em que o carro cai pelo barranco destruindo várias casas, ou a cena em que Ka Kui desce pelo lustre do shopping não são emblemáticas e belas, por si só?


Enfim, "Police Story" é um filme mais que recomendado pra você, que quer ver muita porrada; pra você, que quer adquirir um pouco mais de conhecimento sobre a forma de se fazer cinema; ou para você, que quer dar umas risadas, simplesmente com um clássico do cinema chinês.


5 pontos

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Dica literária: "O sol é para todos" (1960) de Harper Lee

2657


“O sol é para todos” é o primeiro e único livro escrito por Harper Lee, publicado em 1960, tornando-se rapidamente um sucesso de vendas.

No livro acompanhamos três anos na vida de Scout, uma garota que mora com o pai (Atticus), o irmão (Jem) e a empregada negra da família (Calpúrnia) na cidade ficcional de Maycomb County, Alabama, no meio da Grande Depressão que assolou os Estados Unidos nos anos 30. Além da ocasional presença de Dill, um garoto aventureiro que visita Maycomb todo verão.

A narrativa do livro lembra um pouco aqueles filmes da Sessão da Tarde, com crianças que se aventuram pelos cantos mais obscuros do bairro, sendo narrado por Scout, na forma de capitulos, geralmente fechados, em que cada um é mostrado um acontecimento diferente na vida da menina e das pessoas que as circulam.

Pelo fato de termos uma menina entre os 7 e 10 anos narrando o livro, somos apresentados à história de uma forma bem descontraída e inocente, mas engana-se quem acha que esse é um livro raso, fácil de engolir, pois sua história é ambientada no sul dos Estados Unidos, numa época que ainda vivia às sombras do período de escravidão, apresentando questionamentos sagazes de assuntos sérios como o racismo, o preconceito, o papel da mulher na sociedade, a diferença entre classes, compaixão, tolerância e honra. Tudo isso explorado em personagens longe do maniqueísmo habitual que iria se esperar de uma obra assim.

Pelo contrário, os personagens apresentados em “O sol é para todos” não são bons, nem maus, eles apenas vivem de acordo com aquilo que acreditam ser certo ou errado. Isso é algo muito bem explorado pelo Atticus, o pai de Scout, que lhe ensina que algumas pessoas têm opiniões erradas sobre determinados assuntos, por que são ignorantes, não por que são más e por isso não devemos odiá-las.

Esses pequenos ensinamentos são colocados no livro de forma completamente pura e inocente por Scout, que às vezes não entende o que o seu pai quer dizer, criando uma ligação com o leitor, que também pode não entender, forçando você a parar para pensar um pouco sobre determinada questão.

Tudo isso faz desse livro uma leitura ainda mais fascinante e brilhante.

A escrita de Harper Lee também merece destaque. Ela transmite em palavras os trejeitos e “gírias” caipiras típicas do sul dos Estados Unidos, presente em todas as páginas do livro, visto que ele é narrado do ponto de vista de Scout, que apesar de viver na cidade, está cercada de homens do campo, pessoas humildes e com um vocabulário menos vasto que o de seu pai.

“O sol é para todos” é um livro que eu adorei ler e está mais que recomendado, visto que os temas abordados e seus ensinamentos continuam mais necessários do que nunca, infelizmente.

4 pontos e meio

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Dica cinematográfica: "The Collector" (1965)

download

"The Collector" é um filme anglo-americano de 1965, dirigido por William Wyler e baseado na obra homônima de John Fowles.

O filme conta a história de Fred, um rapaz solitário, tão obcecado por uma mulher que acaba raptando-a e trancafiando-a no porão de sua casa. Após o despertar de Miranda, ele tenta criar um vínculo com ela, mas o relacionamento dos dois está fadado ao fracasso desde o início.

Este filme é uma obra-prima do suspense, mostrando de forma sagaz o deterioramento de um relacionamento causado pela incapacidade dos dois protagonistas de se relacionar um com o outro. Miranda é uma garota extrovertida, com dotes artísticos e com uma certa arrogância odiável. Já Fred, é um rapaz que mora sozinho, tem como hobby colecionar borboletas e teve a sorte de ganhar na loteria, sentindo poderoso, desde então.

Não há espaço para maniqueísmos aqui, o seu enredo não é preto no branco, são personagens com qualidade e defeitos como qualquer um de nós e, após um tempo assistindo o filme você não sabe mais quem é o dominador e o dominado da história.

Esse detalhe deixa o filme com uma atmosfera ainda mais sufocante, por que os momentos em que o Fred demonstra o que sente por Miranda deixam uma sensação amarga de vergonha alheia em quem assiste e nos momentos em que Miranda se aproxima de Fred ficamos indignados, inconformados com o que ela está fazendo, ou dizendo.

É uma relação doentia e como já diz o pôster do filme "Quase uma história de amor", afinal, quem nunca viu uma história como a de Fred e Miranda? O filme também deixa uma questão interessante no final, a de que os personagens estão fadados a relacionamentos assim para sempre, pois nenhum deles parece disposto a mudar, em momento algum, e por isso vão continuar a cometer os mesmos erros, sempre e sempre. Entrando e saindo desse tipo de relacionamento, mesmo que longe do cativeiro.

Quanto à parte técnica o filme é um colírio para os olhos. Eu sou suspeito de falar, pois adoro filmes coloridos em Technicolor, com aquela granulação tão peculiar nas imagens, mas mesmo quem não se liga muito nesse aspecto técnico, vai se sentir bem ao ver o filme, com suas cenas bucólicas, os planos bem abertos. Uma verdadeira obra de arte.

Enfim, "The Collector" é um clássico mais que recomendado. Assistam!

4 pontos

domingo, 30 de novembro de 2014

Dica literária: "Koe no Katachi" (2014)

tumblr_n9h45a6cdB1rejw54o1_500


"Koe no Katachi" é um mangá escrito e desenhado por Yoshitoki Ooima, serializado entre Agosto de 2013 e Novembro de 2014.

O mangá conta a história de Nishimiya Shouko, uma garota surda que se muda para uma nova escola, de ensino primário. Pelo fato dela ser surda, acaba sendo alvo das brincadeiras de mau gosto de Ishida Shouya, até que ela é forçada a sair da escola. Como resultado, Ishida acaba sendo ostracizado por todos os seus colegas de classe, durante todo o resto da sua vida escolar primária. Anos depois, já no colegial, arrependido do que fez, ele procura se reencontrar com Nishimiya, buscando redenção pessoal.

Agora que acabou, sinto-me livre para falar desse excelente mangá, que começou como um one-shot e depois foi serializado. No one-shot somos apresentados a toda a história de Ishida zoando Nishimiya em algumas páginas, finalizando com o seu reencontro em uma estação de trem. Já na serialização todo o primeiro volume do mangá é dedicado a mostrar a infância de Nishimiya e Ishida, aprofundando em seus relacionamentos com os parentes e os amigos, centrando-se mais em Ishida, mostrando que ele é um garoto que, simplesmente, não quer ficar entediado e por isso se mete em loucuras como pular da ponte e zoar Nishimiya, chamando a atenção de todos. No entanto, ele, no fundo, não tem amigos, que só se aproximam dele por que não vêem outra opção e por isso, acabam fazendo Ishida ser alvo de ostracismo, após a saída de Nishimiya da escola.

No final do primeiro volume, a série pula alguns anos e Ishida já está no colegial, ainda sem amigos ou expectativas para o futuro. Ele passou os últimos anos dedicando-se a aprender a língua de sinal, até o dia em que se reencontra com Nishimiya e, então, ele dedica-se a tornar-se amigo dela, surpreendendo a garota.

A partir daí, o mangá desenvolve as relações de Ishida com Nishimiya e as pessoas do seu lado, mostrando como Ishida volta a confiar nas pessoas e descobre-se apaixonado pela garota. Conhecemos também o passado de Nishimiya e sua relação com a família, que mostra-se bastante complicada também.

Como todo mangá, infelizmente, as relações amorosas não são aprofundadas (não rola nem um beijo entre os dois), mas não é longo o suficiente para enjoar os leitores. Sem contar que o desenvolvimento de personagens é impressionante, dando a atenção necessária para que os leitores criem empatia com cada um deles, até mesmo os secundários, que também são bem explorados e necessários para o desenrolar da trama.

Um dos pontos que me chamou a atenção foi o fato do autor ter contado com o auxílio da "associação japonesa para pessoas com deficiência auditiva" (ou algo assim, não sei qual seria a tradução exata) para fazer os sinais exatos da língua de sinais no mangá. Algo que é muito interessante, por que funciona para atrair o interesse dos leitores á língua de sinais e conferir mais realismo à história, principalmente quando ela começa a ser contado do ponto de vista da Nishimiya.

A arte também é muito boa, não sendo espetacular, mas sendo muito competente e bem equilibrada.

Enfim, "Koe no Katachi" é um ótimo mangá, já finalizou então leiam sem medo de ser cancelada ou virar uma porcaria.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Dica cinematográfica: "O menino e o mundo" (2014)

o-menino-e-o-mundo


"O menino e o mundo" é um filme brasileiro de animação lançado nos cinemas nacionais no ano de 2014.

O filme conta a história de um garoto, que sentindo falta do pai, decide sair de casa para procurá-lo, descobrindo um mundo cheio de máquinas bizarras com aparências animalescas, sociedades futuristas e vidas de pessoas diferentes, com seus próprios dramas, hobbies, sonhos e esperanças.

O filme não tem falas, ou melhor, até tem, mas não são inteligíveis. Ainda não sei se eles falam alguma língua diferente, com a qual não estou familiarizado, ou se suas vozes são tocadas de trás para frente (opção mais plausível). Toda a história é contada sem que saibamos os nomes de seus personagens, alguns que mais parecem alegorias de tipos que encontramos no nosso mundo, como morador de favela que vai pro trabalho antes do sol nascer e só volta para casa depois que o sol se põe, até mesmo o pai do garoto, que é a personificação do homem do interior que vai para a cidade grande procurando uma oportunidade de melhores condições de vida.

No entanto, a falta de diálogos é compensada pela trilha sonora, simplesmente sensacional, com tons muito originais, em sua maioria instrumental (apenas uma canção é cantada, pelo incrível Emicida, também de trás para frente), traduzindo para os nossos ouvidos quais as sensações que o menino está sentindo em cada um dos momentos de sua aventura por esse mundo mágico.

Aliado à isso, está a arte do filme. É uma animação muito texturizada, seus personagens parecem terem sido desenhados com giz de cera, algumas partes do cenário parecem colagens de páginas de revistas e a movimentação de tudo é feita de forma a criar um ambiente lírico, aberto à imaginação do espectador, dando ainda mais originalidade à essa obra.

O único pecado que eu acho que a obra comete é ao querer aliar à ótima história uma crítica social, que, em alguns momentos, é clara e direta, como no momento em que o garoto pensa encontrar o seu pai, mas descobre estar vendo apenas uma multidão de homens iguais. No entanto, em diversos momentos a crítica torna-se confusa, como no final, em que duas aves gigantes brigam acima da cidade (esse momento é de fácil compreensão, mas uma das aves apresenta-se confusa para o espectador).

Felizmente, isso não prejudica de forma alguma o filme, que poderia muito bem existir sem essas partes.

O final também torna-se um pouco confuso para acompanhar, confesso que ainda não o entendi, mas quem disse que precisa-se entender o final de um filme para ele ser considerado bom ou não? Afinal, não é esse mistério, essa libertada dada à imaginação do espectador que faz filmes tornarem-se clássicos?

Enfim, "O menino e o mundo" é um ótimo filme, uma produção nacional digna de nota, que serve para ensinar à outras produções o que é um filme de animação bom, de verdade. Esse sim, merecia concorrer ao Oscar.

4 pontos e meio

domingo, 9 de novembro de 2014

Um texto com os meus pensamentos sobre o final de Naruto.

naruto pais


Quando eu soube que o Naruto ia acabar eu fiquei eufórico, alegre de verdade, foi, provavelmente, o dia mais feliz de Outubro para mim. Basicamente, eu fiquei assim:



No entanto, eu estava muito atrasado. Acho que eu não lia o mangá desde o ano passado, pelo menos, então eu tive que ler uns 300 capítulos em uma semana, ficando assim:



Durante a minha leitura, eu lembrei por que eu havia parado de ler o mangá de Naruto. Quando Naruto explodiu (isso quando eu tinha uns 11 anos) e todos os meus amigos liam e assistiam o Naruto, eu achava aquilo o máximo, é oque me fez entrar de cabeça no mundo otaku, mas conforme você vai crescendo, ganha maturidade, você começa a questionar algumas coisas, como por exemplo, por que o excesso de peitos grandes saltando no meio da sua tela? Por que os japoneses tem um senso de humor tão ruim? Por que as lutas duram tantos capítulos? Por que os romances nunca são desenvolvidos? Por que os personagens gritam tão histericamente? Por que porcarias assim fazem sucesso com pessoas de 20 e tantos anos? À partir daí, você se toca de que a maioria dos mangás são puro lixo, produzido apenas para suprir uma demanda gigantesca de mercado.



Por essas razões, eu parei de nadar tão profundamente no mundo otaku e hoje em dia, cada anime que assisto ou mangá que eu leio passa por uma rigorosa malha fina antes de eu me atrever a assisti-lo. Após isso, parei de ler Fairy Tail, parei de comprar mangás só para ver  como eram na banca e pesquiso muito antes de assistir os 3 primeiros episódios de algum anime para decidir acompanhá-lo. No entanto, com Naruto é diferente. Naruto foi uma bomba no mundo ocidental, era o Cavaleiros do Zodíaco dos anos 2000, o Dragon Ball Z da minha geração, a maioria dos otakus entre 17 e 23 anos hoje, entrou nesse mundo através de Naruto, então muita gente dá importância para essa história, importância merecida aliás.



Então, eu decidi voltar a ler o mangá, ficando assim em alguns momentos:



Em outros, eu ficava assim:



E finalmente, alcancei o capítulo 695.



Mas finalmente, consegui alcançar o capítulo 695 e comecei a acompanhá-lo em tempo real. Mas eu estive sempre com um pé atrás em relação ao final da série. Primeiro, por que as últimas lutas foram exageradamente épicas. Entenda, não há nada de errado com lutas épicas, elas são ótimas, mas desde o final do arco da akatsuki, o mangá passa por uma sucessão de lutas épicas tão grandes que enjoa. Simplesmente, nada do que acontece ali impressiona, apenas cansa. Sem contar que os motivos dos personagens começam a perder sentido, então eu fiquei assim quando a luta final do Sasuke e do Naruto começou:



E tão rápido quanto começou, ela acabou e eu não podia estar mais desinteressado no seu desfecho quanto eu estava ao terminar de ler o capítulo 699.



Só que aquele era um capítulo duplo, então eu comecei a ler o capítulo 700, que, sinceramente, pareceu a mim muito interessante, tornando-se satisfatoriamente bom.



E eu não preciso nem dizer como eu fiquei quando vi a Hinata ao lado de sua filha com o Naruto, né?



E então a possibilidade de mais histórias do universo Naruto, mas dessa vez com os filhos dos personagens principais.



Eu estava esperando que o Sasuke morresse sim, mas se você quer saber, esse final foi muito melhor do que teria sido se o Sasuke tivesse morrido.


No final, a série do Naruto não é nenhuma obra de arte genial, leitura obrigatória para qualquer fã de um bom mangá, mas teve um final extremamente satisfatório, se não perfeito, para uma série cheia de altos e baixos e que nos últimos anos estava tendo só baixos e fundos.


Agora que ela acabou, dá até para dar uma nota 3.


3 pontos


Estou até pensando em comprar o último volume pra ter aqui guardado, se o último capítulo tiver páginas coloridas.


Quanto às novas histórias, eu espero que sejam lançadas em volumes únicos ou one-shots mesmo, por que se não, nem compensa acompanhar. Mas eu vou ficar no aguardo e ansioso, se aparecerem os filhos dos personagens principais.


naruto filhos


terça-feira, 4 de novembro de 2014

Dica musical: "Vibes!" de Theophilus London (2014)

theophilus-london-featuring-kanye-west-cant-stop-snippet


"Vibes!" é o segundo álbum de Theophilus London, um rapper/fashionista/cantor pop trinidadiano, com base nos Estados Unidos, onde mora e produz suas músicas.


Coloquei ali diferentes "títulos" para o cantor, por que é um pouco difícil clasificar sua música, ao menos em "Vibes!", como rap. Visto que não tem tantas rimas, são canções mais curtas e menos focadas na mensagem e mais no estilo, seja lírico ou sonoro.


Em "Vibes!" somos logo apresentados a esse estilo do cantor com "Water Me", uma canção curta, muito centralizada em sua batida, um tanto futurística, meio oitentista, parecendo um sampler da trilha sonora de algum filme como "Time Masters" ou "Planeta Fantástico", o que é legal, aliado a uma letra que não deixa transpor, com clareza, a sua mensagem, tornando-se, de certa forma, enigmática, sendo uma abertura brilhante para um CD tão bom.


Inclusive, a palavra "enigmático" pode ser a palavra que melhor descreve esse CD, ao lado de "sofisticado", pois é assim que ele é. Cheio de nuances, batidas certeiras, com mudanças pequenas em momentos claramente reservados para elas. Nada se sobrepõe, nada gera confusão, não existe caos aqui, apenas ordem e clareza, mas sem leveza, pois é um CD enigmático, seja em suas batidas, seja nas letras curtas.


3 pontos e meio

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Dica cinematográfica: "A dama de Xangai" (1947)

2m4x8xt


"A dama de Xangai" é um filme policial, filmado no estilo noir de 1947.

Conta a história de Michael O'Hara, um marinheiro com passado obscuro que se encanta pela bela e jovem Elsa Bannister, mulher de um famoso advogado criminal, o sr. Arthur Bannister. Após o primeiro encontro com a mulher, Michael recebe a visita de seu marido, que o oferece um emprego em seu iate, que sairia de Nova Iorque e iria até São Francisco, passando pela baía do Panamá. Induzido pelos colegas, que também conseguiram um emprego no luxuoso barco, Michael aceita o trabalho, sentindo-se cada vez mais atraído pela mulher. Durante a viagem, conhece George Grisby, sócio de Arthur, que oferece a Michael 5 mil dólares, caso este o mate. Michael decide aceitar o plano e, com o dinheiro, tenciona fugir com Elsa, mas Grisby morre antes da hora e o marinheiro é acusado de homicídio, correndo o risco de ser sentenciado a morte.

Este é um ótimo filme policial, incluído entre os filmes noir pela sua narrativa, com voz em off de Michael O'Hara narrando o filme todo, a femme fatale e a trama surpreendente e envolvente. O filme começa um pouco mais lento, apresentando muito bem cada um de seus personagens, mas sempre com um ar de mistério para não dar na cara quais são as reais intenções dos personagens, mas logo após o assassinato de Grisby, o ritmo acelera e a narrativa deixa de ter ares aventurescos, com uma mudança constante de ambientação, para ter um ar mais soturno, investigativo, mas sem tornar-se pesado demais. Do meio para o final, todas as máscaras caem, o filme torna-se cada vez mais psicológico e os mistérios se solucionam.

Os diálogos também são um espetáculo à parte, com destaque para a parte em que Michael é convidado para sentar-se com o sr. e a sra. Bannister e se surpreende ao constatar que a ideia de diversão deles é ficar sentado ao redor de uma fogueira, enquanto todos se ofendem. Após isso, ele começa um maravilhoso diálogo em que descreve uma de suas viagens ao Brasil, onde em Fortaleza viu-se cercado de tubarões, enquanto pescava, um deles se machucou no anzol e o sangue se espalhou, atiçando os outros tubarões. Acabou que todos os tubarões acabaram se comendo, num frenesi mortal e selvagem, prevendo o que já aconteceria no final do filme.

É uma metáfora, que também serve como crítica social, ainda nos dias de hoje.

"A dama de Xangai" é um filme que me surpreendeu, principalmente por não ser um filme tedioso, mas sim um filme divertido, legal, gostoso de assistir.

4 pontos

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Dica musical: "The Long Goodbye Soundtrack" (1973)

the_long_goodbye


Já indiquei aqui este filme maravilhoso chamado de "Um Perigoso Adeus". Hoje, após muita procura, desistências e mais procuras, encontrei a trilha sonora completa deste filme, que tem apenas uma música.

Alguns filmes precisam ser assistidos mais de uma vez para serem completamente admirados, pois muitas vezes estes filmes quebram várias barreiras, em diversos aspectos e somos impressionados apenas em algumas, deixando outras escaparem à atenção de nossos olhares. "Um perigo adeus" é um bom exemplo.

A primeira vez que eu assisti ao filme não reparei, mas quando o assisti pela segunda vez notei algo muito peculiar e interessante neste filme: Ele só tem uma música, batizada com o mesmo nome  do filme ("The long goodbye"), mas tocada em ritmos diferentes, por artistas diferentes, de gêneros diferentes, variando do clássico jazz, passando pelo fusion gostoso até uma versão mariachi.

A trilha sonora do filme contém 20 canções, ou melhor, interpretações diferentes da música tema, contando com umas bem exóticas como a versão mariachi, algumas apenas instrumentais e até a montagem com todas elas.

Enfim, a trilha sonora de "The Long Goodbye" é excepcional. Uma joia rara, ainda a ser descoberta pelo mundo.

4 pontos e meio

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Dica musical: "Plowing into the field of love" de Iceage (2014)

OLE-1068-Iceage-Plowing_Into_The_Field_Of_Love


"Plowing into the field of love" é o novo álbum da banda punk/hardcore dinamarquesa Iceage, sucessor de "You're Nothing".

"Lord's Favorite" foi a primeira música que ouvi desse novo álbum, junto com "Forever" e a primeira, sendo uma canção cheia de influências de country music, com uma letra, apesar de elaborada, soando como uma enorme piada e eu fiquei, profundamente, desapontado com essas primeiras canções, apesar de "Forever" ser uma excelente música, por que eu achei que eles iriam ser uma dessas bandas que começam incríveis e, sob o pretexto de estar amadurecendo e crescendo, acabam mudando completamente  a sua sonoridade, caindo no limbo da descaracterização completa, como aconteceu com Arctic Monkeys, por exemplo.

No entanto, já vimos bons exemplos de bandas que crescem e amadurecem e ainda assim continuam fiéis a sua sonoridade, avançando em níveis criativos, líricos e produtivos, citando nessa categoria bandas como Cage the Elephant e La Dispute.

E é com enorme prazer que eu consto que Iceage entra no segundo grupo, reforçando a tese de que essa é uma das melhores bandas de rock/punk/hardcore da atualidade, quiçá, da história.

A começar pela sua estratégia comercial, lançando "Lord's Favorite" uma música ridiculamente ruim como o primeiro single do álbum, dizendo claramente para os fãs "ESSE NÃO É O ÁLBUM DE ICEAGE QUE VOCÊ ESPERA, ELE É DIFERENTE, ESPERE POR ELE SER DIFERENTE!" e logo as suas expectativas vão lá embaixo com isso, mas logo, em seguida, lançando uma música ótima como "Forever" e te deixando com uma pulga atrás da orelha, fazendo você questionar se esse será um álbum tão ruim como você esperava.

É uma ótima estratégia, principalmente, por que o Iceage não foi por caminhos tão diferentes assim. Tá certo, eles estão com uma sonoridade diferente dos primeiros álbuns, mas não é como se a banda tivesse sofrido uma descaracterização completa. Colocando em uma analogia fácil de se compreender, é como se antes a banda estivesse caminhando por caminho tortuoso, pisando em buracos, afogando-se em poças de lama, indo para o meio do mato ao lado da estrada, dando meia volta e repetindo o mesmo caminho todo de novo. Já neste CD, é como se eles estivessem seguindo pelo mesmo caminho, mas descoberto que ele faz parte de uma estrada muito grande, que segue ao lado de outras estradas também muito grandes, desviando dos buracos, pulando nas poças de lama para se sujar um pouco e tirando sarro daqueles que estão seguindo as outras estradas ao lado.

Sendo formada por caras em torno dos seus 20 anos, que viviam na Dinamarca, um país com um cenário musical muito sólido, é completamente plausível que só agora eles estejam descobrindo estilos musicais daqueles que os cercavam na capital dinamarquesa, como o jazz, ou mesmo bandas que poderiam muito bem ter servido como influências nos antigos álbuns do grupo.

A receita que todos gostamos da banda ainda está lá, os riffs de guitarra continuam caóticas, a bateria continua violenta e o baixo ainda continua marcante e forte em todas as suas canções, mas o vocal, antes ininteligível, selvagem e brutal, torna-se mais ameno com este CD, no entanto, não menos obscuro, afinal o vocalista da banda é dono de um belo barítono, algo que se destaca bastante nesse álbum, podendo revelar uma outra faceta das canções do grupo, uma faceta mais sombria, misteriosa e até assustadora. A mudança mais agressiva (compreenda isso em todos os sentidos) é o tempero usado pela banda, antes nem era presente, e agroa é marcado por pianos, trompetes e violões.

Todas essas mudanças abrem um novo horizonte para o som caótico, deprimente, até niilista da banda, sofisticando os seus arranjos, seus acordes, em suma, a sua sonoridade.

Para mim, "You're Nothing" foi um dos melhores álbuns que já tive o prazer de escutar e achava difícil que o Iceage pudesse superá-lo,e ainda acho que não superou, mas em tão pouco, ver um lançamento tão bom e satisfatório como esse é, realmente, incrível.

4 pontos

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Dica televisiva: "Space Dandy 2" (2014)

[caption id="attachment_857" align="aligncenter" width="212" class=" "]763822-space_dandy_2_large Space Dandy wa uchuu no dandii de-aru[/caption]

E agora, com vocês, a dica televisiva da tão aguardada segunda temporada de Space Dandy.


Pouca coisa muda da primeira temporada para a segunda, mas uma das coisas mais interessantes é que essa segunda temporada assumiu de vez que Space Dandy não é só um anime de 2014, ele é um projeto em formato anime. A primeira temporada, se você não se lembra, foi criada por Shinichiro Watanabe, imagino que nos moldes criativos com os quais Cowboy Bebop foi concebido, ou seja, cada um da equipe criativa dava ideias que iam sendo adotadas e adaptadas para o anime, mas nessa segunda temporada, Shinichiro Watanabe teria que deixar a liderança de Space Dandy para assumir o comando de outro anime, o maravilhoso Zankyou no Terror.


Sendo assim, essa segunda temporada de Space Dandy teve o grande diferencial de yer cada um de seus episódios dirigido por uma pessoa diferente, sendo assim, além de termos uma profusão de estilo artísticos diferentes (um dos grandes chamarizes da primeira temporada), também vemos essa abundância nos roteiros, ideias, conceitos e narrativas dessa segunda temporada.


É visível em alguns episódios que os personagens estão completamente diferentes da primeira temporada, em outros, a fluidez da narrativa é lenta, alguns esbanjam referências a outros animes, outros se aproximam muito da proposta espacial que foi a responsável por criar o anime, mas uma coisa que fica evidente e agora pode ser assumido como uma certeza é que Space Dandy foi criado para ser um anime sem fim, desses que ficam passando por anos e anos a fio, algo mais popularizado aqui no ocidente com desenhos como Pica-Pau e Tom e Jerry.


No entanto, ninguém sabe, infelizmente, se essa proposta será levada para frente ou não, algo que fica saliente com o episódio final, que encerra em uma batalha fenomenal a guerra entre o império Gogol e o império Jaicro, além de dar início a uma nova era de aventuras com Space Dandy,mas será que isto terá continuação?


Não sei, mas espero que sim, apesar deste temporada não ser melhor que a primeira, ela é muito interessante, como um projeto Space Dandy e espero que tenham mais e mais temporadas deste fantástico anime.


4 pontos


Obs: A trilha sonora está incrível (além de gigante) e eu já vou ouvi-la para fazer uma dica musical aqui.

sábado, 18 de outubro de 2014

Dica cinematográfica: "Super" (2010)

super-movie-poster


"Super" é um filme de super-heróis sem poderes, nos moldes de Kick-Ass, com um pouco mais de drama, do ano de 2010.


O filme conta a história de Frank, um bunda mole, não cheira, nem fede, que após ver a sua viciada ex-mulher com outro homem, um narcotraficante sedutor, decide virar um super-herói, acreditando ter recebido um chamado de Deus para isso, combatendo o crime sob a alcunha de "Crimson Bolt", usando uma fantasia que ele mesmo criou, uma chave inglesa e sua louca ajudante "Boltie".


O filme têm um sentido muito mais profundo do que parece. Tratando-se de um filme dramático, ele têm um personagem principal muito complexo, que se acomodou à sua vida pacata, casado com a única mulher que se interessou por ele, em um momento difícil da vida dela, logo após ela ter saída da reabilitação por ter sido viciada em drogas. Aliás, no começo do filme, Frank diz que teve apenas dois momentos felizes em sua vida, que fizeram ela valer a pena, o momento em que se casou e quando ele ajudou um policial a pegar um bandido.


Ao longo de todo o filme, acompanhamos a trajetória de Frank, tornando-se um herói odiado por todos, até que descobrem que ele combatia pedófilos, sequestradores e traficantes, tornando-se um herói amado, enfim, enfrentando os bandidos no final, perdendo muito do que ele amava, dando um desfecho surpreendente para o personagem e transmitindo uma mensagem extremamente bela para o telespectador; que você não precisa ter super-poderes, nem ser o coadjuvante de sua vida para ter uma existência significativa, de fato, Frank acaba salvando sua mulher e a vida de muitas outras pessoas simplesmente pela sua presença ali e que os momentos mais importantes de sua vida não precisam ser momentos de heroísmo grandioso ou extraordinários, um simples "bom dia", uma carona ou um "obrigado" já fazem sua vida valer a pena.


E é isso que Frank descobre no final, em uma cena incrivelmente tocante e satisfatória, fazendo deste um dos melhores filmes que eu já assisti.


4 pontos e meio

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Dica musical: "Rip This" de Bass Drum of Death

a3611181944_10


Apenas um pouco mais de um ano depois de "Bass Drum of Death", o segundo CD da banda, Bass Drum of Death retorna com mais um empolgante, dançante, agitado e surpreendente CD.


Acompanho o Bass Drum of Death desde que eles lançaram "GB City", em 2011 e sempre gostei muito do que eles lançavam. Naquele longínquo ano, a banda não tinha nenhuma grana, gravaram o primeiro álbum em uma garagem, com um microfono conectado a um computador pela entrada USB, buscando a maneira mais barata de se gravar um CD. De lá pra cá, eles fizeram um monte de turnês, aprenderam a gravar em estúdio com o auto-intitulado CD de 2013 e voltam com mais um CD carregado com 10 músicas originais e agitadas para o deleite de quem gosta de um bom rock n' roll.


"Rip This" começa um pouco desanimador, parecendo ser apenas mais do mesmo vindo de uma banda que não tem muito para apresentar além do rock de garagem juvenil popularizado no final da primeira década dos anos 2000 com bandas como Wavves e Best Coast, que é a especialidade de Bass Drum of Death, mas sem a distorção bagunçada e os "uuuhhh" e "ooohhh" do último CD.


Na verdade, pelas primeiras músicas parece mais uma banda de garagem, tentando ser rock n' roll e mostrar que estão crescidinhos.


No entanto, após "Everything's the same" (irônico? acaso?), a banda surpreende com "Sin is in 10", uma música que começa com um murmúrio, algo simples e que promete algo grande, até que a música explode em energia e vida, surpreendendo por se tratar de um rock n' roll puro, sem os "oohhh" e "uuuhhh" do rock de garagem, apesar da distorção na guitarra e na voz do vocalista ainda estar ali.


A partir daí somos apresentados a músicas cada vez melhores, sendo "Black Don't Glow" e "Lose My Mind", as melhores deste CD e, quiçá, da carreira deles, mostrando um rock um pouco mais refinado do que os dos últimos CD's, sem se preocupar tanto com maneirismos das bandas de lo-fi e do rock de garagem, indo direto ao ponto.


No entanto, e é aqui que o BDoD se destaca, eles não perdem a essência da banda, nem sofrem a descaracterização que detona tantas bandas por aí, as guitarras distorcidas ainda estão aí, a rebeldia juvenil, a bateria enérgica e, é claro, o ritmo acelerado e dançante, que é a grande marca da banda.


A criatividade em torno deste CD é tamanha que eles até se deixam entregar ao "estrelismo", colocando uma canção acústica no álbum e, surpreendentemente, os temas de suas letras não são repetitivos, nem piegas como a de muitas bandas.


Enfim, Bass Drum of Death mostram que, com esse álbum, estão prontos para seguir em caminhos cada vez maiores (ano passado, fizeram parte da trilha sonora do GTA V e suas músicas eram ouvidas nos intervalos da Nascar), podendo se posicionar, finalmente, ao lado de grandes nomes do rock n' roll.


4 pontos e meio

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Dica musical: "Zankyou no Terror OST" por Yoko Kanno

Cover-2710

Em mais uma parceria com o melhor diretor de animes do mundo, Shinichiro Watanabe, Yoko Kanno cria com maestria uma obra de arte musical, que cria o ambiente perfeito  para a história realista, perturbadora e, ainda assim, esperançosa de Zankyou no Terror.

Contando com a ajuda de artistas musicais da Islândia, como Arnór Dan Arnarson, a trilha sonora de Zankyou no Terror pode ser classificada com ambient, um gênero musical com ênfase na criação de um atmosfera que evoca a atenção do ouvinte, sem forçá-lo de forma alguma àquilo, ou seja, ela chama a atenção, mas para poder admirá-la é necessário a sua atenção, pois as diferenças entre uma canção e outra está em seus detalhes, pequenas mudanças de tom em seus instrumentos, que podem provocar uma mudança total na interpretação da canção. Não vou me prolongar muito no tema, que é muito ambíguo, mas devo dizer que o gênero é muito rico, não só na qualidade dos aparelhos com a qual as músicas são feitas, como também no número enorme de instrumentos possíveis que podem ser usados em uma música ambient, abrindo sempre novos horizontes para o gênero.

Enfim, a escolha de artistas nórdicos não foi à toa, talvez seja por lá que a música ambient melhor se estabeleceu, com artistas que desenvolvem músicas envolventes, evocando todo e qualquer tipo de sentimento sem para usar os instrumentos mais tradicionais ou mesmo digitais. Muito deles usam, inclusive, instrumentos regionais para elaborar suas canções, dando uma nova roupagem ao gênero, que se popularizou com o uso de sintetizadores, apenas.

Voltando á trilha sonora de Zankyou no Terror, a maioria de seus canções são perturbadoras, evocando desespero, desolação e melancolia, mas chega a ser deprimente, como muitas músicas, ela evoca alguns sentimentos ruins sim, mas as suas melodias sempre têm uma pontada de esperança, marcadas, principalmente, pelo uso do piano. Algumas adquirem tons épicos, crescendo ao longo de 2 a 3 minutos e finalizando lentamente, como se estivesse indo embora, abrindo espaço para algo novo, melhor, mais alegre.

Afinal, esse era mais ou menos o clima da série, algo masi perturbador, desolado, melancólico, porém sem nunca chegar a ser piegas, melodramático ou deprimente. Era apenas o realismo, é assim que a vida é e ponto.

Algumas canções são alegres, divertidas, abrindo um espaço vivo, alegre, gostoso no meio de tanta perdição, quase como se estivessem perdidas, fora de contexto; mas tudo isso se encaixa com a brilhante proposta da série.

Após ouvir a trilha sonora, cheguei a conclusão de que ela, antes de mais nada, é emocionante, em vários sentidos, um complemento à série, como se fosse um braço ou uma perna, um pedaço essencial, necessário para sentir a série plenamente.

5 pontos

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Dica televisiva: "Zankyou no Terror" (2014)

zankyou-no-terror.28531


"Zankyou no Terror" é um dos animes mais hypados deste ano e não é pra menos, com direção de Shinichiro Watanabe (Cowboy Bebop e Samurai Champloo), com character design de Kazuto Nakazawa (Samurai Champloo) e trilha sonora sob as asas criativas de Yoko Kanno (Cowboy Bebop, Ghost in the Shell e Space Dandy), além de contar com um tema atual e polêmico, esse anime têm a receita perfeita para ser um diamante brilhante no meio de tanto lixo produzido no Japão, atualmente.

E é.

"Zankyou no Terror" conta a história de Nine e Twelve, dois jovens terroristas, que usam vídeos na internet para divulgar os locais de seus atentados, assim como a hora, em formas de enigmas, denominando-se Sphinx nº1 e nº2; desafiando a polícia de Tóquio, em espacial o detetive Kenjirou Shibazaki, que havia sido transferido de cargo por causa de um caso não resolvido anos atrás, mas que parece ser o único que consegue resolver os enigmas da Sphinx. Em meio a tudo isso, também acompanhamos Lisa Mishima, uma garota que sofre na escola e em casa, mas que se deixa levar pelos sentimentos em relação ao Twelve, após ser salva por ele do primeiro ataque terrorista da Sphinx.

Este é o anime mais devastador, em todos os sentidos de Shinichiro Watanabe até agora, que havia se resumido à animes de aventura e, no máximo, slice of life, sempre juntando influências do cinema noir, o jazz, a ficção científica e temas filosóficos, metafísicos e até religiosos; que é mérito de seus auxiliares na produção dos animes, escolhidos a dedo pelo diretor. No entanto, em "Zankyou no Terror", apesar da história  de ambientar em uma "realidade alternativa" (de acordo com as sinopses oficiais), somos apresentados à sua obra mais realista, abrangendo um tema que chama muito a atenção: o terrorismo.

Não somos apresentados às razões dos protagonistas logo de cara, de fato, este é um anime que deixa mais questões do que respostas, criando situações que se apresentam sem saída e respostas às situações que merecem uma segunda assistida para você se convencer de que essas saídas talvez sejam os momentos mais surreais no anime. No entanto, isso não é algo ruim, muito pelo contrário, aliás, aliado à trilha sonora (tocante e muito influenciada pela música nórdica), conhecemos personagens cheios de sentimentos, negativos, sim e até desoladores, mas com uma brilhante mensagem de esperança no final.

O realismo exerce uma força no anime em todos os níveis, desde as personalidades de seus personagens (e nisto inclui-se os seus sentimentos, ideais e ações) até as cenas mais emocionantes, que não chegam a ser piegas ou sensacionalistas, o que pode se mostrar decepcionante num primeiro momento (mas este não é um anime para ser analisado num primeiro momento); mas que se bem analisado se encaixa na proposta do anime, de mostrar a realidade da forma que ela é e como nós devemos encarar o mundo que nos cerca, mas sem perder a esperança, que acaba tornando-se um ponto central na mensagem final que o anime quer passar.

Quanto à parte técnica, esse anime é sim uma jóia rara. No meio de tantas animações pobres, desanimadas desculpe o trocadalho do carilho e sem emoção, "Zankyou no Terror" mostra que um anime, quando feito com paixão e planejamento, briga de igual para igual com grandes produções cinematográficas. As cores são vibrantes, porém não cansam os olhos, a animação é fluída, notando-se algumas deixas aqui e ali, esporadicamente, mas que não perturbam quem assiste e sua qualidade excepcional pode passar despercebida pelo público geral de anime.

Aliás, esse é um anime que pode não ser compreendido pelo público geral de animes, que está acostumado com animes de qualidade duvidosa tanto no roteiro quanto em sua qualidade artística como Naruto, Shingeki no Kiojin,  Kill La Kill e outras porcarias que fazem sucesso por sei-lá-qual-razãom, exatamente por exigir um pouco mais de paciência e admiração de quem assiste, como eu já disse, exigindo que você assista algumas cenas mais de uma vez e te deixando pensando sobre a vida e a realidade em que vivemos por algum tempo após finalizá-lo.

Enfim, "Zankyou no Terror" é um anime que me deixou com expectativas altas, mais pela equipe por trás dele (impressionante, demais!) do que pelo seu tema e que, apesar de seus defeitos de roteiro, me surpreendeu, seja pela sua história singular ou pela qualidade artística incrível.

Só assista e admira, meu amigo.

4 pontos e meio

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Os debates agressivos e o reflexo da sociedade no comportamento dos políticos

1

 

Este ano será a primeira vez que eu terei que votar, um direito, que é obrigatório, então tentei conhecer as propostas políticas, aproximar-se dos políticos que saem da cidade onde moro e acompanhar os debates presidenciais.

No entanto, se eu disser que acompanhei o debate de ontem por apenas 20 minutos, estarei mentindo, por que isso foi muito. Achei simplesmente intragável o comportamento de todos eles, que dão beijo no início do programa, sorriem para as câmeras, mas estão com as armas preparadas para atacar os adversários, assim que o momento se mostra propício.

Com tanta baixaria, achei simplesmente melhor mudar de canal e assistir "A praça é nossa", que não deixa a desejar nos níveis de baixaria, mas é muito melhor, sabendo que aquilo é uma atuação e que o dinheiro que seus humoristas ganham vêm de meios honestos (em sua maioria, pelo menos).

E hoje, enquanto meditava no banheiro, acabei percebendo que isso não é um caso a ser ignorado e que o problema não está simplesmente nos políticos, mas talvez, em toda a sociedade do nosso país, que, diga-se de passagem, está podre e não é de hoje, nem ao menos desse século.

Basta acompanhar algum assunto polêmico em destaque no twitter, por exemplo, quando o aborto de bebês anencéfalos foi aprovado pelo governo. Todo mundo que se interessava pelo assunto foi ás redes sociais protestar ou parabenizar a decisão, atraindo rapidamente a atenção daquelas pessoas que acompanham aquelas que seguem esse tipo de assunto, por exemplo, seguidores de feministas famosas ou seguidores de canais religiosos. Em pouco tempo, esse era um dos assuntos mais comentados do Twitter, mas era, provavelmente, o menos debatido.

Nas redes sociais, estamos cada vez mais próximos e cada vez mais distantes. Sabemos instantaneamente o que disse "fulano de tal", damos a nossa resposta para aqueles que nos seguem e "fulano de tal" nem fica sabendo. E se fica sabendo, ele, no máximo, vai fazer uma réplica, no entanto, o comportamento comum à esse tipo de situação é o bloqueio da pessoa que discorda de você.

Mas espera aí, e o debate de opiniões? Ele simplesmente não têm mais espaço na nossa sociedade e é por falta de debate que vemos tanta violência gratuita nos jornais diários. Por um lado temos alguém que grita para o mundo todo ouvir as suas ideias, por outro temos aquele que discorda e assim que o primeiro consegue ser ouvido por alguém de interesse das duas partes, uma delas reage de forma violenta, seja ela através de um bloqueio no twitter ou através de uma lâmpada quebrada na cabeça em praça pública.

O que vemos simplesmente são imposições de ideias e aquele que grita mais alto e por mais tempo acaba ganhando. É como aquele vendedor chato que fica te jogando incessantemente motivos para você comprar o seu produto e você, cansado de tanto ouvir besteira, acaba comprando o produto e o vendedor vence, não por mérito próprio, mas por desistência sua.

As pessoas não entram mais em um consenso e já não faziam isso antes, afinal o nosso país sempre foi violento, é só pesquisar os conflitos regionais de nosso país, alguns considerados leitura obrigatória para vestibular até e você poderá constatar que nunca fomos muito sensatos quando o assunto se trata de diálogo. No entanto, conseguimos levar a violência á um outro nível, reagindo com palavras, expondo nossos alvos ao ridículo (estratégia que desde sempre é considerada baixa, mas que está sendo usada como nunca hoje) e quando nada disso funciona simplesmente ignoramos aqueles que discordam de nós.

Vejo muito disso no meu irmão, que tem 16 anos. Quando nós discordamos de algum assunto, ao invés de se acalmar e tentar explicar o seu ponto de vista, ele simplesmente vira as costas, balançando a cabeça e dizendo, quase cuspindo: "Tá! Tá!".

E o que eu vi nos debates foi bem isso, políticos atacando outros políticos, alguns se juntando para conseguir atacar um só político, seus seguidores fazendo o mesmo nas redes sociais e a divulgação de ideias e planos de governo que é bom, nada.

Pior, o respeito é zero.

Cito o momento em que a Dilma disse (mais ou menos) que estava ali como candidata à presidência, mas que exigia o devido respeito. Tá certo, os candidatos estão ali como rivais dela, você pode, com todo direito e respaldo da lei, discordar dela, mas ela é a presidente do país, cara! Pense em uma situação hipotética em que o seu pai trai a sua mãe, você pode e deve ficar bravo com ele e dizer o quanto ele está errado, mas ele ainda assim é o seu pai!

O pior de toda essa alienação com relação à opinião alheia é de que isso gera ódio, desprezo e desrespeito. É como uma nuvem que cobre o nosso senso de realidade, trancando-nos em nossos pequenos mundinhos, construídos pelas nossas opiniões para parecerem perfeitos.

2


Eu sei o quanto é ruim ver pessoas discordando das suas ideias, talvez mais do que muitos que reclamam de barriga cheia, por que eu nado quase que completamente contra a corrente de pensamentos que estão se popularizando nas últimas décadas, no entanto, se não fosse por isso, eu não teria me tornado essa pessoa que pensa duas, três, quatro vezes antes de dizer algo que vai contra o que todos falam. Afinal, se todos estão falando, é por que é verdade, certo? Errado. Nem sempre é assim, mas é bom ponderar os dois lados antes de escolher um.


Acho que o que mais prejudica o mundo hoje em dia, em todos os setores, seja ele econômico, ambiental, político ou social, é o extremismo. Quando adotamos uma ideia e seguimos ela cegamente, convencidos de que estamos certos e todo o resto está errado, então não podemos estar mais errados, por que é assim que perdemos a razão, ao ignorar os outros, expondo-os ao ridículo e, por fim, reagindo violentamente contra eles.


E isso vale para todos.