domingo, 9 de agosto de 2020

Dica especial de dia dos pais 2020: Chichi Ariki (1942)

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Mais uma dica especial para o dia dos pais e, dessa vez, com mais um filme japonês. O diretor escolhido foi Yasujiro Ozu, um dos meus favoritos.

Contando a trajetória de um pai que abandona o seu trabalho de professor após a morte da esposa e se muda de cidade com o seu filho, Chichi Ariki nos apresenta uma bela história de amor entre um pai e filho, ambos com seus sonhos e batalhando para continuar vivendo no Japão pós-Segunda Guerra Mundial.

Filmado em preto e branco, é um filme rápido, mas muito bonito. Sua narrativa é o que mais me chamou atenção, pois ela progride muito no meio do filme, mas sofre uma boa desacelerada caminhando para o final. Dessa forma, o filme mostra o desenvolvimento da relação entre pai e filho, exibindo todo o seu mimetismo.

Para olhares contemporâneos, o filme parece caminhar toda hora para um debate acalorado, mas Yasujiro Ozu é uma mente em paz e o seu filme não é nada mais que singelo. Em nenhum momento pai e filho se rendem aos debates (ou seria melhor, combates) que a porca cinematografia contemporânea tenta enfiar goela abaixo dos espectadores. Aqui a relação é íntima, apesar de geograficamente distante. Ambos, pai e filho, nutrem um respeito mútuo grande e o que os une é a afetividade.

Esteticamente, a obra é um petardo. Filmado no característico estilo do Yasujiro Ozu; a câmera na altura de uma pessoa sentada, mais próxima ao chão, mas focando em alguns momentos no rosto dos personagens. Todo em preto e branco, o filme é muito bonito, principalmente na versão restaurada pela Criterion.

Uma ótima pedida para o dia dos pais.

5 pontos

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Dica musical: "No" de Boris (2020)

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Não fiquei atento às notícias e perdi o lançamento desse álbum, mas o atraso foi bem-vindo. Comecei ouvindo-o enquanto assistia às imagens do maior cosplay de Akira já feito explodir no Líbano e não há momento melhor para No do que 2020.

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Eu até hoje não entendo o que tá acontecendo, mas Boris, a lendária banda de rock pesado e outras coisas do Japão lança o álbum perfeito para esse ano, o álbum perfeito para encarar o fim do mundo que não é, afinal, o mundo parece à beira do colapso, mas não adianta espernear, é o que temos e é o que teremos pelos próximos anos. É isso aí, se acostuma que esse é o só o ano um, ainda virão muitos outros.

E entrando no ano um com um chute na porta, Boris nos entrega esse álbum que é puro hardcore do tipo mais pesado, com riffs rápidos de guitarra, bateria explosiva, baixo acelerado e vocais gritantes. É um deleite para quem curte o gênero!

No entanto, estamos falando de Boris, a banda que lançou um dos melhores álbum de punk-rock da história lança um álbum de dream-pop todo limpinho e leve, ou seja, No não é puro hardcore pesado, embora ele seja isso também. Todas as músicas passam dos dois minutos e algumas são bem longas para os padrões do hardcore, mas além disso, temos elementos vindos diretamente do metal e seus subgêneros que o Boris entende muito bem, doom, stoner e drone auxiliam na criação de uma atmosfera caótica, pesada e obscura.

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Mas é do caos, do peso e da obscuridade que saem as pérolas que Boris produz. Os sons distorcidos, a gritaria e a velocidade soam como uma terapia para os tempos atuais e não é difícil encontrar adjetivos próximos a isso nas resenhas desse álbum. Afinal é disso que precisamos, algo explosivo, destrutivo, para recomeçar tudo. E No, terminando com um singelo e atmosférico interlúdio, é essa exata mensagem, um recomeçar enérgico e explosivo.

No entra para o catálogo de um dos melhores álbuns de Boris, com certeza. É uma explosão atrás de outra, um som muito pesado, com todas as marcas registradas da banda, mostrando que eles ainda tem criatividade para dar e vender.

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quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Sim à vida.

índice

Esta pintura foi feita por uma artista plástica mexicana, doada esta semana a uma paróquia da Cidade do México. A pintora realizou a obra celebrando a decisão da Suprema Corte do México de _não aprovar a lei do aborto no país.
Título da obra: Nossa Senhora da Vida ✨
Está na Paróquia S. Josemaría, na capital mexicana.
Não sei se é verdade, mas não poderia perder a chance de divulgar essa bela pintura.

quinta-feira, 23 de julho de 2020

Dica musical: "Lil House" da banda mais incrível do momento, Angel Du$t

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Já está escrito no título, mas é sempre bom lembrar: Angel Du$t é a banda mais incrível do momento e o lançamento surpresa desse EP que venho indicar aqui é mais uma prova sólida disso.

Surgida como um braço do Turnstile, a banda de hardcore mais foda do momento, Angel Du$t fazia um som abrasivo, agitado, pesado e juvenil, mas que não era excepcional como a sua banda irmã fazia e deixava todos de queixo caído. E aí, ano passado, eles lançam o Pretty Buff, o melhor álbum de 2019, mas com uma sonoridade muito distante de tudo que a banda já havia testado até então.

Um pop-rock com os pés do punk, experimentando com diversos instrumentos diferentes, de maneira simples, porém criativa, sem se importar com o resultado e saiu uma belezinha.

Continuando na mesma pegada, Lil House parece um spin off de Pretty Buff, mas no melhor dos sentidos. Parece um spin off, porque segue na mesma pegada experimental e pop do álbum anterior, até se distanciando um pouco do punk com Never Ending Game, o single do EP, mas mantendo uma pegada experimentalista, testando diversos elementos, que não foram testado até então.

https://youtu.be/z0g0Rx6PVBg

O saxofone, que marcou excelentes canções no álbum do ano passado, lastimavelmente, não retornou, mas em compensação, temos alguns elementos eletrônicos antes de começar a pedrada indie rock de Turn Off The Guitar e uma percussão marcante, mas cheia de variações e texturas na música que dá o título ao EP. Por fim, o violão ocupa o papel principal no single.

Aos que ainda duvidam da genialidade da banda, prestem atenção ao ritmo das canções, que muda de tempo em muitas partes dela, dando aquele "groove" gostoso que dá vontade de dançar quando a gente escuta essas três pérolas que é o melhor que o rock tem a nos oferecer atualmente.

 

segunda-feira, 13 de julho de 2020

Hoje eu faço 26 anos

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Faço 26 anos. Ano passado foi o melhor ano da minha vida e esse tem sido um dos piores.

A tirinha ilustrando essa postagem é bem significativa para mim, pois ela exibe nas sombras aquilo que as luzes não aceitam no seu meio. Essa tirinha foi escrita em 1989, é a última dentro de uma série de tiras que contam como a família do Calvin foi roubada e, na última tira da saga, a mãe reconforta-se em pensar que perderam bens materiais, mas eles mantêm aquilo que importa, eles mesmos.

O que a tirinha não mostra é uma lição para os tempos em que vivemos e o motivo de minha tristeza: esquecemos de nós mesmos, esquecemos o que realmente importa. Por culpa do Covid-19 pessoas que eu considero muito têm reagido de forma histérica, paranoica e surrealista. Elas evitam que eu entre em contato com elas, não me abraçam, não me beijam, exigem que eu tome banho toda vez que volto de casa após ir à padaria a apenas 100 metros de casa. Elas não me escutam, não importa a quantidade de dados que eu apresente a elas, as citações de prêmios Nobel de química, de estudos científicos e dados brutos, elas não acreditam em mim. Preferem acreditar no que o jornal diz, preferem ver o copo sempre meio vazio e preferem se isolar. Se eles se isolassem do mundo, estaria tudo bem, mas eles se isolam de mim e isso é o que mais machuca.

Hoje meu psicólogo me diz que eu devo ficar quietinho em casa, sozinho e encontrar formas de me encontrar com as pessoas que amo em outras dimensões, dizendo que isso é o “novo normal”. Ano passado, se tivesse dito para ele que prefiro me encontrar com pessoas que amo em “outras dimensões” e achasse isso “normal”, ele teria me enquadrado em algum transtorno psicológico que exige atenção. E pela primeira vez sinto que ir ao psicólogo tem piorado a minha saúde psicológica.

Outro dia vi que as mortes não chegam a 5% do total de infectados, com grande chance desse número ser ainda menor. Vão dizer que são 70 mil brasileiros que tiveram suas vidas ceifadas e perguntar até quando a morte será relativizada? Mas eu digo que só no primeiro mês 60 mil empresas foram fechadas, impactando diretamente a vida mais de 100 mil brasileiros, 100 mil vidas que foram jogadas ao desemprego, a pobreza e, por fim, a morte. Até quando iremos relativizar a miséria?

Até quando iremos colocar uma focinheira de pano toda vez que saímos de casa? Até quando eu não poderei abraçar meus queridos parentes, amigos e outros entes queridos? Nos prometeram um pico em maio, depois junho, já falaram em agosto, mas hoje quando eu digo que não tenho esperança que as coisas melhorem até o final do ano, acham normal. Toda essa apatia e aceitação cega do que supostas “autoridades” nos dizem me machuca muito. Não importa que essas autoridades tenham errado desde o início de todo esse drama, simplesmente irão me dizer que cada um está fazendo o melhor que pode pra poder lidar com essa situação.

Mas que “melhor” é esse que se afasta dos outros? Que exige um comportamento anormal e histérico das pessoas que supostamente ama? Que “melhor” é esse que, no melhor cenário, aliena as pessoas e, no pior, machuca, fere e ignora o sofrimento dos outros? Com certeza, os alemães que denunciavam judeus também estavam fazendo o seu melhor e é pensando nisso que eu proponho um novo ditado: de “melhores” o inferno está cheio.

Por trás de todo discurso politicamente correto que pede que eu faça o meu melhor, que eu fique sozinho em casa, que eu passe a interagir com quem amo em “outra dimensão”, eu vejo um misantropo escondido e isso me fere, me machuca e me faz sofrer.

Hoje eu faço 26 anos e o único presente que eu posso pedir é que me escutem, por favor. Eu tenho coisas a dizer e que não são loucuras, eu tenho coisas a dizer que tem comprovação científica, eu tenho opiniões sinceras, que, por mais absurdas que possam parecer, são reais, vem direto do meu âmago e representam uma parte de mim. Essas coisas, por mais absurdas, irreais, insensíveis e crueis que possam parecer são apenas parte da minha incessante busca pela Verdade.

A Verdade não se encontra nos jornais, nas opiniões de "especialistas", na "ciência" como entidade abstrata, mas nos estudos que dão trabalho para ler, nos grandes clássicos de ficção com linguagem arcaica, nas opiniões ousadas e que fazem os ouvidos doerem, a Verdade se encontra quando você nada contra a corrente e apenas a Verdade pode nos levar a realização de nossas vidas, pois a Verdade liberta.

O único presente que eu posso pedir é para que busquem a Verdade e se libertem comigo.

quarta-feira, 24 de junho de 2020

Links sortidos de quarta #45

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Continuamos lembrando que imposto é roubo.

A pandemia é uma farsa.

Por culpa dos criminosos de toga, o Brasil afunda cada vez mais no obscurantismo, mas não podemos nos esquecer de que isso já foi escrito e há um ano, Weimtraub, o maior guerreiro que o governo Bozo já viu, nos alertava disso.

Mesmo com o Novo traindo o povo brasileiro com princípios puramente econômicos, continuo confiando no partido, que tem membros muito decentes, o maior deles, talvez, sendo Marcel van Hattem.

Porque todo homem deve ser forte?

Na raba, toma buttercup!

segunda-feira, 22 de junho de 2020

A internet brasileira caminhou quilômetros para frente na semana passada

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Há uma sensação egotística de acreditar que vivenciamos momentos especiais e únicos na história, provindo da nossa necessidade de afirmação. Conforme essas sensações se tornaram banais e altamente divulgadas nos anos logo após o surgimento e popularização da internet, a forma de se abordar esse tipo de situação passou a ser a irônica. No entanto, há momentos que são realmente históricos e nós podemos entendê-los logo após vivê-los pelo impacto silencioso que eles nos causam.

Foi assim quando o Pânico, aos poucos, foi crescendo e se tornando o veículo de mídia principal para se obter conhecimento das ideias políticas atuais do país, foi assim ao vivermos a calmaria pós-2013, foi assim quando houve um crescimento de ideias conservadoras na internet por volta de 2010... O impacto é silencioso, ou seja, sentimos que algo foi feito de impactante, mas não podemos colocar em palavras o que é que sentimos e apenas tempos, meses ou anos, depois é que conseguimos entender.

Semana passada, dois momentos geraram esse impacto silencioso: a conversa do Flow Podcast com o XBox Mil Grau no meio da semana e a conversa de Maicon Küster com Gambit.

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Já falei do quão importante foi a conversa com o Xbox Mil Grau no Flow aqui, mas nunca falei dessa "polêmica" que o Maicon criou. O caso é o seguinte: o Maicon, junto com o Orochi e o LubaTV reagiram a um vídeo de um pick-up artist (talvez um termo pejorativo?), onde ele se filmou chegando do nada numa mulher e ia parando o vídeo para comentar. O vídeo, polêmico em seu conteúdo por envolver situações que ofendem as sensibilidades atuais da sociedade, fazia parte de um curso para melhorar a auto-estima de homens e mostrava como o cara mais desajeito e estranho poderia se dar bem com uma mulher do nada, no meio da Paulista, num domingão de sol.

E deu certo... no final, o cara beija a menina, mas o vídeo é todo cortado e não mostra como o Gambit (o tal pick-up artist) chegou até aquele ponto, qual o intuito daquilo e quais as consequências. Ou seja, aquele vídeo era um chamariz, colocado no Youtube para chamar a atenção mesmo e vender um produto, que aparentemente dá certo, pois no site oficial do cara encontramos depoimentos de ex-clientes.

O vídeo de reação explora bem as sensibilidades atuais da sociedade, com piadas e do jeito irônico que lastimavelmente os youtubers atuais escolheram usar. A reação em si não acrescenta nada ao debate, fora um ou outro comentário do LubaTV.

Porém, o Maicon lançou um outro vídeo na sexta-feira da semana passada, conversando com o Gambit e o resultado foi realmente construtivo. Lá o Maicon não esconde as suas críticas, honestas e até pesadas, mas também ele se esforçou para ouvir e entender o outro lado e o Gambit tem uma puta oportunidade de explicar o seu trabalho, contextualizar o vídeo e, de certa forma, limpar a sua imagem.

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A real é que ele não é um simples pick-up artist, mas um especialista em interação social, com um curso para melhorar a comunicação dos homens na hora da sedução, mas com um trabalho voltado a melhorar a comunicação de homens de uma maneira geral. Sabe os caras excluídos que não saem de casa, não tem amigos e estão a todo momento minando a própria auto estima? Pois é, ele ajuda esses caras e, de certa forma, faz mais pela sociedade do que qualquer jornalista ou justiceiro social de Twitter.

A verdade é que ele é uma boa pessoa e faz um trabalho muito interessante. No final, o Maicon deixa ainda suas críticas e é complicado mesmo defender algumas coisas que estão no vídeo, mas o Gambit mesmo assume que aprendeu muito e esperamos que ele mude algumas atitudes. Porém, o seu trabalho de melhorar a auto estima de homens, suas abordagens sociais e mesmo a sua vivência pessoal deve continuar.

O que esse evento e a conversa com o Xbox Mil Grau têm em comum?

Têm em comum que eles não seriam coisas que aconteceriam há um ou dois anos atrás, num Brasil extremamente dividido, onde não havia espaço para o diálogo e a honestidade intelectual. O fato de eventos como esse existirem e os dois na mesma semana são indicativos de uma melhora no clima social do país, avanços foram feitos em direção a união do país. Não há mais espaço para direita contra esquerda, mas há amplo espaço para o diálogo e quem não adotar isso, sofrerá muito.

Semana passada escrevi um post dizendo que o Flow iria sofrer muito ainda. Hoje já não sei mais se mantenho essa opinião, pois o vídeo do Maicon me fez retomar a esperança de que caminhamos para um lugar melhor nos discursos sociais brasileiros.

E que melhore!

sexta-feira, 19 de junho de 2020

O que o Flow, Joe Rogan e Pânico na Rádio têm em comum?

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Essa semana foi conturbada na internet... os politicamente corretos ficaram todos doídos porque o Flow foi receber os novos racistas do momento: a dupla por trás do Xbox Mil Grau.

Não importa o que pensamos sobre os caras do canal, até porque o canal já foi parar no limbo da internet, mas o interessante é que o Flow abriu espaço para bater um papo honesto com a dupla e isso deixou muita gente inconformada. De "passar pano pra racista" até "fazer tudo por view", a internet virou, novamente, um poço de santidade, sem espaço para fazer coisas por dinheiro ou assumir a inocência de um qualquer.

No entanto, é exatamente esse o projeto do Flow e é essa a razão de eu ter achado muito foda o projeto, mas também ter achado que ele não viveria muito tempo. E, de fato, agora já temos aí mais de um ano de Flow e eles enfrentam banimentos no Twitter e tentativas de "cancelamento" no Twitter.

A vida não é fácil para alguém que se dispõe a discutir, honestamente, ideias e acontecimentos na Terra de Santa Cruz.

Sim, discutir, honestamente. Foi apenas isso que Igor e Monark, os responsáveis do Flwo fizeram no podcast em que entrevistaram o Xbox Mil Grau. Pra quem nunca viu ou ouviu falar, o Flow é um podcast apresentado por dois caras, que, em momento algum, se assumem donos da verdade e por essa humildade, eles realizam um programa de entrevista, completamente espelhado no Joe Rogan Experience. Até mesmo a estrutura é a mesma, com um técnico atrás das câmeras, que ficam viradas para uma mesa de madeira, onde os apresentados e convidado sentam para bater um papo. A abertura é total e nunca dá pra saber o que eles irão falar e disso sai Davy Jones e Venom Extreme batendo um papo sobre religião, Kim Kataguiri falando de Jojo's Bizarre Adventura, Benê Barbosa conversando sobre Zelda e Rato Borrachudo explicando o grafeno. É uma loucura, assim como o Joe Rogan Experience.

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No entanto, o Joe Rogan Experience é um podcast gravado nos EUA e lá há diferenças substancias com a cultura brasileira, uma delas é a relação dos cidadãos com princípios fundamentais garantidos na Constituição e um deles é o da liberdade de expressão, a qual é adotada a níveis extremos por lá. No entanto, é essa mesma liberdade ao extremo que garante aos habitantes daquele país uma compreensão maior de suas responsabilidades individuais, o que escapa da mente do brasileiro médio.

Para o brasileiro médio só existem dois meios de se falar de algo: o sério e o cômico. Ou você é um especialista ou você é um brincalhão. Não existe o meio termo e é uma vergonha admitir a falta de conhecimento e se curvar diante de quem possui o conhecimento necessário para te instruir. Talvez até mesmo por isso seja tão difícil ser professor no Brasil, afinal, por aqui o professor não ensina nada ao aluno, ele aprende com o aluno.

A estrutura hierárquica da qual se extrai todos os direitos ao mesmo tempo em que se toma compreensão dos seus deveres é ausente na mentalidade do brasileiro médio e além das óbvias consequências políticas e econômicas, temos ainda consequências não-tão óbvias socialmente falando, como, por exemplo, a impossibilidade de se trabalhar com os extremos.

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Não é a toa que um programa de comédia ganhou tanta relevância em anos recentes. O Pânico na Rádio, que nunca se considerou um programa sério, se tornou o principal veículo para conhecermos as ideias dos candidatos a presidência em 2018, colocou em destaque figuras polêmicas em momentos cruciais da história recente do país e assumiu a dianteira como veículo de informação.

Apesar de seus integrantes insistirem na chacota e chamar o programa de "desserviço para a família brasileira", ele se tornou, sim, um dos principais veículos de informação do Brasil.

Assim como o Flow.

Aliás, isso já havia sido salientado por Rogério Skylab na sua entrevista, mas assim como o brasileiro médio, Skylab assumia que o Flow deveria cortar certos comentários de seus entrevistados para que os assuntos abordados não saíssem do controle e entrassem na "desinformação".

A verdade é que um podcast como o Flow está anos-luz há frente da mentalidade média brasileira. É um programa que não perdoa e no podcast com o Xbox Mil Grau pegaram pesado com eles, insistindo muito em temas que os cancelados estavam errados, ainda que irredutíveis e, ao final, não chegaram num acordo de paz ou mesmo numa resposta que fosse pacificadora. Ao contrário, apenas solidificou as opiniões já existentes sobre o Xbox Mil Grau, sejam favoráveis ou desfavoráveis.

É o ápice da imparcialidade, que perceba, não é ausência de opinião. Os integrantes deixam claro a sua opinião, mas se esforçam para apresentar as informações de maneira objetiva e deixar seus convidados a vontade para falar o que quiserem. É uma aula de jornalismo que muitas faculdades não têm.

Depois de toda essa polêmica, a imagem do Flow deve sair ainda mais consolidada, embora provocando figuras fortes da internet, como a própria patrocinadora do podcast, Twitch e isso apenas expõe a hipocrisia de figuras importantes dentro do mundo digital, além de colocar em evidência a importância do apoio individual a cada um dos projetos que gostamos.

A vida de Monark e Igor deve se tornar ainda mais difícil, mas isso faz parte do jogo, assim como a vida de Emílio e cia não é fácil, mas eles têm seus meios de fugirem dela.

terça-feira, 16 de junho de 2020

Dica musical: "Goons Be Gone" do No Age (2020)

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Quinze anos de carreira fizeram do No Age uma sólida banda de rock enraizada no noise, mas buscando altos patamares. Há anos que o No Age deixou suas raízes noise/punk/rock de garagem para buscar sons diversos, algumas vezes mais lentos, outras mais melódicos, talvez chatos, mas nunca deixando de ser interessante.

Mas o que mais sobraria para uma dupla de rock? Afinal, não podemos esquecer que a banda é, na verdade, uma dupla. Uma banda de dois, por assim dizer e isso acarreta diversas limitações. Fazer um som barulhento pode ser ainda mais entediante e se aventurar no campo do som experimental, buscando alternativas para o som que produziram nos quase primeiros dez anos de carreira fez muito bem para o No Age entender o seu lugar dentro do mundo da música.

E seu lugar é como uma sólida banda de rock agitado, enérgico e barulhente. Em Goons Be Gone eles voltam assumindo de vez uma postura barulhenta, explosiva e cheia de energia, mas com pitadas de experimentalismo que quebram a monotonia do que uma barulheira danada pode causar. O resultado é um excelente álbum de noise, com um pé no punk e digno de figurar entre os grandes nomes do gênero, como as lendas japonesas, Boris e Melt Banana.

Porém, o álbum também engana, afinal para o ouvinte descuidado pode achar que essa é a mais nova banda de punk do momento e ao ouvir o resto das músicas irá se espantar. Não se espante, apenas deixe-se levar pelo barulho de guitarras distorcidas e batidas repetitivas de bateria, sem se importar com os resultados que isso pode trazer para a sua audição.

Vale muito a pena.

quinta-feira, 11 de junho de 2020

Old Black Block

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- Filho, eu descobri essas coisas no seu armário...

- Qual é o problema de ter uma máscara do Anonymus e um taco de Baseball?

- Você usa isso?

- Não... quer dizer, às vezes.

- É que estou precisando, será que você me empresta?

- Precisando..? Pra quê?

- É que eu li as coisas que você andou escrevendo na internet...

- Você andou lendo meu Face?

- Qual é o problema, não é publico?

- É, mas...

- Pois é, eu li o que você escreveu, e...

- Pai, eu sei que você não gostou do que eu escrevi lá, mas eu não vou discutir, são as minhas idéias... Eu tenho 27 anos! Sou anarquista, e...

- Não! Eu achei legal! Você me convenceu!

- Convenci o Senhor? Do quê?

- Tá tudo errado mesmo! Você faz bem em nunca ter trabalhado. Eu li o que você escreveu e concordo. Agora eu sou anarquista também, que nem você!

- Você o quê??? Pai, que história é essa?! Você está maluco??

- É, você fez a minha cabeça! Tem que quebrar tudo mesmo! Agora eu sou Old Black Block!!!

- Pai, você não pode!! Você é diretor de uma empresa enorme! E...

- Não sou mais não, larguei meu emprego, e mandei meu chefe tomar no ... Mandei todo mundo lá tomar no ...

- Pai, você não pode largar o seu emprego, você está lá há 30 anos! Isso é um absurdo!

- Posso sim, aliás já tô juntando uma galera pra ir lá e quebrar tudo!

- Quebrar tudo, onde??

- No meu trabalho, vamos quebrar TUDO! Abaixo a opressão! Abaixo tudo! Sou contra TUDO!!

- Você não pode fazer isso Pai!

- Posso sim! É só você me emprestar a máscara e o taco de Baseball. Você vem comigo?

- Não, acho melhor não...

- É melhor você vir junto, porque agora que eu larguei tudo, a gente vai ter que sair deste apartamento.

- Sair daqui? E a gente vai morar onde??

- Sei lá! Vamos acampar em frente a uma empresa Capitalista qualquer e exigir o fim do Capitalismo!

- Pai, você não pode fazer isso, não pode abandonar tudo!

- Tô indo, fui!

- Peraí Pai! Paai! E minha mesada, e meu carro? Onde eu vou morar?? E as minhas férias em Floripa? E meu computador? E minha internet de fibra ótica? Volta aqui!Volta aqui, Pai! Voooooltaaaaaaa!!!

Como dizia Margaret Thatcher: O socialismo é muito bom, mas só enquanto durar o dinheiro... dos outros.

Autor Anônimo

terça-feira, 9 de junho de 2020

Dica musical: "Songs from Northern Torrance" de Joyce Manor (2020)

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Reunindo raros registros dos primórdios da banda, esse CD se destaca na discografia recente de Joyce Manor, pois contém algumas das mais brutais, enérgicas e sensíveis canções que eles já produziram.

Gravas entre os anos de 2008 e 2010, ou seja, há mais de uma década, as dez canções de Songs from Northern Torrance são demos, mas também registros musicais do início da carreira dos músicos californianos de uma era há muito esquecida, a de quando eram apenas um duo acústico. No entanto, apesar da falta de distorções e baterias, eles já carregavam toda a energia que consagrou o nome deles na história recente da música punk.

Agitadas, fortes e rápidas, o álbum todo não acumula mais que 20 minutos, mas são um belo conjunto de canções prontas para habitarem as playlists de qualquer fã da música punk. É uma explosão de energia atrás de outra e tão rápido ela chega, ela vai e some e você fica com aquele gosto de quero mais nos ouvidos.

No entanto, é necessário discrição, pois você irá se pegar cantando alto essas músicas na rua, balançando a cabeça e em tempos de pandemia pode muito bem ser preso por isso. Outro aviso: tenha dó dos seus vizinhos que não foram abençoados com o seu gosto musical.