sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Dica cinematográfica: "Short Peace" (2013)

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Short Peace é um projeto cinematográfico de Katsuhiro Otomo, o autor de Akira, o clássico dos clássicos de ficção científica.


O filme é na verdade uma compilação de quatro curtas, mais uma abertura de poucos minutos, contando histórias diferentes envolvendo tradições e temas que remetem ao Japão. Também envolve um jogo, mas esse eu nem conheço.


A abertura do filme começa com uma garota brincando de esconde-esconde com  uma amiga e ao abrir os olhos quando a amiga diz que ela já pode olhar, depara-se com um mundo completamente diferente e divertido, para ela.


A primeira história do filme é sobre um viajante perdido numa floresta, enquanto chove, indo procurar abrigo em um templo, com uma sala, apenas. No entanto, ele descobre que essa sala pode ser moradia de coisas muito misteriosas.


No segundo curta, apresentado com um desenrolar de um rolo de papel, somos apresentados à trágica história de Owaka e Matsukichi, um casal prometido desde a infância um para o outro, mas quando Matsukichi é desonra sua família e é deserdado, os pais de Owaka não perdem tempo para achar outro marido para a menina. No entanto, os planos dela para a sua vida são bem diferentes.


A terceira história é sobre a batalha entre um ogro vermelho que anda aterrorizando uma família real japonesa e o protetor da família: Um urso branco gigante.


E a quarta e última história é sobre um esquadrão anti-bombas munidos com armas a laser e armaduras tecnológicas em uma Tóquio pós-apocalíptica onde os robôs desejam acabar com a humanidade.


Todos os filmes, apesar de serem feitos por diretores diferentes, foram feitos embaixo das asas de Katsuhiro Otomo e portanto, contam com as mesmas qualidades técnicas, sendo feitos num estilo pouco convencional, a animação 3D com uma finalização 2D, ou seja, você percebe que os personagens foram feitos em programas de modelagem 3D, mas eles contam com linhas grossas em torno de seus corpos, delineando detalhes em seus corpos, excluindo o trabalho de textura e profundidade que os animadores teria ao fazer um filme em 3D. Não é algo novo, é até bem utilizado em animações americanas, como a do Hot Wheels e em jogos nipônicos, como os jogos do Naruto ou os novos Pokémon. No entanto, eu nunca tinha visto esse estilo de animação sendo apresentado com tanta qualidade.


Os personagens parecem meio paradões, mas isso logo é quebrado com o desenrolar do filme. As cores e a movimentação de um modo geral (desde as roupas e os fios de cabelo) são muito bem feitos e característicos, dando um ar meio cartunesco à animação, mas que não atrapalha. Muito pelo contrário, acrescenta qualidade ao filme, sendo um deleite aos olhos assistir à alo que soa tão original como esse filme.


A trilha sonora não se destaca, no entanto, também não é ausente, sendo desnecessário comentá-la.


Já as histórias, essas merecem muitos comentários. Pelo fato de serem curtas, já são entregues personagens prontos e que não se perdem em enrolações desnecessários, então logo vemos a "ação" de cada história, algo extremamente agradável para quem assiste.


Enfim, "Short Peace" é um projeto ousado e até ambicioso, mas que cumpre muito bem o seu papel, sendo mais um ponto positivo no currículo desse mestre dos mangás que é Katsuhiro Otomo.


4 pontos e meio

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Dica cinematográfica: "A vida marinha com Steve Zissou" (2004)

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Ontem assisti à esse filme que é considerado por alguns como o melhor filme de Wes Anderson.


O filme conta a história de um documentarista chamado Steve Zissou, que após a morte do melhor amigo, registrado no seu último documentário, lança um filme que é um fracasso, descobre que tem um filho bastardo, fato que faz sua mulher abandoná-lo, recebe um ultimato de um executivo do estúdio ao qual trabalhava e sofre terríveis críticas de jornalistas do mundo todo. Nessa situação frustrante, Steve decide fazer mais um documentário, com o objetivo de encontrar o tubarão que matou o seu melhor amigo.


Basicamente, essa é a história, que se desenrola com certa lentidão, cheios de histórias paralelas, que nascem e crescem ao longo de toda a película. É um filme de Wes Anderson e assim como todos os seus filmes as tomadas são amplas, os cenários ricos em detalhes, personagens inexpressivos e perturbados, ás vezes chatos e um certo humor negro em todas as passagens da história.


No entanto, o filme não é ruim. Muito pelo contrário, de todos os filmes que assisti do diretor, achei esse o melhor, o humor está bem colocado, a passagens entre os cenários é muito interessante e todos os personagens são bem desenvolvidos, da forma Wes Anderson de desenvolver os personagens, mas eu gostei.


A trilha sonora também é impecável, contando com a participação de Seu Jorge, como um dos tripulantes do navio de Steve, Pelé dos Santos, atuando e adaptando músicas de David Bowie para o português, o que ficou bom demais, afinal, o cara é talentoso pra caramba.


Enfim, "A vida marinha com Steve Zissou" é um ótimo filme, merecendo muito mais atenção do que recebe.


4 pontos

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Dica literária: "No. 5" de Taiyo Matsumoto (2000)

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Mais uma dica de um mangá escrito pelo fantástico Taiyo Matsumoto.


No. 5 é um instigante thriller de ficção científica que conta a história de Yuri, um ex-integrante do Conselho Arco-Íris e o número 5 na hierarquia do grupo. Após invadir o castelo de Número 1 e raptar uma misteriosa mulher chamada Matryoshka, Número 5 inicia uma fuga pelo mundo pós-apocalíptico, semi-utópico em que se passa a história. Enquanto isso, Número 1 pede para que os membros restantes do Conselho corram atrás do fugitivo e sua refém.


Basicamente essa história, que fica bem clara no primeiro volume e se desenrola das mais diversas formas ao longo de seus 8 volumes. Cada um dos integrantes do Conselho Arco-íris toma conta de uma região do mundo e através dos olhos deles e de Número 5 somos apresentados à todo o mundo fantástico, criado por mãos humanas após a devastação de todos os seres vivos da face do planeta. Muitos personagens são movidos pelo desejo de criar um futuro melhor, nem que seja impondo-o, manipulando as pessoas, a genética e a vida de um modo geral.


Outros personagens decidem escolher a liberdade de pensamento, de escolha e viver com aquilo que gostam, mesmo que escondidos, enquanto que a maioria simplesmente se rende ao poder maior e entram em uma melancólica indiferença em relação ao que fazem e ao que vêem outros fazendo.


No. 5 têm muito crédito narrativo, tendo quadros enormes, assim como seus capítulos, com muitas páginas; mas que não cansam quem o lê. Às vezes, a história se torna confusa, com perguntas que só são respondidas capítulos após serem colocadas a xeque, também conta com muitas reviravoltas e uma linha do tempo, em determinados momentos, não linear, o que te confunde, mas que não prejudica o todo.

Também têm muito crédito artístico, afinal é feito no característico estilo de Matsumoto, simples, sujo, parece que foi feito com caneta sem rascunho, nem nada, sem preocupação.No entanto, ao longo dos volumes é perceptível que Matsumoto têm cuidado ao fazer seus mangás, de um modo geral, eles são feitos de uma forma só, mas às vezes, capítulos inteiros são feitos como se tivessem sido desenhados com lápis, outros são feitos com traços grossos, ilustrando magistralmente cenas de batalha ferozes.

E assim, assumindo diversos estilos, criando uma história complexa, cheia de plot-twists e personagens carismáticos e, acima de tudo, humanos, Taiyo Matsumoto criou uma obra incrível de ficção científica, que merece mais atenção do que recebe, atualmente.

4 pontos

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Uma explicação pseudo-didática sobre a friendzone

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Há alguns meses, li um texto dizendo que a “friendzone” nada mais era que uma versão moderna de machismo, por que se baseava na troca de favores; garoto faz algo legal para uma garota e em troca exige receber prazeres afetivos dela. No entanto, tal afirmação não poderia ser mais errada, indicando uma profunda falta de conhecimento do que é a friendzone. Na semana passada, enquanto ouvia um podcast, acabei escutando a leitura de uma mensagem que dizia basicamente a mesma coisa, e mais, a friendzone, na verdade, não existe. Pensando nisso, notando que a muita falta de conhecimento da temida friendzone em alguns círculos da internet, decidi escrever esse texto, na esperança de que eu possa esclarecer um pouco sobre esse fenômeno, tão natural  e tão assombroso, que é a friendzone.

Para poder iniciar o texto e para não ficar tão chato, irei apresentar um exemplo:

João é um garoto legal, inteligente, leitor de mangás e fã de filmes de ação. No primeiro dia de aula, ele conhece Maria, um  menina esbelta e bonita, mas que, assim como ele, não se sobressai sobre ninguém. Os dois são apenas dois adolescentes normais, com o rosto cheio de cravos e espinhas, preocupados com sua forma física e estudantes do ensino fundamental. No entanto, Maria chama a atenção de João e ele decide se aproximar dizendo “oi!”

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Maria diz “oi” e  com o passar dos dias, João decide se aproximar de Maria, sentando atrás dela na classe, andando com ela e suas amigas no intervalo e até saindo juntos com alguns amigos em comum.

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Os dias se tornam semanas e logo João se vê acompanhando Maria até sua casa. Ele é uma boa companhia afinal e quando as semanas se tornam meses, João flagra Maria beijando Marcos, um dos amigos em comum que os dois tinham, na festa junina da escola.

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João fica arrasado, mas tudo bem, era só um beijo, afinal. Ele teria a sua chance. Quando Maria diz a João que Marcos a dispensou para ficar com Clarinha na festa de aniversário de Gabriel, João acha que essa é a sua chance e decide confessar o seu amor para ela, da única forma que ele sabia, falando: “Eu gosto de você, Maria!”

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No entanto, Maria não gostava de João da forma como ele gostava dela. João era um cara legal e tal, mas era tão legal como suas amigas; a companhia que acompanhava ela até a sua casa, depois da escola e não um possível namorado. Essa hipótese até poderia ter passado pela cabeça de Maria, mas não naquele momento. Naquele momento, ela só queria um ombro amigo para poder chorar e dizer à ela que tudo iria ficar bem. Por isso, Maria o dispensou.

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João fica triste, óbviamente e vai para casa, ouvir Leonard Cohen, enquanto chora segurando o travesseiro.

O que João não sabia era que, assim como o humor, o amor tem o seu timing e o dele foi há cinco parágrafos atrás. O João de nossa história errou pela inexperiência e não há nada que ele pudesse fazer sobre isso, afinal essa é a vida, vivendo e aprendendo. Se ele tivesse pensado bem, saberia que Maria não gosta de filmes de ação e nem de mangás e em uma realidade alternativa, o namoro dos dois terminou após 2 meses.

A friendzone é isso, nada mais do que uma versão muito específica de amor platônico, algo que é escrito e contado há milênios e todo mundo já sofreu um amor platônico alguma vez na vida. Alguns sofreram um caso muito específico de amor platônico como a “friendzone”, outros simplesmente não tiveram seus sentimentos correspondidos de uma forma ou de outra.

O fato é que isso é algo normal e aconteceu com qualquer um sem experiência alguma com relacionamentos, por isso é mais comum em adolescentes, que, de maneira geral, entendem pouco ou nada de relacionamentos, mas também podem acontecer com pessoas adultas, que também podem conhecer pouco ou nada de relacionamentos amorosos.

No entanto, a questão a ser discutida aqui não é sobrecom quem que isso acontece, nem como evitar isso (até por que nem eu sei como evitar a friendzone, se é que tem como evitá-la). A questão é desmistificar a teoria que diz que a friendzone é algo machista.

Como você pode perceber no exemplo acima, citamos João como referência principal, mas poderíamos muito bem inventer os papéis e colocar Maria como a personagem principal, que gosta de João e acaba ficando na friendzone.

Isso só é mais difícil, por que vivemos em uma sociedade onde mulheres são menos encorajadas a tomar a iniciativa de começar um relacionamento e por esse motivo é mais conciliar a imagem da friendzone com um homem que gosta de uma mulher e não é correspondido, do que com uma mulher.

Atenha-se a outro fato, João não fez coisas boas de Maria, esperando receber prazeres sexuais em troca, ele fez coisas boas a ela, por que queria se aproximar de Maria e enfim, achar o momento ideal de dizer que gosta dela ou, quem sabe, o momento em que ela ia gostar dele. Isso, de forma alguma, pode ser classificado como machismo, se não todos os relacionamentos teriam que ser machistas, até mesmo relacionamentos entre duas mulheres. Afinal, se você faz algo para a pessoa que você ama é pensando em agradá-la, se não você não está fazendo por ela.

Isso pode até ser confundido com o comportamento daqueles caras que dão caronas, pagam bebidas e compram presentinhos para mulheres esperando que elas deixem-os entrar em suas casas à noite e fazer o que quiserem com elas. No entanto, são comportamentos completamente diferentes.

Uma coisa é você dar uma carona para uma garota, esperando obter um passe livre para o quarto dela e enfim, o que se esconde entre suas pernas. Outra coisa é você dar carona para uma garota, por que está querendo conhecê-la melhor e se convencer de que ela pode ser a garota da sua vida.

Admito, há uma linha muito tênue separando os dois comportamentos, os dois parecem seguir o mesmo caminho, o “chaveco” usado pode até ser o mesmo, mas a diferença se encontra no objetivo. Em um, o cara quer só passar uma noite com  a garota para poder se gabar com os amigos, no outro, o cara quer realmente construir um relacionamento duradouro com a garota, quem sabe que até dê frutos, por que não?

E o primeiro cara, o que deve ser combatido e repelido pelas mulheres, não vai cair na friendzone, por que assim que ele perceber que está difícil demais, ele vai cair fora e buscar conforto em outro terreno, algum que leve menos tempo para ser conquistado. O segundo cara não vai desistir tão fácil, ele vai continuar até ser dispensado e se ele respeita a sua opinião, mesmo que depois de uma discussão, então ele não pode ser culpado na história.

Na verdade, em um caso de “friendzone” não há culpados, muito menos vítimas, apenas pessoas, que se encontraram, no lugar errado e, principalmente, na hora errada. É o famoso caso do “não era pra ser”, sabe?

A friendzone nada mais é do que um fenômeno que acontece quando alguém ainda não aprendeu a expressar seus sentimentos da maneira correta para alguém, não é machismo, não é sexismo, é apenas parte da vida. Algo que deve ser levado a sério (mas não tão a sério assim) e deve ser considerado parte de todas as lições que iremos aprender ao longo dessa coisa estranha que chamamos de vida.

 

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Dica literária: "Domu: A child's dream"

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"Domu: A child's dream" é um mangá de Katsuhiro Otomo, mesmo criador de Akira, publicado antes de sua obra mais conhecida, sendo um mangá one-shot do gênero horror e suspense.

O mangá começa com um grupo de policiais e detetives investigando o suicídio de um homem em um complexo habitacional, que havia pulado de um lugar ao qual ele não poderia ter acesso. Logo o detetive responsável pelas investigações descobre que o responsável por essa e outras mortes misteriosas é um velho chamado "Old Cho", um idoso senil, cuja maior diversão parece ser passar os dias sentado em um banco do complexo habitacional vendo as crianças brincarem, porém, a noite, o velho usa seus poderes extra sensoriais para assassinar pessoas e ficar com seus "tesouros" pessoais, objetos que ele usa à sua volta e acaba matando o investigador de polícia. Ao mesmo tempo que o investigar chefe muda, uma garota com poderes extra sensoriais se muda para o prédio e descobre o que "Old Cho" estava fazendo, exigindo, ao seu jeito, que o velho pare com o que está fazendo, pois ela sabe o que é certo e errado.

O mangá é muito bom, com uma estrutura narrativa incrível, fazendo o leitor acompanhar os quadros e a história contada como se fosse um filme, tamanho o realismo e a maestria com a qual a história é guiada por Katsuhiro Otomo. Existem muitos personagens ao longo de toda a história, cada um com seus momentos, suas falas próprias, levando a conclusão de que o próprio complexo é um personagem na história, um objeto sem vida, porém que abriga diversos outros seres pensantes, criando o seu próprio micro-cosmo. As cenas de batalha são incríveis, surpreendendo quem lê. Impossível não vê-las e imaginar um filme rolando na frente dos seus olhos.

O tema dessa história é mais focado no horror mesmo, tendo algumas cenas gore ao longo de toda a narrativa, no entanto, é uma ótima leitura, com muito suspense e ação acontecendo, fazendo o tempo passar rapidamente e quando você se dá por si, pronto a história já acabou, apesar de conter mais de 200 páginas.

Infelizmente nenhuma editora brasileira trouxe "Domu" para cá e as edições estrangeiras já estão esgotadas (talvez algumas ainda sejam publicadas como a japonesa), sendo considerado um item de colecionador e se você o achar algum dia em alguma de suas viagens pelo mundo, por favor,compre uma edição para mim,por que esse já é um dos meus mangás favoritos.

5 pontos

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Dica cinematográfica: "Uma noite de crime: Anarquia" (2014)

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Já falei do primeiro filme nesse post, filme que acabei gostando no final das contas, mas nunca mais o assisti depois.

Enfim, decidi assistir o segundo, já sem muitas expectativas e o filme não surpreende, sendo apenas um bom filme de suspense/terror, bom para passar o tempo, apesar de ser superior ao primeiro.

Nessa sequência, somos apresentados ao dia da purificação de 2023, um ano depois dos acontecimentos do primeiro filme, acompanhando 3 histórias paralelas e que se unem logo no meio do filme; sendo elas: Um casal se torna alvo de um grupo de delinquentes mascarados horas antes do início da purificação, ficando perdidos no centro da cidade, o ponto mais perigoso nas 12 horas de crime que se seguem. Uma família formada por um idoso, sua filha e sua neta passam por dificuldades econômicas e o velho decide vender-se para uma família rica, enquanto sua filha e sua neta se vêem presa em casa com um maluco psicopata e um grupo de assassinos supostamente contratados pelo governo para diminuir o número de pessoas pobres na cidade. E pro fim, um homem que teve seu filho assassinado, corre atrás do responsável pelo crime.

O filme é superior ao primeiro em vários aspectos. Primeiro pela narrativa, que é guiada de forma diferente ao primeiro, apresentando 3 histórias sem ligação e ligando-as logo no meio do filme, fazendo os personagens passarem por várias situações diferentes e até frustantes, obrigando-os a unirem suas forças para poder sobreviver. Também temos um pano de fundo mais interessante, ou melhor, mais explorado tornando-se mais interessante; no primeiro filme somos apresentados à uma família rica e umas críticas mais "suaves" em relação á discriminação e à políticas absurdas. Neste, as críticas são jogadas logo no começo, sendo incluído até um líder rebelde que lidera uma espécie de frente de batalha contra a purificação, que supostamente só serve à elite do país, algo que fica muito claro do meio pro final do filme.

No entanto, se o roteiro até que impressiona pela qualidade, a parte técnica deixa a desejar um pouco. Pelo fato do filme se passar mais nas ruas, provavelmente, o filme é mais escuro, tendo uma fotografia diferente, com muitas luzes de várias cores, além de um enquadramento menos perfeccionista, mas as tomadas continuam focando nas partes mais interessantes da ação.

E por falar em ação, se o primeiro filme continua dar alguns sustos e se passar por filme de terror, mesmo que de forma leve, este se entrega totalmente à ação e ao suspense, não sendo capaz de dar um susto sequer ao longo de seus 103 minutos, mas até que consegue criar uma atmosfera de tensão e suspense bem legal.

Enfim, somos apresentados aos reais motivos do dia da purificação neste filme e eu fiquei mais animado agora para ver como irão concluir essa trilogia, apesar do filme ser bem mediano, de uma forma geral.

2 pontos e meio

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Dica literária: "Under Execution Under Jailbreak" (2005)

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"Under Execution Under Jailbreak" é um mangá de um volume só (one shot) escrito e ilustrado por Hirohiko Araki, mais conhecido por escrever e desenhar o mangá Jojo's Bizarre Adventures, que foi adaptado para anime em 2012,acho...

Nesse mangá, são compilados quatro histórias desconexas umas das outras, sendo que duas delas ocupam têm mais de um capítulo. Todas elas têm uma relação com o horror, sendo histórias que podem assombrar os seus pesadelos por alguns dias ou por algumas horas, contendo cenas fortes e um roteiro que te prende ao longo de todo o mangá.

"Under Execution Under Jailbreak" é a primeira história e eu acho que foi colocada como primeira propositalmente pois com ela já dá para se ter uma boa ideia sobre o que irá se tratar todo o mangá, contando a história de um prisioneiro condenado à morte por ter matado uma mulher e se vê preso em uma armadilha na prisão, que poderá matá-lo e isso o atormenta por mais de 50 anos. É a história mais pesada do mangá, com muito sangue, mutilação e umas coisas gore nojentas, o que resulta num enfraquecimento do terror psicológico que permeia todo o roteiro da história.

"Dolce and his master" conta a história do único sobrevivente de uma lancha que quebrou em alto-mar da perspectiva de sua gata de estimação; a Dolce. É contada em dois capítulos e guia muito bem o leitor pela insanidade do rapaz que fica preso durante uma semana numa lancha quebrada, com o corpo de uma mulher morta do lado e uma gata do outro. É a única com uma pontada de esperança no final, apesar do final trágico e muito bem bolado.

"Thus spoke Kishibe Rohan" é uma história de horror e suspense com clara influência de Edgar Allan Poe, contando a história de um mangaká que decide nos agraciar com um conto de terror que ele ouviu em sua primeira viagem á Itália.

"Deadmen's Questions" é a última e mais longa história, contando com 3 capítulos, contando a história de um homem morto, que realiza trabalhos vingativos para os vivos. Muito interessante e parece que contém uma relação direta com Jojo's Bizarre Adventure.

Nunca havia lido nada de Hirohiko Araki, nem assisti o anime que adaptou seu mangá mais famoso, mas me interessei por esse one-shot; primeiro por que é one shot (Hoje em dia é uma tarefa homérica acompanhar Jojo's Bizarre Adventure), segundo por que é terror (japoneses são os mestres nisso) e terceiro, por que a arte dele sempre me intrigou. É um estilo difícil de se classificar, com alterações fisionômicas muito acentuadas e com características masculinas marcantes, além da ênfase dada às roupas, cheias de detalhes e com muitas cores.

Não é uma arte excepcional, muito menos genial, mas tem que se admitir que é extremamente original e isso se reflete nos roteiros das histórias, que também são muito interessantes e vale a pena serem lidas.

Enfim, essa é a dica de hoje, mangá de horror, com traço original, de um autor famoso pra caramba.

4 pontos

domingo, 10 de agosto de 2014

Dica cinematográfica: "Pais & Filhos" (2013)

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Aproveitando o dia dos pais para postar uma dica de um filme que centra-se na relação de pais e filhos, mostrando a influência da figura paterna na formação dos filhos e também em como essa relação cresce independentemente da situação em que se vive.

O filme mostra Ryota, um jovem arquiteto de grande sucesso, que junto com sua jovem, bela e delicada mulher, mais o filho de 6 anos forma a família ideal para a sociedade japonesa, mas, de repente, seu mundo vira de ponta-cabeça quando ele descobre que seu filho fora trocado na maternidade do hospital com o filho de uma família pobre de um dono de uma loja e uma vendedora  de uma loja de comidas prontas (ou algo assim, não fica claro qual o trabalho dela, ainda mais por que no Japão existem trabalhos que não existem em outras partes do mundo).

O filme trata de mostrar qual a relação dos dois homens com os seus filhos e os seus ideais de família. Ryota é um homem ligado à descendência de sangue, considerando isso um filho perfeito e não consegue conciliar o amor que sente pelo filho com os ideais nos quais fora criado pelo seu pai, sua mãe e irmão. Já Yudai, o outro pai, apesar de extremamente modesto e simples,é também um cara extremamente carinhoso, um homem que perdeu muito durante toda a sua vida e agora, já na meia idade, começa a adquirir aquela boa sabedoria que só vem com a idade, considerando a sua família o maior tesouro, a única coisa que vale a pena viver, de verdade.

Os dois homens vivem em mundo completamente diferente e enquanto as estações do ano passam, eles tentam experiências diferentes com os filhos, sem grandes resultados.

O filme é mais centrado em Ryota, até por que é o personagem que mais pode aprender ao longo dessa aventura.Ele é um homem muito agarrado ao seu trabalho, às regras, à vida social e também é o que mais aprende, mesmo que da pior maneira possível, que família não tem a ver com laços de sangue, mas com laços de afetividade.

No final,  filme acaba virando um filme sobre isso mesmo, sobre a nossa verdadeira família, às vezes não somos a família de nossos irmãos, nossos pais ou mães, tios ou tias, ou avós. Somos a família de nossos amigos, de nossos parceiros que escolhemos para viver o resto da vida, nossos filhos, biológicos ou não, nossos vizinhos, chefes ou colegas de trabalho. Pessoas que amamos e queremos bem. Pessoas que nos deixam felizes quando conseguem alcançar um objetivo específico e nos entristecem quando ficam tristes.

O filme conta uma ótima fotografia, uma trilha sonora soberba e a excepcional atuação de seus atores e atrizes, até mesmo das crianças, mas tudo isso torna-se ínfimo face a mensagem que o filme passa, universal e adorável em todos os detalhes.

Enfim, assista esse filme com seu pai, sua mãe, seu irmão, seu tio, seu avô, seu amigo de classe, seu colega de trabalho, seu patrão, sua namorada ou namorado; ou seu vizinho.

Assista com a sua família.

5 pontos

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Dica televisiva: "Ping Pong: The Animation" (2014)

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Ping Pong: The Animation é um anime inspirado em mangá de mesmo nome do ano de 2014 e é muito bom.

O anime conta a história de Smile e Pelo, dois jogadores de tênis de mesa que frequentam o mesmo clube de treinamento e tem um talento natural para isso. No entanto, Peko torna-se extremamente convencido das suas habilidades excepcionais e Smile não vê mais graça no esporte. Apesar disso, o treinador da escola que os dois frequentam vê um futuro campeão em Smile, mas nenhum espírito esportivo e começa a treiná-lo com o objetivo de transformá-lo em um campeão.

O anime trata-se de um esporte que não têm muita moral no mundo: o tênis de mesa, então como ele pode ser muito bom? Simples, é um anime baseado em um mangá de Taiyo Matsumoto, o mesmo criador de Tekkon Krinkeet e Sunny, dois mangás ótimos e que merecem muito mais atenção do que recebem, tendo como trunfos a arte extremamente bela e original e a complexidade de seus personagens.

A arte é algo que chama a atenção logo no começo, "Ping Pong: The Animation" não é feito de forma convencional, assim como "Tekkon Krinkeet" (que foi feito todo a mão). Esse anime se esforça em parecer o mais fiel possível do traço fino, com detalhes semi-realistas, porém sujos de Taiyo Matsumoto, utilizando o CG apenas para as cenas em que mostram com detalhes as raquetes e as bolas de tênis de mesa; criando um anime que enche os olhos, nem tanto por ser bonito (ele é), mas o que chama a atenção é a originalidade de sua arte, além da ousadia que esse tipo de arte representa nos dias de hoje. Só para contextualizar, animar personagens e cenários com desenhos mesmo, fazendo tudo a mão, é considerada uma forma de arte atrasada e menosprezada no Japão, onde o uso de computadores e CG para animar é básico.

Outro ponto que chama a atenção, é a complexidade dos personagens. Acredite em mim quando eu digo que Taiyo Matsumoto não cria personagens rasos, todos eles são profundos, até mesmo os personagens com menos destaque, que aparecem em uma ou outra cena ao longo da série. Para começar temos dois personagens principais niilistas na história, um deles é Smile, que não vê graça no esporte, nem na vida, passando os dias jogando video-game e se escondendo dos seus problemas. O outro é Kazama, um jogador campeão mundial, mas que não está no esporte por que gosta e se diverte com aquilo e sim por obrigação, por pertencer à uma família que é dona de uma marca esportiva. Os dois perderam pessoas que amavam muito no passado e se perdem em arrogância e uma suposta superioridade em relação aos outros, mas no fundo, eles não acreditam que o esporte que praticam é útil, muito menos bom e não enxergam graça na vida. Já Peko começa como um arrogante desleixado que se convenceu de ser uma estrela, mas ao perder para um jogador chinês, chamado Weng, entra em depressão e desiste do tênis de mesa, até perceber que todos são importantes para alguém, até mesmo perdendo, o importante é a sua essência, o seu papel. Weng é um jogador chinês que foi expulso do seu país por ser um péssimo exemplo, ele é presunçoso e arrogante, apenas se importando com sua volta para a China, no entanto, ele acaba descobrindo que um pouco de trabalho e diversão são as coisas realmente importantes na vida. Outro personagem com um papel central na história é Sakama, um jogador sem talento, porém muito esforçado, mas que acaba descobrindo que não adianta você se esforçar para fazer algo que não se encaixa com você, isso nunca dará frutos. Ele começa como um personagem detestável, mas logo criamos empatia por ele, não só por ser mais uma vítima cruel da realidade, mas também por ser o primeiro a achar um equilíbrio saudável para a sua vida, tornando-se uma espécie de consciência para vários personagens.

Todos os personagens começam abusando de excessos, sejam eles bons ou ruins, como o complexo de inferioridade de Smile, que logo vira um complexo de superioridade, ora pecando pelo excesso, ora pela falta; esquecendo-se de que o saudável é manter um equilíbrio na vida. Esses são apenas alguns dos personagens, também temos +personagens secundários que foram tirados do esporte por abusar dos limites, personagens que nutrem paixões por quem não deveriam se apaixonar, enfim, temas mais simples, porém abordados de forma sutil e sagaz por esse que é um dos melhores autores da atualidade: Taiyo Matsumoto.

Enfim, "Ping Pong: The Animation" é um anime muito bom, contando não só com um estilo original e personagens complexos, apesar do roteiro simples, mas também com uma narrativa muito interessante, utilizando-se de todos os efeitos que puder usar para contar a história, como músicas, flashbacks e cortes não-lineares no meio da tela. Num primeiro momento, ele pode assustar, parecendo uma coisa ruim, pobre, mas logo você consegue descobrir a beleza das histórias de Taiyo Matsumoto.

4 pontos

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Dica musical: "Gist Is" do Adult Jazz (2014)

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Adult Jazz é uma banda formada em 2010 (acho) na cidade de Leeds e esse ano eles lançaram o surpreendente álbum "Gist Is".

Muito já se falava dessa banda, que lançava alguns vídeos no YouTube com pedaços de apresentações ao vivo e algumas músicas prontas, mostrando que o som deles não é algo que se pode ouvir todos os dias. E o álbum de estreia confirma isso.

O estilo musical é difícil de definir, talvez seja jazz, mas não é um jazz típico, com jam sessions longas recheadas de instrumentos e ritmos que crescem organicamente, ao longo das apresentações. É algo mais recente, com instrumentos eletrônicos, mais centrado nos vocais, que parecem ser a essência de todas as canções, afinal não é difícil ouvir músicas com murmúrios feitos pelo vocalista, guiando o ritmo que os instrumentos devem seguir, lembrando canções sofisticadas produzidas há muito tempo, seja pelos cantores de jazz ou pelos cantores de bossa-nova (que aliás também eram influenciados pelo jazz).

Os instrumentos também não são constantes, sendo muito diversos, indo da básica bateria à excêntrica clarineta, com guitarra, violão, trompete, saxofone e outros instrumentos no meio, gerando uma verdadeira "bagunça". No entanto, é uma bagunça deliciosa de se ouvir, criando ritmos que crescem e se desfazem naturalmente, sem forçar nada aos ouvidos de quem se aventura por esse álbum.

Uma aventura que fica clara se você decidir prestar atenção às letras, que tentam passar uma mensagem, mas se rendem ao ritmo, tornando-se desconexas, com meia-palavras e versos que terminam repentinamente e não continuam ao longo da música, criando mais uma vez uma ponta com músicos que buscavam algo além do sentido no século passado, sem preocupação com a mensagem, mas até onde iam os limites da música, da experimentação e do ritmo.

Adult Jazz abusa dos instrumentos, dos vocais e dos ritmos, criando um ambiente que engana os ouvidos, ilude e ficamos perdidos, mas é um álbum desses que pode te fazer lembrar como é bom ficar perdido.

Não é genial, nem brilhante, talvez nem inédito, mas é novo, ao menos na época em que vivemos e ousado, com certeza, mas ouça com cuidado. "Gist Is" não é um álbum para ser ouvido a qualquer hora, quando você estiver atrasado e  com pressa, é um álbum para ser ouvido com atenção, por que se não, a viagem que ele proporciona será confusa e caótica.

4 pontos

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Dica cinematográfica: "Waking Life" (2001)

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Waking Life é um desses filmes que têm que ser digerido por várias horas depois de ser assistido, talvez dias, quiçá semanas e só então pode-se falar dele. É um filme de Richard Linklater, um brilhante diretor de filmes cult como "Jovens, Loucos e Rebeldes" e "Slacker", então pode-se esperar não apenas um filme, mas uma obra de arte, que impulsiona experiências não só audiovisuais, como filosóficas também.

O filme conta a história de um garoto que se vê preso no mundo dos sonhos. Ele acorda de um sonho e percebe que continua em outro, encontrando-se com as mais diferentes pessoas, rebeldes, loucos, velhos, jovens, professores, donas de casa, diretores de cinema e líderes religiosos. Todos conversam com o garoto sobre os mais diversos temas que, provavelmente, ninguém achará respostas e por esse motivo nunca nos cansaremos de debatê-los, como o livre-arbítrio, a evolução da sociedade, o contato humano, nossos relacionamentos, nossa vida em sociedade, a liberdade de cada um, os nossos limites, a relação entre amor e desejo, o que é o bem, o que é o mal e o que há após a morte. Esses e outros temas são apresentados e discutidos em poucos minutos, conforme o garoto se encontra com as pessoas, até que ele percebe que não consegue acordar e passar a viver um sonho lúcido.

O filme é simplesmente muito bom, sendo uma dessas animações que não é feita para crianças, aliás, animação que surpreende. O diretor filmou primeiro o filme com pessoas reais e depois pediu para o diretor de arte, Bob Sabiston, transformar o filme que havia feito em uma animação, desenhando por cima o que se tornou Waking Life, algo muito inteligente.

Não há um só estilo na animação apresentado, ás vezes os personagens são apresentados de forma cubista, outras de forma realista, ou ainda de forma totalmente surrealista, desmanchando-se no meio da tela, enquanto o cenário ao fundo muda e, por vezes, a arte com a qual eles são representados combina com as discussões filosóficas que eles debatem com o protagonista, gerando uma combinação perfeita entre imagem, som e roteiro. Uma verdadeira obra de arte, digna de ser admirada.

No entanto, o filme não chega a ser pretensioso. É claro que os diálogos são inteligentes, papo cabeça mesmo, mas a forma como cada diálogo chega ao espectador não é desnecessárias, aliás a temática do filme favorece isso. Como num sonho, em que os acontecimentos chegam a nós e não nos lembramos como o sonho começou, às vezes nem como acabou, o filme também é assim. Cada personagem diz o que t~em que dizer e some, tão rápido como chegou, deixando você pensando em tudo o que ele disse, ou não... Afinal são só ideias.

Enfim, o filme é uma obra de arte maravilhosa, que merece ser assistida e admirada, fazendo eu me tornar, aos poucos, fã de Richard Linklater.

5 pontos

terça-feira, 29 de julho de 2014

Dica cinematográfica: "Watership Down" (1978)

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"A grande aventura" na tradução brasileira é um filme de animação do ano de 1978.

Conta a história de um grupo de coelhos, que sai da coelheira onde viviam, por que um deles teve a visão de um desastre que iria acontecer; mais pra frente ficamos sabendo que a floresta onde viviam havia sido loteada e construíram um condomínio por lá. Quando um pequeno grupo de coelhos foge, eles entram em uma grande aventura, enfrentando todos os inimigos naturais que têm, além de enfrentar outros coelhos, que não gostam nada dos "estrangeiros" até alcançarem a paz tão procurada em uma colina, a "Watership down" do título.

O filme é uma adaptação de um livro homônimo e é uma dessas histórias adultas mascaradas de história infantil, não se deixe guiar pelo desenho singelo e belo, típico de livros infantis do século passado e suas vozes fofas, a história é dura e segue uma abordagem meio "naturalista"; apesar do filme dar características humanas aos animais, eles ainda são guiados por instintos e agem como os animais que são, sendo agressivos e brutos em alguns momentos. Aliás, o filme não poupa em brutalidade, tendo muita situações assustadoras para crianças e até para adultos também.

A animação é bem ruinzinha se for analisar com olhares do século 21, tendo quadros parados no meio do filme, mas nesses momentos os quadros se tornam bem detalhados e bonitos, impressionando pelo realismo usado no filme, mas fica claro que o cenário foi feito de um jeito e os personagens animados por cima. No entanto, isso não atrapalha em nada a diversão.

Enfim, "Watership Down" é um filme muito recomendado, até mesmo para crianças mais velhas, pois trata de forma sensível e delicada temas como o abuso da Terra pelo homem e brigas mesquinhas por territórios, sendo um filme muito profundo e divertido.

4 pontos

sábado, 26 de julho de 2014

Dica musical: "Honeyblood" do Honeyblood (2014)

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Honeyblood é uma dessas bandas que te pega de surpresa pela originalidade, ousadia e qualidade de suas canções, sendo uma banda independente, sem apoio de ninguém e com consciência de suas limitações.

Honeyblood é uma banda formada por 2 garotas, de Manchester (acho) e seu som pode ser definido como um post-rock meio gótico meio noise. Elas já haviam lançado um EP, muito legalzinho pelo Bandcamp com algumas músicas que estão presentes nesse CD e ano passado lançaram outro, só que dessa vez por uma gravadora, mas com produção totalmente independente; pra voc~e ter uma ideia, elas gravaram o EP num banheiro, então o som é cheio de ruídos, você mal entende o que a vocalista está cantando, mas tudo foi só um "esquenta" para este CD, que conta com 12 canções que falam de garotos sendo idiotas e mulheres que querem achar o seu espaço, a canções que servem como terapia.

Como dá pra perceber não é um CD excepcional, mas há nele um frescor que bandas mais antigas e que servem como influências para elas, seja liricamente ou musicalmente, perderam a muito tempo e por esse motivo não conseguem mais fazer álbuns melhores que medianos, tornando-se bandas de um álbum só ou pior, bandas de uma música só.

Por esse motivo é gostoso ouvir o álbum de estréia de Honeyblood, um dos que eu mais aguardava esse ano e o penúltimo do ano; mas se Honeyblood vai continuar me encantando, fazendo-me gostar do som delas, isso só o tempo poderá dizer.

3 pontos e meio

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Dica musical: "Live Versions" do Tame Impala (2014)

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Este está sendo um ano ruim para a música. Enquanto que ano passado tivemos lançamentos ótimos e bons, este ano estamos tendo lançamentos medianos e ruins, a não ser por um ou outro artista que quebra a monotonia do "mais do mesmo" e da prepotência artística e acaba lançando uma jóia rara não só no cenário musical de 2014, como no cenário musical da história (ouça "Luminous" do The Horrors e "Rooms of the house" do La Dispute para entender o que eu estou falando).

Em um cenário tão monótono, nada mais justo do que ver "mais do mesmo" sendo interpretado com toques de genialidade. Essa é a proposta do Tame Impala com esse belíssimo CD chamado simplesmente de "Live Versions".

Neste CD, lançado exclusivamente para o Record Store Day, estão incluídas 9 músicas do último trabalho de estúdio da banda e uma não tão inédita, o jam session que eles fazem em todos os shows e que por isso não é mais jam session e ganhou um nome. As nove músicas já foram ouvido e re-ouvidas por todos os fãs da banda, mas nessa gravação ao vivo, ocorrida durante um show na cidade de Chicago em Outubro do ano passado, a banda dá uma renovada no espírito de cada uma das músicas, adicionando mais efeitos, improvisando nos solos e prolongando sua duração, além do uso de instrumentos diferentes.

Através dessas 9 faixas dá pra se ter uma ideia do som ao qual a banda se encaminha, cada vez mais psicodélico, cheio de sintetizadores, com uma bateria potente e o baixo sempre marcante, ou seja, cada vez mais originais e geniais.

O único ponto ruim, na minha opinião é a escolha das músicas, nesse CD apenas músicas do segundo disco estão presentes, deixando de lado obras de arte do primeiro, que foi aquele CD que abriu os olhares do mundo para o cenário musical australiano, tamanho a influência de Tame Impala por aquelas bandas, mas se a banda conseguiu elaborar um tesouro como esse com apenas algumas músicas de todo o seu repertório brilhante, imagine se ele todo estivesse incluído, seria desleal para a concorrência, aos moldes de Brasil e Alemanda na copa desse ano.

Enfim, Tame Impala é sem sombra de dúvida uma das melhores bandas no cenário musical mundial, tendo versões de estúdio brilhantes e versões ao vivo surpreendentes.

4 pontos e meio

domingo, 20 de julho de 2014

Dica cinematográfica: "A estranha cor das lágrimas de teu corpo" (2013)

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"The strange color of your body's tears" pra você que vai procurar esse filme nos torrents da vida.

O filme começa com a volta de um homem à sua casa depois de uma viagem de negócios na Alemanha. Ele não encontra sua mulher, que parece ter desaparecido há vários dias. Quando um detetive particular recusa aceitar o caso, o homem começa a procurar por pistas sozinho. Ele descobre que outra pessoa já havia sumido naquele prédio, o marido de uma mulher que morava no número 7, provavelmente fora morto por alguém no andar de cima. Enfim, o detetive decide aceitar o caso depois que a polícia descobre que a mulher do homem foi decapitada. O homem acaba descobrindo que a mulher do número 7 era uma mulher com a qual ele se relacionou há mais de 20 anos, quando ele ainda era um adolescente e, aparentemente, ela era uma louca meio pedófila, que acabou matando o marido, mas não foi ela quem matou a mulher do cara. Havia algo realmente no andar de cima. O homem morre e o detetive também e o que gostava do homem quando ele era um adolescente provavelmente o estava seguindo por muito tempo e não era a mulher do número 7.

Achou confuso? Pois é... Esse filme é confuso ao extremo, parece fazer uma homenagem a filmes italianos de terror dos anos 70, seus diretores parecem terem sido fortemente influenciados por David Lynch, além de homenagear filmes noir e o bom e velho suspense, mas só parece, por que tudo é muito simbólico, subjetivo e confuso nesse filme.

No entanto, a fotografia é magnífica, a montagem é brilhante e o filme parece ser uma obra de arte, digna de ser admirada e só... É um filme para ser admirado e só.

Enfim, eu recomendo o filme, por que no geral, é bom.

3 pontos


 

sábado, 19 de julho de 2014

Dica televisiva: "Usagi Drop" (2011)

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Usagi Drop é um anime inspirado em mangá homônimo, exibido em 2011 e que conta uma história bem legal.

O avô de Daikichi morreu e ele vai até a sua casa, onde estão reunidos todos os familiares para o enterro e tal... Tudo parecia normal, mas logo ele recebe a notícia de que seu avô tinha uma filha bastarda de apenas 6(?) anos, chamada Rin,  fruto de seu relacionamento de uma noite com uma mulher desconhecida, motivado pela "pílula azul" (daí o nome da série). Ninguém aceita cuidar da menina, então Daikichi se vê forçado a levá-la para casa e começa a cuidar dele, como se fosse um pai solteiro.

A série parte de uma premissa muito interessante e que já foi usada muitas vezes em filmes dramáticos, não só a relação pai-filha, mas também como é a vida de pais solteiros, apresentando ainda os dois lados da moeda, quando Daikichi conhece a mãe de um colega de classe de Rin, que também cuida do filho sozinha, pois seu marido (ou amante, não fica muito claro a relação que os dois tinham) a abandonou. Enfim, a história dos dois personagens rende reflexões sobre diversos temas além da relação de pais solteiros e suas vidas cotidianas, mas também os sacrifícios que eles têm que fazer em uma sociedade que não se preocupa com o que acontece em casa, mas como os indivíduos se comportam fora dela, em seus ambientes de trabalho, restaurantes, locais públicos em geral, além do tema de laços sanguíneos. Rin não sabe quem é sua mãe, apenas conheceu seu pai, além de ser filha bastarda, por isso sofre um certo preconceito da família, mas família é necessariamente um conjunto de pessoas unidas por laços de sangue ou seriam um conjunto de pessoas unidas por laços de afetividade.

É possível que a própria autora tenha uma ideia meio conservadora ou talvez infantil sobre o tema, mas o modo como todas essas questões são abordadas ao longo de todo o anime provocam a reflexão em quem assiste, afinal tudo é muito sútil e leve nesse anime, nada é imposto a força ou explicado demais, as coisas simplesmente acontecem, às vezes sem terem uma resolução, mas é desse jeito que a vida é... Deveria ser diferente, mas não é...

Enfim, Usagi Drop é um ótimo anime, estou ciente que o mangá é horrível, com a imposição de algumas ideias ridículas, incluídas apenas para criar uma certa polêmica e chocar os leitores, mas ele é dividido em 2 fases: A primeira, com a Rin criança e a segunda com a Rin já adolescente. O anime adapta a primeira parte do mangá, que é muito boa e provavelmente essa série é um raros exemplos de que o anime supera em todos os quesitos o mangá, seja pela falta de maturidade da autora ou pela sagacidade dos criados do anime.

4 pontos

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Dica musical: "Além daquilo que te cega" do Pense

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Pense é uma banda de hardcore de Belo Horizonte, formada em 2007 e esse ano lançaram esse CD aí, contando com a ajuda de fãs que apoiaram a banda no catarse.

Como diz o nome da banda suas canções não existem simplesmente por existir. Elas existem para fazer um convite á reflexão, todas elas abordam temas que merecem e devem ser discutidos por todos, convidando o ouvinte a pensar de maneira diferente do comum, do que é aceito pela sociedade. Tudo isso é feito através de abordagens que parecem se tratar da descrição de apenas mais um dia na vida deles, de apenas um rolê, mas que resulta em horas de reflexão antes de dormir, causada por algum acontecimento diferente ou simplesmente pela ficha que acaba de cair perante tudo que acontece, todos os dias, nesse mundo em que vivemos.

Assim estreou a banda Pense, com seu primeiro CD "Espelho da alma", fácil de se encontrar para download na internet e assim segue esse segundo CD, contando com uma pitada a mais de "cotidiano", já que alguns temas são debatidos da visão de alguém que vive aquilo que discute e não apenas vê e mantém-se fora do que acontece.

No entanto, de certa forma, esse parece ser um CD inferior que o primeiro, ao menos nos temas abordados, afinal este é um CD mais curto, seja no número das canções ou pela duração das mesmas, é um CD mais curto. Menos temas são abordados e a banda até se deixa criar uma música mais "romântica", que é disfarçada, claro, pela gritaria e os instrumentos.

E por falar nisso, se as letras são um pouco mais fracas que o primeiro CD, a parte técnica se supera neste, afinal o CD foi feito com mais "profissionalismo", em um dos melhores estúdios de BH, com equipamentos de primeira e uma ótima produção, não poderia ser ruim, mesmo que eles quisessem.

Aliás, para quem acompanha a banda, sabe que eles não fazem nada por fazer, esse CD foi inspirado, depois guardado, deixado para crescer, amadurecer e enfim, pensado novamente, resultando em um registro único na cena do rock nacional, um CD que surpreende, seja pela qualidade da música, seja pelo tratamento que sofreu, refletido na arte e nas mudanças que a banda exerceu em seu site, seu canal do youtube ou seja pela sua duração, que pode deixar a desejar se comparada com o primeiro, mas te instiga a ouvir mais, deixando uma vontade de ouvir tudo de novo e de novo e de novo...

4 pontos

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Dica cinematográfica: "Jodorowsky's Dune" (2013)

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Alejandro Jodorowsky divide opiniões, é amado e odiado por alguns, mas para a maioria é só mais um diretor de cinema que fez fama com alguns filmes malucos e sem nexo. Eu me incluo na maioria.

No entanto, no meio dos anos 70, Jodorowsky juntou-se com Jean Giraud para criar a adaptação cinematográfica do clássico de ficção científica "Dune", o seu projeto (pasmem!) mais ousado, de acordo com ele, um filme que iria mudar a consciência das pessoas, um marco no mundo, o início de algo gigante e completamente diferente. Para isso ele juntou-se com Moebius (o brilhante desenhista de histórias em quadrinhos) e elaborou um storyboard completo do filme, contendo todos os ângulos das cãmeras, os movimentos dos personagens, suas roupas, suas falas,s efeitos especiais, enfim... Um storyboard completo. Giraud compilou o storyboard de Moebius com o roteiro de Jodorowsky, as artes de Ginger (que fez Alien anos depois), os planos do diretor de efeitos especiais e a escalação dos atores em um enorme livro. Esse livro foi enviado para todos os grandes estúdios de Hollywood e até para os não tão grandes assim e continuam lá, fazendo de "Dune" de Jodorowsky o filme mais influente jamais feito.

Jodorowsky era ambicioso e queria criar um dos, se não o maior, filme que já foi feito, gigante, espetacular, mas para isso, os estúdios teriam que investir muito dinheiro, 15 milhões de dólares de acordo com Giraud, sendo que 2 milhões haviam sido gastos só com a pré-produção. O filme acabou sendo feito posteriormente, por David Lynch, sendo um fracasso total, por que era bem diferente do que a ideia original, mas o livro que Jodorowsky e Giraud fizeram ficou guardado em algum lugar especial dentro de cada um dos grandes estúdios de Hollywood, servindo de inspiração para diversos cineastas que vieram depois.

O filme faz questão de ilustrar esse ponto, colocando diversos quadros que estão no sotryboard de Jodorowsky e Moebius ao lado de cenas de diversos filmes de ficção científica, contando também com o depoimento de cineastas que ficaram encantados quando viram o livro em alguma prateleira dos estúdios em que trabalham.

O documentário é muito bom, seguindo uma narrativa muito bem bolada, que não cansa quem assiste e até emociona, por nos fazer conhecer uma história extremamente interessante.

4 pontos

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Dica televisiva: Game of Thrones 4ª temporada

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A 4ª temporada de Game of Thrones começou, acabou, muita gente já assistiu tudo, já leu os livros, então dá pra fazer uma dica aqui sem se preocupar muito com spoilers, se bem que eu nunca faço spoilers mesmo, então...

Comecei a assistir Game of Thrones ano passado, gostei da série, mas sempre achei ela "ok", pra não dizer "meh". Sei que existe um fandom enorme de Game of Thrones, que fica até comparando a série com "O senhor dos anéis", George R.R.Martin com Tolkien, sem contar os chatos que não aguentam nenhum spoiler... Enfim, "Game of Thrones" conseguiu, em menos de 4 anos, criar uma subcultura nerd muito popular e até irritante em alguns pontos, mas o fato é que a série não é nada demais.

Nunca li os livros, mas se depender da série, acho que ele também não é grande coisa. Os fãs de Game of Thrones adoram citar as putarias e as intrigas odiosas da série, presente tanto nos livros quanto na série, mas eu nunca achei isso um grande atrativo, pelo contrário, sempre achei que isso diminuía uma série com grande potencial.

Inclusive, era esse potencial da série que me fez assistir todas as suas temporadas, afinal não há como não simpatizar com a Arya, a Daenerys e com o Tyrion, personagens extremamente carismáticos e fortes, que fazem você esquecer das putarias e das intrigas odiosas pelo poder, além das outras dúzias de personagens que ou são simplórios, que você não dá a mínima ou odiáveis ao extremo, que te deixam com vontade de vê-los mortos o mais rápido possível.

No entanto, nessa temporada a HBO (a qual só faz séries com o máximo de sensacionalismo possível, tornando-se uma empresa querida por poucos, mas que a maioria não dá a mínima) tomou uma grande liberdade criativa e (dizem) mudou muita coisa dos livros, fazendo mais pela série em 4 anos  do que o George R.R.Martin em quase 10!

A narrativa avançou muito, além de mostrar detalhes da história que só serão contados no 6º ou 7º livro, isso se não tiver um 8º,9º ou 10º, coisa que eu não duvido.

Também foi um período de ouro para a série. A fase que foi adaptada dos livros é uma fase boa, sem muitos acordos, reina uma pseudo-paz em toda Westeros, com todo mundo fraco demais pra cometer crueldades e os personagens mais legais ganham espaço para poder fugir, se esconder e crescer (vide Arya, Sansa e até o Jaime, por exemplo). Também é um período em que alguns dos personagens mais odiosos e irritantes da série se dão mal, seja morrendo ou simplesmente encontrando-se com uma realidade dura de encarar, sendo forçados a sair de sua zona de conforto.

A HBO se aproveitou desse "período de ouro" na série e acabou adicionando mais coisas legais, como o arco de Jon Snow e o de Bran, que já eram arcos interessantes e agora ficaram muito mais.

Enfim, essa temporada é sem sombra de dúvida a melhor na série, conseguindo algo que Peter Jackson não conseguiu com Tolkien: Fazer a sua adaptação ser melhor que o original.

No entanto, não sei se todo esse entusiasmo com a série vai durar muito, os próximos livros a serem adaptados são o 4º e o 5º, que na verdade são um só, mas foram divididos pela editora original, por que seria um livro maior que Ulisses, de James Joyce (uma heresia literária) e conta com uma narrativa mais lenta e até mais odiável, personagens legais mal aparecem no 4º livro ou mesmo no 5º e alguns dos mais odiáveis personagens da série ganham mais destaque e poder do que nos livros anteriores, por exemplo, acho que o Tyrion só é citado no 4º livro, mas não tenho certeza disso.

Agora, não sei se a HBO vai tomar mais liberdade criativa com a série, o que seria ótimo ou vai produzir uma temporada mais fraquinha no estilo das 3 primeiras. De um jeito ou de outro, muitas coisas interessantes estão acontecendo no reino de Westeros, o inverno está chegando e os spoiler acabando... O jeito é esperar.

4 pontos

sábado, 5 de julho de 2014

Dica gamistica: "Pocky & Rocky" (SNES)

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"Pocky e Rocky" é um jogo de 1993, desenvolvida pela Natsume para o Super Nintendo e é um jogaço!

O jogo acompanha dois personagens: Pocky, uma sacerdotisa de um templo xintoísta e Rocky, um guaxinim que é membro de um grupo de criaturas chamadas Nopino Goblins e pede ajuda a Pocky, que há muito tempo atrás ajudou os Nopino Goblins quando eles ficaram loucos. Mais uma vez os Nopino Goblins ficaram loucos e os dois logo se vêem cercados por Nopino Goblins hostis. Nesse momento começa a aventura dos dois novos amigos para descobrir quem está deixando os Nopino Goblins hostis e derrotá-lo.

O jogo é a continuação de um jogo dos anos 80 que tinha personagem principal a Pocky e o diferencial desse jogo é a possibilidade de jogar com um amigo, um controlando a Pocky e o outro controlando o Rocky. A jogabilidade é muito interessante e bem montada, sendo que os dois amigos podem avançar ao mesmo tempo no jogo. Os personagens tem poderes parecidos, mas há diferenças pequenas, porém notáveis entre os dois, por exemplo, Pocky é mais rápida, mas os golpes de Rocky causam mais dano. Isso sem contar que o jogo é extremamente difícil para um jogador só, sendo uma missão quase impossível passar nas fases, sem check points e que borbulham de inimigos. Sério! Há inimigos por toda parte e eles não param de surgir, não é à toa que esse jogo se trata de um jogo de tiro sem arma, por que você têm que ficar atirando seus poderes a todo momento, sem muita estratégia.

Em relação à parte gráfica, o jogo surpreende muito, pois é tudo muito bem feito, os gráficos são melhores que muitos jogos atuais e a trilha sonora chega a ser emocionante.

Eu acho que é difícil achar alguém que tenha um Super Nintendo funcionando hoje, mais ainda achar esse jogo por aí, mesmo no mercado livre ou algo assim, no entanto é fácil de achar a ROM e algum Emulador desse jogo, com alguns bugs e o risco de um vírus ou outro, mas vale a pena.

"Pocky & Rocky" é um desses jogos marcantes, brilhantes e muito bem feitos, que mereciam receber muito mais reconhecimento do que recebem, sendo um dos melhores jogos pra SNES que já fizeram.

5 pontos