terça-feira, 6 de maio de 2014

Dica gamística: "2048" de Gabrielle Cirulli

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Eu sei que você já jogou esse jogo um milhão de vezes, inclusive no seu celular.

No entanto, saiba que seu criador (ou criadora) não havia criado uma versão oficial para celulares até hoje.

2048 é um jogo de lógica com o objetivo de fazer você "criar" uma peça com a soma 2048. Para isso você deve somar peças de número iguais até chegar ao enfadonho resultado.

O jogo de tornou rapidamente um viral e como tal foi criado diversas versões mobile dele, mas apenas hoje foi lançada uma versão oficial, com 2 modos de jogo e uma tonelada de propagandas, mas vale a pena... O jogo é muito viciante.

Baixe a versão oficial do jogo clicando aqui.

4 pontos

sábado, 3 de maio de 2014

Dica musical: "Sunflower" do Monster Rally

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Em atividade desde meados de 2010, acho... Monster Rally é Ted Feighan, um produtor musical estadunidense residente em L.A., que produz músicas sob a alcunha de Monster Rally classificadas no subgênero da música eletrônica conhecido como "chillwave" ou algo assim...

Como tantas músicas no mesmo estilo, suas canções são feitas com batidas graves e lentas, acompanhadas de alguma melodia relaxante e, por vezes, hipnotizante. O grande diferencial de Monster Rally para tantos outros como Gold Panda e Jon Hopkins é que ele busca inspiração em locações pouco exploradas pelos seus "conterrâneos" musicais do gênero, sendo mais comum em seus trabalhos influências orientais e sul-americanas, a primeira, mais comum e utilizada.

Nesse álbum, "Sunflower", a inspiração japonesa é clara e óbvia, começando pela primeira música, que descreve de forma rápida e inexata as chindon'ya's e logo somos guiados a uma curta, porém exuberante viagem aos confins da imaginação influenciada pelos mistérios japoneses, com direito a pianos clássicos, biwas, kotos e tsuzumis.

"Sunflower" é uma das melhores descobertas que já fiz na minha vida. O fato de Ted Feighan buscar inspiração no oriente e na música tradicional das comunidades mais antigas da América do Sul (como Peru, por exemplo) já o transformam em uma jóia rara num universo musical, perdido a muito na mesmice das batidas eletrônicas clássicas, retiradas da década de 80.

O álbum termina com um elegante convite para os ouvintes entrarem nessa aventura chamada Japão, cheia de instrumentos, lendas, mistérios e inspirações diversas, material que ainda pode render muito mais, vide o número de álbuns que o cara tem em seu bandcamp.

5 pontos

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Dica musical: Space✩Dandy OST

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Acompanhando a dica de ontem, completo com essa maravilhosa dica musical: a trilha sonora de Space✩Dandy.

Space✩Dandy não é só especial pela sua produção genial, realizada pela estúdio Bones, ou pela sua narrativa extremamente original, mas também por que junta dois nomes que todo fã de anime admira muito: Shinichiro Watanabe (o mãos de ouro, que tudo que toca transforma em diamantes inesquecíveis) e Yoko Kano (a lendária compositora japonesa responsável por trilhas sonoras soberbas).

E na trilha sonora de Space✩Dandy podemos notar como uma boa escolha de músicas podem influenciar na história. Dandy é um fanfarrão do espaço, um anti-herói a moda antiga, com topetão ah-lá-James Dean, rebolada ah-lá-Elvis Presley, convencido como um vilão de filmes cult dos anos 80, enfim, é um cara do passado, uma figura exótica no espaço e para reforçar isso, nada melhor que uma trilha sonora recheada de tonalidades new wave, estilo musical que surgiu nos anos 80, contando com influências jazzísticas e da disco music, algo que está em voga novamente, devido ao sucesso de artistas como Daft Punk e Pharrel Williams.

A trilha sonora talvez seja tão boa, também por ter aparecido numa época boa para músicas nesse estilo, um ano onde o que as pessoas querem é uma boa batida de sons graves e efeitos eletrônicos harmoniosos.

Como toda trilha sonora, não espere algo complexo, a maioria das músicas são instrumentais, mas como uma trilha sonora orquestrada por Yoko Kano, espera algo completo, recheado de harmonias, instrumentos musicais diversificados e arranjas belíssimos, perfeitamente combinadas e arrumados nesse CD de forma a criar um ambiente onde você possa curtir cada música ao máximo.

Enfim, belo.

5 pontos

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Dica televisiva: Space✩Dandy

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Space✩Dandy é um clássico moderno.

Além de ser o tão aguardado anime de 2014 dirigido por Shinichiro Watanabe, é também um anime com uma das narrativas mais interessantes, divertidas e legais dos últimos tempos.

Space✩Dandy conta a história de Space Dandy, um fanfarrão no espaço, que têm como profissão caçar alienígenas desconhecidos em troca de dinheiro no centro de cadastro de alienígenas e, como hobby, visita os Boobies, uma rede de lanchonetes espaciais que contém garçonetes peitudas como principal atrativo.

A narrativa é simples e como anime de humor funciona perfeitamente. Dandy também têm como companheiros QT, um robô com voz fofa e desatualizado, mas que serve para limpar a nave deles (Aloha Oe) e consertar eventuais problemas técnicos, além de um companheiro indesejado, um gato alienígena com um nome impossível de ser pronunciado por meros humanos. Esse trio fica conhecido como BBP, que é um sigla para Burrão, cabeça de vento e cabeça de alfinete (tradução livre do japonês) e os três se metem em aventuras pelo espaço, enquanto são caçados por um general do império Gogol, que enxerga Dandy como uma ameaça para o universo.

O fato de Dandy ser um valentão, pegador e anti-herói, afinal ele é tipo como um vilão pelo império Gogol ( mas isso é envolto em mistério pois não são apresentadas as reais intenções do império) torna Dandy em um personagem único, principalmente em séries de humor japonesas, onde o personagem principal é sempre um mané deprimente e chato, ou mesmo em séries ocidentais, onde o fanfarrão é o vilão da história, o cara que pratica bullying e é tido como idiota por todos.

Nesse anime, o valentão é o personagem principal, continua sendo burro, mas é o cara que chama a atenção das garotas, o pegador, o cara que não tem medo de zoar com todo mundo e ainda assim se dá bem no final. Concluindo, um personagem único no mundo do anime, o que já seria suficiente para transformar esse anime em algo excepcional.

Mas não podemos esquecer de que esse anime é dirigido por Shinichiro Watanabe e como tal, ainda conta com uma excepcional trilha sonora (cheia de influências new wave e, claro, jazz) e qualidade de animação, muito fluída, leve, mesmo contando com uma infinidade de detalhes. Os personagens são bem detalhados e a animação é muito boa, as cenas de ação remetem a Tengen Topa Gurren Lagan, bem enérgicas e fortes.

Por falar em influência, o anime também contém diversas referências, desde mais óbvias como 2001: Uma odisséia no espaço e Cowboy Bebop, até influências menos óbvias, como Rango e grupos musicais japoneses antigos.

Cada episódio é fechado em si mesmo, contando uma história que talvez não siga uma ordem cronológica da forma como nos é apresentada, aumentando a curiosidade em saber como tudo se encaixa na história, além de contar com diversos conflitos e temas existenciais, filosóficos ou mesmo científicos escondidos por baixo do pano de fundo principal: o humor.

Enfim, Space✩Dandy é um alívio numa era dominada por animes ruins, envolvidos num hype fenomenal, porém desmerecido. E que venha a 2ª temporada em Julho.

5 pontos

terça-feira, 29 de abril de 2014

Dica literária: "Coraline" de Neil Gaiman

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Terminei ontem de ler "Coraline", o livro que inspirou o filme homônimo do estúdio Laika.

Não é segredo que eu sou fã do filme, mas ainda não havia lido o livro, que acabou me surpreendendo. Grande parte da surpresa veio do fato do livro ter muitas diferenças em relação ao filme, como ausência de personagens no livro, descrições completamente diferentes do que foi apresentado no filme e o curso da história também é diferente, um pouco mais lenta, no entanto, igualmente interessante e surpreendente.

A história é basicamente a mesma. Num verão nublado, Coraline Jones, uma menina grandinha, mas não tão grande para deixar de ser chamada de criança, muda-se com os pais para um apartamento, que é dividido com outros moradores, mais velhos e estranhos do que seus pais, com conversas confusas e mirabolantes. No entanto, dentro do apartamento há uma porta grande, velha e misteriosa, que aparentemente leva ao apartamento abandonado do lado, mas na verdade, esconde um mundo completamente diferente, dominado pela sua outra mãe, que têm botões negros no lugar dos olhos.

O livro têm aquele mesmo tom de terror e suspense que o filme, cheia de influências á clássicos da literatura do horror  e fantasia fantástica como, por exemplo, Stephen King e C.S.Lewis. Em alguns momentos, especialmente no final do livro, você chega a se assustar, se tiver uma grande imaginação e estiver fazendo sua leitura no meio da madrugada.

Neil Gaiman também é um gênio, conseguindo guiar a narrativa por caminhos impensáveis, elaborando frases enroladas, mas cheias de sinais simbólicos do que vai acontecer na aventura, criando palavras e descrições completas, porém curtas, perfeitas para fazer você mergulhar de cabeça no mundo secreto de Coraline.

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segunda-feira, 28 de abril de 2014

Dica musical: "Everyday Robots" de Damon Albarn

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E Damon Albarn volta em mais uma empreitada musical.

Um CD solo bem melódico e intimista, com várias referências musicais, uma marca sua, consagrada.

Em "Everyday Robots", Albarn continua seus sons melódicos visto em seus trabalhos mais recentes, cheias de pianos, sintetizadores e dedilhados de violões ou guitarras, contando com alguns instrumentos mais interessantes, sempre com sons agudos e bem arranjados.

As letras contém um certo ar crítico, mas sem pegar muito pesado. Na verdade são bem sutis, leves e até repetitivas, mas sempre com algum sentido, quase um chamado à algo maior.

No entanto, eu não sou muito fã do Damon Albarn exatamente por esse lado meio melancólico dele. As músicas são extremamente bonitas e bem arranjadas, mas em alguns momentos chegam a ser chatas e entediantes. Mesmo assim, são belas.

Em suma, é um bom CD, com bastante conteúdo, mas peca pela sensibilidade, que chega a irritar.

3 pontos

domingo, 27 de abril de 2014

Dica cinematográfica: Hexalogia Star Wars

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Nunca havia assistido Star Wars antes. Não, essa série de filmes não fez parte da minha infância, graças a Deus, já fui zoado demais por gostar de DBZ e Pokémon quando moleque.

Mas decidi assistir esse ano, por causa dos novos filmes que vão sair e nesse final de semana terminei de assistir os 6 filmes, na ordem da história, ou seja, assisti os mais recentes primeiro e depois os mais antigos.

Com eu sou curto e grosso, já vou dizendo: É uma série foda! Gostei de Star Wars. Têm personagens muito carismáticos, uma narrativa interessante, reviravoltas surpreendentes e batalhas empolgantes, além de se passar em um universo complexo, cheio de simbolismos intrigantes, que só ajudam a tornar a história mais empolgante.

No entanto, não me tornei fã, como muitos outros caras mais velhos do que eu, ou até mais novos, até por que não cresci assistindo a série e sendo mais fã a cada 3 anos. Sem contar que o modo como cada filme acaba e começa, sem muita ligação com o anterior, iniciando um outro "arco" da história não me pareceu tão interessante e aquele papo do George Lucas de ter esperado para fazer os filmes mais recentes por que queria uma tecnologia melhor em pareceu papo furado para justificar uma tentativa (bem sucedida devo admitir) de abocanhar mais dinheiro com uma boa série de filmes. Aproveitando para aumentar a empatia pelo vilão mais emblemático do cinema (a trajetória do Darth Vader é incrível).

Aliás, toda a narrativa do filme, acompanhando 2 gerações de uma família é extremamente bem construída e interessante.

Já os efeitos especiais variam muito de filme para filme, mas eu achei os efeitos dos filmes antigos melhores, talvez por que eu goste mais de ver robôs e bonecos animatrônicos no lugar de CG.

Enfim, vale a pena assistir essa brilhante hexalogia.

black hole

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Dica cinematográfica: "O guia pervertido da ideologia" (2012)

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"O guia pervertido da ideologia" é uma continuação de um filme que eu não assisti chamada "O guia pervertido do cinema", realizado em 2012, dirigido por Sophia Fiennes e estrelado por Slavoj Zizek (lê-se Slavói Tchitchéqui).

Este não é um filme fácil de ser classificado, pois não parece ser bem um documentário, nem mesmo um filme clássico, seguindo alguma história. Parece mais um estudo, a defesa de uma tese, que busca encontrar significados escondidos no cinema que seguem a "ideologia": Os sonhos que formam nossas convicções e costumes coletivos.

No filme, Slavoj disseca alguns filmes, mostrando que o conteúdo deles nos dá uma lição de vida, nos serve como um guia para o que fazer quando se quer escapar da "ideologia", o que incluiria a lavagem cerebral realizada por instituições religiosas, instituições laicas, ideologias políticas, econômicas ou sociais, etc... Dizendo que a verdade é difícil de ser encarada e não pode ser encontrada pela vontade única do indivíduo, mas por um catalisador externo; há um elemento crucial em todas as ideologias que é o "Grande Outro", a encarnação de todas as ideias contrárias à ideologia central, mas esse "Grande Outro" não existe de verdade, concluindo que nem tudo na vida têm sentido; e ainda há uma brilhante defesa da ideia que os indivíduos devem estar dentro da ideologia, é muito difícil escapar delas, mas devemos manter uma distância cínica saudável, fazermos piadas delas e não nos deixar infectar com elas.

Slavoj fala todo o filme, defendendo sua tese infindável por mais de 2 horas, sendo colocado nos cenários dos filmes ao qual está falando, o que eu achei uma estratégia muito interessante para não cansar a quem está assistindo.

Enfim, "O guia pervertido da ideologia" é um ótimo filme, com muito conteúdo, extremamente esclarecedor e que irá explodir sua cabeça.

5 pontos

domingo, 20 de abril de 2014

Dica cinematográfica: "Genius Party" (2007)

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O nome já diz tudo.

Esse filme é uma festa de gênios, elaborada, idealizada, organizada por gênios.

Tudo começa em 2006, com um ideia provindo do estúdio de animação japonês 4ºC: Produzir uma antologia com grandes gênios do mundo da animação mundial, com liberdade total para fazer o que quisessem desde que o tema central girasse em torno dos "limites da imaginação". 22 foram convidados, 14 aceitaram, 7 foram compilados em "Genius Party", 5 foram compilados em "Genius Party: Beyond" e 2 não foram finalizados.

Como uma antologia, são contadas 7 histórias, cada uma sem ligação com a outra, o que aumenta a diversão. A primeira, "Genius Party" é apenas uma apresentação do que se pode esperar; uma história completamente non-sense, mas com uma certa profundidade ao ser melhor analisada, cheia de simbolismos, acompanhada de uma animação estonteante e emocionante.

Logo após somos apresentados a diversos mundos, cheios de elementos de sci-fi, monstros convivendo em uma realidade alternativa onde todos são monstros, a sombria história de um rapaz que encontra seu doppelgänger, o monólogo filosófico de um mero ser humano com várias convicções religiosas e morais a nos apresentar, recheado de imagens surreais e psicodélicas como num sonho nutrido a LSD, a trajetória bizarra da raça humana um mundo pós-apocalíptico, distópico e lindo, finalizando com uma belíssima crônica no melhor estilo coming-of-age, sobre dois adolescentes que se separam, após anos de convivência.

Todas essas histórias são apresentadas sem uma ordem exata, sendo um pouco chocante você sair de um mundo perturbador e ir para um mundo sincero e infantil, ou vice-versa; mas isso não estraga a diversão do filme.

A parte técnica é belíssima. A trilha sonora de todos os filmes é ótima, as animaçõpes também, sendo leves, fluindo naturalmente na frente dos seus olhos, te encantando a cada momento.

"Genius Party" é um clássico moderno. Um perfeito exemplo do que o mundo da animação têm a nos mostrar. Um "must-see" para todos aqueles que se dizem amantes dessa arte, que serve para todas as idades.

black hole

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Dica gamística: The Legend of Zelda: A link between worlds

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Nunca havia jogado um jogo de Zelda antes... Talvez feito uma partida ou outra com uns amigos no GameCube ou no Nintendo 64, enfim... Nunca tinha jogado decentemente "The Legend of Zelda".

Agora com um 3DS em mãos e com um todo mundo falando bem do jogo, decidi comprá-lo, depois de muita hesitação e digo que superou minhas expectativas.

O jogo é a continuação direta de "A link to the past" e dessa vez Link deve viajar entre o mundo de Hyrule e Lorule, afim de derrotar o vilão Yuga, que transformou todos os 7 sábios em pintura, além da princesa Zelda.

Como todo jogo da Nintendo, o enredo é bem simples, mas o jogo surpreende muito! Primeiro pela jogabilidade. O jogo têm pontos específicos para salvar a trajetória, o que significa que se morrer dentro de uma dungeon após uns 30 minutos, você vai ter que refazer todos os 30 minutos, além de perder seu equipamento. Mas isso não é desesperador. Ao contrário de outros jogos, esse Zelda usa de um sistema (?) que faz com que o jogador aprenda ao longo da aventura. Então se você morre com 30 minutos de jogo em uma dungeon, irá demorar só 20 para chegar ao ponto onde morreu. Na verdade menos, o jogo não é tão difícil.

E isso também me surpreendeu, o jogo não é complicado ou difícil como eu esperava que fosse. Tinha medo que o jogo fosse complicado e me deixasse com raiva o tempo todo, mas não é assim. A maior parte do jogo você passa batendo em vilões e caras mal encarados pelos 2 mundos e os poucos quebra-cabeças espalhados pelos cenários são fáceis de resolver ou, no máximo, te farão pensar por um bom tempo, mas não é nada impossível de ser resolvido sem um detonado ou algo assim.

A dinâmica do jogo também surpreende. "A link between worlds" é cheio de ação,  com vários itens e armas que ajudam em todos os momentos da jogatina.

Outra coisa que surpreende é a parte gráfica. "A link between worlds" é um jogo lindo de se ver, algumas cenas, cenários e personagens são tão bem feitos que dá vontade de ficar olhando para eles o tempo todo, sem derrotá-los ou prosseguir com a história.

O desfecho do jogo também é belíssimo, afinal é quando a parte gráfica alcança seu auge e a história termina de forma singela, digna de um jogo de primeira.

Enfim, nota máxima pra esse jogo brilhante.

5 pontos

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Dica musical: "Supermodel" do Foster The People

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Há muita coisa a se falar desse CD, afinal é o tão esperado segundo CD de uma das bandas mais geniais que tocaram nas rádios do mundo todo nos últimos (sei lá) 10 anos? Talvez desde Gorillaz, uma banda tão genial não domina o meio mainstream musical.

Foster The People, pra você que não estava na Terra em 2011/2012 fez um sucesso viral com a música "Pumped Up Kicks", que foi a mais tocada nos EUA, Canadá, Europa, Ásia, América Latina e Oceania por um bom tempo e, pasmem, a letra fala sobre tiroteios escolares, tipo o de Columbine. Como o Foster The People conseguiu isso? Ninguém sabe. Talvez eles fossem a imagem e semelhança do garotos legais, hipsters, independentes daquele ano. Talvez eles fossem caras inteligentes, afinal o vocalista trabalha como criador de jingles para comerciais de TV.

Enfim, o primeiro CD deixou um gosto duvidoso na boca, por que ninguém entendia como eles chegaram lá no topo tão rápido, com músicas que, se você ouvir atentamente, revelam um lado sombrio e obscuro muito inteligente. Bom demais para as rádios.

Nesse segundo CD, o Foster The People basicamente repetiu a fórmula, no entanto com muito mais maturidade do que seu primeiro trabalho.

Pra começo de conversa, é um CD muito menos eletrônico, apesar de estar cheio de guitarras distorcidas  e sintetizadores, as músicas são carregadas de violões, dedilhados que remetem a bossa nova, instrumentos musicais metálicos como trombones e trompetes, além de uma deliciosa influência africana, com tambores e outros instrumentos típicos de lá, mas que eu, infelizmente não sei o nome.

Depois, as letras da banda estão muito mais carregadas com seus temas densos e pesados, apesar deles se ocultarem entre tantos sons unisilábicos ("uuuhhh" e "ahahahah").

Então, era pra ser um ótimo CD, mas eu não consigo gostar tanto dele quanto o primeiro. O motivo mais óbvio é que eu gosto de um pouco de mistério e obscuridade nas letras. As canções desse CD entregam de bandeja as críticas e não há muita dúvida sobre o que eles estão falando. Levou mais de dois anos para que fosse levado à tona que o tema de "Pumped Up Kicks" era um massacre escolar e não um garoto com muita imaginação.

Depois, as músicas não estão mais tão animadas e alguns temas ajudam a entender porque. Provavelmente a banda não esperava sair de Los Angeles, não esperava que viajar pelo mundo fosse tão cansativo e não esperava encontrar um mundo tão cruel e sem coração como o que vivemos.

Viajar pelo mundo esperando encontrar templos antigos, ruas estilosas, climas quentes e úmidos e povos sorridentes, mas acabar encontrando favelas, pessoas pobres tomando banhos em rios imundos e mendigos em ruas estilosas é um choque para qualquer um. Basta ver a inspiração de artistas mais "cabeça" como a banda Cage The Elephant que você vai entender o que eu estou dizendo.

O Foster The People está cansado. Eles encontraram algo que não esperavam e isso se reflete em suas músicas. Esse é um CD muito mais melancólico que o primeiro.

Não há toa muitos críticos dizem que é um CD intimista, e realmente é; mas isso não é exatamente ruim. É também um CD muito mais completo, mais sofisticado e difícil de escutar.

Enfim, "Supermodel" é um CD complexo. Eu vejo como a imposição do que o Foster The People é, o que é interessante demais, mas poderia ser feito de forma diferente. Como? Eu não sei.

Talvez essa "falta de alguma coisa" que se sente no CD seja causada pela grandiosidade que foi o primeiro CD, que foi um dos melhores no seu ano de lançamento.

3 pontos

domingo, 13 de abril de 2014

Dica cinematográfica: "Grand Piano" (2013)

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"Grand Piano" é um filme de suspense, meio estadunidense, meio espanhol de 2013.

O filme conta a história da apresentação de um concerto de um famoso pianista, longe dos palcos por 5 anos, devido à uma apresentação desastrosa à qual ele realizou. Muito nervoso e inseguro em relação à apresentação, esse pianista se vê numa delicada situação de vida ou morte quando é feito de vítima por um suposto assassino em cima do palco.

Esse filme é muito bem construído. Tudo auxilia no desenrolar da trama, desde os elementos mais óbvios, como a atuação dos atores e a construção da narrativa, até elementos mais "ocultos" como a trilha sonora e a iluminação.

Esses elementos fazem o suspense crescer e a história se desenrolar de forma rápida, não sendo um filme cansativo, muito pelo contrário, é um dos filmes mais divertidos que eu já tive o prazer de assistir.

O desfecho, assim como todo filme de suspense também surpreende, deixando um gostinho de quero mais no final, mas isso não estraga a diversão.

Enfim, "Grand Piano" (que teve uma tradução nada a ver no Brasil) é um ótimo filme, que merece muito mais reconhecimento do que recebeu.

4 pontos

sábado, 29 de março de 2014

Dica televisiva: "Black Mirror" 2ª temporada (2013)

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Já havia indicado a primeira temporada dessa maravilhosa série no meu antigo blog, isso foi há uns 2 anos. Ano passado, a segunda temporada foi lançada, mas eu nem fiquei sabendo e só assisti ela ao longo dessa semana.

O formato e a premissa é o mesmo que a primeira temporada. Em três episódios, cada um contando uma história diferente, a série mostra o impacto da tecnologia nas nossas vidas.

Nessa temporada, percebo que a série ficou menos centrada em mostrar tecnologias futuras, mostrando acontecimentos que poderiam acontecer nesse ano mesmo ou em um futuro muito próximo.

O primeiro episódio, que pode ter inspirado o filme "Her" conta a história de uma mulher, que ao perder o marido, entra em um programa que reconstitui a voz dele para que ela possa superar o fato de que ele morreu. Assim como em "Her", as complicações aparecem quando seu relacionamento com o programa de computador vira parte essencial de sua vida.

No segundo episódio, somos apresentados à um futuro onde seres humanos foram controlados por um sinal de TV misterioso e agora se dividem nos telespectadores, que ficam sempre filmando, nos caçadores e nos fugitivos. No entanto, nada é o que parece ser.

E no terceiro episódio somos apresentados ao desolador futuro próximo, onde um desenho animado consegue influência política o suficiente para concorrer à um lugar no parlamento inglês, com horríveis ideias niilistas.

Você pode notar um forte apelo político nessa temporada também, talvez pelo momento que o Reino Unido estava passando quando essa temporada foi feita.

Enfim, é uma ótima série, que merece ser assistida e irá fazer você pensar duas vezes antes de glorificar uma nova tecnologia.

Do ano passado pra cá muita coisa aconteceu, inclusive sobre esse tema obscuro que é a tecnologia atual e boatos dizem que  a terceira temporada será ainda melhor.

Só nos resta aguardar.

4 pontos

sábado, 22 de março de 2014

Dica cinematográfica: "O gigante egoísta" (2013)

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"O gigante egoísta" é uma delicada e complexa crônica  sobre o entendimento do nosso mundo atual.

Como toda obra de arte complexa, cada um têm sua própria compreensão sobre o que é mostrado e a minha foi uma suave crítica ao sistema capitalista e sua mediocridade, selvageria e desrespeito com os seres humanos.

Neste filme somos apresentados a dois amigos vindos de famílias pobres e problemáticas. Um deles com problemas mentais e o outro, mais velho e responsável, tem sérios problemas quanto à sua atitude.

Nesse delicioso filme acompanha os dramas vividos pelos dois, a corrida desesperada por dinheiro, com esperanças de que suas famílias melhores e o horrível e pesado encontro com uma verdade que ninguém está preparado para ouvir, ou sentir.

O filme passa rápido, abordando suas críticas de forma inteligente e muito sútil, quase que despercebido, sendo contida em poucas palavras, pronunciadas em segundos pelos personagens.

A parte técnica também está de parabéns e a ausência de uma trilha sonora só faz aumentar a ambientação desolada e melancólica do filme, contribuindo para a obra se tornar um espetáculo, tanto de narrativa, quanto em produção e crítica social.

No final, somos levados à um acontecimento trágico, que muda a vida de todos, sem perdoar ninguém, levando a conclusão de que no mundo em que vivemos, no ritmo em que andamos, não chegaremos à lugar algum.

4 pontos

terça-feira, 18 de março de 2014

Dica musical: "Rooms of The House" (2014)

La-Dispute-Rooms"Maturidade é uma palavra estranha".

Assim começa o review do novo cd da banda La Dispute: "Rooms of The House"; no site da AltPress.

E continua dizendo que muitos artistas usam essa palavra para descrever seus novos lançamentos, como uma forma de fazer seu álbum vender mais, apenas para que as pessoas descubram que eles não soam nada diferente dos artistas que eles ouvem todos os dias.

Na verdade, maturidade não é algo que se proclama, é algo que se percebe, nos outros e nunca em nós mesmos.

La Dispute é um exemplo. Seu primeiro CD soava como um revival do screamo das últimas décadas que havia perdido forças naquela época, uma época onde outras tantas bandas seguiram por esse caminho. O segundo CD, "Wildlife", tornou-se um clássico moderno, com uma centena de fãs quietos, ouvindo suas músicas em seus quartos, assistindo a chuva cair, desenhando, escrevendo, entretendo-se com uma dezena de músicas com ótimas letras e uma sonoridade mais agressiva e consistente que o primeiro CD.

Em "Rooms of The House", a banda encontrou um meio termo entre os dois, com melodias  perfeitamente encaixadas com os vocais de Jordan Dreyer, ou seria melhor dizer a mudança de vocais do vocalista?

Em relação as letras, você pode perceber como a maturidade é, de verdade, além dos melodias bem feitas, consistentes em sua proposta inicial, sem sofrer alterações por grandes influências externas ou algo assim, encontramos um CD com letras bem elaboradas, feitas à partir de uma perspectiva onisciente, o que faz de La Dispute uma das bandas mais corajosas do mundo da música atual, contando histórias no meio de suas músicas, guiando-nos pelo mundo perturbado dos personagens criados por Dreyer, fazendo-nos sentir suas angústias, medos e sentimentos, com analogias e jogos de palavras que artistas com o dobro da idade deles mal conseguem imaginar.

Tudo isso no meio de uma cena musical onde quanto mais você fala de si, esforça-se para aparecer, colocar sua cara nos jornais e TV's, sendo o mais sincero possível em relação ao que você sente e suas relações de uma noite com pessoas que você mal sabe o nome, faz com que as pessoas te amem cada vez (Vide qualquer música de uma das bandas que fazem sucesso hoje em dia).

Em meio a uma produção extremamente original, ainda somos agraciados com dois momentos de nostalgia, quando riffs de um dos clássicos de "Wildlife" iniciam duas músicas diferentes no meio do álbum todo.

Enfim, "Rooms of the House" uma obra-prima, testemunha de um crescimento exponencial tanto melodicamente, quanto liricamente de uma das bandas mais criativas e interessantes do nosso século, no entanto ainda resta a velha dúvida se esse durará como seu antecessor, que ainda respira vivamente nas prateleiras de quem comprou o CD ou nas bibliotecas virtuais de quem o baixou.

5 pontos

domingo, 9 de março de 2014

Dica televisiva: Ergo Proxy

ergopr13Ergo Proxy é um anime de 2006, com um nível de experimentalismo muito forte, envolvendo filosofias diversas em uma história de suspense e ficção científica, além de misturar CG, com animação tradicional 2-D e alguns efeitos especiais computadorizados muito utilizados em filmes de ação.

A história de Ergo Proxy se passa em um futuro distante, num mundo pós-apocalíptico, onde as pessoas vivem numa hipo-utopia, uma era após a utopia ou a distopia, onde não há mais futuro, eles são o futuro e não há mais para onde ir, seja pelos avanços científicos, o controle social ou simplesmente pelo tédio, a ideia de não ter mais o que fazer.

Na cidade de Romdo, uma redoma protegida do mundo exterior infectado e destruído, os seres humanos convivem junto com autoreivs, andróides com a função de proteger seus donos ou de fazer companhia, depende da função. No entanto, esse equilíbrio começa a ser ameaçado ao acontecer assassinatos e outros acidentes envolvendo autoreivs infectados com Cogito, um vírus que os faz adquirir consciência e querer partir em alguma jornada existencial para descobrir se sua consciência sempre existiu e só então foi despertada ou se sua consciência é um fruto das experiências que viverão.

Para deter o vírus, o governo central de Romdo começa a fazer testes com criaturas chamadas Proxys, seres tidos como imortais e onipotentes, uma espécie de deus, mas um deles sai do controle, ameaçando a ordem natural regida na cidade, envolvendo cidadãos ideais como Vincent Law, um imigrante e Raul Creed, chefe do escritório de segurança da cidade.

Um resumo da história é muito difícil de ser feito, pois envolve ainda outros personagens, como Re-I Mayer, neta do regente de Romdo e que trabalha na companhia de inteligência da cidade, investigando os crimes cometidos por autoreivs e Pino, uma autoreiv infectada que se aproxima de Vincent na sua busca existencial. A história também foca muito no desenvolvimento dos sentimentos e pensamentos dos personagens, sendo maçante em muitos momentos.

De fato, eu achei que Ergo Proxy seria muito bem contado em 12 episódios e se fosse criado nos dias de hoje, seria assim.

Esse é o seu ponto baixo, além da animação, que, talvez pela época em que foi feita, não seja surpreendente, apesar de usar CG e efeitos de computador, afinal, é um anime experimental, tanto na qualidade da animação, quanto na história.

E também é experimental na trilha sonora, fazendo você pensar que é uma série estadunidense, com os típicos ritmos de pressão e suspense, além da abertura e encerramento, ótimos, porém cantados em inglês.

Enfim, Ergo Proxy não é anime para qualquer um, muito pelo contrário, é um anime difícil de ser compreendido, cansativo, mas que tem seus pontos positivos e um final satisfatório, fechando todos os mistérios colocados durante seus mais de 20 episódios.

4 pontos

sábado, 8 de março de 2014

Dica literária: "The Circle" de Dave Eggers

The-Circle-by-Dave-EggersSó destruí dois livros na vida por que suas histórias são tão raivosas, tão enervantes, tão irritantes que me fizeram ter vontade de rasgá-los ao meio, partir a cara do escritor que os escreveu e fazer esses livros serem esquecidos no limbo literário que tantos autores ficaram presos.

O primeiro foi "O cortiço", que eu detonei após ler o capítulo final no  banheiro da minha casa, rasgando e ateando fogo nele e jogando o que restou na privada.

O segundo foi "The Circle". No entanto, esse livro ainda assim mereceu uma dica.

The Circle conta a história de Mae, que acaba de entrar na empresa de tecnologia mais badalada do momento, o Circle, num momento onde a empresa decide adotar diversas tecnologias novas para melhorar a vida das pessoas, vigiando-as, compartilhando todas as suas informações através de micro-câmeras, nanobots instalados em seus corpos e outros meios, enviando todos esses dados para a nuvem que a empresa criou. Empresa que domina 80% por cento do mercado de tecnologia, desde sistemas operacionais até tecnologias militares.

É uma ótima distopia e assim como "1984" e "Admirável Mundo Novo", esse livro te deixa com muita raiva, mas ao contrário dos 2 clássicos do gênero, não é o governo quem dá as ordens por aqui, é uma empresa de tecnologia, algo muito mais fácil de ser aplicado à vida do cidadão comum, próximo dos jovens  e elevado a um status de grandeza que as faz estarem sempre certas (Jovens se adaptam fácil às novas tecnologias e os velhos tem que se acostumar com isso).

Não há força bruta aqui, não há uma figura central, há apenas uma empresa, comandada por 3 figurões ricaços e o discurso do compartilhamento.

Em determinado momento do livro, no final da primeira parte, a protagonista chega a conclusão, junto com um dos donos da empresa, que segredos são mentiras.

À partir a história se torna enervante, pois câmeras são instaladas em todos os cantos, todos adoram esse compartilhamento em massa e aqueles que são contra são facilmente esquecidos. Políticos são envolvidos em casos de pedofilia digital, de um dia para o outro, artistas são esquecidos numa multidão de novos acervos musicais e gráficos e a natureza é agredida ao ponto da empresa usar uma caverna inundada para manter os servidores da empresa.

Todas essas críticas são feitas de uma forma tão sutil que quase passam despercebidos, deixando uma sensação estranha de incomplementaridade, o que deixa o autor bem atrás de George Orwell e Aldous Huxley, que guiavam suas narrativas de forma abismal, publicando clássicos com menos de 200 páginas.

Já "The Circle" tem mais de 500 páginas, é maçante, com uma protagonista horrível, superficial e fraca, que se torna arrogante, mesquinha e traiçoeira conforme o livro avança. Claro que isso não é um elemento aleatório, foi colocado de propósito ali, nós devemos sentir raiva da Mae, no entanto isso cansa.

A apatia dos personagens, sua cegueira perante novas tecnologias e o modo como eles exaltam a empresa, além da ideia perturbadora de um mundo onde você têm câmeras em cada esquina, cada casa, cada cômodo e em volta dos pescoços de todos os seres humanos é perturbador demais para ser acompanhado por 500 páginas.

Mas, no fim, é um livro que têm que ser lido, ao contrário de "O cortiço", The Circle mostra uma distopia nova, muito próxima da realidade e que pode acabar nos matando.

2 pontos e meio

terça-feira, 4 de março de 2014

Dica musical: "Oxymoron" do Schoolboy Q

Schoolboy-Q-OxymoronA primeira dica musical do ano... E é um álbum de rap!

Pois é... Eu também gosto de rap.

Schoolboy Q é um rapper estadunidense, que mora na Califórnia e acabou de lançar esse álbum, recheado de canções agressivas, samples de jazz e aquele estilo clássico de gangster.

Apesar do seu lado gângster, Schoolboy Q sabe o que fala, criando boas rimas, bem encaixadas nas suas batidas sombrias e com um "q" esperto de groove.

Então, deixando de lado os palavrões e a atitude clara de gângster que ninguém mais aguenta ver na cena hip hop, "Oxymoron" é um bom CD, fácil de ouvir e com algumas pérolas que podem ficar nos ouvidos por algum tempo.

3 pontos e meio

segunda-feira, 3 de março de 2014

Dica gamística: "Luigi's Mansion: Dark Moon"

th"Luigi's Mansion: Dark Moon" é a continuação do jogo para GameCube (acho) Luigi's Mansion.

Como não conheço o primeiro jogo, vou apenas falar desse, que têm um enredo bem simples e quase infantil, onde o professor E. Gadd trabalha tranquilamente em seu escritório com seus ajudantes fantasmas quando, subitamente, o Rei Boo destrói o satélite que mantém os fantasmas dóceis e amigáveis, a Lua Negra. Como Mario está desaparecido, o professor acaba chamando Luigi, que aceita de livre e espontânea pressão ajudar o professor a recuperar todos os pedaços quebrados da lua, espalhados em 6 mansões.

Com esse enredo simples, esse jogo surpreende, primeiro, por que o desenvolvimento da história é muito cativante, envolvendo você e deixando-o curioso para passar por todas as fases e saber logo o que acontece.

Segundo, pelo visual estonteante. "Luigi's Mansion: Dark Moon" é um dos jogos mais detalhistas que tem para plataformas portáteis, afinal, que jogo têm salas, corredores, cavernas e terraços recheados de objetos com a possibilidade de interação com cada um? E neles você acha alguma surpresa, não é que nem os baldes de lixo do Pokémon, que não tem nada. Sem mencionar o visual, as cores e as animações, tudo muito bem feito, muito belo e característico.

Terceiro, esse jogo é difícil. Difícil pra caramba e por diversas fases você vai se pegar irritado, gritando com o Nintendo 3DS mandando os fantasmas tomarem naquele lugar e o jeito mole do Luigi.

Por falar no jeito mole do Luigi, talvez esse seja o primeiro grande diferencial do jogo. Ele não é como Mario, não é corajoso e destemido, é medroso, desajeitado e engraçado de um jeito cartunesco, o que surpreende e promove bons sorrisos durante toda a jogatina.

Enfim, "Luigi's Mansion: Dark Moon" é um ótimo jogo, que merece o título de "Um dos melhores jogos já lançados para Nintendo 3DS" e seu único ponto fraco é ser difícil mesmo.

4 pontos e meio

domingo, 2 de março de 2014

Dica Cinematográfica: Drive (2011)

32822d4b9d9f1277db6527e6d47c21a4_jpg_210x312_crop_upscale_q90"Drive" é um filme de 2011, o primeiro da relação Ryan Gosling-Nicolas Winding Refn e também o mais bem sucedido dentre os dois.

É um filme baseado no livro homônimo de 2005 e conta a história do Motorista, um dublê de filmes de ação de Hollywood, mas que também trabalha como motorista de fuga para ladrões, mas que se envolve com uma mulher casada e na tentativa de ajuda o marido dela a quitar uma dívida feita com bandidos na prisão, acaba se vendo numa rede criminosa, sem sinal de final feliz.

"Drive" é um ótimo filme (o que explica a expectativa em torno do filme "Só Deus perdoa", mas que não é bom, talvez pelo fato de não ser baseado num livro), com uma narrativa puramente cinematográfica, onde o movimento das câmeras, a edição e até a iluminação ajuda a contar a história, além de ser um filme cru, sutil e belo ao mesmo tempo, com ótima iluminação, jogo de câmeras, edição e trilha sonora.

O filme mostra como o diretor é fascinado com cores neon vibrantes e têm um "q" de anos 80, sempre abordando com sutileza essas influências, além de contar com ótimas cenas de ação, perseguição com carros e uma pitada de gore, para nossa alegria, mas sem cair na violência gratuita. Tudo bem medido e bem realizado.

Enfim, um clássico moderno.

5 pontos

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Dica cinematográfica: Robocop (2014)

robocop_2014.jpg-largeOntem fui assistir o novo Robocop e sai do cinema com a conclusão que esse é um baita filme!

Mas já devo deixar claro, assim como "Hannibal" (o qual eu gostei da série, mas nunca assisti nenhum de seus filmes ou li os livros), não me lembro do Robocop. Eu assisti quando criança em alguma dessas sessões de filmes na TV aberta, provavelmente Record, talvez no SBT, mas não lembro de nada do filme, apenas algumas poucas coisas que não ajudam muito a lembrar da história.

Uma das coisas que me lembro é o tema original do filme e ouvi-lo tocar logo no começo do filme e mais umas duas vezes durante a projeção do filme me deixou com um sorriso nostálgico gostoso de sentir no rosto.

O novo Robocop funciona como um remake do filme original, com um brilhante toque de José Padilha.

Na história, uma empresa de tecnologia com atuação em diversos setores do mercado quer expandir sua influência em equipamentos de guerra para as ruas dos EUA, mas uma lei os impede. Nesse momento é decidido usar um homem, inválido, com possibilidade de interação com máquinas de última geração para lutar nas ruas de Detroit e dessa forma surge Robocop.

O filme não apresenta apenas um ponto de vista, apresenta diversos, conta a história do dono da empresa, mostra o drama existencial do cientista responsável pelo projeto Robocop, conta a história do policial que se torna Robocop e sua relação com a família, agora abalada pelo seu novo estado e a rede de crime e corrupção da cidade de Detroit, com traficantes e policiais lutando lado a lado.

Com cada uma dessas histórias sobre apresentados a diferentes temas que provocam discussões diversas entre políticos, cientistas, religiosos e filósofos, desde políticas de esquerda e direita e o tema já abusado pelo cinema da corrupção da lei até temas mais obscuros como o poder da mente de um ser humano e a fusão entre homem e máquina, acompanhada de suas discussões morais e éticas.

Assim como em Tropa de Elite, José de Padilha não se aprofunda nesses temas a ponto de deixar claro uma opinião para quem está assistindo e o final é súbito, porém emocionante. O único problema fica por conta da cena final, que é desnecessária, quase broxante e faz com que todo o brilho que o filme conseguiu construir até então se perca, um pouco.

Enfim, "Robocop" de José Padilha é um bom filme, uma agradável surpresa, principalmente se você manter suas expectativas baixas, provavelmente não irá representar grande coisa na história do Robocop, mas é um grande feito na carreira do diretor brasileiro, além de ser um desses filmes que será amado e odiado na mesma medida e assim o objetivo de Padilha, provavelmente, foi alcançado.

4 pontos

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Você não PODE fazer o que ama!

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"Faça o que você ama". Esse é o doce e adorável mantra mais repetido das redes sociais nos últimos anos. Ganhando fôlego da boca de artistas bem sucedidos, figurões de empresas de tecnologia, estudantes descolados de alguma cidade hipster mundo afora e, claro, adolescentes e jovens adultos com computador com internet em casa.

Só que, infelizmente, esse mantra é uma tremenda armadilha. Uma bomba relógio implantada em nossos pés, pronta para explodir a qualquer momento.

O FOQVA não passa de uma justificativa egoísta, beirando o narcisismo, preguiçosa e bonita de uma parcela elitista da sociedade que tenta justificar sua falta de méritos usando um discurso nobre (porém falso) de auto-aperfeiçoamento.

E eu vou explicar isso de uma maneira fácil, porém não rápida, de se entender.

A cultura do FOQVA basicamente diz que todo ser humano deve fazer aquilo que gosta, como se o trabalho fosse algo divertido, como se você tivesse que passar a maior parte da sua vida fazendo algo prazeroso e só. Elevando o trabalho a um patamar no qual ele não pertence; o patamar acima do divertimento e da alegria, o patamar do prazer.

Entenda os patamares básicos do estado de espírito do ser humano:

No primeiro andar você têm as coisas mundanas; como trabalho, prazeres provenientes de vícios, obrigações de diversas formas.

No segunda andar você têm coisas mais interessantes, como piadas, livros, filmes, coisas que irão te proporcionar um determinado prazer por um certo período de tempo.

E no último andar você encontra coisas que têm fim nelas mesmas. Coisas que lhe proporcionam prazer simplesmente por você tê-las, ou melhor, por ter a oportunidade de vivê-las, como por exemplo, o casamento, uma amizade legal,essas coisas.

É claro que existe os andares subterrâneos, que acabam com você, mas não precisamos entrar nesses detalhes.

O que eu quero dizer com essa rápida explicação é que o trabalho não é algo para ser prazeroso, não pode ser, você pode se divertir no trabalho, nada te impede disso, mas não por causa do trabalho, mas por causa das pessoas que estão lá, por causa do seu chefe, por causa das situações que você vive lá. Enfim, você, no máximo, pode encontrar divertimento no trabalho, mas não prazer.

Se você encontra prazer, então você não está trabalhando, está praticando um hobby.

Encontrar prazer no trabalho, transformá-lo numa fonte de prazer com fim nela mesma é tão perigoso que pode fazer acabar com casamentos (Já ouviu aquela história da mulher que não aguentava o marido que só pensava no trabalho?), influenciar negativamente a vida de uma pessoa (História antiga da criança que cresceu sem a presença dos pais) e acabar com a sua própria vida (História clássica do workaholic que é demitido e se mata, por que não tem mais nada a perder).

No entanto, todas essas causas são "pessoais", afinal envolvem problemas familiares internos, atingindo no máximo, problemas com seus familiares.

O problema é que o FOQVA não depende mais apenas de uma mudança de consciência. Esse maldito discurso está impregnado em diversos setores industriais, comerciais e até mesmo governamentais, com mais ou menos influência.

Li não faz muito tempo sobre o problema de se fazer um trabalho de graça, problema que atinge mais artistas, que por estarem no início de carreira, fazem pequenos trabalhos a troco de nada ou no máximo, uma recomendação para algum empresário mais poderoso. Isso pode ser considerado um problema do FOQVA, afinal, se você está fazendo o que ama, por que receber por isso não?

Sua satisfação pessoal não é o bastante? Dinheiro não parece ser algo muito mundano para se obter em troca de algo que você colocou sua alma, horas preciosas do seu dia e suór? Você está fazendo aquilo que ama, certo?

As únicas pessoas que podem se dar ao luxo de fazer trabalhos de graça em troca de contatos, status social e uma recomendação para algum figurão são pessoas que já possuem posses. Pessoas filhas de pais ricos, pessoas que podem, quando acabar o dinheiro, voltar para a casa dos pais e viver lá por mais um tempo. Pessoas que podem arriscar 4 anos de faculdade mais 1 de estágio mal remunerado em uma cidade longe de casa pensando que se não der certo, assume o posto do pai na empresa da família.

Pessoas hipócritas e cretinas que não reconhecem o trabalho de centenas de milhares de pessoas que se sacrificam todos os dias para dar o que elas necessitam para sobreviver.

E aí chegamos ao pior problema do FOQVA. Um discurso motivacional tão cretino que consegue ser um tiro no próprio pé ao desvalorizar todo o sistema de mercado em que vivemos.

Pense por um  momento, quando Steve Jobs (o mais influente e recente divulgador do mantra) defecou seu famoso discurso para os alunos de Stanford naquela tarde fatídica e disse que "vocês devem fazer o que amam", quem foi o responsável por conseguir fazê-lo chegar até onde estava? Ele não construiu o império Apple sozinho. Ele não fez o design inovador do iPod (copiado milhões de vezes até hoje por empresas chinesas), ele não construiu o primeiro iPhone e com certeza não desenvolveu os materiais que fazem do Macbook Air um laptop tão leve.

Isso é trabalho de pessoas que não seguiram seus sonhos, pessoas que agarraram a primeira oportunidade de emprego para sustentar suas famílias ou elas mesmas e não abandonaram isso. Pessoas que se dedicam à sua arte, a sua família e aos seus amigos, mas sabem que trabalho não é sinônimo de prazer e que tudo têm sua hora e momento.

Com a propagação do discurso do FOQVA, a maioria dos trabalhadores do qual a sua vida depende são desvalorizados, não só economicamente, mas socialmente também, o que é ainda pior. Você não deve sentir prazer no seu trabalho, mas tem que,no mínimo, achar sentido naquilo que faz, saber que o que está fazendo é reconhecido por todos, pela sociedade e isso não se reflete apenas no quanto você recebe, mas no quanto você é aceito por fazer o que faz.

Você pode chegar sujo e suado em algum lugar, mas se as pessoas te olhassem e dissessem: "Como foi seu dia, pedreiro?", provavelmente você se sentiria melhor naquilo que faz.

Ironicamente, trabalhos nos quais a sociedade dá mais valor, também sofrem com esses tipos de comentários. Afinal, fale isso para um advogado e veja como sua pergunta soa, no mínimo, sarcástica e cruel aos ouvidos dele.

Pelo menos posso rir um pouco dessa situação ao constatar que esse mesmo discursinho também quebra a própria indústria do qual faz parte. Afinal, em empresas de tecnologia, design ou outra atividade artística ou intelectual, é comum ouvir chefes dizendo que se o trabalho de seu empregado não foi reconhecido é por que ele não se esforçou o suficiente.

Engraçado também constatar que é esse tipo de pensamento que gera, cada vez mais, "trabalhos de graça" para pessoas que estão ingressando agora no mercado de trabalho.

Também é engraçado notar que a maior parte desses trabalhos é preenchido por mulheres, afinal pertencem à áreas que sempre foram dominadas por mulheres e essas mulheres, recebem cada vez menos.

Ainda mais engraçado que esses trabalhadores, o que fazem aquilo que amam, são os mais explorados. Pois além de serem explorados, não receberem nada e fazerem um bom trabalho, ainda sorriem e se gabam dizendo que "fazem aquilo que amam", enquanto mantém um odioso status quo de monopólios dominantes e abusadores, que consideram pessoas engrenagens para manter esse sistema funcionando.

Do outro lado da moeda, escondidos e silenciosos como ratos, se encontram aqueles trabalhadores, com carga horária reduzida, trancafiados em cartórios, bancos ou empresas estatais ou de companhia mista ou mesmo particulares, com trabalhos puramente burocráticos para fazer e que enchem seus bolsos com salários até maiores que o de presidentes, como se o estado ou a empresa fosse obrigado a lhe pagar pelo tédio que você sofre e não pela qualidade do seu serviço ou sua disciplina no local de trabalho.

Fontes:

http://www.oene.com.br/nao-se-ache-muito-melhor-porque-voce-ganha-vida-com-o-que-gosta/

http://www.oene.com.br/esse-networking-vai-acabar-nos-matando/

http://papodehomem.com.br/em-nome-do-amor/

http://contente.vc/blog/a-armadilha-do-faca-o-que-voce-ama/

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Dica cinematográfica: "Meu irmão é filho único" (2007)

mio-fratello-figlio-unico"Meu irmão é filho único" é um filme italiano de 2008 e é um desses filmes que podem ser encarados como um clássico moderno.

Sua história se centra em Accio, um garoto com pretensões rebeldes, que sai do seminário, junta-se ao partido fascista e briga com seu irmão Manrico, na pequena cidade italiana Latina, entre as décadas de 60 e 70.

O filme acompanha a trajetória desse rapaz, que apesar de não querer, não consegue ficar longe de seu irmão mais velho. Por desavenças políticas os dois se separam e com o passar dos anos, o amadurecimento da personalidade de ambos, eles voltam a se relacionar, dessa vez de forma muito mais fraterna do que antigamente.

"Meu irmão é filho único" conta também com uam excelente trilha sonora, que apesar de não me fazer ter vontade de ouví-la o tempo todo, encaixa-se como uma luva nas diferentes situações do filme, criando uma ambientação inteligente e bem envolvente.

A qualidade das imagens também é muito boa, sendo impecável para promover uma ambientação ainda mais envolvente.

Enfim, "Meu irmão é filho único" é um filem legal, com momentos engraçados e uma história que irá te prender do começo ao fim.

4 pontos

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Dica cinematográfica: Rush-Nos limites da emoção (2013)

rush-filmeUm filme que faz jus ao subtítulo, Rush-Nos limites da emoção é um filme emocionante, contando uma história baseada em fatos reais, que, por si só, não é tão interessante (ao menos para mim), no entanto, a construção da história, seus personagens e a parte técnica fazem as mais de duas horas de filme passarem rápido, como uma volta numa pista de Fórmula 1.

O filme conta a história da rivalidade entre Niki Lauda e James Hunt, desde os seus primórdios na Fórmula 3 até seu ápice, na Fórmula 1, no ano de 1976.

Lauda, um corredor sério, centrado em seus objetivos e com certa experiência técnica em corridas, entra para o mundo desse esporte, contrariando a vontade dos pais, que queria que ele fosse um político ou economista.

Hunt, o extremo contrário, é um fanfarrão, que apenas queria correr por diversão, até o dia em que conhece Lauda, um corredor mais jovem, mais centrado em seus objetivos e, principalmente, mais rápido. Desse dia em diante, Hunt tenta provar, não só para o mundo, mas para si, que pode ser o mais rápido do mundo.

O final, nós já sabemos como é, mas não conhecemos apenas os seus contornos, não sabemos da sua profundidade e aí está a chave do filme para manter a atenção de todos. Conhecemos a vida de cada um dos pilotos nos seus mínimos detalhes, as relações tempestuosas com seus familiares, incluindo suas mulheres, seus amigos (ou a carência deles), seus egos e a satisfação que cada um dá à própria vida.

Rush- Nos limites da emoção não é um filme só para amantes de corridas, é um filme para quem ama uma boa história, mesmo que você sequer goste de corridas. É um filme sobre conquistas, sobre objetivos, sobre o contentamento que cada um busca e, por que não?, sobre a amizade.

5 pontos

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Dica cinematográfica: Fruitvale Station (2013)

th"Fruitvale Station" é um filme de 2013 baseado em fatos reais que conta as últimas 24 horas de vida de Oscar Grant III, um jovem pai de família de 22 anos, que foi morto cruelmente e sem motivo por um policial local.

O filme tem uma das tomadas de abertura mais chocantes do cinema mundial, ao menos para mim, pois quando o assisti pela primeira vez me lembro de ter ficado boquiaberto por uns bons 5 minutos, já que as cenas são reais e por isso chocam ainda mais quem assiste. As cenas mostram Oscar (o verdadeiro) sendo morto na estação de metrô de Fruitvale, São Francisco, Califórnia ( EUA, se você não sabe). As cenas, gravadas por algum das dezenas de celulares que tornaram o vídeo um viral no ano de 2008.

Então a doce e amada ficção começa, mostrando um Oscar com um passado sombrio, envolvido com tráfico de drogas e que acaba de perder o emprego por puro relaxo, no entanto, ele quer mudar e a visão de um novo ano aumenta as suas expectativas, os seus sonhos, as suas promessas e os seus horizontes e nós acompanhamos tudo isso conforme o filme avança.

Somos apresentados a um Oscar que traficava drogas, mas que aprendeu a sua lição no tempo que passou preso, um Oscar brincalhão, mas que tenta manter uma postura séria diante de certos problemas, um Oscar carinhoso e atencioso com todos à sua volta, incluindo sua mãe, sua irmã, sua namorada e, em especial, sua filha.

No entanto, nós já sabemos como aquilo tudo termina, afinal não se trata de uma ficção por completo. É um filme baseado na vida de um homem de verdade, com um final, infelizmente, trágico de verdade.

Por uma besteira, um envolvimento em uma briga com um de seus rivais do passado, Oscar é detido pela polícia da estação e acaba sendo baleado nas costas enquanto tentavam detê-lo, jogado no chão. De acordo com o policial, que foi sentenciado a dois anos na prisão estadual e já está solto, sua pistola foi confundida com sua arma de choque.

Mas esse "engano" levou o fim da vida de alguém. E o filme joga isso na cara de todos, dando uma sra. Lição de Moral em todos nós que assistimos.

A vida é cruel. Nossos sonhos nem sempre se realizam. Muitas vezes não temos tempo para mudar. E fatalidades acontecem.

É um filme pesado, impecável em sua produção, com ótimos atores, atrizes, trilha sonora soberba e que te deixa pensando por horas a fio, muito depois do filme já ter acabado.

5 pontos

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Dica cinematográfica: Big Bad Wolves (2013)

Big-Bad-WolvesOu "O melhor filme do ano", de acordo com Quentin Tarantino.

O filme acompanha a corrida desesperada de um pai de família louco por que sua filha foi morta brutalmente e um detetive da polícia israelense para desmascarar um assassino e estuprador de crianças.

Um dos comentários do diretor do filme foi que esse filme foi baseado em contos de fadas, mais especificamente o da Chapeuzinho Vermelho, não em sua história ou desenvolvimento, mas sim como uma espécie de vingança por ter sido enganado pelos pais por tanto tempo, já que contos de fadas são apresentados às crianças como histórias bonitinhas e cheias de moral, mas quando crescemos descobrimos que essas histórias não eram bem assim.

O filme explora bem essa ideia, contendo várias referências aos contos de fadas, aliás a própria parte técnica do filme o faz parecer o mais próximo de uma história lúdica possível, no entanto, contém uma história e o seu próprio desenvolvimento pra lá de cruel e sombria.

"Big Bad Wolves" também conta com  uma boa trilha sonora, então é fácil se encantar com ele logo nos primeiros 10 minutos de filme, ainda mais pelo ritmo rápido das cenas e a quebra de tensão, feita de uma maneira muito inteligente e interessante, contando com muitos momentos de humor negro, algumas vezes irônico, deixando claro as influências tarantinescas.

No entanto, o final do filme acaba sendo o seu maior ponto fraco, pois é fácil, até preguiçoso se você analisar melhor, fazendo o brilhantismo do roteiro e da parte técnica se perder nos minutos finais.

3 pontos e meio