sexta-feira, 2 de junho de 2017

Dica Audiófila: Edifier H840

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Inicio hoje um novo estilo de dica, a dica audiófila. Sendo algo novo no blog, vale a pena uma introdução ao contexto temático da dica.

Audiofilia refere-se ao ato de gostar de som, ou seja, músicas e uma busca pela alta fidelidade da reprodução de músicas. Audiófilos são as pessoas que gostam de curtir um bom som, através de equipamentos de alta qualidade, promovendo constantes adaptações, regulações e trocas de seus aparelhos de som.

Entrei nesse hobby há quase 2 anos, quando estava com dinheiro sobrando e meu fone de ouvido na época quebrou. Acabei entrando em contato com o site Mind The Headphone (voltado para o mundo audiófilo), comecei a pesquisar mais sobre o assunto e acabei adquirindo esse fone de ouvido, o Edifier H840 e já adianto, foi uma das melhores compras que fiz na vida!

O fone é classificado como tendo uma ótima relação custo x benefício, pois tem uma alta qualidade sonora por um preço bem baixo, em comparação com outros equipamentos audiófilos. É difícil achar fone na faixa dos R$100-200 e o Edifier H840 é o mais barato dentre eles. Hoje, por causa da crise econômica desastrosa que o PT deixou nesse país, o fone está beirando os R$180,00 em todos os sites que o vendem, mas na época, eu acabei comprando por R$120, 00, aproveitando uma promoção bem louca num site que não lembro o nome.

O fone é classificado como um fone de ouvido “equilibrado”, pois não puxa nem para os graves nem para os agudos, preferindo um equilíbrio entre os dois lados do espectro. Isso é uma característica dependendo de que tipo de audiófilo você seja. A maioria das pessoas prefere um fone que puxa mais para os graves, porque os sons graves são mais atraentes ao ouvido humano, enquanto os agudos incomodam mais, chegando a dar até dor de cabeça (não é à toa que as músicas pop usam e abusam dos graves, atualmente). No entanto, há quem prefira um equilíbrio maior, em parte por buscar uma maior fidelidade na reprodução das músicas, quando um fone contém um equilíbrio maior, a reprodução de todos os instrumentos acaba sendo mais fiel (o que não é um argumento muito válido se você só escuta música eletrônica, não vai fazer muita diferença) e em parte para salientar todos os instrumentos na hora de reproduzir uma canção, estilos musicais como o rock e o jazz exigem esse equilíbrio.

Em matéria de equilíbrio sonoro esse fone é 100%.

E é também muito confortável, suas conchas são espaçosas, cobrindo grande parte da orelha, mas isso tem o seu lado negativo no calor, pois suas orelhas irão suar e o couro que protege as conchas vai descascar muito rápido. Quando mudei para a casa nova não tinha ar condicionado, aí o couro estragou rapidamente com poucos meses de uso, no entanto, também já tinha esse fone há um ano quando mudei de casa. Além do conforto, as conchas ainda são dobráveis, o que aumenta a versatilidade do fone, sendo fácil de levar para viagens e afins.

Ainda que seja muito bom e confortável, o fone apresenta o problema de que seu cabo não é removível, uma falha para fones audiófilos, pois a maioria podem ser trocados (se bem que a maioria não se encontra na mesma faixa de preço que o Edifier H840) e é no cabo que o fone apresenta os maiores problemas. Eu mesmo, só tive que trocar o meu, porque o cabo começou a apresentar problemas, mas ele aguentou por nobres 2 anos e eu fiquei muito satisfeito com o produto.

Hoje em dia, o Edifier H840 está cada vez mais difícil de se encontrar e o preço aumentou muito, me levando a adquirir outro fone, de outra marca, que logo irá ser alvo de uma dica por aqui, mas eu recomendo fortemente este excelente fone.

4 pontos e meio

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Dica cinematográfica: "Koe no Katachi" (2016)

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Alguém conhece alguma explicação esotérica do porque essa safra 2016/2017 de filmes ser tão boa? Por que só nesse primeiro semestre de 2017, eu já assisti 4 filmes que entram facilmente na lista de melhores filmes da década; “La La Land”, “Até o Último Homem”, “Silêncio” e agora, essa fantástica adaptação de um dos melhores mangás que li nos últimos anos, “Koe no Katachi” ou “A Silent Voice” ou “Shape of the Silence”.

Para quem ainda não conhece (o que é uma tremenda falha de caráter), “Koe no Katachi” conta a história de Shouya, um garoto no ensino fundamental que vê seu mundo escolar de bagunças e aventuras transformar-se com a entrada de Shouko Nishimiya, uma garota surda, em sua sala. Por conta de sua limitação física, Shouko necessita de um tratamento especial e isso provoca os seus colegas, menos sensíveis à sua realidade e Shouya acaba passando dos limites, provocando tanto a garota que ela acaba saindo da escola. Quando a verdade vem à tona, os colegas de Shouya, antes coparticipantes das provocações à Shouko, abandonam o colega e deixam com que toda a culpa recaia sobre os ombros de Shouya, que se isola e acaba vendo toda a sua vida ruir, provocando uma profunda mudança em sua personalidade. Anos mais tarde, já no final do colegial, Shouya reencontra Shouko e a partir daí irá tentar restaurar a amizade com Shouko, diminuindo sua culpa e descobrindo uma nova forma de enxergar (e ouvir) o mundo.

É um dramalhão enorme, mas que se desenvolve e evolui de forma magnifica no mangá e, felizmente, no filme, não é diferente. Há uma concentração maior no casal de personagens principais, Shouko e Shouya (e não poderia ser diferente, o filme já tem 2 horas!), mas os demais personagens também têm o seu espaço e é fácil compreendê-los como personagens tridimensionais. Eles estão ali para agregar à história e isso é um mérito total da direção do filme, que usa cenas musicais e conversas rápidas, conectadas com as cenas principais, para expandir a personalidade deles, fazendo-os ganharem corpo. Muitas coisas são dispensadas, claro, isso é algo de se esperar, mas esses cortes não fazem parte para a compreensão da história e, na verdade, até contribuem para o ritmo do filme. Sua diretora, Naoko Yamada, já é figura carimbada, responsável por dois ótimos animes (K-On e Tamako Market) e parte da equipe de animes muito famosos e de ótima qualidade (Free!, Suzumiya Haruhi e Air), então é alguém com experiência e que, provavelmente, nutre um grande carinho pelo mangá de Koe no Katachi.

Outro ponto excelente na adaptação é que a história continua sendo um grande dramalhão, mas o filme não a deixa forçado, assim como no anime. As cenas são fortemente carregadas de um sentimentalismo, porém não é banal, é singelo e se você não for alguém muito sensível não irá ser levado às lágrimas a cada 15 minutos (como eu fui), porém é inegável que a história é bela e carrega uma bonita mensagem. Mensagem que não é entregada de bandeja, então isso também pode passar despercebido, por que alguns detalhes são deixados de fora da tela, ou melhor, não são explicitamente mostrados ao público, porém são de fácil captação (mesmo que você não tenha lido o mangá), seja para aumentar o dinamismo da história, seja para ter um maior aproveitamento das características narrativas que a mídia cinema pode conferir a uma história.

Enfim, nada é desperdiçado e tudo tem um significado dentro do filme.

https://www.youtube.com/watch?v=Ivrq1ZwsRps

E apesar de ser um dramalhão, não é o típico dramalhão adolescente com os quais somos bombardeados todos os dias. É um drama muito romântico, mas também tem um grande pé no chão, o final não é tão água com açúcar quanto esperado, apesar de dar tudo certo para o casal principal, os desafios pós-refacção do relacionamento amistoso, continuam ali e o filme (assim como o mangá) dá apenas dicas muito sutis de como esses desafios serão enfrentados, ou seja, é uma história que retrata a vida de forma muito honesta.

Fora isso, “Koe no Katachi” não é apenas um romance, é uma história sobre amadurecimento, que fala, principalmente com homens, ao deixar Shouya no papel principal, mas também pode conversar com mulheres, pois do segundo terço em diante da história, ela trata de perdão, superação e, principalmente, interdependência. Se há algo que “Koe no Katachi” nos passa, e é universal, é a de que todo relacionamento é uma relação de interdependência. Nós temos que ser independentes, sim, temos que ser uma rocha sólida para nós mesmos, porém quando nos relacionamos com outra pessoa, essa rocha sólida deve se derreter para poder se fundir com a rocha sólida do outro e isso cria uma relação interdependente, onde você depende do outro e o outro depende de você e como cada um pode se virar sozinhos, nenhum lado pesa demais, ninguém se sobressai sobre o outro, os dois afundam um pouco juntos.

Quanto aos aspectos técnicos fica claro que o filme contou com um grande orçamento (e não poderia ser diferente, porque a história merece). Algumas cenas acabam lembrando filmes do Makoto Shinkai pelo seu cuidado excepcional com detalhes, sua animação fluída e uma sensibilidade incrível na criação da atmosfera, só que melhor, porque “Koe no Katachi” tem uma história. Foi a primeira vez que ouvi The Who ser tocado num filme de anime e isso me fez abrir um sorriso de orelha a orelha, porque além da trilha sonora ser fantástica, aqui, ela serve para contribuir à narrativa, não está simplesmente jogada. Conforme nos aproximamos do final, a trilha sonora fica mais densa e minimalista, até explodir novamente numa procissão de notas alegres e esperançosas, culminando num silêncio caloroso.

“Koe no Katachi” é um dramalhão sincero sobre a vida, uma história de crescimento e amadurecimento, perdão e interdependência. É uma história complexa, longa (apesar de ter sido publicada em poucos volumes, relativamente falando), tem muito conteúdo e não é fácil compreendê-lo de uma vez. Aos que não leram o mangá, fica a dica novamente e o filme, com certeza, merece ser assistido várias e várias vezes.

5 pontos

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Dica cinematográfica: "The Red Pill" (2016)

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Apesar de saber que iria gostar desse documentário, adiei bastante, pois, no fundo, achava que não iria descobrir nada que já não soubesse assistindo a esse filme. Pois então, após muito protelar, acabei assistindo numa tarde enfadonha o documentário mais importante produzido nesta década.

O nome do documentário é “The Red Pill” e faz alusão a um termo usado dentro do Movimento dos Direitos Masculinos (numa tradução livre, o original é Men’s Right Movement – MRA), referenciando  filme Matrix, onde Neo aceita a pílula vermelha de Morpheus e descobre a verdade por trás da realidade que conhecia. Produzido por Cassie Jay, uma atriz estadunidense que se tornou uma auto-declarada feminista após sofrer muitos abusos em Hollywood e acompanha a ex-atriz por uma viagem de desconhecido junto ao MRA. Iniciando de forma muito tímida e armada até os dentes por conceitos pré-concebidos e desinformações, ela vai, aos poucos, descobrindo que tudo que sabia acerca do movimento estava errado e, não apenas isso, começa a simpatizar com aquilo que seus ativistas defendem.

É um filme extremamente importante, de um movimento que existe há décadas, porém nunca recebeu a atenção devida. O filme não entra na história do movimento, propriamente dito, ou das necessidades históricas por trás dele, preferindo se concentrar nas questões que o movimento advoga, como os direitos de pais nos processos de divórcio, sua estigma perante a sociedade e violência doméstica, por exemplo. E isso é muito bom, pois são temas extremamente urgentes e que precisam de uma luz em cima, para que possa que possam ser debatidos, expandidos e até solucionados.

Ainda assim, é impossível escapar da história do movimento, principalmente no momento em que o filme debate os sistemas de proteção a homens que sofrem violência doméstica e aí acaba sobrando muitas críticas ao movimento feminista, que acaba agindo de forma reacionária, agressiva e totalmente intolerante quando o assunto passa a ser direitos masculinos, chegando a conclusão de que o movimento parou de ser igualitário há anos, além de atrair pessoas cada vez menos compreensivas e sensatas.

Achei impressionante como o filme tenta se distanciar do movimento “masculinista”, para manter a neutralidade, uma postura quase que totalmente imparcial, porém a empatia pelo que os diversos apoiadores do movimento (não apenas homens, para a surpresa de muitos) é construída de forma natural, seja pela extrema necessidade dos temas debatidos, seja pela simpatia com a qual os seus defensores falam ou ainda pelos exemplos utilizados. Alguns momentos no filme são profundamente emocionantes, como nos exemplos acerca dos direitos paternais. Outros momentos são extremamente revoltantes, como nas cenas em que demonstram a resistência que o movimento sofre quando tenta produzir palestras ou leituras.

Uma coisa que chama muita atenção é como esses problemas são necessários, porém majoritariamente ignorados e o filme acaba chegando a conclusão óbvia, porém fantástica, de que isso não é prejudicial apenas à homens, mas acaba sendo prejudicial às mulheres também. Quando o filme retoma a discussão sobre as ações do grupo terrorista e fundamentalista Boku Haram, que sequestrou diversas meninas e todo o mundo se mobilizou por eles, mas nunca fizeram nada quando o grupo assassinou apenas homens meses antes, percebendo que o sequestro e consequente assassinato de meninas chamaria mais atenção.

Pior: quem acabou sendo convocado para salvar essas meninas? Pois é...

Algo que percebi há tempos, depois de muito discutir com colegas (notoriamente mulheres) é a de que a sociedade não é machista, de fato. Homens têm muitas vantagens, em diversas situações, mas, pensando numa perspectiva brasileira, a sociedade acaba pesando para o lado das mulheres em muitos momentos, pegue o exemplo dos direitos paternais mesmo. As mulheres têm a custódia dos filhos por tabela. Se o pai quiser a custódia terá que lutar por isso, ele já começa em desvantagem. E que tal falarmos de estupro? Se vivemos numa “cultura do estupro”, então porque estupradores são os primeiros a sofrerem abuso na cadeia? Ninguém defende estuprador nenhum e se há o caso da menina que não consegue se defender do cara que estuprou ela, pode apostar que está em jogo uma relação muito mais profundo. Geralmente esses casos acontecem entre uma garota pobre e um cara rico e aí há uma relação de poder que deve ser combatida (a lei deveria ter o mesmo peso para todos), mas isso é outra questão, não é machismo. Quantos homens são incentivados a seguirem uma carreira acadêmica? Qual a proporção de mulheres numa faculdade e qual a de homens?

Não vivemos numa cultura machista. E essa é uma discussão que o filme acaba fazendo, conforme vai se aproximando da sua conclusão, salientando que o movimento masculinista não pretende se fazer de vítima, apenas reconhecer que a opressão ocorre dos dois lados, em diferentes dimensões e se quisermos viver numa sociedade igualitária, teremos que combater isso.

O documentário vem sofrendo muita resistência. Ataques em exibições, resistência por parte de distribuidoras e serviços de streaming, mas está conseguindo se espalhar e, hoje em dia, é muito fácil o acesso a ele do que na época de seu lançamento (acredite, eu procurei na época de lançamento e até desanimei quando meus resultados foram infrutíferos), então corra atrás. Assista-o e se informe, independentemente da sua posição ideológica.

5 pontos

p.s.: o filme termina de forma magnífica. Honesta e arrebatadora.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Dica musical: “in•ter a•li•a” do At The Drive-In (2017)

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Uma das bandas mais influentes e mais importantes para a história do rock contemporânea volta após 17 anos, criando altas expectativas e cumprindo-as brilhantemente, mas antes da dica em si, vale a pena uma pequena contextualização dessas lendas vivas do rock.

At The Drive-In é um banda estadunidense formada em 1994, lançaram 3 álbuns antes de se separar e dela surgirem outras bandas, a mais notável, The Mars Volta, uma ambiciosa banda de rock progressivo que fez muito sucesso na cena mainstream com seus CD’s conceituais. O som complexo da banda acabou popularizando e expandindo o termo post-hardcore, que acabou se solidificando com o lançamento de “Relationship of Command”, seu álbum de maior sucesso e influente em uma porrada de bandas que vieram depois, de Franz Ferdinand e Bloc Party a La Dispute e Touché Amoré.

É uma banda de peso.

Seu retorno é mais do que ansiosamente esperado, é até visto como a salvação do rock por sites mais exagerados. Salvação do rock é demais, porém o álbum apresenta uma série de canções concisas e que mantém o espírito definido em “Realtionship of Command”, ou seja, um excelente retorno.

As letras são unidas por um tema, de acordo com a própria banda, mas é difícil achar qual tema é esse. Não porque as músicas são mal escritas, mas é porque uma marca das bandas é o extenso jogo de palavras feitas em suas letras, que acabam confundindo o ouvinte/leitor numa profusão de termos, aglutinações, rimas, substantivos e adjetivos. Isso torna as canções muito ricas em conteúdo, mas dá um certo trabalho extrair o pleno significado delas, apesar de ser impossível extrair todo o significado de todas as canções.

Só para deixar claro, o álbum é sobre abuso sexual e finalmente estar hábil a falar sobre isso, no entanto, há muito mais nas entrelinhas de todas as canções, com muitas críticas sócio-políticas, de uma forma que só uma banda de latinos nerds nascidos no sul dos EUA poderiam fazer.

Já as harmonias são complexas, há riffs pesados de guitarras, dedilhados extremamente bem elaborados e saltos intensos no tempo das canções, guiados pela bateria e o baixo, além dos vocais magníficos de Cedric Bixler, que numa hora está cantando calmamente e na outra está gritando tão forte que dá pra sentir o seu pulmão quase explodindo, mas sem perder o ritmo.

É, de fato, uma amálgama de tudo o que o rock deve e pode ser nos anos mais recentes.

Além disso, há uma forte presença de experimentações, com suaves melodias eletrônicas que guiam a atmosfera de cada canção e servem como pequenos interlúdios entre determinadas partes do CD.

Enfim, At The Drive-in volta com fôlego total, mostrando que esse gênero musical que tanto amamos não é lugar pra peixe pequeno. Talvez, de novo, seja necessário muita coragem, culhões, suor e paixão pra brilhar nesse campo.

4 pontos

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Dica Televisiva: "Yu Yu Hakusho" (1992-1994)

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Hoje, uma dica animeística, um clássico da falecida Rede Manchete (tá certo isso?) e um anime que estava devendo a muito tempo no blog; “Yu Yu Hakusho”.

Originalmente um mangá de Yoshihiro Togashi (o mestre por trás de Hunter X Hunter) entre 1990 e 1994 foi trazido às telinhas em 1992, durando até 1994, com uma consistência rara de se ver no trabalho atual do autor. A série conta a história de Yusuke Urameshi, um delinquente colegial que é morto no primeiro episódio ao salvar uma criança de um atropelamento e, após uma série de testes impostas a ele pelo filho do governante do submundo, Koenma, Urameshi vira um “detetive sobrenatural”, com o dever de investigar os vários casos envolvendo demônios e fantasmas no mundo humano.

A premissa acaba escondendo alguns fatores que fizeram Yu Yu Hakusho se tornar tão popular e longevo, concentrando-se muito em torneios de artes marciais e batalhas mano a mano do que investigações propriamente ditas. Ainda assim, a série não abandona totalmente sua premissa, reunindo diversos elementos da mitologia budista, além de ter uma clara influência de filmes de terror e ocultismo.

Fora isso, que entra numa área mais subtextual, a série conta uma gama extensa de personagens, com personalidades bem distintas, de fácil diferenciação entre eles e cada um ocupando um papel importante nos arcos que acompanham toda a série. Tudo é construído pelo autor de forma hermética, deixando pouco ou nada para a imaginação do expectador.

O anime não contou com a participação do autor do mangá na sua produção, mas ele diz que ficou muito contente com o resultado final. Yu Yu Hakusho foi o trabalho de maior sucesso de Yoshihiro Togashi, sendo superado depois por Hunter X Hunter, sendo também o início do fim do autor, que mantinha uma rotina frenética de trabalho para cumprir prazos e manter controle total sobre o seu trabalho, apesar de, dizem, não haver tanta pressão editorial sobre ele.

Apesar de todo esse controle, a fórmula criada pelo autor para o desenvolvimento dos arcos é bem repetitiva, restando ao desenvolvimento dos personagens, as revelações de seus passados e suas relações dar vida ao anime.

Yu Yu Hakusho é um daqueles animes que é obrigatório ser assistido dublado em português do Brasil (pra quem é brasileiro, claro!), porque sua dublagem conta com pessoas ilustres, tendo sido exibido, no Ocidente, primeiro aqui, em nossas terrinhas calorosas. A dublagem é clássica e é um daqueles exemplos de dublagem que melhoram o anime original. Além disso, as versões brasileiras para as músicas de abertura e encerramento são brilhantes, músicas que dão gosto guardar no PC e no celular pra ficar ouvindo quando se quiser animar um pouco os ânimos.

Enfim, Yu Yu Hakusho, um clássico de todos os tempos, assista!

4 pontos e meio

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Dica gourmet: Banana prata

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Mais uma dica gourmet para acalentar o meu espírito de gordo!

Uma das frutas mais consumidas e amados pelos brasileiros (e brasileiras, HUMMMM), a banana é traiçoeira, pois vem de vários tamanhos, estilos e sabores. Eu, fã de bananas desde pequeno, tenho um  vasto conhecimento sobre essa fruta amarela e hoje irei falar da minha favorita: a banana-prata!

A banana-prata passa despercebida na feira, porque seu tamanho não se destaca na multidão, não é pequena, nem grande, é normal e seria confundida com outros tipos não fosse o seu biquinho quadrado característico no final.

Ela também é dona de um formato curioso, pois ela começa grossa e vai afinando no seu final. Sua casca é grossa e tem uma boa consistência interna, sendo também menos doce que as outras bananas disponíveis no mercado, o que muito agrada o meu paladar.

Os nutricionistas e as velhas gordas viciadas em dietas dizem que ela também é um dos tipos menos calóricos e eu, particularmente, acho muito saborosa. Outros, os “criativos culinários” (que eu chamo de “retardados de cozinha”) adoram estraga-la fazendo doces e misturando com outras asneiras, como sorvete, mas todos sabemos que isso é um pecado e uma forma de controle illuminati.

Eu tentei pesquisar sobre a história dela no Brasil e no mundo, mas não achei nada, então o post vai ficar por aqui mesmo.

5 pontos

Dica literária: "O reino de Deus está em vós" de Leon Tolstói (1894)

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Uma dica literária muito importante, um clássico de todas as eras, o livro responsável por inspirar Gandhi a reagir contra o imperialismo britânico de forma pacífica, sem agredir ou violentar alguém para isso (há questionamentos sobre a vida pessoal de Gandhi, mas para tudo deve ser considerado o contexto em que se está inserido e isso vale para pessoas também).

O nome do livro é “O reino de Deus está em vós” de Liev Tolstói e foi publicado originalmente em 1894, na Alemanha, porque foi banido em seu país de origem, a Rússia. É um marco fundamental na história do anarquismo e o livro de origem do chamado Anarco-cristianismo, seja lá o que isso queira dizer (só existem dois tipos de anarquismo, de fato, o anarquismo coletivista – do mal! – e o anarquismo individualista – a solução para todos os problemas da humanidade – ).

Este livro é considerado o Magnum Opus de não-ficção de Tolstói e não é pra menos, ele é o ápice de 30 anos do pensamento anarquista de Tólstoi, que elabora a filosofia da não-agressão (um dos pilares do anarquismo) a partir dos evangelhos cristãos e propõe uma nova organização de sociedade baseada em torno disso, chegando a conclusão de que qualquer forma de agressão é errada e anti-cristã, inclusive a agressão como forma de defesa.

Além disso, o livro não é apenas uma crítica a forma de organização política vigente nos dias de Tolstói ou nos dias de hoje, que permite ao governo coagir, prender, violentar e até matar em nome de uma suposta ordem a qual poucos concordaram em manter; é uma crítica também a religião. Nos tempos de Tolstói, a igreja católica ortodoxa russa (a qual o escrito pertencia) era intimamente ligada ao governo e por esse motivo era cúmplice de sua agressão cometida contra o povo.

Para Tolstói, é dever do cristão se opor a toda forma de agressão, mesmo que ela seja permitida pelo Estado ou pela própria igreja. Sendo assim, o cristão não só pode, mas deve se opor a igreja, em defesa dos princípios cristãos que estão na Bíblia. É dever do cristão conhecer a história, os princípios morais e os preceitos da igreja para que consiga compreender quando os próprios líderes da igreja entram em contradição (como quando é dito que todo comunista é católico, por exemplo) e assim se aproximar dos dizeres de Cristo.

O livro é cheio de análises bíblicas, pedaços de jornais, revistas, diários do próprio escritor, se aprofundando em vários temas e passagens da Bíblia, como o Sermão da Montanha, sendo, além de tudo isso, um livro muito bom de se ler, com uma argumentação sólida e fluida.

Enfim, “O reino de Deus está em vós”, leitura obrigatória para todo anarquista, cristão ou pessoas de bom senso.

5 pontos

Dica televisiva: "Hora do Rush" (2016)

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Hoje irei indicar o que foi, para mim, a melhor série do ano passado, mas falhei miseravelmente em inclui-la na minha lista de melhores do ano de 2016.

“Hora do Rush” reconta a história da melhor trilogia de comédia de ação que já existiu, “A hora do Rush” com os mestres Jackie Chan e Chris Tucker estralando-a. Nela, um policial de Hong Kong vai para os EUA numa missão e acaba conhecendo um policial da Polícia de Los Angeles e juntos solucionam um caso delicado de diplomacia. Isso é a premissa do primeiro filme, mas na série torna-se o primeiro episódio e logo após isso, acompanhamos Lee e o agente Carter trabalhando juntos em Los Angeles, enfrentando um inimigo diferente a cada episódio, mas com uma organização criminosa chinesa por trás de vários acontecimentos da série, além de um drama familiar envolvendo o Lee.

Como o primeiro episódio é, basicamente, o primeiro filme contado em 50 minutos é de se imaginar que a série parece, num primeiro momento, apressada e rasa, de fato, acaba sendo, pois os personagens denotam uma profundidade muito grande para ser explorada em tão pouco tempo. Isso é uma falha tremenda e deve ter sido o motivo principal para afastar os espectadores da série logo de início.

No entanto, os episódios seguintes consertam isso. Infelizmente não há mais espaço para um aprofundamento sério do passado dos personagens nos episódios posteriores da série, mas há espaço para a inclusão de novos personagens, como o primo do agente Carter e a cientista do laboratório de análises criminais da polícia de Los Angeles.

Com isso, a série foi criando um universo rico de personagens, personalidade e estilo que fez compensar o primeiro episódio, que, vale salientar, não é ruim, mas deixa a desejar na questão de ritmo.

Outro problema da série são os efeitos especiais, mas isso é normal. Acontece que os filmes “A Hora do Rush” são excelentes na questão de efeitos práticos, as cenas de luta são magistrais, os tiros são incríveis e as explosões tiram o fôlego, enquanto que a série se baseia muito nos efeitos especiais de computador mesmo.

Pra compensar, o ritmo da série foi melhorando conforme os episódios foram passando, provavelmente por que os atores foram ganhando mais entrosamento. A ambientação ficou fantástica, a trilha sonora é deliciosa e as piadas são hilárias.

Infelizmente,  “A Hora do Rush” (a série) foi cancelada, mas os poucos episódios que sobraram pra contar história estão eternizados na internet (e no meu HD), prontos para fazer dessa série um cult eterno, cheio de falhas, sim, mas legal ainda assim.

3 pontos e meio

Dica musical: "DAMN." de Kendrick Lamar (2017)

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E Kendrick lançou, finalmente, o sucessor de “To Pimp a Butterfly”, num momento oportuno, após lançar algumas canções, um EP/mixtape de canções que “sobraram” de seu Magnum opus e apresenta um trabalho conciso, abaixo do esperado, porém interessante e louvável como todos os seus trabalhos devem ser.

“DAMN.” é um álbum difícil de ser explorado, ele é muito mais conciso, pessoal, introvertido e obscuro do que os outros trabalhos de Kendrick. Suas letras são bem pesadas, recheadas de questionamentos, respostas agressivas às diversas polêmicas que envolveram seu nome no passado (como o infame caso da Fox News que usou uma apresentação sua para dar fôlego a um discurso todo errado sobre racismo e a influência do rap na cultura jovem estadunidense) e negatividade, mas não no sentido puro da palavra. Como tudo que Kendrick faz, aqui também há uma ambiguidade gigantesca e, ouvindo por cima, o ouvinte não capta todo o peso e negatividade que está inserida nesse álbum, apesar de a própria capa já indicar isso, ao apresentar Kendrick cabisbaixo, com um olhar desolado e sua primeira canção apresentar a história que irá conectar todas as músicas do álbum e já começa com ele morrendo.

A questão que eu estou querendo chegar é a de que esse álbum pode divertir, superficialmente, pra quem curte rap em suas formar mais tradicionais. Não que a sonoridade do álbum seja tradicional ou “pra cima”, mas ela é cheia de experimentalismos e certos maneirismos típicos do rap que um amante do estilo musical vai facilmente gostar e sacudir a cabeça ao som das batidas.

Nesse álbum, infelizmente, Kendrick abandona todo o estilo jazzístico que existia em seu álbum anterior, não há uma banda por trás dele, com músicos virtuosos, criando melodias arrasadoras, mas isso não é de todo mal, porque os experimentalismos que Kendrick faz, utilizando elementos mais contemporâneos, como as batidas graves distorcidas que fazem o nome do Death Grips, aliados a elementos bem mais “clássicos” (dentro do rap), como os scratches de discos, dão um ar fresco ao álbum, como se houvesse algo de novo ali, apesar de não existir. É só que eles estão organizados de forma tal que a harmonia que se cria soa nova.

Além disso, o conceito que une todas as músicas é surpreendente e é algo que só é compreendido quando se chega ao final do álbum. É incrível como Kendrick Lamar consegue fazer tanto sucesso comercial navegando contra a corrente mais comum do mundo da música de hoje, que é a de dar valor total ao álbum como um todo. Não são apenas músicas que entretêm, é um álbum todo criando um conceito e tentando transmitir uma mensagem, ou melhor, expor os questionamentos de seu criador.

Infelizmente, isso tudo, apesar de ser muito louvável, não consegue segurar o álbum, porque não tem tanta harmonia, nem uma mensagem tão concisa, nem técnica aprazível ou um conceito que já não foi explorado um bilhão de vezes em todas as mídias possíveis, ficando, assim, muito aquém do esperado para ser o sucessor de “To Pimp a Butterfly”, que é, provavelmente, o melhor álbum de rap da década.

2 pontos e meio

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Dica musical: "História do Brasil" por Vitor Bauer (2017)

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E assim como o Galvão na última faixa do disco, eu sou forçado a gritar: “E ACABOU!!! E ACABOU!!!” o longo e ousado projeto de Vitor Bauer, “História do Brasil”.

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Pra quem não conhece, vale uma apresentação, Vitor Bauer é o vocalista da banda que precisa voltar, Lupe de Lupe e um dos membros mais prolíficos do coletivo de artistas “Geração Perdida de Minas Gerais”. Como o próprio nome diz é uma galerinha bem triste e  pretensiosa de Minas Gerais, mas eles têm alguns caras bem legais, como o Fábio de Carvalho, a Lupe de Lupe e o próprio Vitor Bauer, que já apresentou outros álbuns em carreira solo, todos bem abaixo do que o Lupe de Lupe apresentou, mas com seu valor. “História do Brasil” foi criado com o apoio de fãs através de uma plataforma de financiamento coletivo, o disco constitui-se de 52 covers de diversas bandas brasileiras, lançado entre 2016 e 2017.

São covers simples, todos tocados no violão e alguns contam com outros elementos, como guitarra e piano, mas é só pra dar o tom à atmosfera que a música intencionava criar ou para tornar mais fácil o reconhecimento pelo ouvinte. A simplicidade de sua produção carrega o álbum de uma atmosfera mais intimista e aproxima o ouvinte do criador, que planeja transmitir através de cada uma das canções escolhidas para o projeto uma mensagem, mensagem esta que vai contra os dizeres populares dos tempos atuais.

Todos os 3 lançamentos que compõem o álbum todo e algumas músicas (que poderiam ser consideradas os singles) foram apresentados com uma espécie de “press-release”, apresentando a ideia por trás da escolha e o que o lançamento queria significar, porque as músicas foram escolhidas naquela ordem e lançadas naquele momento e não antes ou depois. E a mensagem mais interessante e que acaba unindo os 3 lançamentos como o todo é a necessidade da sinceridade que enfrentamos hoje em dia.

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Com o lançamento de “Pense em mim”, cover de Leandro e Leonardo (que por si só já se trata de uma espécie de cover), Vitor Bauer explora uma ideia que já havia sido delineada por um cara que gosto muito chamado David Foster Wallace em “E Unibus Pluram”, um ensaio sobre a ficção numa era pós-TV e pós pós-moderna. Vitor Bauer nos relata como ele está cansado da ironia pós-moderna que permeia todos os nossos relacionamentos, das pessoas que vão em shows apenas para rir de quem está no palco e para isso utiliza um cover que estaria perdido nessa coleção, não fosse o fato dele realmente gostar dessa música. Assim como eu, ele cresceu ouvindo essa música em reuniões familiares (final de ano, páscoa, aniversários...) e sua letra acabou se enraizando na sua mente e sua mensagem ganhando mais corpo, conforme ele passava por experiências que poderiam ser exemplificadas em sua letra. Não é uma música criada para ser um “produto”, mas acabou se tornando um produto e foi sendo ironizada conforme a sociedade crescia mais cínica e blasé em torno dela, inclusive por seus próprios “criadores”.

Mas Vitor Bauer é sincero ao gostar dela e é sincero ao incluí-la em “História do Brasil” e é disse que o álbum se trata: sinceridade. Vitor Bauer gosta realmente de todas as músicas e é por isso que faz um cover delas, afinal, quem não aprendeu a tocar violão com sua música preferida?

A opção por fazer covers apenas de músicas nacionais (por mais que algumas sejam cantadas em inglês, seus criadores são brasileiros ou, ao menos, enraizaram-se no Brasil) pode ter sido um fator limitador, mas se não fosse por isso, talvez o álbum não apresentasse essa unidade concisa toda e suas músicas poderiam ficar meio dispersas. Essa opção acabou dando uma identidade bem particular ao projeto de Vitor Bauer.

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E sendo assim, “História do Brasil” encerra mais um ciclo na vida do artista, que partirá para novos ares, eu já confirmei presença num de seus shows da turnê que fará com Jonathan Tadeu, “Sem sair na Rolling Stones 1.5” e aguardarei paciente suas próximas empreitadas musicais.

5 pontos

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Dica Hidráulica: Conexões Krona

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Hoje a dica está hidráulica!

Krona é uma marca de tubos e conexões fundada em 1994, ou seja, tem a mesma idade que este que vos fala, mas obteve muito mais êxito em sua curta vida, contando com mais de 700 produtos fabricados de acordo com as normas ABNT (que só servem pra encher o saco) e umas das 1000 maiores empresas do Brasil de acordo com a revista Valor Econômico.

Fui conhecer essa marca quando trabalhei junto de meu pai na loja de materiais de construção que ele gerencia. Como todo bom civil, eu só conhecia a Tigre (supostamente a melhor marca de tubos e conexões) a a A-sem-perna (ou Amanco, para os não íntimos), mas ao entrar em contato com as conexões Krona foi amor à primeira vista.

A começar pela embalagem na qual elas vêm, lacradas a vácuo, as peças saem dos pacotes brilhando de tão limpas, imaculadas como uma virgem. Você sente na textura delas a firmeza e a segurança que nenhuma Tigre ou Amanco pode fornecer. As peças são brutas, mas ao mesmo tempo belas. Dá gosto empilhar um conjunto de T’s da Krona em cima do balcão.

Quanto ao preço, é muito mais barato que as peças dos concorrentes, mas nunca recebi reclamações delas. Todos os clientes terminam satisfeitos com as conexões hidráulicas Krona.

4 pontos e meio

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Dica musical: "Sick Scenes" do Los Campesinos (2017)

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Hoje a dica além de musical, é nostálgica, não por se tratar de uma banda antiga, mas por que seu som traz boas lembranças...

Los Campesinos é uma banda formada em Cardiff, País de Gales, em 2006 e passou por baixo do meu radar todos esses anos. “Sick Scenes” é o seu sexto álbum de estúdio e representa diversos marcos para a banda. A começar, é o primeiro álbum totalmente independente deles, em 2013, após o lançamento do quinto álbum,  “No Blues”, a banda entrou num hiato indefinido (como muitas outras bandas boas dessa geração) e cada membro decidiu seguir uma vida normal, com trabalhos ordinários e afazeres cotidianos e só voltaram a se reunir em 2016 para a gravação desse álbum. Outro marco é o aniversário de 10 anos da banda, que inspirou a união dos 7 amigos que formam a banda e mais 8 amigos da banda na produção do álbum como um todo, dos instrumentos a mais, a produção e a elaboração da arte da capa (muito bonita por sinal). E por fim, o álbum foi gravado ao longo de 4 semanas e meia em Fridão, Portugal.

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E então, vamos a parte que interessa: por que esse álbum merece uma dica?

Porque esse álbum é um legítimo álbum indie, honrando a tradição criada pelos músicos de Nova Iorque, iniciando lá no começo dos anos 2000 com The Strokes, passando por Yeah Yeah Yeahs, Vampire Weekend, Yeasayer, Beach Fossils e claro, Clap Your Hands, Say Yeah!. Essa banda não é de Nova Iorque, mas o som que eles criam poderia se enquadrar em qualquer filme indie de romance que se passe na cidade de Nova Iorque, filmado entre 2008 e 2012, é um ode a essa geração tão gostosa e acalentadora e que, infelizmente, não voltará mais.

Numa análise mais fria, o som é ordinário, se não medíocre, é um indie pop comum e nada mais, porém, não se fazem mais músicas assim hoje em dia e isso não é papo de velho, basta você procurar os artistas de indie hoje em dia, as bandas não tocam mais rock, os grupos de indie pop não ligam mais pra guitarras e o som está cada vez mais alienado das bases criadas lá no meio pro final dos anos 2000.

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E “Sick Scenes” junta todos esses elementos musicais ao longo de suas 11 canções, com letras românticas, irônicas, bem humoradas ou simplesmente encatadoras. Não há nada de mais aqui, mas às vezes não precisamos de algo a mais, bastam umas três ou quatro notas tocadas num teclado bem afinado, com os vocais no lugar certo, a guitarra distorcida na medida ideal e um baixo e uma bateria fazendo a sua parte pra manter o ritmo e pronto, lembramos daquelas tardes frias de inverno com nossos amigos no intervalo do colegial, na escadaria da Igreja Matriz, comendo e observando uma gostosa de salto alto passar do outro lado da rua e todo mundo babar em cima dela. Mude a melodia, insira umas palmas, com um ritmo mais dançante na outra canção e pronto, lembramos daquela festa em que estava tocando Franz Ferdinand e aquela loira gordinha da sala de repente parecia a menina mais bonita e você a beijou como nunca havia beijado ninguém. Rasgue a guitarra na canção e voilá, as memórias de quando seu amigo idiota tocava a campainha de uma casa qualquer e vocês tinham que sair correndo feito loucos pela rua num calor insuportável. É o tipo de música que te faz ter vontade de usar um Adidas Superstar, com calça jeans apertada e uma camiseta gola V listrada.

Como um álbum, “Sick Scenes” nem sólido é, pois não há algo que una todas as músicas em torno do álbum, como um tema ou uma história, porém esse desprendimento, que faz cada música ser um fim em si mesma, por si só, já respeita e honra essa entidade que é a música indie. Enfim, se me dissessem que esse álbum é de 2007 ou 2010 ou mesmo 2012 eu acreditaria, apesar dele conter alguns elementos que só viriam a ser explorados na música “mainstream” anos depois, como os trompetes e a percussão, por exemplo, mas é um álbum que nos remete a essa época.

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E essa deve ter sido a intenção da banda, ao criar um álbum que celebrasse seus 10 anos, nada melhor do que um álbum que os lembrasse do passado, desses 10 anos de estrada que tiveram tanta influência em seu som e, provavelmente, importância pessoal para cada um deles. Portanto, é um álbum que alcança sucesso no que busca e por essas e outras vale a pena escutar.

3 pontos e meio

quinta-feira, 30 de março de 2017

Dica Conspiratória: "Teoria da Terra Plana"

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A “Teoria do Ano de 2016”, uma ideia ancestral, considerada loucura por muitos, fatos por outros tantos e divino para alguns, a teoria da terra plana merece um post aqui n’O Sommelier de Tudo, não só pela sua ampla abrangência, mas também pela sua consistência.

De acordo com a teoria da terra plana, o mundo é uma espécie de disco, coberto por um domo, o firmamento do céu, que por sua vez, está por baixo do firmamento das águas (embora essa parte não seja um consenso). No centro do nosso planeta situa-se um monte de gelo ártico e em volta de nós uma enorme muralha de gelo, a Antártica (lembra uma série famosa de livros que virou uma série de TV com audiência recorde? Será que seu criador está querendo nos passar alguma mensagem subliminar?). Abaixo de nós encontram-se as colunas da Terra, provavelmente feitas de pedra. A gravidade seria originada pelo movimento ascendente que esse disco faz em meio à matéria escura que cerca a “bolha” onde o nosso disco se situa.

É uma teoria com muitas ideias e, infelizmente, eu não poderei apresentar todos os pontos (pe muita coisa, sério). Resultado de uma tradição multimilenar, com raízes profundas que podem ser traçadas até a Grécia Antiga e no Egito (embora haja insinuações sobre a esfericidade do nosso planeta em escritos do Egito Antigo). Ainda nos tempos de Plínio, o Velho, a teoria da terra plana já era amplamente rejeitada, vítima de sociedades ocultas que governam o mundo desde tempos imemoriais.

Com a passar das eras, a rejeição à teoria da terra plana não diminuiu, pois mesmo na Idade Média (o período das trevas sobre o conhecimento) a população em geral aceitava a ideia de uma terra esférica, inclusive a igreja Católica (embora o pensamento cristão medieval fosse limitado a teoria heliocêntrica, que considera o mundo o centro do universo, a ideia da terra esférica era amplamente valorizada), sendo, inclusive, um motivador para os navegantes europeus que sonhavam em dar a volta ao mundo.

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Por volta do séc. XVIII, a noção de que a Europa Medieval acreditava numa terra plana começou a ser difundida, embora não fosse baseada em fatos críveis. No século 19, Washington Irving escreve um livro que acende a fagulha inspiradora para os círculos defensores da teoria da terra plana e no século 20 é fundada a “Sociedade da Terra Plana”.

Ao mesmo tempos em que a teoria da terra plana ressurgia das cinzas da antiguidade como uma Fênix exuberante, diversos cientistas elaboravam teorias em cima de teorias que comprovam a esfericidade do nosso planeta. Teorias amplamente refutadas pelos teóricos da terra plana, mas que falham em explicar as razões para que a verdade seja escondida de nós. Alguns culpam os reptilianos, outros os illuminati e embora eles estejam conectados não há um consenso nas motivações deles, econômicas? Sociais? Políticas? Ambientais? Infelizmente, a teoria não chega tão longe e isso é uma falha, no entanto, com um histórico tão grande é só questão de tempo até que a verdade seja inteiramente desnudada perante a sociedade.

Teoria da Terra plana ganha força na internet - Terra plana e o logo da ONU

Com uma histórica rica e exuberante, defensores ferrenhos, uma organização invejável, a teoria da terra plana é um exemplo bem sucedido do que uma teoria da conspiração deve ser.

4 pontos

quinta-feira, 23 de março de 2017

Dica Musical: "Flying Microtonal Banana" de King Gizzard & The Lizard Wizard

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Já falei dessa banda aqui, mas foi na fase em que eu já não estava mais tão afim de escrever posts aqui, então vale dar uma aprofundada em quem eles são.

O King Gizzard & The Lizard Wizard é um hepteto de Melbourne, Australia, ou seja, uma banda de 7 pessoas fazendo um rock psicodélico com motivações conceituais por trás de cada um de seus 9 álbuns. O último deles, do qual vou falar hoje, é o “Flying Microtonal Banana”, um álbum que tem como principal motivo de existência uma guitarra modificada do guitarrista e vocalista da banda em microtom.

Microtom é um intervalo menor que um semitom, algo não encontrado tradicionalmente na música ocidental e que para um leigo como eu ou você quer simplesmente dizer que o som produzido pela guitarra dele é mais agudo do que o normal. Já se perguntou porque aqueles músicos indianos tocam uns instrumentos com tantas casas no braço, produzindo um som tão agudo? Pois é, em parte é por causa dos microtons, eu acho.

Mas enfim, como um instrumento afinado em microtom só pode ser tocado por outros instrumentos afinados em microtom, o vocalista da banda pagou para os outros integrantes conseguirem instrumentos modificados também e assim eles arranjaram mais guitarras microtonais, baixos microtonais e uma gaita afinada em microtom. Alia-se a isso uns sintetizadores, dois bateristas, percussão e um tradicional instrumento de sopro da Eurasia central chamado Zurna e voilá! Nasceu “Flying Microtonal Banana”.

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Ao contrário de “Nonagon Infinity”, cujo conceito era fazer um álbum em loop, que poderia ser tocado sem parar que você não saberia o começo, o final, nem quando ele começou a tocar primeiro, aqui a ideia principal é menos estrutural e mais sônica. Qualquer coisa que eles tocassem seria diferente e isso abre espaço para as letras se desenvolverem e as músicas se expandirem sozinhas.

As letras apresentam uma miríade de temas, mas todas compartilham um senso narrativo bem solto, porém notável, em que é percebido personagens se extasiando com acontecimentos brutais ou apocalípticos, assustadores e grandes demais para que eles pudessem existir. “Melting” é um bom exemplo ao nos apresentar um personagem elaborando um discurso sobre o aquecimento global e se forçarmos um pouco a barra podemos imaginá-lo no centro dos acontecimentos da canção seguinte “Open Water”, em que ele se encontra assustado com o derretimento das calotas polares e não reconhece mais a terra à beira-mar onde vive.

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As canções também respiram entre si, o que quer dizer que há um intervalo entre elas para que os temas possam se assentar. Em “Open Water”, por exemplo, somos apresentados, primeiro, ao som de ondas se chocando. Além disso, há uma grande variação de influências para cada uma das nove canções, do High-Life a trilha sonora de Spaghetti Westerns. Com seus instrumentos singulares, todas essas influências ganham um novo fôlego e evoluem naturalmente sob as asas de King Gizzard & The Lizzard Wizard.

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Enfim, “Flying Microtonal Banana” é um projeto ambicioso e bem sucedido, mas é apenas um quinto do que a banda prometeu nos apresentar esse ano, aumentando a expectativa e o padrão para o que está por vir. Esperamos que eles consigam manter o nível de excelência e a criatividade no mesmo patamar.

4 pontos

quinta-feira, 16 de março de 2017

Dica cinematográfica: "Silêncio" (2016)

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Mais um filme lançado em 2016, mas que só chegou ao Brasil em 2017. Meio chato isso, não? Pois é, mas esse filme compensa, porque é o melhor filme que eu assisti esse ano até agora.

O filme, dirigido por Martin Scorsese, estrelado por Andrew Garfield, Adam Driver, Liam Neeson, Yosuke Kubozuka, Tadanobu Asano e Issei Ogata, adapta o livro “Silêncio” de Shusaku Endo. A trama começa com a narração do padre Ferreira, um jesuíta que foi ao Japão e lá presencia a tortura e subsequente assassinato de diversos cristãos japoneses. Anos depois, em Portugual, é sabido que o padre Ferreira apostatou (termo usado para descrever a negação de sua fé por parte de padres) e dois padres são enviados ao Japão para investigar isso, o padre Rodrigues e o padre Garupe. Chegando lá, eles descobrem um Japão cristão devastado e comunidades minúsculas vivendo em vilas isoladas. Os padres devem manter-se trancados em uma cabana o dia todo para não serem vistos e só durante a noite podem cumprir suas obrigações de padre perante a comunidade. Um dos japoneses, Kichijiro, que já havia negado a sua fé para salvar sua vida, espalhou a notícia de que os dois padres estavam no país para uma vila próxima e o padre Rodrigues é enviado até lá. Após alguns acontecimentos, ele é preso pelo inquisidor Inoue e passa por diversas provações de sua fé, através de uma série de dilemas morais.

A premissa do filme já é instigante, adaptando um livro de um dos raros escritores cristãos do Japão, Shusaku Endo, que se preocupa em contar a história através do ponto de vista dos padres jesuítas. Infelizmente ainda não li o livro, então não posso dizer se é uma boa adaptação ou não, mas Martin Scorsese trabalha de forma magistral esse tema, muito estigmatizado e no qual afasta diversas pessoas, mas não, a Igreja Católica não é do mal, não escraviza as pessoas e os jesuítas eram pessoas bem intencionadas e que não cometiam atrocidades. Isso é mostrado de forma magistral no filme, pois ele expande e engrandece as discussões de fé, colocando em confronto a religião budista e a religião cristã católica, exposta tanto nos embates entre o padre Rodrigues e seus rivais de fé (o intérprete, o inquisidor e o padre Ferreira) quanto pelos seus monólogos internos, em que ele mesmo se questiona.

Auxiliando esse debate vem a direção fantástica de Martin Scorsese. Falar disso é chover no molhado, mas há momentos que merecem destaque, como o jogo de câmera usado na cela em que o padre Rodrigues é mantido preso. O filme é muito silencioso (piada não intencional), há uma ausência de trilha sonora, mas não chega a incomodar, pois há um embate subjetivo que cresce ao longo do filme e essa escolha, por manter os sons expostos no filme o mais natural possível, acaba engrandecendo esse embate, fazendo-o ganhar mais força e que auxilia a dar o tom épico ao final.

Além disso, como (quase) sempre, o filme é uma senhora Lição de Cinema, cheio de referências aos mestres da sétima arte da terra do sol nascente, como Akira Kurosawa (mais explícito nas cenas externas e montanhosas) e Nobuo Nakagawa (novamente, nas cenas em que Rodrigues está preso). A forma como a câmera é guiada pode parecer estranho num primeiro momento, mas se você traçar um paralelo com o cinema japonês da segunda metade do século XX irá encontrar semelhanças, podendo dizer que esse filme também é uma homenagem a essa tão tradicional e inspiradora escola de cinema.

É magistral.

Minha única ressalva é o M. Scorsese ter escolhido usar o A. Garfield como ator principal ao invés do A. Driver (que é muito mais ator) e mesmo assim o A. Garfield mandou bem, numa das melhores atuações da sua vida.

Aproveite que o filme ainda está nos cinemas (pouquíssimos é verdade) e que já tem em 1080p na Locadora do Ultra e assista sem preconceitos.

5 pontos

sexta-feira, 10 de março de 2017

Um relato de um hater do barcelona sobre o jogo de quarta-feira

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Eu sou um hater do barcelona e como tal, meus sentimentos não são baseados em razões, são simplesmente sentimentos ruins, uma torcida ao contrário (sempre torço pro barcelona, mas é para perder) e acho que todo torcedor de futebol é assim, em algum momento de sua vida. Sempre existirá aquele time pela qual sua antipatia é tão grande, que você passa a torcer pro time perder todos os jogos.

Eu era assim com o São Paulo quando era mais novo. No Ensino Fundamental II (do 6º ao 9º ano) estudei com vários são paulinos e todos eles eram pessoas detestáveis. Eu também nunca fui flor que se cheire, era meio metido, em parte, porque me achava superior aos meus colegas de classe devido aos meus conhecimentos avançados (enquanto meus colegas estavam preocupados com as festas de sábado, eu estava lendo Kafka) e em parte, porque eu era o garoto da capital morando no interior de São Paulo. Além disso tudo, era feio pra caramba, tinha gostos musicais horríveis (não para mim, mas para os outros, porque nunca gostei das músicas que tocam em rádio e afins) e nunca soube jogar futebol. Já eles eram bonitos, manjavam de futebol e basquete, eram altos e todas as garotas gostavam deles. Uma das formas que achei de vencê-los era torcer contra o time deles, o São Paulo, mas isso nunca deu muito certo.

Quanto ao barcelona, nunca fui muito de torcer pra times europeus e minha mentalidade derrotista sempre se afeiçoou mais com os times que estão por baixo, ou seja, desde que o barcelona se tornou o “rei” da Europa, com os melhores jogadores, praticamente a seleção da Espanha no time catalão minha antipatia começou a crescer. Ainda na Copa de 2010, quando a Espanha saiu vitoriosa e todo mundo falava que isso era graças ao barcelona, que montou uma categoria de base gloriosa e poderia fornecer a Espanha os melhores jogadores, minha antipatia pelo time catalão já estava formada.

No entanto, essa antipatia foi se solidificar em 2011, quando o maldito time catalão tirou o Mundial de Clubes da Fifa do meu querido time, o glorioso alvinegro praiano, o Santástico! Jamais esquecerei aquela manhã sombria, apesar de ensolarada, em que meu time foi humilhado em rede mundial no Japão, perdendo por 4 a zero e meu irmão dizendo “Ah, mas não ia ganhar mesmo!”.

Minha sorte era que eu nunca fui torcedor fanático, 2010 e 2011 tinham sido os anos em que mais havia acompanhado futebol até então e não era pra menos, o Santástico havia se consolidado como o melhor time daquela época, com Neymar, Elano, Ganso, André, Pará, Maikon Leite, Aranha, Edu Dracena, muitos em sua melhor fase. É o time que tem sua própria página na Wikipédia em inglês pra você ter noção. E pensando melhor, talvez fosse até melhor assim, o Santástico ter pedido, porque o sentimento de desolação que senti me fez ser um torcedor ainda mais racional e não um desses fanáticos malucos que choram pelo time.

Eu, graças a Deus, nunca chorei por time nenhum e fico muito feliz com isso. É essa racionalidade que me fez adorar o fatídico 7x1, mais por ficar deslumbrado com o futebol superior que a Alemanha apresentou do que por não gostar da Seleção Brasileira (mas isso é assunto pra outro post).

Ainda assim, aquele jogo, o 4x0 do barcelona em cima do Santástico consolidou minha antipatia pelo time catalão, enquanto que a crítica positiva ao time só se consolidou. É um nojo ouviu a narração da Globo dos jogos do barcelona, por exemplo. Eles nem escondem a sua torcida, chamam o Messi de gênio, glorificam cada passe do Neymar, exaltam o Suárez.

E quarta-feira não foi diferente, a narração estava um nojo, como sempre e eu sentia vergonha alheia a cada vez que o barcelona fazia um gol e dava pra sentir a criança de 10 anos sair dos narradores e invadir o microfone.

No entanto, isso não provocava meus nervos, não me deixou com raiva, porque no fundo, eu não tinha esperanças de que o PSG fosse ganhar aquele jogo, mesmo com uma vantagem de 4 gols. E isso é o que mantém meu haterismo saudável, é essa racionalidade, eu nunca vou ser torcedor do PSG, mas torcia pra ele sair vitorioso. Eu sei que o PSG é um time sem tradição alguma, enquanto o barcelona é um time com importância histórica, política e social, eles não são apenas o time da cidade barcelona, na UEFA eles representam uma nação, que busca até hoje sua independência da Espanha. Até nisso, ele é superior ao seu principal rival, o Real Madrid, isso eu reconheço, embora eu torça muito mais pro Real Madrid, não só nos clássicos Real X barça, mas também quando o time da capital espanhola enfrenta outros times da Europa.

No jogo de quarta eu sabia que as chances do PSG eram baixas, porque é um time fraco, é um time que não tem moral pra enfrentar o barcelona. E por pior que seja a situação do Messi fora do barça, na seleção argentina ele é um zé-ninguém, fora de campo é um esportista terrível, que não aceita um segundo lugar, que não sabe perder uma final. Por mais cretino que seja o Neymar, por mais descontrolado que o Suárez seja, por mais chato que o Piquet é, eles estão num time que joga sozinho, num time que não precisa de técnico, num time superior a maioria, num time que, quando perde, é um acontecimento que provoca um enorme estranhamento e com razão.

Ainda assim fiquei animado quando o PSG fez o primeiro gol. Quando o Dí Maria, que nem a pau é um jogador bom, ele é, no máximo mediano, admita, levou a bola até a grande área, eu segurei minha respiração e quase falei pra mim mesmo “se ele fizer o gol eu grito!” (só não falei, porque, no fundo, eu duvidava que ele ia marcar), mas quando ele errou, respeitei e pensei “não, esse time vai perder, é ruim demais!”.

Minhas esperanças só foram aumentar nos últimos 5 minutos e ainda assim saiu aquele gol incrível do Neymar e a atuação digna de Oscar de Suárez, que conseguiu convencer um juiz que estava armado contra ele, dando até um amarelo pro uruguaio mais lastimável da história recente do futebol.

Ainda assim, o jogo se aproximava do seu fim e teria sido bom para mim, não fossem os 5 minutos de acréscimo do juiz maldito. E o barcelona mostrou que 5 minutos é demais pra eles, é entregar o jogo pro time catalão e ganhou. Uma vitória histórica, um jogo belíssimo até pra quem entende pouco de futebol, mas entende que o que o barcelona fez é praticamente impossível, que aquele final de jogo foi eletrizante e que as estáticas provam, foi histórico.

Mas para um hater do barcelona, como eu, foi uma lástima. Não, eu não me enquadro no mesmo local que o cearense imbecil que chorou quando o PSG perdeu, eu não esperava a vitória do PSG, mas não esperava ter que admitir, mais uma vez que o barcelona é um time superior a muitos outros, que o barcelona é sim, um time fantástico.

E ainda assim, continuo sendo um hater, o barcelona pode ser superior, o Messi pode ser um gênio, o Neymar pode ser o melhor jogador brasileiro desta década, o Suárez pode ser incrível, mas eu continuo sendo um hater, o pênalti foi sim mal marcado, foi uma vitória grandiosa, mas com um asterisco, o Messi continua não sabendo perder, o Neymar continua sendo um cretino, o Suarez continua sendo um descontrolado e no meu ranking pessoal, no meu orgulho de torcedor, o Santástico continua sendo e vai continuar a ser, o melhor de todos, todos, TODOS e isso não é racional, é completamente passional, como toda opinião de hater deve ser.

quinta-feira, 9 de março de 2017

Dica musical: "Drunk" de Thundercat

Thundercat - Drunk - Front & Back Cover

Após 4 anos, Thundercat, um dos músicos mais virtuosos dessa onda de artistas que ficam na linha tênue que separa o jazz do hip hop vindos do sul da Califórnia (a fim de comparação, fica aí alguns nomes: Kamasi Washington, Kendrick Lamar e Flying Lotus), volta com mais um álbum que não decepciona e até surpreende.

Eu tinha um pouco de receio com relação a esse álbum, pois não gosto muito dos outros álbuns de estúdio do baixista. “The Golden Age of Apocalypse” (2011) e “Apocalypse” (2013) não ficam apenas na linha tênue entre jazz e hip hop, mas também entre a música eletrônica. O jazz é muito distorcido e Thundercat se esforça em mostrar o quão virtuoso ele é no baixo, cometendo o mesmo “erro” que muitos roqueiros cometem que é esquecer a melodia e se concentrar na técnica. O mesmo não aconteceu em “The Beyond/Where The Giants Roam” (2015), um EP que apresenta 6 músicas com melodias soturnas, porém encantadoras, aliando a técnica com a criatividade musical.

E dois anos após o EP, Thundercat mostra que ele aprendeu muito mais. “Drunk” é um épico de 23 músicas, a maioria tendo algo em torno dos 2 minutos, sendo a mais longa de 4 minutos e várias de apenas alguns segundos, servindo como transições entre as histórias que Thundercat quer contar, mas chegaremos lá mais tarde.

Há uma grande presença de elementos eletrônicos, o baixo continua fortemente distorcido, mas o álbum não chega mais próximo da música eletrônica do que um álbum de fusion do Herbie Hancock. Há uma grande presença de melodias vindas diretamente do funk e do soul, além dos próprios vocais distorcidos de Thundercat (expansivos, suaves e agudos) reforçando diretamente essa influência musical. Em todas as canções, o baixo é o instrumento principal, dando não apenas o ritmo, mas a atmosfera às canções, seu virtuosismo ainda está presente, mas há uma concentração maior em manter a melodia, criando músicas mais sólidas.

Muitas canções são instrumentais, mas outras tantas contém letras que exploram diversos temas, de drogas a ser friendzoneado, com um senso de humor sagaz e non-sense, mesmo os temas mais pesados acabam provocando uma risada no ouvinte/leitor. A forma como esses temas são explorados, além do senso de humor tão único de Thundercat, acabam dando às letras a sensação de se tratar de um diário, mas o tamanho do álbum (são 23 músicas), com suas transições e os diferentes elementos musicais revelam algo um pouco mais profundo. O álbum pode ser encarado como uma zapeada noturna por uma porrada de canais de TV e conforme a noite vai avançando, as letras, as melodias e os elementos musicais vão ficando mais obscuros, melancólicos e claustrofóbicos.

O álbum começa de maneira fácil de ser encarado (a primeira música tem 38 segundos, a segunda pouco mais de 1 minutos e a terceira mais de 2), mas após a primeira transição os elementos se misturam cada vez mais, transformando o álbum numa obra de jazz fusion com letras bizarras, engraçadas e com um pano de fundo bem obscuro, até que há mais uma transição e o álbum vai ficando mais lento, vagaroso e pesado, culminando numa canção confusa, acompanhada de uma melodia desoladora, com uma última nota de baixo tão distorcida que te faz sentir como se estivesse perdido no espaço. “Them Changes”, a melhor música do EP lançado em 2015, aparece perdida no meio do álbum e só reforça essa ideia de busca por uma atração, dissolução entre diversos temas, referências e elementos musicais.

É um álbum impressionante, com um pano de fundo ainda mais impressionante. Há ainda uma porrada de participações especiais e muitas delas melhoram as canções onde são apresentadas (como Kendrick Lamar em “Walk On By”), mas outras só servem pra atrapalhar (Wiz Kalifa, claro...), porém isso não diminui de todo o valor do álbum.

Enfim, “Drunk” de Thundercat é um projeto ousado e o baixista consegue segurar as pontas e aproximar extremos musicais com seu virtuosismo e criatividade. Vale a pena escutar, se não pelo jazz fusion, mas pelas letras sagazes.

4 pontos

quinta-feira, 2 de março de 2017

Dica Cinematográfica: "Hacksaw Ridge" (2016)

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Rapaz, ainda bem que eu não sou crítico de cinema membro da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Los Angeles, porque não gostaria de escolher entre “La La Land” e essa obra magnífica da qual falarei hoje.

“Hacksaw Ridge” conta a história verídica de Desmond Doss, membro da 77 ª Divisão de Infantaria e também o primeiro objetor de consciência a receber a Medalha de Honra na II Guerra Mundial, quando salvou, sozinho e desarmado, 75 homens na Batalha de Okinawa. Aliás, o filme começa já pelo final, com os parceiros de Doss retirando-o numa maca do campo de batalha e então, através de um extenso flashback, somos apresentados aos eventos mais importantes de sua infância e juventude, que o fizeram se tornar ainda mais devoto a Deus e, em especial, ao sexto mandamento; “Não matarás”. Desmond sempre esteve encantado pela profissão médica, tanto que acaba se apaixonando por um enfermeira, Dorothy Schutte. Após o alistamento de seu irmão mais velho, Doss, mesmo contrariando a vontade de sua família e de sua namorada, alista-se também, almejando tornar-se um socorrista. O único problema é que, mesmo os socorristas, são soldados e ele sofre muito quando começa o treinamento, pois recusa-se a pegar numa arma. No entanto, sua força de vontade, seus contatos e seu bom desempenho físico lhe garantem um lugar na guerra, onde Doss acaba fazendo história.

Desde os primeiros momentos, sabemos que esse será um filme de drama épico do tipo que lhe fará chorar e “Hacksaw Ridge” não deixa nada a dever aos maiores clássicos de guerra que existem. De “Sem novidade no front” a “Cartas de Iwo Jima”, passando por “O resgate do soldado Ryan”, “Nascido para matar”, “Vá e veja” e “Paisá”, esse filme não deve nada a eles. Há um subtexto poderoso, cenas brutais, uma dramaticidade enorme em cada cena (até mesmo a câmera lenta foi bem utilizada nesse filme) e, claro, aquele final com fundo preto, filmagens antigas e um textinho resumindo a vida de Desmond Doss até o final de seus dias.

A direção nesse filme foi muito bem feita e o crédito tem que ir pro Mel Gibson (inclusive, quando o filme acabou, eu fiquei indignado por ter que admitir que o Mel Gibson me fez chorar assistindo um filme!) e sua equipe de produção. Todos os elementos estão em perfeita harmonia nesse filme, os efeitos sonoros, a trilha sonora, a posição das câmeras, sua movimentação, é um filme com uma direção não apenas competente, mas surpreendente, pois algumas cenas (como a que Desmond contesta junto de sua mulher sua posição perante seus colegas de treinamento, enquanto preso ou ainda a cena em que ele contesta seu lugar na guerra e a fantástica cena final em que ele é descido da serra de Hacksaw numa maca) são tão carregadas de simbolismo, que você tem vontade de parar o filme nesses momentos só para poder analisar com calma e friamente o que aquelas imagens significam.

Vou te falar, é um filme poderoso.

Além disso, ainda temos atuações surpreendentes de atores como Andrew Garfield, que mais uma vez consegue carregar naquelas costas magrelas dele todo o peso de um papel dramático como esse (ele já o fez isso em “Silêncio”) e também de Teresa Palmer, Hugo Weaving e Vince Vaughn (a maior surpresa).

O filme não é perfeito, apresentando algumas coisas que incomodam, mas passam batido, visto sua magnitude, como as transições entre os períodos da vida de Doss e a precisão histórica (ou falta dela) em alguns momentos, como no retrato do pai de Desmond, as circunstâncias de seu casamento e a própria batalha de Okinawa, que não foi a primeira em que Desmond participou e nem durou apenas alguns dias, mas semanas. Tudo isso cai na caixa de licença poética, porque se não o filme seria enfadonho demais e seria melhor gravar uma série, o que também não é má ideia.

Enfim, “Hacksaw Ridge” é um primor de um filme, ouso dizer uma obra prima, entra fácil na lista de maiores clássicos de guerra da história, tem um subtexto incrível e, apesar dos seus defeitos (e são poucos, é coisa boba!), deveria ter sido escolha difícil para os engomadinhos da Academia que ficaram entre “La La Land” e aquele lixo do “moonlight”, mas fazer o que, né? O que importa é que daqui uns 50 anos, as pessoas irão olhar pra trás e ver “Hacksaw Ridge” e irão chorar, porque o filme é excelente, de verdade.

4 pontos e meio

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Dica gourmet: bolacha Toddy de chocolate torta

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Nesta nova fase do blog, é justo falar do meu mais novo vício matinal de sábado: a bolacha de chocolate Toddy modelo torta. Trata-se de mais uma bolacha no formato de torta de sabor chocolate, mas feita com a fórmula especial do Toddy, o que garante a ela um sabor marcante e viciante.

Não sei se foi a crise econômica/política que enfrentamos nos últimos tempos, mas todas as outras bolachas de chocolate simplesmente perderam o seu sabor. Trakinas, que era a minha favorita, está com mais gosto de gordura que de chocolate e sua textura dá uma certa ânsia, atualmente. A Passatempo não tem mais chocolate e a Nikito, que um dia foi meu vício, continua com um recheio mal distribuído e está com gosto de gordura também.

O que restou a mim, esse fiel consumidor matinal aos sábados de bolachas de chocolate, enquanto tomo cappuccino e assisto filme, buscar alternativas no mercado e eis que encontro essa aqui, não me lembro como, mas agradeço a Deus o dia em que a encontrei.

Com uma textura prazerosa, um sabor forte e marcante, a bolacha torta de chocolate Toddy me viciou logo de primeira. Seu preço chega a ser, dependendo do mercado, um real a mais que a Trakinas, mas também tem mais bolachas dentro de um pacote, do que o de uma Trakinas, vindo 20 gramas a mais do que o meu antigo vício.

Infelizmente, a distribuição da Pepsico (responsável pela Toddy) não é tão boa quanto a concorrência, sendo meio difícil achar a bolacha em todos os mercados, no entanto, vale a pena perder tempo procurando, porque a bolacha é, realmente, muito boa.

Agora, imagina se fosse Nescau.

f60f6-5pontos

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Ninguém vai ler essa patacoada, mas o blog é meu e eu faço o que quero com ele!

Xiiiiiiiiiiiiiii!!!

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Um post fora de época pra falar de coisas que ninguém aguenta ler, mas eu estou com muita vontade de escrever sobre isso e como esse blog é meu e de mais ninguém, aqui vai!

Ontem, após o almoço, deitei na minha cama, liguei o laptop e abri o YouTube pra acompanhar os vídeos dos canais que acompanho, um deles o Mamãe Falei, que ficou conhecido por todo mundo como o “cara do FGTS”, pedindo pra todo mundo perder uns 10 minutos do seu dia pra assistir esse vídeo aqui:

https://youtu.be/qMxi6L-m7VE

O vídeo é do MBL, um movimento ao qual eu tenho as minhas ressalvas, principalmente pelo envolvimento deles com a política, inclusive eles não escondem isso, mas eu fico sempre um pé atrás com políticos, porque sabe como é, né? Além disso, o vídeo é protagonizado pelo Kim Kataguiri, o cara que deu um “voto de confiança” pro Temer, como se isso significasse alguma coisa.

No entanto, o vídeo é excelente, explicando como funciona a previdência social hoje em dia, apresentando a reforma previdência que o governo está querendo implantar e expondo um complemento à essa reforma, baseado num estudo elaborado pelo FIPE, tudo isso em menos de 10 minutos.

O vídeo, além de didático é inspirador.

Em menos de 10 minutos, ele te ensina tudo o que você precisa saber sobre a previdência social, tudo o que você precisa sobre a reforma elaborada pela equipe econômica de M. Temer e tudo o que você precisa saber sobre a proposta da FIPE. E é inspirador, porque mostra uma solução, algo tão difícil de ser encontrado hoje em dia, quando todos estão preocupados apenas em olhar para o próprio umbigo e apontar os defeitos dos outros.

Isso entra em contraste direto com os opositores do MBL, a auto proclamada “esquerda”, formada por partidos de convicções socialistas, estudiosos de base marxista e os Guerreiros da Justiça Social (ou Social Justice Warriors, no termo mais comum de ser encontrado). O que se vê vindo desses grupos não é diálogo, é apenas acusação, intriga, paranoia e uma total falta de conexão com a realidade. Isso não é segredo, mas esse vídeo, apresentando a proposta de reforma da previdência elaborada pela FIPE expõe, ainda que de maneira indireta, toda a desolação da esquerda brasileira.

É essa esquerda que expõe aos quatro ventos um discurso de igualdade social, mas chama o Fernando Holiday de “falso negro”, defende a igualdade de gênero, mas todo homem é um estuprador em potencial, distorce os padrões de beleza ao ponto de chamar alguém que procura se manter saudável de “gordofóbico”, prega a liberdade de expressão, mas promove boicotes a empresas simplesmente por considerarem suas campanhas de marketing ofensivas, impõe uma mudança de sentido das palavras para que não aja respostas contra sua ideologia deturpada e retrógrada, são pessoas que se dizem contra a intolerância, mas não irão assistir o vídeo acima, porque é do MBL.

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Além da hipocrisia, cada vez mais crescente, a esquerda acabou se isolando dentro de uma bolha, afastando-se da realidade do país, enquanto que sua oposição (o MBL, um exemplo) só se aproxima mais, isso sem usar um discurso protecionista, louvando o povo, dedicando-lhe toda a sua “força e paixão”. E o vídeo acima expões, mais uma vez, isso magnificamente e da forma mais crua possível, porque ele apresenta uma solução, não é um vídeo que só crítica, crítica, crítica e não faz nada além disso, ele expõe uma solução de maneira prática e direta ao problema da previdência social, sem atacar ninguém.

E o que a esquerda está fazendo? Recentemente, o PT lançou um vídeo, protagonizado pelo ex-presidente Lula apresentando a sua solução para o rombo na previdência social e qual é a solução? Gerar mais emprego! E como serão gerados novos empregos? Isso o vídeo não explica. E o que esses novos empregos irão fazer? Continuar mantendo o esquema de pirâmide que é a previdência social hoje, ou seja, os novos empregos surgirão para que mais pessoas de classe média e baixa tenham aposentadoria irrisórias e mais juízes possam ter aposentadorias de 15 mil reais e mais políticos possam garantir sua aposentadoria parlamentar. É essa a solução do PT.

Ciro Gomes diz não haver déficit na previdência social, baseado em quê? Em suas próprias estimativas, mas ele mesmo nunca parou para calcular todas os inúmeros fatores que fariam o “mito” do déficit da previdência social ruir. A proposta de reforma da previdência social proposta pelo Partido Verde só é diferente da proposta do governo Temer no que diz respeito ao idealismo, pois estuda o aumento do teto para a aposentadoria. Marina Silva além de criticar, mantém esse discurso populista e idealista de aumentar o teto da previdência social, mas faz mais que o PSOL, que só sabe criticar.

E aí está a principal diferença entre a esquerda brasileira e seus opositores, eles (ou melhor, nós) fazemos alguma coisa, enquanto a esquerda não faz nada, ela só se preocupa em olhar para o próprio umbigo e criticar os outros, o que eles querem é só permanecer no poder e não serem questionados quanto a isso (mas o que dizer de pessoas que veem em Che Guevara uma figura inspiradora, não?). Nessa disputa não é esquerda contra direita, é esquerda contra o resto, é esquerda e oposição à esquerda. Ninguém está com o MBL porque eles são de direita, porque defendem valores tradicionais, o livre mercado e uma unificação dos impostos, mas porque eles se opõe a um grupo de pessoas que se afastaram da realidade e não estão mais preocupadas com o bem estar da população.

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E o MBL também não quer a reforma da previdência, porque eles estão pensando em você, mas também porque eles estão pensando neles mesmos, afinal, eles também poderão se beneficiar disso.

Mas a questão desse artigo não é essa, a questão é apontar a principal diferença entre a esquerda brasileira e sua oposição, que é a ação. A oposição à esquerda brasileira age, faz alguma coisa e o faz de maneira prática, de forma que possa facilmente compreendida e de forma que possa ser executada de forma rápida. Olha só o exemplo deles: eles também se opõe a reforma da previdência elaborada pelo governo Temer e também a criticam, mas junto já emendam uma resposta, uma forma de fazer essa proposta ser melhorada e que possa ser eficaz de verdade. Isso é agir, isso é promover mudança, isso é uma revolução de verdade! E isso a esquerda não faz.

Hoje, mais do que nunca, a esquerda me dá asco.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Dica musical: "Near To The Wild Heart of Life" do Japandroids (2017)

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E após 3 anos, Japandroids, uma das melhores bandas de rock dos últimos tempos, volta com um excelente terceiro álbum, amadurecendo de verdade o seu som.

“Near To The Wild Heart Of Life” é um álbum diferente de todos os outros álbuns do Japandroids, existe uma ampla gama de instrumentos aqui, existem elementos eletrônicos e backing vocals femininos, mas além de tudo isso, o aspecto mais importante nesse álbum é o amadurecimento que suas letras entregam.

Esqueça os excelentes “Oh Oh Oh’s” e “Ah Ah Ah’s” presentes em quase todas as músicas do grupo, não há muito espaço para isso aqui, mas conheça o lado mais intimista da banda, ao nos apresentar, na segundo verso da primeira canção a palavra “I”. Em “Celebration Rock” leva quase meia hora para Brian King soltar o primeiro “I” e o segundo só vai chegar no final do álbum. O que isso significa? Eu não sei direito, mas intimista não é. Japandroids ficou conhecido por lançar hinos, suas canções sobre cerveja, festa, cigarros e mulheres eram feitas para marmanjos ficarem se debatendo na frente do palco, dando mosh pits por cima de todo mundo, sorrindo, gritando e contando piadas ofensivas uns para os outros, não era música pra te fazer pensar muito, apesar de que os elementos “conceituais” constituintes de Celebration Rock te deixar meio contemplativo. Mas a presença constante da primeira pessoa do plural nesse álbum mostra algo que poucos artistas almejam de verdade hoje em dia: o amadurecimento pessoal.

As letras em “Near to the Wilf Heart of Life” tratam de relacionamentos perdidos, a descoberta da força de vontade através da amizade, a solidificação da masculinidade e arrependimento, também. É preciso ter muito culhão pra entender tudo isso e é preciso de mais ainda pra conseguir expressar isso artisticamente. Hoje em dia, a arte tem muito disso, o eu vem sempre em primeiro lugar, mas poucos artistas se expressam bem ou tem a maturidade para expressar isso. Japandroids esperou mais de uma década pra poder ousar fazer isso, eles seguiram o caminho dos grandes artistas, descobriram seu espaço em “Post-Nothing”, mudaram toda a mobília desse espaço, expandiram-no e o iluminaram em “Celebration Rock” e agora que puderam parar pra descansar, olharam para dentro de si mesmos. É o caminho de todo grande artista.

Não apenas conceitualmente ou liricamente o álbum é diferente de seus antecessores, mas é musicalmente também. “Near to the Wilf Heart of Life” apresenta elementos eletrônicos para reforçarem a atmosfera claustrofóbica em músicas como “I’m sorry (for Not Finding You Sooner” ou “Arco f Bar” e um violão (elemento acústico, olha só) em “True Love And a Free Life Of Free Will”, além é claro da presença de vocais femininos, no entanto ainda é Japandroids e isso é mais uma característica de grandes artistas. Eles conseguiram evoluir e mudar sem se perder no meio do caminho, como acontece com a maioria dos artistas hoje em dia.

Enfim, “Near to the Wilf Heart of Life” é mais um ótimo álbum dentro da fantástica discografia que o Janpandroids está criando e só me deixa ainda mais curioso com o que está por vir.

4 pontos

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Você se importa com o Grammy?

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Estava pensando há tempos em escrever algo sobre o Grammy, mas a procrastinação sempre acaba falando mais alto e eu nem comecei a elaborar o que escrever. Hoje saiu esse vídeo do Alta Fidelidade e eu decidi postá-lo aqui, porque sua opinião coincide em muitos pontos com a minha.

https://www.youtube.com/watch?v=kJZr__E-W8U

O duo que tirou as calças foi o Twenty One Pilots, que é uma enorme vergonha na história da música atual.

Discordo em relação ao Oscar, porque o Oscar também virou apenas mais uma apresentação, ninguém realmente se importa com o Oscar e vai levar só mais alguns anos pra cair no total ostracismo como o Grammy caiu.

E sobre as bandas alternativas, eu tenho a impressão de que essa denominação surgiu para ilustrar as bandas post-post-punk (ou meta-punk, se você quiser chamar assim), ou seja, aquelas bandas influenciadas por bandas pós-punk e que ainda continham elementos do punk no DNA de suas músicas e ninguém sabia como classificar isso direito, mas o problema é que foram surgindo outras classificações para essas bandas que não o alternativo, como o indie, o grunge e o emo. Essa conversa dá outro post, mas o termo hoje virou apenas um nome bonito pra qualquer banda de rock que não toque heavy metal.

Enfim, post diferenciado, mas amanhã sai um normal. Até!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Dica gourmet: cappuccino "3 Corações Classic"

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Cappuccino é bebida de fresco, todos sabemos, mas existe um que conseguiu adentrar o ambiente másculo matinal e se tornou, não essencial, mas um aceitável. Homem que bebe cappuccino não é mais tão fresco quanto antigamente, talvez seja mais introvertido, mas definitivamente, é tão homem quanto qualquer um.

E tudo isso é culpa do cappuccino 3 Corações.

Com uma receita simples, água quente e duas colheres, o cappuccino 3 Corações é econômico e, além disso, muito saboroso. Seu aroma é extremamente expansivo, podendo ser sentido de cômodos à distância, seu sabor é marcante, fazendo você sentir como se suas glândulas paliativas estivessem sendo beijadas por esse produto maravilhoso.

No entanto, para que esse review não fique muito curto, irei dividir minha receita secreta e a causa de problemas cardíacos na minha tenra idade de 20 anos: Uma xícara cheia de leite quente e várias colheres de sopa de cappuccino. Varia a quantidade de colheres de xícara para a xícara, mas, em geral, umas 4, o suficiente para criar uma camada grossa de cappuccino por cima do cappuccino comum. Essa camada irá ficar por cima, concentrando uma grande quantidade de pó semi dissolvido que não irá escorrer para a sua boca logo de cara, ficando para o final, te dando uma sobrecarga de sabor cappuccinesco logo de manhã.

É simplesmente bom demais.

Infelizmente, o preço é bem salgado, mas se você segue a receita à risca, então rende bastante. Agora um viciado exagerado como eu, consome a embalagem de 400 gramas em uma semana, teria um sério problema econômico, não fosse o problema de saúde. Sofro de ansiedade e depois de tanto consumir cappuccino comecei a ter um problemas de aceleração nos batimentos cardíacos e tal e agora só tomo nos finais de semana, notoriamente, nos sábados, assistindo um filminho pela manhã.

4 pontos

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Dica literária: "Elektra Assassina" (1986)

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A dica de hoje é do primeiro clássico da Marvel que eu tive o prazer de ler, isso há muito tempo atrás, “Elektra Assassina”, escrita por Frank Miller e desenhada por Bill Sienkiewicz. Li a primeira vez através de scans e acho até que indiquei num dos meus blogs anteriores a esse, mas não lembrava de muita coisa, lembrava que havia gostado muito, mas era mais pela arte fantástica do Bill do que pela história mesmo. Agora, numa edição belíssima da Panini, pude reler a obra e, com a mente um pouco mais treinada, pude absorver mais conteúdo do que antes e que obra!

“Elektra Assassina” conta uma história fechada da ninja assassina, longe das revistas do Demolidor, aqui, conhecemos um pouco do passado dela, enquanto ela está numa jornada para derrotar um demônio que quer, simplesmente, destruir o mundo todo. Esse demônio elabora um plano que confunde Elektra, fazendo-a matar um presidente sul-americano, um senador, até finalmente a ninja descobrir que o demônio habita o corpo do candidato democrata liberal à presidência dos EUA, Ken Wind.

O enredo da história é fantástico e por ele já dá pra se esperar algo totalmente não convencional. Miller ousa na narrativa apresentando a história através de diferentes pontos de vista, volta no tempo algumas vezes e explora perspectivas variadas, para isso, ele conta com a ajuda mais que essencial de Bill Sienkiewicz, dono de um talento artístico sem igual e aqui, em sua melhor fase, explorando diferentes formas de composição de cenas, diferentes formas de mídia, usando tinta, lápis, canetas, recortes e tudo o mais que ele podia usar e estivesse à sua mão na hora de criar os painéis que ilustram essa fantástica história. Um exemplo de como arte e escrito caminham juntos, lado a lado, nessa história, criando a narrativa, Miller sempre gostou de inserir pedaços de programas de TV em suas histórias, uma forma de demonstrar a alienação dos tempos modernos e também de apresentar a história narrada de diferentes pontos de vista, em TDK, temos telinhas abertas com balões saindo dela, uma forma eficaz porém totalmente convencional de apresentar o recurso. Aqui, o texto ocupa o espaço de quadros e ao lado somos apresentados às imagens que estão sendo apresentadas na tela da televisão, somos inseridos na ação de forma direta, o que reforça a imersão do leitor na história.

Olhando por essa ótica, da imersão, não há quadrinhos melhor para exemplificar isso. Não existem linhas separando os quadros, a arte simplesmente é feita num layout quadrado, há um espaço em branco separando os quadros, mas não linhas, ou seja, não há uma limitação clara e a arte não é muito descritiva, optando por ser mais expressiva, indicando sensações, sentimentos e ações pelas quais as personagens estão passando.

Os narradores também se confundem em muitas passagens e, se não fosse pela arte, seria praticamente impossível de acompanhar o ritmo da obra, que é frenético, mas ao mesmo tempo, ela é muito hermética. Não somos entregues ao que está acontecendo, os personagens não descrevem suas ações e estamos viajando junto com eles, caímos de paraquedas em seu mundo e presenciamos apenas suas conversas, ficando a nosso cargo extrair o sentido de forma indireta, ou seja, é um trabalho que exige muito do leitor.

Se você já viu outras dicas do blog, sabe que esse é o tipo de coisa que eu gosto, um trabalho desafiador, que exige do leitor tanto quanto exigiu dos seus autores, encaro isso como uma forma de compensação, afinal sempre achei meio injusto o cara levar meses pra fazer um livro e nós terminarmos de ler em dias ou semanas. Acho sempre interessante um projeto que exige releituras, apresentando sempre novas facetas cada vez que você o encara novamente, estou ansioso para fazer isso com dois outros livros (que ainda tenho que buscar na casa dos meus pais), mas pude fazer isso com Elektra Assassina e a experiência valeu a pena. É um livro e tanto.

O final parece meio forçado, mas todo o clima fantástico da história e o caminho que ela estava trilhando até o seu desfecho pediu uma eucatástrofe (conceito criado por Tolkien para o desfecho absurdo e feliz que se seguia a uma série de eventos desoladores e claustrofóbicos na narrativa), se é que podemos chamar assim. Ele não é aberto, mas deixa espaço para a especulação do que aconteceu depois, ficando isso, pura e exclusivamente, a cargo do leitor.

A nova edição da Panini está belíssima, não conheço as outras edições dos quadrinhos, que já foi publicado antes por aqui, acho que no formato de revista mensal mesmo, em 6 ou 7 edições e um formato de luxo, mas brochura. Essa edição é capa dura, o desenho da capa não é  o que eu escolheria pra capa, porque não representa o conteúdo ousado e fantástico da história, mas foi bem feito. Não há erros de diagramação, o tratamento está impecável e a qualidade do acabamento parece condizer, de verdade, com um formato de luxo.

Enfim, “Elektra Assassina” não é um quadrinho fácil, é uma leitura difícil, mas se você está acostumado a encarar uma leitura mais exigente e quiser se aventurar pelo mundo dos quadrinhos, essa é uma boa pedida. Não é necessário conhecer a história da personagem, nem ter acompanhado a revista em que ela apareceu antes (Demolidor), sendo uma obra fechada em si.

Recomendo bravamente!

4 pontos e meio

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Dica cinematográfica: "Mind Game" (2004)

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Acabei de assistir esse filme e ainda estou processando todas as informações, mas estou extasiado, então preciso escrever isso.

O post de hoje é sobre o filme de animação “Mind Game” de 2004, baseado no mangá de mesmo nome criado por Robin Nishi. É animado pelo mesmo diretor de “Ping Pong” e “Tatami Galaxy”, Masaaki Yuasa, um dos melhores diretores de animação vivos, sem sombra de dúvida. Pelos outros trabalhos do diretor, já dá pra esperar algo, no mínimo, intrigante.

Mas “intrigante” é muito pouco pra descrever essa obra de arte.

O filme acompanha Nishi, um mangaká de 20 anos de idade de Osaka, que está prestes a se mudar para Tóquio numa noite estranha em que ele encontra, por acaso, uma antiga amiga de infância (e sua paixão de sempre) Myon no metrô. Após isso, os dois decidem ir até o restaurante da família dela para jantar. Conhecemos a irmã de Myon e seu pai, além de dois obscuros homens que parecem pertencer a Yakuza. A partir daí a história segue por caminhos diversos e bizarros, envolvendo reencarnação, perseguição de carros, muitos tiros, uma baleia gigante e um ermitão.

Logo na apresentação do filme (o seu prólogo, talvez) percebemos que esse não será um filme convencional. Acompanhamos uma série de pessoas e acontecimentos, alguns envolvendo os personagens do filme, a maioria apenas imagens que mostram a vivacidade do mundo em que vivemos, lembrando um pouco a abertura do filme de Cowboy Bebop. A animação não é muito convencional, optando por esquemas de cores monocromáticos e o uso de ângulos pouco utilizados, inclusive o uso de primeira pessoa. Ainda nos primeiros minutos de filme, vemos a animação dar espaço para diferentes estilos de animação, 2-D, 3-D, rotoscopia... e se você não gosta disso, então não assista esse filme, pois só piora.

Ao longo da película, as diferentes técnicas de animação passam a ser utilizadas para explorar o estado de espírito de seus personagens, reforçando a subjetividade da história, deixando de conta-la de maneira linear, para dar espaço ao espectador de interpretá-la da forma como quiser. A narrativa é dispersa, mas imersiva, pois a animação (fluída e atraente) chama a sua atenção, mudando os pontos de vista da ação, criando situações bizarras e soluções mais bizarras ainda, indo e voltando no tempo, além de jogar na cara do espectador os elementos subjetivos que os personagens estão passando (ao invés de simplesmente nos apresentar o que eles estão pensando com falas de pensamento, o diretor nos mostra com cenas, o que eles estão pensando e isso, eu acho, muito louvável).

Não é um filme fácil, pois ele não te entrega as respostas na sua cara, no entanto, te satisfaz pois é um “exploitation de arte” (ou um art porn, se você preferir). Ele enche os seus olhos e te deixa extasiado com o que te apresenta. Todos os elementos trabalham em conjunto para isso, da animação impecável e diversa a trilha sonora, tão diversa quanto os elementos de animação utilizados, podendo ser classificada, no máximo (forçando bastante mesmo) como um fusion jazz, mas existem canções que fogem ao sub-gênero.

Sendo tão diferente, com uma história tão instigante e ainda assim envolvente, “Mind Game” é uma pérola dos filmes de animação, uma verdadeira obra de arte!

5 pontos