quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Pena de morte pra quê? e uma breve discussão acerca dos muçulmanos franceses ou que moram na França.

lonely-sunset-1444602-m


2015 mal começou e tivemos diversas notícias trágicas para escurecer nossos dias... Assassinato de jornalistas na sede de um jornal satírico francês. O primeiro brasileiro condenado à pena de morte foi executado na Indonésia, BBB teve sua pior estreia e tirando essa última notícia, as duas primeiras geraram comentários de todos os lados, que provocaram uma tempestade de pensamentos em minha mente.

Alguns deles, acho que vale a pena expor.

Nunca antes na história da França um evento moveu tantos civis às ruas, quanto o assassinato dos jornalistas do Charlie Hebdo logo no início do ano por muçulmanos extremistas que não gostavam das charges publicadas no jornal. Não só na França, em todo o mundo só se viam pessoas tirando fotos e postando em todo e qualquer lugar com plaquinhas, desenhos ou cartazes com as 3 palavras, que logo se transformaram numa representação do anti-terrorismo.

No entanto, eu sempre olho para esse tipo de movimentação popular com muito cuidado, afinal, olhando para isso tudo daqui é uma coisa, outra bem diferente é olhar isso tudo de lá, da França.

Para continuar, devemos ampliar nossa visão sobre a sociedade francesa como um todo, talvez até sobre a sociedade europeia e resgatar algumas informações recentes sobre o país. Há algumas décadas, o número de imigrantes têm aumentado nos países franceses, vindos de todas as partes do mundo, mas devido à proximidade e os conflitos existentes nessas regiões, há um número muito maior de pessoas vindas da África e do Oriente Médio.

Apesar da proximidade, as culturas dos países africanos e dos países árabes é muito distinta (lembrando que alguns países africanos também podem entrar na classificação de países árabes) da cultura europeia, gerando, naturalmente, um choque de culturas, tanto em quem já mora lá e de quem está indo morar lá.

Mais uma vez, olhando do ponto de vista do Brasil, isso não parece ser um grande problema, pois nós somos o melhor povo do mundo um povo muito receptivo e adoramos conhecer, misturar e adotar a cultura de outros povos (Você já deve ter visto uma família sem o menor traço oriental tirar os sapatos antes de entrar em casa ou uma família sem o menor traço africano ou nordestino preparar e admirar uma deliciosa feijoada), o que não acontece em países europeus, onde as pessoas são muito mais fechadas, até mesmo para os seus vizinhos de rua e onde qualquer passo diferente dado na rua é visto como estranho ou até mesmo bizarro.

Essa falta de receptividade gera um isolamento muito grande para as pessoas "diferentes", o que acaba resultando na criação de "guetos" (bairros ou regiões onde se concentram um tipo só de pessoas, como bairros de negros, bairros judeus, bairros chineses) e isso você já não vê no Brasil, por que aqui as pessoas conseguem manter a sua própria cultura e ainda interagir com a cultura dos outros ou a mais popular e tradicional.

Com os negros, muçulmanos, judeus, asiáticos e qualquer outra denominação que você conseguir achar para um grupo de pessoas que vêm de uma cultura diferente da do europeu, acontece exatamente isso na maior parte da Europa: isolamento. Eles se isolam em suas comunidades pequenas, mas que ainda assim não conseguem se sustentes sozinhas, afinal, nenhum homem é uma ilha e nenhuma comunidade é um país, por maior que seja.

Então, em uma certa quantidade de tempo, essas pessoas de outras culturas têm que interagir com outras pessoas, sair de suas comunidades e isso incomoda aqueles que pertencem à cultura mais tradicional. Incomoda ainda mais quando essas "comunidades" crescem vertiginosamente, como a de muçulmanos ou de nigerianos.

Alguma coisa deve ser feita para contê-los, já dizia Hitler, mas o líder nazista foi por um lado selvagem demais, totalitário demais, então a melhor maneira de contê-los é adotando formas mais "sagazes", porém igualmente agressivas, mas não uma agressividade física e sim moral ou psicológica.

Dessa forma são criadas políticas mais rígidas para a entrada de estrangeiros nos país, regras que proíbem a expressão das "pequenas diferenças" dessas culturas e, claro, a ridicularização deles. Tudo em nome da liberdade de expressão ou da segurança pública.

É uma estratégia vil, preconceituosa e antiquada, mas que ainda é praticada em grande parte do globo e engana-se quem acha que isso é coisa de países do terceiro mundo, os países, vulgarmente, chamadas de "desenvolvidos" (apenas do ponto de vista econômico, mas as pessoas entendem isso de outra forma) adotam isso aos montes e ninguém fala nada, por que? Simplesmente por que ninguém nesses países se importa, quem diria nós, que moramos do outro lado do oceano?

No entanto, vidas não deveriam ser tiradas por causa de um pedaço de papel, eu sei, mas não é por que alguém morreu que eu vou transformá-lo num mártir, ainda mais quando eu discordo tanto assim de suas ideias.

E foi notando a discordância das minhas ideias com as ideias de muitas pessoas que eu conhecia, que descobri que faço parte de uma espécie de extinção no mundo: A dos seres humanos com compaixão e que respeitam a vida, acima dos erros.

Este ano entra para a história como o ano em que o primeiro brasileiro foi executado no exterior ou ainda como o ano em que o primeiro estrangeiro foi executado na Indonésia. O motivo? Tráfico de drogas. O indivíduo? Um playboy metido de Copacabana que queria ganhar a vida fácil, aproveitando-se de tudo que podia em um paraíso tropical. A pena? Morte por fuzilamento.

Apesar de eu concordar quando dizem que o sistema carcerário é falho, não só no Brasil, mas no mundo inteiro, eu não posso concordar com a pena de morte.

Primeiro; minha religião não permite que eu concorde que mãos humanas podem dar fim a uma vida.

Segundo; a pena de morte não resolve nada. Pode botar medo na população, mas se você acredita que o tráfico deixa de existir por que há o risco de ser morto caso você seja pego com drogas, então você precisa rever o seu senso de justiça.

Para começar a discutir essa questão, temos que observar os tipos de traficantes que são presos. Basicamente tem dois: O "peixe-grande" e o "peixe-pequeno". O "peixe-grande" é aquele cara que domina o tráfico numa região, ele nem bota a mão nas drogas que vão ser comercializadas pelos becos da cidade, ele só ordena, comanda um monte de pessoas para fazer o seu trabalho sujo, entra em contato apenas com os chefões de outros países e possui amplos poderes, pois detêm em suas mãos os traficantes, os drogados, os habitantes da região onde mora, os policias e, às vezes, até os juízes. E por mais que isso pareça ficção, não é. Existe um "Peixe-grande" para cada bairro perigoso de São Paulo, Rio de Janeiro e demais cidades grandes do mundo. Os filmes, séries e livros apenas tratam de dar uma "romantizada" nesses tipos, que, na vida real, não usam terno, nem falam bonito ou dão beijo no rosto de seus apadrinhados.

Agora o "Peixe-pequeno" é o pobre coitado que entra no tráfico com o sonho de enriquecer, morar numa mansão, ter todas as mulheres aos seus pés e mandar em um monte de gente, iludido não só pela imagem popular do chefão do crime dos filmes, livros e séries, mas também pelo próprio "Peixe-grande". No entanto, num corredor da morte, quantos "peixes-grande" você encontra? Eu respondo, nenhum. Primeiro, por que "peixe-grande" raramente é capturado. Segundo, quando é capturado "peixe-grande" não é morto. No máximo fica lá, mofando na cadeia, esperando o dia do julgamento que nunca chega, por que juiz nenhum quer dar um veredito na pena de um "peixe-grande".

Mas "peixe-pequeno" é fácil ser julgado, ninguém se importa com eles, advogado nenhum quer defendê-los e juiz nenhum tem medo de dar uma sentença pesada de verdade para eles.

Por esses motivos, a pena de morte não resolve o problema do tráfico de drogas, por que quem comanda mesmo o tráfico não sofre essa sentença e consegue, sim, fazer a cabeça dos jovens miseráveis que irão se tornar "peixe-pequeno", aproveitando-se da ignorância alheia.

E apesar do brasileiro executado não ser a imagem clássica do "peixe-pequeno", ele era, sim, um "peixe-pequeno". Ele podia ser um playboy, ter uma família rica e não precisava daquilo para viver bem, tranquilo e sossegado, mas ele era um "peixe-pequeno" em sua mente, um cara iludido, que achava que ia poder viver numa mansão, de frente para uma praia paradisíaca, pegando todo tipo de mulher, de todos os cantos do mundo. Era ignorante igual a qualquer neguinho morto nos morros do Rio de Janeiro todo dia, a diferença é que ele tinha bem mais dinheiro que a maioria.

Mas não é só para conter o tráfico que a pena de morte se mostra eficaz. Não é raro achar estudos comprovando, através de estatísticas, que há um grande número de condenados à pena de morte inocentes, condenados injustamente. Mesmo que esse número não represente a maioria (e há controvérsias em relação à isso), nós estamos falando de vidas humanas, ainda que fosse 1 (um) caso de condenado inocente, já teríamos que rever a pena de morte.

Então, vem aquele que diz que "Bandido bom é bandido morto", que "bandido é tratado que nem coitadinho no Brasil", "que tinha que ser que nem nos EUA, onde os policias chegam descendo o cacete em quem rouba". De fato, no Brasil tem muito bandido sendo tratado como coitadinho, assim como tem muito bandido sendo tratado pior do que animal e eu não concordo com nenhum dos dois casos.

Eu concordo que o sistema carcerário está falido, mas eu vou além e digo que não é só o sistema carcerário brasileiro que está falido, é do mundo. No mundo todo, de um modo geral, transformamos policiais em animais raivosos e transformamos presos em algo pior do que lixo, pois até o lixo recebe tratamento adequado.

Aqueles que defendem essa ideia, tratam bandidos como crianças, fazendo de tudo para protegê-los de tudo e de todos, quando, na verdade, eles deveriam era entrar em choque com o mundo que os enfrenta, para fazê-los entender que eles fizeram algo de errado e fazê-los se arrepender, de verdade, para, enfim, buscar uma vida melhor.

Para tanto, é necessário explorar os presos de outras formas, fazê-los trabalhar, mas trabalhar de verdade, não ficar fazendo crochê em uma sala espaçosa e sim ficar quebrando pedra em alguma mina (não que isso seja um trabalho ideal, mas pra preso, o que mais ele poderia esperar?). Quando um ser humano se vê em choque com uma realidade dura assim, ele passa a pensar na vida e no que ele fez para estar ali. Se ele nasceu em uma realidade dura, ele não fez nada para merecer aquilo e se rebela, mas se ele fez algo, invariavelmente, ele ganha consciência de que fez algo errado e ai se arrepende. Ele muda.

Isso também está comprovado, basta ver a quantidade de instituições espalhadas pelo globo que puderam restaurar presos através de um trabalho gradual, lento, porém eficaz de reabilitação, o que é muito mais eficiente e até mesmo rentável, pois os presos dariam um certo lucro para o país, trabalhando "de graça" e não precisaríamos cumprir um ato de barbárie que é matar alguém.

Para finalizar, saindo um pouco dos argumentos racionais (que contam) e entrando na minha ínfima experiência de vida, vou escrever algo que me motivou a terminar este texto.

Quando você é criança, você não conhece o mundo e isso é o que importa, pois tudo é novo e aventureiro. Ao crescer um pouco e virar adolescente, você acha que conhece o mundo, mas você só vai começar a conhecer o mundo quando ficar adulto e sair de sua zona de conforto, pra valer. Para valer, um bom primeiro passo é começar a trabalhar, sair em busca de emprego nas ruas, conhecer gente de tudo quanto é tipo, entender por que o seu pai odeia tanto aquela mulher atrás do vidro no banco, perceber que você recebe muito mais que alguém que precisa daquele dinheiro bem mais que você, enfim... O mundo começa a se apresentar na sua frente e isso não é bonito.

Eu acabei de fazer 20 anos, não sei porcaria nenhuma do mundo, mas já vivenciei algumas experiências marcantes em que, pessoas que eu conhecia, morreram tragicamente. Não vou armar um draminha e dizer que eram meus amigos, não eram, afinal eram pessoas que eu via uma vez ou outra no trabalho, vi acompanhando a irmã de uma colega, pessoas distantes, mas que ainda assim, te fazem pensar na brevidade da vida quando a delas se vai, repentinamente.

Hoje mesmo, o sobrinho de uma das mulheres que fazem a faxina no local onde trabalho foi morto a facadas, por causa do quê? Envolvimento com drogas. O garoto tinha só 16 anos. Eu sei que eu não queria ter tido que reconhecer o corpo dele. Agora, pense nas notícias que você vê todos os dias, force um pouco a sua memória e tente se lembrar de algum caso parecido, não precisa ser na sua família, pode ser o primo de 2° grau da sobrinha da doméstica da sua casa, mas tente calcular quantas pessoas são mortas todos os dias no Brasil por que se envolveram com algum tipo de crime e então se pergunte: Pena de morte pra quê?

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Dica musical: "B4da$$" de Joey Bada$$ (2015)

Joey-Badass-Bada-B4.DA_..-album-cover


"B4da$$" é o primeiro álbum de estúdio de Joey Bada$$, lançado semana passada e impressiona, não só pela qualidade de Joey Bada$$ como rapper e compositor de músicas, mas também pelo potencial que ele aparenta ter.

Joey Bada$$ já lançou outros projetos através de seu coletivo de artistas de hip hop, o Pro-Era, como as mixtapes "1999" e "Summer Knights" e tem como premissa artística, se é que podemos chamar assim, restaurar um pouco do bom e velho hip hop, que vimos nascer e aflorar nos anos 80 e 90 nas ruas frias e sujas de Nova Iorque, usando samples de músicas de jazz, R&B e disco, além de focar as letras na mensagem que a música pretende passar, seja ela positiva ou negativa. O que Joey Bada$$ anseia fazer com suas músicas é alimentar os seus pensamentos.

Em "1999", ele entrou para o mundo da música de forma positiva, com uma mixtape recheada de canções com batidas agitadas, dançantes e um estilo lírico único, apropriando-se de suas origens caribenhas (seus pais não são de algum país da América Central), unindo palavras como os cantores de reggae fazem. Em "Summer Knights", ele decidiu lançar as músicas que não entraram em "1999", além de algumas novas, mostrando seu lado mais sério, romântico e menos festeiro, o que não agradou muito, ao menos a mim.

De lá pra cá, muita coisa aconteceu, como a ascensão do seu coletivo de artistas, o Pro-Era e o suicídio de um de seus integrantes e um de seus amigos mais próximos, o que mexe com qualquer um. Então, o que esperar desse CD? Ninguém sabia ao certo e isso só aumenta a excitação, claro, mas pode aumentar a decepção também.

O que, felizmente, não é o caso neste álbum. Como esperado, esse CD é mais sombrio do que "1999", no entanto, suas letras também são muito mais recheadas de referências, a mensagem é mais profunda, Joey Bada$$ até se deixa dar uma de Shakespeare e Fernando Pessoa ao juntar palavras de suas línguas diferentes e criar um alter ego para si.

As batidas não deixam a desejar, algumas são lentas, mas a maioria são bem marcantes, agitadas ou dançantes, aglomerando diversos ritmos e é possível ver uma clara influência do reggae em várias canções, além das óbvias influências de J Dilla e Nujabes.

Conforme o CD vai se aproximando do fim, a mensagem de Joey Bada$$ vai perdendo o tom revolucionário e filosófico, para ganhar um tom mais "familiar", mas tocante, criando rimas para seus pais e seus amigos, o que gera um clima sereno, apesar das batidas continuarem agitadas e dançantes, mas sem gerar um contraste gritante e perturbador.

Por falar em batidas, Joey Bada$$ abandona um pouco o seu lado "chato", de usar apenas batidas mais "orgânicas" e clássicas (old-school, sacumé, né?) e ousa usar batidas eletrônicas, mesclando-as com a sonoridade de instrumentos analógicos, mas se dando essa liberdade, de forma criar uma música mais inventiva e ousada.

Tudo isso contribui para construir um dos melhores CD's de rap dos últimos anos, sem exagero e isso vindo de uma pessoa tão nova, mas tão consciente de seu talento e suas limitações, apenas faz "B4da$$" ser ainda melhor.

5 pontos

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Dica cinematográfica: "O pequeno soldado" (1960)

Le_Petit_Soldat


"Le Petit Soldat" é um filme dirigido por Jean-Luc Godard em 1960, mas que só foi lançado em 1963, devido a um banimento que sofreu na época de suas filmagens.

É 1958, plena Guerra da Argélia e Bruno, um desertor do exército francês, que vive em Genebra se apaixona por Veronica Dreyer, uma mulher que trabalha para a Frente de Libertação Nacional (FLN). Um partido de extrema esquerda ordena a Bruno matar um jornalista político da rádio suíça, mas o desertor fracassa e decide fugir mais uma vez, dessa vez para o Brasil, junto com Veronica. No entanto, seu plano fracassa e ele é preso e torturado pela FLN.

Antes de mais nada, é preciso explicar um pouco sobre a Guerra da Argélia e tentar entender o contexto em que o filme se insere. A Guerra da Argélia, também conhecida como Revolução Argelina foi um movimento de libertação nacional da Argélia do domínio francês, vigente na época. Essa guerra é lembrada por ter definido a espionagem e o terrorismo modernos, caracterizada pelos ataques de guerrilha e atos de violência contra civis.

Em "O pequeno soldado", Godard expõe um pouco dessa realidade, ao seu modo claro, mas de forma nua e crua. Mostrando que o seu próprio vizinho poderia estar mantendo um inimigo em cativeiro e você nunca iria saber, até que sua janela fosse quebrada e tiros fossem ouvidos. Ele explora também a facilidade com que os atos de violência eram cometidos e como ninguém fazia nada para impedi-los, tanto de um lado, quanto de outro da Guerra.

Mas o que mais fica evidente no filme (e isso eu já não gosto tanto) é que este filme inteiro pode ser tido como uma carta de amor a Anna Karina. Foi através deste filme que os dois se conheceram e as declarações de Bruno nada mais são do que as declarações que Godard queria fazer para ele, servindo com um bode expiatório, caso a musa não quisesse nada com ele.

Enfim, deixando a melação de lado, esse filme é interessantíssimo do ponto de vista histórico, afinal explora uma guerra que até então era inexplorada. Foram quase dez anos de conflito e, até 1960, ninguém ousou explorar isso em um filme, o que torna esse clássico um filme imperdível, apesar da melação desnecessária.

3 pontos e meio

domingo, 25 de janeiro de 2015

Dica cinematográfica: "Unbroken" (2014)

2fa512ddfe67fe3564fd9f8f44b42926


Ou "Invencível" é um filme de 2014, mas que só foi lançado esse ano aqui no Brasil, dirigido pela maravilhosa Angelina Jolie e estrelado pelo incrível Jack O'Connel.

A trama retrata a história real de Louis Zampperini, um filho de imigrantes nos EUA, que tem sua promissora carreira olímpica como corredor interrompida bruscamente pela sua convocação como bombardeiro na 2° Guerra Mundial e, após um acidente com o avião em que estava, acaba caindo em pleno mar, ficando à deriva durante 47 dias, até ser capturado pelos japoneses.

Na primeira metade do filme, somos apresentados logo a um Louis servindo como bombardeiro (o cara que solta as bombas do avião), mas nas cenas mais desesperadoras, somos apresentados a infância e juventude de Louis, em que ele sofria por ser um estrangeiro, mas devido a insistência do irmão, acaba entrando para o time de atletismo do colégio, mudando a sua vida. A partir daí, Louis começa a fazer parte do time de atletismo, batendo recordes como corredor de longa distância e conseguindo um lugar nas Olimpíadas de 1936, a qual ele termina em 8°, mas com uma ótima recuperação na última volta, o que acaba chamando a atenção até mesmo da mídia internacional.

Desde o começo, Louis não planeja chamar muita atenção em sua primeira Olimpíadas, planejando vencer com tudo as Olimpíadas seguintes, no Japão. No entanto, devido a 2ª Guerra Mundial, sua carreira sofre uma interrupção e ele é convocado para servir. Um dia, o avião em que estava sofre um acidente e cai em alto-mar, ficando a deriva por 47 dias, algo muito explorado na primeira metade do filme, até que ele é capturado por um navio japonês e vira prisioneiro de guerra.

A segunda metade do filme é toda dedicada a mostrar a trajetória de Louis como prisioneiro, muito forte e ainda assim bela, pois; além da promessa de Louis de ser devoto a Deus caso sobreviva, gerando uma ótima metáfora visual no final do filme; essa parte do filme se concentra muito na luta pessoal dele, de se manter íntegro aos seus ideais, sempre de cabeça erguida e respeitando o próximo, mesmo que ele não te respeite.

O final termina de forma extremamente positiva e tocante, não só pelo fato de Louis ter sobrevivido, cumprido suas promessas e realizado seus desejos, mas também pela interpretação dos atores, extremamente convincentes e recheada de emoção, amor mesmo por estar trabalhando neste filme e a direção, que revela uma Angelina Jolie muito sagaz atrás das câmeras, além de Jack O'Connel mostrando que é um dos melhores atores em atividade.

A fotografia é muito boa também, gerando aquele clima clássico de filmes de guerra, com tonalidades em sépia e tal...

A trilha sonora não é nada que se sobressaia ao filme, mas acompanha muito bem as cenas, criando o clima perfeito para gerar algumas lágrimas no canto dos olhos.

Enfim, "Unbroken" é um ótimo filme, um dos melhores filmes de guerra que já assisti e que merece muito, mas MUITO mais atenção do que está recebendo.

4 pontos e meio

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Dica gamística: Pokemon Omega Ruby & Alpha Saphire

pokemon-ruby-sapphire-remake


Enfim, estou jogando Pokemon Omega Ruby desde o ano passado e, finalmente, decidi fazer uma dica deste jogo no blog, que o remake da bem sucedida terceira geração de jogos Pokémon (que inclui o Pokémon Ruby, Saphire e Emerald). Para mim, a última geração que vale a pena dos jogos Pokémon.


Como um remake, esse jogo impressiona, sendo melhor ainda que X e Y, que se sustentavam como um dos melhores jogos da franquia, apenas pelas suas inovações, mantidas nesses jogos.


A história é a mesma dos jogos originais, que por fim é a mesma de todos os outros jogos da série, com a diferença de que aqui você chega em uma cidade pequena, vindo de outro continente, Johto, criando uma relação com a geração anterior, mas não tão bem feita como na segunda geração. No entanto, temos muita surpresas aqui, como um novo arco de histórias no pós-game, que não existe nos jogos originais, mas perdemos a Battle Frontier, algo que tinha nos jogos originais da terceira geração e era aguardada com grande expectativa pelos fãs.


Outra mudança, ou melhor, mudanças, são os novos sistemas que incrementam a experiência de jogo, como o sistema de localização de pokémon, o sistema de aproximação furtiva, o sistema d ebatalhas incrementado (agora além dos treinadores encontrados ao longo da jornada buscarem revanche, sua IA permite que seus pokémon evoluam de batalha em batalha, criando oponentes cada vez mais fortes e para sempre disponíveis), as bases secretas, a habilidade "planar" dos lendários Latios e Latias, que pode ser utilizada independentemente da presença deles ou não no seu time, enfim... São tantas novidades, que você se pega mais interessado em explorá-las do que em coletar insígnias de ginásios, objetivo que acaba ficando em segundo plano mesmo, já que é dada uma atenção ainda maior aos pokémon lendários, como Kyogre e Groundon, cercados de "mistérios" (que não são realmente já que sabemos o que eles podem ou não fazer e o que vai acontecer com eles).


Por falar em lendários, uma penca deles está disponível para ser capturada no jogo, como Ho-oh, Lugia, Deoxis, Reshiram, Azelf, enfim... uma penca deles, em locais específicos de Hoenn, às vezes, horários também. Algo que só incremente ainda mais a experiência positiva com o game.


Mas claro, estamos falando de um jogo da Nintendo, então ele não pode ser perfeito, muito menos para brasileiros. Se você quiser capturar Latios e Latias (os dois), você precisa de um ticket especial que só é distribuído em lojas certificadas pela Nintendo ou através do maldito Street Pass (uma funcionalidade brilhante e que funciona muito bem em locais onde a Nintendo quer construir um público, mas num local como o Brasil? Esquece...).


Também é possível notar que o jogo foi feito para um hardware mais potente que o do Nintendo 3DS, pois é notável a presença de lags em determinados momentos de jogos, como nas batalhas rotatórias, e isso desconectado da internet.


É interessante notar que os jogos de Pokémon estão abandonando a mesmice cansativa e inovando, para melhor, adicionando recursos interessantes que incrementam a experiência de jogo, aproximando a Nintendo ainda mais de seus contemporâneos.


Enfim, Pokémon ORAS consegue entrar facilmente no topo dos jogos Pokémon, ao lado dos outros remakes Heartgold/Soulsilver e Firered/Leafgreen, um lugar que não é conquistado apenas com inovações tecnológicas, mas com inovações úteis dentro do jogo.


5 pontos

domingo, 18 de janeiro de 2015

Dica cinematográfica: "Whiplash" (2014)

whiplash-poster


"Whiplash" é um filme de 2014 e, provavelmente, um dos poucos filmes que realmente mereciam estar no Oscar (ao lado de Princesa Kaguya que eu ainda não assisti, mas com certeza é melhor que qualquer filme de animação CG feito no ano passado).


O filme conta a história de Andrew, um solitário estudante de música no melhor conservatório do país, que sonha em ser o melhor de sua geração e marcar seu nome na música, assim como seus ídolos. Para tanto, ele precisa entrar com o melhor e não pensa duas vezes ao ser convidado pelo reverenciado e impiedoso mestre do jazz Terence Fletcher para a orquestra principal do conservatório, uma experiência que exige uma mudança profunda de Andrew, tanto profissionalmente como pessoalmente.


Já garanto de antemão, esse filme é demais, com uma trilha sonora impressionante, enquadramentos perfeitos, uma fotografia deslumbrante e uma cena final que merece entrar na história, fazendo uso de uma excelente metáfora para levar ao final glorioso, mostrando o amor puro entre pai e filho e suas consequências milagrosas, criando paralelos com a trajetória do herói e o crescimento do homem, sendo necessário um amor fraterno e puro (vindo do pai), porém um amor desafiador, incompreensível e sujo (vindo do mentor), para que você possa crescer.


Não é necessário dizer muita coisa sobre ele, afinal o filme tem quase duas horas, mas passam como se fossem 40 minutos, por que ele consegue te manter preso na cadeira, assistindo e se deliciando com as cenas, intercalando cenas musicais (com os músicos tocando, criando um jogo de câmeras vibrante, até violento, mas que funciona muito bem, levando-se em conta a construção que leva até essas cenas) com cenas de diálogos entre personagens, apresentando seu passado, sua história e seus dramas, o que é uma maneira muito interessante de se fazer isso, pois não cansa o telespectador, que é apresentado a apenas o necessário para simpatizar com cada um dos personagens, até mesmo com o babaca do Terence Fletcher.


Enfim, "Whiplash" é uma excelente obra de arte, um filme que eleva o cinema a outro patamar, ele está em um nível completamente diferente. Ele excita e te entretêm, como as porcarias dos blockbusters gostam de pensar que fazem, mas não perde o seu valor artístico, por que afinal é isso que o cinema é: arte.


5 pontos

sábado, 17 de janeiro de 2015

Dica literária: "Klaus" de Felipe Nunes

Klaus


Klaus é a primeira graphic novel publicada através de uma editora por Felipe Nunes, o mesmo autor de Orome.


A sinopse segue assim: Klaus é um menino de catorze anos, que assim como todos de sua idade, se sente um pouco diferente do mundo que o cerca. Agora, ele precisará lidar com os meandros da passagem da adolescência para a vida adulta, enquanto descobre que suas diferenças com os outros não são meramente um acaso, mas algo estranhamente oculto que está prestes a se revelar.


Aqui está o trunfo da história, Klaus é um menino vivendo num mundo dominado pelos animais, acreditando ser um tigre com desvio de genes. Para ele, assim como para todos os outros animais de sua cidade, os seres humanos são apenas um mito, mas a visita de outro ser humano na cidade, faz Klaus questionar suas origens e buscar a verdade sobre o seu passado.


Não quero estragar a surpresa que são as últimas páginas dessa HQ, mas devo dizer que seu final é um pouco anticlímax, não que isso estrague a história, no entanto acaba levantando mais perguntas do que solucionando.


A arte do Felipe Nunes também é muito boa, sendo um traço bem limpo, porém com personagens bem caricatos, o que gera uma estranheza num primeiro olhar, mas é belo, principalmente se você parar para admirar o enquadramento que o autor utiliza, flertando com a luz e sombra (a HQ é toda em preto em branco, então isso se torna um fator decisivo para a construção da atmosfera), além da ideia de movimento e passagem de tempo, presente na movimentação das folhas das árvores e outros elementos do cenário.


Enfim, Klaus é uma ótima HQ, escrita e desenhada por um jovem autor, que prova em Klaus ter muito talento e criatividade sobrando.


4 pontos

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Dica televisiva: "Mushishi Zoku Shou" (2014)

58533


Já falei de "Mushishi" aqui, esta é a segunda temporada desta fantástica série.

No anime, "mushi" são formas de vida onipresentes, que se manifestam no mundo físico de diferentes formas, interagindo com os seres humanos de forma pacífica ou não. Os "mushi-shi" são pessoas com vasto conhecimento de mushi e que trabalham para restaurar o equilíbrio entre mushi e humanos, quando o mesmo é perturbado de um lado ou de outro.

Assim como na primeira temporada, acompanhamos as aventuras de Ginko, um misterioso mushi-shi que atrai mushi, como declarado na primeira temporada, e por isso está sempre fumando um cigarro, de onde sai uma fumaça que funciona como repelente de mushi. Ginko atravessa montanhas, caminha pelas praias e dorme nos mais diversos vilarejos, conhecendo pessoas interessantes, com histórias intrigantes, sempre envolvendo um mushi diferente.

É por essa narrativa diferenciada que Mushishi chama a atenção. Os episódios são fechados e raramente vemos um personagem mais de uma vez ao longo da série, sendo possível assistir qualquer episódio, sem se preocupar com a ordem (até mesmo os episódios que contam sobre o passado de Ginko podem ser assistidos fora de ordem). Em cada episódio conhecemos uma história diferente, com um significado e lição diferentes, podendo passar despercebidas num primeiro momento, mas estão presentes, com certeza.

No entanto, este tyalvez seja um dos motivos de Mushishi não ser tão popular, pois suas mensagens nem sempre são alegres ou divertidas, às vezes são duras, porém necessárias, envolvendo a responsabilidade de cada um, reconhecer nossos erros e defeitos e até a pedir perdão.

Em mushishi tudo trabalha de forma harmoniosa, a animação é bem fluida, os cenários são um pouco apagados, sem muitos detalhes ou nitidez, mas isso só reforça o ar onírico que a série pretende passar e a trilha sonora é simplesmente deslumbrante, recheada de instrumentos orientais tradicionais, tocando em um ritmo lento e ritmado, provocando a nossa imaginação.

Se existe um defeito em Mushishi é que ele é curto demais, gostaria que cada episódio tivesse 50 minutos, mas não dá. Felizmente, ainda tem um pouco de Mushishi pela frente, afinal o seu filme será lançado ainda esse ano e eu já estou no aguardo.

4 pontos e meio

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Dica literária: "A dama do lago" de Raymond Chandler

dama-do-lago


"A dama do lago" é um livro escrito por Raymond Chandler e publicado pela primeira vez em 1943, naquela longínqua época em que se escreviam clássicos a torto e a direito.


Phillip Marlowe é um detetive particular contratado por Derace Kingsley, um rico dono de uma marca de cosméticos, para encontrar sua esposa desaparecida há, mais ou menos, um mês. Sua esposa, Crystal, havia abandonado-o, deixando um bilhete de despedida, dizendo que fugiria com o seu amante, Lavery. Kingsley nem se importa mais com seu casamento e aceita a traição de sua esposa, mas um dia, ele esbarra com Lavery na rua e lhe pergunta como estava sua esposa, ao que Lavery responde não saber do que ele estava falando. Então Kingsley começa a ficar preocupado, pois Lavery era o tipo de canalha que gosta de se gabar de suas aventuras sexuais, então acaba contratando o detetive particular Phillip Marlowe, que vai ao lugar em que Crystal foi vista pela última vez, uma casa de campo à beira de um lago, onde ele acaba encontrando o corpo de uma mulher, mas não é o de Crystal e, sim, o de Muriel Chess, esposa do caseiro que tomava conta da casa de campo de Kingsley. Começa então a investigação de Marlowe em busca de respostas para os dois casos, que, aparentemente, não tem ligação alguma, mas são estranhamente relacionados, encontrando no meio do caminho tiras inconvenientes e corruptos, ricos muito suspeitos e uma penca de casos extra-conjugais, em uma trama extremamente intricada.


Quando eu li a sinopse do livro na contra capa e vi que se tratava de um livro de Phillip Marlowe me veio logo à mente um dos melhores filmes da história do cinema: "The Long Goodbye", então já fui logo comprando, por que queria muito começar a ler a série de filmes policias de Raymond Chandler e confirmar que, sim, eles são muito bons.


Em "A dama do lago" somos apresentados á uma trama extremamente intrincada, com 2 assassinatos e várias pistas aparecendo de todos os cantos, conectadas à um caso, à outro ou a nenhum, aparentemente.


Aparentemente, por que no final tudo se encaixa brilhantemente, criando um legítimo mind blow.


É claro que o livro parece deixar algumas pontas soltas, mas que podem facilmente serem deduzidas pelo leitor, até por que não são importantes para a resolução do caso, tampouco para a história, não diminuindo o valor deste livro excepcional.


Outro fator positivo para o livro é sua narrativa, um pouco lenta num primeiro olhar, sim, toda a ação do livro ocorre num intervalo de poucos dias, mas que nunca perde o interesse do leitor, por que quando a investigação não avança, seja por uma nova pista ou informação relevante, temos os diálogos impressionantes e bem construídos para saciar o entusiasmo com o livro.


Fazia tempo que eu não terminava de ler um livro, dizendo: "Putz grila, que livro bom!".


Enfim, "A dama do lago" está mais que recomendado, apesar de sua edição pela L&PM pocket ser bem fraquinha (tem vários erros de português, alguns de concordância devida à má tradução, imagino eu), mas que pela ótima trama, narrativa impressionante e personagens marcantes vale a pena ser lido.


4 pontos e meio

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Dica cinematográfica: "The guest" (2014)

THE GUEST


"The Guest" é um filme de 2014 do gênero suspense, com um pé no experimentalismo gostoso que faz este filme ser tão interessante.


Na trama, conhecemos David, um soldado que acabou de ser liberado pelo hospital do exército americano e vai até a casa da família Peterson, dizendo que serviu junto com o filho deles, morto em combate. Logo, ele ganha a simpatia de todos na casa e é prontamente acolhido por eles, no entanto, após uma série de assassinatos entre colegas e conhecidos da família, suspeitas começam a se levantar em torno desse estranho convidado.


O filme começa bem clichê, apresentando uma família que ainda sofre com os traumas indiretos da guerra (no caso, a perda dos filhos), cheias de seus problemas pessoais e até ordinários, típico de toda família, ao mesmo tempo em que chega um estranho, marcando o momento em que suas vidas começam a mudar, contando com a intervenção dele ou não. Apesar do olhar de psicopata que David apresenta desde o começo, é impossível não simpatizar com ele, afinal o cara é muito legal.


E à partir do meio do filme, a película começa a apresentar a sua verdadeira faceta, explorando ângulos diferentes, às vezes estranhos para cenas de ação, luzes e cores bem marcantes, às vezes contrastantes e até absurdas para o cenário em que eles estão, mas nunca é desnecessário, visto que são elementos que reforçam a criação de uma atmosfera de suspense e ação.


Por falar em ação, o filme não poupa em violência, apresentando-a de forma crua, seca, chegando a ser brutal, às vezes. Em outros momentos, é tamanha que chega a parecer cômica, isso fica mais acentuado no final do filme, que é, inclusive, um grande tapa na cara do telespectador.


O seu final, simplesmente, implora por uma continuação e eu até consigo imaginá-la, prosseguindo do ponto onde o filme parou, iniciando uma perseguição por todo os EUA, terminando no México e repetindo a história desse filme num terceiro, só que no vizinho latino dos porcos capitalistas.


Enfim, esse filme foi uma grande surpresa para mim, que não tava dando nada pra ele, mas conseguiu me divertir, me eletrizar e ao mesmo tempo me deixar esperançoso e ansioso por uma continuação.


4 pontos


quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Dica cinematográfica: "Samurai X: Kyoto Inferno" (2014)

cover19


Enfim é lançada a continuação do melhor filme adaptando outra mídia que o mundo já viu: "Samurai X: Kyoto Inferno"; é a continuação de Samurai X, o já clássico filme de 2013.


Eu não assisti, nem li o material original, então não tenho muita bagagem para falar, como fã, o que achei desse filme, então vou falar dele, apenas como continuação de um dos meus filmes favoritos.


Na trama, Kenshin está vivendo com Kaoru e seus amigos na escola de kendo da moça, até que ele é solicitado pelo novo governo para derrotar o samurai Sishio Makoto, um homem munido de puro mal e que quer derrubar o governo Meiji, já bem estabilizado no período da história. Mais uma vez, Kenshin deve empunhar sua espada para deter o mal, enquanto um novo rival surge, Sojiro, um samurai que jurou vingar-se do samurai com a cicatriz em cruz.


Este filme, funciona mais como um prólogo, um prelúdio para algo ainda maior, que será o seu terceiro filme (lançado no Japão quase que simultaneamente ao primeiro), apresentando personagens, reforçando a trajetória do herói, os dramas pessoais de cada um e convencendo o espectador de suas tomadas de decisão. Tudo isso é feito com bastante calma, sendo apresentado aos poucos para quem assiste, o que pode parecer um pouco chato, mas promete compensar a espera.


Aliás, todo esse tempo tomado para desenvolver a trama é muito bem utilizado, conhecemos as razões de Sishio e elas convencem, nem tanto por fazer você se compadecer com o personagem, mas por fazer você entender que ele é um louco, um vilão de verdade, conhecemos as razões de Sojiro, seu passado, seu sofrimento e isso também convence. Kenshin deve masi uma vez empunhar sua espada com relutância, mas a crueldade a qual ele (e nós) somos apresentados, acabam nos convencendo também, das suas ações.


O filme tem mais uma vez um prior técnico soberbo, com planos abertos, ângulos originais, além de um balanceamento incrível de elementos em todas as suas cenas, que são verdadeiros colírios para os olhos. Resumindo; o filme é bonito demais, esteticamente falando.


Sua trilha sonora também é marcante, muito bem pontual, auxiliando, ou melhor, complementando a criação da atmosfera desejada em suas cenas, sem se sobrepondo demais ao filme, porém fazendo parte dele, funcionando em conjunto com ele, sendo difícil imaginar como determinadas cenas seriam sem ela.


Assim como o seu antecessor, "Samurai X: Kyoto Inferno" é um filme maravilhoso, mesmo que seja um pouco menos eletrizante que o primeiro, é compreensível, levando-se em conta que essa é a introdução a algo maior, uma introdução com muitas reviravoltas, diga-se de passagem, fazendo a antecipação para o glorioso desfecho final crescer ainda mais.


4 pontos e meio

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Dica literária: "Astronauta: Singularidade" de Danilo Beyruth

Astronauta-Singularidade-Capa


"Astronauta: Singularidade" é o segundo quadrinho da segunda leva de quadrinhos da Graphic MSP, continuação de "Astronauta: Magnetar", o primeiro quadrinho da bem-sucedida Graphic MSP.


Neste volume, o Astronauta sai em missão para investigar uma anomalia próxima a um buraco negro, junto com uma psicóloga da BRASA e um astronauta gringo misterioso.


Eu não li o primeiro volume ("Astronauta: Magnetar") e sei que deveria lê-lo, por que muitos falam bem desse quadrinho, mas por enquanto não li e vou fazer essa dica, analisando apenas esse volume. Alguns detalhes têm (ou parecem ter) relação com a edição antiga, mas nada que atrapalhe um "novo" leitor, como eu. Existem algumas explicações científicas meio didáticas ao longo da história, o que não a atrapalha, por que são muito bem colocadas, em momentos-chaves da história. Outro ponto muito legal são as referências, que mesmo que pequenas continuam presentes e são muito legais, pois te faz lembrar do antigo personagem que Maurícia de Sousa criou, só que sem os elementos humorísticos.


No entanto, para mim, "Astronauta: Singularidade" tem um defeito grave: sua narrativa. Na maioria das páginas, somos guiados pela história através de quados largos, que se estendem de um extremo ao outro da página, compilando 3 ou 4 quadros por página apenas, sem muito texto, o que faz com que a narrativa pareça ser muito corrida. E eu entendo que isso faz parte do estilo do autor, eu respeito, só não gosto.


Gosto não se discute, só se lamenta.


Em relação a arte, sem surpresas, está incrível, o estilo de desenho de Danilo Beyruth é muito bom, meio rascunhado, porém muito rico e as cores foram feitas por Cris Peter, uma artista que eu admiro a um bom tempo, por que ela é muito boa, preenchendo lacunas na arte, adicionando detalhes e criando uma ambientação perfeita para o sentimento que o desenhista quer passar.


Enfim, "Astronauta: Singularidade" tem alguns defeitos, na minha opinião, que podem não ser defeitos dependendo do seu gosto, mas ainda assim é bom, uma leitura interessante para uma tarde preguiçosa e também para completar a coleção, que tá ficando cada vez mais bonita.


3 pontos e meio

2014 in review

The WordPress.com stats helper monkeys prepared a 2014 annual report for this blog.



Here's an excerpt:
A San Francisco cable car holds 60 people. This blog was viewed about 460 times in 2014. If it were a cable car, it would take about 8 trips to carry that many people.

Click here to see the complete report.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Dica cinematográfica: "I Origins" (2014)

I_Origins_poster


Fazia tempo que eu não terminava de assistir um filme pensando: "Putz grila! Que filme foda!". O único problema é que será extremamente difícil escrever essa dica sem adicionar spoilers, portanto, se prepare.


"I origins" conta a história de um biólogo molecular chamado Ian Grey. Ele sempre foi fascinado pelo olho humano e sempre que conhece alguém tira uma foto de cada um dos olhos dessa pessoa e trabalha desenvolvido um estudo que consiste em provar a evolução dos olhos de animais, desde um animal sem olhos até o desenvolvimento de olhos, a fim de refutar a pseudo-prova que criacionistas usam para anular a teoria da evolução; a de que olhos são sistemas tão complexos que seria impossível existirem sem a presença de um criador.


Numa festa da faculdade, Ian conhece Sofia, uma garota ousada e bonita, que logo chama a sua atenção e o relacionamento dos dois seria uma maravilha, não fosse por um fator: Ela acredita em Deus, já Ian não e os dois sempre discutem por causa disso.


Após uma discussão no dia em que os dois se casaram, Sofia morre de forma trágica. Ian sente-se horrível por nem ter tido a oportunidade de se despedir da mulher e algum tempo depois, sua assistente no laboratório, Karen o faz ir até o local de trabalho dos dois, mostrando que eles conseguiram desenvolver um olho em uma minhoca.


7 anos depois, Ian e Karen estão juntos, ela grávida, ele lançando um livro com seu estudo, derrubando uma das mais antigas refutações dos criacionistas.


O bebê dos dois nasce, sua retina é catalogada em um banco de dados mundial que contém a retina de milhões de pessoas e tudo corre bem, até que eles recebem uma ligação suspeita de uma doutora (uma das 5 pessoas no mundo com acesso aos dados do banco de dados de retina), dizendo que o filho deles tinha suspeita de ter autismo. Ian acha isso suspeito e os testes que a mulher faz com seu filho ainda mais suspeito e após uma pesquisa, ele descobre que o padrão da iris de seu filho era igual ao de um fazendeiro negro em Nebraska (acho).


Isso é extremamente estranho, já que o padrão da iris é único em cada ser humano. Detalhe: O fazendeiro morreu dez meses antes do nascimento do filho de Ian. Após um rápida pesquisa, ele descobre que o padrão do olho de sua ex-mulher Sofia também tinha um gêmeo, só que na Índia.


A grande questão no filme, ao meu ver, parece ser a existência de algo superior, um ser supremo que criou o universo, algo além da nossa compreensão. Deus, deuses, um panteão de divindades, isso não importa, até por que ao longo do filme não sabemos qual a religião de Sofia, mas sabemos que ela acredita no mundo espiritual, em vida após a morte, ressurreição, reencarnação até.


E conforme o filme avança para o final, parece que ele começa a pender para esse lado, da crença em algo espiritual, perto do final perdemos nossas esperanças para, enfim, recuperarmos ela.


O filme tem uma narrativa muito boa, sem forçar os momentos a acontecerem rápido demais, tudo é explorado com bastante calma e maestria. Em nenhum momento ele é didático, tornando-se chato, muito pelo contrário, os momentos onde outros filmes cairiam em uma encenação entediante entre ciência e religião, acabm cedendo espaços para discussões recheadas de metáforas e paradoxos.


Todos esses elementos, unidos a uma ótima fotografia, excelentes atuações fazem deste filme uma ótima obra de arte, que mescla diversos temas, flertando com a ficção científica, religião e drama pessoal ao mesmo tempo.


Há claro, alguns defeitos, como cenas e situações forçadas, meio absurdas, mas isso é ficção, caramba! Qual o problema com um pouco de absurdo, afinal?


4 pontos e meio

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Dica cinematográfica: "Projeto China" - 1983

projeto china 1983


"Projeto China" é um filme escrito e dirigido por Jackie Chan, feito em 1983 e faz parte de uma série de 3 filmes feitos em parceria com Sammo Hung e Biao Yuen.

O filme se passa em Hong Kong, no final do século 19 e, apesar da rivalidade existente entre a marinha e a polícia da época, todos os marinheiros são obrigados a fazer parte da polícia, incluindo o rebelde marinheiro Dragon Mi Young, sob o comando do Capitão Tzu. Tudo isso devido a uma série de cortes no orçamento público, causados por uma série de ataques a navios por grupos piratas. A polícia acaba encontrando uma relação entre os piratas e um grupo de criminosos de Hong Kong, forçando o grupo de marinheiros voltar a ativa, mesmo que num trabalho extra oficial.

Este filme é um dos primeiros trabalhos de Jackie Chan na direção e é fácil perceber que este filme não é nenhuma obra-prima, mas contém várias cenas incríveis e já conta com o primor técnico e perfeccionista de Jackie Chan.

Tudo isso recheado com uma dose de humor muito grande, sendo um dos filmes mais engraçados que eu já assisti do diretor, o primeiro sendo o clássico (e também fruto da mesma parceria que resultou esse filme); "Detonando em Barcelona".

Enfim, esse filme não nenhuma obra-prima, mas é ótimo, engraçado e com cenas de ação extremamente excitantes.

3 pontos

domingo, 21 de dezembro de 2014

Dica cinematográfica: "Before I Disappear" (2014)

Before-I-Disappear-Poster


"Before I Disappear" é um filme melodramático/indie/alternativo de 2014.

Conta a história de Richie, um cara que desiste de viver por causa da sua ex-namorada (supostamente morta), mas antes de cometer o ato final, ele recebe uma ligação de sua irmã, pedindo para ele cuidar da sobrinha, por que ela foi presa. Os dois não se falavam há anos e rever sua sobrinha foi como conhecer alguém novo. Richie passa a cuidar de Sophia durante toda a noite, descobrindo aos poucos uma nova vontade de viver, não por ele, mas pelos outros.

O filme não é nenhuma obra-prima do gênero como os brilhantes "Se enlouquecer, não se apaixone" e "A arte da conquista", mas consegue se destacar por algumas qualidades, que chegam até a superar os "clássicos" do gênero em que se enquadra.

Uma delas é o olhar técnico do diretor, usando aquele enquadramento perfeccionista que saudou diretores como Kubrick e Wes Anderson, equilibrando os elementos, centralizando os personagens no meio do quadro, mas acaba errando a mão em alguns momentos em que um personagem fica de costas enquanto fala ou é cortado apenas para mostrar um dos dois personagens principais.

Outro ponto positivo da obra são as cenas surreais que se intrometem ao longo da película, mas sem perder completamente o sentido em relação à história, até por que Richie se droga, então faz sentido ele sofrer algumas alucinações ao longo da noite. Uma das cenas que mais chama a atenção é a cena em que Sophia dança no meio da pista de boliche e, aos olhos de Richie, todos parecem acompanhá-la.

Também não tem como não ficar com a sensação de que esse filme se trata de uma sucessão de videoclipes, alguns bons, outros nem tanto, isso por que a trilha sonora é muito presente, mas para mim, não é tão boa. Algumas músicas são ótimas, outras nem tanto.

Enfim, esse é um filme bem equilibrado, conta com ótimas atuações, muito convincentes e uma abordagem interessante dos dramas pessoais de seus personagens. Por essas e outras, o filme é uma boa pedida para passar esse final de ano de forma calma e relaxada.

3 pontos

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

As melhores dicas musicais de 2014

Chegou aquela época do ano cheia de listas opinativas dos melhores álbums do ano, melhores músicas do ano, melhores filmes do ano, que ninguém vai ouvir daqui alguns anos, mas aqui, eu decidi trazer aqueles álbums que eu escutei há muito tempo e continuo escutando, além de ter indicado eles no blog, com exceção de um álbum, que na época não de lançamento não dei muito valor, mas vira e mexe, paro para escutá-lo.

E é com esses dois álbums que abro a lista de melhores CD's de 2014:

mac demarco salad days


O que dizer desse CD delicioso do Mac Demarco? É um indie despretensioso, muito influenciado por bandas lá dos anos 90. Suas canções são marcadas pelos riffs de guitarra, que lideram a maioria das melodias, além de serem, de um modo geral, curtinhas, então não tem como enjoar das músicas que Mac Demarco criou. Confesso que não conhecia o artista antes de "Sallad Days", então posso ter sido apresentado a uma sonoridade diferente da usual dele, ou não, quem sabe? O que importa é que eu achei esse álbum muito equilibrado, gostoso de ouvir e merece estar nessa lista.


OLE-1068-Iceage-Plowing_Into_The_Field_Of_Love


Apesentando um som mais sofisticado e regular, "Plowing into the field of love" pode ter levantado algumas dúvidas na cabeça de seus fãs mais assíduos, no entanto, após o seu lançamento, fica claro que o Iceage ainda é Iceage, com apenas mais influências e um requinte maior, o que tem apenas a acrescentar para a banda, abrindo novos e interessantes caminhos para eles.


theophilus-london-featuring-kanye-west-cant-stop-snippet


Criando batidas poderosas, usando sua ótima voz, num conceito muito interessante, Teophilus London consegue chamar e prender a atenção com "Vibes", seu segunda álbum de estúdio. Leia mais sobre o álbum aqui.


a3611181944_10


Uma banda extremamente prolífica volta com mais uma explosão de energia, guitarras distorcidas, baterias marcantes e o bom e velho rock n' roll, apenas com uma qualidade maior, deixando de lado a sonoridade lo-fi, mas sem perder a essência do que é o som de Bass Drum of Death; "Rip This" é um álbum que merece ser ouvido e tocada várias e várias vezes.


a3762416444_2


Um CD que não é para todos os ouvidos, experimental e original, misturando elementos tão variados que fica difícil traçar a sua origem. Adult Jazz entra para o cenário musical oficialmente com "Gist Is" em grande estilo, cumprindo com sua promessa de lançar um dos grandes álbums de 2014.


Hoenyblood-Album-Cover


Outro álbum de estréia, Honeyblood chegou para mostrar que um bom rock de garagem não é feito apenas com garotos magrelos, metidos em calças apertadas e usando camisetas rasgadas. É possível ser feito também por meninas g@t@s em roupas de vovó, típicas pastel goths que a internet tanto ama.


Mac_Miller_Faces-front-large


Explorando diferentes temas, em um flow impecável, Mac Miller lança o seu melhor projeto até agora. "Faces" é profundo, obscuro, dançante e divertido. Uma mistura nada ortodoxa e impressionante.


22194_c_w_375_h_375


Apresentando uma sonoridade completamente nova para a banda, "Luminous" é um marco no som do The Horrors, um som que eles vinham cravando a anos e só agora foi apresentado à superfície. Agora, só o tempo dirá se esse é o diamante lapidado e pronto para a exposição, ou apenas a amostra de uma pedra preciosa ainda a ser descoberta pelos nossos ouvidos.


monster rally


No seu melhor trabalho até então, Monster Rally apresenta um conceito muito interessante, abusa de influências pouco utilizadas e exploradas, além de terminar o ano anunciando um novo trabalho colaborativo que, pelo jeito, parece estar muito bom. "Sunflower" é um EP de apenas 4 músicas, mas mostra que quantidade não é sinônimo de qualidade.


La-Dispute-Rooms


"Rooms of the house" é uma obra-prima. A excelência traduzida em músicas, um som marcante, ora vibrante, ora introspectivo, ora violento, ora calmo, mas sempre, sempre inteligente. É uma obra de arte, que, se fosse possível, seria emoldurada. Na minha opinião, é, sim, o melhor CD do La Dispute, embora seja impossível de classificá-lo e talvez seja por isso que seja tão bom. É um CD que transmite tudo o que a banda havia transmitido ao longo dos anos, só que mais refinado, melhorado. Enfim, apenas admire.


E para terminar, uma menção honrosa a um dos melhores álbums da história e que este ano completou 10 anos desde o seu lançamento.


Madvillainy_cover


"Madvillainy" não é um apenas um dos melhores álbums do MF Doom, é um dos melhores da história. Por que? Simplesmente, por que une em 20 músicas dois gênios do Hip Hop: MF Doom e Madlib. O primeiro com suas rimas extremamente inteligentes, cheias de referências, sagazes e engraçadas, o segunda com suas batidas impressionantes, utilizando canções que ninguém nunca ouviu, misturando sonoridades como ninguém e, este ano, essa obra-prima completou 10 anos desde o seu lançamento. Deve ser ouvido por todos os amantes de um bom rap e também para aqueles que querem, simplesmente, conhecer boa música de verdade.


Enfim, essa é a minha lista de melhores álbums do ano, bom natal, feliz ano novo, fiquem com Deus e um beijo aonde você quiser.


Falow.

sábado, 13 de dezembro de 2014

Dica cinematográfica; "Police Story" (1985)

Police-Story-poster


"Police Story" é aquele clássico filme da Band dirigido e estrelado pelo mestre do cinema de ação Jackie Chan e é desse filme que eu vou escrever hoje.


A história acompanha alguns dias na vida de Ka Kui, um policial da polícia de Hong Kong, enquanto ele é incriminado por um chefão do crime que havia ajudado a prender, foge dos seus próprios colegas policiais que acreditam que ele assassinou um policial e arranja problemas com a namorada.


Nunca falei de Jackie Chan aqui no blog por achar que ele dispensava qualquer comentário, afinal o cara é um gênio, mas como andei vendo algumas críticas negativas ao seu trabalho, decidi escrever um pouco sobre os meus filmes favoritos do Jackie Chan e bem, que melhor forma de começar a falar dele, se não pelo clássico "Police Story"?


Neste filme, Jackie Chan já havia se consolidado como ator de filmes de ação na China, usando o seu próprio estilo, bem diferente do de Bruce Lee, exatamente para evitar comparações com o outro mestre, abusando de movimentos ágeis aprendidos quando ele ainda era adolescente e praticava atletismo, além de fazer uso de diversos objetos dispostos nos cenários e, é claro, o humor, sempre presente em todas as cenas de luta. Em "Police Story", Jackie é também o diretor, o que dá a ele muito mais liberdade para explorar tudo aquilo que ele e sua equipe de dublês poderiam fazer na tela, além de mostrar como que além de ótimo lutador, ele é ainda um ótimo diretor.


Quando eu paro para pensar neste filme, noto que este é um filme completo, bom roteiro, boas lutas, boa trilha sonora, boa direção, enfim... Não tem como decepcionar.


Suas cenas de ação estão entre as melhores cenas de luta da história e não é para menos. Um dos grandes méritos de Jackie Chan é o fato dele ser um perfeccionista, filmando e refilmando várias vezes a mesma cena até ela sair perfeita e, de preferência, sem muitos cortes, usando sempre de planos abertos, o que nos passa uma sensação de movimento e impacto muito maior.


Repare, nos filmes de ação genéricos as cenas de luta sempre focalizam os golpes, mas isso não dá uma boa ideia de movimento e impacto, por que nós não vemos, por exemplo, o braço se movendo em direção ao rosto, nem o rosto sendo jogado para trás (isso quando o golpe em si é mostrado). Já em "Police Story" nós vemos o braço de movendo e o rosto sendo jogado para trás, e claro, vemos os golpes sendo focalizados pela câmera, mas no momento certo, para dar mais dinamismo à cena.


Isso é algo que o cinema de ação perdeu atualmente e mestres como Jackie Chan dominaram com maestria.


Então o filme não tem um valor apenas como entretenimento, puro e simplesmente, ele também tem seu valor como obra de arte que é, afinal como não dizer que cenas como aquela em que o carro cai pelo barranco destruindo várias casas, ou a cena em que Ka Kui desce pelo lustre do shopping não são emblemáticas e belas, por si só?


Enfim, "Police Story" é um filme mais que recomendado pra você, que quer ver muita porrada; pra você, que quer adquirir um pouco mais de conhecimento sobre a forma de se fazer cinema; ou para você, que quer dar umas risadas, simplesmente com um clássico do cinema chinês.


5 pontos

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Dica literária: "O sol é para todos" (1960) de Harper Lee

2657


“O sol é para todos” é o primeiro e único livro escrito por Harper Lee, publicado em 1960, tornando-se rapidamente um sucesso de vendas.

No livro acompanhamos três anos na vida de Scout, uma garota que mora com o pai (Atticus), o irmão (Jem) e a empregada negra da família (Calpúrnia) na cidade ficcional de Maycomb County, Alabama, no meio da Grande Depressão que assolou os Estados Unidos nos anos 30. Além da ocasional presença de Dill, um garoto aventureiro que visita Maycomb todo verão.

A narrativa do livro lembra um pouco aqueles filmes da Sessão da Tarde, com crianças que se aventuram pelos cantos mais obscuros do bairro, sendo narrado por Scout, na forma de capitulos, geralmente fechados, em que cada um é mostrado um acontecimento diferente na vida da menina e das pessoas que as circulam.

Pelo fato de termos uma menina entre os 7 e 10 anos narrando o livro, somos apresentados à história de uma forma bem descontraída e inocente, mas engana-se quem acha que esse é um livro raso, fácil de engolir, pois sua história é ambientada no sul dos Estados Unidos, numa época que ainda vivia às sombras do período de escravidão, apresentando questionamentos sagazes de assuntos sérios como o racismo, o preconceito, o papel da mulher na sociedade, a diferença entre classes, compaixão, tolerância e honra. Tudo isso explorado em personagens longe do maniqueísmo habitual que iria se esperar de uma obra assim.

Pelo contrário, os personagens apresentados em “O sol é para todos” não são bons, nem maus, eles apenas vivem de acordo com aquilo que acreditam ser certo ou errado. Isso é algo muito bem explorado pelo Atticus, o pai de Scout, que lhe ensina que algumas pessoas têm opiniões erradas sobre determinados assuntos, por que são ignorantes, não por que são más e por isso não devemos odiá-las.

Esses pequenos ensinamentos são colocados no livro de forma completamente pura e inocente por Scout, que às vezes não entende o que o seu pai quer dizer, criando uma ligação com o leitor, que também pode não entender, forçando você a parar para pensar um pouco sobre determinada questão.

Tudo isso faz desse livro uma leitura ainda mais fascinante e brilhante.

A escrita de Harper Lee também merece destaque. Ela transmite em palavras os trejeitos e “gírias” caipiras típicas do sul dos Estados Unidos, presente em todas as páginas do livro, visto que ele é narrado do ponto de vista de Scout, que apesar de viver na cidade, está cercada de homens do campo, pessoas humildes e com um vocabulário menos vasto que o de seu pai.

“O sol é para todos” é um livro que eu adorei ler e está mais que recomendado, visto que os temas abordados e seus ensinamentos continuam mais necessários do que nunca, infelizmente.

4 pontos e meio

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Dica cinematográfica: "The Collector" (1965)

download

"The Collector" é um filme anglo-americano de 1965, dirigido por William Wyler e baseado na obra homônima de John Fowles.

O filme conta a história de Fred, um rapaz solitário, tão obcecado por uma mulher que acaba raptando-a e trancafiando-a no porão de sua casa. Após o despertar de Miranda, ele tenta criar um vínculo com ela, mas o relacionamento dos dois está fadado ao fracasso desde o início.

Este filme é uma obra-prima do suspense, mostrando de forma sagaz o deterioramento de um relacionamento causado pela incapacidade dos dois protagonistas de se relacionar um com o outro. Miranda é uma garota extrovertida, com dotes artísticos e com uma certa arrogância odiável. Já Fred, é um rapaz que mora sozinho, tem como hobby colecionar borboletas e teve a sorte de ganhar na loteria, sentindo poderoso, desde então.

Não há espaço para maniqueísmos aqui, o seu enredo não é preto no branco, são personagens com qualidade e defeitos como qualquer um de nós e, após um tempo assistindo o filme você não sabe mais quem é o dominador e o dominado da história.

Esse detalhe deixa o filme com uma atmosfera ainda mais sufocante, por que os momentos em que o Fred demonstra o que sente por Miranda deixam uma sensação amarga de vergonha alheia em quem assiste e nos momentos em que Miranda se aproxima de Fred ficamos indignados, inconformados com o que ela está fazendo, ou dizendo.

É uma relação doentia e como já diz o pôster do filme "Quase uma história de amor", afinal, quem nunca viu uma história como a de Fred e Miranda? O filme também deixa uma questão interessante no final, a de que os personagens estão fadados a relacionamentos assim para sempre, pois nenhum deles parece disposto a mudar, em momento algum, e por isso vão continuar a cometer os mesmos erros, sempre e sempre. Entrando e saindo desse tipo de relacionamento, mesmo que longe do cativeiro.

Quanto à parte técnica o filme é um colírio para os olhos. Eu sou suspeito de falar, pois adoro filmes coloridos em Technicolor, com aquela granulação tão peculiar nas imagens, mas mesmo quem não se liga muito nesse aspecto técnico, vai se sentir bem ao ver o filme, com suas cenas bucólicas, os planos bem abertos. Uma verdadeira obra de arte.

Enfim, "The Collector" é um clássico mais que recomendado. Assistam!

4 pontos