quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Links sortidos de quarta #8

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O Spotniks é um dos melhores canais de informação séria no Youtube brasileiro e isso não é segredo para ninguém (decente) e eles elaboraram uma série sobre mitos e verdades acerca dos EUA. Confira os mitos que a esquerda precisa parar de acreditar sobre os EUA.

Torço muito pelos Hong Kongers, mas essa carta feita por um ocidental que fez sua vida em Hong Kong lança uma luz negra sobre o futuro da ilha.

Às vezes eu penso que vivemos no fim dos tempos e esse vídeo do PJW sobre a degeneração geral que vivemos só faz essa convicção se solidificar na minha mente.

E de novo o Spotniks, dessa vez apresentando uma conversa bem legal entre o editor da Superinteressante e um terraplanista. É hilário! O diretor da Superinteressante chega a suar! XD

O excelente Paulo Cruz, no canal do Brasil 200 explica um pouco sobre o conceito de meritocracia.

Mais um post do jornal do Novo sobre os países que adotaram o liberalismo e se deram muito bem, dessa vez falando da intrépida Hong Kong.

A ditadura do Politicamente Correto tentou mais uma vez derrubar o Silvio Santos, mas dessa vez, o véio deu a volta por cima com a ajuda da bela Lívia Andrade!

Os filmes que representam as megalópoles do mundo.

terça-feira, 17 de setembro de 2019

Dica musical: “Lapso” de Fernando Motta & eliminadorzinho

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Cara... como essa mistura deu certo!

Reza a lenda que Fernando Motta, do alta das Minas Gerais, ficou cansado de fazer música triste. Então ele olhou para o Belo Horizonte e sentiu-se inspirado enquanto ouvia guitarras rasgadas sob o ritmo de baterias retumbantes e baixos marcantes. Esperançoso, ele desceu das Minas carregando apenas um rubi e duas esmeraldas.

A sanha por novos sons foi tamanha que ele se esqueceu de pegar seu carregador de celular e qual o melhor lugar para se achar um carregador pra celular do que a Santa Efígenia, no centrão da Terra da Garoa? Pois pra lá ele foi e lá ele se perdeu, encontrando abrigo das torrenciais chuvas de verão num bar podre com cheiro de cigarro e rock n' roll.

Foi lá, em meio a grossas fumaças, gente suada e caixas de som estourando que ele encontrou a Eliminadorzinho, uma banda formada por três caras que precisava urgentemente achar um jeito de pagar o aluguel. O valor? Um rubi e duas esmeraldas que foram prontamente entregues por Fernando Motta a eles. Como forma de agradecimento, eles emprestaram toda a sua selvageria musical e juntos eles criaram essa obra linda que se chama "Lapsos".

Muita barulheira, sons ensurdecedores que vão do shoegaze ao post-punk em apenas 4 canções resumem esse EP. É pouca coisa? É, mas é o que tem pra hoje e a gente tem que aproveitar, porque não é sempre que algo tão bom é produzido na nossa língua-mãe.

https://www.youtube.com/watch?v=lAe6sIZbDHk

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Dica cinematográfica: "Le Signe du Lion" (1962)

Le Signe du Lion

O primeiro filme de Eric Rohmer foi um fracasso... mas será que era pra tanto?

"Le Signe du Lion" conta a história de Pierre, um músico parisiense que recebe uma herança da avó logo na época em que seu signo entrou em leão e decide celebrar com seus amigos boêmios. No entanto, no dia seguinte, Pierre descobre que fora deserdado da fortuna, a qual fora fora toda para o seu primo, que o considera um idiota, começando assim uma profunda onda de azar.

O filme trabalha através do simbolismo astral a questão dos impropérios da vida. Começando com uma tremenda notícia para Pierre, que sai para celebrar com seus amigos, sem o menor reforço, mais um período de sorte em sua vida. Visto que sempre que seu signo entrava na casa de leão, próximo ao seu aniversário, ele recebia sorte do universo.

Ao contrário de outros anos, Pierre entra num profundo episódio de azar e nós acompanhamos ele pela cidade de Paris, enquanto perde emprego, casa, amigos, tudo. No entanto, ao final, assim como no começo improvável, a sorte de Pierre muda completamente e temos a sensação de que signos, de fato, não querem dizer nada.

A obra é singela, como muitas das outras obras de Rohmer, mas não carregam o apurado senso artístico pelo qual ele ficou conhecido em suas obras posteriores. Seu simbolismo é raso e sua extensão longa, mas vale a pena ver por se tratar de Rohmer. Eu, como fã do cara, me senti na obrigação.

 

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Links sortidos de quarta #7

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Mais uma semana, mais links sortidos de quarta.

Como uma defesa do Cristianismo, no século 18, revoluciona a ciência até hoje?

E é sempre bom lembrar que é a falta do resultado dessa defesa do Cristianismo que está por trás da crise de replicação de artigos científicos... e sua falta de credibilidade com o grande público atualmente.

Excelente artigo de Jesús Huerta de Soto sobre a rivalidade entre o liberalismo e o libertarianismo. Um clássico que eu ainda não tinha lido, mas antes tarde do que nunca. Leitura incrível!

O que o lista de top 50 projetos mais bem pagos do Paypal tem a dizer sobre a atual cultura americana? Spoiler: nada bom e pior! Isso pode ser endêmico.

Privilégio branco é uma mentira!

Do melhor site da web: como ler livros grandes! Ótimo post, com dicas muito válidas para os leitores que querem se aventurar no mundo dos tijolões de papel.

Eu ainda não assisti, mas parece que o pessoal do politicamente correto está incomodado com Era uma Vez em Hollywood. Obviamente que sem motivo.

O mito dos países nórdicos, com o excelentíssimo Paulo Kogos!

E porque o Chile fica cada vez mais rico que o Brasil?

N'A Praça é Nossa, o Sangue teve sua melhor participação do ano!

 

 

terça-feira, 10 de setembro de 2019

Dica televisiva: "Atti degli Apostoli" (1969)

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Mais uma obra cristã do grande Rossellini pra iluminar as páginas desse blog.

Em "Atti degli Apostoli", Rossellini adapta o quinto livro do Novo Testamento através do seu característico estilo de adaptação histórica para as telinhas. Acompanhamos os seguidores de Jesus após a sua ida aos Céus, enfrentando o jugo do império romano, as mazelas impostas por uma sociedade resiliente à Palavra de Deus e, por mim, seus casos de sucesso, como o ministério de Fillipe (cena aliás, belíssima em sua composição).

Consistindo em 5 episódios, que exploram acontecimentos relatados no livro bíblico de maneira conectada, sem grandes espaços entre um e outro, a série surpreende. Realizada para a TV italiana (Rai) nos anos 60, a obra conta com produção francesa, espanhola e suíça, além de cenas gravadas em locação na Tunísia. Seu grande número de atores e atrizes revela ainda a dedicada atenção que essa obra recebeu. Aqui, vemos um primor de Rossellini, com excelentes atuações e muito cuidado no trato do tema histórico e religioso.

Infelizmente a obra hoje já é considerada rara e de difícil acesso, mas é possível encontrá-la perdida e disponível por aí em cantos diversos da web cinéfila. Vale muito a pena correr atrás.

 

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Dica literária: "Ascent" de Ludwig Hohl (1975)

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A dica de hoje vem direto da Suíça, o grandioso país cuja política deveria servir como exemplo para o mundo todo, mas infelizmente não é.

"Ascent" é a história de dois alpinistas, Ull, um rapaz determinado e focado apenas em conquistar o topo da montanha e Johann, hesitante, querendo apenas curtir a subida e que, após diversos recuos, desiste de vez da subida. Resta a Ull terminar a subida e conseguir a glória sozinho, apesar da quase impossibilidade do fato.

Tratando-se de uma novela (não chega a 100 páginas), esse livrinho surpreende, conseguindo carregar muito em suas poucas página. Ludwig Hohl não é muito conhecido (acredito que inclusive não tem livros publicados em português), mas sabe escrever como poucos. Suas descrições de montanhas, céus, estrelas e qualquer outro objeto natural é magnífico, inventivo e detalhado, mas sem ser maçante.

E suas descrições de situações são carregadas de sentimentos, ora com uma urgência latante, ora com um distanciamento que cria uma atmosfera passível de meditação. Em muitos momentos, você se pegará pensando "tá, ele quer dizer algo mais com isso aqui". Se diz ou não, fica a cargo do leitor, mas o trabalho de Hohl foi feito, deixar a pulga atrás da orelha.

E não é esse o trabalho de todo escritor?

Não se deixe enganar pela brevidade do livro, isso nas mãos de Hohl vira um trunfo. Ele é um fiel seguidor da filosofia do blog: "pra bom entendedor, meia palavra basta"!

Apesar de não estar disponível em português e ser difícil de achar a edição em inglês do livro, vale a pena a procura e a espera. Como dica de compra, pode comprar pela Amazon sem medo. Demora pra chegar, porque eles aparentemente não reservam estoques desse livro, mas chega.

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Links sortidos de quarta #6

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A Indonésia vai ganhar uma nova capital?

É hora de falarmos de Houllebecq nesse blog, porque ele é um dos escritores mais importantes da atualidade, apesar de ruim.

Do melhor site da web vem um post com os 4 P's para se ter um bom trabalho.

O Café Brasil fez uma séries de cafézinhos (podcasts curtíssimos) sobre os agrotóxicos. Como sempre, o Luciano Pires pesquisa e encontra respostas que fogem ao senso comum. Eis os programas I, II, III, IV e, por fim, o V.

Conheça Catalina Lauf, a AOC do bem!

Manter uma boa conversa não depende só de um, mas de dois. Além de dar o primeiro passo, para conhecer melhor o outro, devemos ter dar o segundo passo e nos deixar ser conhecidos pelos outros.

Confrontos com a polícia, bandeiras americanas, padres, anti-comunistas e mãos dadas por quilômetros em Hong Kong. Os protestos continuam e me fazem deixar uma lágrima de orgulho escorrer pelo meu olho.

Emílio Surita tem se mostrado um cientista política melhor do que qualquer formado em ciências sociais do Brasil.

Um restaurante no Japão vai fazer Ramen de Piranha!!! Quem diria que esse peixe assassino, que eu tanto pesquei na infância seria considerado uma iguaria... Tem doido pra tudo no mundo.

Uzumaki vai ser adaptado!!!

E n'A Praça é Nossa, o Saideira não ganhou um vídeo próprio, mas deveria, porque sua participação foi excelente!

 

terça-feira, 3 de setembro de 2019

Dica webística: Truediltom

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Faz um tempo que penso em começar uma nova categoria de dicas aqui no blog, dessa vez falando de coisas da web que eu gosto/acompanho/faço, enfim... coisas da web e 2 tristes acontecimentos recentes me fizeram querer indicar essa personalidade da web aqui no blog.

O primeiro acontecimento recente foi o final do melhor canal de ASMR que eu já tive o prazer de acompanhar na vida; a ChocolatASMR, uma italiana belíssima que fazia os melhores vídeos de ASMR que já vi. Fazia uns 2 anos que ela não postava vídeos novos, pensei em fazer um post de apreciação e, há umas semanas, descubro que seu canal foi apagado e eu nem sequer sabia seu nome real pra poder procurar mais informações dela na web.

O segundo acontecimento triste recente foi a extinção do canal no Youtube do cara que irei indicar aqui; o Truediltom!

Truediltom surgiu há alguns anos no Youtube, quando ainda era um singelo adolescente, fã de teorias libertárias e que ganhou popularidade no cantinho sujo dos ancaps por fazer uma série de vídeos sobre o marxismo. Então o menino entrou na faculdade de filosofia, conheceu um professor que se declarava de direita e após isso, o Truediltom começou a fazer vídeos explorando as teorias econômicas de Mises, a teoria política de Nozick e outros conceitos referentes ao libertarianismo.

Mas não ache que sua exploração desses temas foi meramente para servir a uma ideologia, com ares panfletários e apologéticos. Muito pelo contrário... como estudante de filosofia, Truediltom questionava seriamente os conceitos que abordava em seus vídeos e, aos poucos, gradativamente, ele foi deixando de ser um libertário.

Eu, que acompanhei o seu canal desde 2017, achei muito interessante como uma pessoa que se propõe a analisar e compreender, de maneira fria, as diversas ramificações do conhecimento humano começa a mudar de opinião, flutuando entre as esferas da ideologia, livre de qualquer proselitismo.

No entanto, não crie falsas expectativas, o Truediltom nunca deixou de ser um direitista. Sua suave mudança foi de libertário para matizes mais conservadores, adotando uma abordagem tradicionalista, afundando-se na antropologia generativa e enfim, desembocando no neoabsolutismo.

Tudo isso através de vídeos que exploravam o lado negativo da nossa cultura degenerada (ele criou vídeos falando do lado ruim da "hook up culture", Tinder e ponografia), historiadores como Spengler e até mesmo os pós-modernos que apresentam uma faca de dois gumes. Truediltom nos mostra que a abordagem revolucionária dos franceses pós-modernos mascarava algumas verdades inconvenientes que não foram amplamente adotadas pelos progressistas, mas que poderia ser usada pelos direitistas.

Mas peraí, o canal dele não existe mais, então porque você o está indicando Sommelier de Tudo?

Por que o canal dele no Bitchute ainda existe e, embora não contenha todo o seu conteúdo (principalmente seus primeiros vídeos mais libertários), ele ainda apresenta um ótimo conteúdo abordando o pensamento de caras como Derrida, Nietzsche e Deleuze, termos como formalismo e neoabsolutismo e vídeos abordando temas gerais como análises políticas, notícias e até mesmo humor.

Esses vídeos são altamente informativos, até porque muito da fonte onde ele bebe não é acessível. Autores como Nozick, Jouvenel e Eric Gans não são amplamente divulgados, embora sejam conhecidos e seus livros estão, em sua maioria, esgotados na maioria das livrarias por aí.

Os últimos do Truediltom apresentavam uma mensagem de despedida a um amigo dele, que aparentemente faleceu esse ano (eu não sei os detalhes da história). Talvez isso tenha desmotivado o Truediltom a continuar com seus vídeos. Enfrentar censura, inimigos ideológicos e criancices nos comentários não é tarefa fácil e a vida fora da internet é muito melhor.

Eu espero que ele esteja bem, saudável e contente, quem sabe elaborando algo maior, quem sabe um livro teórico? Precisamos disso.

 

terça-feira, 27 de agosto de 2019

15 anos de As Branquelas

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Neste abençoado ano de 2019, o maior filme Anti-Cult da história completa 15 anos exatamente no dia de hoje, 27 de agosto. As Branquelas é a maior trasheira de comédia que pode existir dentro dos limites que o cinema nos proporciona e deve ser lembrado por anos e anos até o fim dos tempos.

Fruto da mente dos irmãos Wayans, é estrelado pelos dois Wayans mais novos no papel de agentes do FBI fracassados que estão a um caso de serem demitidos. Sem opção, acabam escolhendo a missão que ninguém quer aceitar, serem guarda-costas de duas patricinhas durante O final de semana nos Hamptons, uma espécie de clube para super-ricos. Infelizmente no meio do caminho um acidente acontece e as patricinhas ficam com dois cortes superficiais no rosto que estragam sua auto-estima e os irmãos Wayans decidem se passar por elas durante todo o final de semana.

A partir daí vemos um show de transformação, Terry Crews num dos seus trabalhos mais emblemáticos, piadas de peido, cenas de ação, conspirações com famílias ricas e falidas, além de uma bela lição de amizade.

No entanto, uma das coisas que sempre escapa da crítica especializada ao elogiar enormemente essa obra de arte é a cena de dança no meio. Quando as irmãs Vandergeld, inimigas número 1 das irmãs Wilson, desafiam as amigas das Wilson para uma batalha de dança, vencendo-as, as branquelas entram no final para salvar a noite.

Movido a Beyoncé e Run DMC, com muito break, danças em grupo e mulheres lindas, a cena da batalha de dança é um daqueles momentos da história do cinema que não encontram pares. É uma cena verdadeiramente única na história do cinema.

Busy Phillips lidera Jessica Cauffiel e Jennifer Carpenter contra Jaime King e Brittany Daniel. Todas aliadas com um exército de miméticas, as patricinhas Vandergeld acabam ganhando. Mas enquanto Jam-Master Jay e DMC iniciam sua canção, os irmãos Wayans aparecem com a icônica frase “Eu não acredito que as peruas acharam que tinha acabado”. Prevendo um clássico, a trilha sonora só poderia ser um clássico também.

O mais incrível é que foram os próprios Wayans a realizarem a tal cena de dança. Monstros!

https://www.youtube.com/watch?v=gEC8h3IMgXg

É incrível como mesmo após 15 anos, As Branquelas nunca perdeu sua validade. Continua relevante, surpreendente e alvo de críticas como a que essa, quase anualmente. Um filme terno e eterno.

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

A celebração da falência da valorização à vida

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Um rapta o gado, outro a donzela,


Outro no altar cruz, taça e vela,


E disso anos a fio se jacta,


O corpo ileso, a pela intacta.


Por justiça o queixoso clama;


Na sala o juiz trona imponente,


Enquanto em vaga troante brama


Do motim o clangor crescente.


Dos bens do crime há quem se louve,


Visto que em cúmplices se esteia;


Mas: condenado! aterrado ouve


Quem na inocência se baseia.


Assim tudo se desintegra:


Se da honra e lei some o preceito,


Como há de estar o senso em regra


Que nos conduz ao que é direito?


Fausto II


O começo da semana foi avassalado com a morte de um jovem que assaltou um ônibus, fez quase 40 reféns e após quase 4 horas sua vida foi ceifada por um sniper da polícia, visto que as negociações não foram suficientes para dar um fim pacífico a questão.

A tragédia foi celebrada pelo ministro e o Paulo Kogos acabou defendendo-o, dizendo que deve ser celebrada a morte de bandidos.

Eu, como católico, digo não! Não deve ser celebrada a morte de ninguém, pois nunca sabemos qual foi o destino da alma desse jovem. Celebrar tal ato é o cúmulo da banalização da violência, é a declaração da falência da valorização à vida. Durante o Morning Show do dia seguinte, Caio Copolla disse que a morte é um caminho fácil demais, é uma solução fácil demais e em outras épocas eu concordaria com isso, mas hoje em dia não mais.

Concordo com o Caio que os crimes devem ter uma punição terrena, mas não porque a morte é fácil demais e sim porque pagar os crimes terrenos em outro plano é demais, pois lá é eterno.

No entanto, devemos celebrar sim a operação da polícia. A operação que salvou a vida de quase 40 pessoas, livrou suas famílias de um trauma e, apesar de trágica, é uma ação necessária.

Por mais que não gostemos de seu desfecho, a tragédia tem seu propósito, pois mostra que nosso país não é terra de bandido, pelo menos não desse tipo, praticamente um terrorista. Há décadas que o crime é financiado pelas elites políticas dessa abençoada terra para servir aos seu projeto de poder e têm conseguido muito. No RJ a situação é tão descarada que um jogador do naipe do Adriano Imperador posa em foto com traficante. É necessário um basta e, na atual situação, esse basta não tem como ser feito apenas com livros.

 

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Links sortidos de quarta #4

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Links sortidos de quarta #3 ESPECIAL ITÁLIA RENASCENTISTA

Ah, a Itália! Terra maravilhosa, uma das mães da cultura brasileira, com uma bela língua, belas mulheres, um cinema de dar inveja a qualquer nação e muita, MUITA história.

É pensando nisso que resolvi criar um especial só com leituras sobre um dos períodos mais importantes da história universal: a renascença italiana!

Pra começar, falemos da bagunçada, mas eficiente política italiana. Esse post do Marginal Revolution (de onde eu tirei a ideia para criar essa seção no blog, inclusive) tem um resumo interessante de como funcionava a política em Veneza. Haviam 10 passos a serem tomados para se eleger o Duque, muita loteria e números aleatórios, mas funcionou por mais de 500 anos, como explica o texto que deu origens ao post.

Como? Você deve estar se perguntando. É simples!

No entanto, nem tudo são flores. A família Medici é sempre lembrada quando falamos em Renascença, sendo os grandes líderes de Florença, governando-a de maneira quase que monárquica. No entanto, se Florença usava um sistema tão bagunçado quanto o de Veneza, que descentralizava totalmente o poder, o que permitiu que os Medici juntassem tanto poder em tão pouco tempo? A resposta não é tão simples, mas se encontra aqui.

A história não perdoa e em 3 gerações, os Medici foram expulsos da cidade, apenas para voltar 18 anos depois com o exército espanhol.

Não apenas politicamente, a renascença teve uma grande importância histórica.

Mas a renascença... foi de fato algo?

Sendo algo de fato ou não, produziu a mais bela obra de arte produzida na história da humanidade.

E uma das maiores batalhas navais de todos os tempos!

 

 

domingo, 11 de agosto de 2019

Dica especial de dia dos pais 2019

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Essa dica é trágica e não agradará a todos os pais, mas sua entrada como dica especial para esse dia incrível no ano de 2019 vale a pena, pois é capaz de nos ensinar uma coisa ou duas sobre a paternidade.

A dica desse ano é o livro “The Road” (ou “A Estrada”), escrito por Cormac McCarthy e lançado originalmente em 2006. O livro conta a história de um pai e um filho (não nomeados) que atravessam um EUA devastado por alguma anomalia que queimou tudo e trouxe o apocalipse ao planeta. Sem recursos, sem amigos e sem certezas, pai e filho atravessam os EUA em direção ao sul do país, onde esperam poder encontrar alguma coisa que torne a vida deles mais fácil, embora não tenham certeza alguma disso, contando apenas com a certeza de terem um ao outro em todos os momentos.

Each the other’s world entire.

Como uma obra pós-apocalíptica, esse livro é triste e trágico, mas a trajetória de pai e filho consegue salvar essa obra em todos os momentos. Acompanhamos pai e filho conversando, sobrevivendo, discutindo e até mesmo se divertindo, num cenário completamente destruído, queimado, estéril ao extremo e frio. As imagens criadas ao longo da narrativa são destrutivas, mas aí reside o poder do livro, pois mesmo em tanta destruição há um pai e um filho que só podem contar um com outro e nunca perdem a esperança.

Ainda assim, ambos não são únicos, muito pelo contrário, há uma dicotomia latente presente no livro todo. O pai, até mesmo pela idade avançada e conhecer muito do mundo (inclusive, o mundo antes do evento apocalíptico), mantém-se cético e a todo momento mantém o seu filho distante de perigos, embora nem sempre eles sejam perigos declarados, como o encontro com pessoas.

Em contrapartida, o filho, que não conheceu o mundo antes do apocalipse, é alguém muito mais inocente e, portanto, esperançoso. Ele tenta fazer o pai se aproximar de outras pessoas, embora esteja sempre afastado pelo pai de todas as oportunidades que ele tem de socializar.

Essa dicotomia presente entre os dois promove alguns dos momentos mais belos do livro, tanto para o bem quanto para o mal. Por exemplo, quando o menino encontra outro garoto e o pai pega ele a força e os dois fogem, mesmo com o filho chorando. Mas nem tudo é tristeza, pois também temos o momento em que o garoto começa a perder a esperança de que as coisas irão melhorar, mas seu pai nunca deixa isso acontecer, lembrando-o de histórias lendárias e convencendo-o de que eles carregam “A Chama”.

Sendo um livro escrito por Cormac McCarthy é óbvio que esse livro estará recheado de referências mitológicas, como “A Chama” que os dois carregam. Além de referências da mitologia greco-romana, também cristã. Além disso, temos as digressões gramaticais, que acabam por reforçar o clima pós-apocalíptico da obra. Até mesmo na estrutura narrativa do livro, McCarthy não deixa de nos lembrar de que estamos lendo uma obra pós-apocalíptica. Não há a separação de capítulos na obra, apenas seções que compreendem um ou dois parágrafos, não há marcação de diálogos e as descrições são muito próximas do estilo naturalista, mas sem as comparações com o mundo animal. São descrições secas e baseadas nas qualidades materiais daquilo que nos é apresentado.

Pode não parecer a melhor obra para o dia dos pais, mas acredite, é. Este é um livro que nos apresenta o amor de um pai por seu filho, ainda maior que o amor que a mãe do garoto, que sobrevive a toda forma de destruição, mesmo quando não é mais fisicamente possível. É um amor profundamente transcedental, uma obra muito além do pós-modernismo, que marcou a carreira de C. McCarthy.

5 pontos

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Links sortidos de quarta #2

Continuando essa série de posts que pode ter vida muito longa, já que eu absorvo muitos nutrientes da internet, hoje apresento links que não são necessariamente novos, mas que eu li na última semana e são muito bons!

O primeiro deles é o artigo do Nassim Nicholas Taleb, o gênio por trás de Skin in the Game, sobre o Coeficiente de Inteligência. Taleb prova, logica e matematicamente, que o teste de QI é uma farsa absurda, advinda do distanciamento cada vez mais alarmante das ciências humanas do mundo real.

Como o feminismo abriu caminho para o transgenerismo? Questões pertinentes são levantadas nesse excelente artigo.

Democracia em Vertigem é mentiroso já no nome e esse podcast explica porquê.

Em vertigem está a ciência e este post explica por quê.

Diretamente do melhor site da web, aprenda a trocar o óleo de uma moto!

Goste ou não do Spotniks, eles estão sabendo criar pontes para o diálogo como ninguém.

Notícia importante sobre a China. O comunismo não deu certo e forçar negociações no país também não. Está na hora de deixar o capitalismo de lado e começar a buscar os direitos humanos.

Já disse que sou a favor do imposto único e agora ele finalmente virou proposta do governo! Que tal esclarecer alguns pontos sobre o que planeja o governo com isso?

Caio Bottura lançando um conteúdo diferenciado e muito bom no Youtube. Coisa fina!

Livre-se do chulé!

Papo gostoso do Arthur Petry com o Igão e o Monarq no excelentíssimo Flow Podcast!

No último programa d'A Praça é Nossa o Batoré foi mais uma vez genial, mas quem ganhou destaque no canal do Youtube foi o Matheus Ceará. Merecido!

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Dica cinematográfica: "Velozes e Furiosos: Hobbs & Shaw" (2019)

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Apesar de simples, este é o filme mais profundo da série Velozes e Furiosos, conseguindo se aliar às discussões do conservadorismo atual de maneira plena e sobressaindo-se sobre todos os lançamentos blockbuster deste ano do Nosso Senhor de 2019.

Como cheguei atrasado no cinema, não sei exatamente o começo, mas o filme começa com Hobbs (The Rock) comendo um lanche com sua filha, até que os dois são abordados por um agente da CIA (interpretando pelo excelente Ryan Reynolds) convocando-o para uma missão. No Velho Continente, após visitar a mãe na prisão, Shaw é convocado por outro agente da CIA para trabalhar na mesma missão. Após um desentendimento, Hobbs e Shaw descobrem que o alvo deles é a irmã de Shaw e acabam se unindo, um em prol da família, outro em prol do mundo.

Logo vemos que o filme carrega a tradicional mensagem de amor à família que sempre foi a essência de Velozes e Furiosos. Começando com uma traição que iria reverberar em todos os filmes a partir do quarto, seguindo uma abertura de seu conceito no segundo filme e explorando-a como tema central de conflito no terceiro. A série deu uma valorizada no tema, aliando-se cada vez mais ao discurso conservador, ao mesmo que se tornava uma série de ação, com carros fazendo participação especial ao invés de serem o tema central.

E apesar disso, ela não perdeu a graça e hoje em dia, principalmente com esse filme, assume-se uma comédia de ação total. Une-se dois atores carismáticos numa trama de ação com muitas piadas de situação.

No entanto, o ponto ao qual quero chamar atenção aqui é na profundidade que esse filme consegue abrir.

Primeiramente o seu vilão: interpretado pelo magnífico Idris Elba, Brixton é um ex-parceiro de guerra de Shaw e aqui aparece "ressuscitado" por uma companhia de tecnologia secreta que o transformou num super-soldado. Logo após a primeira luta é revelado que a companhia para o qual Brixton trabalha controla todas as maiores corporações de mídia do planeta.

Isso se alia imediatamente ao debate conservador que vê nas grandes companhias do vale do silício o maior inimigo. Basta vermos o que a mais recente polêmica com o Google, a infinita discussão dos banimentos no Twitter e já deixo o meu antigo post sobre os malefícios da internet atual pra se inteirar no assunto. Ao chegarmos no chilique do Brixton mais para o final do filme, em que ele culpa o aquecimento global e o capitalismo, recebemos a confirmação para tirar qualquer dúvida da nossa cabeça.

Ao final do filme, vemos ainda Hobbs indo para Samoa, onde toda a tradição milenar da ilha vence avassaladoramente a tecnologia destrutiva de Brixton. Com isso, concluímos apenas uma coisa: Velozes e Furiosos: Hobbs & Shaw é o filme mais conservador do ano!

Como já disse, é uma comédia de ação. Não espere carros velozes (embora a aparição deles no final tenha feito uma lágrima emotiva escorrer de meu olho, longo fã da série), nem grandes discussões, muito menos discursos emocionantes sobre a família. Aqui, a moral é rápida e rasteira, quase imperceptível e é necessário um olhar atento para captar as nuances que aprofundam a obra.

Como uma comédia de ação, Velozes e Furiosos: Hobbs & Shaw é um ótimo filme, aliando-se ao lado bom da história, ele diverte e satisfaz os anseios de fãs antigos que compreendem as mudanças ocorridas na série. Vale muito a pena!

4 pontos

 

 

quarta-feira, 31 de julho de 2019

Links sortidos de quarta

E nessa semana sem dicas, eu volto apenas para divulgar alguns links úteis para quem quiser se motivar, se informar ou se divertir.

Sunday Firesides (a coluna dominical do Art of Manliness) deu um soco no estômago, mas é um soco que todos precisamos tomar.

Turnstile (a melhor banda de hardcore do momento) tem novidades a caminho.

Post meio longo sobre uma civilização perdida em Malta. Eu odeio como esses posts são atingem absurdos, seja prestigiando demais ou desvalorizando demais, mas esse post apresenta uma sociedade interessante, que floresceu bem e sumiu quase que de repente.

Caio Coppola perdendo a linha no Morning Show de ontem. Ame-o ou odeie-o, o cara está sempre elevando o nível da discussão. Ontem, mais uma vez, tentou elevar o nível do programa e deixou seus colegas de cabelo em pé.

Notícia boa para os que defendem a liberdade econômica.

Kim Kataguiri num papo bem descontraído, porém informativo, com a galera do Flow Podcast.

Paulo Kogos sobre os ideais cavaleirescos, que precisam ser restaurados.

Café Brasil sobre a ida do homem à lua. É uma data que eu não deveria ter deixado passar, mas deixei, então fica aqui a minha dica pra honrar essa data.

Dobradinha do podcast do Art of Manliness pro Brett McKay pedir música no próximo post: podcast sobre os Comanches, a tribo indígena que mais tempo resistiu aos brancos nos EUA e podcast sobre crescimento, espiritualidade e masculinidade.

Batoré n'A Praça é Nossa de quinta passada. Com certeza, a melhor adição ao programa feita neste ano. O cara é um gênio da comédia!

Por ora é só!

sexta-feira, 26 de julho de 2019

Temos que diferenciar Professores de professores

Há algumas semanas o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná entrou de greve pelo pagamento da data-base (basicamente, aumento do salário devido a inflação monetária), contra a reforma da previdência e outras questões referentes às condições de trabalho dos professores da rede pública de ensino regular.

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Não vou entrar nessas questões, porque, primeiro, não entendo das particularidades das condições dos professores da rede pública de ensino, não tenho saco de explicar a reforma da previdência pra ninguém (esse post faz esse trabalho de maneira excelente) e nem sou expert nas burocracias que envolvem a correção inflacionária dos salários. Não é esse o ponto desse post, o ponto é falar dos professores de ensino superior.

Seguindo a decisão do APP Sindicato (sim, essa é a sigla do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná), outros sindicatos das universidades estaduais aqui do Paraná decidiram entrar de greve também. Pelos mesmos motivos e o principal é o pagamento da data-base.

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Já cansei de dizer, mas digo de novo: greve é inútil! A greve só afeta quem não tem nada a ver com a história e se afeta alguém que pode fazer algo, esse alguém será o último afetado, como aconteceu com a greve dos caminhoneiros. Antes de faltar comida, combustível e outras mercadorias para os governantes, teve que colapsar todos os mercadinhos de esquina e atrapalhar a vida de milhares de brasileiros que não tinham ABSOLUTAMENTE NADA A VER COM A HISTÓRIA! Isso que é greve! Um ataque contra o cidadão de bem.

No entanto, semana passada, o APP Sindicato revogou a greve, mesmo ela não surtindo nenhum efeito. O governo do Paraná não recebeu os sindicalistas e todos eles sabem que o governo tem licença pra cortar salário de quem faz greve (sábia decisão, aliás, pois greve não pode ser motivada).

O mesmo não aconteceu com os sindicatos das universidades estaduais, que decidiram manter a greve e continuar atrapalhando a vida de milhares de estudantes que dependem dos professores pra continuar com suas vidas. A cada greve feita são meses de vida que esses alunos perdem.

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Mas qual seria o real motivo por trás dessa decisão?

Paremos para pensar, se o governo corta o salários dos professores, quem irá sofrer mais, o que recebe 2 mil reais por mês ou o que recebe 10 mil reais? Quem é o professor que durante a greve estava indo pra Curitiba de busão e quem era o professor que foi pro Canadá passar as “grérias”?

Pois é...

Uma coisa que deve ser mudada para que esse país vá para a frente é a consideração de que nem todo mundo dentro de uma classe de trabalhadores é igual. Que professor é uma profissão desvalorizada no Brasil, isso ninguém nega, mas nem todo professor sofre.

Professores de ensino regular trabalham em ambientes hostis, têm jornadas de trabalho asfixiantes e recebem pouco, eles sofrem de fato, mas o mesmo não acontece com os professores do ensino superior.

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Na Universidade Estadual de Maringá, uma pessoa de 26 anos pode entrar lá puxando o saco de todo mundo, recebendo 10 mil reais por mês.

E eles ainda pedem reajuste salarial devido a inflação.

Tudo bem, é um direito deles. Está previsto em lei, mas e a ética? Qual é a equivalência deles com os professores que trabalham 40 horas semanais, em salas caindo aos pedaços, aguentando alunos terríveis que nem queriam estar ali, sofrendo danos físicos e psicológicos pra ganhar 2 mil reais ao mês?

Eu digo: NENHUMA!

Professor de ensino superior não tem voz pra reclamar de nada nesse país. Professor de ensino superior não é equivalente ao professor de ensino regular. Professor não é tudo a mesma coisa como nós costumamos pensar e isso é uma mentalidade que precisamos mudar.

Professores de ensino superior são a elite. É para as universidades que vão as maiores verbas educacionais do país. Eles literalmente sugam todo o dinheiro que deveria ser revertido, primeiramente, para aqueles responsáveis pela formação inicial do ser humano, afinal, as leis brasileiras priorizam um ensino que não forma apenas um estudante ou um trabalhador, mas um cidadão. E se a educação está em situação precária hoje em dia, o ensino superior e seus professores são culpados também.

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Portanto, antes de você se aliar com qualquer um que lute pela educação do Brasil, questione a que tipo de educação essa pessoa serve. Porque ele pode estar muito bem servindo a uma elite que nunca esteve perto da verdadeira realidade educacional desse país.

quinta-feira, 25 de julho de 2019

Dica musical: “Defeater” de Defeater (2019)

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Fiquei afastado por um tempo das discussões musicais do post-hardcore, mas descobri que Defeater, uma das minhas bandas favoritas (apesar de sua grave limitação musical), lançou um novo álbum esse ano, me pegando de surpresa.

Em Defeater, o primeiro trabalho da banda com o grande Will Yip, produtor favorito de todas as bandas underground da atualidade, Defeater se lança por águas nunca antes exploradas, tanto narrativamente, quanto musicalmente, produzindo um álbum único dentro de sua discografia. O som é sólido, sentimos uma grande segurança nos membros da banda e a possibilidade de expansão surge como uma luz no fim do túnel.

Vale uma breve recapitulação: Defeater é uma banda formada em 2004, mas que só lançou o seu primeiro álbum em 2009. O motivo é que a banda tem um projeto grande demais. Todos os seus álbuns são conceituais e contam histórias que se conectam com o primeiro álbum, o qual conta a história de um jovem rebelde que foge de casa após matar o pai, vicia-se em drogas, volta para casa anos depois e se suicida após ver que o que sobrou de sua família foi destruído pelas drogas e pela corrupção da cidade em Nova Orleans. O segundo álbum foi contado da perspectiva do Irmão (e ainda é o melhor álbum da banda), o terceiro conta a história da perspectiva do Pai, o quarto do Padre, pai do protagonista do primeiro álbum e este, o quinto é o mais ousado de todos.

Iniciando com uma narrativa do Irmão do pai, este álbum muda as perspectivas, incluindo na narrativa outros personagens, que se relacionam com o irmão do pai, inclusive o padre. No entanto, nada disso é claro e a história contada aqui é bem confusa, pra ser honesto.

Apenas pelas letras é difícil saber e é útil pedir ajuda aos fãs mais radicais da banda, que conseguem apontar as relações com os álbuns anteriores e formar pontas que delineiam a narrativa sendo contada aqui.

- SPOILERS –

Para quem se interessa, aqui vai um resumo do que foi descoberto e aceito até agora: o foco principal é no Irmão do pai e de fato, dá pra saber que é dele que se tratam as 3 primeiras canções. Até este álbum, o Irmão do pai havia sido morto numa viagem de navio durante a segunda Guerra Mundial, o que desencadeou a depressão do Pai, depois suas bebedeiras e por fim o seu tratamento cruel ao Filho mais novo, que o assassina quando adolescente. No entanto, após a terceira canção, entra um outro personagem, o Traficante, que faz com que o irmão do pai trabalhe para ele. É o Irmão do pai que acaba fornecendo drogas para o Padre, que vicia a Mãe. Aparentemente, o Irmão do Pai vê tudo o que ocorre com a família de longe e ao final deste álbum vê o suicídio do Traficante e, sem “emprego”, decide vingar sua família, esfaqueando o Padre.

- Fim dos Spoilers –

Não é uma história bonita, como já seria de se esperar de Defeater, mas é interessante e instigante. Ao longo de sua carreira, Defeater veio criando uma teia de personagens e história tão intrincada que fica difícil diferenciar quem é quem e o que aconteceu, mas também se apresenta para nós como um universo muito rico.

No entanto, nunca foi muito audível. O som de Defeater sempre foi muito caótico, barulhento e apenas os fãs de uma pegada hardcore pesada que flerta com o heavy metal gostam de ouvir a banda em seu tempo livre. Eu sempre saí com dor de cabeça após ouvir um álbum deles e aqui não foi diferente. Porém, neste álbum, sua sonoridade está mais sólida e encontra uma variedade sonora mais ampla, o que não desgasta tanto o ouvinte como seus álbuns anteriores.

Os vocais ficaram muito escondidos nesse álbum, o que de certa é bom. Mostra que o foco principal aqui não é a narrativa, mas sim a sonoridade na qual a banda chegou, muito mais cadenciada e “audível” do que suas últimas obras, ainda que em alguns momentos essa distância que foi causada nos vocais incomode um pouco.

Em suma, Defeater é o álbum mais ousado da banda. Marca um distanciamento do que ela havia feito até aqui, mas também abre a possibilidade para novas aventuras. Eu perdi as esperanças de que eles irão contar a perspectiva da Mãe algum dia, já que esse álbum apresentou personagens nunca antes vistos e que irão ganhar álbuns no futuro, provavelmente, mas também abre a possibilidade de trabalhos muito interessantes no futuro.

4 pontos e meio

terça-feira, 23 de julho de 2019

Dica teórica: “A Tradução Literária” de Paulo Henriques Britto (2012)

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Paulo Henriques Britto é talvez o maior tradutor contemporâneo do Brasil. Tradutor de clássicos da literatura como O Som e a Fúria e A Outra Volta do Parafuso, ele também é um teórico da tradução que trabalha há anos na PUC-RJ, elevando as discussões sobre tradução em terras tupiniquins e esse é o seu livro introdutório sobre o tema.

Propondo-se a uma apresentação e não uma análise minuciosa sobre o tema, este livro expõe as opiniões de Britto sobre o ofício da tradução dentro da área da literatura. Como livro introdutório, ele serve apenas a apresentar as ideias de Britto contrastando-as com algumas outras ideias que existem por aí, as quais Britto discorda ou apenas concorda em partes com.

Pode parecer uma obra técnica que não serve para leigos, mas ela é uma obra que todo interessado em literatura deveria ler, pelo simples motivo de que Britto defende, como ideia principal, que toda tradução pode ser avaliada de maneira objetiva, ao contrário de correntes de pensamento muito comuns na academia brasileira.

Sustentado em uma longa trajetória como tradutor profissional, Britto apresenta seus próprios trabalhos e os analisa de maneira fria, mostrando diferentes versões de diferentes trechos de obras de ficção e poesia. É dessa forma que conseguimos compreender um pouco como funciona o ofício tradutório, o quão difícil é e o como podemos analisar uma obra traduzida quando vemos uma, mesmo sem ter amplo conhecimento da língua em que ela foi produzida originalmente.

Para quem é da área, essa é leitura obrigatória. Britto consegue assumir uma postura contrária a muita gente da academia, mas nunca se submete a clichês da área e sua argumentação embasada é sólida. Como ele mesmo diz, ainda que você se posicione contra, você terá que achar argumentos tão sólidos quanto os dele.

O resultado é sempre a melhora na discussão tradutória no Brasil.

O livro é simples, curto e faz parte de uma coleção de obras da editora Civilização Brasileira que busca tornar acessível para o público brasileiro o pensamento de autores brasileiros contemporâneos sobre filosofia e artes, mas uma rápida visualizada pelo índice de obras publicadas já indica que essa é sua melhor obra. Britto é ousado, original e muito sábio, como poucos pensadores brasileiros o são atualmente.

5 pontos