quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

30 dias de cinema Anti-Cult – Dia 4: Melhor trilogia

49998249_814197345589601_8626469301806694400_n

Hoje é o dia de admitir falhas.

Eu sou um cinéfilo... adoro filmes cult. É fácil perceber isso pelos posts aqui do blog. No entanto, reconheço o valor único do cinema anti-cult (filmes B, trash, besteirol, etc...), porque eles nos ensinam lições de vida valorosas e importantes, de uma maneira muito mais simples do que os filmes cult fazem (aliás, de uma maneira muito mais numerosa, já que filmes cult raramente nos ensinam boas coisas, de fato).

Sendo assim, sou fã de trilogias como Matrix, Senhor dos Anéis, a trilogia dos dólares e as trilogias das cores do Kieslowski.

365-Filmes-Trilogia-Cores-Kiwslowski-Igualdade-Liberdade-Fraternidade

Mas o cinema anti-cult também tem seus ótimos exemplos, como Olha Quem Está Falando, Força Delta e As Tartarugas Ninja. São filmes que ninguém esperava que fosse fazer sucesso ou até mesmo foram feitos com uma leve intenção de sucesso, mas acabaram surpreendendo, exigindo demais de seus produtores.

II

O resultado são filmes que eram para ser de ação e se tornaram de comédia. Dramas que nos fazem rir e filmes de fantasia com efeitos tão ruins que nos deixam com a barriga doendo de tantas risadas. Tão variado quanto os seus gêneros, são suas lições de vida, mas uma trilogia que não apenas manteve sua qualidade, como soube se superar e expandir, sendo a minha escolha do dia é a trilogia Vovó... Zona.

243550

Começando como uma comédia satírica de filmes como Uma Babá Quase Perfeita, o filme estrelando Martin Lawrence conta a história de um policial que se disfarça de vovó para cuidar de uma família investigada pelo departamento de polícia. A obra soube se expandir, seguindo a ordem do primeiro filme, mostrando a vida de Malcolm Turner (o personagem de Lawrence) após os acontecimentos do primeiro filme e se reinventou no terceiro filme colocando o filho de Turner pra se fantasiar de menina também.

Comédia, ação, romance e musical se misturam nos três filmes da trilogia de maneira harmoniosa e simples, transformando a trilogia numa obra carismática e imortal. Problematizadores irão chamar a atenção para o fato de Lawrence se vestir de mulher e tentar criticar isso, mas esse filme é um desses raros exemplos que levam o crossdressing para o âmago da família tradicional brasileira, tratando o tema da forma como ele deve ser tratado: algo que não chama a atenção!

Vovó...zona é um filme para ser lembrado.

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

30 dias de cinema Anti-Cult – Dia 3: Velozes e Furiosos Favorito

49998249_814197345589601_8626469301806694400_n

Mais uma tarefa difícil, mas nem tanto pois aqui temos "apenas" 8 concorrentes ao páreo.

Sou fã da série, desde o segundo filme. Estrelado por Paul Walker e o mais que carismático Tyrese Gibson, o filme é extremamente divertido. Muito focado em belas máquinas, velozes e estilosas, é também muito influente. Para a molecada que cresceu cercada de Need for Speed, essa obra tem até valor nostálgico. Inclusive, o filme acompanhou o jogo.

2017101823435121Velozes-furiosos-2

Em anos recentes, a série perdeu um pouco a essência de focar em carros, mas soube evoluir para se tornar uma das franquias de ação mais bem feitas da história. Quem poderia imaginar que o primeiro filme, seguindo uma fabulosa fórmula de polícia e ladrão com carros velozes iria se tornar essa enorme obra de espionagem, ação e, acima de tudo, amizade?

Ninguém.

Assim como o elenco foi crescendo, os filmes foram evoluindo e se tornando obras sinceras que nos ensinam o valor da amizade, a diferença entre o que é certo e errado e também a valorizar a nossa família. Afinal, não se dá as costas à família!

No entanto, eu ainda tenho uma relação nostálgica com os primeiros filmes e meu favorito é o mais estiloso de todos, o Desafio em Tóquio. Aparentemente um filme perdido no meio da trilogia, ele foi restaurado em anos recentes e encaixado de maneira magistral dentro da franquia.

O filme conta a história de Sean Boswell, um delinquente que após se meter em uma encrenca na cidade do interior em que morava, vai parar em Tóquio, onde mora seu pai, que tem a esperança de dar um jeito no moleque. O problema é que ele acaba descobrindo uma nova modalidade de corridas lá em Tóquio, o drift.

Drift??? O que que isso significa?

 

 

https://www.youtube.com/watch?v=n0nTNcbq6pM

Ainda preciso explicar porque é o meu favorito? Esse videoclipe explica tudo.

 

https://www.youtube.com/watch?v=iuJDhFRDx9M

O filme mais libertário de 2018

incredibles_two_ver32_lj6nujj

Não é surpresa para ninguém que o filme mais aguardado de 2018 é a continuação que ninguém esperava de um dos melhores filmes de animação da década passada. O que eu não esperava é que esse filme fosse ser o equivalente para esta década de “Duro de Matar”.

“Os Incríveis” foi lançado em 2004, numa época em que os ânimos políticos já estavam exauridos nos EUA e havia se instaurado uma tortura psicológica a nível nacional com o tema do terrorismo, que aos poucos foi se tornando uma triste memória e substituído por outras crises morais. Nessa época, o discurso libertário de “Os Incríveis” passou praticamente despercebido e seu mundo idealista onde a ideia de excelência é combatida em nome de uma igualdade social imposta pelo Estado para se colocar um passo a frente dos problemas sem perceber o quão nocivo isso é foi ofuscado pelo carisma de uma família que restaura clássicos elementos de quadrinhos de super-heróis numa sátira amigável.

Agora, mais de 10 anos após o lançamento do primeiro filme os ânimos políticos estão mais do que exaltados e o filme infantil foi, aos poucos, ganhando um espaço notável na lista de “filmes odiados pelos abobalhados” ao lado de obras de gênios como Nolan, Rohmer e Kusturica.

Mesmo sob as asas da empresa mais infame de entretenimento do mundo, “Os Incríveis 2” não abandonou o discurso que defendia no primeiro filme e, melhor, reforçou esse discurso, abandonando os momentos em que poderia ter ganho pontos com a galera do politicamente correto para isso.

O filme parte do ponto em que parou no primeiro filme, com a família Pêra detendo o Escavador, mas ocasionando uma onda de destruição infraestrutural na cidade. A partir daí, eles perdem o auxílio do governo que tinham (o dublador de Ricardo Dicker morreu e essa foi uma boa escapatória para o sumiço do personagem) e conhecemos o magnata da tecnologia Winston Deavor e sua irmã, Evelyn, que elaboram um plano para restaurar o prestígio que os heróis tinham, usando a Mulher-Elástico para isso.

Daí em diante o filme é todo uma defesa a excepcionalidade de cada um e um ataque contra a igualdade entre seres humanos, que nunca será obtida e, portanto, é um objetivo vazio. A luta de Winston para a retomada do prestígio dos heróis é marcada por um discurso anti-governamental e pró-individualismo, que o transforma numa caricatura de Peter Thiel. Sua irmã até brinca chamando-o de “Sr. Iniciativa Livre”.

É difícil achar um linguajar desses em filmes de Hollywood.

Se não bastasse essa trama principal, temos ainda a trama secundária do Sr. Incrível esforçando-se para cuidar da família quando sua mulher sai de casa, tentando controlar tudo como um Super-Estado, quando a única solução é deixar a expressão de cada um aflorar. Ao descobrir que seu filho mais novo tem super-poderes e ele não pode controla-lo, o sr. Incrível recorre a Edna Moda e ela elabora um projeto para conter os poderes do garoto quando eles aflorarem. Não controla-los de antemão, mas reagir apenas ao problema, explicitando claramente a atitude libertária de lidar com os problemas conforme eles aparecem e não tentar se adiantar sobre eles.

Se isso já não bastasse, Dicker é a caricatura de Ronald Reagan e isso eu sempre achei. O elemento libertário é forte em “Os Incríveis 2”, tornando esse um dos melhores filmes de 2018, sem sombra de dúvida.

4 pontos e meio

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

30 dias de cinema Anti-Cult - Dia 2: Melhor Filme do Adam Sandler

Agora sim, um desafio difícil!

Adam Sandler, o ator, comediante, roteirista, produtor, dublador e músico norte-americano é um monstro da comédia e pedra fundamental dentro do Movimento Anti-Cult. Inspirando milhões de jovens, adultos e crianças no mundo inteiro sua carreira já dura 35 anos ininterruptos de pura comédia.

103535

Ele iniciou sua carreira como comediante ainda aos 17 anos de idade, um verdadeiro prodígio. Logo foi descoberto pelo Saturday Night Live, um tradicional programa de comédia dos EUA e alguns anos depois abandonou o programa para estrelar em excelentes obras da comédia como O Demônio do Golfe, Um Herdeiro Bobalhão, O Rei da Água, O Paizão e, um dos meus favoritos, A Herança de Mr. Deeds, um remake muito superior ao original.

200px-Mr._Deeds_Capa

Além das obras de comédia, Adam Sandler mostra toda a sua versatilidade em filmes dramáticos como Embriagados de Amor, Spanglish, Um Faz de Conta que Acontece e Como se Fosse a Primeira Vez. Confesso que não gosto desses filmes (exceto Um Faz de Conta... que é excelente), mas reconheço o seu valor por atrair uma enorme parcela de novos fãs ao cara.

Da sua produtora Happy Madison, já saiu clássicos como Click, Um Diabo Diferente, Eu os Declaro Marido e... Larry, Gente Grande, entre outros...

220px-Bulletproof_Capa

Adam Sandler ainda fez filmes como Zohan e À Prova de Balas... São tantas obras de arte fantásticas que fica difícil escolher um favorito, ainda mais após seu contrato com a Netflix que nos entregou novos clássicos da comédia como Os Seis Ridículos. Levando-se em conta ainda sua carreira como dublador, temos ainda Hotel Transilvânia e Puppy! para levar em conta.

A tarefa é difícil, mas eu sou corajoso e elejo como meu filme favorito Tratamento de Choque!

O filme conta a história de Dave Buznick, um empresário que um dia sai do controle e é preso, sentenciado a realizar um tratamento de choque para controlar os seus problemas temperamentais. O problema é que escalam para tratar dele o doutor Buddy Rydell, um psiquiatra muito louco que consegue irritar qualquer um.

20230005

O filme parte de uma premissa bacana, que é a de colocar um cidadão pacato contra uma figura de autoridade numa comédia que envolve relacionamentos pessoais. A fórmula já havia sido utilizada por outros filmes, mas aqui conta com um diferencial: Adam Sandler e Jack Nicholson. Numa piada metanarrativa, Nicholson interpreta o psiquiatra que ele não suportava em Um Estranho no Ninho. Apesar de estarem em posições rivais, o final é revelador de uma mensagem que todos devemos carregar para a vida: há males que vêm para o bem.

 

 

 

30 dias de cinema Anti-Cult - Dia 1: Besteirol Favorito

49998249_814197345589601_8626469301806694400_n

A partir de hoje O Sommelier de Tudo irá aderir ao desafio da melhor página do Facebook; Não Sou Obrigado a Ser Cult e, todos os dias, um novo post irá figurar aqui no blog pela parte da manhã debatendo o tema do dia.

513310

Hoje começamos pelo "besteirol"... Ah, o besteirol! Quem nunca se divertiu com um bom besteirol na adolescência? Com os amigos, dando risada e sozinho, esperando o momento em que um belo par de seios pipoquem na tela pra você poder homenagear mais tarde?

Quem nunca?

Há quem diga que o besteirol é um gênero baixo de comédia, pois alia humor chulo com um conteúdo altamente sexual. Eu até concordo, mas acredito que podemos fazer um bom uso do besteirol.

268x0w

Afinal, muitas vezes em nossas vidas levamos o sexo a sério demais. Queremos agradar o parceiro, queremos ser agradados, nos esforçamos e tentamos deixar tudo perfeito, quando deveríamos simplesmente relaxar. E se há algo que os besteirols nos ensinam é isso: relaxar...

Do clássico American Pie até o besteirol Sandleriano Tá rindo do quê?, a lição que sobra é a de que a vida é curta demais para se levar a sério e o sexo não é exceção a regra, muito pelo contrário! O sexo é a última coisa que você deveria levar a sério.

É inegável, American Pie é o clássico do gênero, praticamente o fundador. Influenciando até mesmo as estratégias de marketing adotadas por outros filmes como Aprovados, A Fraternidade, Colegiais em Apuros e a série O Dono da Festa.

220px-Eurotrip_movie

Mas sendo um gênero tão sincero, que provoca um senso de pertencimento e identificação nos espectadores, o besteirol soube se reinventar e outras grandes pérolas foram produzidas, como Caindo na Estrada, que criou a variação do besteirol que se passa numa viagem. Esse subgênero, ainda gerou clássicos como Eurotrip, esse é um dos meus favoritos.

E em anos mais recentes, variações mais ousadas surgiram, expandindo os limites estéticos e narrativos do gênero, como Superbad e Projeto X.

No entanto, o que sempre mandou no besteirol foi a sua sinceridade. O último filme da série American Pie é um retorno à velha fórmula, que nem tem tanto besteirol assim, mas revela toda a sinceridade de sua produção. São filmes que falam de crescimento, escolhas de vida e, principalmente, da amizade. É por essas e outras, que meu besteirol favorito é Um Show de Vizinha.

383855

O filme conta a história de Matthew, um jovem estudante que tem uma vizinha muito gostosa e pela qual ele se apaixona. No entanto, o moleque descobre que ela foi atriz pornô e a partir daí seus amigos começam a encher o saco dele pra transar logo com ela. Danielle, a vizinha, descobre um dia que Matthew descobriu que ela era atriz pornô e ela acha que tudo que ele queria era sexo, abandonando ele. Porém, Matthew está apaixonado de verdade e resolve fazer de tudo pra conseguir o amor de Danielle novamente.

O filme é um besteirol completo, mas seu final é singelo, terminando num belíssimo monólogo sobre a amizade e a importância da honestidade nos relacionamentos. É um filme, que apesar do conteúdo, indicaria até para os meus filhos (quando mais velhos), pois tem uma mensagem bonita.

Esse foi o primeiro post do desafio. Tentarei fazer outros posts no mesmo estilo, mas não sei se conseguirei. Espero que sim.

Até mais, queridos.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Dica gourmet: pão de forma tradicional Visconti

07891962051338

Na minha busca por um pão de forma perfeito acabei me deparando com essa marca que não conhecia num mercado perto de casa e em promoção. Arrisquei e me dei bem!

O pão de forma tradicional Visconti é o carro chefe da marca, ao que tudo indica. Marca, aliás, que não é tão famosa quanto iria se esperar de um pão dessa qualidade. Seu tamanho é menor do que grande parte dos pães de forma por aí, mas respeita aos padrões brasileiros, além de ter uma massa mais condensada, o que quer dizer que quebra com mais dificuldade e continua macia e firme mesmo após uma torradeira, adquirindo a qualidade de crocante por fora e macio por dentro.

Sua embalagem é presa por uma espécie de prendedor grosso e branco que mantém o seu frescor conservado e garante uma maior consistência no fechamento do pacote, mesmo após aberto por alguns dias.

O peso indicado na embalagem é de 400 gramas, 100 gramas a menos do que o comum e se fosse de 500 talvez alcançaria os valores altos que um pão como o pão Pullman Artesano. A falta de 100 gramas nem é sentida, pois a qualidade suprema do pão acaba compensando e você nem precisa comer tanto quanto um pão mais tradicional.

Minha busca pelo pão perfeito acaba de ganhar mais um adendo e mudar para a busca pelos pães perfeitos.

5 pontos

 

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

O que esperar de 2019?

2019

Acompanhando o post de ontem, hoje temos o tradicional post de início de ano com nossas expectativas para o ano de 2019.

No campo da música, Yung Buda, um dos grandes nomes do rap nacional, já anunciou um CD novo: True Religion & Músicas para Drift vol II.

La Dispute também prometeu um CD novo (e dessa vez prometeu mesmo!). A remasterização do primeiro álbum agradou muito e já substituiu o original de 10 anos atrás nas minhas playlists. Duas músicas já foram reveladas, mas ou manter minhas expectativas baixas, pois os últimos trabalhos da banda, dando uma flertada com o eletrônico foram piores que ruim. Uma das músicas, ao menos, soa melhor do que bom.

Touché Amoré ainda não anunciou CD novo, mas lançou um single novo e ficamos esperançosos para um novo álbum neste ano.

 

https://www.youtube.com/watch?v=3LHcaKf7mcc

Godard lançou um filme no final de 2018, para alguns festivais, apenas. Obviamente só poderemos assistir neste ano, porque não somos cinéfilos privilegiados.

Temos ainda o lançamento do filme do Detetive Pikachu, uma empreitada que tem grandes possibilidades de ser tão ruim, mas tão ruim que fica bom. A Laika Studios (criadora de Coraline, o meu filme de animação favorito) vai lançar mais um filme, o Missing Link, o qual eu não faço ideia do que seja, mas sendo Laika, chama a atenção.

missinglink-2019

Temos ainda o retorno de Scorcese com The Irishman, um filme que sabemos pouco, mas sendo do M. Scorcese já anima pra ir ver. O cinema nacional também nos promete uma pérola com a lançamento de Turma da Mônica: Laços, adaptação da HQ homônima e que eu gosto muito. Pra finalizar, Velozes & Furiosos gera seu primeiro spin-off com Hobbs & Shaw, não tem como decepcionar.

A Cia. das Letras parece estar planejando novos lançamentos de livros de Shakespeare no selo da Penguin: A Tempestade e Rei Lear. Já li Rei Lear, mas vou gostar de ler uma nova tradução e A Tempestade só tenho muita curiosidade mesmo, pois ainda não o li.

Teremos ainda a Copa América ano que vem, aqui no Brasil (ame-o ou deixe-o!). Vou tentar ir em pelo menos um jogo, se conseguir companhia e sobrar algum dinheiro. Não tem sobrado muito (nenhum dos dois) ultimamente, mas eu vou tentar continuar com os posts duas vezes por semana aqui no blog.

Até mais e tenham um abençoado ano!

Dica cinematográfica: “A Man Escaped” (1956)

7f8roxooi3fn85cvqig5qwpfsde

Esse filme prova a máxima de que o caminho é mais importante que o destino.

Como já está dito no título, esse filme conta a história real de um preso político em plena Segunda Guerra Mundial, que fugiu da prisão em que se encontrava, durante a ocupação nazista da França.

O filme feito por Robert Bresson é todo em preto e branco e apesar de mostrar um período decadente da história da França foi feito em 1956, um período em que o cinema caminhava para suas décadas mais estilosas e estiloso define bem esse filme. Contando com uma estética minimalista, Bresson fez o filme que, já entrega spoilers no título, uma obra instigante, te deixando curioso para os caminhos que irá seguir até o seu final derradeiro.

De fato, o caminho do prisioneiro Fontaine para escapar da prisão, que se inicia na primeira cena, é mais interessante do que qualquer coisa. Contar muito mais é estragar toda a graça do filme, mas fique tranquilo e saiba que a obra vale muito a pena.

4 pontos

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

O saldo de 2018 foi positivo.

intro

Enfim, o ano acabou e, com ele, vem mais um post de resumo do ano. 2018 foi um bom ano, como todo ano de Copa deve ser. Além do evento esportivo mais importante de todos, tivemos ainda um Brasileirão concorrido, eleições, muitas dicas de livros, eletrodomésticos, filmes, eletrônicos e uns CD's bom demais. Fora tudo isso, esse clássico da internet indie brasileira completou 10 anos esse ano:

https://www.youtube.com/watch?v=QG-iNorEdRY

85202_ggPra começar, tivemos a publicação, no Brasil, de “Júlio César”, pelo selo Penguin da Cia. das Letras. Esse era uma das obras que eu mais tinha curiosidade de ler desde que descobri os prazeres de ler Shakespeare em 2016.

Esse ano ainda terminei de ler o melhor livro já escrito por um ser humano e continuo recomendando muito a leitura. Numa brincadeira da sala, fui perguntado qual livro escolheria para salvar do apocalipse caso tivesse que escolher apenas um e minha resposta não poderia ser diferente. É simplesmente bom demais!

Confesso que não fui ao cinema muitas vezes esse ano. Não moro numa cidade grande para poder conferir filmes de arte e cult nos cinemas, aí acabo tendo a oportunidade de ver apenas os blockbusters que já não tenho saco para ver no cinema. Em compensação, esse ano vimos uma das melhores continuações de filmes de animação ser lançada: “Os incríveis 2”, cuja dica ainda virá.

7e87ae89ba92006fcf0a1b6ece3bb380Tivemos ainda “A Quiet Place” como ótimo filme a sair esse ano e “I Kill Giants”, uma adaptação maravilhosa de um quadrinho ainda mais maravilhoso. No blog ainda tivemos a dica de filmes que já saíram há muito tempo, mas ainda valem muito a pena assistir, como a tetralogia das estações do Rohmer e “Giovanna D’Arco al rogo”.

Quanto às músicas, não me dediquei tanto quanto poderia e como escrevi muita coisa que acabou passando na frente das dicas esse ano, muitas dicas musicais de 2018 acabaram ficando para 2019, como os excelentes álbuns recentes de Gouge Away e Super Unison.

De qualquer forma, o ano começou muito bem com “Time and Space” do Turnstile, definindo o padrão que, infelizmente, não foi alcançado pela maioria das bandas que lançaram CD’s em 2018.

arctic-monkeys-tranquility-base-hotel-casino-agambiarra-1170x480

O que não foi o caso de Arctic Monkeys, que voltou com um CD que faz jus a toda a carreira da banda, cheia de altos e muitos baixos recentes. Um retorno a uma produção musical mais que decente e que eu não canso de ouvir a cada mês que passa.

Esse ano ainda tivemos o lançamento do melhor jogo da década: “Red Dead Redemption 2”, que ainda não virou dica, mas vai virar quando eu zerar.

O que mais podemos dizer de 2018 sem falar de Copa e Eleições? Ambos momentos que marcaram o nosso país. Essa foi a Copa mais azarada do ano em que grandes times foram tirados logo de cara e o Brasil perdeu por puro azar num jogo contra a Bélgica. Foi triste, mas iremos superar.

E as Eleições foram boas, apesar de Bolsonaro.

Tivemos uma mudança profunda no Congresso e no Senado. Grandes nomes como Dilma, Beto Richa e membros do clã Sarney perderam o seu lugar na política e, com isso, abre-se caminho para que Operação Lava Jato (e outras) consigam ser ainda mais eficientes. A nomeação de Sérgio Moro, Marcos Pontes e Paulo Guedes para integrar o governo futuro também é promessa de um Brasil melhor.

https://www.youtube.com/watch?v=16Y_8PrE9U4

Sem contar a presença do ilustre Cabo Daciolo, que nos agraciou com a verdade em seus mais diversos vídeos, nos incentivando a destruir o imperialismo ianque e as forças illuminati e globalistas do mal.

2018 terminou muito bem, obrigado.

https://www.youtube.com/watch?v=KZa_pBHhxY4

 

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Dica teórica: “Anarquia, Estado e Utopia” de Robert Nozick (1974)

14931552089_ddae599df5_z

Esse é um o livro libertário mais sensato que já li e por isso está virando dica aqui no blog. Embora não tenha lido tantos livros assim, conheço a opinião dos grandes pensadores libertários e sei que a sensatez não está entre suas qualidades mais fortes. Porém, Nozick é diferente.

Elaborado como uma resposta ao “A Theory of Justice” do John Rawls, em que Rawl estabelece princípios para a defesa do “Estado de Bem-Estar Social” e as amplas garantias do governo através de programas que são muito familiares a nós, brasileiros. Nozick, contrariando Rawls desenvolve nesse livro argumentos contra tal estado, partindo de pressupostos liberais e anarquistas individualistas para comprovar que apenas um Estado Mínimo é moralmente legítimo e que esse Estado deve garantir apenas a segurança contra roubos, fraudes e o uso da força (e embaixo desse guarda-chuva entram diversas questões que não estão inicialmente ligadas pelo senso-comum ao que querem dizer, como por exemplo, se ninguém pode usar a força sobre você, ninguém pode dizer o que você deve fazer ou deixar de fazer, ficando assim proibido qualquer tipo de proibição – difícil, mas até que faz sentido, se você parar pra pensar bem -). Justificando na primeira parte do livro o que leva a população até o Estado Mínimo, explicando a seguir o que faz com que o Estado Mínimo deixe de ser um Estado Mínimo e passa a ser ilegítimo, Nozick termina o livro apresentando sua versão de uma Utopia Libertária, tentando mantê-la interessante o suficiente para que todos sejam tentados a segui-la.

O fato de Nozick ter uma estima muita maior do que muitos intelectuais libertários dentro da Academia parece comprovar que ele alcançou o seu objetivo com esse livro.

Um dos motivos para sua estima dentro da Academia é que Nozick restaura detalhes importantes da teoria de John Locke presentes, principalmente, em seu “Segundo Tratado sobre o Governo Civil”, em que Locke elabora sua teoria do direito natural, do contrato social e limites do governo, estabelecendo assim as bases para o pensamento liberal. Com essa restauração, Nozick elabora ideias acerca da organização da sociedade, nadando contra a corrente anarquista e admitindo a legitimidade do governo.

Nozick diz que, naturalmente, as pessoas se organizam numa sociedade que funciona como o que ele chama de “Micro-Estado”, um estágio anterior ao Estado Mínimo. A diferença se encontra na estrutura, já que a estrutura de um “Micro-Estado” é menor e não é tão rígida quanto as estruturas de um “Estado Mínimo”, que já contém um nível de formalidade maior, com regras escritas e afins, as quais servem para proteger seus cidadãos de roubos, fraudes e o uso de força.

Qualquer uso de força! Isso por si só já invalida a ideia de Rawls de justiça social, já que o próprio pagamento de impostos por parte de todos para a criação de programas de governo que favoreçam apenas alguns já é um exemplo de utilização de força, afinal se eu não pagar impostos sou preso, concorde eu ou não com isso.

Os argumentos libertários são bem conhecidos, mas a abordagem de Nozick é o seu grande diferencial. Logo no começo do livro, ele alerta para a utilização de princípios que são enquadrados em círculos de pensamento conhecidos como anarquistas, libertários, individualistas e liberais. Essas ideias podem não ser bem recebidas, mas ele alerta o leitor para a existência dessas premissas e que ele, Nozick, assume como muito verdadeiras. Portanto, antes de criticar (ou melhor, antes mesmo de prosseguir no livro, já que isso se encontra na introdução) tenha em mente o ponto de partida de Nozick.

Muito do que Nozick apresenta são argumentos amplamente combatidos, principalmente nos dias de hoje, como irreais e “elitistas”, mas Nozick inicia sua argumentação com estruturas muito básicas de organização social e vai expandindo seus argumentos daí. Em parte alguma ele tenta aplicar suas premissas no mundo atual e é por isso que sua argumentação acaba se tornando tão consistente.

Após derrubar o mito anarquista da ilegitimidade do Estado, Nozick combate as ideias progressistas de “Bem-Estar Social”, expondo toda a sua ilegitimidade, para então, em poucas páginas, expor sua ideia de “Utopia Libertária”, uma forma de governo em que todas as associações poderiam ser feitas espontaneamente, com abertura para as mais diversas formas de pensamento.

Na utopia de Nozick há a possibilidade de um estado comunista estar junto de um estado conservador, desde que certos princípios sejam mantidos.

Além de toda a teoria política apresentada, Nozick constrói argumentos que acabam tocando em temas diversos como economia, direitos humanos, direitos dos animais, ecologia, ataques ao utilitarismo e ética, conseguindo abrir o escopo da questão para objetos que raramente são alcançados pelas teorias libertárias, notadamente focadas na economia, o que explica a resistência que essas teorias sofrem.

De qualquer forma, o campo das ideias libertárias é novo e um livro como esse, prova que há muito campo para os libertários preencherem. Leitura obrigatória!

5 pontos

terça-feira, 25 de dezembro de 2018

Dica natalina: "Jesus de Nazaré" (1977)

8720d295ca21b5e32e64cf61e54af482
Natal, apesar dos pesares, é a data do nascimento de Jesus e para celebrar essa data especial, o Sommelier de Tudo preparou um post de um filme muito especial.

"Jesus de Nazaré" de 1976 é uma dessas obras incríveis que são fruto de puro amor e dedicação. Nesse caso, fruto de Franco Zefirelli, que eu, sinceramente, não sei se é católico ou não, mas criou uma obra que tem não apenas valor bíblico e mitológico, mas um valor histórico. Ele toma como ponto de partida para elaborar a história não apenas os textos bíblicos, mas textos de outras fontes também.

Dessa forma, a obra nos apresenta diversos pontos de vista, historias menos conhecidas que você não encontrará na bíblia, mas que tem valor.

Do ponto de vista técnico, é um primor. Nos apresenta imagens fantásticas, frutos das gravações no norte da África. Uma trilha sonora marcante ainda reforça o teor mítico do filme e as atuações de primeira, com ótimas representações de todas as figuras dessa historia essencial para o mundo.

O único ponto negativo é a sua extensão. Na verdade, esse filme foi exibido a primeira vez como uma mini série, no entanto foi feito como um filme. Tanto que as transições de um capitulo a outro são imperceptíveis.

Com uma ampla pesquisa sustentando sua narrativa, ótimas atuações e um primor estético, o filme se torna uma obra essencial para essa época festiva.

5 pontos

 

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Dica cinematográfica: “O Despertar da Besta” (1969)

cartaz_despertar

Não sou grande fã de José Mojica Marins, vulgo Zé do Caixão, mas acabei de assistir esse filme e ele merece um dica.

Nesse filme feito como uma espécie de mockumentary, acompanhamos um psiquiatra num programa de televisão que senta à mesa com quatro autoridades no assunto que ele vai abordar: perversões sexuais e o uso de drogas. Um desses “especialistas” é o próprio José Mujica Marins. Sérgio, o psiquiatra realizou experimentos com LSD com quatro jovens para comprovar que perversões sexuais são frutos do uso de drogas. Enquanto narra as experiências que coletou, somos apresentados a essas experiências em primeira mão, ou como uma reconstituição. No entanto, tudo muda quando Sérgio droga suas cobaias e pede para que elas olhem para um cartaz de um do filme “O Estranho Mundo de Zé do Caixão”.

O filme apresenta todo o niilismo exacerbado e a filosofia dionisíaca doente de Zé do Caixão, mas ainda assim vale a pena ser assistido. Quando as cobaias de Sérgio começam a delirar no final do filme, ele passa de preto de branca e vemos imagens surreais que só poderiam ter sido feitas após “Jigoku”, homenageado nesse filme e o fator que mais me levou a escrever essa dica rápida aqui.

Além disso, a obra está recheada de metalinguagem, apresentando até mesmo o Glauber Rocha elogiando o Zé do Caixão no meio da obra, servindo como um exemplo incrível de narrativa pós-moderna dentro do cinema brasileiro. Claro que não é uma obra pioneira nisso, vindo anteriormente a Jigoku e a nouvelle vague, por exemplo, mas ainda assim é um exemplo incontestavelmente bem-feito.

Apesar da qualidade meio fundo de quintal, que hoje em dia carrega mais uma aura rústica do que ultrapassada, o filme consegue ser bem produzido, principalmente nas partes coloridas. Sonoramente peca, mas isso são apenas detalhes numa obra como essa, em que as imagens dizem muito mais.

4 pontos

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Dica cinematográfica: “Duel to the Death” (1983)

duelo-ate-a-morte_t74923_wfzs5jh

Mais um clássico do oriente figurando aqui no blog e dessa vez um filmaço chinês dos anos 80!

“Duel to the death” conta a história de uma edição do duelo milenar entre o melhor espadachim chinês e o melhor espadachim japonês. Enquanto o duelo entre os dois é organizado na China, ninjas planejam roubar os segredos milenares dos shaolins organizadores da disputa.

O filme, produzido pela Golden Harvest, é um épico contado em pouco mais de uma hora e meia. Além de explorar questões nacionais expostas na rivalidade entre os dois espadachins, que acabam encarnando característicos dos dois países, temos ainda a presença da conspiração dos ninjas, querendo obter segredos dos shaolins chineses.

É claro que a perspectiva da qual o filme parte é chinesa, então é mais do que óbvio que a história irá puxar mais para o lado da China. É dessa forma que alguns acontecimentos do filme ganham um significado profundo e se conectam entre si ao longo de sua projeção de uma maneira adorável. Da primeira disputa entre um japonês e um shaolin, passando pela explicação do símbolo nacional dos dois países até o seu final trágico e perturbador. Tudo ganha um significado profundo.

E o filme é perturbador, pois é um típico exploitation com muito sangue e abusos típicos dos filmes wuxia, como por exemplo os personagens pularem e usarem o bastão que seguram para se impulsionarem no meio do ar e atingir um ponto mais distante. Além disso, a escalada na violência é grotesca, as cenas finais não são apenas impossíveis, como também te deixam pensando em “quem conseguiria pensar num negócio daqueles?”.

Tudo isso, contribui para tornar “Duel to the Death” um dos filmes mais divertidos que já assisti nos últimos tempos e um dos melhores chineses que vi. Apesar de ter usado alguns adjetivos não muito positivos nessa dica, tudo que disse é um elogio à obra. Pois quando assistimos filmes chineses dessa época não esperamos mesmo que seja crível e sim que seja divertido, com muito sangue e barbaridades mesmo!

São obras para aguçar a imaginação e essa obra é perfeita para isso.

Contamos ainda com uma trilha sonora recheada de sintetizadores, efeitos especiais típicos da época, uma direção extremamente competente e uma edição criativa demais. Algumas montagens são tão boas que me fizeram pensar “porque essas coisas não são feitas hoje?”, como o conflito final com os ninjas.

Em suma, "Duel to the Death" é um ótimo filme pra assistir com a família na sala nesse final de ano.

5 pontos

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Dica musical: “Good Smell vol. 1” de niLL (2018)

nill-good-smell-vol-1

niLL é um rapper brasileiro que lançou, ano passado, o melhor álbum de rap do Brasil em muito tempo, o “Regina”. Esse ano, ele já voltou com uma mixtape recheada de canções que consolidam o estilo de seu rap, retomando temas do “Regina” e fortalecendo o seu nome no cenário nacional.

As canções de “Good Smell vol. 1”, 7 no total, apresentam instrumentais que lembram o grande MF Doom, com uma forte influência do jazz, mas também com um toque de cultura pop, típico do rap produzido pelo Sound Food Gang. Uma das melhores canções na mixtape começa com o som de ki do Dragon Ball, por exemplo. Aliado a isso temos som eletrônicos borbulhando sobre uma batida melódica com um estilo retrô.

Enquanto isso, niLL revela sua paixão pela vida, lembrando passagens da sua vida, com um otimismo e perseverança raros de se ver hoje em dia. Sem contar que ele tem uma qualidade incrível que é a de criar imagens muito vívidas através de seu rap, algo que nem mesmo seus parceiros do Sound Food Gang fazem e quando fazem nunca é tão bem-feito quanto niLL.

É um rapper a se valorizar. Infelizmente, essa mixtape é menos experimental que seu primeiro álbum, embora seja bem temática, sempre retomando a conexão que criamos com a cidade em que moramos e qual a influência que ela exerce em nossos relacionamentos pessoais, com amigos ou a pessoa amada.

“Good Smell vol.1” sai mais de um ano após o lançamento de “Regina” e se niLL continuar assim, seu lugar como o melhor rapper da história do país está garantido, sem exagero.

4 pontos e meio

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Dica cinematográfica: “Johnny Guitar” (1954)

onesheet175-2

Que delicia de filme, rapaz!

“Johnny Guitar” é um filme de faroeste que adiciona uma boa dose de carga dramática ao gênero que, em 1954, já tinha sido usado e reutilizado em todas as fórmulas possíveis até sua desconstrução pelos italianos anos depois.

O filme conta a história de um rapaz que se apresenta como Johnny Guitar por andar sempre com seu violão e não carregar uma só pistola consigo. Johnny chega num salão que estava contratando músicos e acaba descobrindo que sua dona, Vienna está passando por maus bocados junto com o pessoal do vilarejo, porque sua propriedade fica na frente dos planos da via ferroviária. Quando um dos rancheiros morre, sua irmã, Emma, uma influente mulher na região, acusa o Vienna e seu amante, Dancin’Kid do crime. No entanto, Vienna não se rende tão fácil assim e aliada a Johnny Guitar busca a verdade e a justiça, nem que tenha que fazer isso com as próprias mãos relutantes.

O filme é uma excelente obra do faroeste, explorando alguns aspectos não comuns, como, por exemplo, a participação das mulheres na ação. Apesar de recusar a violência, como toda boa mulher, Vienna se vê confrontando com violência em muitos momentos, mas se mantém impassível e fiel aos seus princípios. Dessa forma, apesar do título, Johnny Guitar ocupa um papel coadjuvante na história e a figura que representa a escalada da violência no triângulo mimético que se forma entre ele, Vienna e Dancin’Kid.

Apesar de estar junto com Dancin’Kid, Vienna já não tem mais interesse no relacionamento. Ao mesmo tempo, Johnny Guitar foi um antigo amante de Vienna e os dois se veem pela primeira vez em 5 nos, reacendendo antigas paixões. Descobrimos ainda que Emma tinha olhos em Dancin’Kid e o assassinato de seu irmão é apenas o estopim para ela finalizar sua rivalidade mimética com Vienna.

Sua narrativa é muito bem feita, cada seguimento levando a outro de forma muito natural.

Além disso, é um dos filmes antigos mais belos que já vi e é realmente muito belo. O primeiro filme colorido de Nicholas Ray, diretor do também clássico “Rebelde sem causa”, conta com cores vibrantes, um contraste muito vivo nos cenários e uma elaboração harmoniosa muito cuidadosa.

E é por esses motivos que você não pode perder esse clássico.

5 pontos

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

A poética do cotidiano

Encontrar a poética de algo é um trabalho homérico que visa um horizonte que nunca termina. A poética do cotidiano já foi debatida e continuará sendo por filósofos, psicólogos, astrólogos e palestrantes ao redor do mundo. Eu sempre achei que uma imagem valesse mais do que mil palavras, por isso o post de hoje só terá imagens.

2013 620132014 42015-09-122017-04-142017-08-042018-03-302018-07-022018-11-26WhatsApp Image 2018-11-29 at 21.06.15

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Dica gourmet: Galak Passatempo

novo-chocolate-branco-galak-passatempo-nestle

Eu sou um gordo espiritual e é por isso que minhas dicas gourmet nunca são saudáveis, mas estou planejando começar a postar receitas de fato nessa seção, então só aguarde.

A dica de hoje é mais uma gordisse que descobri há pouco tempo nas prateleiras do mercado que é a mistura de outras duas gordisses: chocolate branco Galak e bolacha Passatempo. Sim, há uma barra de chocolate branco com Passatempo.

O resultado disso é uma barra de chocolate branco com pedaços da famosa bolacha da galerinha legal no meio, acrescentando uma certa crocância ao chocolate, que é sempre uma adição bem-vinda, afinal você acaba ganhando algo para mastigar no meio do chocolate.

Dessa forma, o chocolate não apenas derrete na sua boca, mas se prende entre os seus dedos, que mastigam os pedaços de bolacha dando uma sensação explosiva de sabor e maravilha que palavras não podem explicar.

Nos mercados aqui da cidade o preço varia de 3 a 6 reais, o que é o de praxe para barras de chocolate, mas posso garantir que é um dinheiro bem investido, pois tem a garantia de vir um chocolate de boa qualidade e não aquele amontoado de gordura que muitos deles são por aí.

4 pontos e meio

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Dica cinematográfica: “Metropolitan” (2009)

1 MclfNPm8bMM8hHc8QH6FQg

Que filme gostoso é esse aqui!

“Metropolitan” é um filme que narra as desventuras de Tom Townsend, um rapaz de classe média baixa e intelectual socialista no meio de um grupo de amigos de alta classe de Manhattan. Passando o período festivo de final do ano entre festas e reuniões casuais nos apartamentos chiques da cidade, Tom descobre o verdadeiro charme da burguesia.

O filme, feito nos início dos anos 90, também entra naquela gloriosa lista de filmes indie que conseguiu ser um sucesso de bilheteria ao lado de “Sexo, Mentiras e Videotape” e “El Mariachi”. Situado na cidade de Nova Iorque também viria a ser o precursor de um sub-gênero dos filmes “coming of age”, que é o “coming of age situado em NY”. A história de Tom, acima de qualquer coisa, é uma história de crescimento pessoal.

Tom é um jovem não muito rico, mas que passou a vida convivendo com essas pessoas e por não estar no mesmo patamar que eles, acabou se revoltando, adotando uma série de ideologias para sua vida pessoal que, ele acredita, irão levar a um mundo melhor. O problema é que Tom descobre ao longo de sua curta trajetória com seus novos amigos que o principal empecilho em sua vida era ele mesmo, que estava tão preocupado com os maneirismos de seus colegas que acaba deixando passar as oportunidades de vida.

É dessa forma que Tom descobre o charme e a gentileza de Nick e o amor de Audrey. Mas não sem antes, claro, dar com a cara no muro algumas vezes.

No entanto, nem tudo são flores e aqui vale uma resposta às críticas que o filme sofre. Descobri “Metropolitan” numa lista de “filmes que amamos, mas cujas políticas odiamos” e logo me interessei, principalmente porque a maioria das “políticas odiosas” desses filmes eu amava (até parece que voluntarismo, liberdade civil e escola austríaca é algo ruim!). Mas não percebo em “Metropolitan” uma certa “ideologia burguesa”, muito pelo contrário, percebo nesse filme uma enorme mensagem humanitária. Tom não se torna amigo desse grupo de jovens por serem todos burgueses, muito pelo contrário, o fato deles serem burgueses acaba afastando-os uns dos outros no final.

Tom se torna amigo deles, unicamente por ver neles pessoas que não são muito diferentes deles e não é porque Tom também é um burguês, mas porque ele é um ser humano, com medos, receios, paixões, desejos e ambições, como todos os seus amigos, ele logo descobre. Tanto que o mais reacionário de seus novos amigos, Charlie, é também descoberto como o mais fracassado e menos ambicioso no final.

E no encerramento, tudo que sobra é a amizade e a esperança.

Mas claro pra se perceber tudo isso tem que assistir o filme com um olhar neutro, ou o mais próximo possível disso.

Do ponto de vista técnico, o filme não é um primor estético, até pelo fato de ser um dos primeiros filmes indie da história, mas tem todo o charme dos filmes dessa época. A granulação da imagem, por exemplo. Além disso, a maioria dos diálogos se passam em ambientes internos e pequenos, sobrando pouco espaço para a movimentação da câmera, mas isso acaba dando foco para os diálogos do filme, que são verborrágicos e imensos. Espere para ler muita legenda ou se perder na dublagem.

Vale muito a pena!

5 pontos