quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Dica cinematográfica: “Summer Days with Coo” (2007)

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Esse filme tem mais de 10 anos e eu nunca havia ouvido falar dele até entrar em contato com uma lista de filmes animados do Japão muito bons no Mubi. Foi uma agradavelmente fantástica surpresa!

“Summer Days with Coo” conta a história de um kappa, que após ver seu pai ser morto, ficou preso na terra após um terremoto. Muitos séculos após sua morte, ele é descoberto por Kouichi na forma de um fóssil. Interessado, o menino lava o fóssil e aos poucos o kappa vai acordando. Logo, ele ganha um apelido, Coo e passa a questionar sua situação naquele mundo que é muito diferente do mundo que ele conhecia.

O filme segue uma estrutura típica de um coming-of-age, mas com a figura exótica de um kappa. Tem os diálogos existencialistas, momentos engraçados e uma narrativa que avança e cresce até tomar rumos inesperados, mas finalizando com um final, ao mesmo tempo, feliz e melancólico.

É o tipo de filme que eu gosto, mas que eu entendo quem não gosta.

E este filme sofreu críticas muito rígidas na época de seu lançamento, mas devemos lembrar que era outra época. Talvez o mundo não estivesse pronto para esse filme.

O que importa é que “Summer Days with Coo” é um ótimo filme, muito bom mesmo. Sua narrativa é simples, porém expansiva. O filme tem quase 2 horas de duração e acompanhamos diferentes experiências da vida de Coo, ao mesmo tempo que sua própria família cresce com ele. O desenvolvimento dos personagens é cadenciado e estimulante, não há nenhum momento se torna chato ou enfadonho, exceto o conflito final, que cresce demasiadamente, mas também tem sua função na história, afinal é o momento de maior crise.

Além das características narrativas, o filme ainda entrega uma ótima produção, com imagens muito belas. Dá pra ver que os produtores trabalharam com um alto orçamento.

Unindo imagens belíssimas, trilha sonora decente, uma história fantástica e  personagens mais que carismáticos, “Summer Days with Coo” é uma incrível animação que lança uma perspectiva diferente sobre o gênero coming-of-age, oferecendo novos caminhos para futuras produções.

5 pontos

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Dica gourmet: pão Pullman Artesano

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Há alguns meses ganhei uma torradeira. Usada, já quebrada e com outros defeitos menores, não vale uma dica. E por tempos capenguei para encontrar um pão que fosse ideal para a produção de torradas, mas finalmente o encontrei e ele vale uma dica.

Torradas são obras de arte. Não é fácil de se fazer, se passar muito do ponto, ficam duras, secas e sem graça. Se não ficar no ponto, não esquenta o suficiente para se passar a margarina nelas (nunca manteiga!). A maior culpa disso é do pão que utilizamos. A maioria dos pães encontrados por aí são finos demais para serem utilizados na produção de torradas.

Um dos meus segredos são os pães da minha vó. Ela faz pães caseiros e a massa dos pães dela são mais resistentes, fofas e úmidas que as massas de pães de mercado. No entanto, ela mora em outra cidade e nem faz mais pão com tanta frequência, dessa forma, tive que caçar algum novo tipo de pão e meu irmão me apresentou o objeto desta atual dica.

O pão Pulman Artesano é um modelo especial de pão que surgiu nessa última ordem gourmet que assolou o país e se apresenta como um pão mais grosso, de massa mais úmida e com uma cobertura de farinha que dá um toque de carboidrato a mais em cima dele.

Suas fatias são maiores do que as fatias normais, mais grossas e quando ele é posto dentro da torradeira, gera torradas mais macias, ou melhor, torradas com 2 camadas, uma camada externa crocante e quente e uma camada interna, macia, igualmente quente. Essa dicotomia de sensações gera uma explosão de sabor e delícia que causa orgasmos alimentícios incapazes de afastar a mais chata crítica culinária do país. É simplesmente delicioso.

5 pontos

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Dica cinematográfica: “A paixão de Joana D’Arc” (1928)

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Eu sou um hater de filmes mudo. Não os suporto. Não consigo prestar atenção neles, mas esse filme chamou muito a minha atenção e não resisti, tive que ver e o resultado me surpreendeu.

Dirigido por Carl Theodor Dreyer, com roteiro baseado nos documentos históricos do julgamento de Joana D’Arc, heroína francesa, capturada por franceses aliados aos ingleses durante a Guerra dos Cem Anos e vítima de uma conspiração que culminou com sua morte, retrata os últimos momentos da vida dela, já na prisão, enfrentando o julgamento de corruptos membros da Igreja e do estado francês.

A comparação com Jesus Cristo é justa (as figuras históricas se aproximam, sendo representativas de um mito fundacional e reforçam a tradição cristã de ficar ao lado da vítima) e a interpretação de Maria Falconetti é soberba, transmitindo tantas emoções que fica difícil desgrudar os olhos da tela.

Parte disso se deve a Dreyer que impediu que seus atores usassem maquiagens e, ao utilizar um jogo de câmeras inovador para a época, conseguiu dar mais dramaticidade a cada cena. Essa carga dramática funciona tanto para perturbar (nas cenas de torturas) quanto para relaxar (nas cenas de revelações), sendo super efetivo em suas intenções.

O original do filme se tornou perdido ao longo dos anos, foi banido na Inglaterra e só foi reencontrado (ironicamente, por que Deus existe e ele é um piadista) num sanatório para doentes mentais em Oslo. Essa versão encontra-se na edição da Criterion Collection pela qual assisti essa obra, com acompanhamento musical de Richard Einhorn, que dá o tom perfeito para a transcendentalidade e bravura da obra.

Uma obra-prima do cinema mudo, um clássico e obrigatória para todos os cinéfilos.

5 pontos

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Dica tecnológica: carregador portátil Asus

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Quando comprei meu último celular Asus ganhei esse carregador portátil e por muito tempo não o utilizei, porque a bateria do meu celular aguentava muitas horas de atividade intensa sem precisar de uma recarga. No entanto o tempo passa e as baterias de celular têm sua validade. Não é diferente com os celulares Asus e só agora comecei a utilizar o carregador portátil que ganhei, estando apto para elaborar uma merecida dica.

O carregador portátil Asus acompanha os outros produtos da marca e também tem um nome próprio, “Zenpower”. Sua bateria de 400mAh com células de lítio promete até 4 recargas totais de seu celular, ou seja, você pode fazer o celular chegar a 0% de bateria até 4 vezes antes de ter que recarregar o seu Zenpower. Não parece muito, mas você tem que lembrar que a bateria do Zenfone raramente chega a zero, mesmo após um dia de uso intenso.

Eu diria que é seguro afirmar que com o Zenpower você pode usar o seu celular por uma semana inteira sem ter que usar o carregador normal.

Além disso temos um design elegante e minimalista, com luzes de LED azuis indicando quantas “baterias” restam no Zenpower, um tamanho diminuto, duas entradas USB, uma mini e outra normal para que você possa recarregar seu celular e o Zenpower, mas não vem como o adaptador de tomada e aí vem o ponto negativo.

Na tomada o Zenpower recarrega totalmente em algumas horas, mas no USB do computador por exemplo, você pode deixar uma noite inteira que ele não irá recarregar totalmente. Provavelmente isso acontece com todos os carregadores portáteis, mas é algo que me chamou a atenção quando usei o Zenpower pela primeira vez, isso logo depois que o adquiri.

Assim como outros carregadores portáteis, o Zenpower também esquenta quando carrega, mas não chega a ser um absurdo. Uma vantagem é que seus materiais esfriam rapidamente após o uso.

De qualquer forma, o Zenpower é uma ótima pedida para aqueles que gostam de usar carregadores portáteis (não sei se alguém realmente gosta, mas conheço muita gente que realmente precisa). Atualmente, o modelo que eu tenho, não está mais sendo comercializado no Brasil, mas ele foi substituído por um ainda melhor, o modelo Slim.

É a mesma coisa, mas o modelo Slim é bem mais fino, portanto mais prático, além de ter uma lanterna para emergências, diferente do meu. Tudo isso por menos de 200 reais. Vale a pena.

4 pontos

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Dica cinematográfica: “Santo Agostinho” (1972)

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Feito pelo genial Roberto Rosselini para a TV italiana, essa cinebiografia do santo e filósofo Agotinho de Hipona é uma obrigatória para todos aqueles que admiram ou querem se aprofundar no pensamento agostiniano.

Em “Santo Agostino” somos atirados em Hipona na época em que Agostinho foi nomeado bispo de lá. Acompanhamos sua nomeação e seus primeiros entraves, conflitos com as autoridades romanas, desavenças com outros católicos e membros de outras religiões, enquanto o bispo começa a escrita de uma de suas obras-primas, “A cidade de Deus”.

Ainda não sei qual a posição de Rosselini quanto a religião, mas consigo perceber nele um grande respeito pela tradição católica, não apenas por ter se dado o trabalho de fazer tantas cinebiografias de santos da Igreja, mas também pelo tratamento, digno de um historiador dado aos objetos de suas obras. No caso, temos Santo Agostino, interpretado magistralmente por Dary Berkani, que ao que tudo indica nem era ator, mas soube dar a vivacidade e o ar contemplativo que o papel exigia na medida certa.

A narrativa nos guia pelas ruas de Roma, já decadentes, apresentando essa decadência de diversas formas, mas sem um julgamento moral, ficando a cargo do espectador compreender o que vê como o fim de Roma ou não. Em meio a romanos, estrangeiros, pagãos, invasores e cristãos não muito fiéis, Agostinho nos é apresentado como um pilar de paciência, sabedoria e perseverança, sempre ouvindo a todos, esperando para tirar suas conclusões e apresentando-as de maneira coerente e calma.

O olhar de Rosselini é o olhar de um italiano que admira o seu passado, mas nunca se esquece do presente. Seu jogo de câmeras, as próprias cores utilizadas ao longo do filme e a escolha dos “atores” são mostras de uma genialidade moderna que viria a influenciar uma ampla geração de cineastas, da Nouvelle Vague aos cineastas soviéticos.

É incrível como mesmo sendo um filme para TV, o que é visto com certo preconceito, considerado uma obra de arte menor, com menos recursos, “Santo Agostinho” consegue ser um filme que fica pau a pau com outras cinebiografias, o que apresenta uma questão interessante. A cinecittà da época não era a cinecittà de hoje, era muito mais próspera, farta e até mesmo criativa. Não que hoje seja ruim, mas aquela foi sua época de ouro e até mesmo os filmes para TV eram dignos de obras épicas cinematográficas.

Enfim, um ótimo filme.

5 pontos

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Dossiê “House of Leaves”

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Reli essa obra magnífica, que já foi dica há dois anos atrás, numa semana apenas, porque a obra é simplesmente sensacional e dessa vez pude ler sem tantas confusões mentais. Após mais uma leitura e mais descobertas, merece um dossiê.

A capa: a capa desse livro já é um indicativo do que você irá encontrar. Além da arte que nos apresenta um labirinto em linhas pretas num fundo preto, uma lateral com várias fotos polaroid de casas grandes do interior dos Estados Unidos e a contra capa com apenas uma foto que logo descobrimos ter sido tirado do “Navidson Record”, ela tem uma peculiaridade que sempre me chamou muito a atenção. A capa é menor do que o livro. O formato dela até segue o padrão de livros maiores, mas a diferença é que o miolo do livro é muito maior do que o padrão e a sacada genial já começa aí, afinal o livro conta a história de uma casa cujas medidas internas são maiores que as medidas externas.

O enredo: o livro conta uma história dentro de uma história dentro de outra história. Johnny Truant e seu amigo, Lude entram na casa do falecido Zampanó, vizinho de Lude, e descobrem se tratar de um imóvel peculiar. Johnny leva para casa um monte de papéis que supostamente Zampanó havia escrito e começa a montar o quebra-cabeça: Zampanó escreveu uma análise sobre um documentário, “Navidson Record”.

The Navidson Record: o ponto alto da obra e o que mais chama a atenção. É aqui que tudo de fato acontece. Navidson é um renomado fotógrafo que se muda para uma casa no interior a fim de reatar laços com sua família. Após a descoberta de que as dimensões internas de sua casa são maiores que as externas, inicia-se nele uma paranoica busca pelo oculto naquela casa, que o leva a perder muitas coisas, seu irmão, sua mulher, filhos e partes de seu corpo, enfim... a casa acaba com a vida de Navidson, mas é nesse tenebroso final que o livro revela o seu ponto forte: ser uma história de amor, dentro do horror.

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Mark Z. Danielewski: o criador dessa obra fenomenal lançou o livro na internet, fragmentado, antes de lançar o livro. “House of Leaves” é considerado uma obra seminal dentro dos “romances de hypertexto”, um termo usado para esses livros que usam uma linguagem próxima a da internet para contar as suas histórias. No caso, as conexões que Danielewski faz são um exemplo de hiperlinguagem, mas não apenas isso, a própria estrutura da página, fragmentada, modelando a organização de palavras e letras para que possa representar o que está acontecendo são exemplos únicos dentro do “gênero”. Desconheço outro autor que faça isso. Danielewski, em sua obra mais recente, “The Familiar”, expandiu isso, criando livro que, dizem, tem mais de 600 páginas, mas poderiam ter 300 não fossem essas invenções estilísticas.

Romance de Hypertexto: não sei nem se o termo existe em português, mas estou traduzindo aqui. É um termo que não chega a descrever um gênero, mas serve como um guarda-chuva para abarcar esses livros que apresentam uma narrativa não linear e dão uma escolha ao leitor para seguir o caminho que quiser na leitura. Pense nos contos narrados por diversos autores através de meios distintos como cartas ou relatos nos contos de Borges ou ainda a análise de um único poema que constitui toda a história de “Fogo Pálido”. O leitor não é obrigado a seguir de forma linear o texto, mas a pular páginas, seguir para as notas, se concentrar nas “margens” do texto para poder montar uma coerência narrativa. Os exemplos que dei são antigos e considerados como precursores do “gênero”, que ganhou forma e força a partir do advento da internet, o que possibilitou a autores extrapolares o espaço convencional do texto, além de ferramentas que facilitam esses experimentalismos.

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Borges: uma influência clara de Danielewski na hora de fazer a obra foram os labirintos metafóricos, linguísticos e literais de Jorge Luís Borges. O autor não é citado diretamente, mas toda a construção que leva ao labirinto dentro da casa lembra os contos do autor argentino. A presença do Minotauro, que aí é muito mais metafórico do que literal, só reforça essa ideia.

Derrida: o filósofo francês responsável por cunhar o desconstrutivismo faz uma breve aparição no livro, quando a mulher de Navidson resolve fazer um apanhado de entrevistas com pessoas que viram o documentário. O desconstrutivismo, explicado de maneira bem rasa, é simplesmente a ideia de abandonar pré-conceitos acerca de uma ideia, indo a sua raiz para que se possa criar uma opinião robusta sobre o que se está discutindo ou pesquisando, nem que para isso você tenha que buscar apoio no completo oposto daquela ideia. Muito mal utilizado por muita gente ao longo do século 20, é bem utilizado aqui, nos saltos que os personagens do livro dão. Eles vivenciam diferentes experiências na busca por uma clarificação do que estão vivendo e, ao final, é a desconstrução da linguagem que acaba nos dando a “moral” final da obra.

Essas são apenas mais algumas anotações, complementares à minha dica sobre esse livro, alguns pontos que servem como guia de leitura para quem for se aventurar nessa obra magnífica.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Dica cinematográfica: "Violent" (2014)

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Este é um filme que estava aguardando muito para assistir. É um indie de verdade. Ouvi falar dele num post cheio de cenas do filme, belíssimas por sinal, e me interessei muito, no entanto, o filme, que foi lançado em 2014, nunca viu sucesso e acabou sendo lançado em DVD e em plataformas online para download apenas esse ano, 2018.

“Violent” conta a história de Dagny, uma norueguesa, que sai da casa dos pais e vai viver numa cidade maior, morando em cima da loja de materiais onde trabalhava, afim de poder ficar mais próxima da melhor amiga. O problema é que a melhor amiga está de mudança, para Oslo, deixando Dagny sozinha na cidade “grande” onde passa a viver. Lidando com diferentes personagens e descobrindo soluções para uma tragédia do passado recente, Dagny passa por um período de intenso crescimento pessoal.

Neste filme não temos grandes diálogos, nem grandes interpretações. É um típico coming-of-age centrado numa norueguesa, mas sua atmosfera acaba chamando a atenção. Em nenhum momento nos é jogado, nem mesmo de forma obscura como em “Perks of Being a Wallflower” a tragédia do passado de Dagny. A estrutura do filme é dividida em episódios e cada um deles recebe o nome de um personagem que Dagny encontra, nos exibindo Dagny mais pelo ponto de vista deles ou a forma como eles se relacionam com ela, do que pelo ponto de vista de Dagny, propriamente dito.

É desta forma que Andrew Huculiak, o diretor e roteirista do filme, cria uma atmosfera instigante. A todo momento você fica com a sensação de que há algo mais ali que não está sendo dito ou não está ficando claro para quem assiste. E, de fato, numa rápida troca de mensagens com ele pelo twitter, descobri que esse filme foi criado em uma série de acontecimentos que ocorreram na vida das pessoas que participaram da sua produção, além de representar um desafio que era escrever um filme inteiro numa língua estrangeira (Andrew não é norueguês).

Um desafio autoimposto, um conjunto de experiências pessoais, um projeto quase caseiro e você tem um dos filmes mais sensíveis e belos lançados em tempos recentes. “Violent” não choca, nem cansa, mas é um filme que surpreende, prende a atenção e alça níveis estéticos que força uma mescla de gêneros, muito bem feita aliás. Tudo isso, feito através de um excelente trabalho de arte.

Dessa forma, “Violent” acaba se tornando um desses filmes que pede por uma segunda chance, não que ele precise de uma segunda chance, mas fica lá, no fundo da sua cabeça, tocando uma suave canção que não te deixa esquecer dele. Um filme para ser revisto.

4 pontos e meio

 

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Dica literária: “Os Noivos” de Alessandro Manzoni (1827)

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Em anos recentes pude perceber em primeira mão que literatura é, realmente, uma porta para mundos desconhecidos ao me surpreender com o conhecimento de história, geografia, política e outras tantas áreas do conhecimento humano que pude obter graças aos livros. Em discussões com colegas um pouco mais exigentes, sempre acabo me lembrando de algum livro que li, que sirva de exemplo para ilustrar um argumento ou mesmo que apresente um argumento a ser defendido. E este livro é um ótimo exemplo da influência que livros podem exercer no seu conhecimento de mundo.

“Os Noivos” conta a história de (dã!) dois noivos, Renzo e Lucia, que estão prontos para se casar, mas o padre que ia celebrar a cerimônia do sacramento é ameaçado por um homem muito influente na região da vila onde esses personagens moram. Dom Rodrigo almeja conquistar a pobre Lucia e decide mandar dois de seus empregados, mercenários e homens de má índole, ameaçarem a vida do padre. Dessa forma se inicia a epopeia desses dois jovens noivos, que envolve viagens, outros personagens, tanto mais santos quanto mais assustadores, revoluções e até mesmo a Peste Negra.

A história do livro se situa entre 1628 e 1632, na Lombardia, região ao norte de Itália e é contada para nós como se o autor, Manzoni, tivesse encontrado um velho relato da região e decidisse nos revelar o conteúdo desse manuscrito. Dessa forma (muito moderna, aliás, diga-se de passagem, pois esse será uma forma narrativa muito utilizada pelos modernistas), Manzoni abre a possibilidade de inserir diversos comentários na obra, seja sobre a história dos dois noivos, apresentando personagens, fazendo comentários sobre o que deveria se passar em suas mentes e aprovando ou desaprovando suas ações, seja contextualizando a obra para facilitar a nossa compreensão, apresentando fatos históricos ou tecendo comentários acerca da geografia da região.

É nesse momento que o livro abre diversas portas do conhecimento para o leitor, pois Manzoni realizou uma extensa pesquisa de campo para poder criar um ambiente que fosse o mais próximo possível das condições reais de vida na região e época retratadas no livro. Em muitos momentos, o autor nos apresenta até as fontes para que possamos consultar os dados.

Infelizmente, esse é um louro, mas é também o maior defeito da obra, pois o livro se encaixa na tradição realista de literatura e a escrita de Manzoni é burocrática, o que cansa demais o leitor. Claro que há aqueles que gostam desse estilo de literatura, se não, não existiria tantos fãs de Machado de Assis por aí (que, inclusive, era leitor assíduo de Manzoni), mas eu me canso e enjoo facilmente desse estilo de escrita, com poucos diálogos, descrições secas e nenhum espaço para simbolismo.

Apesar de lenta, a leitura é agradável, pois Manzoni criou personagens extremamente carismáticas, a pobre Lucia é um anjo e seria digna de um Technicolor, como bem comentou Pasolini. A epopeia instiga e te faz ler mais, nem que seja apenas um pouco por dia.

A edição que tenho é a editora Nova Alexandria, belíssima, capa dura e com ilustrações no início de todos os capítulos. Essa edição, além de traduzir o texto completo, ainda contém a enfadonha “História da Coluna Infame”, uma adição necessária, já que é um complemente direto para “Os Noivos”, porém é uma das coisas mais chatas que já li, um relato sobre injustiças cometidas quando a Peste Negra ainda assolava a Europa, cheio de termos jurídicos e extensas notas de rodapé a outros autores que comentaram os mesmos fatos.

Enfim, ao final, é uma história muito boa, engraçada em diversos momentos, instigante (como já disse) e que sobrevive ao tempo e às tendências literárias da época em que foi escrita.

4 pontos

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

A arte de fazer um panfleto apresentado por Sonny Liew

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Hoje não é propriamente uma dica, pois não recomendo esse quadrinho a ninguém, mas é algo que merece ser comentado e é o mais novo (talvez, já que os caras lançam quadrinho a cada respirada) quadrinho do Pipoca e Nanquim, “A arte de Charlie Chan Hock Chie”.

Este livro é como se fosse um documentário e sua história já começa na capa interna, nos apresentando dois personagens históricos que serão o centro de todo o quadrinho Lee Kuan Yew e Lim Chin Siong, membros de uma resistência popular que assolou a Singapura, quando ainda pertencia a coroa britânica e que influenciaram enormemente Charlie Chan Hick Chie, o personagem que dá nome ao quadrinho. Hock Chie é um desconhecido, mas extremamente talentoso quadrinista de Singapura e Sonny Liew nos apresenta a sua história profissional e pessoal nesse quadrinho. História que se confunde com a história recente de Singapura.

O país insular, um dos tigres asiáticos, como aprendemos nas aulas de geografia na escola passou por grandes conflitos após a II Guerra Mundial, primeiro por ser uma colônia britânica e os ingleses terem perdido muito de seu poderio militar nessa época e com isso diminuem consideravelmente sua influência na ilha. Segue-se a isso uma forte influência ideológica de esquerda na ilha, pensamento que assolou toda a Ásia na época e a partir daí surgem Lee Kuan Yew e Lim Chin Siong, líderes populares. A história se estende, mas um resumo é que os dois líderes se desentendem, o partido de Lee Kuan Yew ganha as primeiras eleições e, apesar de suas motivações ideológicas, a Singapura cresce, se tornando o tigre asiático que é.

Como bem apresentado por Sonny Liew isso tem um custo, pois Lee Kuan Yew censura a imprensa, cria programas governamentais ridículos e até revoltantes, como o de controle populacional, exercendo uma verdadeira lavagem cerebral, ele próprio se torna uma espécie de ditador populista, fortalecendo um capitalismo de estado que cria uma rede burocrática tão extensa que é praticamente impossível de se imaginar fora dela e, nesse cenário, Sonny Liew, de maneira totalmente ingênua, resolve criar um livro político.

Apesar da forma como o livro se vende, esse é um livro sobre política e o pior, política de esquerda. O que já é chato, fica ainda pior.

Sonny Liew nos apresenta uma história que foi de sucesso, mas a um custo alto, sem nunca condená-la explicitamente, afinal, é um sucesso, mas faz pior ao apresentar Lim Chin Siong, o líder de “esquerda radical”, como ele mesmo diz no livro, como se fosse uma alternativa melhor e que iria fazer tudo do mesmo jeito. E provavelmente fosse fazer mesmo, como Sonny Liew deixa até implícito no final da obra, afinal, os dois são farinha do mesmo saco. A verdade é que Singapura estava entre a panela e a frigideira nessa época.

Sonny Liew entende pouco ou nada de economia ao condenar o governo por se render aos “capitalistas”, embora ele não saiba que privilégios estatais não sejam uma forma muito capitalista de negócio. Sonny Liew deixa de fora a “direita” e os “conservadores”, como se nunca tivessem atuado em Singapura, mencionando-os apenas numa breve nota e que deixa claro que sua atuação foi mais benéfica do que os dois grandes líderes de alguma forma ou outra exaltados nessa obra. Sonny Liew ainda apresenta “diferentes olhares sobre os fatos”, o que de forma alguma é algo ruim, per se, embora isso tenha que ser feito de maneira cuidadosa e eu não fui conferir as fontes para verificar isso. Enfim, Sonny Liew nos apresenta uma obra panfletária que seria nojenta, se não fosse genial.

Kuehnelt-Leddin alerta que a esquerda foi dominando aos poucos as artes, começando por um financiamento das belas artes após a revolução francesa, depois escolas e por fim centros de divulgação cultural e assim eles criam as melhores peças de teatro, os melhores filmes, as melhores músicas e afins. São peças de arte que, apesar de vazias de significado ou com um significado revoltante, são belíssimas e nós temos que dar o braço a torcer e apenas abaixar a cabeça para a sua superioridade artística, enquanto ficamos contando dinheiro, abrindo nossos próprios negócios e tocando a vida. É triste, porque é real e esse livro é uma prova disso.

A escolha narrativa de apresentar uma história dentro de outra, aliado ao talento artístico de Sonny Liew, que domina todos os ramos possíveis das belas artes, de rascunho a pintura com tinta à óleo, faz desse livro uma leitura extremamente prazerosa, se você se liga no lado artístico de um quadrinho. Tá certo que todo quadrinho é uma obra de arte por si, mas nem todos admiram uma arte bem feita e essa arte não é bem feita, é perfeitamente feita.

É o ponto alto e o que salva o investimento, pois essa história não teria graça nenhuma, mas ao vermos ela pelos olhos de um artista que a acompanha de perto e muda o seu estilo conforme as tendências mundiais de quadrinho mudam é um colírio para os olhos. Sem contar as inúmeros referências que satisfazem qualquer nerd.

Sem contar o cuidado fenomenal que o Pipoca e Nanquim dá aos seus livros. Este é mais um capa dura, com sobre capa e detalhes em baixo relevo na capa, feito com um cuidado editorial exemplar e que só mostra o amor que os caras têm pelo material que trazem para o Brasil. Confesso que este é o primeiro livro que compro da editora, porque eles o venderam muito bem no canal deles do Youtube e tenho vontade de adquirir outros, acho que o próximo será o Beasts of Burden, que tô com vontade de ler há tempos.

Enfim, não recomendo esse livro se você é um cérebro pensante, mas se quer ver uma obra de arte admirável, compre-o.

3 pontos

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Dica higiênica: pasta de dente Colgate Luminous White

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Nenhum blog de dicas higiênicas pode passar sua existência sem recomendar em algum ponto esse produto, pois ele é verdadeiramente fenomenal.

A Colgate é outra marca já muito bem estabelecida nesse país e há alguns anos lançou no mercado seu produto que promete clarear os dentes, a Colgate Luminous White, a pasta de dente com micro cristais aceleradores de branqueamento.

Se acelera mesmo o branqueamento eu não sei, mas eu só sei que é um produto extremamente agradável de se usar. É claro que a limpeza bucal depende mais do jeito como você escova os dentes do que os produtos que você usa, mas usar algo que torne essa atividade enfadonha do dia a dia algo mais agradável é sempre uma boa pedida e essa pasta cumpre esse objetivo.

Sua fórmula garante um maior frescor na boca, que dura por várias horas, conferindo uma sensação estável de limpeza que dá muito mais segurança na hora de sorrir e sair bonita1 naquela foto com os amigos ou junto com a família ou sozinho pra postar um stories no instagram.

A Colgate é outra dessas marcas que não esconde qualidade com papo furado e se vende por um preço mais alto que as outras marcas no mercado, mas vale cada centavo gasto, sem contar que eu sempre encontro essa pasta em promoções nos mercados da cidade, com embalagens de compre 3, pague 2 e afins.

Dessa forma, se você quiser um produto, que se promete eficaz e é, de fato, agradável a boca, escolha, sem duvidar, a Colgate Luminous White.

5 pontos

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

23/08/2018 – o dia do melhor programa d’A Praça é Nossa

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Na quinta-feira, dia 23 de agosto de 2018, um evento histórico sacudiu a televisão brasileira, pois foi nesse dia que “A Praça é Nossa”, o melhor programa humorístico da história do Brasil lançou o seu melhor programa no ano.

Já tive a inspiração de fazer um post desse tipo há um tempo atrás, quando assisti um excelente programa d’A Praça, mas apenas com esse último programa é que fiquei motivado, de verdade, para poder escrever esse texto, afinal, nesse programa, todas as partes lançadas no Youtube (plataforma onde assisto os programas e que os divide em 3 seções) tiverem ótimos momentos. Sendo assim, vamos ao pequeno review do melhor programa d’A Praça de 2018.

https://www.youtube.com/watch?v=RBSlDZV5_a8

Tudo começa com o Paulinho Gogó, personagem do comediante Maurício Manfrini, que está há mais de 10 anos sentando ao lado de Carlos Alberto de Nóbrega n’A Praça e já passou por maus bocados. Já contou piadas ruins, já sofreu represálias do politicamente correto, já copiou piadas de outros comediantes e já teve o seu tempo de programa reduzido. No entanto, esse ano ele voltou para a Praça afim de se redimir com os fãs do programa e na semana passada não deu descanso. Começou com uma ótimo contextualização, emendando uma piada sexual atrás de outra, engajando o Carlos Alberto na conversa, como se fosse o encontro casual de velhos amigos (e talvez seja mesmo, após 10 anos, nem sei mais se ele considera aquilo um trabalho mesmo). Ainda citou o grande Dicró, nos lembrou da Nega Juju, incluiu o Paulinho Tuntum, seu filho e terminou com uma piada fantasticamente engraçada.

Depois foi a vez do Sangue, personagem da Marlei Cevada, que é sempre um quadro muito engraçado, mas nesse programa soltou até a palavrão. Como nem tudo são flores, após ele entraram dois novos personagens, interpretados por dois comediantes que há anos não se enquadram n’A Praça e aquele casal que é formado por um dos primas do Café com Bobagem, quadro que deveria voltar, inclusive. Mas a primeira parte terminou com o ótimo Porpetone, interpretando o Calça Grande, que some bastante nesse quadro, mas conseguiu se destacar com ótimas tiradas e piadas de duplo sentido muito engraçadas.

https://www.youtube.com/watch?v=_M47PsNuow0

A segunda parte já começou com um clássico, o deputado João Plenário, que não apresentou uma gostosa no programa, mas conseguiu espaço para fazer ótimas piadas contextualizadas ao âmbito político.

E logo depois, entra o atual diamante d’A Praça, Matheus Ceará, que não perdoou ninguém, emendou uma piada atrás da outra, ousando e inovando, expandindo os limites do humor dentro d’A Praça, com excelentes contextualizações e aquela baixaria caliente que todo brasileiro adora. Foi uma das melhores apresentações dele n’A Praça desde que ele entrou para o programa.

Nem tudo são flores e o nepotismo reina n’A Praça, com uma das netas do Carlos Alberto, que não tem graça, mas é um colírio para os olhos. Para equilibrar, entram os Malandrinhos de Niterói, um trio que nem sempre faz boas apresentações, mas quando fazem, sai de perto, porque serão horas e horas de risadas, lembrando suas ótimas piadas. Eles não são tão boas em contextualizar piadas, mas conseguiram emendar com sagacidade as piadas prontas que utilizaram e ainda improvisaram, provocando a audiência a compreender as implicações que A Praça é Nossa apresenta fora das câmeras. Eles não terminaram muito bem, mas a terceira parte começou de forma surpreendente.

https://www.youtube.com/watch?v=R4bpiDeCw3U

Aparentemente o Rey Biannchi vai fazer parte do elenco fixo d’A Praça e apareceu novamente para fazer uma participação incrível. Rey Biannchi é um artista telentosíssimo e muito inteligente, com um carisma monstruoso, mas n’A Praça acabou mostrando que é dono de piadas extremamente inventivas, apresentando piadas novas num terreno extremamente difícil que é A Praça é Nossa, com suas muitas décadas de existência e com um desafio gigantesco para os comediantes que querem fazer algo novo lá. Rey Biannchi não só fez isso, como fez isso muito bem, galgando um caminho para ser um mestre do humor.

E saindo do ouro para a esmeralda, entrou o Saideira, interpretado pelo talentosíssimo Giovani Braz, junto com um figurante d’A Praça para contextualizar suas piadas de maneira fantástica ao lado de outra figurante. O Saideira então apresentou suas histórias engraçadas com um carisma único que garante o seu lugar n’A Praça há mais de uma década.

E para acabar com chave de ouro, da melhor forma possível, Ari Toledo, esse Godzilla da comédia, voltou para o programa e já atua lá há semanas ensinando os outros comediantes a fazer as pessoas rirem com maravilhosas piadas, ousadas e poderosas, dando um soco de direita no politicamente correto que Carlos Alberto, muito sabiamente, já mostrou ser contra.

Na última noite de quinta-feira, A Praça é Nossa provou ser o melhor programa de comédia atualmente no Brasil e já tem lugar garantido na história. Os melhores humoristas se encontram lá, contando as melhores piadas, da melhor forma possível, mas na última quinta-feira elevaram tudo isso à última potência. Eu não sei que caminho A Praça é Nossa vai seguir a partir daqui, talvez caia um pouco, por já ter alcançado um nível tão alto, mas fico feliz em saber que esse programa continua tão magnífico e sensacional.

Portanto, não deixe de dar audiência para esse programa tão incrível hoje à noite e, se não puder, assista-o em seu canal do Youtube amanhã, porque está valendo muito a pena.

terça-feira, 28 de agosto de 2018

O que eu perdi: “Five Leaves Left” do Nick Drake (1969)

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Faz muito tempo que admire o trabalho desse fantástico música folk do Reino Unido, mas nunca tinha me inspirado a escrever um texto sobre ele, embora esse não seja o motivo principal para eu escrever essas dicas. Pois bem, agora não só estou inspirado, como estou com tempo livre para tanto e decidi começar uma série de dicas sobre a obra dessa fantástico artista.

“Five Leaves Left” é o primeiro CD lançado por Nick Drake, conta com uma história conturbada de produção, com muitos desentendimentos entre todos que trabalharam em sua produção, desde a equipe que mantinha o estúdio, passando pelo produtor e culminando no próprio Nick Drake, que não ficou nem um pouco contente com o caminho que o álbum seguiu.

No entanto, polêmicas à parte, o álbum é um petardo. Talvez até por tantos desentendimentos, ele tenha uma qualidade superior a outros. O álbum contém uma produção ousada para as ambições de Nick Drake, com arranjos que fazem referências a artistas de música clássica, participação de uma banda para ajudar na construção das músicas, mas ainda contém a aura pela qual Nick Drake ficaria conhecido, muitos anos após a sua morte, já que, em vida, ele nunca foi reconhecido.

O álbum, apesar de toda sua produção, é intimista, reservado e nos mostra um Nick Drake tímido diante de tantos elementos que se sobressaem sobre sua voz. Numa era em que o rock era o centro da música pop, com vocalistas cada vez mais imponentes não admira que este álbum tenha passado despercebido ou, quando percebido, chamando pouca atenção.

Suas letras simples, apresentam elementos narrativos típicos da era em que se situam, com muitas canções que nos retomam histórias, ambientes e personagens, criando um universo único para o álbum. Ainda assim, encontramos elementos que viriam a ser recorrentes nos álbuns de Nick Drake e que dizem muito sobre ele, reforçando o seu grau de intimidade para com os ouvintes, nos revelando seu eterno amor pela Mary Jane, por exemplo.

Ao final, temos uma noção de completude que poucos álbuns conseguem arranjar, muito menos nos dias atuais, tão influenciados por músicas soltas. Aqui, desde os arranjos até as letras, o álbum acaba formando um todo coerente.

Calmo, relaxante e belo são os melhores adjetivos para um álbum tão bem feito.

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Dica higiênica: detergente Ypê

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Mais uma dica higiênica para manter a saúde em dia e dessa vez de um item essencial nas cozinhas de todo o país.

A dica é do detergente Ypê, uma marca já tradicional nos lares brasileiros, mas que muitas vezes não recebe a merecida atenção. A razão disso é que muita gente não dá valor aos produtos de limpeza que utilizam para limpar pratos, principalmente porque o importante é tirar a sujeira superficial dos pratos e talheres, mas há outros detalhes envolvidos, como a gordura dos pratos, por exemplo.

Nesse ponto entra uma característica importante dos detergentes, a produção de espuma e a maioria dos detergentes (na falta de palavra melhor) populares do mercado não produzem uma boa quantidade de espuma. A espuma produzida pelo Ypê é mais encorpada, mais volumosa e com uma ação mais rápida, ela cresce e desaparece num instante, tudo depende da pressão exercida sobre o detergente, seja das suas mãos ou da água que sai da torneira.

Em outras palavras: é mais espuma feita de maneira mais rápida e que sai dos pratos num instante. O produto é realmente superior.

Um outro problema que ele enfrente é uma certa elitização do detergente, pois até mesmo em suas propagandas mais antigas ele se dizia mais caro. A propaganda dizia que era melhor gastar alguns reais a mais num produto melhor do que gastar o mesmo em mais produtos de qualidade inferior. É uma boa estratégia, na verdade, mas atrai menos a atenção de quem só se guia pelos preços.

De fato, o detergente Ypê é um pouco mais caro, mas ele faz valer cada centavo gasto com ele. Em suma, dúvida porquê? Detergente é Ypê.

5 pontos

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Dica literária: “The Girard Reader” (1996)

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Já apresentei a teoria mimética de René Girard em outros momentos aqui no blog, mas nunca apresentei nenhum trabalho do grande pensador, o Darwin das ciências humanas, simplesmente porque ainda não havia lido um de seus trabalhos de cabo a rabo. A razão não é apenas a complexidade de seus temas, que não é tão complicado assim, mas também pela raridade de suas obras. Seus livros em português que não estão esgotados, são muito caros, embora a coleção Girard da É Realizações tenha um acervo interessante de seus livros.

Pois bem, esse ano tenho que ler suas obras na íntegra, porque estou iniciando um projeto de iniciação científica e meu trabalho usará a teoria mimética extensamente. Minha orientadora, maravilhosa como só ela consegue ser, me indicou esse livro, que serve como uma introdução não apenas aos estudos miméticos, mas a toda a filosofia de René Girard, apresentando textos em tópicos, que são definitivos para a obra girardiana.

Esses tópicos vão além da simples teoria mimética, passando pela sua explicação do surgimento dos mitos, sua interpretação dos textos bíblicos e, por fim, sua relação com outros dois grandes nomes das ciências humanas, com quem o seu pensamento mais dialogou, Freud e Nietzsche.

Esperava encontrar nesse livro séries de textos de outros pesquisadores sobre sua teoria, mas acabei encontrando seleções de seus próprios textos, oriundos de livros, entrevistas e artigos escritos ao longo de sua carreira, que em 1996 já estava consolidada.

Através dessa obra temos acesso a todas as linhas de pensamento de Girard de forma cronológica, como ele mesmo indica, sua obra passou por três fases de descobrimento, primeiro a relação triangular do desejo, passando por uma análise original da literatura ocidental, depois sua relação com a origem dos mitos e por fim desembocando na sua original leitura dos textos bíblicos. Dessa forma, podemos ter acesos à voz própria do antropólogo e filósofo, em alguns momentos através de passagens muito densas, como as partes extraídas dos livros “Coisas Ocultas desde a Fundação do Mundo” e “Violência e Sagrado”, mas também através de passagens muito simples e até didáticas, como a entrevista no final do livro e o artigo que explica um pouco a origem dos mitos com base num mito de origem africana.

Conhecer sua teoria unificadora da natureza humana é realmente deslumbrante. Sua teoria é revolucionária, ao mesmo que é conservadora, recusa definições ao mesmo tempo em que procura definições bem claras, pode parecer contraditória, mas é por revelar a dualidade de nossas relações humanas que acaba conseguindo se aproximar de polos tão opostos. Tudo isso acaba fazendo parte de nossos relacionamentos.

Acabei de terminar a leitura do livro e ainda precisarei de muito tempo para poder absorver tudo que aprendi, mas por enquanto, deixo-vos com essa dica para que conheçam a obra desse que foi o pensador mais original do século XX.

5 pontos

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Dica literária: "The Menace of the Herd or Procrustes at Large" de Kuehnelt-Leddihn (1943)

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A dica de hoje é de um livro perigoso, mas também um livro muito bom. Não recomendo a todos, mas preciso falar sobre ele, porque afinal, seu conteúdo é de extrema importância para os dias atuais, embora detalhes possam corromper ele quase por inteiro, mas irei explicar meu ponto mais para frente.

"The Menace of the Herd" é um livro escrito por Eric Ritter von Kuehnelt-Leddihn em 1943, logo após a ida desse filósofo austríaco para os EUA, fugindo da invasão ideológica nazista em sua terra natal. O livro é uma obra de filosofia política que trata principalmente da defesa da tese de que o grande mal do século 20 é a "mentalidade de rebanho" ( Herdist sentiment), que ganhou mais fôlego a partir da revolução francesa, mas já tinha suas raízes plantadas no final da Idade Média com os avanços mercantis, principalmente na Itália, o que convencionou-se chamar de início do capitalismo.

A tese de Keuhnelt-Leddihn é a de que essa mentalidade contrasta com o que ele chama de espírito romântico e essa mesma mentalidade é o que afasta o homem de sua natureza, gerando mais conflitos em prol de uma suposta igualdade entre os pares. É interessante falar que embora a mentalidade rebanhista seja mais fortemente associada com movimentos de esquerda por o defenderem abertamente (leia-se "coletivo"), essa mentalidade também esta presente no seu oposto, capitalismo, individualismo, liberalismo, etc... Para a teoria de Keuhnelt-Leddihn são todos farinha do mesmo saco e eu tentarei resumir o por quê.

Com os avanços mercantis no final da idade média, começaram a surgir aglomerações cada vez maiores de pessoas, nos guetos, feudos, etc. Não é novidade que essa aglomeração gerou problemas, de desigualdade econômica, social, pestes e outros tantos conflitos. As promessas de riquezas nas cidades eram grandes, mas o custo moral era maior. No entanto, essa mentalidade rebanhista, que inclui sentimentos cosmopolitas, de se sentir parte de um todo material maior, que busca conforto na vida terrena sempre foi mais atraente, por isso as pessoas continuam caindo em seus encantos. Em fases posteriores, com um estratificação cada vez maior das sociedades os conflitos aumentaram e se tornaram mais violentos, culminando na revolução francesa e no surgimento da esquerda, que não só é uma representação extrema do sentimento rebanhista, como o aceita e o expande a níveis assustadores. O coletivo se sobrepõe ao indivíduo, com isso há uma perda total de identidade individual, nacional e toda forma de agressão passa a ser justificada, em ultima instância gerando formas totalitárias de governo como o nazismo e o comunismo stalinista, duas formas que ainda não haviam sido derrotadas quando esse livro foi escrito. O problema é que as formas de pensamento que surgem como uma reação a isso não são menos rebanhistas, o liberalismo econômico deu asas para formas de pensamento egoístas, que em ultima instância apenas reforçam o isolamento social e todas as suas formas de desigualdade, que destroem o homem a um nível moral, ao contrário do que pensa uma Ayn Rand da vida.

Nessa forma de pensamento, Kuehnelt-Leddihn antecede a teoria de que as ideologias se organizam numa espécie de ferradura, onde os extremos não são tão diferentes assim. Para o filósofo austríaco a resposta encontra-se num outro pólo, não é um meio termo entre os dois e sim algo localizado em outra dimensão de pensamento: o sentimento romântico. Esse sentimento é caracterizado pelo que ele cunha de personalismo, uma forma de identificação do indivíduo consigo mesmo, pela sua habilidade de relacionar-se com o mundo exterior, absorvendo para si o que mais lhe importa. Ao contrário do individualismo, para o personalismo, o homem não é "original", mas uma amálgama de tudo o que ele absorve ao longo da vida. A teoria girardiana do "Interdividual" se aproxima muito dessa noção de personalismo, assim como muitos aspectos do pensamento modernista de T.S. Eliot, por exemplo. Outro aspecto é a rejeição às grandes cidades, a paixão pelo campo, o louvor ao trabalho, a natureza compassiva que leva a doação, sem coerção. A rejeição ao capitalismo é presente, mas em prol de uma economia de comunhão e não qualquer forma de socialismo, que só trabalha através da violência. A igualdade, a seguridade, o nacionalismo é o internacionalismo, a homogeneidade das massas, a ordem horizontal e o sentimento de finitude dão espaço para a liberdade, a diversidade, o livre arbítrio, o supranacionalismo, a aptidão técnica, ao federalismo, a ordem vertical, a hierarquia, a responsabilidade pessoal e ao sentimento de imortalidade.

Não é difícil achar em sua tese uma defesa de valores cristãos, e isso não é a toa, ele era um católico fervoroso e é aí que se esconde o perigo. Kuehnelt-Leddihn se dizia de extrema direita, em um pedaço de seu livro faz uma análise psicanalítica terrível da homossexualidade, utilizando o termo "vício" para falar do assunto e em partes soa "transcendental" demais, mas é preciso compreender. Como austríaco, é óbvia sua ligação com formas de pensamentos mais reacionárias, vale lembrar que a Áustria é, talvez, o país mais conservador da Europa. Esse livro foi escrito antes do final da segundo Guerra Mundial e ao contrário do que muita gente (séria, inclusive!) pensa, não se pode analisar o pensamento de alguém fora de sua época. Eu adoraria falar que esse livro é perfeito, mas não é, no entanto, seus ensinamentos transcendem os poucos detalhes que estão atrelados a época de sua escrita.

Além disso, o livro ainda apresenta uma serie de contextualizados, reforçando a tese principal. Verdadeiras aulas de História estão presentes em suas páginas e tudo muito bem referenciado, para mostrar que ele não tira tudo que fala do rabo dele.

Finalizando, "The Menace of the Herd" é um livro extremamente importante. Já o era em sua época, mas sua importância apenas aumentou com o passar dos anos e apesar dos aspectos pertinentes a época em que foi escrito, seu valor continua incomensurável para entender os movimentos sociais, políticos e econômicos que assolam o nosso planeta desde tempos quase imemoráveis.

4 pontos e meio

terça-feira, 14 de agosto de 2018

O que eu perdi: "Ótta" de Sólstafir (2014)

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É difícil eu falar de álbuns antigos aqui n'O Sommelier de Tudo, mas é para isso que serve o "O que eu perdi" e esse álbum merece ressuscitar essa seção do blog.

"Ótta" é o quinto álbum dessa banda de heavy metal islandesa, o que já é o suficiente para carimbá-lo como black metal, embora eu sempre me atenha a Black metal como aquele movimento ridículo de bandas do norte da Europa nos anos 90 e tudo que veio de bom associado a esse gênero é post-metal pra mim. Aliás, tudo que é de bom vindo do black metal acaba sendo associado ao post-metal, pois eles pegam elementos estéticos do black metal e o fundem com elementos de outros gêneros e tradições nacionais, criando uma mescla digna do prefixo "post". Não é diferente com Sólstafir.

Esse álbum conceitual, do jeito que eu gosto, se baseia num antigo sistema de contagem do tempo tradicional da Islândia chamado "Eykt", que dividia o dia em 8 instâncias, cada uma com o equivalente a 3 horas. E é a partir daí que o álbum é construído e como você já pode imaginar, as primeiras musicas são as mais obscuras, com os elementos musicaia mais opressores, como as guitarras distorcidas e a bateria imponente, marcando o passo lento, criando uma atmosfera pesada. As musicas do meio são as mais rápidas e as mais agitadas, uma delas em específico ("dagmal") tem até possibilidade de ser tocada em rádios, embora eu duvido que tenha sido tocada. Essas canções são as poucas que acompanham o brilho jovem do sol, sempre associado a infância, como deixa claro uma de suas letras, para então voltar ao misticismo e transcedentalismo da noite velha, que caminha para o seu fim, culminando na ressureição e essas canções são as que mais fazem o Solstafir soar como uma banda de rock progressivo, sempre expansivas e exigentes, buscando algo além do lugar a que pertencem.

Mas não tente aplicar parâmetros ocidentais ao que se escuta nesse álbum. Esse é também o álbum mais "islandês" da banda, extremamente tradicional de sua terra, que é isolada e de difícil compreensão para nós, latinos, infundados na tradição cristã. Como a primeira música já diz "o ódio negro em seus corações é o nosso Senhor". Eles são islandeses, o sol é para sempre uma criança e a noite é ao mesmo sua mãe, seu pai, sua vida e sua morte, é tudo é para nós isso beira a incompreensão. É necessário muita dedicação para se compreender a cultura islandesa e uma dedicação que, no meu caso, se volta para outras tradições europeias e não posso fazer uma analise muito extensa de todo o simbolismo que esse álbum carrega em suas letras, mas posso dizer que beira o épico, é tradicional e puramente islandês e essa mesma incompreensão é o que faz o time nacional deles ganhar da Argentina na Copa do Mundo é o que faz qualquer intenção ocidental de os imitar parecer a mais pura forma de ignorância para qualquer um que entende o mínimo da distancia cultural entre nós e eles.

De toda forma, o álbum é uma aventura incrível aos ouvidos de qualquer um que gosta de rock. Atmosferas desoladas, com elementos tradicionais vende-se sob vocais poderosos. Um álbum digno de nota e único, eu diria.

4 pontos

domingo, 12 de agosto de 2018

Dica especial de dia dos pais 2018

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Esse ano me propus a ler uma obra poética a cada final de semana e tenho conseguido manter um nível legal nessa meta, pois quase todos os finais de semana acaba lendo um livro de poesia, alguns com mais sucesso, outros com menos.

No início do ano me deparei com uma editora fantástica chamada Everyman's Library e essa editora tem uma coleção de livros de bolso de poesia que me chamaram a atenção pela sua qualidade gráfica. No meio dessa coleção encontrei coletâneas de poemas e um deles chamou tanto minha atenção que acabou virando dica especial.

Seu nome é "Fatherhood: Poems about Fathers", organizado por Carmela Ciuraru é um livro com uma proposta clara, reunir poemas que se relacionam com a paternidade, esse substantivo tão difícil de se definir. Seu conteúdo é subdividido em outros temas, poemas de pai para filho, de pai para filha, de filhos para pais, de rivalidade entre pais e filhos e até para avôs, pois eles também são pais e não seriam avôs se não fossem.

A seleção conta com poemas de diversos períodos diferentes, clássicos, românticos, simbolistas e modernos, além de incluir poemas de uma ampla gama de lugares, Europa, África, América e Ásia. Claro que ele acaba se centrando nos anglófonos, mas contém uma variedade interessante de línguas.

Já vi críticas negativas dizendo que é uma boa ideia de má execução, mas discordo disso. Acredito que para um iniciado em poesia, que já entenda bem de temas, períodos e lugares criadores de poesia, esse livro não seja uma adição muito interessante, até porque a grande maioria de seus poemas são velhos conhecidos do público literário, no entanto, para alguém que está se aventurando por essa terra misteriosa, é uma ótima adição, que serve não só como inspiração temática, mas para auxiliar na descoberta de novos poetas.

Dessa forma, esse livro é uma ótima dica para todos aqueles que amam seus pais e valorizam muito seu espaço em suas vidas.

4 pontos e meio

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Dica literária: "Poesia" de T.S. Eliot (2015)

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T.S. Eliot é um poeta difícil, um poeta para poetas, assim como grande parte da produção literária modernista em língua inglesa do século XX. Cheio de referencias obscuras e juntando fragmentos para criar algo que seja seu, uma atitude tipicamente modernista. E é  por isso que essa edição da coleção Cultura é tão importante.

Essa edição baseia-se no ultimo livro de coleção de poesias do poeta, abrangendo toda a sua produção literária, reunindo desde os mais famosos "The Love Song of J. Alfred Pruffrock" até "The Wasteland" e indo para os menos falados "Coros de A Rocha" e "Quatro Quartetos" (de fato, a culminância final de toda a sua obra poética e, porque não?, do Ocidente), todos traduzidos pelo excelente Ivan Junqueira, que fez um maravilhoso trabalho aqui, mas comentarei sobre isso mais pra frente, numa edição linda, capa dura, a um preço muito bacana.

Os poemas de Eliot são muito importantes. Ele, aliás, foi um cara muito importante, talvez mais até pelos seus escritos teóricos, que mostram posições claras e polêmicas, porem muito sensatas de temas diversos que vão de literatura a política. No entanto, é ao se ler seus poemas que se pode ter uma visão clara de tudo o que ele queria dizer. Eliot não escreveu a toa, ele realmente tinha um plano em mente, que se consolida dentro de sua poesia. Ao conseguirmos observá-la em sua completude, claramente percebemos sua ordem.

Isso não exclui o fato de ser uma poesia de difícil compreensão, como salientam os comentaristas de sua obra e é aí que entra a importância de um volume como esse. Recheado de notas, referências e complementos às próprias referencias que Eliot havia deixado para seus poemas, esse livro consegue esclarecer diversos pontos para o leitor, não tratando-o como se ele fosse um burro, mas um amigo ao qual se conversa sobre poesia numa mesa de bar. O livro é inteligente, mas não te menospreza, muito pelo contrario, te trata com respeito.

Dessa forma, "Poesia" é um livro muito legal, inteligente e de grande auxilio não só para os iniciantes em poesia, mas também para os mais estudiosos.

5 pontos

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Dica cinematográfica: "L'Anglaise et le Duc" (2001)

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Mais uma dica de um filme deste diretor que só me impressiona, Éric Rohmer e dessa vez mais um romance histórico.

O filme se chama “A inglesa e o duque”, filme de 2001 que conta a história de Grace Elliot, uma aristocrata inglesa que vive na França do século 18, durante a Revolução Francesa. Grace não aprova os meios revolucionários, mas o duque d’Orleans, seu grande amigo, não só aprova, como deseja que os revolucionários avancem. Entre revoltas e julgamentos, Grace viaja de Paris para sua casa de campo fora da cidade, esforçando-se para conseguir fazer sentido da crise que seu país está passando.

A filmografia de Rohmer é marcada por 3 filmes históricos, “La Marquise d’O…” de 1976, “Perceval, le galois” de 1978 e, finalmente, em 2001, ele dirige “L’anglaise et le duc”. Ainda não assisti seu primeiro filme histórico, mas este filme contém uma característica muito marcante em acordo com “Perceval, le galois”. Ambos os filmes se esforçam para se distanciar do espectador através de sua montagem. Em “Perceval” tínhamos um cenário notoriamente falso, que fazia lembrar uma montagem de teatro. Aqui, Rohmer abre mão da sua característica utilização de cenários naturais, com pouca ou nenhuma modificação para as telonas e usa muitos efeitos digitais para criar os cenários. O resultado fica um pouco estranho, porque foi feito em 2001, mas foi feito de maneira propositalmente para ser falso e hoje ganha um ar de artificialidade estética meio nostálgica, não um envelhecimento tecnológico imprevisível.

Mas não é apenas a montagem desse filme que é impressionante. O mais impressionante é sua história, um retrato fiel e voraz dos horrores da Revolução Francesa, o movimento mais mal compreendido da história e que plantou sementes destrutivas que estão brotando até os dias atuais. Grace se opõe aos revolucionários, mas por não fazer parte dos círculos principais da cidade e ser estrangeira, acaba se distanciando dos horrores da revolução, mas nem por isso seu olhar deixa de presenciar a arrogância ditatorial dos jacobinos, suas injustiças, preconceitos e abusos. Ela vê suas amigas serem decapitadas, sua casa ser invadida e sofre diversos abusos psicológicos, o maior mal cometido pelos revolucionários e que, por esse motivo, os transformou em figuras lendárias, com um caráter de benevolência democrática que não poderia estar mais longe da verdade. Seus abusos psicológicos nunca poderiam ser medidos e por isso, até hoje, aprendemos nas escolas que a Revolução Francesa foi um período de grande progresso.

Aqui no filme conhecemos a face da aristocracia que não merecia passar pelo que a Revolução Francesa ocasionou e a história nos mostra que exemplos como os dela não eram a minoria. Grace ajuda os pobres e os oprimidos, dá aula para crianças escolhidas e trata seus servos com respeito. Isso não era uma minoria aritocrática, documentos históricos provam que mulheres como ela sempre existiram aos montes e eram a maioria. Eram minoria em Paris e em outros grandes centros urbanos da Europa, mas ao longo de todo o continente, a situação era diferente do que somos condicionados a acreditar e era muito parecida com o que Rohmer nos apresenta nesse petardo cinematográfico.

O contraste entre realidade e narrativa entra em choque com os diálogos entre Grace e o duque d’Orleans, revelando o porque do título; a inglesa entre em choque com o duque, a inglesa que nasceu no mesmo país de Edmund Burke, autor de “Reflexões sobre a Revolução na França”, mas uma inglesa que não abandona a França, assim como Tocqueville não abandonou. O paralelo é óbvio e provoca, de forma sutil (se não fosse sutil não seria um filme de Rohmer), mas evidente. Isso pode afastar algumas pessoas e, de fato, afasta, pois comprovei isso ao compartilhar esse filme com alguns colegas, mas ninguém deixa de admitir o seu valor artístico.

Os incríveis diálogos, os cenários bem elaborados e criativos são pontos muito positivos, sendo o único ponto realmente negativo nesse filme seu ritmo. O filme é longo e se torna cansativo, os diálogos sempre extensos e muito inteligentes não diminuem isso, a beleza de seus cenários não diminuem a densidade da obra, que exige muito de quem a assiste. De qualquer forma, o caminho é árduo, mas vale a pena.

Concluindo essa dica, só fica o recado: assista de mente aberta.

4 pontos e meio

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Dica higiênica: Papel Higiênico Neve

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A tão aguardada dica de papel higiênico finalmente chegou! Após meses de muito trabalho, pesquisa e comparação, finalmente pude chegar a conclusões interessantes que me possibilitam escrever uma dica higiênica.

O papel higiênico Neve já é figura carimbada nos mercados de todo o país. Um produto de tradição, brasileiro e que até já figurou nos intervalos das redes de televisão brasileiras. É um produto a ser respeitado, mas apenas isso não basta, pois a delicadeza de um papel higiênico é um fator de extrema importância.

De acordo com a embalagem, o papel higiênico Neve contém uma exclusiva tecnologia dermacare e ao se utilizar suas folhas duplas não resta dúvidas de que há algo diferente, ainda mais quando o comparamos com outros produtos disponíveis no mercado. Suas folhas proporcionam suavidade, delicadeza e, ao mesmo tempo, firmeza. As folhas duplas respeitam a lei da natureza de que um é pouco, dois é bom e três é demais. Os outros produtos que abusam do numero de folhas não entendem que sua excesso cidade acaba atrapalhando, mais do que ajudando. Absorção de primeira qualidade e uma amplitude que garante às suas mãos uma estabilidade de uso que quase não encontra desafios à altura nas prateleiras dos mercados.

Quase não encontra, porque existem sim produtos melhores que o Neve. Essa é uma dica isenta de patrocínio e, portanto, honesta. Porém, essa também é uma dica que procura analisar todos os parâmetros e um deles é o custo-benefício. Nessa questão, o Neve supera seus concorrentes, pois oferece um ótimo produto a um preço justo e que acaba não pesando no bolso, nem mesmo dos maiores cagões, como eu.

Dessa forma, o Neve se destaca e consegue um lugar de prestígio dentro desse tão querido blog.

4 pontos e meio