terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Dica gourmet: Hambúrguer de carne bovina Frimesa

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Quem não gosta de hambúrguer? Um louco, apenas! E qual o melhor hambúrguer que existe? Hambúrguer caseiro, claro! Mas se você é alguém que não tem os dotes culinários ou os materiais ou ainda o tempo para fazer o seu próprio hambúrguer, qual a solução? Comprar hambúrguer! E eu estou aqui para te ajudar isso.

Já compro hambúrguers há anos e já deu muito com a cara no muro, chegando a comprar uma caixa inteira com 12 hambúrguers podres, mas isso não vem ao caso, pois estou aqui para indicar um produto que ganhou minha confiança no último ano.

Morando sozinho, tenho que me virar com um tempo curto e um orçamento menor ainda, então acabo recorrendo, com frequência ao hambúrguer, que é fácil de fazer e é gostoso.

No entanto, existe algo de diferente no sabor do hambúrguer de carne bovina Frimesa, é mais saboroso, mas não é mais salgado ou algo assim, ele realmente tem mais sabor de carne de boi e por isso eu sempre acabo dando preferência a ele, visitando mais de um mercado pra poder compra-lo, pois onde compro esse hambúrguer não tem o arroz buriti e onde tem o arroz buriti não tem esse hambúrguer.

No entanto, o esforço vale a pena.

Além disso, ele não cria tanta fumaça e nem cola na panela, mas você tem que ficar de olho, pois ele pode queimar rapidamente.

Enfim, espero que tenha ajudado suas refeições a serem mais saborosas e rápidas com essa dica.

4 pontos

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Dica cinematográfica: “Cloverfield” (2008)

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Ao assistir o péssimo “The Cloverfield Paradox” (que tem um final que salva o filme inteiro, diga-se de passagem, portanto vá assisti-lo apenas para levar um susto no final), percebi que nunca havia indicado esse clássico moderno por aqui, então, antes que o próximo filme da franquia saia (que parece ser tão ruim quanto o Paradox), vamos à dica de Cloverfield, o clássico de 2008.

Em “Cloverfield”, acompanhamos a noite da invasão de um monstro (carinhosamente apelidado pelos fãs de “Clover”) à cidade de Nova Iorque pelo ponto de vista da câmera de um dos protagonistas, Rob, que junto com amigos tentam escapar da cidade com vida. Em meio ao caos causado pelo monstro ainda somos conhecemos o romance entre Rob e Beth, sua amiga de infância, através de cortes de uma gravação antiga que ele havia feito meses antes.

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O filme é um primor do gênero “fita encontrada” e “horror” e ainda chamou muita atenção na época do lançamento pela sua campanha de marketing viral que contava com sites falsos, notícias e vídeos na internet, responsáveis por criar um quebra-cabeças que até hoje não foi montado.

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Outros filmes nessa mesma pegada já haviam sido feitos, como “A Bruxa de Blair” e foram feitos depois, como “Poder Sem Limites”, mas nenhum deles conseguiu manter a longevidade que Cloverfield manteve e isso não é explicado apenas pela insistência de J.J. Abrams, a grande mente por trás desse filme, em mantê-lo vivo, acredito que o grande fato desse filme manter sua longevidade é sua qualidade excepcional como um filme de horror/ficção científica/fita encontrada mesmo.

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“Cloverfield” é um filme que não chega a ter 1h30 de duração, mas quanto ao que realmente importa, a invasão do monstro, não chega a ter 1 hora de duração, pois os créditos ocupam quase 10 minutos e temos ainda mais de 20 minutos de cenas que nos apresentam os personagens, são as cenas de Rob e Beth passando um dia de abril juntos, as cenas antes da festa e as cenas durante a festa de despedida de Rob. Isso nos faz criar uma proximidade com os personagens que apenas os melhores filmes de horror conseguem criar e é ainda mais difícil de se encontrar filmes que fazem isso com 6 personagens. Rob, Beth, Lily, Jason, Hud e Marlena ficam tão próximos de nós, em tão pouco tempo, que nós realmente torcemos para que eles consigam sair de Nova Iorque vivos e lamentamos suas mortes. Além disso, nenhum deles é um clichêzão típico de filmes de horror ou de ficção científica, claro que temos o personagem responsável, o guia do grupo, a mente madura e o alívio cômico, mas essas não são as características determinantes dele e ao final do filme, se você gostou dele, acaba lembrando dos personagens pelos seus nomes e ações durante o longa.

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São os personagens humanos e sua relação pura que fazem com que o filme ainda hoje cative os fãs. Eu acredito que seja esse o fator responsável pela longevidade de “Cloverfield”, muito além de teorias conspiratórias, efeitos especiais ou mesmo a possibilidade de expansão desse universo num multiverso.

Embora isso seja um fator importante também, mas eu acho que secundário. Na época em que assisti o filme não tive a oportunidade de vê-lo nos cinemas, então assisti num DVD em casa, junto da minha mãe e do meu irmão. Não é um filme para se ver em família, mas eu tinha uns 14 ou 15 anos e essa seria a minha primeira experiência com um filme de horror, eu simplesmente não sabia onde estava me metendo, mas conforme o filme avançava, mais afundado no sofá eu ficava e grudado na tela da TV. Minha mãe que sempre foi uma chata (mas no sentido bom) e insistia em conversar comigo e com o meu irmão após cada filme, seriado, desenho, jogo ou livro que terminávamos de consumir, disse que a única coisa que salvava esse filme era a amizade dos personagens.

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Ela, uma mulher com mais de 40 anos, que não vê valor nenhum em coisas negativas (portanto, filmes de horror, terror, violência e sexo excessivos, etc... estão completamente fora de questão nos seus gostos pessoais) captou a essência que “Cloverfield” transmite ao expectador, seja essa essência proposital ou não, afinal eu não confio muito na “genialidade” dos criadores de “Cloverfield”, que alcançaram o ápice nesse filme e nunca mais fizeram algo a sua altura.

E em volta dessa essência temos o monstro, o “Clover” não se parece com um Godzilla, mas destrói tanto quanto e abre diversas janelas para especulação apenas nesse filme, como, por exemplo, os animais que caem dele, bichos tão estranhos quanto ele, que comem humanos e se não comem, infectam com alguma coisa que nos faz explodir. Na época não dava pra entender direito o que era aquilo, seriam os filhos de Clover? No entanto, com o final de Paradox, que nos mostra uma versão do Clover ainda maior, confirmando as afirmações de J.J. Abrams de que o Clover era apenas um bebê assustado, dá pra imaginar que aqueles bichos eram apenas as pulgas de Clover. Assim como nós, Clover é um bioma que carrega em si uma série de outros seres vivos dentro de si e se ele, um bebê, já é do tamanho de arranha-céus, suas bactérias, micróbios e seres infecciosos são do nosso tamanho e podem nos destruir num piscar de olhos.

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Agora que o universo se expandiu e virou, definitivamente, um multiverso, temos ainda mais portas para especulação e coisas a serem debatidas, como as empresas que fazem parte de todo o universo, a Tagruato e a Slusho fazem parte de todos os universos, a Slusho é vista até em produções que não tem nada a ver com a série, então já podemos descarta-la, pois é apenas um “prop” deixado ali na produção. Já a Tagruato é, provavelmente a responsável pelo despertar de Clover, pois, de acordo com o universo do filme, era a empresa responsável pelo Slusho e tiravam o seu ingrediente secreto do oceano. No mangá (que eu não li) é revelado que Clover desperta no Japão antes de ir para Nova Iorque. Está tudo conectado e faz sentido, embora não seja confirmado.

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Agora, não dá pra tentar criar uma única linha temporal com todos os filmes, pois em 10 Cloverfield Lane temos alienígenas e Paradox se passa muitos anos no futuro, mas dá pra especular que os eventos em Paradox causaram uma fissura em todos os multiversos, fazendo alienígenas invadirem a Terra em um e uma civilização de monstros aparecer no fundo do oceano em outro. Em Paradox os eventos ocorrem no passar de alguns dias, mas não dá pra dizer que o tempo transcorre da mesma forma em diferentes universos. O que foi alguns dias em Paradox pode ter sido vários meses em “10 Cloverfield Lane” e várias centenas de milhares de anos em Cloverfield.

O que eu acho que foi vacilo foram os alienígenas de “10 Cloverfield Lane”, pois uma espécie de Clover aparece em Paradox, então, não é como se houvesse muita diversidade nesse multiverso.

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Sei lá, é tudo muito confuso e eu só queria expor minhas teorias por aqui, por que eu também acho legal isso, mas o post é de Cloverfield e é uma dica. O que eu posso concluir aqui é que o filme é muito bem feito, até melhor do que os mais recentes, pois contou com uma produção menor e ainda assim se manteve atual. O monstro continua sendo muito bom, a destruição é realística pra caramba e aquela cena do helicóptero desafia a compreensão de que o filme foi feito com meros 25 milhões de dólares.

“Cloverfield” é ainda um filme atual, completa 10 anos esse ano e já conseguiu o seu espaço como um clássico do horror/ficção científica, ainda cheio de mistérios, mas acima de tudo isso, é um filme humano.

5 pontos

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P.S.: Só mais uma teoria, eu gosto de pensar que a Lily sobreviveu ao ataque e seria muito bacana se ela voltasse para a franquia de alguma forma.

 

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Dica gourmet: Bolacha Toddy Wafer chocolate

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Se não tem mais Toddy de chocolate estilo torta, vamos de bolacha wafer mesmo.

Por muito tempo vaguei sem rumo pelas prateleiras de besteiras dos supermercados, mercearias, padarias, vendinhas da esquina e docelândias do país, mas não encontrei mais a minha tão desejada bolacha Toddy estilo torta sabor chocolate e minhas manhãs de sábado nunca mais foram as mesmas. Por causa disso, me deprimi, engordei, procurei prazer junto a outras bolachas, outros sabores e até outros quitudes, carregando a gordura em minhas mãos até hoje.

Então eis que vejo, no lugar onde antes restava tranquila a minha amada bolacha Toddy, sua prima distante, a bolacha wafer Toddy de sabor chocolate. Nunca fui fã de bolacha wafer, mas porque não experimentar? Era só o que me restava mesmo.

Então provei. Nem de longe o sabor é o mesmo, mas há algo ali que consegue me encantar. Em uma rápida comparação ela não é tão doce quanto a sua irmã, a bolacha Toddy wafer trufada, seu nível de açúcar é ideal, como era da sua prima distante e minha amada bolacha Toddy torta de chocolate.

Quanto ao wafer em si, não é do tipo que desmancha fácil, como acontece com muitas outras disponíveis no mercado, mantendo uma agradável crocância que não agride aos dentes e não parece borracha na boca.

Então, quase que sem querer, acabei encontrando um novo amor, não é tão ardente ou fulguroso como o amor que nutria pela sua prima, mas é firme, fiel e, o que mais importa, ele existe.

4 pontos

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Dica literária: “Luz em Agosto” (1932)

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A dica de hoje é de mais um livro de William Faulkner, o autor que mais me fascinou desde Salinger.

Em “Luz em Agosto” conhecemos Lena Grove, uma jovem moça grávida que sai do Alabama em busca do pai de sua criança (Lucas Burch) e acaba chegando em Jefferson, condado de Yoknapatawpha, Mississipi, onde Lucas chegou para trabalhar sob o nome de Joe Brown e morava com um certo Joe Christmas, que, na noite em que Lena chega na cidade e encanta Byron Bunch, mata Joanna Burden, uma velha conhecida da cidade, mas que ninguém conhecia de fato e bota fogo na casa onde a mulher morava. Unindo todos esses personagens, encontra-se Gail Hightower, um ex-ministro da cidade, cuja vida sofrida o levou a ter uma perspectiva sombria da natureza humana, mas a quem Byron não consegue deixar de se relacionar, pois o acha um homem sábio e abençoado.

É difícil criar uma sinopse que envolva todos os personagens num só parágrafo. De fato seria mais fácil separar tudo por tópicos, mas se fosse assim não seria uma sinopse digna de um livro do Faulkner. Muito mais difícil é falar de todos os temas que envolvem esse livro, de forma que te deixe com vontade de lê-lo e, para tanto, irei topicalizar essa dica.

Pra começar, “Luz em Agosto” é um primor estético. Lendo essa obra eu realmente consegui entender o que Harold Bloom quer dizer por “estética” em literatura. É fácil entender sobre o que falamos quando falamos em “estética” quanto a literatura quando lemos poesia, pois os versos são feitos de forma que consigamos criar um ritmo em nossa mente, uma imagem, etc...; mas quanto a prosa? É difícil entender, mas “Luz em Agosto” é um exemplo maravilhoso para entender isso.

Cada um dos capítulos existe em si só, parecendo até contos, ao menos nos seus primeiros parágrafos, mas logo somos jogados dentro da história e lembrados dos personagens e da relação que cada um deles tem entre si. Pensamentos, falas e memórias existem de forma intercalada e para isso Faulkner usa aspas, aspa única e itálico indicando o fluxo das conversas, tanto externas quanto internas.

Então, ao adentrar esse universo que Faulkner cria para esse livro, ficamos com a sensação de estar vendo uma obra de arte se abrir na nossa frente. Nunca antes achei que pudesse usar de forma tão natural o adjetivo “bonito” para um texto. É um texto bonito de verdade e eu nem estou falando do conteúdo ainda.

Mas é porque é bonito que é fácil, muito pelo contrário, é difícil. Como eu já disse, cada capítulo parece existir por si só, muitas vezes, só depois de várias páginas é que você percebe quem são os personagens principais daquele capítulo. É difícil acompanhar o fluxo do tempo, pois Faulkner era um aderente da teoria do tempo de Bergman (la durée), que dizia que todo indivíduo é uma soma de tudo que existiu antes dele. Para Bergson, o passado e o presente existem ao mesmo tempo e a duração da vida do homem é inefável, podendo apenas ser vislumbrada indiretamente pela imaginação. No texto, Faulkner nos apresenta o passado de seus personagens junto ao presente e nem sempre conseguimos diferenciar isso de primeira.

Dá trabalho, mas vale a pena se esforçar para acompanhar e ao contrário de outras obras difíceis (como o próprio “O Som e a Fúria”), você não tem que estar no estado de espírito correto para compreender a obra, ela só exige esforço e atenção mesmo, por que, ao contrário de outras obras, “Luz em Agosto” nos apresenta uma história linear, com diversas divagações narrativas e espaços para meditações sobre a natureza humana, mas há uma história, com início, clímax e conclusão e que belo clímax nos encontramos nessa obra.

Aqui, vale mais elogios à atenção estética que Faulkner dá a sua obra, pois a imagem que ele cria num dos clímaxes da história (sim, há mais de um!) é simplesmente fantástica, uma imagem que parece ter saído do mais lindamente filmado western spaghetti da história, mas no século 20, no sul dos EUA e sem a trilha sonora épica. Aliás, se fosse filmado, seria uma cena apenas com os efeitos sonoros do ambiente.

E o segundo clímax é uma cena de perseguição que começa com a apresentação de um personagem que nunca foi mencionado no livro antes, mas em poucos parágrafos ficamos tão familiarizados com ele que não nos surpreendemos com sua atitude final, tão violenta e tratada de forma tão sutil que você tem que ler várias vezes. No meio há ainda uma cena de perseguição brilhante, que faria qualquer autor de livros policiais ficar de queixo caído.

As idas e vindas no tempo criam uma noção circular de história que coloca o homem como centro de suas vidas, temos o livre-arbítrio para isso, afinal e as ações dos personagens principais, Lena e Christmas são postas em cheque, cada uma gerando consequências condizentes com a vida que levam. A dualidade gerada com a história dos dois gera no final uma lição de moral que irá te fazer olhar para o céu ao final da leitura e ter a impressão de que o dia ficou mais bonito, de repente.

Não é apenas na estética que o livro é bonito, mas também na conclusão de sua história, que abre espaço para diferentes interpretações, mas o cerne é bem definido em torno do velho ditado “você colhe o que planta”. Faulkner nos diz, assim como muitos santos e filósofos antes dele, que nós somos o que construímos e construímos através de ações, sejam elas positivas ou negativas e suas origens não tem nada a ver com isso (lembra que você é o capitão da sua vida?).

Além disso, ainda poderíamos falar das questões de isolamento social, a ferida do racismo (que é tocada aqui de tal forma que ofende não apenas racistas esclarecidos da KKK como também os racistas enrustidos que defendem cotas em faculdade), a alegoria cristã (que acho um pouco de forçação de barra, mas até que faz sentido) e a relação entre indivíduo e sociedade, mas isso acabaria entregando muita coisa e eu só daria spoiler, portanto, vou encerrar por aqui.

Eu só tenho elogios para essa obra, que eu li em inglês e o único comentário que posso fazer que se aproxima de apontar um defeito é o fato de Faulkner se daqueles autores que sabem dar voz aos seus personagens e pelo fato da obra se passar no sul dos EUA, ao ler no original você vai se deparar com uma série de “erros” ortográficos, mas que ao serem pronunciados fazem todo sentido, como “de” ao invés de “the”. O problema é que no meio do livro, você corre o risco de adquirir alguns vícios de linguagem e sair falando por aí que nem um habitante de Jefferson.

Não sei como é a tradução, aliás, não sei como é nenhuma tradução de Faulkner ainda. Tenho que folhear algum livro na biblioteca da faculdade ou numa livraria qualquer ainda.

Enfim, elogios em cima de elogios, é um dos melhores livros que li na vida.

5 pontos

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Dica cinematográfica: "The Night Is Short, Walk on Girl" (2017)

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Ou “Yoru wa Mijikashi Arukeyo Otome” se você é daqueles otakus puritanos que só falam em japonês.

Enfim, o filme mais novo de um dos diretores mais criativos do Japão atualmente, Masaaki Yuasa, é também uma espécie de continuação de um dos animes mais inventivos dos últimos tempos, Tatami Galaxy e conta a história de uma menina, Kurokami no Otome, estudante de uma universitária, durante uma noite muito louca, onde ela conhece diversas pessoas excêntricas através de festa de noivado, festival universitário, feira de livros e uma peça de teatro ilegal. Senpai é o garoto apaixonado por ela e durante essa noite passa por bizarros desafios em busca do seu amor, como enfrentar o deus dos livros usados, entrar numa competição de comida apimentada e enfrentar um resfriado halucinógeno.

A história é cheia de bizarrices, como todo anime do Masaaki Yuasa, além de contar com seu característico estilo de animação, simples, porém recheado de detalhes e muito colorido. O anime se situa no mesmo universo que Tatami Galaxy, alguns personagens da série aparecem no filme, como a Ryouko e o Seytarou, mas nenhuma semelhança é explicitamente declarada, como a recordação de eventos passados. Ainda assim, os próprios personagens principais lembram os personagens principais do Tatami Galaxy.

Os personagens são verborrágicos e é difícil acompanhar as loucuras do filme, mas o melhor a se fazer é deixar rolar, simplesmente desligar o cérebro e se deixar levar por esse universo maluco e tão criativo que foi criado ainda em Tatami Galaxy. Os acontecimentos rolam de forma fluida, mas a própria noção de tempo é distorcida, propositadamente, como nos é mostrado logo no começo ao ser comparado os relógios da personagem principal e o relógio dos velhos formandos de filosofia na festa de noivado de uma amiga dela.

Como os cenários são pequenos, todos os personagens acabam interagindo em um ponto ou outro do filme, até finalmente se unirem no final, levando a Menina até o seu tão esperando encontro com o seu Senpai.

Enfim, “The Night Is Short, Walk on Girl” é um filme muito divertido, um romance extremamente criativo que pode confundir e assustar num primeiro momento, mas assim que você se deixa levar pelas loucuras apresentadas pelo Masaaki Yuasa, a diversão é garantida!

4 pontos e meio

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Dica musical: "Snares Like a Haircut" do No Age (2018)

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O primeiro grande álbum de 2018 é o retorno à boa forma de uma das bandas que me apresentaram ao noise-rock por volta de 2010 e desde então não abandonou as playlists dos diversos dispositivos que passaram pelas minhas mãos.

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“Snares Like a Haircut” é o quinto álbum da banda de noise-rock No Age. Chamar o No Age de noise-rock é um estranho nessa altura do campeonato, mas quando eu os conheci um pouco antes do lançamento de “Everything in Between”, eles eram noise-rock e ponto. Ninguém questionaria isso.

No entanto, em algum ponto da carreira deles, o experimentalismo começou a dominar o seu som e veio “An Object”, álbum que eu detestei na época e nunca mais ouvi, então não sei qual seria minha reação ao ouvi-lo hoje. O que importa é que o No Age foi abandonando a agitação, o barulho e suas raízes punk para se dedicar a um som mais melódico, espacial e focado numa instrumentação que não era virtuosa e não me agradava.

E para miha surpresa, os extremos nos quais o No Age andava vagando convergiram em “Snares Like a Haircut”, criando um dos melhores álbums que eu já ouvi em anos e o melhor álbum da carreira deles.

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As canções são rápidas, explosivas, agitadas, mas também incluem elementos que a banda vinha trabalhando nos últimos anos, só que aqui esses elementos (como teclados e música ambiente) não ocupam o papel principal, mas são apenas elementos que ajudam a criar a atmosfera (nebulosa e barulhenta) do álbum, de forma harmoniosa.

Não deixa de ser noise-rock, mas é um noise-rock bem feito. É noise-rock, de fato, não é só um monte de barulheira sem sentido. O álbum inteiro passa pelos seus ouvidos como se fosse um filme indie muito barulhento e divertido.

No mais, vale muito a pena ouvir esse diamante raro aqui.

4 pontos

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Dica cinematográfica: "O Sol por Testemunha" (1960)

De forma ricamente ilustrada e uma narrativa amplamente elaborada, René Clement irá te convencer que o crime não compensa.

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Em “O Sol por Testemunha”, Alain Delon encarna Tom Ripley, um jovem e belo rapaz que vira amigo do rico e igualmente jovem Phillipe Greenleaf. Tom apresenta uma personalidade curiosa, que chama a atenção de Phillipe, principalmente pelas habilidades de observação de Tom, que o levam a ser capaz de até imitar a assinatura de outras pessoas com perfeição. O que Phillipe não esperava era que as artimanhas de Tom iriam se voltar contra o jovem rico.

Este é um daqueles filmes que vão te surpreendendo conforme avança a sua projeção, pois se inicia de uma forma, passa por uma mudança de 180º no meio e dali ele parte para outro ponto que sequer estava nos planos logo no começo. Não dá pra falar muito, se não estraga o filme, mas a narrativa é elaborada, com poucas ou nenhuma falha de roteiro (eu, pelo menos, não passei por nenhum momento que me fez dizer “mas se ele fizer isso e aquilo vai evitar tal coisa – no entanto, também não reassisti o filme) e que te prende de uma forma que é difícil resistir ao seu encanto.

E não é apenas a narrativa que é um prior, pois a direção de René Clement é maravilhosa também, apresentando em imagens garbosas do sul da Itália, personagens belos e muito bem apessoados. Cada frame do filme parece ter saído de um book de alguma moda masculina famosa, estilosa e absurdamente cara, mas extasiante em sua beleza, colorida, apesar de ter sido feito até mesmo antes da nouvelle vague.

A trilha sonora, regrada a jazz, dá aquele toque final que todo filme francês dos anos 60 precisa ter, angariando aquele tom “cool” e misterioso, com o qual é difícil imaginar tal história se desenrolando.

Tenho ainda que chamar a atenção para o título do filme em português: “O Sol por Testemunha” é um título brilhante, genial mesmo, que parece não fazer nada além de atribuir um certo mistério ao filme, mas faz todo sentido quando você assiste até o final. Muito melhor que o original “Plein Soleil” (pleno sol).

Enfim, “O Sol por Testemunha” é uma fantástica obra de suspense, um triller que foge a tradição dos filmes noir, mas não esquece suas raízes, surpreendendo e tirando o fôlego daqueles que se aventuram por suas águas tortuosas.

4 pontos

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Dica cinematográgica: Blade a lâmina do imortal (2017)

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Mais uma ótima adição a excelente filmografia do gênio Takashi Miike.

“Blade: a lâmina do imortal” conta a história de Manji, um samurai fugitivo que, no dia em que sua irmã é morta e ele conquista sua vingança sobre aqueles que a assassinaram, recebe a visita de uma velha misteriosa e ela insere vermes em seu sangue que o tornam um imortal. Anos depois, Rin Asano vê o próprio pai ser assassinado, também um samurai, por membros de uma gangue criminosa e sua mãe desaparece. Desconsolada, a menina encontra a velha dos vermes que o indica um guarda-costas. Esse guarda-costas é Manji e assim se inicia a trajetória da lâmina do imortal.

Não li o mangá, então não posso dizer se é ou não uma boa adaptação, mas o filme é distribuído pela Warner do Japão, a mesma empresa que distribui uma caralhada de adaptações live action bem sucedidas de mangás como Death Note e Samurai X. Posso presumir que seja uma boa adaptação, então.

Mas posso garantir que é um bom filme, embora não seja um filme para todos os gostos. Apesar de ser um filme do Takashi Miike e um filme de ação, eu acho que ele agrada mais ao público cult que curte filmes de ação como “Ran” e “Lady Snowblood”, filmes de ação, mas que exigem um pouco mais dos expectadores do que o típico filme de ação com sangue e explosões.

Há duas razões para isso, a primeira é que o filme é um drama muito pesado. Não apenas as histórias são pesadas, como a narrativa que o filme decide seguir transforma ele numa obra pesada, difícil de assistir, o que nos leva a segunda razão, que é o ritmo, incrivelmente lento para um filme do Takashi Miike. Talvez essa decisão tenha sido feita para se aproximar do ritmo do mangá, talvez para conseguir incluir todos os arcos da história original num filme de menos de 2 horas e meia... Não sei e o resultado é exigente, mas vale a pena.

As atuações são secas e eu li críticas para elas, mas acho que isso contribuiu para o ritmo arrastado do filme, para a criação da tensão e o drama de toda a história, que é trágica até o seu momento final, já deixo avisado.

A direção de Takashi Miike está sensacional nesse filme, que conta com um orçamento muito maior que os seus clássicos, mas isso não descaracteriza a direção, pois está tudo lá, tudo que amamos nos filmes do Takashi Miike, embora aqui tenha bem menos bizarrices (por uma limitação de história mesmo, afinal, se não tem no mangá, não vai ter no filme).

As cenas de ação são o ponto alto do filme, cheias de sangue, muito bem ensaiadas e totalmente exageradas, o que dá um tom épico ao filme, que começa num ponto qualquer da história de um qualquer, salta vários anos no tempo, vira uma história de vingança contra uma gangue e logo entram clãs de lutadores tradicionais, outro imortal e até o governo japonês no meio. É trágico, com toques de épico, sob as mãos de Takashi Miike... não tem como dar errado.

Enfim, “A lâmina do imortal” não é um filme fácil de ser assistido, mas vale cada momento.

4 pontos

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Dica cinematográfica: “Winners and Sinners” (1983)

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A dica de hoje trata-se de um filme chinês de 1983, dirigido por Sammo Hung, um dos grandes parceiros de Jackie Chan, também estrelado por Sammo Hung, mas com participação de outros atores mais conhecidos na China por seu trabalho em filmes de artes marciais.

“Winners and Sinners” conta a história de cinco bandidos que se tornam amigos na prisão e quando saem decidem seguir uma vida honesta, trabalhando na empresa de limpeza familiar de um deles. No entanto, por uma obra do acaso, eles acabam conseguindo a posse de uma maleta cujo conteúdo é muito requisitado por duas poderosas gangues rivais da cidade, colocando em cheque a decisão deles de seguirem uma vida honesta e, principalmente, sua amizade.

Como um filme de ação chinês da era pós-Bruce Lee, “Winners and Sinners” mescla muitos elementos cômicos, algo que foi impulsionado por Jackie Chan, que atua também nesse filme como um policial, mas não é apenas nas estrepolias elaboradas de Sammo Hung e Jackie Chan que o filme se sustenta. É também um ótimo exemplo de narrativa bem construída.

O filme começa nos apresentando todos os personagens principais, os cinco bandidos, apontando as razões por que eles foram presos e os momentos em que foram presos, o policial interpretado por Jackie Chan (e sua vida nada fácil, mas causada pelo seu jeito desleixado, como em Police Story) e os dois chefes das gangues rivais. Cada um desses personagens ganha muito tempo em tela, o que pode até cansar aqueles que resolvem assistir o filme só pela ação, já que muitas dessas cenas são movidas pelo humor, ora físico, ora verbalizado, mas sempre simples, sem malícia.

E o filme não nos deixa esquecer nenhum deles ao longo de sua projeção, pois constantemente o foco muda para algum desses personagens centrais na trama, criando uma verdadeira malha de retalhos com as histórias de cada um, gerando um todo harmônico, divertido e ousado.

A direção de Sammo Hung não é inventiva, nem mesmo para a época, mas é ambiciosa, incluindo cenas que beiram o exagero, mas animam o espectador em momentos-chave do filme, como a cena do acidente de carros protagonizada por Jackie Chan.

Enfim, “Winners and Sinners” é mais um ótimo exemplo da vivacidade e criatividade do cinema chinês, não deixando nada a desejar para os filmes antigos do Bruce Lee ou ainda os da Shaw Brothers.

4 pontos e meio

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Dica cinematográfica: “The Disaster Artist” (2018)

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Filme de 2017, mas lançado no Brasil em 2018, então a dica é de 2018. Não pude verificar o que é fato e o que é ficção nessa obra, porque eu queria escrever essa dica logo após assisti-lo, então aqui vai!

“The Disaster Artist” é uma novelização ou ficcionalização do livro “The Disaster Artist: My Life Inside The Room, The Greatest Bad Movie Ever Made” de Greg Sesteros, o Mark de “The Room” (2003), relatando seu cotidiano antes, durante e um pouco depois das gravações do filme. A adaptação do livro muda algumas coisas da história real, mas já adianto, é um excelente trabalho, com uma das melhores atuações na vida de seus atores (isso é verdade, a vida é pura ironia!) e te faz pensar... Muito!

O filme é dirigido e estrelado por James Franco, um ator, diretor, produtor, etc... que se tornou, seguramente, um dos maiores nomes do New Sincerity em Hollywood atualmente. Para aqueles que não estão familiarizados (e eu não te culpo por isso), o New Sincerity é um movimento artístico bem underground que surgiu lá em meados dos anos 2000 como uma resposta aos movimentos sociais e artísticos dos anos 90, em especial o pós-modernismo e sua onda de ironia que varreu as produções artísticas norte-americanas e hoje se encontra em toda parte. Encurtando a história, é um movimento que surgiu espontaneamente na mente de várias pessoas e logo ganhou forma e até um manifesto e sua base é a de louvar aquilo que eles gostam de maneira sincera, por mais ridículo ou estranho que seja. Seus defensores dizem que é um movimento de inclusão, pois por mais bizarro que seja o seu gosto, ele tem um espaço cativo entre os aderentes do New Sincerity, pois o importante é você ser sincero, inclusive consigo mesmo. Particularmente, eu não gosto do New Sincerity, porque eu acho que tudo tem limite, tudo bem você gostar de coisas estranhas, mas mesmo essas coisas devem respeitar um alinhamento com a realidade, se você é um cara com mais de 20 anos que gosta de um desenho feito para crianças do sexo feminino, existe alguma coisa dentro de você que não está alinhada com a realidade (atente-se ao uso de realidade e não sociedade! É simplesmente algo que precisa ser revisto), mas o New Sincerity aceita isso e usa isso como uma forma de exaltar o alcance de seu movimento.

Eu concordo com a parte da ironia, mas acho que tudo tem limite.

E um dos limites que eu gosto de falar é o limite da arte, pois a arte não é algo inclusista, muito pelo contrário, é algo exclusivista, é algo para poucos. Talento é algo raro e aqueles que não o tem, devem trabalhar duro pra conseguir fazer o que fazem, vide Goethe e Schlegel, por um momento na história ambos foram colocados lado a lado e hoje são considerados parte da cultura clássica alemã, com uma diferença, Goethe era considerado abençoado por Deus, ele tinha o talento divino e escrevia muito bem sem o menor esforço, já Schlegel não tinha o talento, mas tinha a perseverança que o fazia trabalhar muito para escrever aquilo que Goethe fazia sem suar. O resultado é claro, Goethe é conhecido por todos no mundo todo, Schlegel é relegado aos estudiosos da academia, porém ambos sobreviveram ao tempo, ambos são elementos definitivos de um momento histórico que não pode ser compreendido sem a presença de ambos.

Deu pra entender que um não é menor que o outro?

E isso é arte, então eu não pude deixar de chacoalhar a minha cabeça quando a primeira cena do filme é um conjunto de atores, diretores, produtores e roteiristas bem conhecidos do público falando bem de “The Room”, exaltando Tommy Wiseau como se ele fosse um gênio. Não, ele não é e, por ironia (olha só, voltamos a ironia) todos apresentados nessa primeira cena são conhecido por seu trabalhos de comédia, gênero este que é o que mais sofreu com o grande advento da ironia na segunda metade do século 20, transformando suas obras, que sempre serviram ao relaxamento, em grandes críticas sociais cerebrais que mais cansam do que fazem rir.

Essa exaltação de Tommy Wiseau como um grande gênio da arte de fazer cinema ruim é apenas negativa e menospreza o que é arte, de verdade, no entanto o filme, de maneira não intencional, eu diria, dá um giro de 180º nessa perspectiva e vai para o outro lado da moeda, mostrando a enorme falha que T. Wiseau é, de fato, não só como artista, mas até como pessoa. Algo que é discutido no final do livro de G. Sestero, uma meditação sobre os perigos de se perseguir os seus sonhos de maneira incondicional, um momento fácil de se encontrar no Youtube na forma de audiobook.

https://www.youtube.com/watch?v=pXSvfJzshfw

E isso torna o filme uma obra difícil de assistir, pois tudo o que T. Wiseau fez ao longo de toda essa trajetória como diretor, produtor, ator e roteirista do Melhor Filme Ruim Já Feito foi perseguir o seu sonho artístico. O começo da cena final é pesado e apesar de ser simples, surge na tela carregado de emoção e te faz pensar... Faz pensar, principalmente se você for um dos muitos escritores, atores, diretores, artistas que não conseguiram correr atrás do seu sonho, que não tem o talento ou a perseverança pra criar algo que seja eterno. É algo que fala conosco (os artistas fracassados) de uma maneira visceral, simples, porém honesta e é pela sua honestidade que ele nos captura, nos faz pensar e se emocionar, apesar de toda a história real ser patética.

Convenhamos, T. Wiseau é apenas um cara sem talento, com uma ambição fraca, mas com muito dinheiro e se há um defeito no capitalismo é esse, ele dá voz demais ao dinheiro e qualquer besta quadrada com o bolso cheio pode fazer algo grande, ainda que medíocre, mas grande o suficiente para ser notado e viver na memória coletiva por mais de 10 anos.

Acho que nessa altura do campeonato é impossível existir algum cinéfilo que não tenha, ao menos, ouvido falar de “The Room” e ouso dizer que a maioria dos cinéfilos no mundo já assistiu, ainda mais os que gostam de uma trasheira, embora “The Room” seja ruim até para uma trasheira.

Ao final, “The Room” é artificial, fraco e se há motivos para rir nele, esse motivo não é intencional, o que o torna digno de pena, mas “The Disaster Artist” faz com que sintamos até uma pontada de respeito por T. Wiseau, desmascarando o gênio, que vestiu essa armadura que criaram para ele como uma forma de sobreviver ao ambiente inóspito de seu próprio planeta.

4 pontos e meio

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Dica cinematográfica: “O Charme Discreto da Burguesia” (1972)

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Sabe quando dizem que a direita perdeu a batalha políticas nas artes? Pois é... não estão brincando.

“O Chame Discreto da Burguesia” é um filme dirigido por Luis Buñuel, contando a história de 6 amigos burgueses, de forma episódica, ao longo de alguns dias e contando com vários acontecimentos, de conspirações políticas a sexo no jardim, enquanto os amigos esperam o jantar ser servido.

É uma dessas obras que eu amo odiar ou odeio amar, provavelmente a segunda opção.

De forma simples, despretensiosa, mas visceral, Buñuel nos guia, ao longo de várias cenas que podem ser vistas de maneira isolada, poucas tem uma ligação direta entre si, na vida luxuosa, hipócrita, mesquinha e enfadonha de vários amigos ricos numa França que poderia ser qualquer França, mas também poderia ser qualquer lugar. Um dos personagens é um diplomata de um país inventado, mas localizado na América do Sul, o que reforça esse ar de generalidade. O que o filme retrata pode acontecer em qualquer lugar do mundo, sem exceção.

Mas a crítica também não é pesada, ele não ataca, ao invés disso, assume uma postura neutra, isolada dos acontecimentos, o que só aumenta nossa indignação com o comportamento dos personagens, o diplomato é um corrupto mesquinho, corrupção causada por seus amigos ricaços, que não deixam de lavar dinheiro com a ajuda do diplomata. Todos são casados, mas uma das mulheres quando inventa de transar, transa até no quintal, a outra trai o marido e sua irmã se passar um dia sóbria, é porque está ruim e essa é a vida da burguesia, seu charme discreto, aquilo que está escondido dos olhos da sociedade e que, se forem vistos, será motivo de grande vergonha (mostrado numa cena genial e que acho que é um dos pontos altos da carreira de Buñuel), nessa maçaroca sobra até para o padre, claro, pois não podemos deixar de mostrar como a Igreja Católica é hipócrita.

Eu só vejo coisas erradas nesse filme, mas não consigo deixar de gostar dele, pois é tão bem feito, tão bem dirigido que eu só posso aplaudi-lo, apesar dos pesares. É um filme colorido e tem aquele charme garboso dos filmes coloridos dos anos 70/80, com cores vibrantes, mais belas que a vida real. A direção de Buñuel é fantástica, escolhendo ângulos não convencionais para nos afastar do realismo da obra e nos jogar num mundo imaginário, distante, onírico em muitos momentos, afinal, a burguesia está longe de nós.

Entendo a produção desses filmes, Buñuel explicitamente assume a tradição dos filmes bons de Godard (vide a história do diplomata), mas eu questiono a validade de seus argumentos, visto de Buñuel não foi nenhum trabalhador braçal, Godard muito menos. Já Truffaut, que nunca foi um revolucionário e crítico da burguesia sim. Eu adoro a ironia da vida!

De qualquer forma é um filme bem feito, muito bem dirigido, escrito e belo, contando com um elenco exemplar de atores e atrizes (Ah, Delphine Seyrig!) muito talentosos e confortáveis em seus papéis, que vale a pena assistir.

3 pontos e meio

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Dica cinematográfica: "Como se tornar o pior aluno da escola" (2017)

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Baseado no livro/manual de Danilo Gentili, este filme cria uma história para dar um pouco mais de consistência ao projeto do humorista e se sai muito bem, sendo uma das melhores comédias brasileiras lançadas no último ano, quiçá da década!

O filme conta a história de Bernardo, um garoto que está se encrencando na escola depois da morte de seu pai e quando está prestes a sucumbir a pressão imposta pelo diretor de seu colégio, o menino descobre um manual atrás de uma das privadas da escola e junto de seu amigo, Pedro, vai atrás do criador da obra para descobrir como colar no exame final de matemática.

Estava esperando um típico filme de comédia com atuações mais ou menos, piadas sem graça que só fazem sentido dentro do contexto do filme e uma produção meia boca, mas acabei de me surpreendendo e muito.

Pra começar, o filme é muito bem produzido, com uma qualidade de imagem e som dignas das melhores comédias de Hollywood (nível “Pineapple Express” mesmo), com cenas muito bem ensaiadas, efeitos primorosos, músicas excelentes, enfim... os aspectos técnicos do filme são impecáveis e o ápice de tudo isso é a cena de perseguição da van, uma cena difícil de ser feita, mas que quase chega no mesmo nível que comédias de ação excelentes como “Os Outros Caras”.

Depois temos as atuações, que não são dignas de nenhum Oscar, mas dão um banho em qualquer filme de comédia brasileiro recente. Os atores-mirim (que eu nem sei se são tão mirins assim) não são comediantes, mas se encaixam muito bem no papel designado a eles, fazendo muito bem a típica dupla gordo e magro de comédias mais escrachadas. Os outros atores estão ainda melhores, até pelo fato de terem mais experiência, mesmo o Vilagran, com seu sotaque carregadíssimo consegue ser engraçado (talvez até pelo seu sotaque) e o que dizer de Moacyr Franco, que eu acho insuportável n’A Praça é Nossa, mas que está ótimo em seu papel como zelador da escola.

E as piadas, algo que incomoda o público mais sensível, são ótimas, não tem aquele problema típico de comédias brasileiras que são feitas para o filme e apenas, é o tipo de piada que dá pra falar com os amigos no dia seguinte e dar muita risada!

É escrachado, chulo e de baixo calão, mas dá pra tirar algum proveito de raros momentos em que o filme assume um tom mais moralista, como quando o Pior Aluno diz ao Bernardo que se ele for reprovado na escola vai virar lixeiro mesmo, embora ele ache que o Bernardo não tenha capacidade para tanto. Ou ainda quando o Pior Aluno dá uma lição de moral no Pedro na cena em que inventa um apelido para ele, ensinando também ao público que suportar apelidos é algo extremamente necessário para a vida adulta.

Você pode até discordar do discurso de Danilo Gentili nessa questão, mas o fato é que ele está certo. Não sou do tipo cretino que acha que bullying é algo saudável. Não acho, mas existe sim uma diferença muito grande entre botar um apelido no colega da sala para que vocês possam rir juntos e chamar ele de algo que ele não gosta todo dia apenas para vê-lo bravo. Uma das lições mais importantes que podemos aprender na escola é justamente a rir de nós mesmos, pois apenas assim podemos ter uma vida adulta saudável.

No mais, é uma comédia despretensiosa, para ser assistida quando se quiser desligar o cérebro e se deixar levar.

Vale muito a pena!

4 pontos e meio

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Dica musical: "Flowering Jungle" do Monster Rally

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Janeiro é definitivamente o mês das dicas atrasadas do ano anterior e não poderia deixar de indicar essa belezinha que é o novíssimo álbum de Monster Rally.

Apenas um pouco mais de um ano após o lançamento de seu último álbum, Monster Rally nos presenteia com outra pérola, “Flowering Jungle” e dessa vez eu não vou paparicar tanto o cara e farei uma dica mais sóbria de seu trabalho.

“Flowering Jungle” continua atravessando sons tropicais, resultado da exploração de Monster Rally pelo gênero já morto da Exotica, mostrando que o rapaz tem um extenso catálogo a usar como inspiração (e de fato, há uma extensa gama de artistas e sons diferentes que constituem a Exotica a qual o dj pode se inspirar) e aqui ouvimos batidas inéditas, que não se parecem com o que ele havia criado em seu álbum anterior, dessa vez, sem a intenção de criar uma história por trás, mas há um conceito: o de que esse é o som de um país desconhecido.

Sendo assim, os sons são mais soltos, não tão interconectados, o que deixa o projeto como um todo menos interessante, mas há ótimos diamantes ali dentro.

O som que Monster Rally vem explorando desde Foreign Pedestrian é legal, mas é comum vermos batidas mais lentas e preguiçosas, muito repetitivas e isso já não está mais sustentando álbuns tão longos. Em “Flowering Jungle” já não sustentava as suas 20 músicas, mas todo o conceito e a conexão entre as canções fazia dele algo realmente bom. Agora, canções mais soltas, talvez não tenha sido uma boa pedida.

No entanto, como eu disse, há ótimos diamantes aqui dentro, principalmente os singles, mas até mesmo algumas músicas mais lentas encantam, embora uma boa parte não passe de música ambiente medíocre.

De qualquer forma, Monster Rally está explorando algo novo, diferente do que ele havia feito antes, encontrando-se numa fase que talvez esteja alcançando seu ponto final. Pode até não ser bom agora, mas será ótimo mais pra frente, quando ele evoluir novamente.

3 pontos e meio

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Dica literária: "Cuore" de Edmondo de Amicis (1886)

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Mais um livro que li ano passado, mas que estou fazendo a dica este ano por uma questão de espaço no blog.

“Cuore” (coração em português, não sei porque não traduziram o título) é um livro escrito pelo italiano Edmondo de Amicis e narra as desventuras de um estudante do ensino fundamental italiano da época, Enrico Bottini, ao longo de um ano letivo, começando no outono e terminando na primavera.

É um livro curto e uma dessas obras raras que, assim como “O sol é para todos”, te faz ler como se estivesse assistindo um desses filmes de aventuras de crianças da Sessão da Tarde. É um livro que usa de inovações estilísticas (ao menos para a época) transformando o livro num diário, onde o personagem principal nos narra os acontecimentos como se tivessem acontecido com ele um dia ou dois antes.

A obra se tornou um clássico na literatura italiana e já foi bem requisitado na época de lançamento pelas exemplares qualidades de seus personagens. “Cuore” é um livro de ideias tradicionais, que honram a soberania italiana, a natureza heroica e perseverante de seu povo, o respeito à família, às autoridades e à constituição social. Na época, todas as escolas italianas eram públicas e todas as crianças estudavam juntas, separadas apenas por sexo, possibilitando que tanto os mais ricos quanto os mais pobres estudassem juntos e é através dessa mistura que surge uma série de tragédias e momentos melancólicos ao longo da obra, mas que só servem para que Enrico aprenda a perseverar, resistir às tragédias, manter a sua fé e o seu respeito por aqueles acima dele.

Isto posto, não é uma obra pra qualquer um, muito menos num país tão polarizado como o nosso. Leitores mais à esquerda se sentirão incomodados com a injustiça social, presente, incômoda, porém aceita como parte de um caminho mais longo a ser trilhado, com a imposição das autoridades, tanto familiares, quanto escolares e, claro, com os temas de soberania nacional, algo que também incomodaria os leitores mais à direita, que também se sentiriam incomodados com a imposição de autoridades estatais. Como eu disse, é um livro tradicional, verdadeiramente conservador, porém acredito que isso seja mais fruto da época em que foi produzido (leve-se em conta a recém-unificação da Itália, naquela época) do que uma busca ideológica, de fato.

De qualquer forma, é um livro que toca o coração. É singelo e sensível, com passagens realmente devastadoras, trágicas e melancólicas, ao lado de passagens recheadas de uma leveza, simplicidade e harmonia que te deixarão sorrindo após a leitura.

É uma obra única.

5 pontos

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Dica cinematográfica: "Francisco, Arauto de Deus" (1950)

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Hoje a dica de mais um filme italiano e, dessa vez, um clássico que conta uma pequena passagem na vida de um dos maiores santos da Igreja Católica.

“Francisco, Arauto de Deus”, dirigido por Roberto Rosselini (um dos mais importantes cineastas do movimento neo-realista do cinema italiano), conta de maneira episódica os acontecimentos que se sucederam após a conversão de Francisco de Assis e sua reunião de primeiros seguidores até a benção papal para fundar a Ordem Mendicante dos Frades Menores, os Franciscanos.

Belissimamente bem dirigido em preto e branco, é um filme singelo e de grande valor poético, eu diria, contando através de vinhetas de pouco mais de 10 minutos cada, algumas proezas, tristezas e ensinamentos de Francisco de Assis. Não pesquisei a fundo a história da produção do filme, mas acredito que alguns acontecimentos mostrados são ficcionais, mas todos têm alguma lição, moral ou simplesmente uma mostra de poesia cinematográfica a nos mostrar, focando mais nos acontecimentos externos ao santo do que à vida dele em si.

Também não sou um grande conhecedor do neo-realismo italiano, muito menos de Roberto Rosselini, então não sei se ele era católico ou algo assim, mas o filme é uma baita homenagem a esse santo e inclui passagens memoráveis, que te deixam pensando por muito tempo após o encerramento da película.

Enfim, essa dica vai ser curtinha mesmo, mas não deixa o blog morrer e fica a mensagem: assista esse filme!

5 pontos

p.s.: A atriz que faz a santa Clara no filme é uma belezinha, Deus me perdoe!

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Dica literária: "Moby Dick" de Heran Melville (1851)

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Li este livro ano passado, mas estava querendo fazer um comparativo dele com a HQ que o Pipoca e Nanquim lançou. Infelizmente não achei a HQ na internet e não estou com tanto dinheiro assim pra comprar, então vamos à dica!

Moby Dick conta a história do barco baleeiro Pequod e seus heroicos, porém trágicos personagens, principalmente o capitão Ahab. Narrado por Ishmael, um vetereno do mar, mas um tripulante novo do barco, o livro passa por momento enciclopédicos, utilizando uma narrativa por vezes fragmentada sobre a perseverança humana.

Com mais de 700 páginas é um livro complexo e ainda mais complexo para a época em que foi criado, sendo um exemplar representante do que se chama de “Era de Ouro da novela americana”. De fato, há muitas passagens no livro que comprovam isso, com um rico vocabulário, apesar de usar a linguagem coloquial da época, descrições e metáforas geniais, que te fazem pensar em como um autor pode pensar nisso e uma mescla de estilos narrativos e literários que até hoje surpreende estudiosos. É um exemplar raro de literatura, de fato.

“Moby Dick”, com o passar dos anos foi ganhando um status cada vez mais único dentro da literatura mundial, sendo considerado, em grande parte das listas de melhores livros de todos os tempos, número 1. Eu não iria tão longe, claro, porque não é o meu tipo de livro favorito, mas reconheço a genialidade por trás da obra.

Mesmo as partes que deveriam ser datadas, como os capítulos que são transcritos como uma peça de teatro não são datados, satisfazendo a ânsia bem atual dos leitores dessa era em que vivemos de ter sempre que serem surpreendidos a cada página. Em “Moby Dick” vemos, de fato, uma surpresa atrás de outra, seja nessa mescla estilística ou até mesmo na história. Embora algumas passagens sejam realmente datadas, como as explicações (pseudo-)científicas e claro a própria “arte de caçar baleias”, que já não é a mesma.

Para aqueles que querem se aventurar pela obra no original em inglês, como eu fiz, já fica o aviso: não é a obra mais fácil, pois a linguagem é um inglês mais antigo, há algumas abreviações que não se usam mais, outros recursos linguísticos e até palavras que ninguém mais usa, então você terá que procurar ajuda num dicionário com certa frequência, porém apenas no começo, depois que você pega o ritmo da história, tudo flui naturalmente.

Enfim, “Moby Dick” vale a pena e eu ainda desejo ler a HQ pra poder fazer uma comparação aqui no blog, mas isso vai ter que ficar pra depois.

4 pontos

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Dica musical: "Our Pleasure" do Single Mothers (2017)

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E a primeira dica musical de 2018 é de um álbum de 2017... e terão mais desse tipo, pois sempre acabamos descobrindo coisas boas atrasado. Não tem como se manter a par de tudo que é bom no momento em que saem.

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Enfim, a dica de hoje é de uma banda muito curiosa, chamada “Single Mothers”, uma banda canadense de punk rock, mas que mistura uma série de vertentes criando um som diferenciado e com este álbum eles se adaptaram o seu som a todas as vertentes do rock que gostam, aproximando-se tanto do indie quanto do hardcore puro.

É difícil pensar que algo assim possa acontecer, mas aconteceu. O que “Single Mothers” fez com seu estilo musical é algo que poucas bandas fizeram e eu atribuo isso a sua origem canadense. O Canadá nos providenciou ótimas bandas e artistas nos últimos anos, artistas que criam um som único e para bem ou para o mal, são originais. Single Mothers é ainda de Ontário, a província cuja capital é Toronto, uma das cidades mais multiculturais do mundo. Qualquer estilo musical desenvolvido ali sofre mutações, se distancia de suas origens, buscando mesclar elementos distintos e até contraditórios, criando um verdadeiro mutante. Um mutante que agradou muito aos ouvidos do Sommelier de Tudo.

O som de Single Mothers tem a agressividade do punk e do hardcore, mas com melodias dignas do tradicional indie rock do início dos anos 2000. O próprio vocalista lembra At The Drive In com Arctic Monkeys na fase boa.

[bandcamp width=100% height=42 album=405002828 size=small bgcol=ffffff linkcol=0687f5 track=225662759]

O álbum sofre mutações ao longo de sua projeção, constituindo-se de músicas mais agressivas, músicas dançantes e músicas mais lentas. Tanta mistura é um ponto positivo, pois nos apresenta uma variedade musical pouco explorada por artistas cotidianos, mas é também um ponto negativo, pois diminui um pouco a consistência do trabalho. É estranho partir de uma música mais agressiva, para uma mais lenta, sem ter um intermediário entre os dois e o intermediário estar incluído após os dois.

No entanto, de maneira geral, é um ótimo álbum, impressionante, corajoso e criativo. Vale a pena escutar.

4 pontos

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

O que esperar de 2018?

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Pra iniciar o ano bem, porque não falarmos do que esperar desse ano que vem por aí?

Bom, eu espero que a faculdade me dê uma folga, mas sei que isso será quase impossível... talvez tenha que fazer a maldita aula de linguística novamente e ainda vou ter estágio obrigatório. Ao mesmo tempo, posso esperar muitas leituras, já que eu tenho 13 livros esperando para serem lidos na minha estante e a pilha só aumenta a cada mês que passa.

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Mas vamos ao que interessa, porque o leitor tem pressa e vamos falar de dicas musicais, porque em 2018 podemos esperar algumas dicas fantásticas, a começar pelo anúncio de que o Arctic Monkeys está gravando um álbum novo feito pelo seu baixista, “em um lugar secreto”. Cada álbum do Arctic Monkeys é uma surpresa diferente desde “Humbug” e eu já aceitei que essa é a característica da banda: não ter característica. Se eles forem seguir a tendência de outras bandas indie que surgiram mais ou menos na mesma época que eles e decidirem fazer um álbum mais politizado, talvez saia algo maneiro. Eles nunca expuseram suas opiniões políticas, mas há alguns anos atrás se revelavam bem reaças, se posicionando contra movimentos de massa como o “Occupy Wall Street”. Mas eles também podem ter mudado de opinião... em todo caso, um álbum novo do Arctic Monkeys é sempre motivo para se animar.

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Temos ainda o futuro 4º álbum do La Dispute. As gravações já começaram e tem, novamente, a produção do Will Yip. Eu esperava um novo “Hear, Here”, mas é lógico que não estou triste com a notícia de um álbum novo, afinal, são mais músicas! Numa qualidade melhor! Espero que eles continuem sendo a melhor banda de todas.

Boatos ainda dizem de um novo cd do The Vaccines e do Quasimoto, mas vamos nos concentrar no que temos de concreto: novo cd do No Age e do Fall Out Boy já em janeiro. Nada demais, mas também não podemos desperdiçar.

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Temos ainda Franz Ferdinand, que eu espero que faça algo mais marcante do que o último álbum e dessa vez nem precisa mudar muito a sonoridade, o mundo sente falta do indie rock legal dos anos 2000. Pianos Become the Teeth também retorna esse ano, mas não sei muito o que esperar desse álbum. É uma banda que aprendi a gostar há pouco tempo e eles passaram a mudar o som deles recentemente. Terei que esperar...

Há ainda o novo cd do Vampire Weekend, que tem até nome, mas não tem data de lançamento. E claro, com certeza teremos mais lançamentos do Self Defense Family, há a possibilidade de um novo álbum do Turnstile também.

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Quanto aos filmes, Martin Scorsese volta com “The Irishman”, enquanto a franquia Cloverfield se expande com mais um filme, “Cloverfield: God Particle”, expandindo tudo aquilo que Black Mirror criou e explorou em suas temporadas na TV britânica.

Temos ainda a continuação de “Os Incríveis” e um filme em animação do Homem-Aranha, que promete ser do piru, ao menos visualmente.

Finalmente teremos o tão aguardado filme do “Slenderman”, aguardado há tanto tempo, que eu até esqueci dele e a continuação de Pacific Rim? Pois é... vai ter continuação... Também vai ter um filme chamado “Paulo, o apóstolo”, contando a trajetória do discípulo de Jesus. Não se sabe muito desse filme, mas parece interessante para mim. E eu não posso deixar de lado “The New Mutants”, filme de heróis, mas que segue na linha do Wolverine de seguir um gênero diferente do de ação e aventura e parece ser de terror??? Pois é... 2018 promete!

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E promete ainda mais fora do ramo das artes, podem esperar mais dicas gourmet e dicas quadrinísticas, além de posts especiais de dia dos pais, mães, negros e vários posts fora de época, falando sobre a lamentável situação política que o nosso país vai enfrentar ano que vem. Se Deus quiser, Lula será preso e ao menos desse mal nos livraremos, mas a situação não vai melhorar muito, pois minhas esperanças de que o Partido Novo consiga se tornar relevante já em 2018 são baixas, mas mantenho elas em pé.

Pra compensar só fica a certeza de que muitos e muitos memes nós teremos e claro, 2018 é ano de copa e ano de copa é sempre uma alegria.

Bom início de ano para todos nós, caríssimos!

zabivaka

p.s.: 2018 também é o ano em que poderemos ressuscitar esse belíssimo meme!

https://www.youtube.com/watch?v=uDJvvZDQnDU