terça-feira, 21 de maio de 2019

Lendo O Senhor dos Anéis pt.1

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Esse ano me comprometi a ler mais livros de ficção e menos não-ficção. Para cumprir tal meta resolvi ler algo que estou devendo há muito tempo: O Senhor dos Anéis!

Comprei uma edição gringa que contém todos os 3 volumes e uma caralhada de extras, portanto resolvi criar um novo hábito de leitura. A cada livro, eu paro a leitura e vou ler outro livro de ficção mais fino. Dessa forma achei melhor montar esse guia de leitura com 4 dicas do que ter que fazer uma só. Do contrário, acabaria deixando escapar agum detalhe interessante.

Se são 3 livros, então por que 4 dicas? Porque eu comprei uma edição mutio foda de O Senhor dos Anéis, a edição de luxo lançada pela editora HMH. Conta com uma capa de couro, que não é capa dura, mas é bem resistente, folhas cortadas nas pontas num formato redondo e uma fonte pequena que deixa o livro todo parecendo uma Bíblia antiga. Essa edição, além do texto integral do livro, conta com vários textos suplementes como apêndice da obra e é por eles que vou começar essas dicas de O Senhor dos Anéis.

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Um costume que adquiri nos últimos tempos é o de ler os textos suplementares dos livros que leio antes de ler o livro em si. Isso pode ser visto como trapaça e pode estragar um pouco da graça ao revelar detalhes importantes do roteiro, mas pra mim só melhora a leitura, pois não vou ao texto de mãos abanando.  Comecei a leitura de textos antigos, clássicos gregos, latinos e afins nos últimos anos e chegar a eles de mãos abanando é um desastre. Você não consegue entender sobre o que eles estão falando e se sente perdido. É muito ruim. Sendo assim, adotei a estratégia de ler os apêndices antes e isso tem me ajudado bastante. E teria me ajudado bastante na leitura de Graça Infinita.

Portanto iniciei a leitura de O Senhor do Anéis por eles e acabei descobrindo que o Tolkien foi o primeiro dos pós-modernos. Sabe aquilo que os intelectuais sempre discutem quando falam de literatura pós-moderna como ruptura com a forma do romance? E eles mencionam o uso de artifícios que contribuem para a criação de uma metanarrativa? Pois é... Tolkien fez tudo isso antes de muita gente.

Aliás, muita gente fez isso antes do pós-modernismo, mas aí já é outra discussão.

Tolkien iniciou a criação de seu mundo através da linguagem dos elfos. A língua foi o principal motivador para continuar e expandir o trabalho que ele havia feito n’O Hobbit. Como a língua é viva, pertence a um povo e se relaciona intimamente com a história, ele acabou criando diveros ramos dessa árvore que é a Terra Média para dar corpo a uma língua que ele estava criando.

Trabalho de gênio, mas também de um baita dum nerdão!

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No entanto a gente respeita, porque Tolkien era também muito criativo. Sabemos como a história foi criada por causa de outros, não dele. Nos textos que compõem o apêndice Tolkien fala como se fosse um historiador, como se tivesse descoberto os textos que temos em mãos e ele fosse apenas o tradutor. Ele fala de hobbits, elfos e guerras na Terra Média como se tudo isso existisse de fato e ele fosse apenas o responsável por desenterrar essas coisas, descobertas ao acaso, enquanto perambulava pela Inglaterra.

Nisso conhecemos um pouco da genealogia dos Hobbits, responsáveis pela criação dos textos que Tolkien “descobriu” e “traduziu”. Conhecemos muito das línguas faladas na Terra Média, suas peculiaridades e o povo que as falava também. Temos longas descrições das genealogias dos humanos, dos elfos e dos anões.

Algo que me chamou muito a atenção foi o texto dedicado aos anões, pois eu sempre gostei muito dessa raça de seres da Terra Média, mas sempre fiquei meio desapontado com o Tolkien por não focar muito neles. Ledo engano, aqui conhecemos muito deles e talvez a falta de conteúdo sobre eles seja culpa das editoras brasileiras, que não trazem muito desse conteúdo mais “pesado” do Tolkien.

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Pesado, porque é um negócio que só nerdões se interessariam em comprar e ler e tal... o leitor menos dedicado ao universo da Terra Média não vai se interessar tanto por isso.

De qualquer forma achei muito legal a inserção dos anões ali. Como raças misteriosas que são, tímidos e retraídos, não se conhece muita coisa sobre eles. Disso resulta um texto pequeno, em comparação com os outros. Ainda assim, o texto nos fornece informações muito interessantes, como a presença de mulheres entre os anões (as anãs), sua língua entre eles, suas crianças e afins.

Os elfos é basicamente uma recapitulação d’O Silmarilion e os humanos apresentam muitas casas e famílias que devem estar presentes n’O Senhor dos Anéis. É uma parte meio chata, confesso. São muitas informações repetidas, nomes estranhos e coisas que criam um grande folclore, mas não acrescentam tanto a leitura do livro, pois são raças cujo comportamento e história são amplamente difundidas.

Além disso há uns anexos de línguas, runas e um texto sobre a tradução dos textos originais para o inglês! Tolkien era um nerdão, mas também era um grande gozador que adorava brincar com seus leitores.

Após tantas informações me senti mais seguro em começar a leitura desse calhamaço e já dá pra adiantar, ajudou bastante!

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quinta-feira, 16 de maio de 2019

Dica cinematográfica: “A Balada de Buster Scruggs” (2018)

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Eis que mais um filme escapa do meu radar e, portanto, vou desistir de simplesmente fazer dicas cinematográficas aqui. Vou começar a fazer análises miméticas dos filmes por aqui.

A Balada de Buster Scruggs é um filme de 2018 dirigido e escrito pelos irmãos Coen e lançado diretamente na Netflix. Não sei como puder perdê-lo, mas ainda bem que o assisti esse ano. O filme é montado como se fosse um livro de contos do oeste americano, aliás, ele abre com um livro e encerra com esse livro se fechando. Somos apresentados a diversas histórias do oeste, de assassinos divertidos a ceifeiros irônicos, passando por bandidos azarados, caçadores de ouro e cotocos poéticos.

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Diversas histórias formam uma teia que constitui a imagem diversificada do oeste americano. Temos todo tipo de ser humano aqui, boas pessoas, pessoas ruins, bandidos, homens da lei,trabalhadores honestes, salafrarios, moças de família, prostitutas, enfim... tudo que você já viu em tantos outros western desde que o cinema é cinema. Não apenas a diversidade humana, mas a diversidade natural é vista aqui, em cenários que vão do dester escaldante, às florestas virgens e às montanhas geladas. O oeste americano é extremamente vasto, o que permitiu a criação de tanta diversidade.

E aonde poderia se encaixar a teoria mimética de René Girard no meio de tudo isso? Exatamente aí, no meio.

Sendo uma obra que pretende simualar a dinâmica de um livro de contos, o filme conta histórias puramente humanas e como bem ensinou Girard, são essas histórias que revelam o cerne da natureza humana, algo que sempre esteve lá, mas não vemos e apenas a literatura nos revela, ainda que de forma não direta.

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Esse cerne é a rivalidade mimética. Somos todos miméticos, desejamos o que o nosso companheiro deseja e quando esse objeto de desejo, compartilhado, é excasso, nos tornamos rivais. Rivais miméticos. E é basicamente disso que se trata o filme. Todas as histórias apresentam personagens ambiciosos e é sempre um outro, almejando a mesma coisa, que causa o conflito da história.

Seja matando o personagem principal da história apresentada ou causando um conflito que irá culminar em um final trágico. Até mesmo a discussão sobre a vida e a morte gira em torno disso, a ambição humana que é sempre barrada por um outro ambicioso.

O oeste americano acaba sendo o terreno mais fértil para a rivalidade crescer, pois ele é vendido como terra de ninguém. E de fato é assim, intocável, mas criar algo a partir do nada dá trabalho, como na história do caçador de ouro. Ao encontrar o ouro que procurava, ele descobre que não está só, que foi perseguido por alguém. Provavelmente ele havia contado vantagem com seu plano de escavar ouro e isso acaba chamando a atenção de todo tipo de bandido. Ouro não está disponível em todo lugar, portanto a rivalidade foi criada e o resultado só pode ser trágico.

O mérito disso, ao contrário do que dizem alguns, não é da Netflix, mas dos irmãos Coen, que decidiram criar uma obra que simulasse um livro de contos do oeste. Há anos que eles se dedicam a desconstruir o oeste americano. Na nossa atual época, em que construir se mostra mais urgente que descontruir, uma obra como essa é muito mais impactante. Há um revivamente do oeste americano, embora conte com o característico humor irônico dos Coen.

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A qualidade técnica é um grito que não encontra eco dentro das produções da Netflix. Muito bem dirigido, com uma qualidade de imagem impressionante, cenários exuberantes, o uso de animações muito bem equilibrados e um áudio especialmente bem trabalhado com relação às canções presentes na obra. Tecnicamente é um petardo.

Sua extensão pode incomodar um pouco e, de fato, ele acaba cansando um pouco, mas a sua estrutura permite que ele não seja assistido de uma vez só. Como é estruturado em contos, seu formato encaixa feito uma luva dentro da estrutura da Netflix, se passando quase como uma série.

Concluindo, um primor narrativo, estético, técnico e com defeitos que quase não são notados dentro da mídia em que veicula, A Balada de Buster Scruggs é um ótimo filme.

4 pontos e meio

terça-feira, 14 de maio de 2019

Dica Audiófila: Philips SHE2000

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Sou um grande admirador de fones de ouvido e também sou um baita dum quebrado. Por esses motivos temos no blog as dicas audiófilas que só indicam fones baratos. A dica de hoje é um verdadeiro achado.

Sou um ávido escutador de música e podcasts. Como tal ando pra todo lado com fones de ouvido, mas moro numa cidade quente demais para a utilização dos famosos “over-the-ear”, os supra-auriculares, portanto acabo usando muito os auriculares. Intra-auriculares são só para os que gosta de ter os ouvidos estuprados. Num belo dia, procurando fones baratos no Mercado Livre, acabei encontrando esse aí.

O fone é da marca Phillips, o que logo me chamou a atenção. Meu irmão vive falando da Phillips e estava com vontade de arriscar comprar um há um tempinho. Sabia que os supra-auriculares são bem mais ou menos, mas os auriculares poderiam ser diferentes.

Em segundo lugar, o que chamou minha atenção foi seu design. O fone conta com uma aparência muito bonita, simples, porém elegante. Contém algo de sóbrio e que encaixa com qualquer tipo de situação. Produzido nas cores pretas, contém detalhes em cinza num material emborrachado que denota qualidade ao menor toque.

Pra finalizar, o seu preço. Por menos de 30 reais, é algo que chama a atenção, pois diz: “Não me confunda com as suas negas que você compra no Shaim, mas também não estou querendo te roubar”. É um fone honesto que cumpre o que promete.

Sua qualidade sonora é superior a de qualquer fone auricular que já tive, ficando pau a pau com o fone que veio no meu smartphone Asus. Os graves, médios e agudos são bem equilibrados, com uma marca sonora bem neutra e uma espacialidade interessante para um simples auricular. Eu, um eclético fã de todo tipo de música, encontrei o parceiro ideal para os momentos tristes em que quero ouvir um jazz, enquanto chove e para os momentos mais alegres ao som de Angel Du$t.

O fone para todas as horas.

Com tantas qualidades embaixo do braço, o SHE2000 (que tem nome de produto bom dos anos 90) é um dos produtos audiófilos mais bem construídos no comércio brasileiro atual.

5 pontos

sexta-feira, 10 de maio de 2019

A egomania matou a crítica

Antes de mais nada eu quero que você dê uma boa olhada na imagem abaixo.

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Olhou? Então olhe de novo e me diga o que há de diferente entre eles?

A imagem apresenta duas versões de um mesmo Pokémon. O nome dele é Ludicolo e já no desenho criado para as versões dos jogos lançados ainda na época do Game Boy Advance, esse Pokémon já era uma amálgama de pato, urso e abacaxi na cabeça. Não é exatamente isso que nos apresenta a sua versão para o cinema, que está presente no filme do Detetive Pikachu?

Assim como o Ludicolo, diversos outros Pokémon se encontram na mesma situação. A equipe dos efeitos especiais trabalhou de maneira séria para recriar os Pokémon de uma forma que parecesse crível, mas sem perder a imagem já clássica deles de vista. O Psyduck é um pato amarelo e gordo, o Jigglypuff é um urso rosa com olhos enormes e o Bulbasaur tem uma cebola nas costas.

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É estranho? Claro, porque afinal são seres que não existem, mas é ruim? De forma alguma. Muito pelo contrário, é uma ótima forma de adaptar para as telonas esses animais que só eram encontrados em telinhas de videogames portáteis.

Não como dizer que os Pokémon apresentados no filme não são os Pokémon que estão nos games, porque são. É diferente do filme do Sonic, que deixou o porco-espinho azul parecendo um furry qualquer. No caso do filme do Detetive Pikachu são os Pokémon que estão sendo apresentados, não uma adaptação esdrúxula deles.

Então quem diz que eles estão feios, terá que dizer que os Pokémon apresentados nos games também são feios. Não é o Pikachu do filme, é o Pikachu que é feio.

O que acontece é o contrário. O Pikachu sempre foi considerado fofo e ninguém nunca reclamou de seu design. Pokémon baseados em lixo, imã e gosma fedida são muito criticados (e com razão), porque mostra a preguiça do game designer, mas não é o caso de outros como Lucario, Rayquaza ou mesmo o Mew, que tem um design simples, mas bonito. É agradável olhar para esses Pokémon, em outras palavras, eles são belos.

E aí vem um zé ruela qualquer dizendo que esses Pokémon estão feios? Qual a lógica, sendo que o design deles nunca o incomodou. Pior ainda é dizer que por causa disso o filme será ruim! É uma lógica ainda mais maluca, visto que até ano passado esses mesmos “críticos” compravam o mangá que está saindo pela Panini.

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Isso só comprova o quanto a egomania está acabando com a crítica.

Nesse caso não é nem a lógica do “Se eu não gostei, é ruim”, que coloca o eu em primeiro lugar e não consegue abstrair sentido de nenhuma obra que não compartilha da realidade na qual esse eu está inserido. Aqui é a lógica do ter que se passar por intelectual o tempo todo. Esses execráveis baseiam-se na falsa imagem do filósofo cansado e para manter uma imagem de ser superior reviram os olhos, pousam a cabeça sobre uma das mãos, simulam uma voz cansada, enchem o seu discurso vazio de palavras difíceis e quando não têm argumentos, recorrem à velha ironia.

É lamentável ver que nem mesmo filmes infantis como Detetive Pikachu escapam da sua arrogância infeliz. E é o mesmo caso que assombrou Pica Pau. É um filme para o público infantil, não é para você.

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Mas não, eles têm que criticar. Têm que achar um defeito. Voltam do filme do Vingadores e nem se aguentam para ir em grupos do whatsapp expor sua opinião melindrosa. “O filme é bom, mas...” virou regra. Todo início de crítica é assim. Para eles nada está bom.

Eles não conseguem admitir que um filme é bonito, não levam em conta o público a que se destina o filme, não irão considerar que o filme adapta um jogo que eles não jogaram, não irão admitir rir dos trailers, muito menos rirão nos cinemas, mas irão pagar o ingresso para poder dizer que assistiu e assim garantir a sua Licença pra Poder Falar Mal.

Como se pagar ingresso fosse dar um cérebro pra esses pulhas.

Essa corja enfadonha confunde maturidade com velhice, crítica com falar mal, beleza com gosto pessoal, técnica com saber e autoridade com poder. É a prova da falência de todo um projeto intelectual, que não soube incutir neles o mínimo de decência para que consigam saber há um lugar e hora pra tudo. Não sabem esperar.

É verdadeiramente lamentável.

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Dica musical: “Pretty Buff” do Angel Du$t (2019)

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Angel Du$t é uma banda que vem da mesma turma de amigos que formam o Turnstile e esse ano lançaram álbum novo. O resultado é bom demais!

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Não sei o que essa galera anda tomando junto com a água deles, mas tem saído muita coisa boa das mentes criativas por trás do Turnstile e agora do Angel Du$t. Com dois álbuns bons na carreira, o Angel Du$t lança o seu trabalho mais diverso.

O álbum é um típico álbum de rock, fugindo um pouco do característico som punk-hardcore que marcou os primeiros trabalhos da banda, se aproximando mais de um rock clássico bem americanizado. Uma sonoridade que encontra mais similaridade com as bandas de rock que invadiram a metade até o final dos anos 90 e marcou a trilha sonora de filmes como Debi & Lóide.

O resultado é um rock despretencioso, bem leve e até mesmo engraçado, que inclui elementos sonoros atípicos para o gênero, como o saxofone, que marca várias canções desse álbum. Aliás, marca de maneira muito positiva. A presença inesperado do saxofone adiciona uma camada de leveza e originilidade muito bem-vinda.

Além disso temos riffs rápidos de guitarra, mas numa afinação mais leve do que nos últimos álbuns, o que não os torna tão agressivos como os últimos trabalhos. Pretty Buff é o álbum mais apresentável para os civis de todos os álbuns do Angel Du$t, podendo facilmente ser incluído numa playlist de alguma festa em casa.

É também o álbum que fez o Angel Du$t se tornar, definitivamente, uma das minhas bandas favoritas atualmente.

5 pontos

terça-feira, 7 de maio de 2019

Dica cinematográfica: “A Peregrinação” (2017)

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Este filme não foi alcançado pelo meu radar até que fui pesquisar mais informações sobre a colaboração artística do La Dispute com 2 programadores de videogame, Pilgrimage. O resultado foi uma boa suspresa.

O filme conta a história das origens de uma relíquia religiosa, a pedra que assassinou São Matias Apóstolo, o substituto de Judas Iscariotes. Essa relíquia é mantida por um grupo de monges num projeto de mosteiro no interior da Irlanda, quando recebem a visita de Ciaran, um padre que chega no país a pedido do papa Inocêncio III, que solicita que a relíquia seja levada para Roma afim de revelar quem tem uma fé verdadeira ou não. Relutantemente os monges se deixam convencer, pois as histórias em torno da relíquia levantam dúvidas acerca de suas propriedades, podendo ser muito perigosa. Ainda assim, Cioran consegue a companhia de um grupo de monges, um deles um inocente noviço e um trabalhador mudo e misterioso, mas com grande força e habilidades físicas de luta.

A obra é se trata de uma produção irlandesa e é impressionante como foi bem tratada. Estrela dois nomes muito bem requisitados no cinema atual, o intérprete do Homem-Aranha no MCU e o intérprete do Justiceiro nas séries Marvel da Netflix. Não me lembro do nome deles, mas você já deve saber de quem estou falando.

Sendo uma história que se passa no período medieval, a obra é recheada de violência e conta com aquele filtro meio acizentado que dá um tom bem apocalíptico para a obra. Tudo isso reforça a sensação de clima pesado que a história carrega, envolvendo traições, busca por poder e discussões de fé.

A obra levante questões interessantes, contendo mais de uma camada, dando muito pano pra manga nas discussões após o término da sessão do filme. Isso também é motivo de críticas negativas do filme, pois a motivação de muitos personagens não fica clara e é difícil saber o momento certo em que as coisas começam a ir para o buraco na obra, no entanto, para mim, isso pareceu ser intencional dos roteiristas da obra.

Não conhecemos muito dos personagens, mas conseguimos captar nuances que nos entregam o que pode ter acontecido com eles, ainda que isso não fique totalmente claro. Isso acaba fortalecendo a atmosfera apocalíptica da obra.

Também é um filme curto para as suas pretenções. São pouco mais de 1h30 e há muito coisa que poderia ser explorada com mais profundidade. São apenas detalhes, mas fariam diferença.

De qualquer forma, A Peregrinação me surpreendeu. Levanta questões interessantes, é uma história que te prende na tela (e isso também é consequência do seu tempo mais curto), além de contar com uma ótima produção.

4 pontos

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Dica musical: “Panorama” do La Dispute (2019)

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Olha só e não é que o La Dispute soltou um álbum novo? Levanto essa bola todo final de ano e em 2019 finalmente aconteceu.

Panorama é o nome do seu novo trabalho de estúdio e vem acompanhado de uma identidade visual bem diferente para a banda, o que me fez suspeitar da qualidade do álbum. Seguindo um visual minimalista e bem contemporâneo, que marca toda a construção do game que foi lançado uma semana antes do álbum. A minha opinião do game você pode ler no blog parceiro, Locadora TV. Obviamente que essa identidade visual não viria a toa, o álbum conta com alguns elementos eletrônicos, mas não decepciona. Os elementos são pontuais e servem apenas para dar corpo às histórias contadas no álbum.

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Por falar em histórias, o álbum é recheado delas, embora pareça haver uma unidade em torno do tema do luto. Saber perder e se recuperar dessa perda acaba sendo uma constante na obra do La Dispute e, infelizmente, aqui encontramos o tema tratado da forma mais genérica possível, embora numa poética ambiciosa. O uso de metáforas, antíteses e outras figuras de linguagem reforçam a sensação de se estar lidando com construções poéticas muito mais ousadas do que nos seus outros álbuns.

E por falar em outros álbuns, Panorama é a culminação dos últimos trabalhos da banda, desde Rooms of the House. Era lógico que após os experimentalismos com música eletrônica na trilha sonora do documentário da banda que eles iriam se distanciar ainda mais do post-hardcore que marcou um dos melhores álbuns da década, o excelente Wildlife. Por falar nisso ele ainda é o meu álbum favorito da banda e acho que ali foi o seu ápice, mas Panorama consegue fazer um retorno ao Wildlife, situando-se a meio caminho dele e de Rooms of the House.

Em algumas canções, Jordan grita da maneira mais agressiva que já gritou em toda a sua carreira, gerando uma das músicas mais pesadas de toda a discografia do La Dispute. Isso me surpreendeu e me deixou arrepiado. É uma banda que ainda tem muito a oferecer, embora eu já não ache que eles estejam no seu melhor, criativamente.

Na produção, agora contando com a ajuda de Will Yip, eles nunca soaram tão bem. Cada pequena nota de guitarra, baixo ou mesmo as batidas de bateria são audíveis. Nada fica solto ou confuso num mar de barulheira. Ao contrário, cada elemento encontra o seu espaço, o que distancia a banda do bom e velho hardcore, aproximando-os de uma sonoridade única, experimental e mais apresentável.

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Pela primeira vez sinto que posso deixar alguma música do La Dispute tocando num churrasco para os meus amigos ouvirem.

Há elementos que beiram o jazz, outros o eletrônico, mas tudo é puramente o La Dispute. A identidade da banda não se perdeu e para isso as passagens de spoken word são muito importantes. Nem mesmo em Wildlife havia tantos momentos de spoken word, soltos no meio da melodia. É um spoken word tradicional.

La Dispute está no caminho de deixar de ser a minha banda favorita, mas está no caminho de se tornar uma banda de rock muito bem vista. Reconhecimento é o que essa banda merece e eu fico muito feliz com isso.

4 pontos

terça-feira, 30 de abril de 2019

Dica televisiva: Alf, o Eteimoso (1986-1990)

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Nas minhas últimas férias prometi para um casal de amigos muito bons que iria colocar em dia todos os animes que estava devendo assistir. O que eu acabei fazendo foi baixar todo o Banana Fish, não assistir nem 10 episódios e passar as férias inteiras assistindo Alf, o Eteimoso e Jeannie é um Gênio. No momento em que escrevo essa dica ainda não terminei a última série, portanto hoje falaremos de ets.

Alf, o Eteimoso (que tem uma das melhores traduções de títulos de todas) conta a história do alienígena melmaquiano Gordon Shumway, o qual foge da explosão de seu planeta natal, Melmac e acaba caindo na garagem de uma típica família americana, os Tanner, onde ele passará a viver como um indesejável, porém amado, inquilino.

Como uma série do final dos anos 80, Alf ainda conta com aquela ingenuidade gostosa que marcou séries famosas como Arnold e Punky, A Levada da Breca. Os Tanner formam uma típica família tradicional, pai, mãe e um casal de filhos com um gato de estimação. Pra ser 100% só faltou o cachorro. Nessa dinâmica, não há problemas em se assumirem verdades eternas, nem em histórias com lições de moral.

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Infelizmente, a série se situa bem na época de transição de um zeitgeist mais pueril para o zeitgeist sujo e desolado que marcou a mentalidade dos anos 90. Algumas discussões na última temporada se tornam mais pesadas e exigiram mais do que os produtores da série estavam dispostos a abordar. Penso como exemplo disso o episódio em que Lynn, a filha mais velha, passa um final de semana esquiando com o namorado e entra em conflito com seus pais por querer ir morar com ele. A discussão nesse episódio se torna tão rasa  e os acontecimentos tão improváveis que beira o surrealismo.

Ainda falta a malícia e a ironia que marcou séries que estão na mesma época de transição ou que viriam logo depois, como Um Maluco no Pedaço e 3 é Demais. No entanto, o humor pueril é digno de nota e apreciação. Simples, cadenciado e inofensivo, Alf pode ser visto hoje como uma joia rara, uma obra que não ocorre mais, lembranças de tempos mais simples.

Continua engraçado e continua marcante, ao contrário de outras séries da época.

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Infelizmente já não se enquadrava nos padrões da época e acabou sendo cancelado, mas de uma maneira muito inteligente, abrindo brecha para o filme que viria, infelizmente, apenas muitos anos depois, devido a prováveis problemas de orçamento e financiamento. O filme não é tão bom quanto a série e até perde um pouco da graça e do brilho do Alf original, mas também tem seu valor. Eu o assisti no orignial em inglês, o que provavelmente estragou muito a experiência. Alf em inglês é inassistível, a dublagem brasileira melhorou muito a série.

Uma típica sitcom, muito bem produzida e carregando valores indiscutíveis é um clássico absoluto a arte de se fazer televisão.

5 pontos

quinta-feira, 25 de abril de 2019

Dica literária: “Nove Estórias” de J.D. Salinger (1953)

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Enquanto escrevo essa dica estamos, aqui onde moro, naquela época do ano em que chove descontroladamente, o céu fica nublado o dia todo e dá pra tirar os cobertores do armário pra ler Salinger o dia todo deitado na cama com um cappuccino do lado. Foi o que fiz nos últimos dois dias lendo uma obra que há muito não revisitava: Nove Estórias.

Publicada em 1953 e sei-lá-quando na 3ª edição brasileira que tenho em mãos, esse livro reúne nove dos mais aclamados contos que o autor escreveu e publicou no New Yorker quando em vida. Isso foi antes dele se tornar um chato fanático e viver em reclusão numa cidade do interior. Aqui todo a genialidade de Salinger aflora num nível que nem mesmo o mais entusiasta de O Apanhador no Campo de Centeio poderia imaginar. Chocante, transgressor e garboso, cheio de charme ao mesmo tempo, esses nove contos são pérolas que me impressionaram quando adolescente e continuam me atingindo como um raio, embora hoje as encare de uma maneira diferente do que antes.

Nenhuma delas forma um ciclo, algumas se relacionam apenas brevemente e os últimos esforços narrativos conhecidos de Salinger fizeram com que elas ganhassem um viés metaficcional dentro de seu universo familiar. No entanto, a primeira e a última compartilham um existencialismo mordaz, beira o niilismo que me deixou extasiado quando adolescente e hoje me impressiona pelo controle que Salinger tinha sobre a narrativa.

Ainda que hoje não me impressione mais com conclusões niilistas e análises cruas de uma sociedade condenável, o controle que ele demonstra ter sobre cada pequeno detalhe da história (cada descrição, diálogo ou pensamento que possa ocorrer) são louváveis. Ao término da leitura do livro fico com a sensação de que nenhuma vírgula foi em vão. Ele pensou em tudo.

Os temas são variados, mas igualmente negativos. Niilismo, desilução, alienação, controversão e sordidez recheiam as páginas dos contos que Salinger escreveu. Tudo partindo de uma visão de mundo muito particular (nobre, até mesmo burguesa, qual o problema?) que injeta camadas de beleza em cada uma de suas sentenças e é nesse ponto que reside o chamamento de cada uma de suas estórias.

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Esteticamente é um primor. A narração irônica deixa claro as origens de Salinger, que enaltecem um ideal de beleza virtuoso. Isso acaba sendo refletindo nas suas descrições de momentos mundanos, num realismo que acaba abrindo espaço para toques de Midas sabiamente orquestrados para fazer até mesmo da ponta queimada de um cigarro uma obra renascentista.

Tudo bem, eu exagero, mas é realmente bom. Neste ano, Salinger faria 100 anos se estivesse vivo. Data que praticamente passou em branco, pois a vida pessoal desse gigantesco autor foi conturbada demais para o jornalismo militante atual. De qualquer forma, esse blog tenta fazer uma singela homenagem a esse que foi um dos últimos (se não o último) grande escritor cosmopolita americano.

5 pontos

terça-feira, 23 de abril de 2019

Dica cinematográfica: “4 Aventuras de Reinette e Mirabelle” (1987)

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Rohmer foi um dos maiores gênios da cinematografia mundial. A promessa tardia da Nouvelle Vague não foi transgressor como Godard, nem ousado e criativo como Truffaut, mas é na simplicidade e intelectualidade que restam os louvores de sua obra. Este filme não é exceção a regra, mas sim um dos melhores exemplos dela.

Quando Mirabelle fura o pneu de sua bicicleta numa estrada de chão durante uma viagem de férias no interior com a família, conhece Reinette, que ajuda a garota a recuperar o pneu do veículo. As duas logo se tornam amigas e juntas acabaram passando por 4 aventuras, todas narradas de um jeito singelo e belo, como apenas Éric Rohmer poderia ter feito.

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As duas jovens são muito diferentes e é em seus contrastes que o filme se sustenta. Não apenas fisicamente, uma morena e a outra loira, mas também na personalidade. Reinette é um moça do campo, mas que conheceu muitos lugares, pois viajou para vários lugares com a família. Foi educada em casa e é dona de um senso de ética e moral muito forte, o que a impede de compactuar com algumas atitudes e pensamentos de sua nova amiga. Mirabelle é uam garota que cresceu em Paris, um cidade grande, portanto acabou adotando uma postura mais racional e fria perante a realidade.

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O jogo de contrastes entre as duas personagens revela reflexões sutis acerca do comportamento humano, colocando questões éticas em primeiro plano, embora de uma maneira quase imperceptível. É o estilo Rohmer de narrativa. Há muito pano pra manga, mas é de um tecido fino e quase invisível.

Como obra de Rohmer o filme não deixa de salientar a moralidade e a teimosia correta do povo do campo, no entanto, acaba por apresentando a perspicácia e raciocínio lógico que apenas a cidade poderia nos dar. É uma união que gera atritos, mas também força.

Tecnicamente o filme não poderia ser mais bonito. Aqui está tudo que torna o cinema de Rohmer tão característico, belas pessoas, belos cenários, uma câmera rápida que se movimenta com maestria pelo ambiente, ausência de música e diálogos muito inteligentes.

De todos os filmes que assiste de Rohmer, esse já entra para a lista de obras mais fáceis de serem vistas. Não por não levantar questões que perturbam, muito pelo contrário (esse filme é capaz de te deixar muitas horas pensando nos assuntos em que ele toca), mas porque esse filme é leve, te faz entrar na obra de cabeça e você nem vê o tempo passar enquanto o assiste.

5 pontos

sexta-feira, 19 de abril de 2019

O monte ardia em chamas que subiam até o céu...

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A semana começou com uma notícia devastadora... a catedral de Notre Dame sofreu um incêndio, que destruiu o telhado da catedral e sua agulha, símbolo máximo da arquitetura gótica.

Nesse momento não me importa de verdade as causas do incêndio, quem foram os responsáveis ou como eles serão responsabilizados por isso. O momento atual é de pesar.

Mas não de pesar pela perda de um monumento extremamente para a história da arquitetura, o seu valor artístico e cultural ou a possibilidade de que tudo isso tenha sido planejado. É um pesar pelo que essa catedral representava, um pesar em ver parte da sua herança ter sido perdida.

Eu sou um brasileiro, pardo e católico. Essa é parte da minha identidade, mas o que realmente significa tudo isso? Por ser pardo, não sou branco nem negro, estou perdido num limbo das raças que não interessam a ninguém. Hoje em dia, ou você é negro ou é branco, não tem meio termo.

Sou brasileiro e amo esse país de meu Deus, mas o que esse país fez, faz ou fará por mim? Pouco ou nada. Mudaria daqui facilmente, pra ser honesto, embora eu saiba que sentiria eternamente saudades dessa Terra de Santa Cruz.

Minha religião é a parte mais importante da minha identidade. É à Igreja que devo grande parte dos meus amigos, das minhas oportunidades de emprego, das minhas boas memórias e da minha educação. Foi o Catolicismo que me deu os padrões morais, se sou considerado uma boa pessoa por grande parte das pessoas que interagem comigo, devo isso à Igreja.

E muitos de nós devem tudo que tem hoje à Ela também. Só não reconhecem.

Das nossas leis à grande parte da nossa ideia do que é ser belo. Do conceito de laicidade à teoria do Big Bang. Devemos tudo isso à Igreja Católica.

E ao mesmo tempo é a instituição que mais apanha no mundo inteiro. Em parte, os ensinamentos de Jesus nos torna cordeiros, temos que dar a outra face, mas a realidade é que a Igreja tem os seus inimigos. Embora alguns sejam melhores que outros.

Não se reconhece que é a herança da Igreja que nos fez chegar até onde chegamos. Se tantas mazelas da sociedade foram deixadas para trás, como parte de um passado distante é por causa da Igreja, que cometeu seus erros, sim, mas é sempre bom lembra. A Igreja é Santa, seus fieis, nem sempre.

A França foi o país que chegou a ter 1 igreja para cada 200 habitantes. Se o centro da Igreja reside em Roma, é na França que estão seus frutos mais belos. Os franceses nunca teriam inventado o amor sem um profundo senso de religiosidade católica. E nós, como filhos de Portugal, devemos muito à tradição francesa. O silêncio de nossos líderes, da mídia e até mesmo dos membros da própria Igreja é revoltante.

Nosso relacionamento com o mundo é como um hexágono.

Os pontos exteriores representam cada um das nossas afinidades, características diversas da nossa vida, relacionamentos pessoais, práticas esportivas, estudos, vida política, finanças, enfim... tudo aquilo que move o nosso dia a dia. Bem no centro está Deus. Quanto mais próximo de Deus, mais próximos ficamos de tudo aquilo que nos cerca, mais equilibrada é a nossa vida.

E é esse equilíbrio que não podemos esquecer. É a falta desse equilíbrio que tem levado a França e quase toda a Europa ao caos. É essa a causa das chamas que a atingiram no início da semana.

Como nos lembra Chesterton, a arquitetura gótica é a única forma de arquitetura militante, em marcha para a glória de Deus, em pé e pronta para a batalha, nunca silenciada, sempre impotente.

 A catedral de Notre Dame levou mais de 100 anos para ser terminada. Quem começou a construção nunca a viu finalizada, mas o fez por algo maior, um Bem maior. Essa noção de sacrifício por algo maior foi perdida nos tempos atuais e é isso que destrói nossa natureza, acaba com os direitos civis e nos destrói a esfera privada cada vez mais. Talvez ainda faça um post aprofundando isso, mas, basicamente, uma vez que não vivemos por algo maior, vivemos por nós e o nosso tempo não é o suficiente para promover mudanças positivas.

A nós, apenas nos resta esperar, na fé, que, como uma Fênix, a fé francesa levante das cinzas de Notre Dame.

https://twitter.com/Inaki_Gil/status/1117868382785802242

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Dica musical: “Remind Me Tomorrow” da Sharon Van Etten (2019)



A Sharon Van Etten é uma antiga querida minha. Uma verdadeira beldade e joia rara dentro do mundo da música, foi alvo da minha paixão platônica por muito tempo. Tanto que uma vez imprimi um retrato dela e colei na parede do meu quarto, a fim de dormir todos os dias olhando para ela. Em 2019, ela retorna com um trabalho novo, elaborando uma sonoridade indie com as suas características letras introspectivas.

Escrito enquanto ela estava cursando psicologia e grávida, Remind Me Tomorrow apresenta letras que lidam com essa fase conturbada da vida de Sharon. Conturbada, no entanto, desejada, afinal ser mãe e psicóloga é um sonho antigo da cantora que expressa isso há anos em diversas entrevistas que dá.

Dividir-se entre a maternidade e uma carreira nova não são atividades fáceis, ainda mais morando numa metrópoles como Nova Iorque, no entanto isso nunca a derrubou e serve de inspiração para letras que nos contam sobre esse processo. A cantora continua a criar álbuns intimistas e é legal ver que essa característica perdura, mas se reestrura com o passar de cada álbum. São experiências novas que formam novas canções para Sharon.

A sonoridade é bem distinta daquela primeira fase que me apaixonou no longínquo ano de 2012. Pessoalmente, não me agrada tanto, mas acho melhor que a sonoridade de seu último álbum, mais lento e minimalista. Aqui há um certo retorno (ou seria melhor um novo caminho?) em direção ao rock que sempre esteve presente de uma forma bem única nos seus primeiros trabalhos.

O álbum se inicia com canções que remetem ao último trabalho, sonoramente, mas logo as canções vão ganhando mais espacialidade, se expandindo e a veia roqueira de Sharon se revela conforme o álbum se desenrola dentro de nossos ouvidos. É uma boa trajetória, mas eu prefiro o estilo em que ela iniciou.

De qualquer forma, é um álbum que vale a pena escutar. O trabalho mais recente de Sharon Van Etten não decepciona, até porque eu não sabia o que esperar dele e o resultado agrada.

4 pontos

terça-feira, 16 de abril de 2019

Dica musical: “Nossos amigos e os lugares que visitamos” do El Toro Fuerte (2019)

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E eis que venho indicar mais um CD daquela turma talentosa de Minas Gerais.

El Toro Fuerte é uma banda de rock fundada por amigos talentosos que fazem parte da Geração Perdida de Minas Gerais, entre eles o Fábio de Carvalho, que já foi dica do blog aqui e eu não escondo minha admiração pelo cara, que, na minha opinião, é um dos melhores artistas musicais desse Brasilzão na atualidade!

[bandcamp width=100% height=42 album=4169247563 size=small bgcol=ffffff linkcol=0687f5 track=1782921610]

Aqui ele não está sozinho e o som que surge do El Toro Fuerte acaba sendo bem diferente do som que ele criava sozinho, mas sendo igualmente experimental. Indo do shoegaze ao math rock, a banda mescla elementos que fizeram parte de todas as vertentes do rock triste para salpicar as letras recheadas de nostalgia e uma boa dose de simplicidade.

O álbum já começa com uma música que não nega as origens no indie rock, soando como um The Strokes dos bons tempos, ela acaba incluindo elementos do hardcore, que revitalizou o rock no início dessa década e culmina num experimentalismo típico das bandas lá de Minas, com uma sonoridade bem idílica e letras intimistas. A partir daí a sonoridade se expande, abrangendo o shoegaze, caindo no punk e voltando ao indie rock dançante, sem deixar de experimentar com elementos do math rock, que pontuam cada música, criando melodias que ficam na cabeça por horas após ouvir o álbum.

[bandcamp width=100% height=42 album=4169247563 size=small bgcol=ffffff linkcol=0687f5 track=3793866442]

As letras são simples e, como bem disse a banda, focam no tema da amizade. Há letras de amor para garotas, obviamente, mas a maioria trata de descobrir novas amizades e se descobrir no processo. Sair de casa para conhecer alguém acaba de ganhar uma trilha sonora nova.

Não é o tipo de rock que agrada aos mais puristas do gênero. As influências da banda parecem se concentrar apenas na contemporaneidade. A mais antiga talvez sendo aquele rock slacker dos anos 90, então não agrada o pessoal cabeludo que gosta de usar jaqueta de couro. Mas é o suficiente para dar um ar novo a esse gênero que representa a alta cultura do século 20.

Não conhecia El Toro Fuerte. Acabei descobrindo que eles já tinham um CD e fico feliz que seu segundo trabalho seja tão bom. Espero que mantenham o nível ou melhorem cada vez mais!

4 pontos e meio

sexta-feira, 12 de abril de 2019

Qual é o meu gosto?

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Numa discussão com meus irmãos do LocadoraTV um deles disse que não acessa mais o blog, pois tenho o gosto duvidoso.

Não o critico, pois é só dar uma olhada nas minhas dicas aqui do blog que você encontrará motivos para duvidar do meu gosto pessoal. MC Gorila, Hora do Rush (a série) e As Branquelas são os exemplos mais claros disso. Não demorou muito para que eu entrasse numa discussão interessante com os LocadoraTVeiros.

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Pra começar, falemos de gosto. Como diria Burke, o gosto não é um parâmetro definitivo para a definição do que é bom ou ruim. O gosto é uma representação de um condicionamento que a pessoa sofreu ao longo de sua vida. Uma pessoa pode ser condicionada a gostar de vinagre e odiar açúcar, mas ela nunca deixará de saber que o vinagre é amargo e o acúçar é doce. Se isso acontecer, há algo de errado com os seus sentidos.

Dito isso, podemos admirar coisas e saber que elas são ruins. Eu admiro coisas, sabendo que elas são ruins. Eu sei que MC Gorila, a série da Hora do Rush e As Branquelas são piores que Franz Liszt, O Mecanismo e They Shall Not Grown Old. Ainda assim, admiro essas obras, porque eu fui condicionado a admirá-las.

Eu sou um integrante do povo. Cresci numa família popular, ouvindo modão caipira, assistindo desenho de manhã e lendo gibi da Turma da Mônica. Ao mesmo tempo, meu pai trabalhou numa editora por muitos anos e minha mãe é uma historiadora muito crítica. Dessa influência cresceu o meu gosto pela literatura, a crítica verdadeira e o bom gosto. Domingo a tarde, a TV de casa só era ligada para o futebol. Meus pais nunca deixaram de criticar a programação da TV brasileira, a degeneração moral que nossa terra sofre e as mazelas do governo.

Concluindo, tenho um pé na baixa cultura e um pé na alta cultura.

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Isso é completamente possível e aceitável. Explico isso em alguns parágrafos, mas antes temos que falar em quem define o que é a alta e a baixa cultura.

Meus amigos do LocadoraTV defenderam a ideia opressora da maioria. Hoje isso está muito em voga, se a maioria gosta, é porque é bom, se não é ruim.

Nada mais longe da realidade.

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Obviamente a definição de bom e ruim passa por um consenso em que a maioria concorda, mas não é necessariamente definido pela maioria. ATENÇÃO! A questão discutida aqui é o ponto de partida. Se num grupo de 5 pessoas, 3 falam que algo é ruim e 2 falam que algo é bom, algo é ruim.

Em matéria de arte não é assim. 60% do mercado fonográfico brasileiro é constituído de sertanejo universitário. É um gênero bom? Não. As músicas não contam nada, as melodias são repetitivas e a harmonia é pobre. Ainda assim, é o que a maioria gosta.

Vejamos o exemplo da minha querida Nouvelle Vague, o movimento de vanguarda do cinema francês nos anos 60. É um consenso de que os filmes da Nouvelle Vague são bons, excelentes, entre os melhores da história do cinema. Mas quem disse isso? A minoria que os assistiu.

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A ditadura da maioria não deve se aplicar ao mundo das artes, se não cairemos numa espiral do silêncio, que já destruiu a esfera política, acabou com a relevância da esfera artística e tem potencial para destruir a esfera do entretenimento também.

E nessa discussão toda, onde entra o meu gosto, que não é definido pela maioria e reconhece as falhas de meu condicionamento pessoal para a admiração de obras de arte?

Recorro a teoria da ferradura de Jean-Pierre Faye, que é aplicada no campo da política para dizer que os extremos político são, na verdade, muito próximos. A extrema direita e a extrema esquerda andam de mãos dadas na sua intolerância.

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A Cultura também é uma ferradura e a alta e a baixa cultura também são muito próximas. É inegável o quanto que a Rapsódia Húngara mexe com as emoções humanas. Foi criada para isso, com a nobre intenção de tocar os seres humanos no âmago.

É inegável que o mesmo acontece com “Se Arrependeu” do MC Delano. É uma canção que nos move, para outro lado, mas nos move. Não é uma música criada a toa e o clipe é a maior prova disso. Logo no começo, enquanto o protagonista tenta se reerguer após o término de um relacionamento, ele puxa um livro da sua estante. Esse livro é As Veias Abertas da América Latina, um clássico anticapitalista que eu, particularmente, desprezo, mas é um livro inteligente. Esse livro não está no clipe do MC Delano a toa. MC Delano não é qualquer um. Ao longo do clipe o negão bonito abandona a loirinha e vai ficar com uma mulata muito gata! Você acha que tudo isso foi simplesmente soltado a toa? Pense nas relações que podemos estabelecer com essas imagens... Há algo além do que nossos olhos vêem.

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É o mesmo com o Gorilão, com os irmãos Wayans e com qualquer outro grande menosprezado pela “crítica especializada”, pelos defensores do “bom gosto”, os supostos “inteligentes”. Aquela obra de arte caça-níquel, safada, esdrúchula, em muitos casos não saiu do nada. Há um estudo de mercado, uma intenção. Por trás de cada piada de peido do Adam Sandler, há uma compreensão de qual o melhor momento para se encaixar uma piada, uma construção de uma situação que leve ao humor e uma intenção.

Isso é algo que minha mãe me ensinou e eu, graças a Deus, aprendi cedo. Por trás de toda obra de arte há uma intenção. Algumas, a alta cultura, a intenção é nobre, virtuosa, grandiosa. Outras, a baixa cultura, a intenção é sujar, criar o caos, destruir.

Em ambos a intenção é quebrar o status quo. Os extremos querem nos mudar, um para melhor, outro para pior. É essa a ideia que criou a estética do cinema trash e filmes B dos anos 70 e 80. É a estética da boca do lixo em SP, dos filmes do John Waters e do Fome Animal.

Aí eu chego ao que me desagrada. Não é nem a alta, nem a baixa cultura, é a média cultura. O que eu não gosto é de tudo aquilo que está no meio da ferradura, são os filmes formulaicos, as músicas pop repetitivas, as séries que não seguem um projeto e os livros criados só para vender. É isso que é ruim de verdade, é por isso que eu não vou mais ao cinema.

Alguém acha que o Tony Stark vai morrer no final do Vingadores: Ultimato? Alguém se surpreendeu com o novo CD da Anitta? Quem dá risada assistindo o Novo Zorra?

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Tudo isso é formulaico, eles seguem uma fórmula que fez sucesso e a exploram até não poder mais. Eles jogam no seguro, não correm riscos. Não tem skin in the game. É isso que eu acho ruim, de verdade. Eu nem me importo que uma obra me ofenda (Thomas Bernhard, por exemplo), contanto que seja disruptiva, transgressora, que me surpreenda em algum de seus aspectos!

Pra encerrar, uma lista de brilhantes e seus opostos, mas o responsável por descobrir o que é brilhante e o que não é, será você:

Luz em Agosto, O Náufrago (livro), Nirvana, MC Delano, Black Sabbath, Agnaldo Timóteo, Arctic Monkeys, Franz Liszt, As Branquelas, 2001: Uma Odisseia no Espaço, MC Gorila, The Room, Solaris, Na Idade da Inocência, Fome Animal, O Senhor dos Anéis, Black Mirror, Watchmen, Elvira: A Rainha das Trevas e qualquer obra do Adam Sandler.

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Dica literária: “Sol e aço” de Yukio Mishima (1968)

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Não me identifico tanto com um livro desde que li O Apanhador no Campo de Centeio pela primeira vez quando ainda tinha 15 anos... quase 10 anos atrás.

Sol e Aço é um livro do escritor japonês Yukio Mishima que segue o formato de um ensaio autobiográfico. Nele Yukio conta a sua relação com o seu corpo, como ele passou a se preocupar com sua forma, as revelações que isso o levou a ter, a influência disso na sua arte e, posteriormente, na sua filosofia de vida e vida de trabalho.

Yukio Mishima é uma das figuras mais idiossincráticas da literatura mundial. Nascido no Japão durante o pós-guerra, começou a malhar ainda adolescente, se alistou no exército, entrou para a aeronáutica japonesa, brigou a vida inteira com sua (homo)sexualidade, fundou um partido político de direita, tentou aplicar um golpe de estado e cometeu sepuku.

Sempre o achei um tremendo de um babaca, mas acabei sido convencido a ler alguma obra dela por causa do Pewdiepie, que leu mais de 70 livros ano passado e eu só superei ele por um. Decidi ler mais ficção esse ano e estava atrás de coisas diferentes para ler e acabei baixando esse livro do Mishima e comecei a lê-lo durante as aulas teóricas da auto-escola. Para minha surpresa não era de ficção e para meu espanto, é um dos melhores livros que já li na vida.

Mishima tinha gostos peculiares, entre eles o gosto pelo sol, por suar, pelo exercício físico e logo descobriu como moldar o próprio corpo. Também estou passando por essa fase de descobrimento, embora tardiamente, mas foi interessante ler os pensamentos que foram se formando no fundo da minha mente escritos por outra pessoa. Parecia que eu havia descoberto algo que procurava há muito tempo sem saber.

Yukio relata a sua escalada, sua saída das sombras para ascender aos céus, em direção ao sol, forçando a sua arte (no caso, a escrita) a se tornar uma com seu corpo. Um processo criativo que fugia às noções mais clássicas, a do escritor sozinho no meio da noite. Yukio fugia desse ridículo ideal romântico e, de fato, sua escrita é diferente.

Yukio é poético, conciso, mas consegue incluir muito em poucas linhas. Neste livro, suas descrições são breves, porém marcantes e as cenas finais são de tirar o fôlego.

Infelizmente essa obra está esgotada em terras brasileiras e sem prazo pra retornar às livrarias. Nem mesmo edições estrangeiras são fáceis de serem encontradas, mas a Estante Virtual está aí pra salvar quem precisa.

Então corra atrás, que vale muito a pena essa leitura.

5 pontos

terça-feira, 9 de abril de 2019

Dica cinematográfica: “Hoaxed” (2019)

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Dirigido por John Du Toit e Scooter Downey, com produção do grande Mike Cernovich, este é o documentário mais importante dessa década, junto a The Red Pill.

“Hoaxed” se propõe a analisar o fenômeno das fake news, nome que começou a se alastrar como uma praga por todo o mundo (ocidental, pelo menos) após as eleições americanas de 2016, que elegeram Donald Trump. A partir desse momento, Mike Cernovich, o narrador de toda a obra, começa a apresentar diferentes casos de fake news com os quais ele manteve contato ao longo de sua longa trajetória como jornalista.

Nisso entram as histórias de Alex Jones e Cassie Jay. Alex Jones todo bom fã de teorias de conspiração já conhece. Maluco e praticamente banido da internet por uma série de controvérsias, seus testemunho como vítima de fake news ganha espaço nesse documentário, mas ele nunca fui uma pessoa muito defensável (apesar do filme mostrar um lado que não conhecemos dele, Alex é pai e trabalha como jornalista independente há mais de 20 anos, sendo responsável por levantar questões muito pertinentes acerca da política externa americana). No entanto, o que primeiramente me assombrou foi o testemunho de Cassie Jay.

Pra quem não se lembra, Cassie é uma produtora de documentários, responsável pelo excelente The Red Pill, que eu amo imensamente. O documentário foca na controvérsia que se seguiu ao lançamento do documentário e da qual eu não estava ciente. Cassie foi acusada de misógina, seu documentário foi acusado de ter sido financiado por “ativistas de direitos masculinos” e sua credibilidade não foi apenas posta de cheque, como sua imagem junto a mídia tradicional e mais popular foi destruída.

Cassie é um dos casos mais tristes de fake news que existe, mas é daí pra pior. O documentário começa a retratar a imagem de outras figuras como Scott Adams (criador de Dilbert e o gênio que previu a vitória de Donald Trump), a própria história de Mike Cernovich e também a de Gavin McInnes. Junte-se a isso uma análise profunda da estrutura da mídia, fornecida por caras como Stefan Molyneux e Ryan Holiday, que já havia desmascarado as estratégias da mídia em seu livro “Acredite, estou mentindo”.

Conhecemos a história da mídia tradicional, a falsa imagem que Hollywood, junto com os jornalistas, criaram do jornalismo. Aquela visão romântica do cara que persegue a verdade a todo custo é grande parte mentira e sabemos disso pelos inúmeros escândalos envolvendo a mídia e, finalmente, as ligações políticas.

As consequências desastrosas sofrem uma análise psicológica de Jordan Peterson (que aqui não faz seus comentários desastrosos sobre o pós-modernismo) e vemos os resultados desastrosos da polarização política causada pela mídia tradicional. O fortalecimento de grupos terroristas como o Antifa, sua violência degenerada e até mesmo a morte de um político republicano, que a mídia não perde tempo em demonizar.

É algo de revirar o estômago e o simples fato disso acontecer sem a grande população saber é ainda mais desesperador.

Sem se ater a uma ideologia, o documentário corre atrás do líder do Black Lives Matter em NY, que não só não conhecia casos de violência que seriam de seu interesse, pois ele também estava sendo manipulado, como relatou uma história muito bela. Durante um protesto a favor de Trump, ele foi recebido por um dos líderes do protesto, que abriu um espaço de dois minutos para ele falar e o que ele disse é o que todo eleitor de Trump também diz: “Eu sou um americano, eu sou um Cristão e eu quero um país melhor!”. O momento filmado por câmeras de pessoas que estavam no protesto obviamente não ganhou atenção nenhuma da mídia tradicional, que só se interessa pelo show, por histórias que possam servir ao sensacionalismo barato.

O final não poderia ser diferente. A alegoria da caverna de Platão nunca esteve tão atualizada e nos faz lembrar do nosso papel, como financiadores da mídia. Sem nós, a mídia tradicional não existiria. E sem nós, os perseguidores da verdade não existiriam.

5 pontos

sexta-feira, 5 de abril de 2019

As melhores brigas, porque o Brasil é lindo!

 

 

 

Somos passionais! O mundo reconhece isso! O Brasileiro é um ser que ama e o amor é um sentimento vasto, com diversas facetas e dimensões... uma delas é o lado negativo, que gera aquela paixão violenta, ciumenta, briguenta... A combinação de nossa natureza passional com a internet é: VÍDEOS DE BRIGA!!!

Sou um grande fã de vídeos de briga, passo horas assistindo a vídeos desse tipo. Brigas de escola, brigas de políticos, brigas de homens, brigas de mulheres, a internet brasileira agrada a todos os gostos possíveis. É por isso que o post de hoje é uma homenagem a essa categoria tão especial de vídeos da internet brasileira.

Pra começar, porque não com o sucesso do momento? VEM TRANQUILO!!! O vídeo consegue incluir em pouco mais de 2 minutos tudo que um bom vídeo de briga precisa, dois briguentos, uma rua vazia, um cinegrafista amador e comentarista, além de bordões que serão adotados por todos os brasileiros nas próximas semanas, proporcionando risadas e alegrias.

https://www.youtube.com/watch?v=fm3JHC3Fzso

Mas não é só na rua que temos brigas. No cenário político polarizado como o de hoje, temos muitas brigas rolando nos congressos por aí. Essa semana, o pessoal em Macapá honrou o WWE com direito a pulos em cima da multidão que se esbofeteava.

https://twitter.com/clay_sam/status/1113853959108792320

Os cinegrafistas-comentaristas são parte muito importante dos vídeos de briga e o Deixa as Duas é a melhor prova disso, onde a cinegrafista-comentarista nos transmite diversas lições da lógica das brigas de rua, como, por exemplo, que não se pode separar duas pessoas brigando, porque se não uma dá mais na outra.

https://www.youtube.com/watch?v=DizWJVh0bmM

Vídeos de briga também podem nos proporcionar um rico aprendizado das diferentes matizes de nossa amada pátria, como bem atesta o do Ousado. É um vídeo do famoso bullying moleque, mas também tem seu momento de briga e muitos jargões nordestinos.

https://www.youtube.com/watch?v=MiMwa3pKt-M

É o tal do Bullying Moleque que gera preciosos momentos nas escolas. Agradecemos pelo registro da Voadora Invertida.

https://www.youtube.com/watch?v=9L3zz_ECyXI

Não escondo que odeio jornalista e nessa onde, o Sub-Zero brasileiro é um herói!

https://www.youtube.com/watch?v=01bAq0butOI

Apesar disso, matérias de jornal já geraram diversos registros de brigas de rua que valem a pena serem lembrados.

https://www.youtube.com/watch?v=5tx3-Og-W7o

A terra do futebol, claro, só poderia gerar brigas após os jogos e aquela xenofobia amistosa!

https://www.youtube.com/watch?v=qjSyzcsHnOI

É claro que bêbado brigando é um show à parte, diferenciado!

https://www.youtube.com/watch?v=qPoLvEAgYN0

 

quinta-feira, 4 de abril de 2019

Dica aplicativística: Happy Mod

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Ao comprar meu novo celular não me atentei ao fato de que ele não tinha root e acabei ficando escravo dos abusos cometidos pela indústria dos games mobile... Isso até descobrir esse aplicativo que indico hoje.

Além de app, é também um site, o Happy Mod basicamente é uma store para aplicativos modificados. Esses aplicativos obviamente foram feitos para que os usuários de jogos mobile não tivessem que aturar os abusos que a indústria insiste em empurrar para a gente, microtransações absurdas, propagandas indesejadas, enfim... o Happy Mod basicamente nos entrega apenas aquilo que queremos ter.

A estrutura tanto do site quanto do app segue a estrutura da PlayStore, apresentando não apenas games, mas aplicativos de uso geral, embora apenas os games funcionem decentemente.

Nem todos funcionam, pra ser bem honesto, mas pelo menos os mods conseguem tirar a propaganda de todos e anular as microtransações na maioria.

4 pontos

terça-feira, 2 de abril de 2019

Dica cinematográfica: “Heaven on Earth: The Rise and Fall of Socialism” (2005)

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Ouve-se falar muito de socialismo, marxisto, ainda mais numa época como a nossa, onde esses termos parecem ser igualmente atuais e obsoletos, dependendo da sua posição nos quadrantes políticos. Mas qual a origem disso tudo?

Baseado no livro de mesmo nome, essa série em 3 episódios nos apresenta as origens do socialismo com o experimento utópico de Robert Owen, passando pelo seu desenvolvimento europeu no século 19, suas mais diversas ramificações no século 20 e sua imagem metamorfoseada nos dias atuais.

Contando com diversas entrevistas de historiadores, sociólogos e filósofos, os documentários apresentam uma narrativa concisa, numa linha do tempo mais ou menos linear, com ramificações que se antecederam a outras. Cada modificações que as ideologias socialistas foram passando parecem respostas a anseios da época em que se situam ao mesmo tempo em que tentam escapar dos erros passados.

No entanto, nunca deixando de ser um projeto utópico, com pouco apelo ao mundo real.

Muito bem produzido e apresentando uma extensa lista de referências, o documentário é convincente, conseguindo cumprir aquilo que cumpre: apresentar a história do socialismo e suas ramificações. Aqui, o socialismo não é apresentado como uma simples ideologia de esquerda, mas um conjunto de ideias, uma semente daninha que brotou junto a árvore que constitui a sociedade, deixando marcas e ramos que talvez nunca sejam exterminadas.

É dessa forma que surgem variações tanto de extrema esquerda, quanto extrema direita, membros libertários e conservadores se unem diante de um ideal utópico que jamais será alcançado, mas que contém consequências pesadas na realidade.

É um dever de todo cidadão assistir esse filme.

5 pontos