quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

Melhores da Década - 2013

2013

O mundo não acabou e aí, o que aconteceu? Infelizmente, foi só ladeira a baixo pra todo o mundo a partir daí... o rock perdeu a significância, o solipsismo puro e simples ganhou mais força no debate público e as pessoas foram às ruas num ato de puro idealismo. Em 2013, o "gigante acordou", mas como estamos no Brasil, ainda levou alguns anos pra que a mudança começava a florescer.

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Neste ano, ótimos filmes apareceram para nos agraciar, entre eles Grand Piano, estrelado pelo Elijah Wood e que foi o primeiro filme a me fazer perceber do que é feito um filme bom de verdade. E um filme bom de verdade é aquele que você nem percebe o tempo passar. Este filme é um ótimo exemplo disso.

Outro bom exemplo disso foi Stoker, um filme de drama e suspense que conta a história de uma garota numa família muito estranha e que me deixou com uma pulga atrás da orelha na época em que assisti. Até hoje ainda penso nesse filme com certa surpresa e contemplação. Prisoners foi outro filme de suspense que chamou a atenção de todos. Com cenas bem sangrentas, é uma obra complexa e que perde um pouco o fôlego lá pro final, mas não deixa de ser surpreendente. E The Kings of Summer foi um dos melhores filmes do ano e o último grande filme adolescente da década, contando a história de 3 amigos que resolvem fugir de casa e morar no meio do mato, isolados de toda a irritação do mundo moderno.

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Nos dramas tivemos o filme que revelou o Michael B. Jordan para o mundo, Fruitvale Station, contando a história real de um rapaz que foi morto por um policial nos EUA, enquanto ele celebrava com seus amigos. No entanto, foi Upstream Colors, uma obra que une ficção científica, romance e drama, que abriu os horizontes criativos para um estilo que há muitas décadas não focava nas relações humanas que sempre marcaram a literatura especulativa.

Do Japão, tivemos a belíssima surpresa que foi Pais e Filhos, um dos filmes mais bem feitos sobre a paternidade e também Why Don't You Play in Hell?, um dos filmes mais criativos de Sion Sono, acompanhando a trajetória de jovens cineastas envolvidos com a yakuza. Por fim, tivemos o lançamento de The Tale of Princess Kaguya, provavelmente o melhor filme do Studio Ghibli lançado nesta década de meu bom Deus.

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Nos documentários, Dear Mr Watterson foi uma das melhores coisas produzidas na década e o melhor que o cinema de não-ficção conseguiu produzir naquele ano. Uma obra singela, de um fã, demonstrando todo o seu carinho pelo criador da melhor tira de jornal que já existiu no mundo.

Se 2012 foi o ano para se ler quadrinhos brasileiros, 2013 foi o ano para se ler quadrinhos estrangeiros. Tivemos o retorno de Neil Gayman, com Sandman: Overture, retomando a sua obra mais famosa. Sunny, uma das obras mais singelas de Taiyo Matsumoto foi lançada no Japão, ficando lado a lado com Fragmentos do Horror, de Junji Ito e no Brasil, Eu Mato Gigantes foi lançada pela New Pop. Também nessa belíssima Terra de Santa Cruz, a Graphic MSP iniciou-se, esbanjando criatividade e talento com Turma da Mônica: Laços e Piteco: Ingá, ainda sem cair sob demagogias infinitas.

Na literatura, The Disaster Artist foi lançado, contando os pormenores da produção do pior filme de todos os tempos, The Room, de maneira bem humorada e criativa. A obra é capaz de nos colocar dentro do set de filmagens e nos faz imaginar que a história real é ainda mais fantástica do que a história do filme.

Na música, Will Yip lançou o seu Off The Board, uma coletânea dos principais artistas que passaram pelo seu estúdio, produzindo singles inéditos e de lá saíram The Things We Think We're Missing do Balance and Composure e Spring Songs do Title Fight. Iniciando a e s t é t i c a vaporwave, Luxury Elite e Saint Pepsi lançaram o Late Night Delight, de onde vários clássicos saíram e na mesma pegada, King Krule lançou o seu primeiro (e melhor) álbum de estúdio 6 Feet Beneath the Moon. Do Japão veio Fetch, um clássico do Melt-Banana e da Dinamarca o melhor álbum daquele ano, You're Nothing do Iceage.

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Nos games, duas obras revolucionárias foram lançadas, Pokémon XY, revitalizando a franquia e fazendo as vendas de Nintendos 3DS aumentarem do nada, enquanto que a EA dava um jeito de levar os seus game spay-to-win para os celulares com Real Racing 3, que mostrou que os mobile iriam se tornar o futuro dos games, o que se concretizou com a vinda de Pou, fazendo a cabeça de toda a galera! Pra terminar a revolução dos games, coroando esse ano revolucionando com a cereja em cima do bolo, GTA V foi lançado, dando o primeiro passa para uma história que, pasmem, ainda não acabou.

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Nas televisões do mundo todo, Rick e Morty aparecia para nunca mais sair, pelo menos até o final dessa década e a sétima temporada de Skins era retomada, para tocar uma pá de cal sobre a série que já não tinha mais o mesmo fôlego, mas uma pá de cal digna, forte e muito bem feita. Terminou com chave de ouro!

O Japão nos agraciou com o lançamento de Little Witch Academia, uma série animada que ainda iria crescer muito dentro e fora das terras nipônicas e também Tamako Market, um anime que até hoje vive enfeitando a minha mente.

No mais, é de 2013 os primeiros registros do canal do Paulo Kogos no Youtube e o Beeline Reader foi criado para revolucionar a forma como lemos na internet.

O ano que veio depois do fim foi um ano de revoluções, como seria de se esperar do ano em que o povo brasileiro foi para as ruas. Suas consequências ainda hoje são sentidas, mas muito do que se originou ali não sobreviveu, como muitos artistas que não conseguiram se estabelecer em seus cenários. De qualquer forma, é um ano para ser lembrado com muito apreço.

Feliz Natal!

 

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

Dica especial pra salvar o seu Natal

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Hoje celebraremos o nascimento Dele que morreu por todos nós e como não poderia deixar de ser, O Sommelier de Tudo preparou um post com uma dica especial para salvar o seu Natal.

A dica de hoje é de um serviço de streaming de filmes e séries que tem por objetivo levar até as pessoas a fruição da verdadeira beleza, baseada na Verdade, através da arte do cinema, da animação e da TV.

Falo da Lumine, empresa brasileira que, salvo engano, estreou no mercado esse ano e já tem um pequeno, mas fiel, grupos de seguidores apaixonados pelas diversas obras que eles trazem em seu catálogo. O site é recheado de filmes antigos clássicos, como Andrei Rublev do Tarkóvski, filmes antigos raros como Joanna D'arc de Rosselini, documentários inéditos no Brasil como Caos e Ordem: A ascensão de Jordan Peterson e uma série infantil de São Francisco.

O material deles é de uma importância extrema, pois vivemos numa era em que valores são relativizados, o totalitarismo se disfarça de bem-estar e o bom senso já se encontra internado na UTI do nosso subconsciente coletivo. O Brasil, em especial, encontra-se num campo de batalha ativo, o que, por um lado, é bom, já que temos a oportunidade de caminhar contra a corrente da onda que líderes mundiais jogam para cima de nós. Por outro lado, o peso que carregamos para lutar a boa luta é, muitas vezes, pesado e cansativo.

A Lumine chega para nos auxiliar nesse campo de batalha, santificando o entretenimento que consumimos, melhorando o debate público e satisfazendo a nossa necessidade por prazer estético. Esqueça outros serviços de streaming mancomunados com as elites mundiais totalitárias e volte o seu olhar para o que de melhor o nosso país tem a oferecer.

Santifique-se.

Melhores da Década - 2012

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E finalmente chegamos ao tão aguardado a ano! 2012 foi esperado por todos, pelo menos, desde 2008. Era o ano do fim do mundo. Os mais esqueceram de montar mais uma tabuleta com datas e previsões do clima e todo mundo achou que o mundo ia acabar, Nibiru ia se chocar com o planeta Terra, uma nuvem gigante ia descer do céu provocando o Advento e por aí foi... as teorias iam longe, mas a real é que o mundo não acabou, o Corinthians ganhou o Mundial e eu passei o ano vagabundeando, sem estudar, nem trabalhar.

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Com tanto tempo livro, é óbvio que eu assisti uma tonelada de filmes, afinal, 2012 foi tão bom quanto 2011 em se tratando de obras cinematográficas. Pra começar tivemos o lançamento de duas obras alternativas essenciais para a juventude do início da década: Oh Boy, diretamente da Alemanha contava a história de um filhinho de papai que não consegue tomar uma decisão na vida e só quer tomar um café e Frances Ha, obra irmã, mas que conta a história de uma moça otimista ferrada de grana em busca de um norte na vida. Ambos os filmes eram muito parecidos e ambos preencheram a mesma lacuna. O engraçado foi descobrir que havia espaço para ambos existirem.

Completando o ciclo de filmes alternativos e com uma comédia irônica, temos Safety Not Garanteed, que reunia um elenco de atores improváveis para fazer uma das melhores obras de ficção científica da década. Moonrise Kingdom já não era tão alternativo e sua ironia é menos mordaz, mas também se assemelha com os filmes já mencionados, dando o pontapé para muitas análises do que viria a ser chamado "metamodernismo". E da França tivemos ainda duas obras que não são propriamente de comédia, mas são muito bem-humoradas, Wrong do fantástico Quentin Dupieux, contando a história de um trapalhão e seu cachorro e Dentro da Casa, uma história de conflitos entre mestre e aprendiz, debatendo sobre criatividade, sexualidade, amizade e literatura.

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Tivemos nesse ano o lançamento de um dramalhão épico chamada O Lugar Onde Tudo Termina, estrelado também por Ryan Gosling e sua mulher, Eva Mendes. O filme se estende por horas e décadas, mas você nem vê o tempo passar de tão bom que é. No entanto, as verdadeiras obras dramáticas desse ano foram feitas fora dos EUA. No Brasil, tivemos O Som ao Redor, melhor filme de Kléber Mendonça Filho (que nunca mais conseguiu repetir o feito em sua carreira, hoje beirando a mediocridade), contando a história de algumas famílias em torno de um bairro de classe alta em Recife. Do narcoestado mexicano, recebemos a grata surpresa de Depois de Lúcia, obra que debate o tema do bullying, do Japão tivemos a belíssima adaptação de Rurouni Kenshin, mostrando que mangás e cinema combinam muito bem e por fim, a Dinamarca lançou um dos mais importantes e poderosos filmes da década, A Caçada, que conta a história de um professor acusado injustamente de abuso sexual.

As animações sofreram um pouco ao longo de 2012, mas no final do ano a Dreamworks nos fez o favor de lançar A Origem dos Guardiões, repaginando figuras folclóricas do mundo todo, num cenário de aventura muito bem desenvolvido.

Além de uma incrível obra cinematográfica, o Japão ainda nos agraciou com um clássico das comédias nos animes, Danshi Koukosei no Nichijou, que conta a história de jovens colegiais muito loucos. Sakamichi no Apollon serviu para nos lembrar da genialidade superior de Shinichiro Watanabe e Tsuritama é o melhor anime de pesca já criado, conseguindo ficar até hoje preso na minha mente, como poucos animes conseguiram.

Na música, Sharon van Etten lançou seu clássico Tramp, enquanto que Hop Along lançou o seu segundo álbum, Get Disowned. Na música, muitos clássicos foram lançados, como Attack on Memory do Cloud Nothings, transitando entre o indie rock e o punk/hardcore que foi especialmente influente nas bandas aqui do Brasil, Floral Green, do Title Fight, Celebration Rock do Japandroids, In Currents do The Early November e Sal Grosso da Lupe de Lupe. Mas o verdadeiro álbum deste ano foi Lonerism, do Tame Impala, que declarou em alto e bom som que, se era para o mundo acabar, eles iriam realizar a sua trilha sonora.

https://www.youtube.com/watch?v=KQH2Kq1QXaI

No mundo da literatura, o Brasil esteve muito bem servido, com o livro de memória de Diogo Mainardi, A Queda, sendo lançado nesse ano, mostrando que além de competente jornalista, ele também é um carinhoso e atento pai. Também tivemos no Brasil o lançamento de O Livro das Coisas Perdidas, uma obra interessante de fantasia, que carrega grande valor literário, embora não seja muito conhecida, ainda hoje. No quesito de livros de não-ficção, tivemos o lançamento de A Tradução Literária, importante obra teórica para o meio, escrita por Paulo Henrique Britto e também The Way of Men, de Jack Donovan, que até hoje provoca homens e mulheres ao redor do mundo, com seus sábios insights acerca da masculinidade.

O ano de 2012 não acabou com o mundo, mas possibilitou a todos enormes experiências artísticas e filosóficas, como podemos ver pelo que de melhor saiu dali. E ali já se formava boa parte do que viria a seguir de melhor nessa década. E a vocês, meus queridos, tenham uma boa festa de véspera de Natal hoje, se cuidem e até amanhã, para mais uma post de melhores da década!

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

Os melhores da década - 2011

2011

E agora vamos continuar a nossa série de posts, falando de um ano que me marcou muito, de todas as formas possíveis.

Em 2011 ainda estava no Ensino Médio, mas já no último ano. Ainda segui com boas amizades e tive boas experiências, mas já não foram tantas assim. Foi uma fase difícil e já prenunciava os períodos amargos da minha vida que viriam a seguir. Nunca torci tanto para um time como torci para o Santos, que teve a sua última grande geração de jogadores, os quais, infelizmente, não conseguiram se manter em relevância no cenário futebolístico mundial em anos posteriores. Infelizmente, o time da vila acabou perdendo o Mundial para o Barcelona, na época, o melhor time de futebol da história e eu senti demais essa derrota.

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Nesse ano acessava quase que diariamente O Melhor da Telona, saudoso site para download de filmes e 2011 foi bem servido de filmes. Tivemos o lançamento de Drive, agora já um clássico dos filmes neo-noir; Meia Noite em Paris, talvez o melhor filme do Woody Allen; Johnny English Reborn, mais um clássico de Rowan Atkinson que não deve nada ao seu antecessor; Attack the Block, outra bela obra que veio lá da terra da rainha e Vovózona 3 foi uma enorme surpresa, sendo melhor que todos os outros filmes da série. A Arte da Conquista ainda é um dos meus filmes favoritos e merece destaque especial nessa lista de filmes incríveis lançados em 2011. A história de um garoto complicado, existencialista, que descobre o amor e forças dentro de si para continuar seguindo com sua vida se encaixou como uma luva em mim, mas eu gostaria ter seguido os passos de George mais cedo.

Ainda nos dramas, O Substituto foi uma bela surpresa dentro do circuito de filmes meio alternativos, meio grandes e conta uma bela e singela história de um professor substituto, que nunca se prende aos seus alunos, nem a nada na vida, mas encontra esperanças quando uma garota se perde em seu caminho. Inquietos também foi lançado em 2011 e é até hoje o melhor filme do Gus van Sant. Acompanhando as tragédias que atingiram o Japão nessa época, Sion Sono lança um de seus melhores filmes, Himizu e do cenário indie de filmes nos EUA surge Another Earth, um dos filmes que deu o pontapé para a nova onda de filmes de ficção científica mais sensíveis que viriam nos anos posteriores.

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Suckerpunch, o filme que consegue ser amado e odiado na mesma medida também foi lançado nesse ano. A homenagem a cultura pop de Zack Snyder causou um alvoroço dentro do cenário de filmes e, apesar do que dizem os críticos de cabeça vazia, é o seu melhor filme e um dos melhores filmes não só de 2011, mas da década, merecendo um lugar de destaque aqui no nosso post.

O ano foi fantástico para o cinema e as animações não ficaram para trás. Kung Fu Panda foi lançado nesse ano e Rango se tornou, quase que de imediato um clássico absoluto do cinema de animação.

Se o cinema esteve muito bem servido em 2011, os quadrinhos também brilharam como nunca nesses 12 brilhantes meses, com o lançamento de Daytripper, talvez a maior obra lançada pelos irmãos Fábio Moon e Gabriel Bá. Yuri Morais lançou na rede mundial de computadores o Garoto Mickey, obra difícil de ser encontrada atualmente, mas que vale muito a pena ler e Vitor Caffagi lançou Valente e Duotone, enquanto sua irmã lançava Mixtape. O cenário de quadrinhos brasileiro começava a alçar um voo muito produtivo, que, infelizmente, culminou numa produção pedante, politicamente correta e chata. Mas naquela época era muito, mas muito boa!

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Na música tivemos o lançamento de Suck It and See do Arctic Monkeys, uma promessa à boa forma, que não foi concluída com o lançamento do CD posterior, mas que bastou para os ouvidos dos fãs. Um álbum conciso que só melhorou com o tempo. Tivemos ainda o lançamento de Espelho da Alma da Pense, lá de BH e Empty Days and Sleepless Nights do Defeater. No entanto, o que realmente mudou a história da música para sempre foi o lançamento de Wildlife, o melhor álbum do La Dispute e talvez o melhor álbum da década, com seu estilo sui generis, letras brilhantes, envolvendo um conceito elaborado, é um álbum para ser estudado e portanto exige muita atenção do ouvinte. Suas letras elaboradas causam curiosidade e sua profusão de sons estranhos dá todo um dinamismo ao CD que não existe em nenhum outro dentro do cenário em que foi lançado, o do post-hardcore. Até hoje, é um dos meus favoritos.

E se na música tivemos algo tão inovador e provocador, no cenário dos documentários não foi diferente com o lançamento do excelente U.N. Me, que até hoje causa revolta nos cidadãos de bem de todo o mundo que veem os seus países sendo devorados pelos burocratas da ONU.

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Nas televisões tivemos o lançamento de Game of Thrones, prometendo muito, mas que acabou cumprindo pouco e também a excelente Black Mirror ainda em terras britânicas. Suas primeiras temporadas, com o sotaque inglês, valem muito a pena serem vistas e revistas, ao contrário do lixo feito pela Netflix, que ofende a todos aqueles que assistiram a série em seus primórdios, provocativa, forte e inventiva ao máximo. No oriente, Kamisama no Memochou chamou muito a minha atenção e até hoje está presa em minha mente, enquanto que Ben-To é capaz de proporcionar uma das experiências mais divertidas com relação a animes. Gyakkyou Burai Kaiji: Hakairoku-hen é um dos melhores animes da história e continua as aventuras de Kaiji pelo mundo das apostas.

Nos games, tivemos o lançamento de Minecraft, jogo que na época era feio, coisa de criança, mas que bombou no Youtube por muitos anos e influenciou o gosto por games de muita gente, sendo estilisticamente e narrativamente copiado e melhorado por muitos outros games que viriam a seguir, criando, pelo menos, dois grandes segmentos de jogos por aí. Hoje em dia, ele voltou, com mais força ainda do que quando ele estourou na primeira vez.

E assim, chegamos ao final de mais uma retrospectiva da década. Espero que tenham gostado e espero vê-los amanhã, quando falaremos do ano do fim do mundo! MUAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!

domingo, 22 de dezembro de 2019

Os melhores da década - 2010

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E mais uma vez chegamos ao final do ano, mas dessa vez não é qualquer ano, porque estamos em 2019, que, coincidentemente, é o final da década também! CELEBRAÇÕES!!!

Sim, meus amigos, vamos celebrar, pois esta década foi muito frutífera. Sentei aqui na frente do pc por uma semana, pensando e relembrando o que tivemos de melhor nesses 10 anos que constitui a segunda década do milênio 2000 e os resultados foram muito satisfatórios. Nesta série de posts, passarei por cada um dos 10 anos que constituíram essa década, mencionando obras que marcaram época, merecem ser apreciadas de novo e de novo e, quando possível, irei linkar às suas respectivas dicas e aí você vai poder dizer se muita coisa mudou ou não.

2010 começou e terminou com os melhores anos da vida e por isso eu sou muito grato a Deus, principalmente, mas a cada um dos seres humanos que fizeram parte das minhas conquistas no início e final desta década. Em seu primeiro ano, 2010, eu ainda estudava, já no Ensino Médio e tive experiências incríveis, conheci pessoas incríveis e me diverti como nunca antes, mas claro, sempre consciente.

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Mas pudera, a década já começou com tudo com filmes incríveis sendo lançados, como Scott Pilgrim contra o Mundo, Uma Manhã Gloriosa, Como Treinar o Seu Dragão e Cold Fish. Filmaços e que merecem ser vistos e revistos e ainda hoje eu me surpreendo com a qualidade deles. No entanto, esses dias mesmo reassisti uma obra incrível desse ano incrível e me motivei para fazer esse post: claro que estou falando de Rubber, o melhor filme de 2010, sem sombra de dúvidas! Um filme cheio de camadas, explorando elementos do cinema trash e B mundial, com discussões filosóficas dignas de Kierkegaard, é um puta filme, que lançou para sempre a carreira de Quentin Dupieux ao estrelato.

E já que o assunto é filme B, não dá pra deixar de comentar o lançamento da primeira obra de Wakaliwood e que já virou um clássico do trash nessa altura do campeonato: Who Killed Captain Alex?, feito por amigos numa favela de Uganda, a obra conta com uma produção baixa e pouca formação artística, mas muita criatividade para salvar esse filme. O sotaque ugandês carregado dá charme à obra e a produção de baixa qualidade é acompanhada de um humor escrachado que faz desse filme uma das melhores opções para se ver com os amigos.

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Ainda nos cinemas tivemos o divertidíssimo Os Outros Caras, sendo lançado, elevando o nível da comédia de ação americana e também Se Enlouquecer Não Se Apaixone, o clássico adolescente que até hoje aquece os corações dos mais incautos, com sua trilha sonora indie dançante, diálogos singelos e discussões espertas, tocando em temas profundos e emocionantes. É um puta filme de comédia dramática! E no drama, simplesmente, ganhamos dois diamantes do gênero: Submarine e seus personagens bizarros, dialogando sob uma potenta trilha sonora feita por Alex Turner e a adaptação de um clássico da ficção científica japonesa, o Não Me Abandone Jamais.

E as animações não ficaram para trás em 2010, além do já mencionado Como Treinar o Seu Dragão, tivemos o lançamento de Meu Malvado Favorito, o emocionante Toy Story 3 e mais uma obra fantástica do Studio Ghibli, O Mundo dos Pequeninos, um singela história de amizade entre um humano e uma ser fantástica que mora no quintal da sua casa. No entanto, mostrando que animações são coisa séria, tivemos uma das maiores obras de animação de todos os tempos lançada em 2010, se tornando o melhor filme daquele ano, Megamente! Uma obra fenomenal, aliando ação com comédia, explorando paródias e incluindo temas de abandono e a busca pelo sucesso, esse filme é um clássico absoluto, que foi redescoberto em anos recentes e só fez crescer a admiração de todos por ele.

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Como documentário, tivemos o incrível Exit Through the Gift Shop lançado. Intencionando contar a história da arte de rua, em sua natureza primordial, contestadora e bruta, o documentário termina mostrando como ela havia sido absorvida pela sociedade que pretendia criticar, virando apenas mais uma comodity do capitalismo. Até hoje ninguém sabe o que é fato e o que é invenção nessa obra e, portanto, ainda hoje provoca discussões.

2010 foi um ano de transição no mundo da música. O indie já começava a perder o seu fôlego e poucos destaques houveram dentro do mundo alternativo, como Lightmares do BeatBeatBeat! e Epic da excelentíssima Sharon van Etten. No entanto, as trilhas sonoras de Scott Pilgrim vs the World e Red Dead Redemption salvam nossas orelhas até hoje.

https://www.youtube.com/watch?v=NQUho5tUtO8

Por falar nisso, como não mencionar um dos melhores jogos já lançados na história? Red Dead Redemption foi de arrasar! Narrativa carismática, enredo fantástico, jogabilidade brilhante, gráficos de cair o queixo e uma trilha sonora sensacional. É a receita perfeita para se fazer um dos melhores games de todos os tempos e, com absoluta certeza, o melhor do ano e quiçá, da década. Ainda hoje, RDR impressiona e encanta jogadores do mundo todo.

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Nos livros, tivemos o lançamento (ao menos no Brasil, não pesquisei lá fora) do primeiro livro da série Jogos Vorazes, de mesmo nome. O livro contando a história de Katnees Everdeen num EUA do futuro distópico, controlado por um governo que faz de seus habitantes exemplos para toda a sociedade em um jogo de vida ou morte, pegou o vácuo do Harry Potter e virou filme, jogo e uma série de outros itens de colecionador. Eu acho a obra realmente melhor que o Harry Potter e o mais profundo que a literatura de jovens adultos pode oferecer.

Ainda tivemos nesse ano fenomenal o lançamento de Sherlock nas televisões britânicas, muitos anos antes do Cumberbatch virar herói da Marvel e também de um dos maiores fenômenos juvenis da Cartoon Network, Apenas um Show, que junto de A Hora da Aventura revolucionou o canal infantil. E no oriente, tivemos o lançamento de The Tatami Galaxy, um anime muito bem feito, dirigido por Masaai Yuasa, baseado no mangá homônimo que conta a história de um perdedor que se perde em pensamentos, encara eventos sobrenaturais e mora num apartamento minúsculo. O lamentável ainda se apaixona por um moreninha. No entanto, esse anime foi ofuscado por um dos melhores animes da história, Durarara!! que conta uma história fragmentada envolvendo um monte de personagens em Shinjuku. O anime teve suas continuações muitos anos depois e aí já havia perdido o timing, mas sua primeira temporada é ainda uma das melhores coisas que as animações japonesas recentes podem nos oferecer.

https://youtu.be/u_Y8qnF4Q_o

Pra terminar, vale a menção de que o Youtube era um lugar muito diferente do que é hoje. Não tinha tantas propagandas, ainda era um espaço para um crescimento orgânico, seus desenvolvedores eram pessoas de bem e colocaram o jogo da cobrinha pra quem quisesse jogar enquanto esperava algum vídeo carregar, mas, infelizmente, já tinha perdido a avaliação por estrelas. De qualquer forma foi nesse ano que surgiu o canal do Estúdio Pirata, cujo dono se transformou numa das pessoas mais bem sucedidas da internet, mas nesse canal apenas dava aulas de Photoshop, de graça e eu aprendi muito com ele. Também foi o ano de criação do WhateverTuts, um canal que deixou de ser atualizado já no ano seguinte, mas os poucos vídeos feitos foram clássicos absolutos, até hoje lembrados por aqueles que tiveram o prazer de acessá-lo na época.

E é isso, por hoje, paramos aqui, mas amanhã voltamos pra falar do incrível, porém amargo ano de 2011.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

Dica aplicativística: Mozilla Firefox

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Há muito tempo que uso o Firefox exclusivamente, mas nunca havia feito uma dica desse genial navegador de internet, até que eles lançaram o recurso picture-in-picture e agora sou obrigado a indicá-lo.

Desde que comecei a usar a internet com certa falta de moderação (confesso), me tornei um escravo do Google Chrome. No entanto, há anos acompanho os debates do mundo da tecnologia que vão além das inovações e há anos soube que a Google não é uma empresa confiável, sendo assim, migrei para o Firefox, mais por teimosia do que por praticidade.

Porém, com o passar dos anos, o Firefox foi se tornando cada vez mais prático. Primeiro o seu visual foi melhorando muito, caminhando para um estilo robusto e clássico, enquanto que os outros navegadores caminhavam para um visual mais "clean", "modernoso" e, para mim, sem graça.

Com o levante das guerras ideológicas, a Mozilla, uma empresa sem fins lucrativos, se destaca pela sua idoneidade (ao menos até onde o grande público conhece) e foi recebendo os avanços de diversas empresas diferentes, como o Adblock e o Beeline, além de ter o seu código liberado para a utilização de diferentes desenvolvedores, conquistando possibilidade de utilização de sites que vão além daquilo que é fornecido pelo próprio site.

Um exemplo clássico disso que acabei de falar é o CyTube, um site que permite fazer streaming de vídeos compartilhados com diversas pessoas através de um link que leva a uma sala que seus usuários criam. Há tempos, por motivos banais de direitos autorais, o CyTube prejudicou a todos os seus usuários proibindo o uso de links de vídeos derivados do Google Drive, minando em muito as possibilidade de seus usuários assistirem filmes com seus amigos remotamente. No Firefox, isso é possível com o uso de algumas aplicações que alteram o código do site.

Agora, o mais recente avanço do navegador é o recurso picture-in-picture, que cria uma pequena janela com o vídeo no canto da sua tela e você pode ficar fazendo o que quiser com o computador e, ao mesmo tempo, assistir o vídeo, inclusive, você pode minimizar o navegador e o pequeno pop-up continua funcionando. O recurso funciona não apenas com o Youtube, mas também com filmes da Netflix, Prime Video, Mubi e afins.

Com isso, o único recurso que sinto falta no Firefox é o recurso presente no Google Chrome de pesquisar imagem, que é muito útil para descobrir a origem de pinturas, ilustrações e até mesmo memes. É algo que eu sinto muito falta e é a única coisa que não me permite desinstalar o navegador em meu computador.

Ainda assim, o Firefox continua sendo o melhor navegador da internet e a melhor opção para todos aqueles que prezam por qualidade, praticidade, segurando, privacidade e prazer estético.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

Links sortidos de quarta #20

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Visitar a Igreja de Agioi Pantes deve ser uma experiência incrível.

Será que se os jovens soubessem desses breves fatos, eles deixariam de ser socialistas?

Conheça um pouco da história por trás do chocolate quente.

E já que estamos falando de ingleses, que tal desconstruir a má fama do Império Britânico?

Há cretinos que tentam incutir na mente de milhões de pessoas a servidão ao Estado como algo desejável, no entanto, não devemos cair nisso! De forma alguma!

Leia o bem-humorado relato do escritor Yuri Vieira e sua relação com as drogas.

O natal está chegando e com eles os enfeites natalinos, mas não devemos esquecer o aniversário de quem celebramos nessa data.

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

Dica musical:"Little Electric Chicken Heart" da Ana Frango Elétrico (2019)

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Vi primeiro esse CD no Eu Escuto e depois vi que ele ganhou um review do Anthony Fantano. No primeiro caso, fiquei instigado a ouvir, no segundo, decidi me afastar (porque o Anthony deu uma nota alta pra esse CD e todos sabemos o quão ruim é o gosto do Anthony Fantano, né?), mas enfim, ouvi o CD que ficou parado nos meus arquivos do computador por um tempo e o resultado foi surpreendente.

Little Electric Chicken Heart é o segundo CD da artista Ana Frango Elétrico, mais uma dessa geração de artistas brasileiros que decidem fazer uma mistureba de sons simulando os grandes nomes da geração de nossos pais, a MPB imbuída de psicodelia, jazz experimental e que ganhou o nome de tropicália. No entanto, a diferença dela para os outros artista de sua geração é que ela faz essa retomada nostálgica direito.

Pra começar, este CD é cheio de variações. Logo no começo temos uma música que cresce conforme avança, iniciando de maneira lenta, com um piano suave acompanhado de metais imponentes, apenas para terminar de maneira calorosa, forte e até barulhenta. Em seguida, temos uma música bem mais lenta, até mesmo melancólica.

A partir daí dá pra esperar qualquer coisa e é qualquer coisa que vem mesmo. Temos músicas gritantes, rock do bom, com muitas guitarras distorcidas, jazz fusion pesado, referências a exotica, elementos musicais remanescentes de trilhas sonoras de faroeste e filmes de espião, experimentalismos confusos com samba, mas tudo com melodias muito belas e ritmos marcantes. A mistura aqui é muito bem-vinda e tudo se encaixa muito bem.

Apesar de tudo bem diferente, o álbum é uma ouvida fácil. Também pudera, ele mal bate os 30 minutos e eu não consegui achar uma música que não tem ao menos um elemento interessante de se ouvir.

As letras são uma confusão à parte. Há uma certa linha narrativa em cada uma delas, mas o abuso do absurdo é constante e pesado, logo fazendo o ouvinte se perder na profusão de palavras que apenas reforçam o ritmo das canções, criando uma poética bem própria.

Dessa forma, Ana Frango Elétrica lança um dos melhores álbuns desse ano e abre esperança para que as bandas de artistas alternativos que curtem surfar nessa onda nostálgica da tropicália se elevem. Ela, pelo menos, elevou o nível.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Dica musical: "Love Exchange Failure" do White Ward (2019)

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O black metal já nasceu morto. Num gênero tão limitado, o que as bandas podem fazer para continuar criando algo sem cair no marasmo? Uma solução é a mistura com outros gêneros, seja o shoegaze de Alcest ou, no caso da dica de hoje, o jazz.

White Ward é o nome de uma banda formada em 2012 e esse é o segundo álbum que eles lançam. Tido pela crítica como o seu melhor álbum e um dos melhores de 2019. Não posso afirmar nada quanto a primeira afirmativa, mas posso afirmar quanto a segunda. É de fato, um dos melhores álbuns do ano. Tocando em temas existencialistas, elaborando uma espécie de álbum conceitual em torno da alienação que as cidades geram junto às pessoas e o quanto isso afeta a nossa habilidade de amar, a banda mistura jazz com black metal de maneira magistral.

Ninguém iria suspeitar, mas a mistura dá muito certo, pois o jazz também é um gênero muito amplo e eles executam aqui uma mistura com aquele jazz mais cool, da segunda metade do século 20, remanescente de John Coltrane e Quincy Jones, por exemplo. Logo na primeira canção, temos um saxofone abrindo o álbum após uma espécie de prólogo onde uma guitarra elabora um som atmosférico, enquanto sirenes tocam. As imagens evocadas são de uma madrugada fria e desoladora, onde a solidão impera enquanto pontos de violência eclodem entre um quarteirão e outro.

A partir daí o som apenas cresce e após a introdução jazzística vem a explosão de guitarras desenfreadas, baixo marcante e bateria acelerada numa profusão de barulho enquanto um vocal gritante nos descreve o cenário de uma cidade caótica. O que nos é descrito seria perfeito num quadrinho do Batman e do caos viria a ordem, mas estamos falando de um álbum de black metal.

Love Exchange Failure abraça o caos.

E então entramos no álbum de fato. Cada música tem seus interlúdios, que servem para reforçar a atmosfera de desolação e nos entrega momentos de calmaria, mas que nós sabemos, precedem a tempestade. Cada um desses interlúdios prova que o White Ward se daria muito bem como uma banda de jazz. Se você tirar as partes de black metal, esse álbum se torna um dos melhores álbuns de jazz do ano também.

No entanto é black metal e assim como as canções vão evoluindo, as letras se tornam mais elaboradas, o jazz se funde com o black metal e o saxofone se mistura com as guitarras, o baixo e a bateria, auxiliando no caos, penetrando em cada acorde e expandindo as canções. A mistura é incrível e o resultado é impressionante.

O álbum, de fato, é um dos melhores do ano. Eu, que nem curto black metal, curti demais esse álbum, embora eu sempre fique com dor de cabeça após ouvi-lo. É barulho demais para mim. De qualquer forma, o esforço vale a pena.

 

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Links sortidos de quarta #19

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E como prometido, aqui vai o artigo maior sobre o maligno George Soros.

Do melhor site da web: as fases da vida de um Homem.

Thread sobre a educação pública novamente. Esta é extremamente útil, pois além de mostrar os defeitos, ainda apresenta soluções.

Veja os Pirineus de cima!

Formigas canibais num bunker soviético... não, isso não é um filme de terror!

Aproxima-se o dia em que uma nova guerra civil irá irromper pelos EUA... como evitá-la?

Thread do bom senso.

Duas perguntas para Lucas Mafaldo.

E esse gordinho histérico será a melhor coisa que você vai ver essa semana.

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Dica teórica: "A Técnica e o Riso" (1967)

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Após uma breve discussão sobre constituição com minha amada lembrei-me de Roberto Campos e suas críticas mordazes à CF de 88. Como estou sem dinheiro para fazer compras decidi procurar na biblioteca da faculdade sua coleção de ensaios contra a constituição e não o encontrei. No entanto, achei esse raro volume que me surpreendeu muito.

A Técnica e o Riso é um livro que reúne artigos de Roberto Campos unidos em torno do tema do humor. Aqui conhecemos os textos mais criativos, bem-humorados e divertidos do economista e diplomata que resolveu se enveredar pelo campo da política. São textos publicados em jornais e revistas, portanto descarregados da carga de formalidade exigida pelo meio acadêmico.

No entanto, são textos técnicos. Todos eles falam de economia, alguns até utilizam o linguajar típico de economistas, distante da realidade comum do brasileiro médio. É possível ver, de forma clara, a posição liberal de Roberto Campos, sempre antagônica num Brasil que insiste em contrariar a razão e a praticidade para adotar posições ideológicas extremistas.

Campos, apesar de ser hoje detonado pela esquerda, na época em que esse livro foi publicado, era considerado um esquerdista, por defender a privatização dos "bens nacionais", se posicionar contra o nacionalismo dos militares e se defensor ferrenho da democracia. Atacado por ambos os lados, Campos se encontrava numa posição antagônica para onde quer que fosse e a saída foi encontrada na ironia.

Como já dizia DFW, a ironia é a arma que o pássaro engaiolado usa para denunciar a gaiola. No entanto, ele nunca sai dela. Os textos são engraçados e bem-humorados, mas conforme você avança em suas páginas, descobre um Roberto Campos esperançoso com as possibilidades que se abriam para o Brasil e compara com o que temos hoje, a leitura se torna meio deprimente.

Campos não passou de um brasileirinho como todos nós, que usou o humor para escapar das maledicências da vida.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

O que Monstros S.A. e o Flamengo têm em comum?

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Em um único final de semana vimos o Flamengo ser campeão da porra toda! Num intervalo de 24 horas foi campeão da Libertadores e do Brasileirão, ficando a um passo (concreto) de bater o recorde do Santos de 62. Eu, como todo bom santista, sou preso à história antiga do meu Clube e não pude deixar de zicar o Mengão durante todo esse segundo semestre de 2019.

Ziquei antes dele passar o Santos no Brasileirão, ziquei em todas as fases da Libertadores e torci muito pela vitória do River Plate e os próprios flamenguistas me ajudavam muito nessa contra-torcida. Stories com provocações do Gabigol, exaltações a nação rubro-negra, brincadeiras fora de hora e muito barulho fazem dos flamenguistas a torcida mais odiada do Brasil ao lado da do Corinthians. Compreensível, aliás.

No entanto, quando a vitória do River se concretizava no sábado, eu, participando de um retiro e com a zueira já pronta para enviar no whatsapp dos meus amigos flamenguistas, lembrei-me do trágico final do Mundial de 2011 e me resignei. Decidi não zuar ninguém, pois eu não gostaria que fizessem isso comigo, eu não gostei disso, afinal, em 2011 (graças a Deus já estava de férias!) e resolvi me fazer um com meus amigos.

Ao final, a desgraça conseguiu ganhar o campeonato.

E o barulho voltou, fogos de artifício, flamenguistas usando orgulhosos uniformes do time, muitos stories e muitos áudios, que, apesar de provocativos, mostram toda a alegria honesta deles. São 38 anos sem ganhar uma Libertadores, 36 anos sem sequer chegar à final, 10 anos sem um Brasileirão e muito tempo ouvindo a história do "cheirinho", as lágrimas de alegria e o grito de campeão já mofado no fundo da garganta (mas não esquecido, que fique bem claro) são justificáveis e merecem ser expostos para a luz do dia, afinal vai saber quando isso acontecerá novamente, não é? Quando colocado em perspectiva, cheguei a realização de que a última vez que o Flamengo foi campeão da Libertadores, o pai dos meus amigos tinha a idade deles, hoje.

E se eu estava disposto a me fazer um com eles na derrota, porque não na vitória também? E lá fui eu, celebrar com eles, beber uma cervejinha, dar um abraço, rir e no meio de tudo isso, descubro algo que o Monstros S.A. já havia deixado bem claro anos atrás.

No famoso filme da Pixar monstros de uma dimensão diferente acessam portas de armários de crianças do mundo todo para assustá-las e recolher a energia de seus gritos. Ao final, eles fazem uma descoberta interessante, que a risada dá muito mais energia que os gritos.

E ao me fazer um com a nação rubro-negra senti na pele isso, o forte contágio que a felicidade tem e o seu poder de unir as pessoas. Parabéns ao Flamengo, aproveitem esse momento de alegria, flamenguista e obrigado por dividi-la conosco.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Dica aplicativística:Beeline Reader

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Sabe esses aplicativos que você usa tanto que só nota a existência deles quando eles não estão mais presentes? Pois é... Beeline Reader é um desses pra mim.

Deveria ter feito essa dica há anos, mas só essa semana, quando tive que desinstalar meu navegador e reinstalá-lo é que fui notar a falta que me faz o Beeline reader. Pra explicar o que isso é serei breve: basicamente é uma extensão para navegadores e também para programas de pdf que permite que a você colorir o texto que você está lendo, de forma que você leia-o mais rápido.

Então agora vem a explicação mais complicada: o Beeline pinta o texto que você está lendo de forma a dar mais informações para o cérebro, aumentando a sua concentração no texto e elaborando transições de cores (sempre num esquema triplo, no meu caso uso as cores azul, vermelho e preto), que ajudam a acelerar a leitura, auxiliando o seu olho a encontrar uma conexão entre uma linha e outra.

A ciência por trás disso não foi testada independentemente, ou seja, contamos apenas com a opinião de seus criadores. No entanto, sendo eles inspirados por pesquisas psicológicas e com conhecimento no efeito Stroop, é de se confiar.

Ao menos para mim, funciona muito bem.

E você, vai querer ler melhor e mais rápido ou vai continuar sendo um pangão? É cinco estrelas.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Links sortidos de quarta #18

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Conheça um pouco mais da teoria de Girard acerca do efeito do bode expiatório através de um programa de rádio de 4 partes, muito completo e bem produzido. Uma pérola!

Como tratar um olho roxo.

Artigo politicamente incorreto do dia.

A Escola Austríaca de Economia ainda engatinha no Brasil, mas é a mais completa e eficiente escola de economia da história. No entanto, o que os austríacos querem dizer quando falam de eficiência?

Tem muita gente ganhando dinheiro com as "virtuosas" discussões políticas de hoje.

Por que é bom abolir o DPVAT?

Devemos ficar atentos às próximas eleições do Reino Unido, pois um lunático disputa o cargo de primeiro ministro com Boris Johnson, a única salvação para a ilha.

Na última semana, o Paulo Guedes fez notícia, mas será que vale todo o chilique?

Também na última semana, Gugu partiu dessa pra melhor e também o Rapadura, ex-comediante d'A Praça é Nossa. Obviamente o programa não poderia deixar de homenagear esses grandes nomes da TV brasileira e o programa inteiro foi uma enorme homenagem para os grandes, aqueles que fizeram a televisão nacional ser o que ela é hoje, reconhecida internacionalmente pelo alto nível de seu entretenimento, entre apresentações majestosas de seus melhores comediantes, desde Matheus Ceará até Saulo Laranjeira, todos estavam estupendamente fantástico na semana passada, no meio de tudo isso, programas passados com a participação de Gugu e Rapadura, lembrando-nos ainda de toda a simpatia e genialidade de Ronald Golias (que os recebeu no Céu, com certeza) e ao final, o breve, porém profundamente honesto comentário de Carlos Alberto é a mais singela, bela e forte homenagem que alguém poderia oferecer àquele que ama, levando-nos todos às lágrimas.

E pra finalizar, boas notícias para Hong Kong!

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Dica musical: "vol. 二 " por vida e nada (2019)

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Sim, este é o volume ni (dois em japonês).

Muito bem, deixando de lado o título auspicioso desse CD, vamos falar do que importa, as suas músicas. Já parou para imaginar que todas as transmissões de rádio feitas aqui na Terra se espalharam indefinidamente pelo espaço e hoje trafegam para além do nosso Sistema Solar? Pois é isso que acontece a cada vez que uma transmissão de rádio é feita, ondas são emitidas e elas não param até serem interceptadas por algum objeto receptador de ondas de rádio. Agora imagine que alienígenas, lá fora do Sistema Solar, tenham captado as ondas de rádio transmitidas por uma rádio universitária americana dos anos 90... a sensação deles deve ser a mesma que ouvir esse álbum aqui.

[bandcamp width=100% height=42 album=679035877 size=small bgcol=ffffff linkcol=0687f5 track=3424992914]

vida e nada é uma dupla lá de Curitiba que aparentemente curte muito indie rock, especificamente os indie rocks clássicos, lá dos anos 90, com as guitarras distorcidas, riffs preguiçosos (típico do som slack), melodias leves e divertidas e um ritmo marcante, chiclete. O diferencial é que os caras não estão mais nos 90 e adicionam às suas canções sintetizadores e elaboram letras com uma verve poética urbana e caótica, distante um pouco das despretenciosas letras feitas nos anos 90.

Todos esses elementos faria desse CD apenas mais um na multidão, mas jogue por cima de tudo isso uma boa dose de lo-fi e você vai saber porque eu acho que os alienígenas irão ter a mesma experiência que nós quando os áudios dos anos 90 chegarem até eles. A profusão de ritmos, diversos sons e vocais acaba se misturando numa mesma massa caótica e barulhenta que afasta o ouvinte.

No entanto, aquele ousar penetrar no âmago dessas nobres 7 canções poderá descobrir uma beleza original, rara e honesta.

[bandcamp width=100% height=42 album=679035877 size=small bgcol=ffffff linkcol=0687f5 track=3993941161]

Ouça por sua conta e risco.

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Dica cinematográfica: "Memórias do Subdesenvolvimento" (1968)

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Em tempos de insegurança jurídica, ignorância generalizada e ambivalência política, esse filme se torna uma obra emergencial para tirar, nem que seja um pouco, o véu que cobra nossos olhos.

Sérgio, um cubano atingindo a meia idade, decide continuar na ilha enquanto sua família parte para Miami fugindo da ditadura socialista que havia se instalado. A partir daí entramos numa viagem introspectiva pelas memórias de Sérgio que se confundem com a memória revolucionária daquela ilha que um dia teve a Paris do Caribe e hoje não passa de uma fossa, cada vez mais profunda e escura.

O filme é uma obra experimental que mistura elementos de documentário com uma narrativa intimista, mas, ao contrário de tantos outros filmes parecidos, este funciona muito bem. Acompanhamos de forma fragmentada as memórias de Sérgio antes da revolução, seu relacionamento complicado com sua mulher e os acontecimentos logo após, suas discussões com amigos contra-revolucionários e as desgraças que acometeram Cuba, como fome, guerra civil e alienação cultural.

Os monólogos de Sérgio contém diversos insights valiosos sobre a situação do país e as imagens, fotos, registros de vídeo e afins apenas reforçam o que já está sendo dito. Para nós, brasileiros, é possível extrair uma senhora lição sobre o nosso complexo de vira-lata, que nos faz ignorar os fatos, abraçar cegamente ícones subversivos e renegar nossa história para o fosso do esquecimento.

O filme é complexo e visto com carinho tanto por revolucionários quanto por contra-revolucionários, mas é interessante que, tanto de um lado quanto de outro, é um filme que se posiciona contra essa esquerda que se encontra no poder e faz de tudo para lá permanecer, nem que tenha que mudar todo o ordenamento jurídico do país ou destruir tudo.

Ultramente recomendado para aprendermos uma lição de história.

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Links sortidos de quarta #17

terça-feira, 26 de novembro de 2019

Dica webística: Brasileirinhos

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E mais uma dica dessa série que começou com esse post aqui e agora é agraciada com o melhor canal do Youtube atual.

O Brasileirinhos é um canal de comentários sociais, mas com uma irreverência e uma estética ímpar. São basicamente dois integrantes, com participações especiais de pessoas tais, como eu e você, mas sem fantasiados para prevenir a identidade fisiológica deles, como diria Paulinho Gogó. O resultado é um certo humor não intencional muito cabeça. A intenção original não é ter graça, mas acaba tendo.

Alia-se a isso um senso estético muito apurado, que remonta ao período de ouro do cinema francês e aquela estética pós-realismo italiano que o cinema novo também utilizou. Aliás, muitos de seus vídeos contém cenas de filmes brasileiros dessa época, fora de contexto e adaptados, permitindo uma interação entre os membros do canal e as cenas mostradas.

A edição e a produção não é de primeira, afinal é um canal pobre, do povão mesmo, mas são seus comentários ácidos, suas inúmeras referências e, claro, a criatividade absurda de seus integrantes que faz do canal o melhor conteúdo disponível no Youtube no momento. E não falo apenas do Brasil não, falo do mundo todo!

Em tempos recentes, eles começaram a provocar algumas pessoas poderosas por aí, mas a velha intuição do brasileiro sabe separar o joio do trigo e todo mundo reconhece o bem do Davi que provoca a ira do Golias.

Além de vídeos, eles também produzem uma espécie de podcast, a rádio Brasileirinhos, que contém imagens pontuais, para contextualizar melhor aquilo que eles estão falando, mas que não fazem diferença para quem está ouvindo. Acredito que até pela facilidade de se produzir esse tipo de conteúdo, a rádio Brasileirinhos fique até melhor que os vídeos. Não que os vídeos sejam ruins, é que a rádio é excelente mesmo. A criatividade rola solta e a produção é maravilhosa.

Ano passado, eles ainda fizeram um especial de final de ano que consistia numa série de vídeos adaptando para a mídia áudio-visual um extenso, e muito bem escrito, artigo de um dos integrantes do canal. Pra quem se interessar é a série Não Tenhais Medo.

Ver os vídeos, escutar a rádio, é isso que você deve fazer, para criar uma opinião forte e e divertir pra caramba. Eis o Brasileirinhos!

https://youtu.be/lTAWIH0Xc5w

 

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Como vencer a ironia?

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Essa semana o Pânico foi palco de uma das mais lamentáveis e deprimentes cenas do ano na cultura popular brasileira. Como de praxe, o programa usou uma data especial para provocar um debate acalorado entre os seus participantes, dessa vez, usando do dia da consciência negra, chamaram o Professor Paulo Cruz e o comediante Yuri Marçal.

Não assisti ao programa todo e só fiquei sabendo do acontecido através do canal do Negão, que fez um vídeo comentando o que aconteceu no programa. Para você que não está por dentro, assim como eu também não estava, aí vai um resumo: o Professor Paulo Cruz entrou no programa disposto a um diálogo sobre as questões que envolvem os negros no país e o Yuri entrou fantasiado de "branco", mas basicamente estava fantasiado de Carl Banks. Com uma ironia mordaz, ele concordava com cada frase do Professor e expandia os seus comentários, colocando-o num pedestal, apenas para caçoar dele entre os seus pares. Um rápido giro pelo seu Twitter mostra que a estratégia é eficiente.

Yuri venceu o Professor.

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Mas a questão que eu faço é: tinha como não vencer? Yuri usou de uma sutil, porém vociferante ironia para debater com Paulo Cruz e é possível vencer a ironia?

Como dizia David Foster Wallace, ironia é uma arma cruel e muito eficiente como forma de escapar da triste realidade que nos cerca. No entanto, ela não cria nada, ela não constrói pontes e não serve como forma de solucionar problemas reais, tornando-se então como o canto de libertação do pássaro que se percebe engaiolado, mas sem fazer nada contra a gaiola que o cerca.

Isso é ironia e é isso que o Yuri fez. Ele não criou pontes, não amadureceu o diálogo e nem conseguiu criar saídas que beneficiassem ambos os lados do discurso. Ao mesmo tempo em que ele ganhou, ele também perdeu. Perdeu a oportunidade de dizer que cotas raciais serviram para fazer os negros serem maioria nas universidades brasileiras, perdeu a chance de apontar o número absurdo de negros vítimas de homicídio no país e a chance de falar do conselheiro racista do Santos que não foi indiciado pelo MPF pelo crime de racismo.

Tudo isso seria discutido pelo Professor Paulo Cruz e véus cairiam para mostrar que a verdade não é preto no branco, mas não... ele teve que usar a ironia e assim conseguir uma vitória, mas uma vitória equivalente àquela do gordinho dono do bola que, por ser o último a ser escolhido, pega a bola e leva pra casa, acabando com a brincadeira de todo mundo.

PAULO CRUZ

No caso, ele destruiu o diálogo.

A ironia é a filha do Ódio com o Humor. Ela tem uma face bonita, mas é cruel por dentro, é chata, é irritante, é egoísta e mimada. Como figura de linguagem, funciona muito bem na literatura, mas ao ser carregada para os nossos relacionamentos, só causa mais separação. Seus efeitos são devastadores e o fato da ironia ter sido alçada a um patamar tão elevado em tempos recentes, como se fosse coisa que só gente "inteligente" sabe usar e apreciar, nossas relações pessoais estejam tão destruídas.

E de novo, volto a questão título do texto: como vencer a ironia?

Gostaria de chegar a uma conclusão aqui, mas não tenho uma. David Foster Wallace elaborou um conceito chamado de "New Sincerity" que iria guiar muitos dos futuros autores e criadores de cultura por aí. Por um breve período, isso até funcionou, mas nunca chegou a ser uma tendência real, algo que tivesse impacto de verdade, muito menos venceu a tão destrutiva ironia, que continua mais viva do que nunca.

É um inimigo pernicioso essa tal de ironia, reconhecer seus malefícios é um primeiro passo para poder vencê-la. Será que podemos?

https://youtu.be/2doZROwdte4

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Dica musical: "Spiritual Ascent" do Alcest (2019)

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Alcest é uma banda de black metal, mas que começou a fugir do rótulo após o lançamento de seu melhor álbum Kodama e com Spiritual Ascent eles continuam a explorar o som criado no álbum anterior.

Spiritual Ascent nos apresenta apenas 6 canções, mas são seis canções da melhor fusão do black metal com o shoegaze, dois estilos musicais que se aproximam em sua estética, mas com diferenças pontuais e muito contrastantes. A fusão que Alcest realiza entre os dois é notável, digna de prêmios mesmo.

Não é de se surpreender que o foco sejam os instrumentos musicais. Guitarras distorcidas, acordes tocados rapidamente em contraste com movimentos musicais mais lentos e bem pontuais, uma bateria rápida e marcante com um baixo quase inaudível no meio de tanto barulho.

Mas é um barulho que eu gosto muito!

Ao contrário de Kodama, aqui Alcest encontra até um momento de conforto em acordes reminiscentes do hardcore com Saphire, que pode adicionar um pouco mais de moviemento caótico nas suas apresentações ao vivo. Seria interessante ver a banda seguindo essa temática musical, mas sem perder claro o seu foco estético no black metal.

https://www.youtube.com/watch?v=69fnUZhV8SI

As letras continuam misteriosas e explorando o desconhecido, o obscuro e as trevas, mas a verdade é que esse não é o foco mesmo e eles nem perdem mais tempo com isso mesmo. Saphire é uma canção de letra improvisada, por exemplo.

De qualquer forma, a banda continua com força, explorando uma sonoridade cada vez mais caótica, bela e cortante. É um álbum muito bom, de fato.

 

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Dica especial do dia da consciência negra 2019

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Mais um dia da consciência negra e mais uma oportunidade de louvar o grande cinema de negros para negros que Hollywood conseguiu criar com seu racismo.

“Vou te pegar, Otário” é um filme de 1988 criado pelos irmãos Wayans, que se revezam nos créditos e sempre apresentam pérolas do cinema. Keenen Ivory Wayans estrela esse filme no papel de Jack Spade, que volta do exército para Nova Iorque, descobrindo que seu irmão morreu e deixou a mãe e a esposa sozinhas e indefesas. Sofrendo uma crise de “correntes de ouro”, Nova Iorque se rende ao crime e Spade, inconformado, decide convocar uma equipe de valorosos habitantes da cidade para lhe ajudar a limpar a sujeira dali.

O filme conta com uma baixa produção, mas é muito bem feito para os padrões no qual foi feito. Apesar da qualidade da imagem, saídas inteligentes foram criadas para as cenas de ação. Contamos ainda com a participação de nomes consagrados da cultura negra estadunidense como Bernie Case, Isac Hayes, Jim Brown, Chris Rock e, claro, toda a família Wayan reunida.

Unindo humor chulo com densas críticas, o filme é um petardo. Numa mesma cena vemos Spade conhecendo a verdadeira face dos Panteras Negras (preguiçosos, hipócritas e aproveitadores) e sua mãe sendo substituída por um dublê chinês para fazer alguns movimentos marciais.

É desse nível de humor que estou falando e é desse tipo de humor que gosto.

O filme conta ainda com uma excelente trilha sonora, fazendo referência a filmes de blacksploitation como “Shaft”, banhada por jazz, funk e hip hop da época.

Novamente os Wayans figurando uma dica especial para esse dia tão especial, consagrando-se como os maiores nomes da cultura negra em Hollywood.

terça-feira, 19 de novembro de 2019

Dica televisiva: "Invasor Zim e o Florpus" (2019)

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Essa é uma dica televisiva, porque Invasor Zim era uma série de TV e o filme foi lançado na Netflix, então é justo chamá-lo de filme para televisão.

Nessa continuação desta que foi uma das séries mais perturbadas da Nickelodeon em sua era de ouro, encontramos os velhos personagens da série após o sumiço do invasor. Dib trancou-se em seu quarto esperando o retorno de Zim, enquanto seu pai prepara a exposição de uma nova invenção no dia da paz e é supreendido com o retorno repentino de Zim à Terra. A partir daí inicia-se uma nova trajetória para nosso herói improvável contra o alienígena mais inútil do universo e que descobre ter sido apenas feito de trouxa pelo império dos altíssimos.

É um filme cheio de pequenos plot twists e a cada cena há uma nova mudança de paradigma, mas tudo é bem encaixado e concatenado, o que faz o filme parecer um conjunto de episódios da série. A familiaridade é imediata e nem há muito espaço para se sentir nostálgico. O filme não se rende a um sentimentalismo nostálgico, ele apenas faz algumas referências  no meio do filme, mas logo parte para a exploração da história que elabora e o espectador logo se vê preso na trama complexa traçada com essa película.

É um filme despretensioso, mas que, até mesmo por isso, se sai muito bem. O desenvolvimento da história é leve, apesar de complexo em sua quantidade de detalhes. É sério! A história muda de dinâmica pelo menos 5 vezes, mas pode ser bem mais, pra ser honesto. Ainda assim, tudo é feito de forma tão orgânica, que o telespectador não fica perdido.

A animação segue o estilo e a técnica usadas na série animada. Poucas coisas mudam, a não ser a qualidade da imagem que é muito superior ao que eu vi quando criança na Band. Apesar de ser uma continuação, mesmo aqueles que não assistiram toda a série podem se divertir com o que verão, inclusive crianças.

Para um filme de público mais cult, ele pode se sair muito bem com todo tipo de público.

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Nem ditadura nem democracia, anarquia!

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Com o resultado das eleições de 2018 definido a expectativa de muitos brasileiros e brasileiras era que uma ditadura fosse se instaurar no país. O resultado contrariou as expectativas e vemos um governo com uma forte matiz liberal que vem abrindo um espaço cada vez maior para que todos os sujeitos dessa nação possam crescer.

No entanto as táticas de oposição tornaram-se cada vez mais refinadas e até mesmo pela natureza constitucional de nossas leis, um cenário de insegurança jurídica tem se tornado cada vez mais visível, abrindo espaço para uma verdadeira terra arrasada.

Com os lamentáveis acontecimentos da semana passada, o que vemos, claramente é que não vivemos numa democracia, muito menos numa ditadura, mas sim, numa anarquia.

Anarquia cujo conceito vem do grego arché, que significa o que vem antes de tudo, o princípio, a ordem e o prefixo a, que denota negação. Ou seja, sem ordem.

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Partindo disso vejamos o que acontece em nosso país: elegemos um presidente, mas quais são os seus poderes? Ele pode passar decretos, mas esses têm que ser aprovados pelo congresso nacional e pelo senado. Ele pode vetar leis, mas uma vez feito isso, essas leis voltam para o congresso para serem reanalisadas. Seu poder é o mesmo de um café-com-leite numa brincadeira de criança, puramente simbólico. Tá lá pra fazer número e deixar os pais Tratados Internacionais, ONU e afins, felizes em saber que ele está brincando com todo mundo.

O congresso e o senado são eleitos pelo povo, diretamente, mas se um candidato obtém mais votos do que ele precisa, esses votos a mais são convertidos para os candidatos do mesmo partido que não obtiveram votos necessários pra entrar na brincadeira. É o que fez o Tiririca ser cogitado pra entrar na disputa por uma vaga no congresso e é o que fez o Jean Willis continuar na brincadeira ano passado. Ou seja, parte do congresso e do senado não é constituída por pessoas eleitas pelo povo.

Onde está a democracia?

E essas são as pessoas que irão passar leis, que irão influenciar diretamente a sua vida, mas quem irá executar elas? Juízes, magistrados e, em última instância, o STF, que é definido por indicação política presidencial. Essas 11 honrosas excelências interpretam a lei como querem, mudando de opinião a cada alguns anos e com essas opiniões as leis que nós temos que respeitar, soltam da prisão senhores milionários e mantém presos tiozinhos que roubam rádio.

Onde está a ordem?

Não vivemos numa democracia, muito menos numa ditadura, vivemos numa anarquia. Como já dizia Roberto Campos: "Se alguma filosofia existe no Estado brasileiro, é a do brocardo mineiro: 'Para os amigos, tudo; para os inimigos, nada; para os indiferentes, a lei'."

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Dica musical: "Jesus is King" do Kanye West (2019)

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Essa é a primeira vez que Kanye West figura n'O Sommelier de Tudo. E não poderia ser diferente, pois este é, indiscutivelmente, seu melhor álbum.

Após sofrer um choque de realidade, Kanye West descobriu os abusos que negros sofrem nas mãos dos democratas americanos, o poder de Trump como líder de uma nação e a redenção em Cristo. Tudo isso culminou no seu projeto mais ambicioso que é o Sunday Service, um conjunto musical que se apresenta aos domingos, a céu aberto, numa formação circular e explorando a mistura de coral religioso com o rap. O conjunto conta com um coral e uma banda completa, cheia de percussões, guitarras, baixo, instrumentos de sopro e, claro, a afinação impecável do coral que se apresenta num círculo ao redor da banda. Além disso, os shows ainda contam com a participação de artistas convidados e momentos de confissão ao vivo.

As apresentações não são simples shows, são um evento monumental!

https://www.youtube.com/watch?v=Mr0OwwBwaDc

Jesus is King é o nono álbum de estúdio de Kanye West, mas é o primeiro após a formação do Sunday Service. Aqui Kanye West não faz pequenas alusões a Jesus Cristo, mas se rende totalmente a sua grandeza, assumindo um papel secundário, ainda líder de toda uma geração, mas um degrau abaixo.

Não podemos esquecer que estamos falando de Kanye West. É provavelmente a pessoa mais presunçosa do mundo. Para ele se colocar num degrau abaixo de alguém, ainda que o próprio Deus já é um grande passo.

Afora essa atitude extremamente louvável e a mudança completamente positiva em sua persona, temos ainda um projeto musical impecável. As canções são curtas e o CD todo não chega a meia hora, mas essa brevidade apenas adiciona a toda a genialidade do projeto. São pequenos, mas valiosos diamantes expostos de maneira muito bem trabalhada, ensaiada e resultado de um ano de parceira séria, honesta e talentosa.

O resultado é uma obra prima musical, que não encontra valor apenas nas fileiras de música gospel, mas da música pop em geral. Não é a toa que estreou em primeiro lugar na Billboard.

As letras podem não ser tão profundas, mas apresentam uma boa quantidade de ricas referências bíblicas, conectadas ao mundo atual, que fazem do álbum um gospel ousado e forte.

Para os ateus e os cristãos jujubas, o álbum pode ser ruim, problemático e até ofensivo, mas para aqueles que seguem a Deus sentirão nessa obra de arte a presença inegável do Espírito Santo e um artista agraciado, no seu auge.

Imperdível.

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Links sortidos de quarta #16

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Há muito tempo atrás, o bispo Fulton J. Sheen, deu uma entrevista. E aparentemente, ele conseguiu profetizar os nossos tempos.

Você conhece os Hantu? São os fantasmas da Malásia.

Breve artigo sobre George Soros. Logo, logo, indicarei um maior e mais profundo.

O Chile precisa de mais "neoliberalismo" e não menos, como defendem os revoltosos financiados.

E do lugar mais improvável da web, sai um artigo pra lá de bom sobre a demagogia artística que assola a mente, principalmente, de jovens no Brasil.

terça-feira, 12 de novembro de 2019

Lendo O Senhor dos Anéis pt.4 - Finalizando

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E finalmente chegou o grande momento de acabar a leitura de O Senhor dos Anéis. Terminei há algumas semanas e o impacto ainda reverbera em meu ser. Em fevereiro desse ano, mais especificamente no dia cinco, e desde então fiquei envolvido nessa leitura, ora chata, ora excitante, ora cansativa, ora rejuvenecedora, ora estagnada, ora inspiradora. Quando comecei a leitura o ano letivo da faculdade nem tinha começado, passei o carnaval na fazenda de um amigo, fugindo da degeneração que assola esse país e mais gravemente a cidade em que moro, iniciei um namoro, passei por uma greve dos ind(o)ecentes, descobri uma pedra no rim e iniciei um laborioso processo de luta contra meus demônios pessoais. Não foi fácil, no meio tempo li outros livros, como Fausto e Ascent, bolei um plano de leitura que envolvia parar a leitura entre seus livros, o que prolongou ainda mais a leitura, mas enfim terminei.

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O último livro de O Senhor dos Anéis, nomeado O Retorno do Rei inicia-se com a batalha final entre os exércitos do oeste, uma aliança entre os homens de Rohan com outros grupos de guerreiros e os exércitos do leste, formado basicamente por Orcs, mas também com outras forças do mal sob a liderança de Sauron. Saruman já está derrotado e mal aparece nesse livro, que também é formado por outros dois livros, o quinto e o sexto da saga.

Li o quinto livro em uma semana tão bom ele é.

Apesar das longas descrições, Tolkien não perde tempo com filuras e nos coloca no olho do furacão da batalha, fazendo-nos sentir cada flecha que passa pelas cabeças dos bravos guerreiros que lutam pelo término do mal na Terra Média. A luta é épica e podemos ver tudo dos olhos daqueles que se encontram no meio dela, os guerreiros, os guardiões de fortaleza, os cavaleiros e, porque não? As guerreiras também.

No entanto, ao mesmo tempo em que esse livro é extremamente bom, ele também é inconclusivo, pois termina antes da batalha acabar, abrindo espaço para acompanharmos as aventuras de Frodo e Sam perto do Orodruin, no sexto e último livro da saga.

Aqui a leitura se torna muito mais cansativa. Se Tolkien é um gênio da descrição, ele também é um gênio em criar atmosferas e se isso é bom para as atmosferas belas ou sublimes, isso é terrível para as atmosferas morosas e desoladoras. A trajetória dos hobbits na busca pela destruição do anel é cansativa, devastadora para o espírito deles e a leitura acompanha esses sentimentos. Apesar de eu me incomodar com isso, pois queria logo terminar o livro, agora, pensando com calma, entendo o quão poderoso isso é e o quão genial Tolkien foi na criação do seu épico.

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E ao final, quem destrói o anel todos sabemos, foi Golum, num último grito de Tolkien para a sua própria teoria de criação literária, a eucatástrofe, aquilo que de bom e redentor que ocorre quando tudo parece estar perdido, uma espécie de Deus Ex Machina, mas baseada na ação humana em direção ao Bem Maior. É a luta diária do cristão pela Graça colocada na forma de um épico pagão grandioso e muito bem trabalhado.

Ao final, as desventuras não terminam, como também na vida real. A destruição do anel ocorre na metade do sexto livro e ainda há dúzias de páginas para serem lidas, onde os hobbits colocarão em prática tudo aquilo que aprenderam, exibindo suas cicatrizes como um sinal de aprendizado e maturidade. É só assim que o Reino dos Céus pode ser alcançado e a última viagem realizada.

Apesar de um certo tom melancólico, uma clara definição do fim de uma era onde os elfos vão embora da Terra Média para nunca mais voltar, o livro termina de maneira puramente singela. Esse é o único adjetivo que eu consigo encontrar para essa obra fenomenal, singelo.

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A leitura é altamente recomendada para todas as pessoas. O Senhor dos Anéis é um livro profundo, carregado de significado, formando uma ponte clara com o maior livro de todos os tempos, podendo mudar de fato a sua vida. Eu, infelizmente, o encontrei num momento da minha vida em que busco outras leituras, no entanto, gostei demais da obra e não me arrependo de ter perdido tantos meses da minha vida nessa leitura, aliás, não perdi, só ganhei.

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sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Em defesa de Augusto Nunes

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Ontem o mundo jornalístico foi abalado quando Augusto Nunes fez uma demonstração incrível de força, coragem e impotência quando foi acusado de chamado de covarde pelo Glenn Greenwald.

Entenda: os dois começaram a trocar farpas logo no começo do programa! Augusto Nunes fez duras críticas a Glenn Greenwald há tempos, levantando questões sobre seu trabalho, as ligações de seu marido e, pelo visto, fez um comentário irônico acerca da família do gringo, que não entendeu e o confrontou com isso. Augusto, muito pacientemente, explicou o que fez, nada mais do que um comentário irônico, bem humorado e não uma crítica mordaz a sua família, como foi entendido por Glenn.

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Glenn Greenwald já é figura carimbada aqui no blog. Não tenho nenhuma simpatia por ele, já desde meses atrás. Ele tentou destruir a reputação do agente público mais respeitado do país, que fez um trabalho acima de qualquer suspeita liderando a maior operação anti-corrupção do mundo. Um juiz que está dando aula pra magistrados no mundo todo e ele fez isso com o quê?

Com praticamente nada!

Com material roubado, vendido e comprado através do mercado negro, possivelmente adulterado e a troco de quê? Pode não ter sido a intenção dele (e ainda assim, duvidamos), mas sua atitude completamente anti-ética abriu espaço para toda a desestabilização jurídica que vemos no país hoje. Vivemos a beira de um faroeste digital e não vai ser legal como nos faz crer a estética cyberpunk.

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O que o Glenn tem de vida, o Augusto Nunes tem de carreira jornalística e ele estava lá, dando uma aula para o gringo de interpretação de texto e o que o Glenn faz? Parte pra ignorância, como outro da sua laia fez e recebeu uma resposta igualmente ignorante, um sopapo na cara.

Devemos partir pra ignorância sempre que possível? Claro que não, mas o caso é excepcional, não é uma regra. Pior do que isso, é a quantidade de urubus carniceiros e aproveitadores que tentam se aproveitar dessa situação pra invalidar toda a direita nacional e internacional, chamar todo mundo de fascista e ignorar toda as atividades anti-éticas do jornalista (mas isso eles já fazem há tempos), que foram inclusive abordadas pelo programa Pânico após a saída do Augusto Nunes.

O que mais me incomoda não é nem dividir o país com o tipo de gente que defende esses pulhas, mas ter que dividir a língua com esses cegos ideológicos. Se ao menos falassem coreano ou suahili, estaria tudo bem! Eu não passaria nervoso com esses biltres.

Esse ano descobri que sou vítima de somatização. Passo nervoso com esse tipo de canalha infame todos os dias. Ontem também ouvi uma safardana pronunciar a pérola "Eu acho que já vivemos numa ditadura". Tudo isso tem feito muito mal para mim e apenas um lado, ao menos, faz esforço para tentar conversar com o outro lado. Glenn Greenwald não teria ido ao programa se soubesse que Augusto Nunes estaria lá. Todo direitista conhece os livros de Foucault, Zizek, Marx, Keines e afins. Nenhum esquerdista conhece Oakshott, von Leddin, Burke e Tocqueville.

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O que Augusto Nunes fez foi canalizar e liberar na cara de Glenn, literalmente, todo o sentimento de indignação que o brasileiro anda sentindo desde que tentaram derrubar Moro. Eu, como estudioso de René Girard, entendo os perigos disso. Glenn tem se enquadrado cada vez mais no papel de bode expiatório, é claro isso, mas adivinha de que lado estão as pessoas que compreendem isso? Pois é. Apenas um lado dessa polarização  política está pronta para amadurecer e trabalhar para um Brasil melhor, mas vai tentar falar isso numa universidade pública, num evento de quadrinhos ou num show de rock... tenta a sorte.

Eu, de minha parte, só quero comprar um sitiozinho, algumas vacas, bois, porcos e galinhas, montar uma hortinha e viver lá, pro resto da minha vida, isolado desse infame mundo moderno.

Enquanto isso não se realiza, só nos resta rir mesmo... desesperadamente.

https://www.youtube.com/watch?v=p5EqAek9UME

 

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Dica cinematográfica: "Angst" (1983)

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Este não é um filme para todos os gostos, mas eu gostei, então já vou deixando minha dica aqui.

Angst é um filme austríaco de 1983 que conta a história de um serial killer inominado ao longo do filme acabando de sair da prisão, após passar mais da metade da sua vida preso por assassinar sua mãe e entrando numa onda de assassinatos para saciar os seus desejos perturbados.

O filme é perturbador, pois nos faz entrar na mente do assassino, que narra todo o filme, contando sua história de vida, suas intenções ao longo do filme, após sair da prisão e seus planos para o futuro. A frieza com a qual somos apresentados aos seus pensamentos perversos, revela a natureza desumana de um bárbaro.

Apesar disso, o filme, assim como toda obra de arte decente, aponta uma luz no final do túnel, alertando-nos contra a leniência do sistema judicial. Não conheço o contexto da Áustria na época em que o filme foi produzido, mas ele serve muito bem para alertar os brasileiros de hoje que se rendem ao charme da bandidolatria. É necessário ter pulso firme com os criminosos.

A atuação de Erwin Leder, como o psicopata é genial, digna de prêmios e mais prêmios, pois ele consegue transmitir com todo o seu corpo o estado de selvageria a que seu personagem chega, forçando um sentimento de repulsa em todos que assistem.

A direção é igualmente perturbadora, desornada, refletindo os pensamentos débeis de um ser que nem sequer pode ser considerado humano, flutuando pelo cenário, muitas vezes acima da cabeça dos personagens, às vezes estática num ponto muito específico do cenário ou dos personagens, tirando-nos da nossa zona de conforto que espera closes amplos ou closes médios, sempre parados, deixando as ousadias para um tímido contra-plongé aqui e ali.

Esse filme é ousado.

E a trilha sonora não deixa para menos. Oscilando entre acorde agudos de teclado, longos com a intenção de gerar uma melancólica canção e bravas batidas de bateria eletrônica parecendo vir de um Cassio antigão, ela também perturba, reforçando a atmosfera de horror, desespero e inconstância que perpetua todo Angst.

A obra é um verdadeiro pitel, uma raridade que merece ser escavada para apreciação e aprendizado, com grande valor estético. Um trunfo da Áustria.

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Dica musical: "Carole & Tuesday OST vol.1"

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Como ainda não recomendei a melhor trilha sonora de anime da década ainda?

Carole & Tuesday foi um sucesso, um anime fenomenal, que já recebeu meus elogios aqui no blog e merece muito mais, pois é tudo aquilo que falei e muito mais. O primeiro volume de sua trilha sonora compila algumas das melhores músicas apresentadas na primeira parte desse anime, já disponível na Netflix para você assistir.

Mais uma vez, a genialidade de Shinichiro Watanabe é demonstrada, pois foram convidados artistas para criar músicas para personagens dentro do anime. Cada artista ganhou um personagem e as canções acabam sendo marca registrada dos personagens, angariando ainda mais forma e peso às suas personalidades.

As canções também servem para refletir o ambiente cultural em que se situa o anime, infelizmente, não há espaço para o jazz de Cowboy Bebop, nem para o pop anos 70 de Space Dandy, muito menos para o pós-rock de Zankyou no Terror. Nem mesmo o rap de Samurai Champloo se encontra presente e um grande desfalque no CD é a canção de Flying Lotus com Thundercat, dando voz a Skip.

No entanto, o que sobra é um pop genuinamente bom. Até mesmo as canções massificadas de Angela são boas e é o único CD que me fez ouvir pop desde James Blake em 2011!

A diversificação das canções é o ponto forte, conferindo ao álbum ares mais leves, mais pesados, mais dançantes, mais contemplativos, belos e sublimes. Tem de tudo um pouco e nada é misturado ou bagunçado. A ordem é plena e o resultado é extremamente satisfatório.

Vale muito a pena escutar esse belezura do começo ao fim!